KARAKARA 1 e 2 (PC)

Bom hoje vai ser mesmo uma rapidinha a não um mas dois jogos de uma só vez. Mas como são duas visual novels bastante simples e curtas, acaba por compensar escrever um artigo único para ambos. Estas 2 visual novels, publicadas pela Denpasoft, foram compradas num indie bundle qualquer há cerca de um ano atrás por uma bagatela.

Bom, como já estão a adivinhar estas são visual novels com conteúdo eroge, embora as cenas explícitas tenham de ser compradas à parte através de patches no site da Denpasoft, pois o Steam não permite essas poucas vergonhas. Yeah right… Mas, parvoíces à parte, até que gostei de alguns conceitos da narrativa do jogo, pois o mesmo é passado num mundo árido e pós-apocalíptico, onde por algum motivo não há muitos machos no planeta e a maioria da população desenvolveu orelhas e rabos de animais. Yeah right, mais japonesices. Ainda assim, até que de certa forma gostei da escrita do jogo, pois tem algumas cenas com bom humor e outras um pouco mais introspectivas mas que até não estão mal conseguidas de todo. Depois claro, tem a parte de todas as raparigas com que a personagem principal se cruza se apaixonarem por ele…

Podemos activar legendas em 2 línguas em simultâneo!

O que me desagradou é que estes 2 jogos são completamente lineares, não há qualquer escolha que tenhamos de fazer, é mesmo só ler. Por outro lado a apresetação do jogo está boa e o seu “motor” apresenta muitas das funcionalidades habituais como a possibilidade de fazer skip a texto já lido, ou reler texto que já tenha passado. No que diz respeito aos audiovisuais, tal como os Neko-Nin que já cá trouxe, estes são jogos bem trabalhados: os desenhos estão muito bons, tanto das personagens em si, como dos cenários que nos são apresentados. Até uma abertura como se fosse um anime isto tem! O voice acting (todo em japonês) também me agradou bastante e as músicas, bom, essas vão sendo bastante variadas.

Portanto, para quem gostar deste tipo de Visual Novels, estão aqui duas boas apostas, embora o facto de serem completamente lineares não me agrade muito. Mas recomendo que as comprem em conjunto e nalguma sale, pois o segundo terminou de uma forma abrupta, mesmo a convidar para um terceiro jogo, que acredito que eventualmente veja a luz do dia.

Sherlock Holmes: The Mystery of the Persian Carpet (PC)

Sem querer avancei um jogo à frente na saga Sherlock Holmes. Depois do confronto do detective britânico e de Arséne Lupin, também uma personagem fictícia da literatura, a Frogwares lançou um novo “crossover”, o de Sherlock Holmes contra Jack the Ripper, o famoso serial killer londrino do final do século XIX. Só depois dessa aventura (que eu irei jogar em seguida), é que a Frogwares decide, no mesmo ano lançar este Mystery of the Persian Carpet, que é um jogo muito diferente dos seus predecessores. Mas já lá vamos! Tal como a maior parte dos outros jogos desta série que possuo na minha conta steam, este jogo foi comprado num indie bundle por uma bagatela.

Ao contrário de todos os outros, que de uma certa forma são todos aventuras gráficas do estilo point and click, onde teremos um ou mais mistérios e puzzles para resolver, aqui o estilo de jogo é muito diferente. Vamos contextualizar primeiro: Ao gabinete de Sherlock Holmes chega a notícia que um jovem pintor zé-ninguém foi assassinado e depois embrulhado numa valiosa carpete persa, e o seu corpo deixado noutro local. Intrigado, Sherlock decide investigar e é aí que começamos a aventura. Primeiro chega-nos às mãos algumas informações da vítima e do crime em si. Depois lá vamos ao local do crime e teremos de encontrar pistas nos cenários, como marcas de sangue, pegadas, partes de tecido ou cabelos, etc. Depois lá investigamos algumas testemunhas e suspeitos e também as temos de observar atentamente, em busca de mais pistas. Por fim, visitamos o escritório de Holmes, onde poderemos practicar alguma análise forense às pistas que encontramos anteriormente. No fim de cada “nível” lá teremos de agrupar todas as pistas obtidas e estabelecer ligações entre a vítima, suspeitos, arma e hora do crime.

