Wonder Boy: The Dragon’s Trap (Sony Playstation 4 / PC)

O Wonder Boy III: The Dragon’s Trap é, para mim, um dos melhores jogos de plataforma da era 8bit. É também um metroidvania, embora seja ainda algo primitivo. E quando soube há alguns anos atrás que estava a ser preparado um remake, fiquei bastante interessado. É que a liderar o projecto estava nada mais nada menos que Omar Cornut, não só um grande entusiasta da série Wonder Boy, mas também da própria consola Master System e restante hardware Sega 8bit. Omar Cornut é o autor do emulador Meka, que usei bastante há anos atrás, bem como um dos fundadores da comunidade SMSPower, que costumo também seguir. Mas adiante! Apesar de ter o jogo no steam há algum tempo, e sinceramente não me recordo como veio cá parar, quis mesmo optar por ter antes um lançamento físico, algo que aconteceu há uns meses atrás, após ter comprado este exemplar da PS4 através de um vendedor no ebay por cerca de 25€. É bom ver um jogo de PS4 “normal” com tantos extras, a começar por um manual!

Jogo com capa reversível, manual, banda sonora, porta chaves e papelada

E escrever sobre a série Wonder Boy é sempre uma dor de cabeça, não só pelas diferenças de nome entre regiões e entre consolas, a começar pelo facto do Adventure Island ser um reskin do primeiro Wonder Boy e que deu origem à sua própria série. O Wonder Boy III da Master System (não confundir com o Wonder Boy III da Mega Drive que não tem nada a ver) é na verdade o segundo jogo da subsérie Monster World, que primam por serem jogos de plataforma não lineares (os tais metroidvania) e com alguns elementos ligeiros de RPG. O twist deste Dragon’s Trap está mesmo na forma como o jogo começa. Há um recontar da última batalha contra o Dragão (a mesma que finaliza o Wonder Boy in Monster Land), mas desta vez, o dragão ao ser derrotado lança uma maldição ao jovem herói, transformando-o num dragão! Então lá teremos uma vez mais de vaguear pela Monster Land em busca da nossa humanidade! No entanto, à medida que vamos defrontando outros bosses, vamo-nos transformando noutras criaturas, que nos darão diferentes habilidades também. E o mundo está construído de forma a que certos locais apenas sejam acessíveis a certas criaturas, bem como teremos muitas salas secretas para descobrir, com equipamento mágico ou corações que nos extendam a barra de vida.

É impossível ficar indiferente a estes gráficos lindíssimos, pintados à mão

Não é um jogo muito grande, mas gostei bastante do conceito das diferentes transformações. O dragão cospe fogo, podendo atacar à distância e é invulnerável a lava, mas não tem qualquer escudo que o defenda. A segunda transformação é um homem-rato, minúsculo, mas que lhe permite não só esgueirar-se por passagens estreitas mas também agarrar-se a superfícies com uma textura quadriculada, podendo assim subir paredes ou mesmo andar pelos tectos. Outra é um homem-piranha, capaz de nadar à vontade na água, já o lion-man é uma transformação poderosa e com uma óptima área útil de defesa e ataque. A última transformação é um homem-pássaro, que apesar de ser mais frágil, permite-nos voar livremente e explorar os cenários à vontade. É contudo, a única forma que é vulnerável à água, pelo que temos também de ter isso em atenção. É portanto um jogo onde há um grande foco na exploração, mas também teremos de fazer algum grinding, pois os melhores equipamentos também custam uma pipa de massa.

Ocasionalmente encontramos lojas onde poderemos comprar melhor equipamento, outros itens, ou mesmo hospitais onde nos regeneram a barra de vida

Mas o que traz este remake de novo? Bom, para além dos gráficos e som refeitos e que descreverei mais à frente, temos também alguns locais secretos (e novos) para explorar, bem como alguns melhorias de quality of life. Apesar de não haver nenhum sistema de fast travel, sempre que quisermos voltar à aldeia central, que serve de hub para aceder a todas as outras áreas, basta pausar e escolher a opção para voltar ao ecrã título. Quando recomeçarmos o jogo, estamos novamente na aldeia central, mas retendo toda a barra de vida, dinheiro, equipamento e magias que tenhamos amealhado. É também uma excelente maneira de evitar morrer, pois apesar do jogo ter vidas infinitas, sempre que morremos voltamos à tal aldeia central, mas perdemos todos os itens que tenhamos amealhado (no entanto o equipamento, tamanho da barra de vida e dinheiro mantêm-se).

