Call of Duty Modern Warfare 2 (PC)

Agora que arranjei um PC novo, está na hora de ir jogando uma série de jogos que estavam em fila de espera há muito tempo. Este Modern Warfare 2 era um deles e mesmo apesar de ser já um jogo relativamente antigo e o meu portátil ter todos os specs necessários para o correr minimamente bem, a verdade é que o meu velhinho portátil já estava longe de ter a mesma performance de outros tempos, pelo que este acabou por ficar na gaveta até agora. Já nem me lembro muito bem quando arranjei o jogo, creio que foi algures em 2012 e na New Game do Maia Shopping. Quanto custou? 5 ou 10€, foi numa altura onde andaram a despachar uma série de jogos de PC a baixo preço.

Jogo com caixa, manual e papelada diversa

Este Modern Warfare 2 como devem calcular continua a história do seu predecessor, onde encarnamos em diversos soldados de elite na sua luta contra o terrorismo, partindo no encalço de Vladimir Makarov, líder de um movimento ultranacionalista Russo, que esteve na base dos conflitos narrados no primeiro jogo. Desta vez as coisas acabam por correr ainda pior, com as forças Russas a acabar por invadir a costa Leste norte-americana, dando início a um conflito em larga escala entre as duas potências militares.

Spoiler com 10 anos! Neste jogo os Estados Unidos acabam por ser invadidos pelos Russos

Aqui dispomos de três modos jogo principais: a campanha, que nos levarão a diversos teatros de guerra, tanto no médio oriente, na Rússia, regiões suburbanas da costa Norte-Americana ou mesmo a favelas do Rio de Janeiro. Aqui as mecânicas de jogo assentam nos conceitos já trazidos no Modern Warfare anterior, onde começamos cada missão com um conjunto de armas pré-definido, mas onde, à medida que vamos progredindo, poderemos trocar as nossas armas por muitas outras que surgirão, tanto modelos norte-americanos/NATO, como armas estrangeiras envergadas pelos nossos adversários. Revólveres, armas automáticas, metralhadoras pesadas, shotguns ou vários explosivos são o prato do dia. Ocasionalmente lá teremos de usar algumas armas especiais, como designadores laser para artilharia ou mesmo controladores de drones, que podemos usar para bombardear posições inimigas. O progresso é salvo através de vários checkpoints, embora por vezes já me tenha acontecido o jogo gravar o progresso quando estou debaixo de intenso fogo inimigo, o que não dá muito jeito para o respawn. Também tal como o seu antecessor não temos quaisquer medkits, com a nossa vida a regenerar-se automaticamente assim que encontrarmos um abrigo que nos proteja do fogo inimigo. Mas nem todas as superfícies dão cobertura suficiente, desta vez as balas atravessam madeira ou lata, o que não dá muito jeito nas missões nas favelas brasileiras.

A história está repleta de momentos dramáticos

Os modos de jogo restantes resumem-se ao multiplayer e Spec Ops. Estas últimas são pequenas missões standalone que servem de desafios à nossa perícia e podem ser jogadas cooperativamente. Estas consistem em missões como matar uma série de adversários no menor tempo possível, defender pontos de interesse de várias waves inimigas, incluindo artilharia e pesados, missões furtivas onde temos de passar despercebidos, entre outros desafios cuja dificuldade vai aumentando à medida que vamos desbloqueando novas missões. Por fim temos a vertente multiplayer competitiva, bom sinceramente nem a experimentei pois o meu backlog, principalmente no PC é gigante e prefiro dedicar-me a outros jogos do que gastar milhentas horas em multiplayer, por mais divertido que seja. Mas lembro-me de amigos meus perderem muitas horas no multiplayer do MW2, mesmo depois de vários outros Call of Duty mais recentes serem lançados, ainda preferirem o multiplayer deste jogo. Pelo que vi dispomos de várias vertentes, desde variantes de deathmatch e capture the flag, passando por outros modos de jogo com objectivos de conquistar e/ou destruir pontos de interesse. À medida que vamos jogando matando adversários ou completar objectivos, a nossa personagem vai ganhando pontos de experiência, que nos vão desbloqueando novas armas e/ou acessórios/customizações para as mesmas, como diferentes miras, silenciadores, etc. Vamos também desbloqueando alguns perks que podemos equipar na nossa personagem, coisas como a capacidade de correr sem cansar, causar mais dano seja com balas, seja com explosões, ficar invisível para turrets e outras armas automáticas, andar silencioso entre muitas outras.

