Soldier of Fortune II Double Helix (PC)

SoF IIContinuando com os jogos de PC, a análise que trarei cá hoje será sobre o segundo jogo da série Soldier of Fortune, nomeadamente o Soldier of Fortune II: Double Helix. Mantendo a violência extrema do primeiro jogo, na medida em que podemos disparar sob várias partes do corpo, com diferentes reacções e consequências, mediante a distância e arma escolhida, mas a jogabilidade passou a ser um pouco mais séria e táctica. Onde antes poderíamos ter uma jogabilidade à “Rambo” em certos momentos, aqui teremos de ter muito mais cuidado com cada passo dado. E este jogo entrou na minha colecção algures durante este ano, após ter sido comprado por 1€ na feira da Ladra em Lisboa.

Soldier of Fortune II - PC
Jogo completo com 2 discos, caixa e manual

Mais uma vez tomamos o papel de John Mullins, um veterano de guerra do Vietname que posteriormente virou mercenário, trabalhando para a misteriosa organização “The Shop” cujo objectivo consiste em combater organizações terroristas espalhadas pelo mundo. Uma das coisas que eu não sabia é que John Mullins é uma personagem real, tendo sido militar no Vietname e posteriormente ter fundado a sua própria organização de mercenários, bem como ter servido de conselheiro nestes dois jogos da série. Mas voltando ao mundo fantasioso, aqui começamos a aventura (após um flashback na europa de leste em tempo de guerra fria, com um John Mullins sem bigode) em plena selva colombiana, onde uma remota aldeia foi misteriosamente erradicada com um surto viral. Depressa vamos chegar à conclusão que isso não foi um mero acaso, mas sim obra de mais um grupo terrorista, desta vez chamado de Prometheus e que se encontra a desenvolver um poderoso vírus, com o qual desejam posteriormente utilizá-lo em actos terroristas de forma a angariar muito dinheiro por parte dos governos. A história não se fica só por aí, vamos ter algumas reviravoltas e muitas conspirações à mistura, mas deixo isso para quem for jogar.

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Desde o velhinho Shadow Warrior que não me divertia tanto a disparar com duas Uzis

A primeira coisa que nos deparamos é que neste jogo os tiroteios são bem mais fatais, exigindo da nossa parte uma jogabilidade mais furtiva e cuidada. Isto porque apesar de todo o “realismo” do primeiro jogo, ainda nos podíamos dar ao luxo, pelo menos em certas partes, de ter uma abordagem bem mais à “rambo”, disparando para tudo o que se mexa enquanto corremos que nem uns doidos. Aqui isso não é possível, pois os inimigos para além de serem bem numerosos por vezes, não se importam nada de nos mandarem com granadas ou de nos rodearem. Por outro lado, os NPCs inocentes que no primeiro jogo eram abundantes e teríamos cuidados adicionais para não os matar, caso contrário era um game over, aqui existem na mesma, mas num número muito menor. Outra diferença considerável face ao primeiro jogo está nas armas. Onde antes chegavamos a ter algumas armas high-tech completamente fictícias, aqui todas elas são inspiradas em modelos reais, incluindo a arma high-tech e multifunções OICW. Também como o anterior podemos ir escolhendo o nosso load-out de armas e items a levar, e enquanto o arsenal é vasto, mais uma vez não podemos carregar com tudo. Ainda assim pareceu-me ser um limite mais generoso.

