O Ys V é o primeiro em vários pontos: é o primeiro Ys a ser desenvolvido pela Falcom exclusivamente a pensar em consolas (até porque saiu exclusivamente para a Super Famicom e anos mais tarde recebeu um remake por parte da Taito que se ficou na PS2 no Japão), enquanto os seus predecessores foram desenvolvidos para computadores nipónicos e posteriormente convertidos para outros sistemas. Os Ys IV, apesar de originalmente terem sido lançadas versões para a Super Famicom e PC Engine CD, ao menos tinham sido inicialmente planeados pela Falcom para saírem em computadores, o que acabou por não acontecer. Ys V é também o primeiro jogo da série, pelo menos com este tipo de perspectiva vista de cima, onde temos um botão de ataque, em vez de irmos contra os inimigos. O meu exemplar foi importado directamente do Japão algures em Fevereiro deste ano, tendo-me custado uns 30€ mais portes e custos alfandegários.
Jogo com caixa, manual e papelada diversa. Versão japonesa, naturalmente
A história leva-nos pela primeira vez na série Ys ao continente de Afroca e à cidade de Xandria (um paralelismo entre África e Alexandria), onde Adol Christin procura uma nova aventura. A sua fama de aventureiro atravessou todas as fronteiras pelo que, quando Adol lá chega é rapidamente recrutado por Dorman, um ricalhaço da cidade, que o incumbe da missão de procurar uma série de cristais mágicos. Cristais esses que possuem o poder de restaurar a cidade perdida de Kefin, desaparecida há mais de 500 anos e Kefin aparentemente possui todo um conhecimento perdido de alquimia (a magia deste jogo) que ajudará a salvar Xandria e localidades próximas do implacável avanço da desertificação que os tem estado a assolar. A partir daí lá teremos de partir à exploração e à medida que vamos coleccionado os tais cristais, a própria história vai-se desenvolvendo e revelando os seus vilões e suas reais aspirações.
O facto de termos agora um botão de salto obriga-nos a ter uns segmentos de plataformas que são ainda um pouco frustrantes nalgumas partes
No que diz respeito à jogabilidade, esta é relativamente simples. Os botões faciais servem para atacar, saltar, defender (caso tenhamos algum escudo equipado) ou abrir o menu. O select serve para abrir o mapa e os botões L e R servem para seleccionar magias e carregá-las, para posteriormente serem usadas com o botão de ataque. As magias no entanto são muito diferentes neste jogo, pois são todas baseadas em alquimia e para aprendermos novos feitiços temos de explorar o mundo de forma exaustiva e ir encontrando pedras elementais (água, fogo, terra, etc), que por sua vez podem ser combinadas entre si através de um alquimista para formar uma pedra mágica (fluxstone) capaz de desencadear um ataque mágico. A primeira magia aprendemos com o decorrer da história e chama-se Sexta (sim, isso mesmo) e consiste numa combinação de terra, fogo e água, mas as restantes só as desbloqueamos ao experimentar diferentes combinações de pedras elementais através de um alquimista, tipicamente todas as localizações chave possuem um. Um outro detalhe interessante a mencionar é que podemos subir de nível em duas categorias, física e mágica. Ao destruir inimigos com ataques físicos ganhamos pontos de experiência nessa categoria, que por sua vez nos permite melhorar atributos como ataque, defesa ou vida, enquanto que se os destruirmos com ataques mágicos iremos eventualmente melhorar atributos como mana points, ataque ou defesa mágicos. É um sistema interessante, que nos dá um total de 18 magias distintas que poderão ser desbloqueadas, mas acho que poderia ser um pouco mais flexível, nomeadamente a possibilidade de desmontar as fluxstones em pedras elementais e construir um feitiço diferente, se não estivermos contentes com o resultado final.
O sistema de menus é muito parecido aos dos RPGs da época
A nível audiovisual é também um jogo muito distinto dos restantes Ys que haviam sido lançados até então. O facto de decorrer numa terra inspirada pelo norte de África, leva-nos a explorar cidades com alguma influência mediterrânica e árabe também. Sinceramente achei que o jogo tem gráficos com um bom nível de detalhe e não fica atrás dos grandes RPGs clássicos da Super Nintendo nesse aspecto. Já a banda sonora tira partido da capacidade do chip de som da Super Nintendo, que é muito bom em emular temas mais orquestrais, o que acontece neste Ys V. É um contraste com o que estou habituado na série, que tipicamente possui sempre algumas faixas rock bastante sonantes, mas não é uma má banda sonora de todo.