A campanha é curta, mas as Special Ops e o modo multiplayer acrescentaram-lhe muitas horas de diversão

A nível audiovisual, este era um jogo bem competente para a sua época, levando-nos a visitar cenários bastante distintos entre si, desde florestas, bases militares modernas, outras improvisadas em cavernas, cidades americanas, no médio oriente, um aeroporto ou até um gulag russo são apenas alguns dos cenários que iremos explorar, todos eles bem detalhados. Jogando sem qualquer mod de texturas HD e com tudo no máximo, é um jogo que não envelheceu nada mal. Está também repleto de momentos cinematográficos e com uma narrativa muito competente, que nos consegue imergir completamete na acção que se passa à nossa volta. E sim, o voice acting está excelente, mesmo durante os tiroteios o jogo está repleto de detalhes agradáveis, como é o caso das missões nas favelas brasileiras, onde vamos ouvindo os  bandidos a falarem em português uns com os outros, avisando-os da nossa posição. As músicas, como já é habitual na série, são geralmente bastante épicas, enfatizando todo o drama que vamos vivenciando.

Portanto este Call of Duty Modern Warfare 2 acaba por ser uma excelente sequela nesta já longa série de first person shooters militares. Apesar de termos tido o World at War pelo meio, este Modern Warfare 2 acabou por popularizar definitivamente os shooters mais modernos, algo que séries como Medal of Honor e Battlefield acabaram por consolidar logo depois. Para além de uma curta, porém sólida campanha single player, os desafios e o modo online que se manteve extremamente popular anos a fio, tornaram este Modern Warfare 2 em mais um caso sério de sucesso.

Poker Night 2 (PC)

Depois do sucesso que foi o Poker Night at the Inventory, a Telltale lá decidiu desenvolver uma sequela à altura, que viu a luz do dia algures em 2013, uma vez mais em formato digital apenas, mas desta vez também as consolas PS3 e Xbox 360 foram visadas. Tal como o jogo anterior, o meu exemplar foi adquirido bem baratinho, através de um humble bundle ou similar. Já não consigo precisar quanto me custou, mas o histórico do Steam diz-me que o activei no dia 13 de Maio de 2016.

Tal como o seu predecessor, este é um jogo de poker single player, onde podemos participar em partidas de póquer contra 4 ilustres oponentes e repleto de bom humor. Para além do habitual Texas Hold’em, temos também a variante Omaha para explorar, que eu sinceramente não conhecia. Mas para além disso, a maior diferença está mesmo no elenco de convidados que nos acompanham. O único protagonista de um videojogo da Telltale é o Sam, de Sam & Max, embora o Max o acompanhe, dando-lhe alguns “conselhos” ocasionais. Da Gearbox temos o cómico robot Claptrap de Borderlands. Do cinema, nada mais nada menos que o Ash de Evil Dead e da televisão temos Brock Samson, da série de animação The Venture Bros que sinceramente não conhecia. A servir as cartas, temos nada mais nada menos que GLaDOS, com todo o seu cinismo delicioso, a servir de personagem convidada da própria Valve.

Neste segundo jogo, o elenco de convidados é uma vez mais excelente

De resto, tal como no jogo anterior, vamos ter vários desbloqueáveis como cartas, tokens, e mesas temáticas de cada um dos convidados e assim que todos sejam activados em simultâneo, todo o club de Poker é transformado em homenagem à temática de cada personagem, resultando em algumas situações mais cómicas. Cada personagem possui também um objecto valioso que podemos tentar conquistar, mas ao contrário do jogo anterior, onde estes objectos eram disponibilizados de maneira algo aleatória, aqui o jogo obriga-nos a completar uma série de desafios antes de termos a oportunidade de conquistar um desses objectos. Os desafios podem consistir em coisas como ganhar uma ronda na parte dos blinds, drop, turn ou river, chegar ao fim de um partida num lugar mínimo, vencer uma ronda com uma combinação de cartas específica, como um flush ou superior, entre outras.