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Vamos tendo um arsenal bastante vasto à nossa disposição

Em relação ao foco maior numa jogabilidade furtiva, existem de facto missões em que a mesma jogabilidade é fortemente encorajada, ou mesmo obrigatória, tal como numa das primeiras missões em que jogamos. Infelizmente essa implementação não é a melhor, pois uma vez soado o alarme (e basta para isso um dos inimigos nos ver, mesmo que uns micro-segundos depois lhe enfiemos uma bala na testa), é impossível desligá-lo, deitando abaixo por completo a nossa abordagem furtiva e em alguns casos até se torna muito difícil progredir no jogo. De resto, para além da campanha single player que é maiorzinha que a do primeiro jogo, temos um”random mission generator” que sinceramente não experimentei e várias vertentes de multiplayer. Destas temos, para além do Capture the Flag e variantes de Deathmatch (como a Elimination onde as mortes são permanentes por round), temos também o modo Infiltration, onde uma equipa tem de proteger uma pasta a todo o custo e a outra terá de a roubar e levar a um determinado extraction point no mapa. A versão Gold deste jogo trouxe ainda o Demolition, mas como a minha versão é a normal, não me alongo nesse assunto.

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As cutscenes utilizam o próprio motor gráfico do jogo.

Graficamente o jogo é francamente superior ao anterior, quanto mais não seja por utilizar a engine id Tech3 do Quake III Arena – mais uma vez a Raven a utilizar os motores gráficos de John Carmack. No entanto, também não é o melhor dos jogos para se correr em computadores modernos. Pelo menos no meu caso, não reconhecia resoluções widescreen, nem 4:3 maiores que 1400×1200, pelo que tive de o jogar com uma resolução algo baixa. De resto, os modelos dos inimigos estão bem detalhados e apesar de não ter visto tripas de fora desta vez, o gore continua presente e desmembramentos com shotguns continuam a ser possíveis. Os cenários são mais uma vez bastante variados, com níveis em selvas, pequenas aldeias, outros urbanos como os mercados de Hong Kong, ou as típicas bases militares espalhadas por vários locais no mundo. A música sinceramente passou-me despercebida, mas o voice acting pareceu-me convincente, assim como os efeitos sonoros no geral.

Para fechar o artigo, Soldier of Fortune II parece-me um jogo superior ao seu antecessor a todos os níveis, apesar de continuar a não ser perfeito. As secções de infiltração poderiam ser melhor trabalhadas e os controlos por defeito não me agradam de todo, mas esses podem ser livremente customizados, tal como qualquer jogo de PC digno dessa categoria. Se gostam de FPS com temas militares, certamente irão apreciar este Soldier of Fortune.

Battlestations: Midway (PC)

De volta para os jogos com a temática da Segunda Guerra Mundial para mais uma rapidinha no PC. Battlestations Midway é um misto de shooter/estratégia em tempo real, na medida em que tanto podemos controlar um veículo directamente, bem como comandar outros que estejam à nossa disposição para atacarem ou se moverem para locais específicos, um pouco como é feito no Battallion Wars, mas para além de ser com um tom mais sério, as batalhas são todas em pleno Oceano Pacífico. E este jogo entrou na minha conta steam após ter sido comprado num recente Humble Bundle com jogos da Eidos, digo, Square-Enix, a um preço muito convidativo.

Battlestations MidwayO jogo coloca-nos principalmente no papel de Henry Walker, um marinheiro com aspirações a subir tanto na carreira militar como o seu pai, bem como com o seu amigo Donald Locklear, um piloto exímio. E tal como deve dar para adivinhar pelo nome, as batalhas que vamos travando decorrem no teatro de guerra do Oceano Pacífico, começando pela batalha de Pearl Harbour e culminando na de Midway, que serviu como ponto de viragem para os Norte-Americanos e o seu confronto com as forças Imperiais Japonesas.

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Inicialmente começamos o jogo com um barquinho de brincar destes

