The Legend of Zelda: Majora’s Mask (Nintendo 64)

Um dos jogos que tinha em backlog há mais tempo era precisamente este The Legend of Zelda: Majora’s Mask. Enquanto o Ocarina of Time tinha ficado em backlog desde que tive de formatar o meu PC há quase duas décadas (estava a jogá-lo em emulação e tinha ficado na algures Gerudo Village), este só o tinha experimentado, uma vez mais em emulação. Tal como o Ocarina of Time, no entanto, voltei a pegar no jogo na sua conversão para a Nintendo Gamecube, na compilação The Legend of Zelda Collectors Edition, que possuía os 2 Zeldas de Nintendo 64 e os originais de NES. O meu exemplar da Nintendo 64 manteve-se confortavelmente fechado na sua caixa, cujo exemplar foi comprado por 35€ na Cash Converters de Alfragide, algures em Setembro de 2015.

Jogo com caixa, manuais e papelada diversa.

Este é então uma sequela directa de Ocarina of Time, seguindo a timeline onde Link consegue derrotar Ganondorf e, de volta à sua infância, decide abandonar Hyrule e partir à aventura em terras desconhecidas. E eis que chega à terra de Termina, onde se encontra com o estranho Skull Kid, que lhe rouba a sua égua Epona e a Ocarina. Enquanto o perseguimos, o diabrete lança-nos uma maldição, transformando-nos num Deku, uma daquelas criaturas parecidas com plantas e que cospem projécteis. Entretanto, encontramos também um vendedor de máscaras ambulante, que se queixa que o Skull Kid lhe roubou a Majora’s Mask, uma máscara poderosíssima e amaldiçoada. Este promete ajudar Link a curar a sua maldição se o ajudar a recuperar a máscara. E eis que entramos finalmente na cidade de Termina, onde vemos Skull Kid no topo da torre local. Mas esta apenas se irá abrir no final de 3 dias, quando a cidade celebrará o seu Carnaval. Teremos então tempo para interagir com os seus habitantes e apreciar uma lua ameaçadora, muito próxima da cidade. Chegando ao tal dia de festa, lá conseguimos entrar na torre e confrontar o Skull Kid, onde neste primeiro confronto apenas conseguimos recuperar a nossa Ocarina e o vilão completa o seu plano: destruir a cidade de Termina ao forçar a Lua a colidir com a cidade. Mas nem tudo está perdido, pois recuperando a Ocarina podemos tocar a melodia do Tempo, voltando 3 dias atrás e agora com novas pistas: teremos de trazer alguém do pântano, montanha, oceano e desfiladeiro, as regiões à volta de Termina, para confrontar Skull Kid novamente.

Skull Kid, o antagonista transformado pela Majora’s Mask

Ora a partir daqui vamos participar para um ciclo infindável de 72 horas, onde Termina acaba por ser destruída, obrigando-nos a tocar a melodia do tempo, voltar 3 dias atrás e começar tudo de novo. Algumas milestones importantes, como a nossa barra de vida e os itens que tenhamos coleccionado até então são mantidos quando voltamos atrás no tempo, enquanto que todo o progresso restante é perdido. À medida que vamos explorando as terras à volta de Termina, vemos que as mesmas possuem também uma maldição que temos de quebrar nas tais 72 horas. A primeira é uma terra pantanosa liderada pelos Dekus, cujo rei aprisionou injustamente um macaco, acausando-o de ter raptado a sua filha, a princesa lá do sítio. Durante essas 72h temos de arranjar forma de nos infiltrar no palácio, falar com o tal macaco que por sua vez nos encaminha para uma dungeon, onde lá conseguimos salvar a princesa Deku e defrontar o primeiro boss. Assim que o derrotamos, libertamos o seu espírito, que nos irá auxiliar no confronto final contra o Skull Kid. A cada 72 horas teremos de repetir o mesmo nas outras áreas do jogo, cujas possuem as suas próprias quests e dungeons para explorar. Felizmente, com recurso à Ocarina, conseguimos manipular o tempo de forma a passar de forma bem mais lenta, ou avançando-o para a manhã/noite seguinte, pois existem quests que nos obrigam a esperar pela manhã ou noites seguintes mesmo.

Ao longo do jogo vamo-nos poder transformar em diferentes criaturas, cada qual com habilidades próprias que teremos de usar para resolver alguns puzzles e ultrapassar obstáculos.

