Robin Hood: Prince of Thieves (Nintendo Entertainment System)

No início da década de 90, Kevin Costner protagonizou o papel do célebre Robin dos Bosques num filme. Naturalmente que não tardou muito para haver também uma adaptação para os videojogos, nomeadamente para as consolas 8bit da Nintendo, esta versão da NES e uma outra para a Game Boy. Esta versão da NES é um interessante RPG de acção que curiosamente foi dos primeiros jogos que experimentei em emulação, mas na altura não estava a perceber nada do que estava a fazer. O meu exemplar foi comprado no início do mês de Novembro a um particular por 15€.

Apenas cartucho

O jogo começa por nos levar algures a uma prisão e Jerusalém, enquanto decorriam as cruzadas. Robin é feito prisioneiro e a nossa primeira tarefa é termos de escapar da prisão, onde desde cedo nos teremos de habituar aos controlos do jogo. Ao pressionar o botão de start surge no ecrã uma pequena janela com um menu com uma série de acções como “olhar”, “falar”, “procurar”, “apanhar”, etc. Ao lado do nosso opressor temos vemos uma arma, pelo que temos de lá chegar e apanhá-la. No tal menu podemos também aceder ao ecrã de inventário onde podemos equipar, usar e distribuir os diversos itens que vamos apanhando pelas outras personagens que entretanto vamos desbloqueando, como é o caso do árabe que também está aprisionado connosco, o João Pequeno, Frei Tuck, entre outras personagens que iremos encontrar. Mas uma vez apanhado e equipado o tal punhal, falamos com o guarda e somos levados a um ecrã de duelo. A acção do jogo é toda jogada numa vista de cima, como muitos RPGs da época, mas quando somos levados para um duelo, geralmente são as boss fights do jogo, a perspectiva muda para um sidescroller, com um dos botões a servir de ataque e outro para saltar.

À primeira vista, pela interface este parece mesmo um RPG da velha guarda

Uma vez vencido esse duelo, libertamos o tal árabe e escapamos da prisão, não sem antes ter de investigar cadáveres e fardos de palha para itens como chaves que nos abrem as portas. Uma vez nas catacumbas, o jogo passa para uma jogabilidade próxima de Legend of Zelda onde podemos atacar em tempo real os oponentes que vão surgindo e, cada vez que um cadáver fica para trás, quer dizer que esse oponente deixou alguns itens, pelo que teremos de revistar os seus cadáveres e apanhar os itens que deixam, se assim o quisermos. Noutras alturas, e a primeira vez que isso vai acontecer será mesmo nas catacumbas, somos encurralados por dezenas de inimigos, e entramos num outro tipo de batalhas diferentes. Aqui a perspectiva mantém-se aérea, mas a área visível de jogo é maior, com as sprites bem mais pequenas, e é aqui que os nossos companheiros entram em acção, pois inimigos vão surgindo de todos os lados e os nossos companheiros são controlados automaticamente pelo CPU, combatendo os inimigos que vão surgindo. Nós continuamos a controlar o Robin na mesma e devemos também ajudar no combate.

Os confrontos contra bosses são quase todos jogados numa perspectiva lateral

Cada inimigo que derrotamos dá-nos pontos de experiência e após atingir um certo número de pontos de experiência Robin (e os seus companheiros) sobem de nível, tornando-se um pouco mais fortes. Para além dos tais menus onde podemos escolher diversas acções, o inventário é também fortemente influenciado pelos RPGs da velha guarda. Isto porque cada personagem possui um número limitado de slots para carregar com itens, bem como um peso limite. Quanto mais pesado Robin ficar, mais lento é a mover-se. No ecrã de inventário temos também um diagrama com o corpo de cada personagem, onde poderemos equipar uma arma em cada mão (no caso de facas ou punhais – já outras armas precisam de duas mãos), equipar armaduras no torso de cada personagem, ou observar, usar, comer e descartar itens. Claro que se tentarmos comer algo que não seja comestível não vai dar. Basicamente alimentos, pensos e poções mágicas restabelecem os nossos níveis de vida. Armas e equipamento obsoleto que não iremos equipar em ninguém devem ser deitados fora pois só ocupam espaço e peso, mas temos de ter cuidado para não deitar fora itens que viremos a precisar no futuro. É bom alternarmos entre armas brancas e arco e flecha, pois as flechas são bastante poderosas, derrotando qualquer inimigo com apenas 1 flecha. Teremos no entanto de vasculhar o mapa por flechas extra.

Uma boa gestão de inventário é sem dúvida a chave para o sucesso

Basicamente temos de fazer sempre uma boa gestão de inventário e acima de tudo não deitar fora itens cruciais como a sela para montar cavalos (porque precisamos dela nalguns segmentos de jogo onde temos de participar em perseguições a cavalo), ou a Druid Dagger, arma que encontramos algures a meio do jogo e que será crucial no último nível. Para além disso, se estiverem a jogar no hardware original, não temos qualquer forma de gravar o progresso no jogo, nem mesmo com recursos a passwords, pelo que temos de jogar tudo de uma assentada. Felizmente o jogo deixa-nos ter 3 continues caso façamos asneira. Existe uma forma de colocar passwords como se fossem cheat codes mas mesmo que escolhamos o último nível, não tendo a Druid’s Dagger não conseguimos progredir no jogo.

Para além de carregarem com as nossas tralhas, os NPCs só são úteis nas cenas de batalhas em larga escala, onde autonomamente vão defrontando as hostes inimigas

A nível audiovisual, graficamente é um jogo modesto devido à limitação de cores em simultâneo que a NES permite. Practicamente tudo no ecrã anda à volta de tons castanhos e laranjas, o que acaba por ser bocado feio. Fora esse pormenor, o jogo até que possui um nível de detalhe interessante: os diálogos são sempre presenteados com um retrato das personagens intervenientes, as sprites possuem um bom nível de detalhe e animações especialmente nos tais duelos em sidescroller. Não há grande variação nos inimigos no entanto. São practicamente todos guerreiros em armaduras, ou animais (e devo dizer que nunca vi gatos tão ferozes como neste jogo). As músicas são bastante agradáveis, mas são poucas. Ao todo devemos ter ums 3, 4 músicas ao longo de todo o jogo.

Portanto este Robin Hood até que acaba por ser um interessante RPG de acção, onde vai buscar vários elementos de RPGs old-school, como a gestão de inventário, mas implementa-os de forma ligeira, tornando o jogo numa experiência agradável a utilizadores menos versados neste subgénero. Está longe de ser perfeito pois acaba por ser uma experiência bastante linear e podemos deitar tudo a perder se descartarmos alguns itens chave. Para além disso, uma funcionalidade de save, quanto mais não fosse através de passwords seria muito benvinda. Por fim, tal como referi no início do artigo, existe também uma versão Gameboy, mas confesso que essa nunca cheguei a jogar.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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