Inicialmente controlamos apenas um pequeno PT Boat para defender Pearl Harbour dos aviões nipónicos, mas à medida que vamos progredindo no jogo e também subindo na carreira militar, acabamos por ter ao nosso dispor um enorme batalhão naval, incluindo um porta-aviões com os seus caças e bombardeiros. Nessas batalhas maiores, o ideal é mesmo ir ao mapa e comandar directamente as rotas o os alvos a abater de todas as nossas unidades, mas como isso para mim sempre foi algo chato, nada nos impede de assumir o controlo de um submarino e disparar torpedos para cruzeiros inimigos, usar a artilharia antiaérea dos nossos navios, ou porque não controlar mesmo os nossos aviões para abater outros aviões inimigos, ou fazer os míticos voos picados sobre os navios inimigos e deixar-lhes um presente explosivo? Essa é a vertente do jogo que gostei, já o resto, não é mesmo a minha praia. Para além da campanha single player com as suas 11 missões, o jogo possui ainda uma vertente multiplayer que sinceramente nem testei, bem como os “Challenges”. Estes são uma série de desafios, pequenas missões com um grau de dificuldade mais elevado e que se dividem em missões de navios, submarinos ou aviões.

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Highway to the Danger Zone…

Graficamente é um jogo competente, com gráficos detalhados e um look muito clean, se calhar até demais para o meu gosto. Isto porque por vezes não parece que estamos num cenário de guerra, mas talvez seja a calma dos oceanos e céus azuis que nos trazem essa ilusão. Entre cada missão vamos vendo algumas cutscenes que estão bem feitas, mas o voice acting é um bocadinho mau e os diálogos são para esquecer. Mas isso é um mal menor. Os efeitos sonoros são bons e a música é o tradicional em jogos deste género: épica e orquestral.

No fim de contas este Battlestations Midway para mim não foi um jogo que me encheu as medidas, muito por causa de toda a componente estratégica que é algo que eu nunca fui grande fã, mas também por o foco do jogo serem as batalhas navais, algo que também nunca me encheu as medidas. Mas não posso dizer que seja um mau jogo e certamente terá algo que agrade tanto a entusiastas de jogos da Segunda Guerra Mundial como a fãs de estratégia em tempo real.

 

Soldier of Fortune (PC)

Soldier of FortuneVamos voltar aos first person shooters do PC para um jogo que foi bastante badalado para a altura em que saiu pela sua violência over-the-top. Essencialmente é um jogo em que tomamos o papel de um mercenário que luta contra pequenos exércitos em busca de travar um eventual conflito nuclear de proporções catastróficas. O senão deste título é mesmo o sistema de localização de dano, sendo possível decepar os corpos dos nossos inimigos e atingi-los em diversas partes do corpo, provocando várias reacções. Mas já lá vamos. Este jogo entrou na minha colecção algures no ano passado, tendo sido comprado na cash converters da Praça do Chile em Lisboa por 1.95€, tal como se pode observar pelas marcas a marcador na capa (ainda não me dei ao trabalho de passar álcool na capa para a tirar).

Soldier of Fortune - PC
Jogo completo com caixa, manual e papelada.sion

Tal como referi no parágrafo acima, encarnamos então no papel de John Mullins, um mercenário do grupo de elite “Soldiers of Fortune”. Começamos o jogo a resolver um conflito nos subúrbios de Nova Iorque, onde um perigoso gangue tomou de assalto o sistema de metropolitano da cidade e feito uma série de reféns. Ao longo do jogo vamos descobrindo que as coisas não são tão simples assim e esse gangue teria ligações uma facção para-militar que tinha roubado 4 ogivas nucleares de uma antiga base soviética. O resto do jogo leva-nos ao longo do mundo para locais como o médio oriente, Japão, sibéria, entre outros, de forma a localizar as 4 ogivas desaparecidas e destruir essa organização misteriosa.

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Antes de cada nível, podemos escolher as armas e equipamento a levar logo de início, mediante os nossos fundos monetários.

