Mario vs Donkey Kong (Nintendo Gameboy Advance)

O Donkey Kong sempre foi uma personagem muito importante para a Nintendo. O seu primeiro jogo foi também o primeiro grande sucesso global da gigante nipónica, ainda nas arcades e antes de a mesma lançar a sua primeira grande consola a NES/Famicom. Após 2 sequelas com sucessos mais moderados e respectivas conversões domésticas, o famoso gorila manteve-se adormecido até 1994, ano em que saem 2 novos jogos. Para a Super Nintendo o gorila é redesenhado na forma de Donkey Kong Country através da Rare. Para a Gameboy, o jogo lançado acaba por ser uma evolução natural dos clássicos arcade. Esse Donkey Kong introduz uma série de novas mecânicas que acabam por dar a base de uma nova série dentro do universo da Nintendo, o Mario vs Donkey Kong, cujo primeiro jogo com essa nomenclatura é lançado só 10 anos depois, para a Gameboy Advance em 2004. O meu exemplar veio de uma ida à feira da Vandoma. Custou-me 7€ se bem me recordo.

Apenas cartucho

Neste novo jogo o Donkey Kong volta a tramar das suas. Desta vez assalta uma fábrica de brinquedos do Mario, pequenos autómatos iguais ao canalizador bigodudo. Tal como no Donkey Kong da Game Boy, iremos percorrer uma série de níveis onde teremos de perseguir o DK. Na primeira parte do jogo, cada nível está subdividido em 2 fases. A primeira fase é muito semelhante ao seu predecessor, onde teremos de percorrer uma série de obstáculos de forma a encontrar e carregar uma chave que nos desbloqueia a porta para a próxima fase. Aqui nessa segunda fase teremos um mini-Mario para salvar e, assim que o alcançamos, avançamos para o nível seguinte. Nesta primeira parte, o jogo está então dividido em 6 mundos, cada qual com diferentes níveis divididos nestas 2 fases. Existem no entanto duas excepções: o boss de cada mundo e o nível imediatamente anterior. Neste temos de guiar todos os mini-Marios para a sua caixa de brinquedos, onde uma vez mais teremos de lhes abrir caminho e evitar uma série de obstáculos. Os níveis de boss, bom esses já são mais tradicionais, temos de dar porrada no DK, tipicamente ao pegar em objectos, atravessar uma série de plataformas e atirar-lhe com os objectos em cima.

Procurar a chave e levá-la até à porta, é a maior parte das nossas tarefas!

Terminando esta primeira fase de jogo desbloqueamos os níveis “Plus”. Aqui já teremos de guiar um dos mini-Marios que já carregam uma chave, até à porta que nos leva ao nível seguinte. Uma vez mais, no final de cada mundo, temos o Donkey Kong para derrotar. Por fim, após completarmos todos os níveis plus, temos ainda os Expert. Onde apenas controlamos Mario, procurando a chave e levando-a à porta que nos desbloqueia o nível seguinte. É uma repetição das mecânicas de jogo da primeira fase do jogo, mas em níveis mais complexos. Isto faz com que o jogo possua uma longevidade muito interessante, e a versão japonesa traz ainda mais níveis, desbloqueados através de cartões para o e-Reader, acessório que infelizmente nunca chegou à Europa. De resto as mecânicas de jogo são muito similares às do Donkey Kong da Gameboy, visto que também podemos fazer o pino e repelir objectos que nos caiam em cima, escalar lianas como no Donkey Kong Jr. clássico, balançar em trapézios e pegar e atirar objectos ou inimigos e por aí fora.

Se a nossa performance for boa, lá desbloqueamos um nível bónus onde poderemos ganhar algumas vidas extra

Tal como no Donkey Kong da Gameboy, continuam a existir muitas referências aos DK clássicos, como as lianas ou correntes que podemos trepar, os martelos para apanhar, o Donkey Kong a atirar barris, entre vários outros detalhes. Graficamente é um jogo bem colorido e detalhado, com os mundos a atravessar diferentes temáticas, desde a própria fábrica dos brinquedos, passando para ambientes mais tradicionais das séries Mario e Donkey Kong como selvas e florestas, a casa assombrada dos Boos ou áreas em construção. As sprites parecem-me digitalizadas tal como nos Donkey Kong Country, algo que também é bastante notório naquelas pequenas cutscenes em transições de níveis. No que diz respeito ao som, tal como é habitual este é excelente com músicas cativantes e os efeitos sonoros bastante familiares a quem é fã de ambas as séries.

Há sempre um piscar de olho ao passado da série Donkey Kong clássica

Portanto este Mario vs Donkey Kong é mais um óptimo jogo da Nintendo, misturando de forma perfeita os elementos de puzzle e plataformas. Foi uma sequela algo tardia do Donkey Kong para a Gameboy, mas depois deste jogo felizmente não foi preciso esperar muito mais até obtermos uma sequela.