Como é de esperar, teremos uns quantos bosses para enfrentar
Portanto este Ys V é mais um bom action RPG desta já longa série da Falcom. Tem algumas ideias novas, como a muito esperada inclusão de um botão de ataque (embora a nossa primeira espada possua um alcance muito curto que nos vai causar algumas dificuldades) e um sistema de magia que nos obriga a alguma experimentação. Creio que o facto de ter saído já na ponta final de 1995 no Japão matou qualquer possibilidade de o jogo receber alguma localização oficial em inglês, mas isso não impediu a Falcom de lançar, meros meses depois, uma nova versão também para a Super Famicom intitulada de Ys V Expert. Aparentemente é uma versão mais difícil, com algumas mudanças no layout dos cenários, uma nova dungeon e um modo time attack. Mas essa versão não recebeu, até à data, qualquer patch de tradução, pelo que nem sequer a experimentei. Anos depois sai um remake, pelas mãos da Taito, para a PS2 que se fica também pelo Japão, pelo que creio que este é um óptimo candidato a receber um remake pelas mãos da Falcom, tal como fizeram com alguns jogos antigos da série, sendo o último o Memories of Celceta.
De volta à portátil Nintendo 3DS para um remake de um clássico. Produzido pela MercurySteam, um estúdio espanhol que trabalhou em alguns títulos como os Castlevania Lords of Shadow, a ideia tinha começado por a equipa desenvolver um remake do Metroid Fusion. A Nintendo rejeitou a ideia, no entanto confiou antes à equipa que desenvolvessem um remake do Metroid II da Game Boy clássica em cooperação com a própria Nintendo. E o resultado acabou por se tornar bastante bom! O meu exemplar foi comprado algures em Setembro de 2017 numa Fnac, creio que na altura de lançamento. Custou-me cerca de 70€, sendo a edição de coleccionador que inclui uma série de extras, incluindo um exemplar digital do próprio Metroid II.
Edição Legacy com caixa exterior de carão, caixa normal, steelcase, artbook, banda sonora, papelada diversa e outros brindes
A história segue a mesma trama da versão original: Após os acontecimentos do primeiro Metroid, onde os Space Pirates os usaram (metroids) para atingir fins nefastos, a nova missão de Samus Aran é simples: viajar até ao planeta SR-388, o planeta nativo das misteriosas criaturas, e exterminá-los a todos para que não possam mais ser usados por mãos erradas. A história sempre me pareceu um pouco overkill, dizimar toda uma espécie de seres vivos, mas é o que é. Se terminarmos o jogo com 100% dos segredos descobertos, desbloqueamos também uma galeria de arte que desvenda um pouco mais do que terá acontecido naquele planeta, por intermédio da raça dos Chozo, muito antes da chegada de Samus. E faz também uma ponte com o Metroid Fusion!
Uma das novidades aqui introduzidas foi a inclusão de um botão de melee, que pode ser usado para contra-atacar investidas inimigas, deixando-os temporariamente vulneráveis
De resto este é um Metroid em 2D como bem poderíamos esperar, onde temos todo um mundo para explorar e à medida que avançamos no jogo iremos também adquirir novas habilidades que não só nos darão acesso a novas áreas, mas também serão necessárias para desbloquear segredos em zonas que já tenhamos visitado anteriormente. Há portanto um grande foco na exploração, mas também na acção, pois ao longo de todo o jogo teremos várias criaturas para combater, particularmente os metroids, tendo sido o Metroid II o primeiro jogo da série onde veríamos os vários estágios de gestação e evolução destas misteriosas criaturas, desde a sua forma inicial parecida com uma alforreca, avançando para formas cada vez mais reptilianas e agressivas.