Soldier of Fortune foi um jogo que foi publicitado como sendo “realista”. O facto de termos um imenso arsenal ao nosso alcance como vários revólveres, metralhadoras, lança rockets,a fiel shotgun e outras armas mais “futuristas”, não podemos carregar com tudo de cada vez, o que era algo não usual nos FPS da altura. E claro, o sistema de dano também deu as suas cartas e sim, é delicioso atirar numa perna de um soldado inimigo e vê-lo a ganir de dor, para a seguir dar um tiro num braço e por fim um outro na zona das virilhas para lhe dar um final merecido. Se usarmos uma arma mais poderosa, como uma shotgun, então é possível arrancar membros, cabeças ou deixar tripas de fora num disparo à queima-roupa na zona dorsal. Daí se compreende perfeitamente o porquê de tanta polémica quando o jogo foi lançado devido à sua excessiva violência. Mas apesar desse apregoado realismo, na verdade o jogo acaba por ter a jogabilidade de um Quake II, com imensos inimigos a surgirem de todos os lados e o jogo por vezes exigir uma abordagem bem mais agressiva ao invés de infiltração. Ainda assim é possível jogá-lo de uma forma não violenta, mas teremos de ser mesmo muito precisos. Ao disparar na arma dos nossos inimigos, eles perdem-na e rendem-se, ficando à nossa mercê de fazermos o que quisermos com eles (ou não).

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Como habitual em jogos deste estilo, as cutscenes utilizam o motor gráfico do jogo em si.

Para além do modo campanha que tem uma duração quanto baste, o jogo apresenta também uma vertente multiplayer, como não poderia deixar de ser. E também como não poderia deixar de ser, é algo que não prestei muita atenção. Para além de várias variantes do deathmatch, com as originais “Arsenal”, onde começamos a partida com todas as armas do jogo e temos de matar um inimigo com cada uma das armas e o primeiro a consegui-lo vence a partida, a outra é o “Realistic Deathmatch”, com restrições de apenas podermos equipar uma arma pesada para além do revólver, os danos provocados por tiros serem muito maiores que na vertente single player ou mesmo por existir uma barra de stamina que se vai diminuindo conforme vamos correndo e saltando. Para além dessas vertentes do deathmatch existe ainda um capture the flag que dispensa quaisquer apresentações, o “Assassination” que como o nome indica tem o objectivo de assassinar uma pessoa em específico e por fim temos o “Conquer the Bunker” que é uma variante de modos como os Domination, onde teremos de “conquistar” pelo máximo de tempo possível vários pontos específicos no mapa.

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A shotgun é uma arma que faz muitos estragos

Graficamente é um jogo bastante datado, até porque utiliza uma engine modificada da id Tech 2, utilizada em jogos como o Quake II, o que não é nenhuma surpresa, devido à óptima relação que sempre existiu entre ambas as empresas. De qualquer das formas, com esta engine esperem por modelos ainda muito “quadrados” e texturas simples. Para além do mais é um jogo que tem muitos problemas em correr em sistemas operativos modernos, sendo necessário a utilização de um patch desenvolvido por fãs para lhe tirar o melhor partido possível, incluindo jogá-lo em 1080P. A música, efeitos sonoros e voice-acting são OK, nada de particularmente memorável, mas também não posso dizer que sejam maus.

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Para disparos com precisão cirúrgica, nada como uma sniper rifle.

Como um todo, considero este Soldier of Fortune um bom FPS, que vai buscar elementos de jogabilidade tanto a jogos da velha guarda, mas também começa a incutir algumas outras coisas presentes em jogos mais modernos. Apesar de ser um jogo graficamente datado e com problemas de performance a correr em sistemas operativos modernos, recomendo na mesma a versão PC, pois existem tools disponíveis para o tornar jogável em sistema Windows 64bit. Existem também conversões para a Dreamcast e Playstation 2, mas sinceramente não sei se são boas conversões ou não. Lembro-me que, back in the day, o pessoal queixava-se bastante dos loadings demorados da versão Dreamcast.

Medal of Honor Pacific Assault (PC)

Medal of Honor Pacific AssaultVoltando para os first person shooters que eu tanto gosto, para mais uma análise a um shooter da segunda guerra mundial, outro tema que eu também aprecio bastante. E este Medal of Honor é diferente dos demais, na medida em que se foca nas batalhas do pacífico, entre os norte-americanos e japoneses, algo que sinceramente nunca me interessou muito, talvez por não ser um conflito “nosso”. E este jogo entrou na minha colecção há uns meses atrás, após ter sido comprado na feira da Ladra em Lisboa, por 1 ou 2€, sinceramente não me recordo do valor ao certo, mas foi algo dessa fasquia que o vendedor disse que os “DVDs” custavam.

