Continuando pelas rapidinhas a jogos desportivos, vou só deixar aqui um artigo muito breve sobre a versão Mega CD do Sensible Soccer. É que é practicamente a mesma versão que já cá trouxe da Mega Drive, com alguns extras que o suporte em formato CD permite. Recomendo então uma leitura pelo artigo da Mega Drive para maior detalhe. O meu exemplar foi comprado numa CeX aqui da zona do Porto algures em Dezembro. Custava 30€ mas trouxe-a bem mais barata pois tinha aqui algum material repetido para troca que abateu no preço. Curioso que esta versão traz também uma demo do Battlecorps, que me faz lembrar que tenho o jogo por cá já há uns anos e ainda não lhe peguei. A tratar disso em breve.
Jogo com caixa, manuais e cd demo do Battlecorps
Então o que traz de novo esta versão para a Mega CD? Algumas cutscenes em CGI primitivo e de baixa resolução, mas também músicas e efeitos sonoros de muito melhor qualidade, como cânticos do público. O gameplay parece-me inalterado, bem como o conteúdo a nível de equipas e modos de jogo, quando comparado com a versão Mega Drive. Agora se isso justifica a compra desta versão em comparação com a da Mega Drive, sinceramente eu diria que não.
Voltando à Mega CD, vamos ficar com mais um jogo baseado em full motion video, produzido pela Digital Pictures. Este que é uma interessante mistura entre a jogabilidade de um Sewer Shark e um Night Trap, por misturar elementos de light gun shooter com a alternancia de câmaras em diversas localizações. A sua arte de capa sempre me fascinou quando era mais novo, inclusivamente chegou a ser capa de um número da nossa Mega Force, que eu infelizmente nunca cheguei a ter. O meu exemplar foi comprado neste passado mês de Setembro, tendo-me custado 5€ a um particular.
Jogo com caixa e manual embutido na capa
A história é simples. Uma pequena localidade no estado do Texas, já perto da fronteira com o México, foi invadida por extraterrestres. Aliens esses que começaram a raptar os habitantes da vila e a assumir as suas formas! Uma equipa de intervenção montou um sistema todo high tech de várias câmaras armadas em quatro pontos da vila. Nós iremos controlar essas câmaras e disparar sobre todos os extra terrestres que as mesmas detectarem! Naturalmente que deveremos evitar disparar sobre inocentes e ocasionalmente teremos mesmo de proteger alguns operativos das forças especiais que por lá andem.
Apesar de ocasionamente vermos conflitos a decorrer entre civis, apenas podemos disparar no alvo assim que o mesmo for identificado pela câmara
O jogo vai-nos então obrigando a saltar de câmara em câmara, tal como no Night Trap ou Double Switch, mas em vez de activarmos armadilhas, teremos mesmo um cursor para mover pelo ecrã e disparar. Infelizmente, ao contrário dos Lethal Enforcers, não podemos usar nenhuma light gun mas sim os próprios comandos da Mega Drive. Se não conseguirmos disparar nalgum alien a tempo, vamos sofrer dano e perder energia na câmara respectiva. Quanto mais dano sofrermos, pior será a qualidade da imagem dessa câmara, o que irá ainda dificultar mais a acção. Enquanto nos movemos de câmara para câmara podemos (e devemos!) também activar os seus escudos para a deixar durar mais tempo. Ao fim de algum tempo poderemos visitar a base do aliens e recuperar algumas das suas armas, mas depois disso o jogo entra na sua última fase, onde os extraterrestres enviam um grupo de soldados bem mais agressivos, que causam todo o caos e destruição naquela vila e vão-nos dar muito mais trabalho. Isto porque estes serão bem mais rápidos e ocasionalmente até aparecem aos pares, pelo que será muito difícil não sofrer dano nessa altura. Naturalmente que se perdermos muitas câmaras será game over e o governo norte americano eventualmente larga uma bomba nuclear para conter a ameaça.
Eventualmente os aliens assumem a sua forma real
Bom, no que diz respeito aos audiovisuais, contem com a habitual competência da Digital Pictures: o acting não é nada do outro mundo mas é minimamente competente e desta vez até investiram um pouco mais na produção e efeitos especiais, pois teremos umas quantas explosões a acontecer e respectiva destruição de veículos ou cenários. A qualidade dos vídeos é que é muito má como habitual. Os mesmos são apresentados numa resolução baixíssima e com péssima qualidade, mas isso também se deve ao facto da Mega Drive apenas poder apresentar 64 cores em simultâneo no ecrã. As músicas não são nada de especial e os efeitos sonoros apesar de simples, cumprem bem o seu papel.