Os objectos que procuramos podem ser pistas ou itens que podem posteriormente ser usados para desbloquear outros.

Em cada nivel vamos ter mais cenários para explorar, pessoas para analisar, pistas para analisar e deduções para fazer. Na exploração de cenários e das pessoas, na parte inferior do ecrã temos pistas sobre os objectos/pistas que devemos encontrar, depois lá teremos de os procurar nos cenários, o que nem sempre é muito fácil pois as coisas nem sempre estão muito visíveis. Também temos de interagir com outros objectos de forma a encontrar outras pistas, como abrir cofres, baús e afins, algo que muitas vezes nos obriga a resolver alguns puzzles lógicos para o efeito. Alguns é a palavra certa, pois há puzzles que nos obrigam mesmo a alguma tentativa-erro. De resto, o conceito de jogabilidade até que é interessante, principalmente aquela parte em que fazemos deduções lógicas ao interligar as diferentes pistas, suspeitos, cenários e a vítima. Quando finalmente conseguirmos estabelecer uma ligação entre um suspeito, a vítima, um cenário, a arma do crime e a hora, encontramos o culpado e o jogo termina. Claro que só no último “nível” conseguimos ter essa conclusão!

Infelizmente acho que poderiam ter caprichado mais na narrativa.

Agora o que não me agradou muito no jogo foi a sua apresentação. Os cenários são estáticos, e todos eles são localizações familiares de jogos anteriores do Sherlock Holmes, o que é uma pena. Até alguns dos puzzles são parecidos! Depois não existe qualquer voice acting, deviam ter investido um pouco mais nisso. As músicas são várias músicas clássicas características da série, aí já não me queixo muito.

Portanto este é um jogo que apesar de ter algumas boas ideias, poderiam ter investido mais na sua apresentação. Esta é uma fórmula que a Frogwares não descartou, pois mais tarde lançaram outro jogo do mesmo estilo, o The Hound of the Baskervilles que enventualmente jogarei. Agora é tempo de apanhar o Jack the Ripper!

Sherlock Holmes: Nemesis (PC)

Voltando às rapidinhas no PC, hoje trago-vos um breve artigo sobre mais um jogo de aventura da saga Sherlock Holmes, produzida pela Frogwares. Nemesis, também conhecido como Sherlock Holmes vs Arsene Lupin, é um jogo que protagoniza o famoso detective britânico contra uma outra famosa personagem da  literatura, o “nobre” ladrão francês Arsene Lupin. O meu exemplar digital entrou na minha conta do steam há uns anos atrás, através de um bundle que me ficou barato certamente.

A narrativa decorre algum tempo após a aventura anterior, onde os feitos de Arsene Lupin no seu país de origem começam a ganhar alguma notoriedade na imprensa internacional. A certa altura Sherlock Holmes recebe uma carta do próprio Lupin, cujo ameaça roubar 5 dos tesouros mais valiosos do Reino Unido, só mesmo para deixar a reputação do país na lama. Ao longo do jogo vamos então andar sempre atrás de Lupin e analisar as pistas que nos vai deixando. Em primeiro lugar temos de adivinhar qual será o seu próximo alvo, depois teremos de ir para o local em questão e fazer os possíveis para evitar que Lupin tenha sucesso nos seus assaltos, o que claro, só acontece no final. Infelizmente não gostei muito do progresso do jogo desta vez, isto porque vamos mesmo ter de fazer imenso backtracking e explorar áreas bastante grandes, muitas vezes à procura de uma agulha num palheiro… Por exemplo, teremos de explorar a fundo locais como a Galeria Nacional, a Torre de Londres ou o Museu Britânico, onde teremos imensos puzzles para resolver de forma a progredir no jogo. Ao menos sempre dá para aumentar a nossa cultura geral, pois iremos interagir com dezenas de pinturas, artefactos da antiguidade e armas medievais. O segmento do jogo que mais gostei foi o do palácio de Buckingham, não só por alguns momentos de bom humor, mas também pelos puzzles serem mais interessantes e não tão maçudos.

