Micro Machines 2: Turbo Tournament (Sega Mega Drive)

O primeiro Micro Machines foi um dos jogos que mais joguei na minha infância para a Master System. Apesar do jogo ter um início de vida algo conturbado devido ao seu lançamento sem licença oficial da Nintendo ou Sega, acabou por ser um sucesso e naturalmente que sequelas acabaram por ser desenvolvidas. A primeira é este Micro Machines 2 Turbo Tournament, cuja versão da Mega Drive me veio parar à colecção após ter sido comprada por 10€ na feira da Vandoma no Porto. Algures em Janeiro de 2016!!

Jogo completo com caixa e manuais

A sequela do Micro Machines inclui alguns novos modos de jogo, diferentes veículos e uma jogabilidade extremamente viciante, ideal para o multiplayer com amigos. Foi também um dos jogos que foi lançado com um J-Cart, permitindo ligar mais 2 comandos no próprio cartucho, elevando o número máximo de jogadores não para quatro, mas sim oito, pois há a possibilidade de cada 2 jogadores partilhar um comando. Na vida real nunca joguei com tanta gente, o máximo foi mesmo com 4 pessoas, cada uma com o seu comando. No entanto, infelizmente esta minha versão é um cartucho normal, não um J-Cart.

Mais uma vez vamos percorrer circuitos improvisados onde tudo vale. Até na casa de banho!

Mas adiante, temos vários modos de jogo. O Challenge é aquele em que vamos percorrendo todas as pistas do jogo, mas temos de chegar nos primeiros 2 lugares de forma a prosseguir para a pista seguinte. Se chegarmos 3 vezes seguidas em primeiro, somos levados para um nível de bónus onde podemos ganhar vidas extra. Isto porque a cada vez que falhamos a qualificação para a etapa seguinte perdemos uma vida. Depois temos também o modo Super League que é um campeonato onde no fim vence quem tiver mais pontos. O Time Trial é um modo de jogo que deveria dispensar apresentações, pois é onde podemos aperfeiçoar as nossas skills e chegar ao fim da corrida no menor tempo possível. Por fim temos o head to head contra o CPU, que sinceramente não gosto muito. Aqui por cada vez que alguém deixar o oponente para trás, ficando fora do ecrã, ganha um ponto enquanto o oponente perde um ponto. A parte chata daqui é que cada vez que isso acontece, o jogo pára por uns momentos de forma a colocar ambos os carros ao mesmo nível e isso corta bastante o ritmo de jogo.

Por vezes conseguimos encontrar alguns atalhos ou mesmo power ups secretos como vidas extra!

O multiplayer é aquilo que sempre chamou mais à atenção da série. E aqui também podemos correr em partidas amigáveis, time trial, e vários tipos de torneios, que podem ir até aos 8 jogadores como já referido ali em cima. E porque é que o jogo é tão divertido? Bom, por mim é por vários motivos. Um deles porque é uma viagem nostálgica enorme, que nos leva aos nossos tempos de infância onde brincávamos com carros de miniatura em pistas improvisadas, fosse no chão, na cozinha, jardim ou casa-de-banho! Depois porque a jogabilidade é excelente e o jogo bastante desafiante, com os circuitos a ter vários obstáculos e abismos onde podemos cair e com isso perder alguns segundos preciosos.

Por vezes o jogo é bem desafiante, seja pelos obstáculos que nos vão aparecendo, ou pela agressividade dos oponentes

Graficamente é um jogo bastante colorido tal como o primeiro e os cenários vão sendo variados e bem detalhados. Se gostaram do primeiro Micro Machines, este não fica nada atrás nesse campo. Cenários como mesas de bilhar, máquinas de pinball, oficinas, casas de árvores, cozinhas, casas de banho, entre muitos outros continuam aqui representados de uma forma bastante criativa. Recomendo vivamente! Depois deste Micro Machines 2, saiu um update no ano seguinte, chamado Micro Machines 96 Turbo Tournament, que é essencialmente o mesmo jogo com mais veículos, pistas e a possibilidade de criar os próprios circuitos. Mas isso fica para a altura em que eu eventualmente lá encontre esse jogo.

