Sonic Gems Collection (Sony Playstation 2)

A rapidinha de hoje incide em mais uma colectânea para a Playstation 2. Depois do Sonic Mega Collection Plus, que trouxe practicamente todos os Sonics da era 16bit mais alguns da Master System / Game Gear, a Sega acabou depois por lançar uma outra compilação com o que ficou de fora na colectânea anterior. O resultado foi esta Sonic Gems collection cujo maior destaque vai sem dúvida para a inclusão do Sonic CD e de uma conversão do obscuro Sonic the Fighters, um jogo de porrada com o Sonic e amigos, feito com o motor gráfico do Virtua Fighter. O meu exemplar foi comprado numa das cash converters de Lisboa, algures no ano passado. Creio que me custou 2.5€.

Compilação com caixa e manual

Este artigo vai-se focar na compilação em si, não me vou detalhar muito nos jogos que dela fazem parte. Isto porque a sua maioria são jogos que ambiciono ter (especialmente o Sonic CD) e nessa altura terei todo o gosto em escrever um artigo mais detalhado. Para além dois dois jogos acima referidos, a compilação contém também o Sonic R. Da Game Gear, conta com o que não saiu na compilação anterior, nomeadamente o Sonic 2, o Triple Trouble (outro dos que faço mesmo questão em comprar um dia destes), Sonic Drift 2, a versão 8bit do Sonic Spinball e os 2 jogos do Tails: Adventures e Sky Patrol. Juntamente com os jogos podemos ver digitalizações dos seus manuais. Da época dos anos 90 só ficou mesmo a faltar o SegaSonic Arcade, que acabou por não ser incluído devido à dificuldade de emulação dos seus controlos por trackball, ou o Knuckles Chaotix da 32X. Para compensar, e tal como na compilação anterior, a Sega decidiu incluir alguns jogos extra de Mega Drive, desta vez a dupla dos Vectorman. Mas o Japão levou a melhor, pois a versão japonesa desta compilação traz tudo isto e ainda mais o Bonanza Bros e a trilogia Bare Knuckle / Streets of Rage!

Sonic the Fighters é uma das piores ideias que a Sonic Team teve. Percebe-se o porquê do jogo nunca ter saído das arcades antes…

À medida em que vamos explorando os diversos jogos da compilação e amealhando várias horas de jogo, começamos também a desbloquear alguns extras, nomeadamente artwork, pequenos trailers ou até demos de alguns dos Sonics da Mega Drive presentes na compilação anterior. Devo dizer que fiquei um pouco desapontado com os extras, pois noto que a Sega deve ter ficado sem ideias. Isto porque temos bónus relativos a jogos como o Sonic Adventure e arte retirada dos Sonic Advance, que nunca saíram para a PS2, para além de publicidades ao Sonic Heroes. Mas aí já é o business a falar… Temos também alguma artwork do Knuckles Chaotix, o que me leva a pensar que se calhar até foi considerado para a compilação, bem como fotos de algumas máquinas da Sega bem obscuras, como jogos arcade infantis. Isso gostei de ver!

Bem, jogar o mesmo jogo 150 vezes é obra!

Portanto, apesar de achar que a Sonic Mega Collection Plus é uma compilação bem mais forte, esta acaba por a complementar muito bem. Por um lado por possuir grandes pérolas como o Sonic CD e o resto do catálogo Sonic 8bit, que até é bem grandinho. Por outro por também trazer alguns títulos mais obscuros como o Sonic the Fighters, que apesar de ser um jogo de luta fraquinho, sempre tive curiosidade em jogá-lo. Mas fica mesmo a pena de não incluir pelo menos o Knuckles Chaotix.

Motocross Championship (Sega 32X)

A 32X foi um acessório/consola muito peculiar e com uma história bastante controversa, desde o seu desenvolvimento, passando pela rápida descontinuação em prol de uma Sega Saturn que também não teve uma vida fácil. No curto espaço em que a 32X esteve no Mercado, poucos foram os jogos lançados, e menos ainda aqueles que deixaram uma boa impressão do sistema. No meio disto tudo, alguns jogos como este Motocross Championship passaram completamente despercebidos e neste caso é fácil de entender o porquê. O meu exemplar foi comprado como novo há poucos meses atrás, tendo-me custado uns 15€.