Ao longo do jogo iremos também encontrar várias estátuas de mocho, que nos permitem teletransportar entre elas, reduzindo o tempo de viagem entre o mundo de Termina. Iremos também encontrar várias máscaras, que nos permitirão mudar de forma, desde a humana, passando pelo já mencionado Deku, mas também como um Goron ou um Zora. Cada uma destas formas possui habilidades especiais que teremos de usar, não só nas dungeons, como em algumas sidequests. Na forma de Deku conseguimos saltitar na superfície da água, bem como disparar uns projécteis pela boca. Como Goron podemos caminhar livremente sobre a lava, bem como rebolar sobre si mesmo rapidamente ou activar alguns interruptores com o nosso próprio peso. Já como Zora podemos nadar bem mais rápido ou caminhar no fundo dos oceanos como se nada fosse. Teremos também a possibilidade de desbloquear outras máscaras com habilidades especiais, como uma máscara de coelho que nos permite andar mais rápido, ou outra que nos torna invisíveis.

Este Majora’s Mask marca também a primeira aparição do Tingle, que nos vende mapas das áreas que teremos de explorar

A nível de mecânicas de jogo em si, este Majora’s Mask herda o mesmo tipo de controlos do seu predecessor, com os botões faciais a ficarem associados à utilização de diversos itens que podemos assignar a partir do inventário. O sistema Z-Targetting, está novamente aqui presente, que nos permite fazer lock-on a um inimigo específico, com a câmara a posicionar-se sempre na direcção do inimigo trancado. A grande diferença está mesmo nas mecânicas de controlo do tempo, com o jogo a colocar-nos pressão em fazer o máximo de coisas possível nos tais 3 dias de jogo. Estas 72 horas resumem-se a pouco menos de 1h em tempo real, pelo que assim que possível o melhor que temos a fazer é mesmo aprender a melodia do tempo imvertida, que abranda bastante o fluxo do jogo, permitindo-nos fazer as suas quests com muito mais calma. Antes de voltar atrás no tempo, devemos também ter a preocupação de guardar as nossas rupees no banco local, caso contrário ficamos sem elas quando recomeçarmos um novo ciclo.

Cada transformação possui também o seu próprio instrumento musical, mas na práctica a funcionalidade é a mesma da Ocarina

A nível gráfico, este Majora’s Mask é dos poucos jogos da Nintendo 64 que obriga mesmo à utilização do Expansion Pak, que é nada mais nada menos que uma expansão de memória que duplica a quantidade de memória RAM disponível na consola. Ora isto traduz-se em gráficos melhores, nomeadamente num aumento da área visível do jogo sem recurso a efeitos de nevoeiro, bem como supostamente melhores texturas. Não consegui descobrir grandes diferenças em relação ao Ocarina of Time nesse aspecto, mas desta vez a cidade de Termina, e o interior dos seus edifícios são completamente renderizados em 3D, onde no Ocarina of Time tinhamos as ruas de Hyrule e os interiores dos edifícios como imagens 2D renderizadas, com ângulos de câmara fixos. A nivel do som, bom, não existem vozes a não ser alguns gritos, grunhidos ou pequenas palavras ditas por Link ou os restantes NPCs e as músicas, apesar de agradáveis, sinceramente não as achei tão memoráveis quanto o Ocarina of Time. A narrativa, no entanto, é bem mais pesada devido ao tema apocalíptico que o jogo retrata.

O que não faltam são sidequests e segredos para descobrir

Portanto este Majora’s Mask é mais um Zelda bastante sólido como um todo. No entanto, as suas mecânicas de controlo do tempo, apesar de terem sido bastante originais, devo confessar que já não gostei tanto. Isto porque gosto de explorar o mundo, os diálogos dos NPCs e resolver os puzzles e sidequests que nos vão aparecendo ao meu próprio ritmo. A pressão dos 3 dias que o jogo nos impõe retira-me esse prazer, se bem que com a melodia inversa do tempo conseguimos atrasar bastante esse processo, o que já nos dá mais tempo para fazer as coisas com calma. É pena, pois para além da quest principal, temos uma série de sidequests e uma vez mais muito conteúdo opcional que nos leva a desbloquear novas máscaras e peças de corações que nos expandem a barra de vida. Mas com o limite das 72h temos de gerir o tempo muito bem para retirar tudo o que o jogo nos tem a oferecer.

