The Legend of Zelda: Majora’s Mask (Nintendo 64)

Um dos jogos que tinha em backlog há mais tempo era precisamente este The Legend of Zelda: Majora’s Mask. Enquanto o Ocarina of Time tinha ficado em backlog desde que tive de formatar o meu PC há quase duas décadas (estava a jogá-lo em emulação e tinha ficado na algures Gerudo Village), este só o tinha experimentado, uma vez mais em emulação. Tal como o Ocarina of Time, no entanto, voltei a pegar no jogo na sua conversão para a Nintendo Gamecube, na compilação The Legend of Zelda Collectors Edition, que possuía os 2 Zeldas de Nintendo 64 e os originais de NES. O meu exemplar da Nintendo 64 manteve-se confortavelmente fechado na sua caixa, cujo exemplar foi comprado por 35€ na Cash Converters de Alfragide, algures em Setembro de 2015.

Jogo com caixa, manuais e papelada diversa.

Este é então uma sequela directa de Ocarina of Time, seguindo a timeline onde Link consegue derrotar Ganondorf e, de volta à sua infância, decide abandonar Hyrule e partir à aventura em terras desconhecidas. E eis que chega à terra de Termina, onde se encontra com o estranho Skull Kid, que lhe rouba a sua égua Epona e a Ocarina. Enquanto o perseguimos, o diabrete lança-nos uma maldição, transformando-nos num Deku, uma daquelas criaturas parecidas com plantas e que cospem projécteis. Entretanto, encontramos também um vendedor de máscaras ambulante, que se queixa que o Skull Kid lhe roubou a Majora’s Mask, uma máscara poderosíssima e amaldiçoada. Este promete ajudar Link a curar a sua maldição se o ajudar a recuperar a máscara. E eis que entramos finalmente na cidade de Termina, onde vemos Skull Kid no topo da torre local. Mas esta apenas se irá abrir no final de 3 dias, quando a cidade celebrará o seu Carnaval. Teremos então tempo para interagir com os seus habitantes e apreciar uma lua ameaçadora, muito próxima da cidade. Chegando ao tal dia de festa, lá conseguimos entrar na torre e confrontar o Skull Kid, onde neste primeiro confronto apenas conseguimos recuperar a nossa Ocarina e o vilão completa o seu plano: destruir a cidade de Termina ao forçar a Lua a colidir com a cidade. Mas nem tudo está perdido, pois recuperando a Ocarina podemos tocar a melodia do Tempo, voltando 3 dias atrás e agora com novas pistas: teremos de trazer alguém do pântano, montanha, oceano e desfiladeiro, as regiões à volta de Termina, para confrontar Skull Kid novamente.

Skull Kid, o antagonista transformado pela Majora’s Mask

Ora a partir daqui vamos participar para um ciclo infindável de 72 horas, onde Termina acaba por ser destruída, obrigando-nos a tocar a melodia do tempo, voltar 3 dias atrás e começar tudo de novo. Algumas milestones importantes, como a nossa barra de vida e os itens que tenhamos coleccionado até então são mantidos quando voltamos atrás no tempo, enquanto que todo o progresso restante é perdido. À medida que vamos explorando as terras à volta de Termina, vemos que as mesmas possuem também uma maldição que temos de quebrar nas tais 72 horas. A primeira é uma terra pantanosa liderada pelos Dekus, cujo rei aprisionou injustamente um macaco, acausando-o de ter raptado a sua filha, a princesa lá do sítio. Durante essas 72h temos de arranjar forma de nos infiltrar no palácio, falar com o tal macaco que por sua vez nos encaminha para uma dungeon, onde lá conseguimos salvar a princesa Deku e defrontar o primeiro boss. Assim que o derrotamos, libertamos o seu espírito, que nos irá auxiliar no confronto final contra o Skull Kid. A cada 72 horas teremos de repetir o mesmo nas outras áreas do jogo, cujas possuem as suas próprias quests e dungeons para explorar. Felizmente, com recurso à Ocarina, conseguimos manipular o tempo de forma a passar de forma bem mais lenta, ou avançando-o para a manhã/noite seguinte, pois existem quests que nos obrigam a esperar pela manhã ou noites seguintes mesmo.

Ao longo do jogo vamo-nos poder transformar em diferentes criaturas, cada qual com habilidades próprias que teremos de usar para resolver alguns puzzles e ultrapassar obstáculos.