Tal como na versão original, iremos encontrar vários Metroids em diferentes estágios de evolução, cada vez mais reptilianos e agressivos
Mas se por um lado a essência do Metroid II está aqui representada, há também muito de diferente neste remake. O mapa é muito maior, mais variado entre si a nível audiovisual e acima de tudo mais complexo e menos linear para se navegar. Novos power ups e habilidades foram introduzidas. Por um lado itens presentes em jogos mais recentes e que não estavam incluídos no Metroid II como os Super Missiles, Power Bombs, Charge Beam ou Grapple Beam. Por outro teremos habilidades inteiramente novas como a possibilidade de usar o “analógico” para apontar e disparar em 360º ou o botão X para usar um golpe melee, ideal para contra-atacar investidas de inimigos, deixando-os temporariamente vulneráveis ao nosso fogo. As habilidades Aeion foram também aqui introduzidas, vão sendo desbloqueadas à medida em que vamos avançando no jogo, dão-nos habilidades completamente distintas, mas que usam um combustível próprio sempre que sejam activadas. A primeira que desbloqueamos é um scanner que faz uma espécie de ping de sonar à nossa volta, desvendando um pouco o mapa de zonas que não tenhamos ainda entrado, mas principalmente para localizar superfícies frágeis e que podem ser destruídas com mísseis, bombas ou screw attacks, que por sua vez poderão ser utilizadas para alcançar alguns locais secretos e com power ups escondidos. A segunda é um escudo que absorve dano, a terceira é um modo rapid-fire, onde inclusivamente alguns inimigos apenas podem ser destruídos dessa forma. A última é uma habilidade que abranda tudo à nossa volta e será necessária para resolver alguns puzzles, particularmente os que envolvem blocos e superfícies destrutíveis mas que se regeneram passado pouco tempo.
O ecrã de baixo serve também para, tactilmente, equiparmos os diferentes tipos de armas: normais, gelo e grapple (gancho)
A nível gráfico o jogo também recebeu um grande upgrade, como seria de esperar. Mas não foi apenas uma transição de gráficos monocromáticos para coloridos. Tal como referi acima, o mapa foi fortemente expandido, com os cenários a sofrerem muitas mudanças também. Para além de cavernas, poderemos encontrar também inúmeras ruínas dos Chozo, bem como os restos mortais das equipas da federação galáctica que nos antecederam. Os gráficos em si estão representados em 3D poligonal com um bom nível de detalhe, tendo em conta as limitações da plataforma, embora a jogabilidade se mantenha na mesma em 2D como nos clássicos. O som continua excelente tal como é habitual nos Metroid, com várias músicas conhecidas a receberem alguns novos remixes, mas que continuam a contribuir para a atmosfera soturna e claustrofóbica que sempre caracterizaram esta série.
Outra das novidades do remake foi a inclusão de vários power ups que originalmente só tinham sido introduzidos no Super Metroid em diante
Portanto este Metroid: Samus Returns acaba por se tornar num remake muito interessante e a MercurySteam está de parabéns. Para além de todo o upgrade audiovisual, expansão do mapa a explorar e introdução de power ups que originalmente apenas haviam sido introduzidos no Super Metroid em diante, o estúdio espanhol, em cooperação com a Nintendo, implementou também uma série de outras mecânicas de jogo adicionais que acredito que tenham sido também utilizadas no Metroid Dread, da Switch, que também teve a mão da MercurySteam no seu desenvolvimento. E esse será
Publicado pela Square Enix, mas desenvolvido pela N-Space (o mesmo estúdio que desenvolveu o Geist da GameCube e trabalhou em inúmeras conversões de títulos ocidentais, muitos deles para a própria Nintendo DS), eis que em 2012 lançam este Heroes of Ruin. Um action RPG muito similar nas suas mecânicas de jogo a títulos como o Diablo, e também possuiu um grande foco numa vertente multiplayer cooperativa, podendo ser jogado com até 4 jogadores em diversas formas, online ou por rede local. Naturalmente que o joguei sozinho, mas já lá vamos. O meu exemplar foi comprado numa CeX na zona do Porto algures em Dezembro de 2017, tendo-me custado cerca de 5€ após ter feito umas trocas.
Jogo com caixa e imensa papelada inútil… era muito melhor um manual.
A história leva-nos ao reino de Nexus, onde o seu guardião, uma esfinge chamada Ataraxis está às portas da morte. Nós somos então contratados pela coroa lá do sítio para tentar encontrar uma cura para a esfinge e à medida que vamos avançando na história vamos encontrando uma conspiração cada vez maior para desvendar. Mas sinceramente não esperem por uma narrativa muito boa. O ponto forte do jogo é mesmo a sua jogabilidade simples, muito loot based, e a possiblidade de atravessar as dungeons de forma cooperativa com outras pessoas.