De resto, para além da conversão directa que podemos ver na compilação da Gamecube “Zelda Collectors Edition”, o jogo recebeu um remaster para a portátil Nintendo 3DS, que inclui gráficos ligeiramente melhorados, com melhores polígonos, efeitos de luz e suporte a gráficos tridimensionais. Confesso que não experimentei esta versão, mas, tal como o Ocarina of Time 3D, sinceramente não vejo grande razão para o fazer. Se um dia a Nintendo decidir fazer um remake a sério, talvez o faça.

The Incredible Crash Dummies (Super Nintendo)

Lembro-me com alguma lucidez dos Incredible Crash Dummies, uma série de desenhos animados onde os protagonistas eram precisamente os bonecos humanóides usados nos testes de colisão de veículos. Nunca vi tanto esses desenhos animados assim, mas a sua temática confesso que era memorável. Quando comecei a descobrir o mundo da emulação nos finais de 1998, lembro-me de ter jogado as versões Game Gear e Master System de um videojogo baseado nesta série e não ter gostado nada, pelo que as versões 16bit, que vim a descobrir mais tarde serem completamente diferentes, também me passaram despercebidas. O meu exemplar foi comprado na Cash Converters por 8€, algures no final de Outubro, inícios de Novembro.

Apenas cartucho

Este jogo, tal como muitos outros da era 16bit é de plataformas, onde temos de controlar um destes bonecos na sua luta contra outro crash dummy, um vilão chamado Junkman, que raptou um cientista qualquer e construiu um pequeno exército de robots para tentar dominar o mundo.

A história não é nada de especial, assim como o jogo como um todo, para ser sincero

A jogabilidade é muito simples, com um botão para saltar e outro para disparar chaves inglesas, cujas podem ser coleccionadas ao longo do jogo. Podemos atacar os nossos oponentes das duas formas, quer atirando-lhes com as chaves (cuja forma de as atirar muda ao longo dos níveis), ou saltando-lhes em cima, Mario style. Das características mais memoráveis dos Crash Dummies eram precisamente o quão frágeis e “desmontáveis” eles eram e isso está aqui reflectido no sistema de dano. Por cada ataque que sofremos o nosso boneco perde uma perna, depois perde outra, um braço e por fim outro basso antes de perder uma vida. Sem pernas a nossa movimentação é mais lenta, bem como os saltos que podemos dar, mas podemos recuperar membros (um de cada vez) ao apanhar os power ups na forma de chaves de fendas. Outros itens consistem em círculos amarelos e negros que servem para nos aumentar a pontuação, outros cinzentos que nos aumentam o tmepo disponível. Temos também raios que nos aumentam a velocidade temporariamente, ou um item na forma de “A” que nos permite insuflar e atravessar algumas secções mais verticais. Após derrotar cada boss, entre transições de “mundos” temos um nível bónus onde temos de despenhar um veículo, sendo que precisaremos de saltar sobre uma série de obstáculos na pista, evitando-os até colidir com a parede no final.

Por cada dano que sofremos o herói vai perdendo vários membros, até ficar só com o torso e cabeça

A nível audiovisual, é um jogo minimamente competente, sendo bastante colorido e os níveis até que são bastante distintos entre si, começando a aventura num parque de estacionamento, uma zona em construção, outra zona militar, e por fim uma sucata onde acabamos por defrontar o boss final. Entre cada nível vamos tendo pequenas cutscenes não animadas, onde enfatizam a segurança rodoviária, como apertar o cinto em qualquer viagem ou olhar para ambos os lados da rua antes de a atravessar. Já as músicas sinceramente não as achei nada de especial.

Portanto este Incredible Crash Dummies para sistemas 16bit (também temos uma versão Mega Drive e Commodore Amiga), acabou por me surpreender pela positiva, após uma experiência nada agradável nas versões Sega 8bit. Mas não deixa de ser um jogo de plataformas mediano.

