The King of Fighters Collection: The Orochi Saga (Sony Playstation 2)

Uma das coisas que mais gozo me dá ao coleccionar para a Playstation 2, é a grande variedade que existe de compilações de jogos mais retro para a consola. Este The Orochi Saga é então uma compilação que traz os primeiros 5 jogos da mítica série de jogos de luta da SNK, The King of Fighters, mais uma série de extras que irei detalhar em seguida. Para além dos extras, vou abordar muito ligeiramente cada um dos títulos aqui presentes nesta colectânea, excepto os King of Fighters 97 e 98 que analisarei mais a fundo noutra ocasião, pois tenho-os para a Neo Geo MVS. O meu exemplar desta colectânea foi comprado numa Cash Converters algures em 2015/2016 por um preço muito reduzido. A ver se em breve me aparece um completo com manual!

Jogo com caixa

A série The King of Fighters começou precisamente com o KOF 94. Aqui a SNK apresentou mais um jogo de luta 2D de 1 contra 1, mas com equipas 3 lutadores, num formato de “team battle“. Ou seja, para finalizar um combate, teríamos de derrotar os 3 lutadores da equipa adversária sequencialmente, com a barra de vida a ser ligeiramente restabelecida entre cada combate para o lutador vencedor. No nosso caso naturalmente também representamos uma equipa de 3 lutadores, pelo que o adversário só vence após os derrotar a todos. Mas para além disso, King of Fighters, como o nome da série indica, é também um crossover do universo da SNK, ao incluir não só personagens de outros jogos de luta como Fatal Fury ou Art of Fighting, mas também vai buscar personagens a séries que nada tinham a ver com o género, como os Ikari Warriors ou Psycho Soldiers, para além de introduzir algumas personagens inteiramente novas.

Os loadings são um pouco demorados, mas ao menos alguns dos ecrãs são úteis para nos relembrar alguns dos golpes especiais

Neste primeiro King of Fighters ainda não tínhamos a liberdade total de escolher os membros da nossa equipa, pelo que temos de escolher uma das 8 equipas diferentes que teoricamente representam um país e as personagens novas estão alocadas nas equipas do Japão e Estados Unidos. Do Japão temos Kyo Kusanagi, Benimaru Nikaido e Goro Daimon, sendo que Kyo iria ter um papel de destaque bem maior nos títulos seguintes. Já a equipa norte-americana não teve a mesma sorte e as suas personagens (Heavy-D!, Lucky Glauber, Brian Battler) acabaram por ficar completamente esquecidas ao longo da série. Mas no que diz respeito às mecânicas de jogo, os 4 botões faciais servem para desferir socos e pontapés ligeiros ou fortes, sendo que cada personagem possui também uma série de golpes especiais. À medida que vamos combatendo temos uma barra de energia que se vai enchendo (se bem que a podemos encher manualmente mas ficamos vulneráveis enquanto o fazemos) e uma vez essa barra cheia, ou quando estamos com pouca vida, podemos também desferir os desperation attacks, golpes especiais bastante poderosos.

A nível audiovisual, este era um jogo impressionante para 1994, com personagens muito bem animadas e com bastante detalhe tanto nas mesmas, como nos próprios cenários que eram também bastante diversificados entre si. Pontos extra para os cameos de outras personagens do universo SNK que vão surgindo em algumas arenas e também para as pequenas animações que antecedem cada combate! As músicas são agradáveis, mas nada que seja propriamente memorável, na minha opinião. Em suma este King of Fighters 94 não é um mau jogo, mas era ainda uma espécie de protótipo para o que viria a sair depois! E tirando a sua presença em compilações como esta, bem como o “remake” King of Fighters ’94 Re-Bout lançado em 2004 para a Playstation 2 no Japão, este primeiro KOF acabou por ter saído apenas originalmente nos sistemas NeoGeo (MVS, AES e CD).