Diferentes formas do Wonder Boy possuem também diferentes habilidades

Já a nível audiovisual, fizeram aqui um trabalho excelente. Os gráficos foram todos redesenhados com figuras e cenários desenhados à mão, mas com excelentes animações. A banda sonora foi toda regravada usando instrumentos reais, e algumas músicas ficaram mesmo muito boas na minha opinião, dando-lhe até outra vida, como o tema do deserto que agora é bem mais jazzy. Gostava de um dia ver um documentário de making of deste jogo, pois o Omar e sua equipa fizeram todo este jogo com base em engenharia reversa do lançamento original para a Master System. Para além disso, a qualquer momento podemos alternar, em tempo real, entre os gráficos originais e do remake, mas também ambas as bandas sonoras, e aí dá mesmo para sentir as diferenças!

Outra das novidades aqui introduzidas é a possibilidade de jogarmos com uma rapariga

Portanto este lançamento acaba por me agradar bastante, pois não só é um remake de um jogo clássico da Master System, como também é um remake de muita qualidade e, espero eu, que tenha de certa forma cativado a audiência para eventualmente vermos mais lançamentos deste género, o que de certa forma já aconteceu. Em 2018 tivemos o lançamento de Monster Boy and the Cursed Kingdom, um sucessor espiritual de Wonder Boy, e este ano um novo remake, o do Monster World IV, agora sob o nome de Wonder Boy: Asha in Monster World. Planeio comprar e jogar ambos em breve!

Dracula: Love Kills (PC)

O artigo de hoje é mais uma rapidinha, pois após ter jogado o Dracula: Origin e ter ficado um pouco desiludido, quis pegar rapidamente na sua sequela, para posteriormente ser surpreendido que na verdade este é um daqueles jogos de hidden object, como o Sherlock Holmes and the Hound of the Baskervilles que já cá trouxe no passado. E tal como esse jogo, este também veio parar à minha conta steam após ter sido comprado num bundle por um preço bastante convidativo.

A história deste jogo segue os acontecimentos da sua prequela, onde Dracula, após ter sido derrotado por Van Helsing, acorda enfraquecido. Para piorar as coisas, uma tal “rainha dos vampiros” aproveitou o momento de fraqueza de Dracula para procurar ela dominar o mundo. E só para chatear, acaba por raptar a Mina também. Então iremos partir no encalço de Mina uma vez mais, se bem que desta vez, por algum motivo, até o próprio Van Helsing nos decide ajudar. Na verdade a história neste jogo é muito má, não deve ser mesmo levada a sério.

Os objectos que vamos encontrando vão ser usados noutros objectos para conseguirmos progredir

Ao longo desta aventura teremos de explorar bem os diferentes cenários ao coleccionar objectos, para depois usá-los noutros objectos e resolver imensos puzzles, alguns bem complicados, mas o jogo oferece sempre a possibilidade de o descartar se assim bem entendermos. Muitas vezes temos também aqueles segmentos de hidden object, onde nos é apresentado um cenário estático, aparentemente pintado à mão, e teremos de encontrar uma série de objectos listados abaixo, o que nem sempre é fácil pois muitos dos objectos acabam por estar bem camuflados nos cenários. À medida que vamos avançando no jogo, Dracula vai ganhando também novas habilidades, que lhe permitem usar os seus poderes vampíricos como a telecinese, força sobrehumana, ou a capacidade de se transformar num morcego. Para quê? Para apanhar certos objectos que de outra forma não os conseguiríamos alcançar, claro.

Ocasionalmente vamos tendo alguns puzzles para resolver também. Alguns são simples, outros bastante infernais!

Do ponto de vista audiovisual devo dizer que fiquei algo desagradado com o que encontrei aqui. Os cenários são uma vez mais até que bastante diversificados entre si, mas o voice acting é uma vez mais muito mau, particularmente o do próprio Dracula, que tem um sotaque de este algo forçado, pareceu-me. Ao menos as músicas são bastante calmas, mas também tendo em conta que este é um jogo muito casual, acaba por ser o mais indicado. Sinceramente preferia antes ter jogado uma aventura gráfica ao nível dos melhores Sherlock Holmes, mas infelizmente ainda não foi desta.

