Dynamite Dux (Sega Master System)

Dynamite DuxA rapidinha de hoje leva-me de volta a uma das minhas consolas preferidas, a Sega Master System. E o jogo que cá trago hoje é mais uma adaptação de um jogo arcade da Sega, lançado durante os anos 80, curiosamente pelo estúdio AM2, de Yu Suzuki que também nos trouxe clássicos como Out Run, Hang On, Virtua Fighter ou Shenmue. Naturalmente a versão Master System é bastante inferior ao original, mas não deixa de ser uma adaptação interessante. O meu exemplar foi comprado a um particular por algo entre os 8 e os 10€, sinceramente já não me recordo bem.

Dynamite Dux - Sega Master System
Jogo em caixa

Na verdade isto é um beat ‘em up que se resume ao cliché do costume: A nossa namorada é raptada por um vilão qualquer e teremos de andar a distribuir pancada em tudo o que se mexa até a resgatarmos. Mas felizmente a Sega fugiu um pouco a esse cliché numa série de coisas. Em primeiro lugar, o nosso protagonista é transformado num pato azul, os inimigos que enfrentamos são completamente doidos e bizarros e para além de distribuirmos pancada podemos também apanhar algumas armas e usá-las à vontade, como metralhadoras, bombas ou até bazucas que dão um jeitaço. Infelizmente para nós, a partir de um certo nível os nossos inimigos também as usam, pelo que atacar de longe pela calada deixa de ser uma opção. No final de cada nível temos também de enfrentar um boss, como não poderia deixar de ser. Estes bosses geralmente estão divididos em diferentes partes desconexas que podem ser atacadas individualmente e eventualmente desaparecem, ou então podemo-nos focar logo em atacar “a cabeça” sendo que corremos mais riscos em sofrer dano.

Os inimigos são bastante bizarros e originais
Os inimigos são bastante bizarros e originais

O maio defeito é talvez o facto de não ser um jogo muito difícil, principalmente se tirarmos vantagem das armas que podemos apanhar. Bin (a nossa personagem na forma de pato) tem uma barra de energia generosa o suficiente para podermos sofrer algum dano e apesar de termos apenas 3 vidas, podemos sempre continuar no início do nível em que estamos, caso as esgotemos. O outro defeito notável é a falta de um modo multiplayer cooperativo, como existe no original de arcade.

A nível de audiovisuais acho que é um jogo excelente, muito colorido, com inimigos bem originais e bizarros e cenários variados e bem detalhados que tanto nos lembram o Japão feudal, os subúrbios de cidades modernas ou outras zonas mais rurais. Mas claro que se compararmos esta versão com a original arcade, que corre na placa System 16, largamente superior às capacidades da Master System e até algo superior à própria Mega Drive, então claro, esta versão fica muito aquém. As músicas também achei bastante boas, embora este seja um daqueles jogos que, algures escondido no seu código na ROM, possui músicas que usam o FM-Unit que oficialmente nunca saiu fora do Japão. E essas músicas têm ainda muito mais qualidade.

Os bosses estão divididos entre "cabeça" e outras partes do corpo desconexas
Os bosses estão divididos entre “cabeça” e outras partes do corpo desconexas

Em suma, este Dynamite Dux acaba por ser um jogo muito interessante, e o legado de Bin the Duck não foi esquecido pela Sega. A personagem Bean the Dynamite do Sonic the Fighters é inspirada nesta e no próprio Fighters Megamix para a Sega Saturn também o podemos desbloquear.

 

Strider Returns (Sega Game Gear)

Strider ReturnsNão, este não é o excelente e difícil Strider 2 da Capcom que acabou por sair para a Playstation. Algures na primeira metade da década de 90 a U.S. Gold detinha os direitos da série no ocidente, pelo que decidiram tomar a liberdade de desenvolver eles mesmos uma sequela não oficial. E sendo a U.S. Gold um estúdio britânico, então acabaram por ser lançadas versões para todas as consolas da Sega no mercado, bem como os computadores mais populares por estas bandas, desde os velhinhos C64 e ZX Spectrum até ao Amiga e PC. Joguei bastante isto na minha infância, a versão de Master System, que tinha sido emprestada por um colega de turma lá na escola. Eventualmente chegou o cartucho da Game Gear às minhas mãos que é essencialmente o mesmo jogo e depois lá o encontrei completo na Cash Converters de São Sebastião em Lisboa por 12€ e acabei por trazer.