Wario’s Woods (Super Nintendo)

Continuando pelas rapidinhas, mas agora pela Super Nintendo, o jogo que cá trago hoje é mais um puzzler produzido pela Nintendo. É mais um daqueles jogos onde temos de juntar uma série de blocos reduzidos e fazê-los desaparecer, de preferência com encadeamentos de combos, mas com algumas particularidades muito específicas. O meu exemplar foi comprado a um particular algures nos meses anteriores, tendo-me custado 12.5€.

Apenas cartucho

Apesar do jogo usar mecânicas de jogo que à primeira vista nos são bastante familiares, estas acabam antes por ser algo inteiramente novo. Ao contrário de jogos como Dr. Mario, Columns ou Puyo Puyo onde controlamos directamente o local onde os objectos caem, aqui controlamos o Toad na ptópria área de jogo onde pode manipular objectos ou colunas inteiras. Tem ainda outras habilidades como a de chutar um bloco de uma coluna para o lado, ou escalar uma coluna e retirar um bloco lá do meio. Depois no que diz respeito à maneira em como podemos combinar os diferentes blocos coloridos, também há peculiaridades. Isto porque na área de jogo vamos tendo diferentes animais ou plantas coloridos, e os objectos novos que vão caindo são tipicamente bombas. Então, para “limpar” blocos da mesma cor temos de garantir que fazemos uma linha horizontal, vertical ou diagonal de 3 ou mais blocos da mesma cor, logo que pelo menos um deles seja uma bomba que faça detonar essa cadeia.

Não adianta ter vários blocos juntos da mesma cor se não houver uma bomba que os detone

Depois temos vários modos de jogo.No VS COM vamos defrontando uma série de NPCs e para vencer o round temos de fazer uma de duas coisas: ou conseguimos limpar a nossa área de jogo de todos os animais ou plantas coloridos, ou conseguimos mandar tanto “lixo” para o nosso oponente (ao encadear várias combos), que eventualmente a sua àrea de jogo acaba por ser esmagada. Isto também se aplica no VS 2P que é a sua vertente multiplayer. O round mode é outro dos modos de jogo principais, onde vamos atravessar 100 níveis distribuídos entre diferentes cenários e o objectivo passa por limpar a nossa área de jogo em cada nível. Ocasionalmente lá vamos tendo a visita do Wario que só nos vai atrapalhar! O Time Mode é um modo de jogo que nos obriga a limpar níveis no melhor tempo possível e por fim, para ajudar a entender as mecânicas de jogo, temos o lesson mode que serve de tutorial.

A nível audiovisual é um jogo bastante simples, porém eficaz. Os níveis e sprites não são lá muito bem detalhadas, mas são coloridas, apresentando um grafismo simples, no entanto mais que suficiente para o teipo de jogo. As músicas até que são alegres e agradáveis ao ouvido, o problema é que apenas vamos ouvir a mesma música durante o mesmo modo de jogo seleccionado, o que ao fim de algum tempo pode cansar.

Se a nossa performance não for muito boa, a área de jogo vai diminuindo

De resto, este até acaba por ser um puzzler bem sólido. No entanto não é tão intuitivo como outros jogos da própria Nintendo como o Dr. Mario ou Panel de Pon/Puzzle League. As mecânicas de jogo são desnecessariamente mais complicadas, mas de certa forma compreende-se a necessidade de diferenciação perante muitos outros jogos semelhantes.

Top Gear (Super Nintendo)

Continuando pelas rapidinhas, hoje visitamos a Super Nintendo para o primeiro Top Gear, um jogo desenvolvido pela britânica Gremlin e que de certa forma serve de follow up à série Lotus Turbo Challenge, dos computadores Amiga e que tiveram também conversões para a Mega Drive. Mas ao contrário do Lotus, aqui não existe qualquer licença de veículos, existindo uma maior variedade de carros com que jogar, mas são todos fictícios. O meu exemplar foi comprado algures no mês passado na feira da Vandoma no Porto, custou-me 7€.

Apenas cartucho

Enquanto o Lotus II (Lotus 1 na Mega Drive) possuia uma jogabilidade de corrida livre à lá Outrun, aqui somos levados a vários pequenos campeonatos, com circuitos de 4 ou 5 pistas por país. Por exemplo, começamos por correr em pistas norte-americanas, depois japonesas, depois alemãs e por aí fora em vários países europeus, culminando no Reino Unido. Curiosamente a Escandinávia é considerada um país, pois iremos correr nas 4 capitais escandinavas, Oslo, Estocolmo, Helsínquia e Copenhaga. Neste modo campeonato, o jogo possui um esquema de passwords e apenas conseguimos iniciar o campeonato no país seguinte se terminarmos o anterior em primeiro lugar. Em todas as corridas temos também 2 coisas a ter em conta: temos 3 nitros que podemos usar e é também necessário estar atento ao combustível disponível, pelo que em circuitos mais longos, teremos mesmo de ir pelo menos uma vez à box. O nosso oponente directo também tem de o fazer, mas sinceramente parece-me que os outros carros controlados por CPU não o fazem, o que não é lá muito justo.