Cada classe possui diferentes armas e habilidades. Os gunslingers são óptimos para quem prefere atacar à distância
Mas antes disso temos de criar a nossa personagem que poderá recair numa de várias raças distintas que por sua vez correspondem a diferentes classes. Os vindicators são liontaurs e os típicos guerreiros corpulentos que atacam com espada. Os humanos são gunslingers e usam apenas armas de fogo. Os elfos pródigos em usar ataques mágicos e por fim temos os Savages, guerreiros animalescos que lutam apenas com as suas garras para combates ainda mais próximos. Ao longo do jogo iremos atravessar diversos níveis, completar várias quests principais e side quests, encontrar inúmeras peças de equipamento e, tal como nos Diablos, ocasionalmente encontramos portais que nos permitem teletransportar de volta para a cidade de Nexus, que serve de hub central a todas as diferentes áreas de exploração e combate.
No final de cada dungeon temos sempre um boss para enfrentar.
À medida que vamos combatendo ganhamos também pontos de experiência e eventualmente subimos de nível. Quando isso acontece temos sempre alguns stat points que poderemos distribuir entre ataque, vida ou mana/stamina. Para além disso vamos também ganhando skill points que servem precisamente para desbloquear ou evoluir novas habilidades, algumas inclusivamente passivas. Tal como noutros action RPGs, um dos botões faciais serve para os ataques normais, os outros 3 poderão ter skills associadas. O botão L está reservado para interagir com objectos ou NPCs, o R é usado para desviar ou defender e o d-pad é uma maneira rápida de usar poções de vida ou de mana. É um jogo com uma jogabilidade simples mas perfeitamente funcional.
Os Vindicators são liontaurs, um híbrido entre leão e humano. São também autênticos tanques, podendo aguentar com muita pancada
No que diz respeito aos gráficos, é um jogo competente tendo em conta as limitações do sistema. O mundo de Nexus não é assim lá muito interessante, mas ao menos vai havendo alguma variedade, com níveis com temáticas dos oceanos, florestas, montanhas geladas e uma outra dimensão repleta de criaturas infernais. Ocasionalmente temos direito a algumas cutscenes que por sua vez são também bastante simples com vários desenhos estáticos acompanhados com um voice acting competente, mas não necessariamente interessante ou memorável. Nada de especial a apontar às músicas, servem bem para nos envolver na atmosfera do jogo.
Portanto este Heroes of Ruin é um action RPG sólido, mas que não cria nada de novo. Se forem fãs de jogos do género do Diablo ou Torchlight, este Heroes of Ruin acaba por ser uma boa opção dentro do género na Nintendo 3DS. Não é nenhuma obra prima, mas é um jogo perfeitamente capaz de nos entreter. O seu foco numa jogabilidade mais cooperativa era também um dos seus pontos fortes e estou certo que seria bem mais divertido se fosse jogado com amigos.
Vamos continuar pelos jogos da Nintendo Wii, desta vez com um remake de um jogo clássico da Namco lançado originalmente na Playstation, o primeiro Klonoa! Ora eu nunca cheguei a jogar o original, pelo que não poderei fazer grandes comparações entre ambas as versões, pelo que este artigo será inteiramente focado no remake, lançado em 2008/2009. O meu exemplar foi comprado numa CeX algures em Janeiro de 2020, onde após umas trocas me terá ficado apenas por 10€.
Jogo com caixa, manual e papelada
A história leva-nos ao mundo de Phantomile, onde controlamos Klonoa, um estranho animal com umas orelhas gigantes. A narrativa é muito ligeira, mas basicamente os sonhos são um tema muito importante e Klonoa há muito que sonhava com uma avioneta despenhar-se numa montanha lá perto. Até que chega um dia em que isso acontece e lá decidem ir investigar. Lá descobrem o vilão misterioso Ghadius, que anda à procura de uma jóia na forma de lua para transformar Phantomile num mundo de pesadelos. Claro que iremos ter de o impedir, como Klonoa e o seu fiel amigo Huepow, um espírito que habita no seu anel.
Libertando 6 habitantes de cada nível, irá-nos desbloquear um nível adicional no final do jogo.