Medal of Honor Pacific Assault - PC
Jogo com caixa e manual.

Há algumas coisas neste jogo um pouco diferentes dos MoH anteriores, talvez até indo buscar influências ao primeiro Call of Duty. Neste jogo o foco nem é tanto as acções solitárias de infiltração e sabotagem por parte de agentes das OSS, mas sim o combate em esquadrões, onde assaltamos posições inimigas em conjunto. De facto até existe a possibilidade de usar as setas do teclado para dar comandos aos nossos colegas, coisas como “fall back”, “rally on me” ou “double time!” são algumas das expressões que podemos indicar aos nossos colegas, mas sinceramente foi uma opção mal aproveitada, pois passamos a maior parte do tempo a receber essas ordens, em vez de as dar. E apesar de estarmos integrados num esquadrão, quando é preciso limpar uma trincheira de soldados japoneses já sabemos quem é o escolhido, mas não me queixo disso. Queixo-me sim de esse esquema de luta em esquadrões ter sido areia atirada aos olhos, ao contrário do que vimos mais tarde com Brothers in Arms, até porque os nossos companheiros são imortais, o médico do esquadrão pode curar-se a si mesmo e curá-los aos outros sempre que for necessário e a nós só nos consegue curar umas 5 vezes, com os medkits a serem também muito escassos.

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Antes da acção propriamente dita, temos um pequeno tutorial passado na nossa recruta.

As missões em si também não me agradam particularmente. O jogo começa em Pearl Harbour (como não poderia deixar de ser) e depois passamos a maior parte do tempo a combater num “green hell” ou seja, em plena selva de ilhas remotas no pacífico. Vamos encontrar muitos japoneses entrincheirados e misturados no meio da vegetação, o que para mim acaba por ser bastante aborrecido. Outras missões como perseguições em carro, ou as habituais defesas de pontos estratégicos com várias waves de inimigos a surgirem também acontecem com alguma regularidade. Mas também podemos disparar em várias peças de artilharia pesada, incluindo uma missão algo irritante onde temos de abater uma série de caças japoneses enquanto nos destroem uma base aérea. Ah, e temos também uma missão em que conduzimos pelos ares um caça norte-americano, nós, um mero marine, incumbido de pilotar um avião e tomar a iniciativa em combates aéreos contra outros caças japoneses e suas forças navais. Mas pronto… para além disso existe também uma vertente multiplayer que eu sinceramente não cheguei a experimentar muito, mas vi que existem algumas variantes de deathmatch e também um sistema de classes como vemos noutros FPS modernos, com classes de artilheiros, médicos, infantaria ou engenheiro, cada um com as suas respectivas habilidades.

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A batalha de Pearl Harbour está espectacular, mas o jogo decai bastante de qualidade logo depois.

Graficamente é um jogo competente para os padrões de 2004, mas com tanta missão em selvas tropicais, o que mais se vê é verde e castanho, do chão e cabanas de madeira construídas pelos japoneses. Acho que deveria de haver uma variedade maior de cenários, até porque os conflitos entre os norte-americanos e japoneses não se ficaram só por ilhas tropicais no pacífico, e a colocar-nos a pilotar um avião assim do nada, ao menos que houvesse também uma coerência maior. Mas pronto, graficamente, apesar da pouca variedade, é um jogo competente tendo em conta a época. Certamente melhor que o seu “primo” lançado nas consolas – o Rising Sun. A nível de som, a conversa aí já é outra. É dada uma maior atenção à narrativa, especialmente do bem estar dos camaradas de armas dentro do seu esquadrão e o voice acting está no geral competente. Os sons de armas parecem-me bons, mas como sempre, não sou um especialista na matéria, nunca ouvi nenhuma daquelas armas a disparar na vida real. As músicas são bastante épicas e orquestradas como é habitual na série e é sempre um ponto extra.