Jogo completo com caixa e manuais

Desenvolvido pela Artech Studios, este é um jogo de motocross, o que não é nada difícil de adivinhar pelo nome. Aqui podemos concorrer em 2 modos de jogo, o practice e o season. O primeiro é uma corrida livre, que podemos também jogar contra um amigo em split screen, o segundo leva-nos para o modo “campeonato”, onde devemos procurar chegar sempre nos lugares cimeiros da tabela ao longo de 12 pistas que podem ser indoor ou outdoor. Começamos com uma moto de 125cc e depois no final do campeonato lá podemos fazer o upgrade para uma moto mais potente, de 250cc e repetir as mesmas pistas.

Por vezes as sprites perdem toda a definição e ficam bem feias

Infelizmente o jogo tem um aspecto mesmo de ter sido terminado à pressa, e para isso basta ver o início de cada corrida, com todos os oponentes a espetarem-se uns contra os outros. A falta de variedade nos cenários, que repetem as mesmas sprites de background, e falta de variedade de motos ou de customização das mesmas, mostram que ainda havia muito aqui por melhorar. A jogabilidade é simples, mas o sistema de detecção de colisões e a câmara deixam um pouco a desejar. Isto porque, sendo um jogo de motocross vamos ter vários saltos para fazer, onde a arte está em manter a moto num determinado ângulo, para conseguirmos aproveitar o salto da melhor forma possível. E se por um lado as colinas até nos dão uma boa sensação de 3D, na verdade não temos controlo na câmara de forma a ver onde vamos aterrar, sendo possível por vezes aterrar fora da pista e com isso perder alguns segundos preciosos. Tal como no Road Rash é também possível espetar socos nos oponentes, mas como o sistema de detecção de colisões não é grande coisa, acaba também por ser algo que nos faz mais perder tempo do que outra coisa.

Quando as corridas começam, invariavelmente os primeiros segundos são passados com os outros pilotos todos a embarrarem uns nos outros

Graficamente também é um jogo que decepciona. Os motociclistas são sprites 2D com pouca definição, e as pistas poderiam estar melhor detalhadas. Tal como referido acima, as colinas até que dão uma boa sensação de profundidade, mas o jogo perde bastante pela sua draw distance reduzida e pelos simples backgrounds, que são apenas uma imagem sem qualquer parallax scrolling. Verdade seja dita, o primeiro Road Rash como um todo era um jogo bem mais interessante graficamente. Os efeitos sonoros também não são nada de especial, as vozes digitalizadas deixam muito a desejar (vão-se cansar de ouvir os mesmos hey! vezes sem conta) e as músicas também não são lá muito cativantes.

Portanto, este Motocross Championship é daqueles jogos que apenas recomendo aos mais ávidos coleccionadores da Sega, pois não é todos os dias que nos aparece um jogo complete de 32X á frente. A Mega Drive possui jogos de corrida bem melhores e a 32X também.

Jordan vs Bird: One on One (Sega Mega Drive)

Continuando pelas rapidinhas, desta vez para a Mega Drive, o jogo que cá trago é mais um jogo desportivo de Basquetebol da Electronic Arts. Antes da série NBA Live ter sido criada, a EA desenvolveu vários jogos de basquetebol com diferentes títulos e jogabilidade. Este Jordan vs Bird, tal como o seu nome indica, é um jogo de 1 contra um 1, com Michael Jordan e Larry Bird. O meu exemplar foi comprado numa feira de velharias por 5€ há coisa de uns 2 meses atrás.

Jogo com caixa e manual

E aqui dispomos de vários modos de jogo. Os modos de jogo principais são mesmo o 1 contra 1, que pode ter duas variantes: na primeira, o limite da partida é dado pelo tempo, no outro podemos colocar o limite com o número de pontos. E aqui como é uma partida de 1 contra 1, apenas jogamos com um cesto e parte do campo. Mas também como não poderia deixar de ser, todos os modos de jogo podem ser jogados sozinhos ou contra um amigo.