Jogo completo com caixa, manuais e papelada
Jogo completo com caixa, manuais e papelada

E este Strider Returns é também um jogo difícil como os restantes da série, mas infelizmente não pelas melhores razões. O original da arcade e a sua sequela verdadeira são jogos difíceis como lixo, mas a sua jogabilidade é óptima e é apenas a nossa perícia que é posta à prova. Aqui infelizmente já não é tanto assim, já que a jogabilidade deixa um pouco a desejar (não é um jogo tão fluído assim) e o design no geral também não é o melhor. Há inimigos que é impossível não receber dano (como umas máquinas que atiram com bombas em várias direcções de uma rajada só) ou outros que explodem vindos do nada. Felizmente temos uma barra de vida que nos permite levar com algum dano, bem como há vários power ups a apanhar, incluindo uns que nos regeneram vida. Mas também não podemos perder tanto tempo assim a explorar os níveis já que temos um tempo limite para os completar e não é lá muito longo. De resto, o herói (que não é o Hyriu mas sim um tal de Hinjo cuja missão é a de resgatar uma princesa do vilão do costume) possui na mesma as habilidades atléticas do seu predecessor, como os saltos mortais e os ataques de espada com um alcance considerável. É também possível escalar algumas superfícies e temos à nossa disposição um número ilimitado de shurikens.

O protagonista continua acrobático, pena que no geral o design deixe um pouco a desejar
O protagonista continua acrobático, pena que no geral o design deixe um pouco a desejar

No que diz respeito aos audiovisuais, a versão Mega Drive é naturalmente superior às versões Master System/Game Gear. Ainda assim não posso dizer que os gráficos sejam maus de todo a nível de detalhe em si, apenas acho que o design dos níveis e da maioria dos inimigos que são meramente máquinas genéricas é que poderiam ser melhores. Naturalmente também que a versão Game Gear sai um pouco prejudicada pela resolução de ecrã ser menor. As músicas, poucas, são também bastante repetitivas.

De vez em quando lá temos pequenas cutscenes destas
De vez em quando lá temos pequenas cutscenes destas

Mas ainda assim, com todos os seus defeitos, não consigo dizer que este Strider Returns seja um jogo péssimo. É uma desilusão simplesmente pelos originais da Capcom serem estupidamente bons.

VR Troopers (Sega Mega Drive)

VR TroopersA rapidinha de hoje vai recair uma vez mais na Sega Mega Drive, uma das minhas consolas preferidas de sempre! E o jogo que cá trago hoje é um que veio parar à minha colecção após ter sido comprado num bundle com vários outros jogos. Não era algo que eu fizesse questão em ter, mas cá ficou. A série VR Troopers era uma espécie de parente pobre dos Power Rangers da década de 90, aproveitando um pouco o “boom” do conceito de realidade virtual que por algum motivo tinha virado moda nessa altura.

Jogo com caixa e manuais

E tal como o primeiro Power Rangers este é também um jogo de luta que, suponho eu que já não tenho grandes memórias da série televisiva, tenta seguir de alguma forma os acontecimentos da mesma. Isto quer dizer que vamos lutando contra vários diferentes inimigos criados pelo vilão lá do sítio, sendo os mesmos intercalados por pequenas batalhas contra vários minions. Ao contrário da série Power Rangers, pelo menos neste videojogo não temos quaisquer combates com Megazords e robots similares. Mas também ao contrário do videojogo dos Power Rangers, aqui os controlos e fluídez das lutas pareceram-me ser melhores, mas não esperem por nada ao nível de um Street Fighter. De resto, a nível de modos de jogo podem contar com o habitual modo de história e um versus para 2 jogadores. Temos ainda um outro modo de jogo para treino.

Apesar da variedade não ser muita, gostei do detalhe gráfico nas arenas deste jogo
Apesar da variedade não ser muita, gostei do detalhe gráfico nas arenas deste jogo

Nos audiovisuais sinceramente até nem desgostei deste VR Troopers, principalmente pelo detalhe gráfico nas arenas de jogo. Estas estão muito bem detalhadas, apresentando metrópoles algo futuristas, wastelands ou combates na zona de realidade virtual. É que para além de haver um bom detalhe gráfico nos cenários, os efeitos de parallax também resultaram muito bem. Já o detalhe gráfico dos lutadores não está nada de especial. As músicas são bastante agressivas, sempre com uma sonoridade mais rock, aproveitando aquele som por vezes mais estridente que a Mega Drive tanta fama tinha.

Resident Evil 3: Nemesis (Sega Dreamcast)

Resident Evil 3O outro artigo extremamente breve de hoje é a versão Dreamcast do Resident Evil, cujo jogo já foi aqui abordado na sua incarnação para a Gamecube que poderão ler na íntegra aqui. Esta versão para a Dreamcast foi comprada recentemente, num bundle de Dreamcast que lá me apareceu por 15€.

Jogo com caixa, manual e papelada
Jogo com caixa, manual e papelada

E então em que se difere esta versão da versão Gamecube? As únicas diferenças realmente visíveis é o facto do modo Mercenaries e os uniformes extra estarem desbloqueados logo de início, para além do que existem 2 uniformes extra que a versão Gamecube não tem. Para além disso, no gameplay, o VMU da Dreamcast serve para mostrar o estado  de vida, algo útil que evita uma ida ao menu só para verificar isso. A outra possível diferença está nos gráficos. Há quem diga que a versão Gamecube, como sendo uma conversão directa da versão PS1, tenha gráficos ligeiramente inferiores aos da Dreamcast, mas sinceramente não notei grandes diferenças. São ambos superiores à versão PS1 no entanto, quanto mais não seja pela maior resolução.