Klonoa é um jogo de plataformas simples nas suas mecânicas, mas muito divertido. Este é então um jogo que possui uma jogabilidade tipicamente 2D, mas num mundo inteiramente tridimensional. Ou seja, vamos seguindo um caminho linear ao longo dos níveis, mas esse caminho pode seguir em múltiplas direcções e sentidos. Os controlos são simples e felizmente este remake do Klonoa suporta múltiplos comandos diferentes, podendo ser jogado apenas com um wiimote, a dupla wiimote e nunchuck, mas suporta também comandos de GameCube ou Classic Controller, que acabou por ser a opção que eu usei por conforto. E aqui temos de ter em conta apenas 3 botões: um para saltar, outro para atacar e um outro para a habilidade do whirlwind, capaz de abrandar temporariamente os inimigos. O ataque em questão consiste em Klonoa usar o tal anel que tem o espírito Huepow, que é a mecânica fulcral em todo o jogo. Com esse anel podemos sugar (e agarrar) inimigos, sendo que com o mesmo botão podemos posteriormente atirá-los, não só contra outros inimigos, mas também contra certos objectos, quanto mais não seja para resolver alguns pequenos puzzles e que nos permitam progredir no nível. Pressionando o botão de salto uma segunda vez faz com que Klonoa bata as suas orelhas gigantes, flutuando por breves segundos ou, caso tenhamos um inimigo na nossa posse, ao pressionar o botão de salto novamente faz com que usemos esse mesmo inimigo como plataforma para um segundo salto. Alguns desafios de platforming vão-nos mesmo obrigar a usar esta técnica múltiplas vezes para conseguir realizar uma série de saltos consecutivos ao saltar, agarrar um novo inimigo, saltar outra vez e por aí fora. Ao longo dos níveis vamos vendo também inúmeros itens que poderemos apanhar. Alguns como os cristais coloridos, chaves ou corações que nos restabelecem a barra de vida são apanhados simplesmente tocando nos mesmos. Outros itens como relógios (que servem de checkpoints) ou uma fada que nos duplica temporariamente o valor dos cristais coloridos estão envoltos numa bolha, pelo que têm de ser atacados primeiro. Itens por detrás de ovos já precisam de serem atacados com inimigos para que os mesmos partam e revelem os seus segredos!
Graficamente o jogo levou um remake completo, tornando-se muito mais bonito e detalhado que o lançamento original de PS1
De resto, para além de ser um jogo de plataformas divertido e com uma jogabilidade muito sólida, é também um jogo curto, com apenas 13 níveis no total. São 6 mundos de dois níveis cada, onde o segundo nível possui sempre um boss no final, mais o nível final onde iremos defrontar o último boss. Mas temos também uma série de conteúdo desbloqueável. A Balue’s Tower, que também existia na versão original de PS1, é desbloqueada se conseguirmos libertar todos os 72 habitantes, que por sua vez espalhados e escondidos em cada nível (6 em cada). Essa torre é um nível extra com uma dificuldade acima da média e que nos vai apresentar uma série de desafios de platforming mais exigentes. Exclusivos deste remake estão alguns modos de jogo adicionais que são também desbloqueados quando terminamos o jogo principal, como um modo time attack e um reverse mode. O primeiro leva-nos a enfrentar todos os bosses do jogo e o objectivo é o de fazer o melhor tempo possível. O último tem um pouco mais que se lhe diga. Para além de reintroduzir todos os níveis de forma espelhada, poderemos também encontrar portais que nos levam a salas com desafios bem exigentes de platforming. Outro conteúdo bónus, como a possibilidade de vestir Klonoa com diferentes roupas, são também desbloqueados ao terminar o jogo.
Graficamente esta é uma grande evolução face ao original da Playstation.
Graficamente é um jogo bastante interessante até porque foi completamente refeito face ao lançamento original de 1997 para a primeira Playstation. Enquanto esse possuía gráficos em 3D poligonal para os cenários e sprites 2D para Klonoa, inimigos e itens, este remake é completamente em 3D e com gráficos muito bonitos para uma Nintendo Wii. Os níveis são bastante variados entre si e com cenários muito bonitos como a típica aldeia de Klonoa e os seus moinhos, florestas, montanhas, cavernas ou os imponentes templos do Sol e Lua, com este último a ser particularmente interessante. A acompanhar os bonitos gráficos temos uma banda sonora muito relaxante e um voice acting simples, que poderemos optar por ouvi-lo em inglês, ou em phantomilian, a língua fictícia daquele mundo. Naturalmente que escolhi esta opção!
Portanto este Klonoa é um clássico de plataformas. Agora entendo perfeitamente o porquê do original da Playstation ser um jogo muito querido pelos fãs do género, pois é um título que possui uma jogabilidade simples, mas aliciante e acima de tudo que funciona. Este remake para a Wii mantém essa jogabilidade base, mas moderniza bastante os seus gráficos, pelo que será uma alternativa muito boa ao original, até porque esse tem vindo cada vez mais a escalar de preço, infelizmente. O próprio Klonoa da Wii também não tem ficado muito barato mas recentemente foi anunciada uma compilação com remakes/remasters dos dois Klonoas principais para sistemas recentes, pelo que essa será seguramente a versão definitiva a ter em conta.