Algumas das tarefas que temos de fazer para progredir são bastante aborrecidas, mas ao menos podemos apreciar uma série de museus virtuais.

Na sua essência, este jogo possui umas mecânicas de jogo muito semelhantes ao seu antecessor e, tendo em conta que esta é a versão remastered, aqui também temos a hipótese de alternar entre a perspectiva na primeira pessoa, totalmente livre de movimentos, ou a perspectiva na terceira pessoa, com uma jogabilidade mais próxima dos point and click clássicos. Teremos também de fazer trabalho de detective ao questionar pessoas e alguma análise forense, como investigar pegadas ou outros rastos deixados por Lupin, como já tem vindo a ser habitual nesta série. Como referi acima, os cenários são grandes e têm de ser examinados ao pormenor, o que nos vai tomar muito do nosso tempo. Felizmente, tal como no jogo anterior, vamos tendo a opção de “fast travel” para viajar rapidamente entre diferentes zonas de Londres e, caso já tenhamos explorado os locais como os museus ou torre de londres, também poderemos usar o mapa dessas localizações específicas para viajar instantaneamente entre algumas posições chave.

Temos de pensar muito bem nos enigmas que Arsene Lupin nos deixa, pois vão ajudar nalguns puzzles não muito intuitivos

No que diz respeito aos audiovisuais, o jogo parece utilizar o mesmo motor gráfico do seu predecessor, ou seja, temos gráficos renderizados em 3D e um controlo de câmara e movimento totais, se jogado na perspectiva da primeira pessoa. Os gráficos em si parecem-me mais detalhados, já não temos tantas texturas demasiado simples como no Awakened. Aqui também regressou uma banda sonora que assenta em música clássica, ao contrário do jogo anterior que possuia um ambiente muito mais “atmosférico”. O voice acting é igual aos antecessores, são as mesmas pessoas a dar as vozes de Sherlock e Watson que por sua vez são muito melhores que as dos restantes NPCs.

Portanto, apesar deste “Nemesis” ser um jogo um pouco mais “chato” devido aos seus puzzles ambíguos e que nos obrigam a fazer muito backtracking numa àrea de jogo já por si extensa, não deixa de ser mais uma aventura interessante e que desta vez introduzem um conceito novo, pois não andamos aqui a investigar nenhum homicício, mas sim atrás de um ladrão que está a jogar um jogo de gato e rato connosco. Creio que vou gostar mais do próximo jogo, onde defrontaremos o Jack the Ripper.

Konami Collector’s Series: Castlevania and Contra (PC)

Continuando pelas rapidinhas, hoje trago-vos cá mais uma compilação para PC muito interessante trazida pela Konami, que contém os três Castlevanias lançados originalmente para a NES, mais os dois Contras que sairam também para essa plataforma. O meu exemplar foi comprado algures no verão de 2017 a um coleccionador particular, se bem me recordo custou-me 10€.

Compilação com caixa e folheto com instruções rápidas

Este artigo não se vai focar muito nos jogos que compõem esta compilação, até porque são exactamente as mesmas versões da NES e que eu pretendo ter na minha colecção mais cedo ou mais tarde. Daqui, para já apenas tenho o primeiro Castlevania e o Contra, na sua versão europeia Probotector, pelo que recomendo a leitura desses artigos se quiserem ler uma análise mais detalhada.

O menu inicial não é lá muito bonito mas funcional

Então em que consiste esta compilação ao certo? Temos o Castlevania, Castlevania II: Simon’s Quest, Castlevania III: Dracula’s Curse, Contra e Super C, todos eles versões norte-americanas emuladas da NES. O emulador possui algumas funcionalidades básicas adicionais como save states ou customizar os controlos, mas mais nada. Fora isso temos os manuais em PDF e há quem diga que o jogo Jackal também possa ser desbloqueado, mas não encontrei provas disso.