Dracula Origin (PC)

Voltando às rapidinhas no PC, vamos ficar com mais uma aventura gráfica, desta vez para mais um lançamento da Frogwares, o estúdio que nos tem trazido os videojogos da saga Sherlock Holmes. E como eu até gosto dessa série, confesso que estava com as expectativas altas para este título, pois o mesmo é inspirado na obra de Bram Stoker, e decorre também em pleno período Victoriano, mas infelizmente as minhas expectativas foram um pouco defraudadas. Mas já lá vamos! O meu exemplar digital creio que foi comprado num bundle alusivo a vários jogos da Frogwares, que incluía, naturalmente, muitos dos títulos da saga Sherlock Holmes a um preço muito convidativo. EDIT: comprei recentemente numa feira de velharias uma versão física deste jogo por 1€.

Jogo com caixa e manual

Ora nós aqui encarnamos nada mais nada menos que no papel de Van Helsing, conhecido caçador de vampiros, que está no encalço de Dracula após este ter mordido Mina, noiva do seu assistente Jonathan Harker. Por sua vez, Mina é extremamente parecida ao primeiro amor de Dracula, pelo que este pretende ressuscitá-la usando o seu corpo como meio. Vamos então percorrer diversos cenários, como as cidades de Londres, Cairo, Viena e finalmente a região da Transilvânia, onde irá decorrer o confronto final com o Príncipe das Trevas.

Os cenários até que são variados e bem representados (com gráficos pré-renderizados). Pena a narrativa ser tão pobre!

No que diz respeito às mecânicas de jogo, contem com as típicas que encontramos das aventuras point and click clássicas. Teremos então a obrigação de explorar bem os cenários, com o ponteiro do rato a mudar de forma consoante o contexto por onde o passamos. Por exemplo, em objectos que podem ser interagidos ou observados, o cursor muda para uma mão ou olho respectivamente. Os cenários são apresentados em ângulos de câmara fixos, logo quando o cursor do rato muda para umas pegadas, quer dizer que nos podemos movimentar para uma nova área da sala/corredor/rua onde estamos, ou uma zona mesmo inteiramente nova. Vamos ter de apanhar e usar objectos, falar com pessoas, combinar objectos entre si e, acima de tudo, teremos alguns puzzles mais “a sério” para resolver, tipicamente para destrancar passagens ou portas de cofres e afins. O progresso normal do jogo até que é bastante simples e o facto da tecla espaço realçar todos os pontos de interesse no ecrã é de facto uma grande ajuda. Já para os puzzles propriamente ditos, bom aqui a história é muito diferente, pois há alguns que são mesmo difíceis de entender como funcionam e o que é pretendido.

Alguns puzzles não são nada intuitivos!

A nível audiovisual também é um jogo que me desiludiu um pouco. É verdade que vamos tendo uma variedade considerável de cenários para explorar, e estes até que estão bem detalhados, mas as animações das personagens e acima de tudo os seus diálogos deixam muito a desejar. O que é pena, pois a série Sherlock Holmes, apesar de graficamente os primeiros jogos também serem algo pobres, ao menos na narrativa, especialmente as vozes de Sherlock e Watson, sempre teve uma qualidade acima da média. Aqui o Van Helsing está mal representado na minha opinião, até porque muitas das suas frases mais comuns ficaram mal conseguidas. E apesar de o jogo ter terminado de forma a mostrar que uma eventual sequela estaria a caminho, o único jogo que a frogwares voltou a lançar sob o nome de Dracula foi o Love Kills, que é uma aventura bem mais casual do tipo hidden object.

Dark Fall: Lost Souls (PC)

Voltando às rapidinhas no PC, vamos ficar agora com mais uma aventura gráfica, desta vez com o terceiro capítulo da saga Dark Fall, que por sua vez são uma série de aventuras gráficas de terror, na primeira pessoa e com todos os cenários pré-renderizados. O meu exempar foi comprado no Steam, algures no ano passado, nalguma steam sale e certamente a um preço muito baixo.

Apesar de não estar directamente relacionado com o primeiro jogo, a história leva-nos uma vez mais à antiga estação de comboios e hotel de Dowerton, pequena localidade rural no interior britânico, agora ainda mais delapidado e sinistro. Nós controlamos um antigo detective que caiu em desgraça após investigar o desaparecimento de Amy, uma jovem menina, há 5 anos atrás. As suas suspeitas recaíam num mendigo muito sinistro e, após o ter incriminado depois de ter plantado provas e ser descoberto, esse suspeito acabou por ser liberdado, a menina nunca mais apareceu e o detective acabou por ser despedido. 5 anos depois, lá visitamos aquela antiga estação e hotel em busca de novas pistas para o paradeiro de Amy.