Vamos voltar à Nintendo Wii para mais uma das muitas compilações de títulos e séries da SNK que foram saíndo para os sistemas daquela geração. Esta compilação, que se ficou apenas pela PS2, PSP e Wii contém 15 jogos da Neo Geo e, apesar de possuir “Volume 1” no seu título, infelizmente não chegaram a sair mais volumes. Quer dizer, pelo menos no Ocidente, visto que o Japão recebeu também um “Volume 0” na PSP que incluía títulos ainda mais old school, que saíram em sistemas anteriores ao Neo Geo. O meu exemplar foi comprado numa CeX no interior do país há uns anos atrás, sinceramente já não consigo precisar quando foi comprado mas não terá custado mais de 15€ seguramente.
Jogo com caixa, manual e papelada
Ora o objectivo deste artigo é abordar, de uma forma algo ligeira, cada um dos jogos presentes nesta colectânea. Mas vários desses jogos já foram cá trazidos cá noutros artigos, quer nos seus lançamentos originais, quer noutras compilações, ou até conversões. Portanto esses jogos não serão tidos em conta neste artigo. É o caso dos Art of Fighting, Fatal Fury, Metal Slug, The King of Fighters ’94 ou Samurai Shodown, embora este último tenha cá trazido a versão Mega Drive apenas, que é notoriamente uma conversão inferior.
Felizmente esta compilação suporta diversos controlos, não precisam de usar o wiimote e nunchuck!
Avançando então na compilação, vamos começar pelo Baseball Stars 2 que sendo um jogo de baseball, naturalmente não entendo metade do que estou a fazer. No entanto é um jogo que quase me dá vontade de aprender o desporto a sério, tal é a sua qualidade gráfica. As animações estão incríveis, especialmente nos duelos entre o “atirador” e o homem que detém o taco. As expressões faciais dos seus retratos vão mudando consoante a performance no jogo, uma vez acertando na bola a câmara transita para uma vista aérea do campo, mas temos uma janelinha que mostra, em detalhe o jogador a correr para a base seguinte. A banda sonora, toda rock, aliada às intervenções vigorosas dos árbitros, tornam este jogo num lançamento repleto de atitude! Só é pena ser mesmo de baseball…
Temos sempre uma explicação detalhada dos controlos antes de começar a jogar
Passando para títulos mais interessantes, o Burning Fight é um dos vários beat ‘em ups que existem no catálogo deste sistema da SNK. É um óbvio clone de Final Fight/Streets of Rage e, apesar de não introduzir nada de realmente novo à fórmula dos beat ‘em ups urbanos, não deixa de ser um título bastante decente. A jogabilidade é simples, com um botão para saltar, outro para socos e um outro para pontapés. Podemos no entanto executar também alguns golpes especiais, únicos para cada uma das 3 personagens jogáveis. Tal como tem sido habitual neste tipo de jogos poderemos destruir alguns objectos e apanhar não só armas para usar em combate, como itens regenerativos ou bens preciosos que nos aumentam a pontuação. Graficamente é um jogo competente, embora ainda ache que o Final Fight tenha muito mais carisma, principalmente pelas personagens principais e inimigos. As áreas de jogo são na sua maioria urbanas como bairros, centros comerciais ou até o típico elevador de carga, que não escapa! As músicas por outro lado não as achei nada demais. Não é um mau jogo de todo!
Burning Fight, um clone de Final Fight, não tão carismático mas relativamente competente
O King of the Monsters confesso que nunca foi um jogo que me tenha agradado assim tanto, pelo menos a versão da Mega Drive que foi a que mais joguei. Pensem num híbrido entre o Rampage e um jogo de Wrestling, com uma perspectiva pseudo-3D. Basicamente podemos escolher um de vários monstros disponíveis (baseados em gigantes conhecidos como o King Kong, Godzilla e seus amigos) e a ideia é andar à porrada numa cidade japonesa. Tal como num jogo de wrestling o objectivo é o de esvaziar a barra de vida do nosso oponente, deitarmo-nos em cima dele e aguentar uns quantos segundos até haver um vencedor. Pelo meio temos também uma cidade inteira para destruir, forças militares começam também a atacar-nos com tanques, helicópteros, artilharia pesada ou aviões e quanta mais destruição causarmos, mais pontos ganhamos. Esta versão da Neo Geo é naturalmente muito melhor detalhada que a conversão da Mega Drive, as músicas são sempre bastante tensas e os efeitos sonoros também cumprem bem o seu papel.