Este Ground Zero Texas é então um jogo onde a Digital Pictures até tentou fazer algo um pouco diferente, mas tal como muitos outros jogos desta época acabou por envelhecer mal. A jogabilidade e dificuldade, principalmente nas últimas secções, também é algo frustrante e desta vez o fluxo do jogo, onde os aliens aparecem, acaba por ser mais aleatório pelo que não se devem fiar muito em guias, mas sim em treinar os reflexos e tentar inúmeras vezes ter sucesso.
Noutros tempos, uma conversão de uma IP conhecida para o mundo dos videojogos poderia vir a assumir muitras formas diferentes, seja pela grande panóplia de diferentes sistemas que existiam no mercado, seja por questões de direitos, ou outros. O caso da adaptação do Jurassic Park é um desses casos em que a licença ficou distribuida entre a britânica Ocean Software e a Sega. Enquanto a Ocean ficou a cargo das versões SNES, NES, Gameboy, PC e Amiga, a Sega ficou com a versão arcade e todas as adaptações para os seus sistemas, desde uma versão 8bit para a Game Gear e Master System, outra para a Mega Drive e esta para a Mega CD. O bom é que estas versões são todas diferentes entre si! O meu exemplar foi comprado já há uns 2 anos pelo menos, ficou aqui esquecido durante todo esse tempo. Para já tenho apenas o disco, que veio dentro de uma Mega CD que comprei por 7€ na feira da Vandoma no Porto.
Disco solto
Então e como a Sega diferenciou este Jurassic Park da versão Mega Drive? Ao fazer um point and click adventure, claro. Aqui tomamos o papel de um cientista da InGen (a empresa que criou o local e os seus dinossauros) que é levado para a ilha depois dos acontecimentos do filme, de forma a pelo menos recuperar uns quantos ovos das diferentes espécies que lá habitam. No entanto o seu helicóptero sofre um acidente ao chegar à ilha, do qual é o único sobrevivente. Para além disso, temos apenas 12 horas em “tempo real” para coleccionar ovos de todas as espécies e depois escapar da ilha!
Quem viu o filme sabe bem o que aconteceu com este jipe
No que diz respeito às mecânicas de jogo, esta é então uma aventura gráfica na primeira pessoa, com algumas sequências de acção ocasionais. O cursor vai mudando de forma consoante o local por onde passamos, mudando para uma seta ao indicar uma direcção onde nos podemos mover, uma mão para indicar objectos com os quais podemos interagir ou uma lupa para os objectos que podemos observar mais atentamente. De resto, como devem calcular, não teremos a vida fácil para apanhar os ovos pois estes vão sendo sempre protegidos pelos seus progenitores, para não falar dos outros dinossauros carnívoros que nos acham um bom petisco. Portanto, para além de resolver alguns puzzles que nos permitam alcançar alguns ovos em segurança, também teremos de procurar algumas armas (não letais) para tranquilizar os dinossauros que nos confrontam, daí ocasionalmente termos algumas sequências de acção também. Uma vez apanhados alguns ovos, temos também de ter a preocupação que eles se podem estragar, pelo que teremos de viajar para o centro de controlo e os carregar na incubadora.
Este terminal no centro de controlo é o que nos permite gravar o progresso no jogo, bem como visualizar algumas vídeochamadas sobre a nossa missão
O facto de termos uma meta em “tempo real” para finalizar o jogo é um desafio extra e eu fico sempre nervoso quando tenho um tempo limite para fazer o quer que seja. Principalmente em jogos deste género, onde não temos grandes pistas do que fazer e a exploração e experimentação levam-nos o seu tempo. Deixo o “tempo real” entre aspas pois enquanto estamos no mesmo ecrã o relógio decorre em tempo real, mas sempre que nos movimentamos de ecrã para ecrã passa sempre 1 minuto se for dentro da mesma zona ou 10 minutos, se mudamos para uma zona diferente. E como vamos andar a explorar bastante, todos esses conjuntos de 10 minutos causam impacto na aventura como um todo.