O interior do hotel em particular está muito bem conseguido!

Sendo esta uma aventura gráfica point and click na primeira pessoa, a exploração dos cenários será o maior foco, onde teremos de procurar objectos, usá-los em locais chave e resolver alguns puzzles de forma a ir progredindo e desmistificar o mistério que envolve o desaparecimento de Amy, mas também o de alguns hóspedes do hotel, cujos espíritos ficaram presos àquele local. Sendo um jogo na primeira pessoa, mas com gráficos pré-renderizados, não temos total liberdade de movimento, devendo no entanto usar o rato para nos movimentarmos pelo ecrã. O ponteiro do rato vai mudando de forma consoante o contexto da zona que tentamos interagir. Por exemplo, ao aproximar o rato das bermas do ecrã, o ponteiro muda para a forma de uma mão com o indicador a indicar a direcção para onde podemos mover a câmara, ou mesmo deslocarmo-nos para outra divisão. Nalguns objectos o rato muda para uma lupa, que indica que podemos ampliar essa área e observá-la com mais detalha, uma mão aberta que indica que podemos apanhar algum item, ou uma chave inglesa, que indica que poderemos usar algum item do nosso inventário ali.

Ocasionalmente vamos recebendo algumas sms misteriosas… o detalhe da interferência do sinal sempre que isso acontece está óptimo

O problema é que, tal como os seus antecessores, teremos alguns puzzles não muito lógicos para resolver e que muitas vezes nos obrigam a apontar algumas notas separadamente, pelo que usar um guia em certas alturas é garantidamente recomendado. Certos objectos, como abrir gavetas ou portas de armários também obrigam a que mantenhamos o rato pressionado e o arrastemos para simular o movimento de abertura, o que nem sempre funciona como gostaríamos. A certa altura também ganhamos acesso a um lockpick e sempre que o tenhamos de usar é também algo fastidioso para tentar destrancar o que quer que seja!

Já a nível audiovisual é também um jogo que me deixou com sentimentos mistos. Por um lado, como tem visuais pré-renderizados, infelizmente não podemos jogar com resoluções em HD, o que para um jogo de PC de 2010 não é lá muito bom. Mas desconsiderando isso, devo dizer que gostei bastante do esforço que fizeram para tornar a atmosfera deste jogo bastante tensa. A ideia de voltar a Dowerton também me agradou, pois sinceramente não fui o maior fã dos cenários do jogo anterior. Aqui as salas do hotel e da estação estão bastante sinistras, seja com manequins dilapidados, manchas de sangue, runas e grafittis estranhos por todo o lado, sempre com pouca luz, claro. A acompanhar os visuais temos um som muito envolvente e atmosférico, seja com músicas antigas, ou simplesmente melodias dissonantes a tocarem em plano de fundo, mas também com muitas vozes, sussurros, grunhidos ou berros à distância sempre a acompanhar a acção. E isso resultou realmente bem.

Convém ir tomando algumas notas para resolver alguns puzzles, pois o jogo não guarda essas pistas que vamos descobrindo com a exploração

Portanto este é mais uma aventura gráfica com uma atmosfera de terror bem conseguida, mas uma vez mais possui imensos puzzles que não são lá muito óbvios para resolver. O facto de ser um jogo todo com cenários pré-renderizados e não suportar resoluções em HD também não é muito bom, mas tendo em conta que este foi um jogo quase todo produzido por uma pessoa só, não deixa de ser de louvar esse facto. Entretanto no ano passado a mesma equipa lançou o Dark Fall: Ghost Vigil, que me parece estar com um óptimo aspecto. A ver se o apanho nalguma promoção!

I Have No Mouth, and I Must Scream (PC)

Vamos voltar às rapidinhas no PC, para um jogo muito curioso. I Have No Mouth, and I Must Scream, é uma aventura gráfica produzida pelo estúdio The Dreamer’s Guild, que tem por base o livro de mesmo nome escrito por Harlan Ellison, que por sua vez também colaborou no desenvolvimento deste videojogo. É uma aventura com uma temática de horror e com um conceito bastante interessante que irei detalhar mais à frente. O meu exemplar digital no steam, sinceramente não me recordo como veio cá parar à minha conta. Ou veio nalgum bundle em conjunto com mais jogos, ou simplesmente foi-me oferecido por alguém.