King of the Monsters, caos urbano com wrestling entre criaturas gigantes
O Last Resort já é um shmup horizontal que achei bastante interessante. A pricipal mecânica de jogo é que desde cedo temos uma espécie de satélite que orbita à nossa volta, disparando numa direcção contrária à do nosso movimento. Podemos no entanto trancar a direcção de disparo desse satélite e, de forma parecida ao R-Type, podemos carregar esse satélite de energia, lançando-o na direcção pretendida, causando bastante dano por onde passe. Naturalmente que iremos encontrar imensos power ups e armas diferentes pelo caminho e graficamente achei o jogo excelente e repleto de pequenos detalhes deliciosos. Por exemplo, logo no primeiro nível sobrevoamos uma auto estrada com uma cidade muito bem detalhada em plano de fundo. Na estrada vão atravessando pequenos carros civis, que poderão ser destruídos tanto de forma directa, como indirectamente ao levarem com destroços em cima. Gostei bastante deste!
Last Resort, um shmup cheio de detalhes gráficos deliciosos
Segue-se o Magician Lord, um dos primeiros jogos a serem lançados para o sistema Neo Geo. Este é essencialmente um jogo de acção/plataformas em 2D com um ambiente de dark fantasy, onde teremos de derrotar inúmeras criaturas diabólicas e impedir um poderoso feiticeiro de dominar o mundo. Os controlos são simples, com um botão para saltar e outro para atacar, com a nossa personagem (também ela um feiticeiro) a lançar projécteis de energia. É um jogo muito desafiante, os níveis vão sendo cada vez mais labirínticos com múltiplos caminhos a explorar e à medida que vamos jogando poderemos encontrar várias esferas coloridas. Coleccionando duas leva-nos transformar numa criatura com novas habilidades. Existem várias combinações de esferas coloridas que poderemos apanhar, logo várias criaturas diferentes que também nos podemos transformar, como um guerreiro dragão capaz de cuspir fogo, um ninja, um samurai, entre outros, cada qual com o seu tipo de ataque distinto. Visualmente nota-se bem que é um título do início de vida da Neo Geo, pois as sprites ainda não têm tanto detalhe quanto isso. Ainda assim, de certeza que era um jogo impressionante para os padrões de 1990. A banda sonora é óptima, muito rock.
Magician Lord, um jogo de lançamento que mostrava desde cedo as potencialidades do sistema Neo Geo
O segundo jogo de desporto presente nesta compilação é o Neo Turf Masters. Produzido pela mesma equipa que nos trouxe o Metal Slug e lançado em 1996, este é um jogo tecnicamente impressionante e com uma jogabilidade muito boa também. Basicamente antes de cada tacada o direccional serve para definir a direcção da mesma, ou seleccionar o taco a usar. Felizmente no ecrã está sempre visível a informação da distância máxima que cada taco alcança, bem como a direcção e intensidade do vento. Quando quisermos disparar temos de ter em conta os habituais dois medidores de energia, um para definir a potência da tacada, já o segundo surpreendentemente define a altura pretendida. Para fazer uma tacada com efeito (hook ou slice) é algo que teremos de definir antes de cada tacada recorrendo aos botões B e C. Graficamente é um jogo soberbo, com visuais em 2D num estilo realista e muito bem detalhado. As músicas são calmas, agradáveis e o jogo está repleto de vozes digitalizadas de muito boa qualidade. Um óptimo jogo também.
Bom, já entendi porque o Neo Turf Masters é um jogo muito bem conceituado dentro do género!
O Sengoku é um beat ‘em up muito peculiar. Forças demoníacas repletas de guerreiros do período do Japão feudal invadem a terra e cabe-nos a nós limpar-lhes o sebo. Vamos percorrer cidades em ruínas, bem como ocasionalmente transitar para outras dimensões com cenários muito característicos do Japão tradicional, onde teremos não só de defrontar soldados, ninjas e samurais, mas demónios e outras criaturas tenebrosas, tudo com um toque muito japonês. À medida que vamos jogando poderemos apanhar esferas coloridas que nos dão acesso a diferentes armas, mas também vamos tendo a ajuda de certos espíritos. E por ajuda quero dizer que por um tempo determinado poderemo-nos transformar nessas mesmas criaturas, como samurais, ninjas ou mesmo lobos e usar as suas habilidades. É também um jogo muito desafiante, usar as armas e/ou espíritos certas nos momentos certos é muito importante. Graficamente é um jogo muito interessante por todo o seu conceito, mas as personagens poderiam ter um pouco mais de detalhe, algo que veio a ser feito nas suas sequelas.