Por cada personagem, ao desbloquear e activar o seu conjunto de cartas, fichas e mesa, transformamos o clube por inteiro, dando oportunidade a mais situações cómicas

No que diz respeito aos audiovisuais e à apresentação, bom, estes continuam muito bons. O voice acting é excelente, as falas são muito boas, repletas de bom humor e vamos constantemente ouvir as personagens a mandar bocas entre si ou mesmo dirigidas a nós. Uma vez mais a Telltale procurou ter atenção aos detalhes das expressões faciais de cada personagem, o que nos deixa tentar adivinhar se os nossos oponentes têm uma boa mão ou não e consequentemente se estão a fazer bluff. Mas desta vez as coisas não são tão óbvias como no primeiro jogo e é aí que entram as bebidas. Ora, para além de comprar desbloqueáveis como novos baralhos, mesas e afins, nós podemos também gastar os créditos que ganhamos ao participar em torneios para comprar bebidas alcoólicas para os nossos oponentes. À medida que vão ficando alcoolizados, as suas reacções vão ficando mais honestas.

Portanto este é mais uma vez um jogo de póquer bastante divertido e que vale a pena mesmo se não forem grandes experts no jogo. Dica: se tiverem a jogar no PC, o jogo grava checkpoints no final de cada mão, pelo que podem sempre carregar em ALT+F4 para sair imediatamente do jogo. Se o fizerem antes da GLaDOS anunciar o resultado de cada mão, conseguimos escapar das consequências de algum mau assessment da nossa parte.

The Wolf Among Us (Sony Playstation 3 / PC)

A Telltale já há muito que vinha a experimentar diferentes mecânicas de jogo nos seus jogos de aventura point and click, tendo encontrado finalmente uma fórmula de sucesso no primeiro The Walking Dead, que nos presenteou com uma óptima narrativa e com escolhas muito difíceis pela frente. Este The Wolf Among Us acaba então por ser um jogo muito similar nas suas mecânicas, mas com um background completamente diferente. O meu exemplar foi comprado algures no mês de Março a um amigo meu, estando ainda selado, por 10€. A versão PC veio de um humble bundle comprado a um óptimo preço.

Jogo com caixa e manual

Confesso que a temática do jogo me surpreendeu bastante, pois não conhecia as suas origens. Sempre achei que era uma história algo negra com um protagonista lobisomem, mas é muito mais que isso. Baseado nas comics da Vertigo chamadas Fables, a nossa personagem é nada mais nada menos do que o Lobo Mau dos contos de fada da nossa infância, aqui apelidado de Bigby Wolf (diminutivo de Big Bad Wolf). Por algum motivo uma série de personagens dos contos de fada foge do seu mundo encantado e reunem-se na Fabletown, um distrito da cidade de Nova Iorque, misturando-se entre os humanos e tendo as suas próprias rotinas. As personagens humanas, como é o caso da Branca de Neve, Bela, ou a Pequena Sereia conseguem viver normalmente, enquanto as não humanas, como é o caso do Monstro e do próprio Wolf necessitam de usar uns encantamentos que os transformam em humanos. O problema é que esses encantamentos são caríssimos e nem todos os conseguem pagar. Nesses casos, os fables como é o caso de Colin, um dos três porquinhos, devem permanecer na Farm, uma quinta encantada afastada de tudo o resto, onde podem viver livremente nas suas formas normais.

O Lobo Mau a viver com um dos três porquinhos? Por essa não estavam a contar.

E qual o papel de Wolf? Bom, é o xerife lá do sítio e devido ao seu passado é temido e pouco respeitado por todos os que o rodeiam. E a aventura começa com Wolf a receber um pedido de ajuda de Mr. Toad (sim, um sapo) a alertar que algo de grave se passa num dos apartamentos do seu prédio. E quando lá chegamos descobrimos nada mais nada menos que o lenhador do Capuchinho Vermelho, completamente bêbedo, a agredir uma prostituta. Após um inevitável combate e uma breve conversa com a rapariga no final, Bigby segue a sua vida. Horas depois, descobre à porta do seu prédio nada mais nada menos que a cabeça decapitada da prostituta com quem falou há pouco tempo. Ao longo do jogo iremos investigar esse homicídio, numa trama que se vai tornando cada vez mais complexa e com uma série de reviravoltas.