 

Robin Hood: Prince of Thieves (Nintendo Entertainment System)

No início da década de 90, Kevin Costner protagonizou o papel do célebre Robin dos Bosques num filme. Naturalmente que não tardou muito para haver também uma adaptação para os videojogos, nomeadamente para as consolas 8bit da Nintendo, esta versão da NES e uma outra para a Game Boy. Esta versão da NES é um interessante RPG de acção que curiosamente foi dos primeiros jogos que experimentei em emulação, mas na altura não estava a perceber nada do que estava a fazer. O meu exemplar foi comprado no início do mês de Novembro a um particular por 15€.

Apenas cartucho

O jogo começa por nos levar algures a uma prisão e Jerusalém, enquanto decorriam as cruzadas. Robin é feito prisioneiro e a nossa primeira tarefa é termos de escapar da prisão, onde desde cedo nos teremos de habituar aos controlos do jogo. Ao pressionar o botão de start surge no ecrã uma pequena janela com um menu com uma série de acções como “olhar”, “falar”, “procurar”, “apanhar”, etc. Ao lado do nosso opressor temos vemos uma arma, pelo que temos de lá chegar e apanhá-la. No tal menu podemos também aceder ao ecrã de inventário onde podemos equipar, usar e distribuir os diversos itens que vamos apanhando pelas outras personagens que entretanto vamos desbloqueando, como é o caso do árabe que também está aprisionado connosco, o João Pequeno, Frei Tuck, entre outras personagens que iremos encontrar. Mas uma vez apanhado e equipado o tal punhal, falamos com o guarda e somos levados a um ecrã de duelo. A acção do jogo é toda jogada numa vista de cima, como muitos RPGs da época, mas quando somos levados para um duelo, geralmente são as boss fights do jogo, a perspectiva muda para um sidescroller, com um dos botões a servir de ataque e outro para saltar.

À primeira vista, pela interface este parece mesmo um RPG da velha guarda

Uma vez vencido esse duelo, libertamos o tal árabe e escapamos da prisão, não sem antes ter de investigar cadáveres e fardos de palha para itens como chaves que nos abrem as portas. Uma vez nas catacumbas, o jogo passa para uma jogabilidade próxima de Legend of Zelda onde podemos atacar em tempo real os oponentes que vão surgindo e, cada vez que um cadáver fica para trás, quer dizer que esse oponente deixou alguns itens, pelo que teremos de revistar os seus cadáveres e apanhar os itens que deixam, se assim o quisermos. Noutras alturas, e a primeira vez que isso vai acontecer será mesmo nas catacumbas, somos encurralados por dezenas de inimigos, e entramos num outro tipo de batalhas diferentes. Aqui a perspectiva mantém-se aérea, mas a área visível de jogo é maior, com as sprites bem mais pequenas, e é aqui que os nossos companheiros entram em acção, pois inimigos vão surgindo de todos os lados e os nossos companheiros são controlados automaticamente pelo CPU, combatendo os inimigos que vão surgindo. Nós continuamos a controlar o Robin na mesma e devemos também ajudar no combate.

Os confrontos contra bosses são quase todos jogados numa perspectiva lateral

Cada inimigo que derrotamos dá-nos pontos de experiência e após atingir um certo número de pontos de experiência Robin (e os seus companheiros) sobem de nível, tornando-se um pouco mais fortes. Para além dos tais menus onde podemos escolher diversas acções, o inventário é também fortemente influenciado pelos RPGs da velha guarda. Isto porque cada personagem possui um número limitado de slots para carregar com itens, bem como um peso limite. Quanto mais pesado Robin ficar, mais lento é a mover-se. No ecrã de inventário temos também um diagrama com o corpo de cada personagem, onde poderemos equipar uma arma em cada mão (no caso de facas ou punhais – já outras armas precisam de duas mãos), equipar armaduras no torso de cada personagem, ou observar, usar, comer e descartar itens. Claro que se tentarmos comer algo que não seja comestível não vai dar. Basicamente alimentos, pensos e poções mágicas restabelecem os nossos níveis de vida. Armas e equipamento obsoleto que não iremos equipar em ninguém devem ser deitados fora pois só ocupam espaço e peso, mas temos de ter cuidado para não deitar fora itens que viremos a precisar no futuro. É bom alternarmos entre armas brancas e arco e flecha, pois as flechas são bastante poderosas, derrotando qualquer inimigo com apenas 1 flecha. Teremos no entanto de vasculhar o mapa por flechas extra.