Sengoku, um beat ‘em up difícil, mas bastante original e bizarro
O Shock Troopers é um shooter à semelhança de Commando, Mercs, ou Ikari Warriors, onde sozinhos teremos de enfrentar um exército inteiro e impedir que levem os seus planos nefastos avante. Temos uma equipa de 3 mercenários que poderemos representar, cada qual com a sua arma explosiva diferente (granadas, artilharia ou bombas incendiárias). Poderemos escolher jogar com apenas uma dessas personagens ou com as três, permitindo-nos alternar entre as mesmas com o pressionar de um botão. Antes de começar o jogo podemos também seleccionar uma de 3 rotas diferentes para alcançar a base inimiga, o que lhe aumenta a longevidade. É um jogo de acção repleto de adrenalina, com gráficos 2D muito bem detalhados e também com um certo carisma (pensem numa espécie de Metal Slug mas com uma perspectiva vista de cima). Mais uma excelente surpresa desta compilação!
Shock Troopers, outra excelente surpresa!
O último jogo de desporto aqui incluído é o Super Sidekicks 3: The Next Glory e este é um jogo de futebol. Temos 64 selecções nacionais que poderemos escolher, bem como umas quantas competições diferentes onde competir. A nível de jogabilidade, esperem por um jogo arcade e rápido, com uma perspectiva lateral do campo. A nível de controlos temos 3 botões que servem para diferentes tipos de passes ou remates se estivermos em controlo da bola, ou para roubar a bola ao adversário (encontrões ou carrinhos) ou mudar o jogador que controlamos no momento, caso estejamos sem posse de bola. Um detalhe engraçado é o de quando estivermos próximos da baliza adversária, por vezes surge a indicação “chance!” por cima do jogador que controlamos. Ao pressionar o botão de remate, a câmara muda para uma perspectiva de primeira pessoa, onde em meros segundos poderemos escolher ao certo para onde queremos colocar a bola na baliza adversária.
Cada jogo possui uns quantos achievements que nos vão desbloqueando conteúdo de bónus
O “último” jogo é o Top Hunter: Roddy & Cathy, que se revelou em mais uma óptima surpresa. Basicamente é um jogo de acção 2D sidescroller que também pode ser jogado com 2 jogadores em co-op. Controlamos o Roddy, Cathy ou ambos, que são caçadores de prémios intergalácticos e que terão de enfrentar um grupo de piratas do espaço ao longo de vários planetas. A jogabilidade é simples, porém repleta de adrenalina. Os níveis possuem dois planos distintos dos quais nós podemos alternar livremente (através do botão C) com o botão A e B a servirem para atacar ou saltar respectivamente. Sem armas, a jogabilidade até faz lembrar um pouco a do Ristar da Mega Drive, na medida em que as personagens podem esticar os braços, agarrar os inimigos e atirá-los uns contra os outros. Podemos no entanto ir encontrando diferentes armas ou até veículos, tal como no Metal Slug. Graficamente é também um jogo bem detalhado e com muito carisma.
Top Hunter, uma espécie de protótipo de Metal Slug, também cheio de personalidade!
De resto, e voltando à compilação em si, esta versão da Wii suporta vários modos de controlo mas eu não me atrevi a usar nada que não fosse o Classic Controller, que por sua vez funciona muito bem. Aparentemente é também esta versão da Wii que possui uma melhor performance quando comparada às versões PS2 ou PSP! Por fim, convém também mencionar que esta compilação possui um sistema de achievements interno com objectivos distintos para cada um dos jogos aqui presentes e ao completar pelo menos 10 achievements desbloqueamos um jogo adicional, o primeiro World Heroes. Outros conteúdos bónus como música ou galerias de arte poderão também ser desbloqueados, o que são sempre bons extras. É portanto uma compilação interessante e equilibrada, incluindo jogos de vários tipos incluindo alguns menos conhecidos e que não haviam ainda sido lançados em compilações anteriormente.