Como sempre temos alguns QTEs pela frente

No que diz respeito às mecânicas de jogo, estas são muito similares às de Walking Dead, sendo um jogo de aventura gráfica com várias sequências de acção compostas por Quick Time Events, onde temos de seguir as indicações visuais no ecrã de que botões devemos pressionar naquela altura. Temos alturas de exploração, onde podemos nos movimentar não tão livremente quanto isso ao longo dos cenários e interagir com objectos ou outras personagens, que são sinalizados no ecrã, facilitando-nos a tarefa de ter de procurar coisas com que interagir. Ocasionalmente podemos apanhar alguns itens que podem posteriormente ser usados para interagir com outros objectos, ou mesmo com outras personagens através dos seus diálogos. Para os diálogos temos um tempo limite para responder, e caso não escolhemos nenhuma resposta, Bigby mantém-se em silêncio, o que por si só já é uma resposta válida, e pode alterar um pouco a forma como as personagens à nossa volta nos percepcionam, ou mesmo alterar ligeiramente os acontecimentos seguintes.

Na maior parte das vezes, as escolhas que podemos tomar têm um tempo limite.

A nível audiovisual considero o jogo excelente. A nível gráfico tudo está renderizado em cell shading, o que dá um look muito fiel às bandas desenhadas dos Fables. Por outro lado, o mundo de Fabletown é sombrio, e toda a ambiência do jogo dá um aspecto de um filme noir da década de 80, o que por si só me agrada bastante. A caracterização das personagens, e a maneira decadente como representam algumas personagens que todos nós conhecemos da nossa infância está também muito bem elaborada. O voice acting é igualmente muito bem conseguido por todas as personagens, o que uma vez mais também contribui para uma narrativa muito noir.

Fabletown não é uma cidade particularmente afável, vamos visitar muitos locais não recomendáveis a boas famílias

No fim de contas este jogo agradou-me bastante. Mantém as mesmas mecânicas de jogo dos The Walking Dead, onde as nossas escolhas vão alterando ligeiramente o desenrolar da história, mas nunca as alteram tão radicalmente assim quanto a Telltale nos quer fazer pensar. No entanto, devo dizer que fiquei bastante agradado pela narrativa negra e adulta que o jogo tem, pois isto de contos de fadas para crianças não tem nada, e o rating para maiores de 18 é perfeitamente compreensível. Aparentemente The Wolf Among Us serve de prequela aos acontecimentos narrados na comic Fables, fiquei bastante curioso e muito provavelmente vou começar a lê-la em breve. A Telltale estava a trabalhar numa sequela, mas como abriram falência há relativamente pouco tempo, esse projecto acabou por ser enfiado no saco, o que é pena.

Highway Blossoms (PC)

Continuando pelas rapidinhas, vamos hoje visitar mais uma visual novel que tinha aqui na minha conta steam já há algum tempo e entretanto me tinha esquecido. Às vezes gosto de jogar estas VNs, em dias em que o cansaço aperta e a preguiça também, pois sejamos sinceros, isto requer o mínimo de esforço. O meu exemplar veio de um indie bundle qualquer, comprado algures no ano passado se bem me recordo, tendo custado muito pouco.

Esta é uma VN que decorre nos estados unidos, colocando como protagonistas principais as jovens Amber e Marine. Amber, cujo avô faleceu recentemente e ainda está em processo de luto, estava a viajar numa autocaravana desde o Colorado até ao estado da California, para ir a um grande festival de música. No entanto, no estado de New Mexico, no meio do deserto, encontra a Marine com o seu velho carro avariado e decide dar-lhe boleia. Pelo meio começa uma aventura em busca de um tesouro perdido, que as leva a visitar vários parques nacionais Norte Americanos e claro, sendo esta uma VN com romance à mistura, entretanto as duas raparigas começam uma relação amorosa.

A nível de jogabilidade é uma visual novel muito simples, tanto que nem temos decisões para tomar que afectem de alguma forma a história, é só ler. Temos no entanto uma série de opções já típicas em jogos deste género, como controlar a velocidade em que o texto é escrito, a possibilidade de avançar texto ou colocá-lo em modo automático. Curiosamente há também um hard mode para desbloquear – esperem aí, um hard mode numa visual novel tão linear como esta? Basicamente é um modo mais realista, onde os eventos decorrem “em tempo real”, ou seja quando as personagens vão dormir temos de esperar literalmente uma série de horas que as coisas aconteçam. Creio que o mesmo acontece durante as viagens entre estados. Sinceramente não vejo propósito nenhum nisso.