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Infelizmente o esquema de squad based combat não ficou muito bem implementado.

Conteúdo bónus como pequenos vídeos estão prontos a serem desbloqueados e não só. Existe também uma opção que podemos activar que nos vai fazendo o pop-up de alguns factos sobre a segunda guerra mundial. Esse pop up pode ser intrusivo ou não, ou seja, pode pausar o jogo para lermos a mensagem ou simplesmente a mesma aparece no ecrã e quando bem entendermos fechamos a mensagem. Sinceramente quando vi essa opção, achei uma ideia muito boa, mas depois mudei logo de ideias. As mensagens aparecem constantemente e sinceramente muitos dos factos não são assim tão interessantes. Muitas vezes vi a acção em momentos bem tensos a ser interrompida com esses pop-ups idiotas e depois ao decidir deixar as mensagens aparecer sem pausar o jogo também era algo que me distraía bastante. Para além disso, o botão de “desligar” a mensagem é a mesma tecla de “usar”, pelo que pode também dar azo a algumas confusões. Por exemplo, eu todo entretido a disparar numa metralhadora pesada montada numa trincheira quando surge a mensagem. Carrego em F e para além de me fechar o pop-up, “largo” também a metralhadora, levando em seguida com uma série de balas nas trombas. Foi aí que decidi desligar essa opção como um todo.

Medal of Honor Pacific Assault é mais um FPS da conhecida série da Electronic Arts. Não é um mau jogo de todo, mas o esquema de usarmos um esquadrão acabou por não ter sido bem utilizado e sinceramente o teatro de guerra do Pacífico não é algo que me interesse particularmente, ainda por cima quando 80% do jogo é passado em selva, à procura de asiáticos atrás das moitas. Não era um jogo sobre o conflito do Vietname que estava à espera de jogar.

Ultima V: Warriors of Destiny (PC / Commodore Amiga)

Ultima VA série Ultima de Richard Garriot (ou também conhecido como Lord British) é uma das franquias seminais de todo o género dos RPGs, onde em conjunto com Wizardry influenciaram toda uma série de RPGs ocidentais não lineares que fomos vendo ao longo das décadas, mas também serviram de inspiração para criações como o Dragon Quest, que por sua vez foi evoluindo para os RPGs japoneses que temos hoje em dia. E esta é uma série vou rejogando aos poucos, sendo agora tempo de escrever algo do Ultima V: Warriors of Destiny, lançado originalmente em 1988. E tal como todos os outros Ultimas que tenho no PC, este foi também comprado numa GOG sale, em conjunto com todos os outros jogos da série excepto o Ultima Online, tendo estado a um bom preço. Para além da versão digital, comprei mais recentemente na Feira da Ladra em Lisboa a versão em caixa, formato big box com todos os livrinhos e mapa em tecido. É uma beleza! Custou-me 5€ e é a versão para Amiga, sendo virtualmente idêntica a esta, não vale a pena criar um artigo novo. Segue a foto:

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Jogo completo com imensos livrinhos, papeizinhos, um medalhão e mapa em tecido. Bastante bonito! Versão para Amiga, embora seja practicamente idêntica à versão PC.