O 1 contra 1 é talvez aquele que seja mais interessante no multiplayer

Outro dos modos de jogo é o Three Points contest, onde estamos fora da linha de 3 pontos a tentar encestar o máximo de bolas possível. A jogabilidade é um pouco estranha, com um botão para agarrar a bola, outro para saltar e outro ainda para a lançar. Começamos numa das extremidades do semicírculo da linha de 3 pontos, e vamos fazendo lançamentos ao longo de diferentes ângulos. Depois temos também o Slam Dunk, que me faz lembrar as provas de mergulho nos jogos olímpicos. Aqui devemos escolher 3 tipos diferentes de afundanços, com nomes como Hole in One, Reverse Jam ou Hula-Loop. Depois, devemos aplicar uma sequência de botões para fazer o afundanço correctamente, com um júri a atribuir-nos uma pontuação no fim.

O 3 points contest é aquele modo de jogo que é mais bonito graficamente

Graficamente até que é um jogo bem interessante, com sprites bem grandes e detalhadas. Também o facto de termos apenas 1 ou 2 jogadores presentes no ecrã ajuda à festa. A arena de jogo está também graficamente bem definida, e antes de cada partida, seja no 1 contra 1, ou nos outros, temos sempre alguns diálogos entre comentadores televisivos. A nível de som é um jogo também competente, mais nos efeitos sonoros do que propriamente nas músicas, que apenas se ouvem nos menus e são maioritariamente músicas festivas.

Legend of Illusion (Sega Game Gear)

Tempo de voltar à Game Gear e às rapidinhas, com aquele que foi o último jogo da série Ilusion do Mickey, pelo menos até há poucos anos atrás a Sega ter desenvolvido um remake do primeiro clássico, o Castle of Illusion. E este Legend of Illusion é o follow up do Land of Illusion, um excelente jogo de plataformas lançado também para as consolas de 8bit da Sega. O meu exemplar foi-me oferecido por um amigo meu, já há algum tempo.

Apenas cartucho

A história por detrás do jogo leva-nos ao mundo da Disney, mas nos tempos medievais. Aqui, o vilão Bafo é rei e o seu reino é subitamente assolado por uma nuvem negra que destrói as colheitas. De acordo com uma lenda antiga, seria necessário o Rei ir à procura de uma água mágica, de forma a quebrar aquela maldição. Mas Bafo é um cobarde, pelo que torna o seu lacaio Mickey como rei honorário e envia-o para essa demanda. Pelo meio vamos visitando os reinos de Donald e Pateta que também atravessam problemas similares.

Em Legend of Illusion voltamos à idade média para defrontar um feiticeiro e um dragão. Só falta salvar uma princesa!

A nível de mecânicas de jogo, este Legend of Illusion é um pouco diferente dos restantes jogos da série, devido ao facto do ataque principal não ser saltar em cima dos oponentes, mas sim atirar-lhes com bolas de sabão (ou apanhar blocos e atirar-lhes). De resto é um jogo de plataformas clássico com um botão para saltar e outro para atacar. Pelo caminho vamos encontrando vários itens para apanhar, alguns que vão restaurando a barra de vida ou mesmo aumentá-la, vidas extra, ou simplesmente mais pontos. Ao contrário de Land of Illusion onde havia alguma não linearidade no progresso do jogo, que nos encorajava a explorar cada nível ao máximo de forma a descobrir todos os seus segredos, aqui as coisas são mais lineares. Os níveis são todos fantasiosos, desde castelos, florestas ou montanhas, existindo ainda um nível onde voamos numa libelinha gigante, com o jogo a ganhar mecânicas semelhantes às de um shmup. Existem ainda outros níveis interessantes, como a Crystal Forest que até inclui portais como os de Portal. No entanto este nível é uma excepção e não a regra, pois no geral, acho este Legend of Illusion um jogo com um design de níveis menos imaginativo.

Aqui a principal arma do mickey são bolas de sabão. O sabão devia ser mesmo tóxico na idade média!

Graficamente também não acho que seja dos melhores jogos da série, pois o Land of Illusion facilmente leva esse troféu nas versões 8bit. Acho que o jogo não possui cores tão vivas quanto os anteriores, e com isso os gráficos também sofrem um pouco. O bom daqui está mesmo nas cutscenes entre cada nível, repletas de imagens de alta qualidade. Já nas músicas infelizmente também não achei que fossem lá muito boas. Não deixa no entanto de ser um jogo interessante. Talvez não tão bom quanto o anterior, mas um jogo de plataformas bem competente de qualquer das formas.