Sinceramente até que nem desgostei da narrativa, os temas abordados como os parques naturais norte-americanos e a cultura musical por detrás de Amber foram interessantes

A nível audiovisual, as personagens estão bem desenhadas, assim como os backgrounds que possuem muito detalhe e cores bem vívidas. As músicas, que acabam também por ter um grande peso na narrativa, são também bastante agradáveis. Na sua maioria são melodias calmas com guitarras acústicas que acabam por se encaixar bem no jogo. Em relação ao voice acting, bom este é todo em inglês, algo que me surpreendeu inicialmente pela negativa, pois estava à espera de japonês. Mas depois lá me apercebi que o jogo foi produzido por um pequeno estúdio indie norte-americano, e como a história se passa toda nos Estados Unidos e com personagens americanas, faz todo o sentido que as vozes também sejam em inglês. O voice acting tem alguns pormenores bons, como a voz de megafone que ouvimos quando nos aproximamos do primeiro monumento nacional que visitamos. No entanto, por vezes as raparigas começam com aquelas vozes irritantes de adolescente que me tiram um pouco do sério… mas no geral acho que não está mau de todo.

Elder Scrolls Legend: Battlespire (PC)

Por muitos bugs que os jogos da Bethesda tinham, é inegável que a série Elder Scrolls, principalmente os primeiros dois jogos Arena e Daggerfall, foram extremamente ambiciosos, não só no tamanho gigantesco dos seus mapas, mas principalmente por toda a liberdade e uma multitude de sidequests que nos davam imensas horas de jogo. Mas entre Daggerfall e Morrowind, a Bethesda decidiu experimentar um pouco e tentar coisas novas, o que resultou no lançamento deste Elder Scrolls Legend: Battlespire e Elders Scrolls Adventure: Redguard. O meu exemplar do Battlespire foi comprado há uns anos atrás numa das minhas idas à Feira da Ladra em Lisboa, tendo-me custado uns 2€ se bem me recordo. Entretanto há alguns meses atrás aproveitei uma promoção no GOG por 2€ e qualquer coisa para ter também uma versão digital, optimizada para correr em sistemas operativos modernos.

Jogo mais caixa em jewel case.

Como muitos outros CRPGs, começamos por inicialmente criar a nossa personagem. Começamos por escolher o sexo, a raça e definir os restantes aspectos físicos da personagem. Depois escolhemos uma de várias classes existentes, que por si só já possuem diferentes atributos nativos entre si. Depois lá teremos um número infindável de skills onde poderemos atribuir um certo número de pontos livremente. Sim, até coisas simples como saltar ou nadar possuem skill points associados. Esses pontos podem também ser usados para “comprar” algum equipamento inicial, como armas, armaduras e poções mágicas. Duas horas depois, lá começamos a aventura. Basicamente a nossa personagem é um aprendiz de battlemage, que se encontrava a treinar na academia de Battlespire. No entanto Battlespire foi invadida pelos Daedra (uma raça algo semelhante a demónios) e raptaram o nosso companheiro de armas. Ao longo do jogo teremos então 7 níveis diferentes para atravessar, que são essencialmente dungeons bem grandes, repletas de inimigos, puzzles para resolver, e algumas sidequests.

Ainda na criação das personagens podemos (e devemos) também definir algumas vantagens e handicaps da nossa personagem