Ao longo do jogo poderemos também ver alguns vídeos com curiosidades de cada um dos dinossauros que vamos encontrar
Passando para os audiovisuais, devo dizer que fiquei bem agradado com o que vi aqui. Este é um jogo na primeira pessoa, onde em cada ecrã onde estamos podemos olhar em 360º horizontalmente para as nossas imediações. Sempre que mudamos de área, temos uma pequena cutscene em full motion video a acompanhar essa transição, mas ao contrário da maioria dos jogos de Mega CD, aqui os vídeos são em maior resolução (embora a sua qualidade não seja a melhor de todas, como habitual). Uma vez terminada a transição, os cenários já são renderizados normalmente, embora tenham um bom nível de detalhe tendo em conta que estamos a falar de uma Mega Drive / CD. Um detalhe interessante é a inclusão de alguns vídeos narrados por um paleontólogo que nos vai contando algumas curiosidades e factos das várias espécies de dinossauros que iremos encontrar. Passando para a parte do som, as músicas são um misto de chiptune e músicas em formato CD Audio. As músicas chiptune são tipicamente bastante calmas e nem por isso muito excitantes, já as faixas CD audio tanto podem ser músicas mais mexidas, especialmente para aquelas secções onde há mais acção, como faixas de apenas barulhos de fundo da própria natureza, sem qualquer música.
Alguns dinossauros, mesmo sendo herbívoros devem ser distraídos para podermos lhes roubar os ovos à vontade
Portanto este Jurassic Park para a Mega CD, apesar de não ser propriamente uma masterpiece, é a meu ver um jogo bem interessante. Quanto mais não seja para mostrar as capacidades da Mega CD e o facto de ser possível fazer coisas diferentes, em vez de apenas converterem jogos de Mega Drive com alguns extras como músicas em CD audio ou cutscenes em vídeo, como muito se fez.
Apesar de Renegade e Double Dragon terem sido as séries pioneiras nos beat ‘em ups de rua, foi a série Final Fight, lançada originalmente em 1989, que levou o conceito a um novo nível. Com gráficos 2D muito bem detalhados para a época, uma excelente jogabilidade e personagens marcantes, Final Fight foi um grande sucesso nas arcades e foi também dos primeiros grandes projectos trazidos por uma third party para a Super Nintendo. Infelizmente a Capcom não fez um trabalho muito bom, pois essa versão deixou de lado o multiplayer, um nível ficou de fora e uma das personagens, o ninja Guy, também. A Capcom lançou posteriormente uma outra versão do jogo com o Guy, mas deixou o Cody de fora. Entretanto a Sega licenciou o jogo e produziu uma versão para a Mega CD que durante vários anos foi a melhor versão que saiu cá no ocidente. O meu exemplar veio da CeX no passado mês, custou-me 50€ mas está como novo.
Jogo com caixa e manuais
Final Fight passa-se na metrópole fictícia de Metro City. O Presidente da Câmara, um antigo wrestler bem corpulento chamado Mike Haggar não ia muito à bola com a bandidagem, pelo que o gangue lá do sítio decidiu raptar a sua filha. Não cedendo a chantagens, Mike Haggar pede a ajuda de Cody (namorado da sua filha) e Guy, amigo de Cody, e os três partem pelas ruas de Metro City a distribuir pancada em todos os patifes desse gangue, até chegar ao seu líder e finalmente recuperar a rapariga de volta.
Pumba! Os 3 personagens disponíveis!
Cada personagem possui os seus pontos fortes e fracos e a jogabilidade é super simples, com um botão de ataque e outro de salto. Ainda assim cada personagem possui também diferentes combos e golpes especiais capazes de causar dano a todos os inimigos à sua volta, a custo de parte da barra de vida. A possibilidade de apanhar armas do chão, ou mesmo dos inimigos e usá-las contra eles foi também aqui introduzida, bem como alguns objectos destrutíveis nos cenários que nos poderão recompensar com armas ou power ups de regeneração da barra de vida. Final Fight, para além de uma jogabilidade mais simples, porém atractiva, acabou por introduzir uma série de conceitos que ainda hoje perduram nos jogos deste género. De resto, para além desta versão possuir o modo multiplayer cooperativo para 2 jogadores tal como no original arcade, possui também um modo time attack. Aqui o objectivo é simplesmente o de derrotar o máximo de inimigos dentro de um tempo limite, sendo que à medida que o tempo vai avançando, inimigos mais poderosos vão também surgindo.