Chakan (Sega Game Gear)

Continuando pelas rapidinhas e pela Game Gear, este jogo que cá trago hoje é a adaptação para a Game Gear de um jogo de mesmo nome que tinha sido lançado para a Mega Drive, por intermédio da Sega of America. Por sua vez, ambos os jogos são baseados numa comic norte-americana do mesmo nome, que conta a história de Chakan, outrora um guerreiro poderoso, mas após um duelo com a morte, ganhou o presente envenenado da imortalidade, com o preço de ter de erradicar uma série de demónios antes de poder retomar à sua forma original. O meu exemplar foi comprado na Feira da Vandoma do Porto, algures no mês passado, tendo-me custado 5€. Edit: arranjei recentemente um exemplar completo.

Jogo com caixa e manual.

Este é um jogo de acção e plataformas inteiramente não linear. Somos largados numa espécie de hub world onde podemos encontrar 6 portais que nos levam para diferentes níveis, podendo estes serem jogados em qualquer ordem. Os níveis em si vão sendo algo labirínticos e repletos de inimigos, pelo que o desafio está sempre lá, até porque a jogabilidade exige alguma práctica. Isto porque Chakan pode atacar com as suas espadas em qualquer direcção, obrigando-nos a usar o d-pad em conjunto com o botão de ataque, se quisermos direccionar os ataques de outra forma. É possível também fazer um salto duplo e atacar durante esse mesmo salto duplo, o que é bastante útil pois estamos temporariamente invulneráveis emquanto rebolamos no salto duplo. Rebolar no chão é também uma possibilidade e será bastante útil em algumas circunstâncias. Depois os níveis também são algo labirínticos e cheios de passagens secretas, pelo que exigem uma abordagem cuidada. É certo que Chakan é imortal, mas ao esgotar-se a sua barra de vida somos levados de novo ao hub world e teremos de recomeçar o nível do zero.

Graficamente é um jogo excelente, com níveis e sprites muito bem detalhados para uma portátil 8bit

No final de cada nível temos sempre um boss para defrontar, e no caso de jogarmos na dificuldade máxima, acabamos por desbloquear um nível e boss extra. Ao longo dos níveis vamos encontrando também várias poções mágicas que podem ser usadas no sistema de alquimia do jogo, bem como algumas espadas elementais mais poderosas, muitas vezes muito bem escondidas. O sistema de alquimia usa as poções que vamos encontrando ao longo do jogo, cujas combinações nos podem atribuir alguns poderes temporários, como destruir todos os inimigos presentes no ecrã, invisibilidade, um escudo extra, duplicar o poder de ataque, entre outros, incluindo regenerar a nossa vida, que não regenera de outra forma, nem ao mudar de nível. São poderes que nos vão dar um jeitaço e devem ser usados com precaução!

Chakan apesar de ser imortal, sofre dano. E o jogo é desafiante!

De resto a nível audiovisual devo dizer que este é um jogo que me agradou bastante. As sprites são grandes, os níveis muito bem detalhados graficamente. Existe alguma variedade nos visuais entre os níveis, mas são todos sinistros e infernais, o que me agrada bastante. Os inimigos e principalmente os bosses também estão bem desenhados! O jogo possui também uma longa cutscene de introdução que está graficamente bem representada. As músicas por outro lado não são nada de especial, mas ouvem-se bem.

Fiquei agradavelmente surpreendido por este Chakan. A sua jogabilidade exige alguma práctica, e o jogo em si é desafiante. Mas tecnicamente parece-me excelente! Fico ainda mais curioso em um dia jogar a versão Mega Drive que um dia há-de vir cá parar à colecção.

Chuck Rock (Sega Game Gear)

De forma a compensar a minha ausência, irei publicar uma série de rapidinhas nos próximos dias. Começando pela Game Gear, o jogo que trago cá agora é a adaptação para esta consola do Chuck Rock, desenvolvido originalmente pela Core Design para computadores como o Commodore Amiga e Atari ST, tendo sido posteriormente convertido para uma série de outras plataformas 8 e 16 bit. Para as consolas da Sega, as primeiras conversões sairam precisamente na Master System e Game Gear, cuja minha cópia foi comprada algures no mês passado de Junho na feira da Vandoma do Porto por 5€.

