SNK Arcade Classics Vol. 1 (Nintendo Wii)

Vamos voltar à Nintendo Wii para mais uma das muitas compilações de títulos e séries da SNK que foram saíndo para os sistemas daquela geração. Esta compilação, que se ficou apenas pela PS2, PSP e Wii contém 15 jogos da Neo Geo e, apesar de possuir “Volume 1” no seu título, infelizmente não chegaram a sair mais volumes. Quer dizer, pelo menos no Ocidente, visto que o Japão recebeu também um “Volume 0” na PSP que incluía títulos ainda mais old school, que saíram em sistemas anteriores ao Neo Geo. O meu exemplar foi comprado numa CeX no interior do país há uns anos atrás, sinceramente já não consigo precisar quando foi comprado mas não terá custado mais de 15€ seguramente.

Jogo com caixa, manual e papelada

Ora o objectivo deste artigo é abordar, de uma forma algo ligeira, cada um dos jogos presentes nesta colectânea. Mas vários desses jogos já foram cá trazidos cá noutros artigos, quer nos seus lançamentos originais, quer noutras compilações, ou até conversões. Portanto esses jogos não serão tidos em conta neste artigo. É o caso dos Art of Fighting, Fatal Fury, Metal Slug, The King of Fighters ’94 ou Samurai Shodown, embora este último tenha cá trazido a versão Mega Drive apenas, que é notoriamente uma conversão inferior.

Felizmente esta compilação suporta diversos controlos, não precisam de usar o wiimote e nunchuck!

Avançando então na compilação, vamos começar pelo Baseball Stars 2 que sendo um jogo de baseball, naturalmente não entendo metade do que estou a fazer. No entanto é um jogo que quase me dá vontade de aprender o desporto a sério, tal é a sua qualidade gráfica. As animações estão incríveis, especialmente nos duelos entre o “atirador” e o homem que detém o taco. As expressões faciais dos seus retratos vão mudando consoante a performance no jogo, uma vez acertando na bola a câmara transita para uma vista aérea do campo, mas temos uma janelinha que mostra, em detalhe o jogador a correr para a base seguinte. A banda sonora, toda rock, aliada às intervenções vigorosas dos árbitros, tornam este jogo num lançamento repleto de atitude! Só é pena ser mesmo de baseball

Temos sempre uma explicação detalhada dos controlos antes de começar a jogar

Passando para títulos mais interessantes, o Burning Fight é um dos vários beat ‘em ups que existem no catálogo deste sistema da SNK. É um óbvio clone de Final Fight/Streets of Rage e, apesar de não introduzir nada de realmente novo à fórmula dos beat ‘em ups urbanos, não deixa de ser um título bastante decente. A jogabilidade é simples, com um botão para saltar, outro para socos e um outro para pontapés. Podemos no entanto executar também alguns golpes especiais, únicos para cada uma das 3 personagens jogáveis. Tal como tem sido habitual neste tipo de jogos poderemos destruir alguns objectos e apanhar não só armas para usar em combate, como itens regenerativos ou bens preciosos que nos aumentam a pontuação. Graficamente é um jogo competente, embora ainda ache que o Final Fight tenha muito mais carisma, principalmente pelas personagens principais e inimigos. As áreas de jogo são na sua maioria urbanas como bairros, centros comerciais ou até o típico elevador de carga, que não escapa! As músicas por outro lado não as achei nada demais. Não é um mau jogo de todo!

Burning Fight, um clone de Final Fight, não tão carismático mas relativamente competente

O King of the Monsters confesso que nunca foi um jogo que me tenha agradado assim tanto, pelo menos a versão da Mega Drive que foi a que mais joguei. Pensem num híbrido entre o Rampage e um jogo de Wrestling, com uma perspectiva pseudo-3D. Basicamente podemos escolher um de vários monstros disponíveis (baseados em gigantes conhecidos como o King Kong, Godzilla e seus amigos) e a ideia é andar à porrada numa cidade japonesa. Tal como num jogo de wrestling o objectivo é o de esvaziar a barra de vida do nosso oponente, deitarmo-nos em cima dele e aguentar uns quantos segundos até haver um vencedor. Pelo meio temos também uma cidade inteira para destruir, forças militares começam também a atacar-nos com tanques, helicópteros, artilharia pesada ou aviões e quanta mais destruição causarmos, mais pontos ganhamos. Esta versão da Neo Geo é naturalmente muito melhor detalhada que a conversão da Mega Drive, as músicas são sempre bastante tensas e os efeitos sonoros também cumprem bem o seu papel.