No final de cada nível temos sempre um confronto mais complicado para enfrentar
Graficamente, o que salta logo à vista é que esta versão, apesar de possuir um bom nível de detalhe perante a original arcade, possui gráficos muito menos coloridos, o que se deve às limitações de hardware impostas pela Mega Drive. Tirando o facto do jogo possuir cores muito deslavadas, as personagens, cenários e inimigos estão muito bem representadas com sprites grandes e bem detalhadas. Temos é poucos inimigos no ecrã em simultâneo (um máximo de quatro) quando comparado com a versão original. Já no que diz respeito ao som, a banda sonora é toda no formato CD Audio, contendo temas excelentes, com muito rock e guitarradas à mistura como eu gosto. A cutscene de abertura e de fecho possui algum voice acting que não é lá muito bom, mas valeu pelo esforço.
Mesmo na versão ocidental da Mega CD a cutscene de abertura foi ligeiramente censurada
Portanto este Final Fight CD é, sem dúvida, um dos jogos do catálogo da Mega CD que vale mesmo a pena! Para além de ser uma óptima conversão do clássico da Capcom, é uma das excelentes razões que mostram que a Mega CD é um add-on que até fez algum sentido e possui bons jogos no seu catálogo para serem explorados.
Voltando às rapidinhas, vamos agora ficar com mais um jogo baseado em full motion video para a Mega CD. Também produzido pela Digital Pictures, este Double Switch é uma espécie de sucessor do Night Trap pois partilha as suas mecânicas de jogo, na medida em que teremos uma série de divisões para vigiar e activar armadilhas sempre que necessário para afugentar intrusos. O meu exemplar foi comprado na CeX no passado mês de Agosto, tendo-me custado 20€.
Jogo com caixa e manuais
O jogo decorre num pequeno prédio de apartamentos onde somos recrutados por Eddie, um residente lá do sítio que montou um sistema de segurança, mas por algum motivo ficou lá trancado e não consegue sair. Eddie pede-nos inicialmente para controlar o sistema de segurança e estar atento não só ao bem estar dos restantes habitantes do prédio e activar armadilhas caso sejam importunados por bandidos, mas também para estar atentos a uma série de códigos de segurança que lhe permitam sair da cave. Ao contrário do Night Trap temos agora uma indicação visual no mapa do prédio que nos informa sempre que algum habitante, bandido ou outro invasor entra nalguma divisão, pelo que teremos de activar a câmara da divisão respectiva, preparar as armadilhas e, quando alguém passar junto das mesmas, activá-las para aprisionar as pessoas.
Para além da preocupação em rearmar as armadilhas, temos de activar a armadilha certa no momento certo
O jogo dá-nos alguma margem de erro para falha, quer ao aprisionar pessoas inocentes por engano, quer ao não aprisionar nenhum bandido. Há situações em que os bandidos apenas se passeiam por alguma divisão sem causar problemas e se os deixarmos escapar ocasionalmente não temos problemas. Temos é de garantir que capturemos inimigos vezes suficientes e, acima de tudo, evitar que eles interfiram com o sistema eléctrico ou telefónico, ou quando atacam directamente algum dos habitantes do prédio. Aí é mesmo game over. No segundo acto teremos também de ter em atenção uma outra pessoa que nos irá activar algumas novas armadilhas, que serão essenciais para conseguirmos finalizar o jogo no capítulo seguinte.
A nível audiovisual, bom, esta versão Mega CD apresenta um vídeo de baixa qualidade como é habitual na plataforma. O acting dos actores não é nada de especial (assim como a história em si que envolve tesouros egípcios, múmias estranhas e afins). Um dos apartamentos é habitado por uma banda de hard rock e eles a certa altura até começam a ensaiar uma música que era bem porreira, pena não existir na internet nenhuma versão completa!
Pausando o jogo podemos observar onde estão colocadas as armadilhas em cada divisão
Portanto, este Double Switch é um jogo que de certa forma refina a fórmula introduzida no Night Trap, mas ainda me deixa com algumas insatisfações. Tal como o Night Trap, como vamos ter de estar sempre a trocar de câmara e cada câmara está a transmitir em real time informação diferente, vamos perder sempre alguma coisa da história principal porque entretanto disparou um alarme noutro apartamento e lá teremos de ir ver o que se passa. Mas o facto de nos avisarem quais salas têm gente e se são habitantes e/ou intrusos já foi uma excelente ajuda! De resto, este jogo foi também relançado em 1995 para a Saturn e PC, com uma qualidade de imagem muito melhor. E bem mais recentemente tivemos direito a versões remasterizadas que sairam em mobile e posteriormente nas plataformas actuais, versões essas certamente com a melhor qualidade de imagem e som.