Uma boa gestão de inventário é sem dúvida a chave para o sucesso

Basicamente temos de fazer sempre uma boa gestão de inventário e acima de tudo não deitar fora itens cruciais como a sela para montar cavalos (porque precisamos dela nalguns segmentos de jogo onde temos de participar em perseguições a cavalo), ou a Druid Dagger, arma que encontramos algures a meio do jogo e que será crucial no último nível. Para além disso, se estiverem a jogar no hardware original, não temos qualquer forma de gravar o progresso no jogo, nem mesmo com recursos a passwords, pelo que temos de jogar tudo de uma assentada. Felizmente o jogo deixa-nos ter 3 continues caso façamos asneira. Existe uma forma de colocar passwords como se fossem cheat codes mas mesmo que escolhamos o último nível, não tendo a Druid’s Dagger não conseguimos progredir no jogo.

Para além de carregarem com as nossas tralhas, os NPCs só são úteis nas cenas de batalhas em larga escala, onde autonomamente vão defrontando as hostes inimigas

A nível audiovisual, graficamente é um jogo modesto devido à limitação de cores em simultâneo que a NES permite. Practicamente tudo no ecrã anda à volta de tons castanhos e laranjas, o que acaba por ser bocado feio. Fora esse pormenor, o jogo até que possui um nível de detalhe interessante: os diálogos são sempre presenteados com um retrato das personagens intervenientes, as sprites possuem um bom nível de detalhe e animações especialmente nos tais duelos em sidescroller. Não há grande variação nos inimigos no entanto. São practicamente todos guerreiros em armaduras, ou animais (e devo dizer que nunca vi gatos tão ferozes como neste jogo). As músicas são bastante agradáveis, mas são poucas. Ao todo devemos ter ums 3, 4 músicas ao longo de todo o jogo.

Portanto este Robin Hood até que acaba por ser um interessante RPG de acção, onde vai buscar vários elementos de RPGs old-school, como a gestão de inventário, mas implementa-os de forma ligeira, tornando o jogo numa experiência agradável a utilizadores menos versados neste subgénero. Está longe de ser perfeito pois acaba por ser uma experiência bastante linear e podemos deitar tudo a perder se descartarmos alguns itens chave. Para além disso, uma funcionalidade de save, quanto mais não fosse através de passwords seria muito benvinda. Por fim, tal como referi no início do artigo, existe também uma versão Gameboy, mas confesso que essa nunca cheguei a jogar.

Mario and Luigi: Bowsers Inside Story (Nintendo DS)

Uma das minhas companhias de mesinha de cabeceira dos últimos tempos tem sido este Bowser’s Inside Story, a terceira entrada numa das populares sagas de RPGs baseadas no universo Mario, produzidos pela Alpha Dream. Lançado originalmente em 2009, é mais um bom exemplo de como conseguiram pegar numa fórmula de sucesso e melhorá-la ainda mais, acrescentando bastantes novidades cativantes na sua jogabilidade. Mas já lá vamos. O meu exemplar foi comprado em Fevereiro de 2016 numa Cex na zona Porto, por 15€.

Jogo com caixa, manual e papelada

Neste terceiro capítulo temos o regresso de Fawful, outrora assistente de Cackleta, antagonista do primeiro jogo, agora como vilão principal que, ao fim de uma série de voltas, acaba por conseguir invadir o Mushroom Kingdom, deixando Bowser e os seus minions também completamente dominados. Aliás, tal como o subtítulo do jogo assim o deixa antever, vamos mesmo explorar o interior do corpo de Bowser, após este ter acidentalmente inspirado os irmãos Mario e metade dos habitantes do reino também.

Os primeiros momentos de acção são um relembrar das mecânicas básicas de jogo para quem já for veterano na série.