Visualmente os jogos desta saga são muito bons, com personagens grandes, bem animadas e as arenas repletas de detalhes interessantes

No ano seguinte tivemos então o The King of Fighters 95, que segue a mesma fórmula básica do seu antecessor, mas desta vez com liberdade total para escolher a nossa equipa de 3 lutadores. É também o primeiro jogo que entra oficialmente no arco de história dos Orochis, com a história a dar mais foco ao Kyo Kusanagi como personagem principal, mas também com a introdução do seu rival, Iori Yagami. As personagens e equipas pré-definidas mantêm-se quase idênticas às do jogo anterior, com a saída da equipa dos Estados Unidos do KOF 94, ao serem substituídos por Iori Yagami e vilões da série Fatal Fury e Art of Fighting, nomeadamente o Billy Kane e Eiji Kisaragi. No que diz respeito aos visuais, o jogo é muito bom para a altura, com arenas muito bem detalhadas e personagens bem animados e também bastante carismáticos. A banda sonora é também mais variada e acabei por gostar mais do que a do primeiro jogo. Ao contrário do primeiro jogo este acabou por receber conversões para outras consolas da época para além dos sistemas da SNK e confesso que gostaria de arranjar a versão Sega Saturn num dia destes.

O KOF 94 tinha uma equipa norte americana repleta de lutadores genéricos e que rapidamente passaram ao esquecimento

Já em 1996 a SNK lançou mais uma sequela, o The King of Fighters 96, onde a maior novidade na jogabilidade está na introdução dos Super Desperation Moves. Nos títulos anteriores, os Desperation Moves podiam ser despoletados quando a barra de energia no fundo do ecrã estivesse cheia, ou quando a personagem tivesse pouca vida. Agora, se ambas as condições se verificarem, cada personagem pode despoletar o seu Super Desperation Move, um ataque especialmente poderoso! De resto é um jogo que traz muitas mudanças no leque de lutadores. Alguns saíram, outros mudaram de equipa e outros tantos entraram como é o caso de Leona Heidern do universo de Ikari Warriors, Kasumi Todoh de Art of Fighting, Mysterious e Vice, antigas secretárias do Rugal e que se aliam à equipa de Iori Yagami, bem como uma nova equipa com vilões conhecidos: Geese Howard, Krauser e Mr. Big.

A narrativa também está mais desenvolvida, com o poder dos Orochi a ser o tema central do jogo, com Kyo Kusanagi e Iori Yagami a serem os principais protagonistas novamente. A nível audiovisual é mais um jogo excelente, com arenas repletas de pequenos detalhes deliciosos e personagens bem desenhadas e animadas. A banda sonora é uma vez mais bastante eclética, com aqueles temas mais rock a sobressaírem-se, pelo menos para os meus gostos pessoais. De resto, este título, para além dos habituais sistemas Neo Geo, teve também um lançamento na Playstation 1 e Sega Saturn, mas infelizmente desta vez ficaram-se pelo Japão.

O modo treino permite-nos practicar os diferentes golpes em cada jogo

Esta compilação traz também os King of Fighters 97 e 98, que irei detalhar separadamente. Mas no que diz respeito às especifidades desta compilação em si, todas as versões que cá estão presentes são emulações dos originais Neo Geo, tal como noutras compilações do género que já cá trouxe, como a Art of Fighting Anthology, Fatal Fury Battle Archives ou World Heroes Anthology. E esta compilação aparentemente não possui uma emulação muito fiel, principalmente no que diz respeito aos controlos. Eu sinceramente sendo um jogador mais casual deste género, certas aspectos como esse acabam por me passar um pouco ao lado, mas já não é a primeira pessoa que me diz que esta compilação tem input lag em vários jogos e pelo que li nalgumas reviews parece ser mesmo o caso. Mas para além de problemas de emulação, esta compilação traz outras coisas boas, como vários desafios que podemos tentar cumprir (basicamente vencer combates sob condições muito específicas) que por sua vez nos desbloqueiam conteúdo bónus como músicas ou artwork. Para além disso cada um dos jogos desta compilação tem também um modo de treino onde poderemos ver como executar cada um dos golpes especiais e colocá-los em práctica.

Um dos extras interessantes desta compilação está precisamente nos seus desafios adicionais, que nos desbloqueiam conteúdo bónus. (screenshot da versão Wii)

Portanto esta é uma compilação muito interessante que traz os primeiros King of Fighters, sendo uma alternativa bem mais barata de os jogar de forma legítima. Para além da versão PS2, esta compilação foi também lançada para a PSP e Wii, estando também disponível de forma digital noutras plataformas como a PS4.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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