King of the Monsters, caos urbano com wrestling entre criaturas gigantes

O Last Resort já é um shmup horizontal que achei bastante interessante. A pricipal mecânica de jogo é que desde cedo temos uma espécie de satélite que orbita à nossa volta, disparando numa direcção contrária à do nosso movimento. Podemos no entanto trancar a direcção de disparo desse satélite e, de forma parecida ao R-Type, podemos carregar esse satélite de energia, lançando-o na direcção pretendida, causando bastante dano por onde passe. Naturalmente que iremos encontrar imensos power ups e armas diferentes pelo caminho e graficamente achei o jogo excelente e repleto de pequenos detalhes deliciosos. Por exemplo, logo no primeiro nível sobrevoamos uma auto estrada com uma cidade muito bem detalhada em plano de fundo. Na estrada vão atravessando pequenos carros civis, que poderão ser destruídos tanto de forma directa, como indirectamente ao levarem com destroços em cima. Gostei bastante deste!

Last Resort, um shmup cheio de detalhes gráficos deliciosos

Segue-se o Magician Lord, um dos primeiros jogos a serem lançados para o sistema Neo Geo. Este é essencialmente um jogo de acção/plataformas em 2D com um ambiente de dark fantasy, onde teremos de derrotar inúmeras criaturas diabólicas e impedir um poderoso feiticeiro de dominar o mundo. Os controlos são simples, com um botão para saltar e outro para atacar, com a nossa personagem (também ela um feiticeiro) a lançar projécteis de energia. É um jogo muito desafiante, os níveis vão sendo cada vez mais labirínticos com múltiplos caminhos a explorar e à medida que vamos jogando poderemos encontrar várias esferas coloridas. Coleccionando duas leva-nos transformar numa criatura com novas habilidades. Existem várias combinações de esferas coloridas que poderemos apanhar, logo várias criaturas diferentes que também nos podemos transformar, como um guerreiro dragão capaz de cuspir fogo, um ninja, um samurai, entre outros, cada qual com o seu tipo de ataque distinto. Visualmente nota-se bem que é um título do início de vida da Neo Geo, pois as sprites ainda não têm tanto detalhe quanto isso. Ainda assim, de certeza que era um jogo impressionante para os padrões de 1990. A banda sonora é óptima, muito rock.

Magician Lord, um jogo de lançamento que mostrava desde cedo as potencialidades do sistema Neo Geo

O segundo jogo de desporto presente nesta compilação é o Neo Turf Masters. Produzido pela mesma equipa que nos trouxe o Metal Slug e lançado em 1996, este é um jogo tecnicamente impressionante e com uma jogabilidade muito boa também. Basicamente antes de cada tacada o direccional serve para definir a direcção da mesma, ou seleccionar o taco a usar. Felizmente no ecrã está sempre visível a informação da distância máxima que cada taco alcança, bem como a direcção e intensidade do vento. Quando quisermos disparar temos de ter em conta os habituais dois medidores de energia, um para definir a potência da tacada, já o segundo surpreendentemente define a altura pretendida. Para fazer uma tacada com efeito (hook ou slice) é algo que teremos de definir antes de cada tacada recorrendo aos botões B e C. Graficamente é um jogo soberbo, com visuais em 2D num estilo realista e muito bem detalhado. As músicas são calmas, agradáveis e o jogo está repleto de vozes digitalizadas de muito boa qualidade. Um óptimo jogo também.

Bom, já entendi porque o Neo Turf Masters é um jogo muito bem conceituado dentro do género!

O Sengoku é um beat ‘em up muito peculiar. Forças demoníacas repletas de guerreiros do período do Japão feudal invadem a terra e cabe-nos a nós limpar-lhes o sebo. Vamos percorrer cidades em ruínas, bem como ocasionalmente transitar para outras dimensões com cenários muito característicos do Japão tradicional, onde teremos não só de defrontar soldados, ninjas e samurais, mas demónios e outras criaturas tenebrosas, tudo com um toque muito japonês. À medida que vamos jogando poderemos apanhar esferas coloridas que nos dão acesso a diferentes armas, mas também vamos tendo a ajuda de certos espíritos. E por ajuda quero dizer que por um tempo determinado poderemo-nos transformar nessas mesmas criaturas, como samurais, ninjas ou mesmo lobos e usar as suas habilidades. É também um jogo muito desafiante, usar as armas e/ou espíritos certas nos momentos certos é muito importante. Graficamente é um jogo muito interessante por todo o seu conceito, mas as personagens poderiam ter um pouco mais de detalhe, algo que veio a ser feito nas suas sequelas.