Ao longo do jogo não existem quaisquer vendedores, pelo que nos teremos de equipar e munir de poções com o que vamos encontrando, ou com o que os inimigos vão largando quando os derrotamos (e sim, armas e armaduras possuem durabilidade limitada). A aventura em si é jogada numa perspectiva de primeira pessoa, já com este jogo a integrar um controlo semelhante ao WASD + rato que usamos actualmente. No entanto, para melhor interagir com itens, botões/alavancas ou mesmo alguns dos ícones do jogo no visor, ao manter o Enter pressionado, surge um cursor no ecrã que podemos controlar para melhor seleccionar o que desejarmos. E claro, como muitos outros RPGs, aqui também podemos assignar uma série de hotkeys a várias acções diferentes, como usar poções ou alguns determinados feitiços. No entanto nem tudo são rosas e se há coisa que não entendo como é que a Bethesda achou que isto era boa ideia foram as mecânicas de saltos. Ao invés de termos uma tecla para saltar como é comum em qualquer outro videojogo, aqui temos de pressionar (e manter pressionado) o botão ALT, que faz surgir uma pirâmide invertida no ecrã que se vai afastando de nós enquanto mantivermos a tecla premida. Essa pirâmide serve de controlo até onde queremos saltar, ou seja, deixamos o “cursor” se movimentar até onde queremos saltar e soltamos a tecla. Não era melhor simplesmente… saltar? Assim parece que estou a conjurar um feitiço qualquer… O combate também não é tão dinâmico quanto em jogos mais recentes, pois por exemplo, se usarmos uma espada ou outra arma branca, atacamos ao premir o botão do rato e, com o botão do rato premido, movimentamos o rato na direcção em que queremos fazer o corte – sim, isto já acontecia no Arena e no Daggerfall.

Apesar dos níveis serem inteiramente em 3D, as texturas são de baixa resolução e os inimigos são sprites 2D

No entanto, os níveis são bastante grandes, e repletos de inimigos nem sempre muito fáceis de derrotar, pelo que teremos mesmo de usar da melhor forma os feitiços e encantamentos que poderemos vir a encontrar no jogo. Algo também interessante de referir é que muitas vezes podemos dialogar com os inimigos comuns, para além de alguns NPCs e todos os diálogos possuem voice acting, o que me surpreendeu bastante pela positiva. Durante os diálogos com os inimigos temos várias respostas diferentes à escolha, onde até os podemos tentar convencer a deixarem-nos em paz. No entanto, algo que me agradou bastante foi o tom bastante sarcástico das respostas possíveis. Existem outros NPCs mais importantes para a história que também nos podem atribuir algumas sidequests e ler todos os pergaminhos que vamos encontrando ao longo do jogo é muito importante para ficarmos a conhecer algumas dicas de como ultrapassar algum puzzle, ou mesmo as fraquezas de alguns inimigos poderosos que encontraremos ao longo do jogo.

Para um dungeon crawler, os níveis até que são bastante diversificados entre si

Do ponto de vista técnico, e começando pelo grafismo, já referi acima que este é um RPG jogado inteiramente na primeira pessoa, com cenários totalmente em 3D. No entanto os inimigos ainda são sprites 2D, e as texturas no geral possuem uma resolução muito baixa. Mas são limitações expectáveis, pois este Battlespire usa o mesmo motor gráfico de Daggerfall e admitamos, a Bethesda não é a id que em 1996 nos apresentou o tecnicamente impressionante Quake. Bom, a id agora faz parte da Bethesda, mas isso não interessa, vocês entenderam a mensagem! Passando para a parte do som, a banda sonora é composta por músicas ambientais, que geralmente dão uma atmosfera bastante sinistra ao jogo e que sinceramente me agradou. Já o voice acting, bom é de louvar o esforço que a Bethesda teve em gravar tantos diálogos diferentes, mas a qualidade dos actores é que na maior parte das vezes deixa a desejar.

Se não quisermos combater com os inimigos, podemos sempre tentar falar com eles, com um dos melhores/piores voice actings de sempre

Por fim convém também referir que o jogo possui também alguns modos multiplayer, mas que sinceramente nunca os experimentei. Temos os típicos Deathmatch e Team vs Team (team deathmatch), mas também um modo cooperativo que aparentemente nos deixa jogar a campanha toda com até 8 pessoas em simultâneo. Interessante, mas dificilmente hoje em dia conseguiria arranjar tanta gente com paciência para isto.

Portanto, este Elder Scrolls Legend: Battlespire é um jogo interessante, na medida em que podemos ver a Bethesda a tentar fazer algo um pouco diferente com esta série. Para quem gosta de dungeon crawlers puros, talvez encontrem algum divertimento neste jogo. Mas a verdade é que tal como o Arena e o Daggerfall são jogos que envelheceram mal para os dias de hoje. Tanto que a Bethesda nem se dignou a incluir estes spin offs na sua colectânea Elder Scrolls Anthology. Mas ainda assim, se forem fãs do género, dêm uma espreitadela!