Ou seja, esta é uma compilação que por um lado já é muito forte pelos jogos que contém, mas poderia ser um item de luxo para coleccionadores se incluíssem mais extras, como entrevistas aos criadores dos jogos, artwork, anúncios publicitários, qualquer coisa! É um CD cheio de espaço desperdiçado com 5 roms de NES e pouco mais. No entanto, por outro lado também era uma maneira bem mais barata de possuir estes 5 jogos de forma legítima (daí eu a ter comprado), se bem que hoje em dia esta compilação também não seja muito barata no ebay…

Sherlock Holmes: The Awakened Remastered (PC)

Após uma ausência motivada por razões profissionais, é tempo de regressar às rapidinhas para mais um jogo da série Sherlock Holmes da Frogwares. O terceiro jogo da saga principal é este The Awakened, que possui uma temática bem mais obscura sobre o mito Lovecraftiano de Chthullu. Lançado originalmente em 2007, é o primeiro jogo da série que descarta os cenários pré-renderizados em detrimento de cenários renderizados em tempo-real e com uma liberdade total de movimentos na primeira pessoa. No ano seguinte é lançada uma versão remastered que, para além de alguns updates gráficos, permitiu também o regresso da perspectiva de terceira pessoa com mecânicas de jogo mais tradicionais de point-and-click. Tal como a maior parte dos jogos desta saga que tenho na minha conta steam, este também deu entrada há uns anos atrás através de um humble bundle comprado a um preço bastante acessível.

A história começa de uma forma muito ligeira: Sherlock Holmes está entediado sem nenhum mistério para resolver até que alguém pede ajuda pelo desaparecimento de um criado de algum ricalhaço lá do sítio. Ao investigar essa situação, Sherlock começa a descobrir um rasto de outros desaparecimentos semelhantes, ao que nos leva a investigar as docas de Londres. Lá acabamos por descobrir um armazém com uma cave secreta onde as pessoas raptadas eram mantidas, antes de serem transportadas em caixões para destinos incertos. É nessa altura que reparamos que a narrativa nos vai levando por contornos mais sinistros, com um culto maléfico por detrás não só de raptos, mas também de tortura e homicídios. É um jogo bem mais gore que os seus predecessores, e que nos leva a diferentes localizações fora do Reino Unido, tal como um manicómio nos confins da Suíça, ou a nova Orleães, nos EUA.

Tal como no seu predecessor teremos de analisar bem alguns cadáveres e outras pistas

Esta edição remaster deixa-nos alternar livremente entre uma perspectiva de primeira e terceira pessoa. Desta vez podemos pela primeira vez deslocarnos livremente pelos cenários, sem qualquer restrição a não ser as que o jogo por vezes nos impõe para desenrolar a história da melhor forma. O cursor do rato muda de forma quando passamos por alguma coisa que poderemos investigar de perto (lupa) ou interagir (mão). Para os puristas das mecãnicas de jogo point and click, podemos, na terceira pessoa, usar o rato para tudo. O sistema de inventário, tal como no jogo anterior, guarda todas as conversações que tivemos com NPCs, bem como documentos lidos e outras pistas que poderão ser úteis. Ocasionalmente teremos de fazer mesmo trabalho de detective, ao passar a lupa em cadáveres ou pegadas, para que Sherlock consiga descobrir algumas pistas. Também, na primeira fase do jogo, poderemos fazer algumas experiências no laboratório de Sherlock, mas esta componente mais de “mãos na massa” não está tão presente quanto no jogo anterior.

Desta vez o jogo aborda uma temática muito mais sinistra e não têm medo de chocar.

A nível gráfico este é um jogo que transita dos cenários pré-renderizados que caracterizaram os seus predecessores para um 3D real. Naturalmente que os gráficos acabaram por perder assim algum detalhe, mas não ficou mau de todo. As texturas de superfícies longas como o chão, ou paredes e muros é onde se nota mais alguma perda de qualidade. Mas sinceramente prefiro isso do que ter a movimentação toda capada pelo jogo. No que diz respeito ao som, o voice acting não é mau, principalmente nos diálogos de Watson e Holmes. Outras personagens já poderão não estar tão boas. Ao contrário do jogo anterior não temos música clássica a tocar a todo o tempo, com o jogo a optar por uma abordagem muito mais atmosférica e minimalista. Tendo em conta a temática sobrenatural deste jogo, acho que resulta melhor.