Ora este mantém-se um RPG com um sistema de batalha muito interessante, e com uma componente de exploração muito forte. Os botões A e B estão directamente mapeados a Mario e Luigi, onde um deles faz com que Mario salte, o outro Luigi. À medida que vamos avançando no jogo poderemos desbloquear outras acções para os irmãos, como usarem os seus martelos, não só nas batalhas como servindo de um ataque alternativo para defrontar os nossos adverários (especialmente aqueles que não podemos derrotar ao saltasr em cima deles), bem como servindo de habilidades na vertente mais exploratória da aventura. Também no jogo anterior os botões X e Y estavam mapeados aos bébés Mario e Luigi, aqui acabam por mapear diferentes habilidades de Bowser. Portanto, recapitulando, na maior parte do tempo podemos controlar Mario e Luigi ao percorrer diversas partes do corpo do Bowser, enquanto paralelamente podemos também controlar o próprio Bowser enquanto este explora o Mushroom Kingdom. A certa altura, com Mario e Luigi, poderemos também sair e entrar do corpo de Bowser livremente, pelo que poderemos explorar o reino com ambos os irmãos também, quanto mais não seja para descobrir todos os seus tesouros escondidos. Bowser possui diferentes habilidades de Mario e Luigi, como os seus poderosos socos capazes de destruir rochas, ou a possibilidade de cuspir fogo, queimando árvores e outros obstáculos. Mas tal como a dupla Mario e Luigi, Bowser irá ganhar novas habilidades ao longo do jogo, que lhe permitirão uma vez mais alcançar lugares que previamente não conseguiria alcançar.

As batalhas com o Bowser gigante foram uma das melhores surpresas!

No que diz respeito às batalhas, estas são por turnos, onde podemos optar por atacar, usar golpes especiais, itens ou simplesmente fugir. Tal como nos jogos anteriores desta série, há uma noção muito própria do ritmo e de alguns QTEs invisíveis que poderemos (e devemos) explorar para obter uma melhor performance nas batalhas. Por exemplo, se atacar um inimigo com um salto, martelo, soco ou bola de fogo (riscar o que não interessa), geralmente se pressionarmos o botão de ataque respectivo (X ou Y se for o Bowser, A ou B se for o Mario ou Luigi) num timing exacto, conseguimos infligir mais dano. Por outro lado, quando os inimigos nos atacam, possuem alguns padrões de ataque que podemos desviar ou mesmo contra atacar, ao saltar na altura certa, por exemplo. Para além dos ataques normais temos também várias skills que iremos desbloquear, tanto para Bowser como para Mario e Luigi. Estas geralmente envolvem também uma série de QTEs que são exemplificadas no modo tutorial que fica disponível assim que as desbloquearmos. Se controlarmos Bowser numa batalha, há ainda uma maior interação com Mario e Luigi, pois um dos ataques normais de Bowser é inspirar profundamente, conseguindo engolir alguns inimigos mais pequenos. Assim que isso acontece, a acção muda para o ecrã de baixo, com Mario e Luigi a entrar em acção e combaterem esses inimigos ingeridos por Bowser.

Tal como a dupla de canalizadores, Bowser também possui habilidades próprias

Mas as novidades não se ficam por aqui. O jogo possui uma série de coleccionáveis e outros mini-jogos, muitos deles que são até obrigatórios em certas partes do jogo. Por exemplo, em certas alturas teremos de excitar certos pontos chave do corpo de Bowser (lendo isto parece muito estranho mas OK) para o ajudar, seja a dar-lhe mais força nas pernas, nos braços ou mesmo quase que o ressuscitar. Para isso teremos de entrar nalguns minijogos geralmente rítmicos com as cores de Mario e Luigi. No caso do minijogo para ressuscitar Bowser, este é uma espécie de um shmup, onde Mario e Luigi viajam juntos numa canoa e devem destruir uma série de objectos, disparando projécteis da mesma cor das vestimentas dos irmão. Se formos bem sucedidos, Bowser não só ressuscita, como se torna num gigante, o que nos leva a mais uma agradável surpresa… as batalhas com o Bowser gigante! Aqui geralmente defrontamos robots gigantes ou outras criaturas grandes, onde somos convidados a virar a DS na horizontal e usar unicamente a stylus e o microfone, para desferir os ataques de Bowser. Estes segmentos possuem mecânicas de jogo muito próprias e devo dizer que foi mais uma surpresa bastante agradável.

Coleccionáveis, minijogos e desafios extra são coisas que não faltam e aumentam bastante a longevidade da aventura.

A nível audiovisual, bom, tal como o seu predecessor é um jogo com um 2D muitíssimo bem detalhado, tendo em conta a resolução de ecrã da Nintendo DS, com áreas de jogo muito coloridas e bem detalhadas, ambientes muito ricos que mostram como o Mushroom Kingdom consegue ser um vasto reino com aquela magia Nintendo que tanto gostamos. As sprites possuem também excelentes animações, acompanhadas por uma narrativa repleta de bom humor. É daqueles jogos em que a Nintendo poderia muito bem ter investido num bom voice acting, pois os diálogos assim o merecem. As músicas são agradáveis, assim como os efeitos sonoros que não tenho absolutamente nada a apontar.