Jogo com caixa e manual

Embora não seja propriamente notório nesta versão, a menos que eventualmente esteja explícito no manual, a história do Chuck Rock recai no cliché do costume, onde teremos de salvar a nossa mulher que foi raptada por um vilão qualquer da pré-história. O jogo usa as mecânicas clássicas deos platformers, com um botão para saltar e o outro para atacar. Se atacarmos enquanto estivermos a saltar, então o ataque sai um pontapé. Se por outro lado atacarmos enquanto no solo, o ataque é literalmente uma barrigada! Sendo um jogo da Core Design, é normal que haja aqui e ali algum sentido de humor, o que acontece principalmente na cutscene de abertura do jogo, que infelizmente não está aqui representada. De resto é um jogo de plataformas comum, onde temos também a possibilidade de carregar com rochas e usá-las para as atirar aos inimigos ou como plataformas para alcançar zonas de mais difícil acesso. Temos também uma série de itens para apanhar, e tal como em muitos platformers ocidentais desta época, a maior parte dos itens que podemos apanhar traduzem-se apenas em pontos, excepto os corações que nos restabelecem parte da nossa barra de vida.

As sprites até que são grandes nesta versão, mas em contra partida a área visível de jogo é muito reduzida

A nível audiovisual, esta versão do Chuck Rock decepciona um pouco. Na parte dos gráficos, as sprites até que são bem detalhadas, mas peca por ter os fundos todos negros, ao contrário das versões originais que possuem níveis bem mais bonitos e detalhados. Na parte dos efeitos sonoros, bom, esta é uma conversão muito semelhante às primeiras do jogo, pois não possuiam qualquer banda sonora, à parte da música título. Infelizmente a versão Master System também é muito semelhante a esta versão, melhorando apenas na resolução do ecrã.

Este Chuck Rock é então um jogo de plataformas bem decente, mas que nos deixa a saber a pouco, muito pouco, principalmente se depois virmos a versão Mega Drive (ou as originais para o Atari ST e Amiga) em movimento.

Spot Goes to Hollywood (Sega Saturn)

Por cá tínhamos o Fido, mas nos EUA, a mascote da 7-Up era o Cool Spot, uma pinta vermelha cheia de atitude e que naturalmente acabou por chegar aos videojogos. O mais conhecido por cá foi talvez o Cool Spot, embora tenha sido lançado cá sem qualquer referência à 7Up.  Depois do Cool Spot, a Virgin decidiu lançar um novo jogo intitulado Spot Goes to Hollywood, lançado originalmente para a Mega Drive. Ao contrário do anterior que era um jogo de plataformas tradicional em 3D, neste último resolveram fazer um jogo de plataformas pseudo-3D, com perspectiva isométrica. No ano seguinte a Virgin decidiu lançar uma nova versão do Spot Goes to Hollywood a pensar exclusivamente nas consolas 32-bit e é essa versão que cá trago hoje, mais nomeadamente a da Sega Saturn. A minha cópia foi comprada algures em Julho do ano passado, na feira da Vandoma no Porto, por 4€.

Jogo com caixa e manual

Este é um daqueles videojogos em que a personagem principal se perde num filme, num livro, ou noutra coisa qualquer. Mas como o nome do jogo indica, o Spot vai andando a saltar entre diferentes lugares comuns do cinema, começando nos filmes de piratas, de aventura que nem os Indiana Jones, ou de Terror. Ocasionalmente passamos por outros tipos de filmes em níveis de bónus diferentes, mas já lá vamos.

Apesar de ser uma versão bem mais polida, mantêm os mesmos problemas de um jogo de plataformas em perspectiva isométrica.

Tal como na sua versão 16bit, este é também um jogo na perspectiva isométrica. E também tal como nos clássicos, este é um simples jogo de plataformas onde temos um botão para saltar e outro para atacar, ao disparar projécteis das mãos, sendo esta a única forma de atacar os inimigos que nos vão surgindo. Mas ao contrário da versão Mega Drive, onde tínhamos de apanhar todas as pintas vermelhas presentes no nível antes de podermos desbloquear o seguinte, aqui não é preciso tal coisa. E como não somos obrigados a procurar em cada recanto, os níveis são também mais lineares e com caminhos directos com algum platforming à mistura. No entanto, sendo um jogo isométrico, possui também as mesmas limitações do estilo. Devido ao ângulo de câmara fixo, nem sempre é fácil medir distâncias, e tendo em conta que apenas conseguimos acertar nos inimigos quando estivermos 100% alinhados com eles, muitas vezes acabamos por falhar. O mesmo pode ser dito dos saltos!

Onde é que já vi isto a acontecer?