Independentemente se jogarmos sozinhos ou com um amigo, o jogo é sempre apresentado em splitscreen

Para além disso, mesmo que jogamos sozinhos ou em multiplayer, o jogo é sempre apresentado com o ecrã em split screen, pois mesmo jogando sozinhos temos um rival controlado pelo CPU que aparece sempre no ecrã inferior. Sinceramente preferia que o jogo ocupasse o ecrã todo mesmo no modo normal, mas ainda assim o jogo consegue ser bastante fluído, mesmo com 2 ecrãs em simultâneo.

A nível gráfico esperem mais ou menos o mesmo nível de detalhe do Lotus da Mega Drive, com o carro bem detalhado, as pistas a terem vários desníveis como rampas e colinas, existindo também algumas transições dia/noite que me parecem interessantes. Quando conduzimos à noite, os carros possuem alguns efeitos de transparências que ficam muito bem conseguidos no hardware da SNES. As músicas são agradáveis, fazendo lembrar bastante o tipo de músicas que os jogos do Amiga nos ofereciam. E isso não é de estranhar, pois são músicas reaproveitadas dos jogos da série Lotus.

Nas fases nocturnas, o jogo possui bonitos efeitos de transparência que simulam a iluminação dos carros

Este jogo acaba então por ser um bom jogo de corridas, mas deve ser jogado de forma moderada. Isto porque existem imensas pistas diferentes e a jogabilidade nunca muda muito, pelo que ainda levará algum tempo a terminar.

Probotector 2 (Nintendo Gameboy)

Voltando às rapidinhas no Gameboy, o jogo que cá trago hoje é conhecido cá na europa por Probotector 2. Como muitos de vocês sabem, Probotector foi o nome que a Konami decidiu implementar em solo europeu, trocando os soldados humanos por robots, pois achavam que seria um jogo demasiado violento para alguns países europeus, que na altura tinham maiores restrições a conteúdo violento nos videojogos. Assim sendo este Probotector 2 acaba por ser uma adaptação para a Gameboy do excelente Contra Alien Wars para a SNES! O meu exemplar foi comprado a um vendedor na feira da Vandoma no Porto há uns meses atrás. Custou-me perto de 8€.

Apenas cartucho

O jogo segue então a história da versão SNES, onde mais uma poderosa entidade alienígena invade o planeta Terra, causando imensa destruição e ruína. A tarefa de salvar a raça humana recai uma vez mais numa dupla de mercenários, que terão de atravessar cidades em ruínas até ao alien nest, expulsando-os uma vez mais do nosso planeta.

Se jogado numa Super Gameboy, o jogo possui alguma cor

A jogabilidade é a típica de um Contra, onde teremos uma série de power-ups como diferentes armas ou escudos para apanhar, e como sempre a dificuldade está acima da média, com imensos inimigos a surgirem de todos os lados e basta um tiro certeiro para perdermos uma vida. Tal como na versão SNES, aqui também podemos disparar enquanto escalamos paredes, ou agarrar em barras que estejam em locais altos. Também tal como na versão SNES, aqui temos também alguns níveis que são jogados numa perspectiva aérea. A diferença é que a Gameboy não consegue apresentar gráficos em mode 7 como na SNES, pelo que não temos aqui a possibilidade de rodar os cenários, mas para compensar podemos fazer strafing de um lado para o outro.

Por acaso sempre achei estes robots bem badass mas não deixa de ser uma censura estúpida

A nível audiovisual, os gráficos deste Probotector 2 estão muito bem detalhados para uma Gameboy, até porque esta versão esteve a cargo da Factor 5. Naturalmente que não se conseguiu replicar o mesmo grafismo e detalhe da versão SNES, mas não está mau de todo. O nível 4 da versão SNES, aquele aéreo, é o único que falta e consegue-se perceber o porquê, pois a Gameboy não teria grande capacidade para o replicar da mesma forma. É também um jogo desenvolvido a pensar no acessório Super Gameboy, pelo que o mesmo apresenta gráficos melhor coloridos caso seja jogado na SNES. A nível de músicas, apesar de não achar tão boas quanto outros jogos da série, também não estão más de todo.

Como sempre, no final de cada nível temos um boss para enfrentar

Assim sendo, este Probotector 2 acaba por ser uma entrada bem sólida no catálogo da Gameboy, mas sendo uma adaptação do Contra da SNES, acabo sempre por recomendar jogar antes essa versão, que é um dos melhores jogos de acção da era 16bit.

