Elder Scrolls Legend: Battlespire (PC)

Por muitos bugs que os jogos da Bethesda tinham, é inegável que a série Elder Scrolls, principalmente os primeiros dois jogos Arena e Daggerfall, foram extremamente ambiciosos, não só no tamanho gigantesco dos seus mapas, mas principalmente por toda a liberdade e uma multitude de sidequests que nos davam imensas horas de jogo. Mas entre Daggerfall e Morrowind, a Bethesda decidiu experimentar um pouco e tentar coisas novas, o que resultou no lançamento deste Elder Scrolls Legend: Battlespire e Elders Scrolls Adventure: Redguard. O meu exemplar do Battlespire foi comprado há uns anos atrás numa das minhas idas à Feira da Ladra em Lisboa, tendo-me custado uns 2€ se bem me recordo. Entretanto há alguns meses atrás aproveitei uma promoção no GOG por 2€ e qualquer coisa para ter também uma versão digital, optimizada para correr em sistemas operativos modernos.

Jogo mais caixa em jewel case.

Como muitos outros CRPGs, começamos por inicialmente criar a nossa personagem. Começamos por escolher o sexo, a raça e definir os restantes aspectos físicos da personagem. Depois escolhemos uma de várias classes existentes, que por si só já possuem diferentes atributos nativos entre si. Depois lá teremos um número infindável de skills onde poderemos atribuir um certo número de pontos livremente. Sim, até coisas simples como saltar ou nadar possuem skill points associados. Esses pontos podem também ser usados para “comprar” algum equipamento inicial, como armas, armaduras e poções mágicas. Duas horas depois, lá começamos a aventura. Basicamente a nossa personagem é um aprendiz de battlemage, que se encontrava a treinar na academia de Battlespire. No entanto Battlespire foi invadida pelos Daedra (uma raça algo semelhante a demónios) e raptaram o nosso companheiro de armas. Ao longo do jogo teremos então 7 níveis diferentes para atravessar, que são essencialmente dungeons bem grandes, repletas de inimigos, puzzles para resolver, e algumas sidequests.

Ainda na criação das personagens podemos (e devemos) também definir algumas vantagens e handicaps da nossa personagem

Ao longo do jogo não existem quaisquer vendedores, pelo que nos teremos de equipar e munir de poções com o que vamos encontrando, ou com o que os inimigos vão largando quando os derrotamos (e sim, armas e armaduras possuem durabilidade limitada). A aventura em si é jogada numa perspectiva de primeira pessoa, já com este jogo a integrar um controlo semelhante ao WASD + rato que usamos actualmente. No entanto, para melhor interagir com itens, botões/alavancas ou mesmo alguns dos ícones do jogo no visor, ao manter o Enter pressionado, surge um cursor no ecrã que podemos controlar para melhor seleccionar o que desejarmos. E claro, como muitos outros RPGs, aqui também podemos assignar uma série de hotkeys a várias acções diferentes, como usar poções ou alguns determinados feitiços. No entanto nem tudo são rosas e se há coisa que não entendo como é que a Bethesda achou que isto era boa ideia foram as mecânicas de saltos. Ao invés de termos uma tecla para saltar como é comum em qualquer outro videojogo, aqui temos de pressionar (e manter pressionado) o botão ALT, que faz surgir uma pirâmide invertida no ecrã que se vai afastando de nós enquanto mantivermos a tecla premida. Essa pirâmide serve de controlo até onde queremos saltar, ou seja, deixamos o “cursor” se movimentar até onde queremos saltar e soltamos a tecla. Não era melhor simplesmente… saltar? Assim parece que estou a conjurar um feitiço qualquer… O combate também não é tão dinâmico quanto em jogos mais recentes, pois por exemplo, se usarmos uma espada ou outra arma branca, atacamos ao premir o botão do rato e, com o botão do rato premido, movimentamos o rato na direcção em que queremos fazer o corte – sim, isto já acontecia no Arena e no Daggerfall.

Apesar dos níveis serem inteiramente em 3D, as texturas são de baixa resolução e os inimigos são sprites 2D

No entanto, os níveis são bastante grandes, e repletos de inimigos nem sempre muito fáceis de derrotar, pelo que teremos mesmo de usar da melhor forma os feitiços e encantamentos que poderemos vir a encontrar no jogo. Algo também interessante de referir é que muitas vezes podemos dialogar com os inimigos comuns, para além de alguns NPCs e todos os diálogos possuem voice acting, o que me surpreendeu bastante pela positiva. Durante os diálogos com os inimigos temos várias respostas diferentes à escolha, onde até os podemos tentar convencer a deixarem-nos em paz. No entanto, algo que me agradou bastante foi o tom bastante sarcástico das respostas possíveis. Existem outros NPCs mais importantes para a história que também nos podem atribuir algumas sidequests e ler todos os pergaminhos que vamos encontrando ao longo do jogo é muito importante para ficarmos a conhecer algumas dicas de como ultrapassar algum puzzle, ou mesmo as fraquezas de alguns inimigos poderosos que encontraremos ao longo do jogo.

Para um dungeon crawler, os níveis até que são bastante diversificados entre si

Do ponto de vista técnico, e começando pelo grafismo, já referi acima que este é um RPG jogado inteiramente na primeira pessoa, com cenários totalmente em 3D. No entanto os inimigos ainda são sprites 2D, e as texturas no geral possuem uma resolução muito baixa. Mas são limitações expectáveis, pois este Battlespire usa o mesmo motor gráfico de Daggerfall e admitamos, a Bethesda não é a id que em 1996 nos apresentou o tecnicamente impressionante Quake. Bom, a id agora faz parte da Bethesda, mas isso não interessa, vocês entenderam a mensagem! Passando para a parte do som, a banda sonora é composta por músicas ambientais, que geralmente dão uma atmosfera bastante sinistra ao jogo e que sinceramente me agradou. Já o voice acting, bom é de louvar o esforço que a Bethesda teve em gravar tantos diálogos diferentes, mas a qualidade dos actores é que na maior parte das vezes deixa a desejar.

Se não quisermos combater com os inimigos, podemos sempre tentar falar com eles, com um dos melhores/piores voice actings de sempre

Por fim convém também referir que o jogo possui também alguns modos multiplayer, mas que sinceramente nunca os experimentei. Temos os típicos Deathmatch e Team vs Team (team deathmatch), mas também um modo cooperativo que aparentemente nos deixa jogar a campanha toda com até 8 pessoas em simultâneo. Interessante, mas dificilmente hoje em dia conseguiria arranjar tanta gente com paciência para isto.

Portanto, este Elder Scrolls Legend: Battlespire é um jogo interessante, na medida em que podemos ver a Bethesda a tentar fazer algo um pouco diferente com esta série. Para quem gosta de dungeon crawlers puros, talvez encontrem algum divertimento neste jogo. Mas a verdade é que tal como o Arena e o Daggerfall são jogos que envelheceram mal para os dias de hoje. Tanto que a Bethesda nem se dignou a incluir estes spin offs na sua colectânea Elder Scrolls Anthology. Mas ainda assim, se forem fãs do género, dêm uma espreitadela!

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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