Para além de saltar e disparar, poderemos encontrar alguns itens que nos ajudarão ao longo do jogo, desde itens que nos regenerem a vida, escudos, bombas ou mesmo vidas extra que podem também ser ganhas a cada 100 pintas vermelhas que apanhemos. Para além disso temos também estrelas que podemos apanhar, 5 por nível para ser mais específico. E tal como as pintas vermelhas, não somos obrigados a as apanhar todas para completar os níveis, mas se queremos completar o jogo a 100% e ver o final completo, então teremos de as apanhar todas. E aí já teremos mesmo que explorar tudo e procurar inclusivamente portais que nos levem para salas secretas, ou até para níveis extra. Os níveis em si, para além de serem mais lineares que os da versão Mega Drive, vão sendo quase todos de plataformas, excepto alguns com auto scrolling, onde geralmente estamos a conduzir um veículo. Temos um nível inspirado no Jurassic Park onde conduzimos um jipe enquanto escapamos de um T-Rex, outro num carrinho de uma mina que costuma ser um cliché habitual, ou outro onde voamos numa vassoura mágica. Tendem a ser níveis com um scrolling rápido, especialmente o do minecart, obrigando-nos a ter reflexos rápidos e conseguir tomar decisões acertadas num espaço de segundos. Podem ser níveis algo frustrantes, especialmente se os queremos completar a 100% e encontrar todas as estrelas.

O jogo até possui umas sprites bem detalhadas!

De resto, a nível gráfico, até que é um jogo bastante interessante, justificando-se bem o “upgrade” entre a versão Mega Drive e esta mais recente. Os níveis são relativamente simples, mas achei as sprites dos inimigos bem detalhadas e animadas! Por outro lado as músicas são também agradáveis, e os efeitos de som competentes. No fim de contas, até que acaba por ser um jogo interessante. No entanto, apesar de ser uma versão bem mais polida, mantêm os mesmos problemas de um jogo de plataformas em perspectiva isométrica.

Sega Worldwide Soccer 2000 (Sega Dreamcast)

Continuando pelas rapidinhas de videojogos desportivos, o que cá trago hoje foi o renascer de uma série de sucesso, pelo menos aqui na Europa, originalmente lançada na Sega Saturn. Mas foi um renascer algo atribulado, e o nome de “Sega Worldwide Soccer” nunca mais foi o mesmo. Ao contrário dos clássicos da Saturn, este foi desenvolvido pela britânica Silicon Dreams, que já tinha desenvolvido alguns jogos de futebol noutras consolas. O meu exemplar veio da feira da Vandoma há já alguns anos. Custou-me uns 2€ se a memória não me falha.

Jogo completo com caixa e manual

A Dreamcast sempre foi criticada por não ter jogos de futebol tão bons quanto os FIFAs, ISS ou Pro Evolution Soccer. A Electronic Arts fez birra e não manifestou interesse em produzir videojogos para a Dreamcast, já a Konami não sei o que lhes ia na cabeça. A Sega uma vez mais teve de fazer tudo sozinha, e enquanto estavam a converter o Virtua Striker 2 para a Dreamcast, o novo WorldWide Soccer ficou a cargo da Silicon Dreams, empresa que já tinha desenvolvido videojogos como o Olympic Soccer ou os World League Soccer, para várias consolas. E a coisa que mais salta à vista é que os gráficos deram um grande impulso desde a Sega Saturn. Existem também muitos modos de jogo, desde jogos amigáveis, vários campeonatos ou taças customizáveis, bem como clubes das principais ligas mundiais e imensas selecções nacionais diferentes. A boa notícia é que temos muitos nomes reais dos jogadores, devido à Sega ter adquirido algumas das licenças para o efeito.

Querem ver o nome do jogador que estão a controlar? Olhem para o VMU

Por outro lado, a jogabilidade peca um pouco por ser mais lenta que os originais. O que tornava o Worldwide Soccer 97 tão bom era, para além dos excelentes gráficos da época, uma jogabilidade bastante fluída, mas também algo realista. Aqui as coisas não são bem assim, e o controlo da câmara também poderia ser melhor. Felizmente uns meses depois, a Silicon Dreams produziu um update deste jogo, chamado Sega Worldwide Soccer 2000: Euro Edition, já a antecipar o grande Euro 2000. Nessa versão possuímos uma jogabilidade mais fluída e melhores efeitos gráficos, mas essa discussão ficará para um eventual artigo futuro.