Sengoku, um beat ‘em up difícil, mas bastante original e bizarro

O Shock Troopers é um shooter à semelhança de Commando, Mercs, ou Ikari Warriors, onde sozinhos teremos de enfrentar um exército inteiro e impedir que levem os seus planos nefastos avante. Temos uma equipa de 3 mercenários que poderemos representar, cada qual com a sua arma explosiva diferente (granadas, artilharia ou bombas incendiárias). Poderemos escolher jogar com apenas uma dessas personagens ou com as três, permitindo-nos alternar entre as mesmas com o pressionar de um botão. Antes de começar o jogo podemos também seleccionar uma de 3 rotas diferentes para alcançar a base inimiga, o que lhe aumenta a longevidade. É um jogo de acção repleto de adrenalina, com gráficos 2D muito bem detalhados e também com um certo carisma (pensem numa espécie de Metal Slug mas com uma perspectiva vista de cima). Mais uma excelente surpresa desta compilação!

Shock Troopers, outra excelente surpresa!

O último jogo de desporto aqui incluído é o Super Sidekicks 3: The Next Glory e este é um jogo de futebol. Temos 64 selecções nacionais que poderemos escolher, bem como umas quantas competições diferentes onde competir. A nível de jogabilidade, esperem por um jogo arcade e rápido, com uma perspectiva lateral do campo. A nível de controlos temos 3 botões que servem para diferentes tipos de passes ou remates se estivermos em controlo da bola, ou para roubar a bola ao adversário (encontrões ou carrinhos) ou mudar o jogador que controlamos no momento, caso estejamos sem posse de bola. Um detalhe engraçado é o de quando estivermos próximos da baliza adversária, por vezes surge a indicação “chance!” por cima do jogador que controlamos. Ao pressionar o botão de remate, a câmara muda para uma perspectiva de primeira pessoa, onde em meros segundos poderemos escolher ao certo para onde queremos colocar a bola na baliza adversária.

Cada jogo possui uns quantos achievements que nos vão desbloqueando conteúdo de bónus

O “último” jogo é o Top Hunter: Roddy & Cathy, que se revelou em mais uma óptima surpresa. Basicamente é um jogo de acção 2D sidescroller que também pode ser jogado com 2 jogadores em co-op. Controlamos o Roddy, Cathy ou ambos, que são caçadores de prémios intergalácticos e que terão de enfrentar um grupo de piratas do espaço ao longo de vários planetas. A jogabilidade é simples, porém repleta de adrenalina. Os níveis possuem dois planos distintos dos quais nós podemos alternar livremente (através do botão C) com o botão A e B a servirem para atacar ou saltar respectivamente. Sem armas, a jogabilidade até faz lembrar um pouco a do Ristar da Mega Drive, na medida em que as personagens podem esticar os braços, agarrar os inimigos e atirá-los uns contra os outros. Podemos no entanto ir encontrando diferentes armas ou até veículos, tal como no Metal Slug. Graficamente é também um jogo bem detalhado e com muito carisma.

Top Hunter, uma espécie de protótipo de Metal Slug, também cheio de personalidade!

De resto, e voltando à compilação em si, esta versão da Wii suporta vários modos de controlo mas eu não me atrevi a usar nada que não fosse o Classic Controller, que por sua vez funciona muito bem. Aparentemente é também esta versão da Wii que possui uma melhor performance quando comparada às versões PS2 ou PSP! Por fim, convém também mencionar que esta compilação possui um sistema de achievements interno com objectivos distintos para cada um dos jogos aqui presentes e ao completar pelo menos 10 achievements desbloqueamos um jogo adicional, o primeiro World Heroes. Outros conteúdos bónus como música ou galerias de arte poderão também ser desbloqueados, o que são sempre bons extras. É portanto uma compilação interessante e equilibrada, incluindo jogos de vários tipos incluindo alguns menos conhecidos e que não haviam ainda sido lançados em compilações anteriormente.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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