Portanto se gostaram dos Mario & Luigi anteriores, certamente irão gostar deste Bowsers Inside Story. A Alpha Dream soube mais uma vez reinventar a roda e não só aproveitar o núcleo das mecânicas de jogo que tiveram sucesso anteriormente, bem como adicionar um certo twist com toda a dinâmica de Bowser e as possibilidades que isso trouxe. Tal como o primeiro Mario & Luigo, recentemente a Nintendo lançou também um remake deste jogo para a Nintendo 3DS, onde para além de alguns melhoramentos gráficos, tweaks em algumas mecânicas de golpes especiais inclui também uma história paralela com o Bowser Junior como protagonista.

Giana Sisters (Nintendo DS)

Voltando às rapidinhas, vamos visitar pela primeira vez um título da série Giana Sisters. Desenvolvido originalmente por um estúdio germânico algures em 1987, The Great Giana Sisters era um bom jogo de plataformas, lançado originalmente para uma panóplia de diferentes microcomputadores. O seu único problema era mesmo ser um autêntico plágio de Super Mario Bros, algo que a Nintendo decididamente não achou muita graça, pelo que o jogo acabou por desaparecer das lojas muito rapidamente. Mais de 20 anos depois, os então detentores da licença decidiram fazer uma sequela para a Nintendo DS, que apesar de parecer um budget title, na verdade é um jogo de pltaformas bem competente. O meu exemplar foi comprado em Setembro de 2016, algures numa CeX ou Cash Converters em Lisboa, sinceramente já não me recordo bem.

Jogo com caixa, manual e papelada

A história envolve uma jovem rapariga que se vê aprisionada num pesadelo, onde aparentemente teremos de coleccionar diamantes e derrotar um monstro qualquer no final. De facto, não prestei muita atenção a esta parte mas nem importa! Este continua a ser um jogo muito parecido com Super Mario Bros, onde Giana pode saltar em cima dos inimigos para os derrotar, bem como destruir blocos, incluindo aqueles que dão itens de volta. Um dos itens transforma a Giana na sua versão Super, podendo disparar bolas de fogo. Faz-vos lembrar de alguma coisa? Até alguns inimigos são parecidos com os do Mario, nomeadamente os Koopas. Outros itens interessantes são as máquinas de vending que podemos encontrar. Umas dão garrafas de coca-cola, outras pastilhas elásticas. As garrafas podem ser disparadas como jactos de líquido, capazes de destruir alguns blocos como paredes e chão. Já as pastilhas elásticas podemos usá-las para Giana fazer uma bola gigante e poder flutuar. Ambos terão de ser utilizados para ultrapassar alguns obstáculos!

Quaisquer semelhanças com Super Mario são mera coincidência. Ou não.

Depois, para substituir as moedas, temos imensos diamantes azuis para coleccionar, onde a cada 100 ganhamos uma vida extra. Existem memo muitos diamantes destes espalhados ao longo dos 80 níveis do modo de jogo principal, pelo que também não é muito difícil amealhar vidas extra. Para além dos diamantes azuis teremos também um número variável de diamantes vermelhos para apanhar em cada nível. Se os conseguirmos apanhar todos, teremos direito a um nível bónus em cada mundo. Para além disso, após chegar ao final do jogo, podemos também desbloquear uma série de níveis extra, esses sim, um remake do original de 1987.

Os vasos com flores servem de checkpoint em cada nível,

A nível audiovisual é um jogo relativamente simples. Não possui gráficos 2D tão bonitos quanto os platformers da Nintendo na mesma consola, mas são minimamente bem detalhados e funcionais. As dezenas de níveis vão alternando em estilos gráficos, com níveis a decorrer em castelos, outros em cavernas, florestas, outros mesmo nas próprias nuvens, mas são todos bastante coloridos e possuem um certo charme. As músicas são bastante agradáveis, fazendo lembrar os chiptune de outros tempos.

Portanto este Giana Sisters até que se revelou ser uma boa surpresa, sendo um jogo de plataformas simples, porém bastante sólido e divertido. Se o virem baratinho aproveitem!