A história leva-nos a uma realidade alternativa onde, no apogeu da guerra fria, as grandes super potências criaram super computadores com inteligência para gerir uma guerra que iria aniquilar o inimigo. Mas esses super computadores ganharam consciência e acabaram por aniquilar toda a vida no planeta. Bem, não toda. O computador AM aprisionou 5 humanos e, ao longo dos últimos 109 anos tem-nos mantido vivos, mas sob tortura constante. E o jogo leva-nos precisamente a encarnar nessas 5 personagens, onde teremos de explorar desafios especialmente construídos pelo computador AM para tirar partido das suas fraquezas ou grandes pecados que estes tenham practicado no seu passado. Em cada um dos desafios iremos explorar um pouco do passado de cada personagem e vamos ter a oportunidade de os redimir dos seus erros do passado, e/ou enfrentar os seus maiores receios. Pelo menos é essa a chave para derrotar o computador AM e eventualmente chegar ao “melhor” final.

A “aventura” de cada personagem que passou os últimos 109 anos a ser torturada pelo super computador, pode ser jogada por qualquer ordem

Esta é então uma aventura gráfica do estilo point and click, onde, na parte inferior do ecrã, poderemos escolher qual a acção a executar e, com o ponteiro do rato, executá-la no local/objecto ou personagem pretendidos. As acções incluem coisas básicas como caminhar, observar, falar, pegar, oferecer, entre outros. Logo ao lado da lista de acções temos também o inventário com os objectos que vamos encontrando e naturalmente teremos de os usar em certas condições.

A primeira impressão é que este foi um jogo feito para chocar o jogador. As personagens que vamos controlar possuem todas um passado algo conturbado (para terem uma ideia, uma das personagens é um antigo médico nazi, que trabalhava com o infame Josef Mengele, o anjo da morte), e ao longo do jogo vamos tendo várias hipóteses de resolver alguns puzzles: Ou cedemos à tentação e repetimos os erros do passado, ou tentamos de alguma forma nos redimir. Por exemplo, uma das personagens que controlamos é um playboy que se semrpe se passou por rico, para engatar mulheres ricas e tirar proveito da sua fortuna. E um dos puzzles que temos pela frente na sua aventura, para obter um objecto importante, temos a opção de ir para a cama com uma empregada de limpeza meramente por interesse, ou tentar outra solução por um método mais honesto. Há aqui toda uma escolha de moralidades que eventualmente nos podem levar a um final mau, a um final menos mau ou a um game over. As escolhas entre as coisas boas e más sinceramente até que são bastante óbvias, basta tentarmos ser uma boa pessoa na maior parte das vezes, mas nem sempre o encadeamento dos puzzles e as suas soluções são os mais óbvios. Se estiverem à procura de obter o melhor final, recomendo vivamente que utilizem um guia para esse efeito. É que teremos de jogar as 5 aventuras de cada personagem da melhor forma, para depois desbloquear um capítulo final e mesmo esse deverá também ser jogado com alguma atenção.

A narrativa é pesada e algumas personagens estão bem construídas!

A nível audiovisual é um jogo mais uma vez feito para chocar. Vamos ver corpos pendurados em ganchos para pendurar carne num talho, outro dos cenários passa-se numa mansão demoníaca, já para não falar do cenário do tal médico nazi, onde poderemos operar as vítimas de forma bastante cruel. E, para um jogo de 1995, o jogo até que possui cenários bem detalhados mas infelizmente as animações das personagens intervenientes ficaram bastante pobres. Já no que diz respeito ao som, o voice acting é bastante competente para um jogo daquela época, com o maior destaque, claro está, a ir para o computador AM e todo o seu discurso sádico e de completo desprezo pelos humanos. As músicas vão sendo bastante diversificadas, consoante o cenário que estamos a explorar, mas têm na sua maioria um foco considerável em dissonâncias. Este não é um jogo com um ambiente agradável, não podia ser mesmo de outra forma.

Por vezes vamos ter escolhas morais a fazer. Ou sucumbimos aos medos e à nossa maneira de ser do passado, ou tentamos superar os medos e/ou tornarmo-nos pessoas melhores.

Portanto este I Have No Mouth, and I Must Scream foi um jogo que me deixou algo dividido. O seu conceito é fantástico, algumas das personagens possuem de facto passados traumáticos e/ou chocantes, mas acho que havia potencial para a narrativa, como um todo, ter sido muito melhor.