Last Battle (Sega Mega Drive)

Last BattleHokuto No Ken, ou Fist of the North Star é uma série de manga/anime clássica japonesa da década de 80, que para mim foi simplesmente das melhores épocas para o género. Passado num mundo pós apocalíptico, Fist of the North Star é passado num mundo austero e bastante violento. É uma série que eu tenho definitivamente de ver de uma vez por todas. E porque passei eu meio parágrafo a escrever sobre Fist of the North Star? É porque tal como o Black Belt da Master System, este Last Battle é também um reskin de um jogo dessa franchise, lançado originalmente no Japão. Este meu exemplar veio de um bundle de jogos que comprei na Cash Converters de Alfragide já há uns bons meses atrás, creio que por cerca de 5€.

Jogo em caixa
Jogo em caixa

Gostava de vos falar da história deste jogo, mas a mesma passa tão rápida no ecrã que só dá para ler 3 linhas de cada parágrafo… de qualquer das formas a mesma é baseada na segunda temporada do anime Fist of the North Star que eu ainda não vi, pelo que vou-me remeter à minha ignorância. A jogabilidade é de um beat ‘em up sidescroller puramente em 2D, algo como no Altered Beast. E também como o Altered Beast este é um dos jogos de primeira geração da Mega Drive, que impressionou o público mais pelo tamanho grande das sprites do que propriamente pela jogabilidade, que acabou por envelhecer um pouco mal.

Whatever you say, Aarzak (que raio de nome lhe foram dar)
Whatever you say, Aarzak (que raio de nome lhe foram dar)

Mas vamos lá às mecânicas de jogo antes de mais nada. Em primeiro lugar temos um mapa mundo para explorar e com alguns caminhos alternativos a tomar. E em cada nível que entramos podemos ter uma de 4 coisas: um nível normal onde temos de defrontar os inimigos que nos vão aparecendo até chegar ao fim; um confronto contra um boss; um encontro com algum aliado que nos aumenta o nosso ataque, defesa ou restaura energia ou então podemos encontrar um nível labiríntico. Nestes não temos quaisquer inimigos para defrontar a não ser as armadilhas despoletadas, como setas ou pedras a surgirem de várias direcções. Aqui teremos simplesmente de encontrar a saída. Sinceramente foram níveis que me pareceram um pouco enfadonhos. De resto a jogabilidade é bastante simples, com a nossa personagem a poder desencadear uma série de ataques básicos. À medida que vamos derrotando inimigos vamos também enchendo uma barra de “power“. Quando ultrapassarmos um certo limite, dá-se uma pequena transformação à Altered Beast, com o nosso herói a ficar tão musculado que lhe rebenta a roupa, ganhando a habilidade de dar socos bastante rápido.

No original japonês podíamos explodir com cabeças! Infelizmente isso aqui foi censurado.
No original japonês podíamos explodir com cabeças! Infelizmente isso aqui foi censurado.

Graficamente é um jogo algo simples, com os cenários a não serem tão variados assim. Temos cidades em ruínas, paisagens desérticas (o típico de um jogo pós-apocalíptico), bem como alguns níveis passados à beira-mar e num navio que nos atravessa para a outra margem. As sprites em si são bem grandinhas e detalhadas, isso era um grande cartão de visita das capacidades de um sistema da Mega Drive para os que estavam habituados aos gráficos de uma NES ou mesmo da Master System. Mas infelizmente, para além de trocarem os nomes das personagens de Fist of the North Star, também alteraram o aspecto dalguns bosses, dando-lhe um aspecto mais mutantes. Isto porque também decidiram tirar o gore do jogo, já que no original sempre que atingíamos um inimigo a sua cabeça explodia, aqui simplesmente voam pelo ecrã fora. E nos bosses alguns também tinham finais bem sangrentos. De resto, as músicas não são nada de especial, mas também não são propriamente más. Uma delas ainda me fez lembrar umas melodias de Phantasy Star!

Para além do gore retirado, também alteraram as cores de alguns bosses
Para além do gore retirado, também alteraram as cores de alguns bosses

No fim de contas, este Last Battle embora não sendo um mau jogo, ultimamente acaba por ser daqueles exemplos de videojogos que envelheceram mal com o tempo. As suas mecânicas de jogo são bastante simples e repetitivas (em especial nos níveis labirínticos) e o facto de o terem transformado tanto desde a versão Japonesa também não o abonou muito. Mas não é um mau jogo, e se tiverem curiosidade é dos que mais facilmente se encontra por aí. Comprem-no baratinho!