Fire Emblem Shadow Dragon (Nintendo DS)

Continuando pelas rapidinhas da Nintendo DS, este é mais um jogo que merecia um artigo mais exaustivo, mas visto que já o terminei há alguns anos atrás, não estou com o jogo a 100% na memória, pelo que este será um artigo mais breve. O meu exemplar entrou na minha colecção algures durante o Verão de 2017, através de uma troca com um outro coleccionador. É um re-remake do primeiríssimo Fire Emblem, lançado originalmente para a Famicom no Japão e refeito pela primeira vez como a primeira parte do Mystery of the Emblem, para a Super Famicom.

Jogo completo com caixa, manuais e papelada

O jogo conta a história de Marth, jovem príncipe do reino de Altea, que vê o seu reino invadido pelas forças invasoras de outros reinos, após o feiticeiro Gharnef ter ressuscitado o dragão Medeus, que por sua vez já tinha causado o terror 100 anos antes. O reino de Altea foi invadido, a mítica espada Falchion (que havia sido usada para derrotar Medeus anteriormente) foi roubada, e a família de Marth foi assassinada, forçando Marth e alguns dos seus soldados procurar asilo no reino de Talys. Aqui iremos começar uma campanha militar para recuperar o reino de Altea e outros que foram entretanto invadidos pelas forças de Medeus, até derrotar o infame dragão novamente.

Este remake trouxe a lógica de pedra-papel-tesoura em relação à relação de algumas armas entre si, algo que ainda não existia no original

Fire Emblem é uma série de RPGs estratégicos da Nintendo que tem as suas origens em 1990 para a Famicom. É uma série que tem vindo a receber várias sequelas ao longo dos anos, embora nós ocidentais apenas começamos a ter os Fire Emblems no seu sétimo jogo, já para a Gameboy Advance. Felizmente é uma série que se tem solificado no nosso solo, pelo que desde então temos vindo a receber practicamente todos os jogos que lhe seguiram. Para a Nintendo DS, a Intelligent Systems (estúdio da Nintendo responsável pela série) focou-se no remake de dois dos primeiros jogos desta saga, com este remake a sair cá no ano de 2008.

Esta série são RPGs estratégicos já algo complexos, onde tipicamente um elemento que morra numa batalha é perdido para sempre, e não costumam haver save points durante as batalhas. Existem unidades de diferentes classes com diferentes características, como as armas que podem equipar, ou o movimento (as aéreas conseguem movimentar-se com mais facilidade, porém são mais frágeis perante arqueiros), enquanto as unidades terrestres têm de se adaptar em diferentes tipos de terrenos. Existe também um sistema de pedra-papel-tesoura em alguns tipos de armas, como as lanças serem superiores às espadas, as espadas terem vantage, com os machados e os machados superiores às lanças. Ao longo das batalhas podemos também visitor vários edifícios que podem conter lojas onde podemos comprar itens diversos, conversar com os habitantes ou até recrutar novos elementos para o nosso batalhão.

Se abordarmos alguns inimigos chave com as personagens certas, conseguimos convertê-los para o nosso lado.

Ao longo das batalhas podemos também manter conversas entre personagens chave que vão estreitando as suas relações, sendo que também é possível recrutar mesmo alguns elementos dos exércitos inimigos, se forem abordados pelas pessoas certas. Por isso é muito importante ponderar bastante cada movimentação, até porque se cumprirmos várias condições, podemos inclusivamente desbloquear alguns capítulos extra.

Este remake para a Nintendo DS, para além de melhorar bastante a parte audiovisual, com os seus gráficos em 2D bastante detalhados e muito superiores às versões NES e SNES, incluiram também algumas funcionalidades extra, como a possibilidade de fazermos um único save a meio de uma batalha. Incluiu também algumas funcionalidades multiplayer que sinceramente nunca cheguei a experimentar.

Pelo caminho podemos visitar algumas aldeias ou edifícios que, entre outros, podem ter lojas.

Este Fire Emblem é então um excelente jogo, especialmente para os fãs de RPGs estratégicos. A sua história é relativamente simples, mas temos de nos lembrar que este é originalmente um título da NES, pelo que todo o conteúdo extra que incluiram, bem como elementos de jogabilidade que apenas tinham sido introduzidos mais tarde na série, muito benvindos. A Intelligent Systems também fez um excelente remake para a DS do terceiro jogo da série, que é uma sequela directa desta aventura, mas infelizmente essa ficou-se apenas pelo Japão. Felizmente os fãs não demoraram muito tempo a traduzir para inglês, pelo que se tiverem a oportunidade, experimentem também esse remake que vale bem a pena.