Ao longo do jogo iremos também encontrar várias estátuas de mocho, que nos permitem teletransportar entre elas, reduzindo o tempo de viagem entre o mundo de Termina. Iremos também encontrar várias máscaras, que nos permitirão mudar de forma, desde a humana, passando pelo já mencionado Deku, mas também como um Goron ou um Zora. Cada uma destas formas possui habilidades especiais que teremos de usar, não só nas dungeons, como em algumas sidequests. Na forma de Deku conseguimos saltitar na superfície da água, bem como disparar uns projécteis pela boca. Como Goron podemos caminhar livremente sobre a lava, bem como rebolar sobre si mesmo rapidamente ou activar alguns interruptores com o nosso próprio peso. Já como Zora podemos nadar bem mais rápido ou caminhar no fundo dos oceanos como se nada fosse. Teremos também a possibilidade de desbloquear outras máscaras com habilidades especiais, como uma máscara de coelho que nos permite andar mais rápido, ou outra que nos torna invisíveis.

Este Majora’s Mask marca também a primeira aparição do Tingle, que nos vende mapas das áreas que teremos de explorar

A nível de mecânicas de jogo em si, este Majora’s Mask herda o mesmo tipo de controlos do seu predecessor, com os botões faciais a ficarem associados à utilização de diversos itens que podemos assignar a partir do inventário. O sistema Z-Targetting, está novamente aqui presente, que nos permite fazer lock-on a um inimigo específico, com a câmara a posicionar-se sempre na direcção do inimigo trancado. A grande diferença está mesmo nas mecânicas de controlo do tempo, com o jogo a colocar-nos pressão em fazer o máximo de coisas possível nos tais 3 dias de jogo. Estas 72 horas resumem-se a pouco menos de 1h em tempo real, pelo que assim que possível o melhor que temos a fazer é mesmo aprender a melodia do tempo imvertida, que abranda bastante o fluxo do jogo, permitindo-nos fazer as suas quests com muito mais calma. Antes de voltar atrás no tempo, devemos também ter a preocupação de guardar as nossas rupees no banco local, caso contrário ficamos sem elas quando recomeçarmos um novo ciclo.

Cada transformação possui também o seu próprio instrumento musical, mas na práctica a funcionalidade é a mesma da Ocarina

A nível gráfico, este Majora’s Mask é dos poucos jogos da Nintendo 64 que obriga mesmo à utilização do Expansion Pak, que é nada mais nada menos que uma expansão de memória que duplica a quantidade de memória RAM disponível na consola. Ora isto traduz-se em gráficos melhores, nomeadamente num aumento da área visível do jogo sem recurso a efeitos de nevoeiro, bem como supostamente melhores texturas. Não consegui descobrir grandes diferenças em relação ao Ocarina of Time nesse aspecto, mas desta vez a cidade de Termina, e o interior dos seus edifícios são completamente renderizados em 3D, onde no Ocarina of Time tinhamos as ruas de Hyrule e os interiores dos edifícios como imagens 2D renderizadas, com ângulos de câmara fixos. A nivel do som, bom, não existem vozes a não ser alguns gritos, grunhidos ou pequenas palavras ditas por Link ou os restantes NPCs e as músicas, apesar de agradáveis, sinceramente não as achei tão memoráveis quanto o Ocarina of Time. A narrativa, no entanto, é bem mais pesada devido ao tema apocalíptico que o jogo retrata.

O que não faltam são sidequests e segredos para descobrir

Portanto este Majora’s Mask é mais um Zelda bastante sólido como um todo. No entanto, as suas mecânicas de controlo do tempo, apesar de terem sido bastante originais, devo confessar que já não gostei tanto. Isto porque gosto de explorar o mundo, os diálogos dos NPCs e resolver os puzzles e sidequests que nos vão aparecendo ao meu próprio ritmo. A pressão dos 3 dias que o jogo nos impõe retira-me esse prazer, se bem que com a melodia inversa do tempo conseguimos atrasar bastante esse processo, o que já nos dá mais tempo para fazer as coisas com calma. É pena, pois para além da quest principal, temos uma série de sidequests e uma vez mais muito conteúdo opcional que nos leva a desbloquear novas máscaras e peças de corações que nos expandem a barra de vida. Mas com o limite das 72h temos de gerir o tempo muito bem para retirar tudo o que o jogo nos tem a oferecer.

De resto, para além da conversão directa que podemos ver na compilação da Gamecube “Zelda Collectors Edition”, o jogo recebeu um remaster para a portátil Nintendo 3DS, que inclui gráficos ligeiramente melhorados, com melhores polígonos, efeitos de luz e suporte a gráficos tridimensionais. Confesso que não experimentei esta versão, mas, tal como o Ocarina of Time 3D, sinceramente não vejo grande razão para o fazer. Se um dia a Nintendo decidir fazer um remake a sério, talvez o faça.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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