The Wolf Among Us (Sony Playstation 3 / PC)

A Telltale já há muito que vinha a experimentar diferentes mecânicas de jogo nos seus jogos de aventura point and click, tendo encontrado finalmente uma fórmula de sucesso no primeiro The Walking Dead, que nos presenteou com uma óptima narrativa e com escolhas muito difíceis pela frente. Este The Wolf Among Us acaba então por ser um jogo muito similar nas suas mecânicas, mas com um background completamente diferente. O meu exemplar foi comprado algures no mês de Março a um amigo meu, estando ainda selado, por 10€. A versão PC veio de um humble bundle comprado a um óptimo preço.

Jogo com caixa e manual

Confesso que a temática do jogo me surpreendeu bastante, pois não conhecia as suas origens. Sempre achei que era uma história algo negra com um protagonista lobisomem, mas é muito mais que isso. Baseado nas comics da Vertigo chamadas Fables, a nossa personagem é nada mais nada menos do que o Lobo Mau dos contos de fada da nossa infância, aqui apelidado de Bigby Wolf (diminutivo de Big Bad Wolf). Por algum motivo uma série de personagens dos contos de fada foge do seu mundo encantado e reunem-se na Fabletown, um distrito da cidade de Nova Iorque, misturando-se entre os humanos e tendo as suas próprias rotinas. As personagens humanas, como é o caso da Branca de Neve, Bela, ou a Pequena Sereia conseguem viver normalmente, enquanto as não humanas, como é o caso do Monstro e do próprio Wolf necessitam de usar uns encantamentos que os transformam em humanos. O problema é que esses encantamentos são caríssimos e nem todos os conseguem pagar. Nesses casos, os fables como é o caso de Colin, um dos três porquinhos, devem permanecer na Farm, uma quinta encantada afastada de tudo o resto, onde podem viver livremente nas suas formas normais.

O Lobo Mau a viver com um dos três porquinhos? Por essa não estavam a contar.

E qual o papel de Wolf? Bom, é o xerife lá do sítio e devido ao seu passado é temido e pouco respeitado por todos os que o rodeiam. E a aventura começa com Wolf a receber um pedido de ajuda de Mr. Toad (sim, um sapo) a alertar que algo de grave se passa num dos apartamentos do seu prédio. E quando lá chegamos descobrimos nada mais nada menos que o lenhador do Capuchinho Vermelho, completamente bêbedo, a agredir uma prostituta. Após um inevitável combate e uma breve conversa com a rapariga no final, Bigby segue a sua vida. Horas depois, descobre à porta do seu prédio nada mais nada menos que a cabeça decapitada da prostituta com quem falou há pouco tempo. Ao longo do jogo iremos investigar esse homicídio, numa trama que se vai tornando cada vez mais complexa e com uma série de reviravoltas.

Como sempre temos alguns QTEs pela frente

No que diz respeito às mecânicas de jogo, estas são muito similares às de Walking Dead, sendo um jogo de aventura gráfica com várias sequências de acção compostas por Quick Time Events, onde temos de seguir as indicações visuais no ecrã de que botões devemos pressionar naquela altura. Temos alturas de exploração, onde podemos nos movimentar não tão livremente quanto isso ao longo dos cenários e interagir com objectos ou outras personagens, que são sinalizados no ecrã, facilitando-nos a tarefa de ter de procurar coisas com que interagir. Ocasionalmente podemos apanhar alguns itens que podem posteriormente ser usados para interagir com outros objectos, ou mesmo com outras personagens através dos seus diálogos. Para os diálogos temos um tempo limite para responder, e caso não escolhemos nenhuma resposta, Bigby mantém-se em silêncio, o que por si só já é uma resposta válida, e pode alterar um pouco a forma como as personagens à nossa volta nos percepcionam, ou mesmo alterar ligeiramente os acontecimentos seguintes.

Na maior parte das vezes, as escolhas que podemos tomar têm um tempo limite.

A nível audiovisual considero o jogo excelente. A nível gráfico tudo está renderizado em cell shading, o que dá um look muito fiel às bandas desenhadas dos Fables. Por outro lado, o mundo de Fabletown é sombrio, e toda a ambiência do jogo dá um aspecto de um filme noir da década de 80, o que por si só me agrada bastante. A caracterização das personagens, e a maneira decadente como representam algumas personagens que todos nós conhecemos da nossa infância está também muito bem elaborada. O voice acting é igualmente muito bem conseguido por todas as personagens, o que uma vez mais também contribui para uma narrativa muito noir.

Fabletown não é uma cidade particularmente afável, vamos visitar muitos locais não recomendáveis a boas famílias

No fim de contas este jogo agradou-me bastante. Mantém as mesmas mecânicas de jogo dos The Walking Dead, onde as nossas escolhas vão alterando ligeiramente o desenrolar da história, mas nunca as alteram tão radicalmente assim quanto a Telltale nos quer fazer pensar. No entanto, devo dizer que fiquei bastante agradado pela narrativa negra e adulta que o jogo tem, pois isto de contos de fadas para crianças não tem nada, e o rating para maiores de 18 é perfeitamente compreensível. Aparentemente The Wolf Among Us serve de prequela aos acontecimentos narrados na comic Fables, fiquei bastante curioso e muito provavelmente vou começar a lê-la em breve. A Telltale estava a trabalhar numa sequela, mas como abriram falência há relativamente pouco tempo, esse projecto acabou por ser enfiado no saco, o que é pena.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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