Gamebox: Série Lutas (Sega Master System)

Continuando pelas rapidinhas, o artigo que cá trago hoje é uma interessante compilação de três jogos de acção, lançada originalmente e de forma exclusiva no mercado brasileiro, através da TecToy. A Ecofilmes no entanto lá deve ter importado umas quantas cópias dessa compilação, pois já a vi várias vezes à venda por cá. Na verdade, há já uns anos atrás que me tinham oferecido um cartucho solto desta compilação, que infelizmente tinha a label rasgada e problemas a arrancar um dos jogos, o Shinobi. Mas recentemente comprei um em caixa por 30€ na loja online Play ‘n Play. Foi mesmo naquele limite máximo de preço que tinha imposto para mim mesmo, e quando finalmente apareceu, não deixei escapar.

Compilação em caixa. Não sei o que o pessoal às vezes faz com os manuais…

Os jogos que compõe esta compilação são o Kung Fu Kid, o The Ninja e a versão Master System do Shinobi. Estes dois últimos são jogos que já tenho separadamente, pelo que recomendo que dêm uma passadela pelos respectivos artigos para mais detalhe. Vou aproveitar o resto do post para falar um pouco mais do Kung Fu Kid. Tal como o Kung Fu da NES, este é um beat ‘em up simples e inteiramente em 2D, sem aquela perspectiva pseudo-3D introduzida por jogos como Double Dragon. Tem também uma temática que faz lembrar aqueles filmes clássicos e orientais de artes marciais.

Nunca entendi muito bem quais são aqueles inimigos verdes que saltitam de um lado para o outro.

Bom, a história por detrás do Kung Fu Kid não sei, mas parece envolver o sobrenatural asiático pois eu nunca entendi muito bem contra quem é que estava a lutar. Temos criaturas pequenas a saltitar de um lado para o outro e que nunca consegui perceber o que eram, uns tipos castanhos que vim a saber mais tarde que eram lobisomens, e até uns tipos meios verdes que sempre me fizeram lembrar o Picollo de Dragon Ball Z. A jogabilidade é simples, com um botão para saltar e outro para atacar, sendo que podemos usar o botão de ataque em conjunto com os outros para outras combinações, como diferentes tipos de pontapés. Ao longo do jogo vamos também poder apanhar uns itens brancos que também nunca soube o que eram. E como na altura não tinha manual, nem internet para ler FAQs de jogos, nunca soube que eram talismãs e que se carregasse nos botões 1 + cima os podia atirar, destruindo todos os inimigos em que o tocassem. Quando era miúdo também tentava derrotar todos os inimigos que me surgiam no ecrã, e devido à falta de itens regenerativos, a minha barra de energia ia-se esgotando e por vezes não era suficiente para enfrentar o boss. Hoje em dia já aprendi que ganhamos mais em esquivar de alguns inimigos, saltando por cima deles. Dessa forma alguns até se atrapalham uns aos outros e a nossa vida fica um pouco mais facilitada.

Os níveis na sua maioria são simples sidescrollers horizontais onde temos de ir do ponto A ao B, com inimigos a virem de ambas as direcções. Existem por vezes alguns níveis com alguma verticalidade, onde poderemos inclusivamente usar técnicas avançadas como o salto em paredes para alcançar os andares superiores. Perto do final do jogo teremos uma sequência de uns 4 ou 5 bosses para defrontar, com uma única barra de vida, sendo que parte da nossa vida regenera entre cada combate.

No final de cada nível defrontamos um boss. Convém chegar até lá relativamente ileso!

Graficamente é um jogo bastante colorido, mas com as sprites a serem bastante simples, até porque, tirando os bosses que geralmente são um pouco maiores e mais detalhados, muitos dos inimigos sempre foram algo misteriosos para mim, não se entendendo bem o que seriam. Os níveis começam também com pouco detalhe, com o primeiro nivel a decorrer numa zona cheia de canas, tipicamente asiática. Depois vamos entrando em templos e outros edifícios com adornos asiáticos, e aí detalhe gráfico vai melhorando um pouco. As músicas não são memoráveis, mas são suficientemente agradáveis, com as suas melodias também com alguns toques orientais.

Portanto este Kung Fu Kid é um jogo relativamente interessante, apesar de ser ainda algo simplista e primitivo. No entanto é desafiante o suficiente para nos manter interessados. Os outros jogos da compilação são clássicos da Master System, tornando a compilação como um todo bastante interessante, pena é que seja relativamente difícil de a apanhar por cá.