O Ultima IV foi um jogo muito peculiar, na medida em que não tínhamos um megavilão com planos de dominar o mundo para derrotar, mas sim era uma espécie de aventura introspectiva, onde teríamos de alcançar o estatuto de Avatar, portador de 8 virtudes e modelo de pessoa a seguir por todos os Brittanians. Essencialmente não nos podíamos portar mal, como assassinar ou roubar inocentes, como o jogo sempre permitiu. Ultima IV marcou também uma nova Era para Britannia (outrora Sosaria) e a partir desse jogo iríamos ver uma boa evolução do mesmo mundo, cidades e personagens nos jogos futuros. E neste Ultima V também encarnamos no papel de Avatar, mas tal como em todos os outros jogos o Avatar somos nós mesmos, seres terrestres absolutamente banais do século XX, que por algum motivo somos chamados por Lord British ao seu mundo e enfrentar mais alguma quest árdua. Este jogo começa da mesma forma, embora o apelo para retornarmos a Britannia não tenha partido de Lord British. Quando lá chegamos encontramos o mundo num estado bem diferente do que o deixamos, com Lord British desaparecido, Blackthorn no poder, com um regime bastante opressor, mudando as 8 Virtudes para 8 Leis bastante rigorosas. Para além do mais, Britannia foi invadida pelos Shadowlords, seres místicos malignos que nos atacam e ao nosso antigo companheiro Shamino, logo no início da aventura.

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Mais uma vez podemos interagir com qualquer NPC e falar com eles sobre variados temas.

Poderemos encontrar os nossos antigos companheiros do Ultima IV espalhados pelas várias cidades e teremos mais uma vez muita coisa para explorar. E ao contrário do que possa parecer, o nosso objectivo não é propriamente derrotar Blackthorn, mas  sim reencontrar Lord British que ele depois trata do resto. Claro que teremos alguns vilões para derrotar, como os tais Shadowlords, mas a maneira como o fazemos também é algo original. Ao longo do resto do jogo teremos de ter em atenção que somos procurados por Blackthorn devido a ser “foras da lei”, podendo ser perseguidos por certos guartas fieis ao novo regime e mais uma vez teremos de ter algum cuidado em practicar as tais boas acções de forma a não perder a nossa “Avatarhood“. Mais uma vez teremos também os spells que podem ser construídos após comprar os reagentes necessários e desta vez temos também um esquema de ciclo de dia e noite, com a visibilidade do overworld a ficar cada vez mais reduzida conforme vai anoitecendo. As dungeons continuam um misto de primeira e terceira pessoa, com os corredores a serem atravessados numa perspectiva de primeira pessoa e a salas vêem-se numa perspectiva de “overworld”, servindo para combater criaturas geralmente mais fortes, mas também resolver alguns puzzles com passagens secretas.

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Mais uma vez teremos de meditar em certos locais para recuperar a nossa Avatarhood

Graficamente este é um jogo que apesar de me parecer utilizar o mesmo motor gráfico do anterior, é um grande salto de qualidade face aos restantes. As sprites possuem mais animações, estão bem mais detalhadas e coloridas. O mesmo pode ser dito de todo o mundo envolvente, as montanhas parecem montanhas, as florestas parecem florestas e as diferentes classes estão devidamente bem representadas. Foi também feito um esforço adicional nas “cutscenes” que contam a história, agora com uma artwork bem mais trabalhada. As dungeons em primeira pessoa, ao contrário dos jogos anteriores que tinham as suas paredes e inimigos representados com gráficos vectoriais, são agora representadas com diferentes texturas, o que lhes dá logo um aspecto mais agradável. Os inimigos também vão sendo vistos com sprites detalhadas, com a perspectiva a transitar da primeira pessoa para o top-down view quando entramos na batalha propriamente dita. Infelizmente para o PC, em 1988 ainda não era assim tão comum encontrar PCs com placas de som, pelo que a música foi mais uma vez sacrificada e os efeitos sonoros são os bips habituais da PC-Speaker. Felizmente que existem patches feitos por fãs que trazem a música de outras versões para esta de DOS.

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Agora as dungeons possuem texturas, em vez de vectores.

Ultima V é mais um bom RPG. A história é cada vez um aspecto mais trabalhado e os NPCs são capazes de conversar connosco sobre muitos mais temas. A não linearidade de um mundo vasto, aliada a controlos ainda obsoletos poderão continuar a alienar jogadores de RPGs modernos, mas nada que um pequeno guia não ajude. No Ultima VI, apesar de ainda decorrer nesta “Age of Enlightnement”, foram vistas muitas mais mudanças e evoluções, mas isso ficará para um artigo próximo.