Turok 2: Seeds of Evil (Nintendo 64)

Depois do sucesso do primeiro Turok, a Iguana Entertainment não perdeu muito tempo em preparar uma sequela que acabou por ser lançada em 1998. É, na minha opinião, uma excelente sequela, onde melhoraram e muito na parte gráfica e variedade de armas. É também no entanto, tal como o seu predecessor, um jogo com níveis bastante vastos e labirínticos. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu algures em Março deste ano, por cerca de 15€ se bem me recordo.

Jogo com caixa e manual

Desta vez controlamos um novo protagonista, que é chamado ao serviço por uma alienígena chamada Adon. Esta explica-nos que há uma outra civilização extraterrestre prestes a preparar das suas e ameaçar toda a vida no Universo. Para os deter, teremos de visitar 5 mundos separados de outras civilizações que estão a cooperar com os Primagen, cumprir uma série de objectivos e por fim assaltar a gigante nave espacial dos Primagen e por um cobro à sua ameaça.

O design dos inimigos está muito bem conseguido e bastante variado

Tal como já referi acima, este Turok 2 é um jogo não tão diferente do seu antecessor, ao introduzir poucos níveis, mas os mesmos são gigantes, repletos de passagens secretas, objectivos para cumprir e segredos para descobrir. Começamos também a aventura num hub repleto de portais para os diferentes níveis, onde apenas o primeiro nível se encontra desbloqueado. Para além dos objectivos que teremos de cumprir em cada nível (resgatar reféns, destruir objectos ou estruturas, proteger um totem, entre outros), teremos também de explorar os níveis de forma a encontrar chaves que nos desbloqueiem as passagens para os níveis seguintes. Para além disso, para defrontar o boss final, teremos também de procurar também as Primagen Keys, uma por nível. O problema é que estas chaves estão em locais de difícil acesso, que requerem habilidades especiais, como a possibilidade de caminhar sobre a lava, saltar longas distâncias ou observar caminhos invisíveis. Para essas habilidades teremos de coleccionar uma série de talismãs, que estarão também tipicamente espalhados em níveis diferentes. Portanto teremos de revisitar o mesmo nível mais que uma vez para coleccionar tudo. Tendo em conta que os níveis são muito largos e labirínticos, isto pode ser um problema.

Ocasionalmente lá teremos algum boss para enfrentar

No que diz respeito à jogabilidade, esperem por controlos algo customizáveis, mas bastante próximos do Turok original. Os controlos por defeito são até algo próximos do que temos hoje em dia, mas revertidos, com o analógico a servir para controlar a câmara e o C-Stick a servir para mover. O gatilho Z serve para disparar, os botões A e B para alternar entre armas, o botão R para saltar, L para activar o mapa e o d-pad com uma série de funções secundárias, como seleccionar diferentes tipos de munição para a mesma arma, ou activar a scope. O arsenal à nossa disposição é mesmo variado, desde o habitual arco e flecha, pistola e shotgun (esta última com diferentes tipos de munições), passando por armas cada vez mais imponentes como uma plasma rifle, metralhadora pesada, mísseis teleguiados ou o cerebral bore, uma arma que lança projécteis que perfuram o crânio dos oponentes e fazem-lhes explodir a cabeça! De resto, para além do modo história, temos também um multiplayer com capacidade até 4 jogadores em split screen que eu acabei por nem sequer experimentar.

Os níveis são super longos e com imensos objectivos a cumprir

Já sobre a sua apresentação audiovisual, este é um jogo a meu ver muito bem conseguido face ao original. É verdade que os níveis continuam bastante grandes e complexos, mas agora há muita mais variedade nos seus cenários, mesmo dentro do mesmo nível. A qualidade dos gráficos em si também está muito boa, com várias texturas de melhor qualidade face ao original. Os inimigos e restantes personagens estão também muito bem detalhados e animados e uma vez mais este é um jogo cheio de gore, com cada inimigo a possuir várias animações distintas quando morrem. Os níveis e inimigos são variados entre si, tal como referido acima, apresentando civilizações distintas, com diferentes paisagens, desde cavernas, selvas, estruturas em pedra ou outras mais sci-fi. Temos também algum nevoeiro, mas está bem mais longe que no primeiro Turok. Por outro lado, as músicas não são assim tantas quanto isso e, apesar de não serem nada de especial, até que resultam bem, pois possuem bastante ritmo que casa bem com toda a acção que vamos vivendo. Nada a apontar aos efeitos sonoros, mas fiquei agradavelmente surpreendido pela quantidade de samples de voz.

Sim, este é um jogo com imenso gore

A melhor prestação audiovisual deste Turok 2 face ao original deve-se ao facto de a Iguana/Acclaim terem optado por produzir o jogo num cartucho de 32MB que, embora muito longe dos 650/700MB de um CD, já lhes permitiu armazenar mais e melhores texturas, mais vozes e por aí fora. O que nos leva mesmo a questionar o quão bom seriam os restantes jogos na Nintendo 64 caso a Nintendo tivesse optado por adoptar o formato CD ao invés do cartucho.

Portanto, este Turok 2, apesar de ser um jogo bastante longo pelos seus extensos níveis e backtracking necessário para concluir todos os objectivos, acabou por me surpreender pela positiva, não só pelos seus melhores gráficos e som, mas também pela variedade de novos níveis e armas. A ver como se safaram no Turok 3, que ainda não me apareceu nenhum exemplar. Para além disso, este jogo tinha também sido lançado no PC e recentemente saiu uma versão remasterizada, tal como o primeiro jogo, para plataformas modernas.

Star Wars: Shadows of the Empire (Nintendo 64 / PC)

Ora cá está um jogo que não resistiu bem ao teste do tempo. Lançado originalmente para a Nintendo 64 (supostamente estava para ser um título de lançamento), este é um produto da LucasArts que visava expandir o universo Star Wars nos videojogos e banda desenhada, ao contar uma história secundária, também protagonizando por uma personagem secundária. Lançado próximo da janela de lançamento da Nintendo 64, o jogo acabou por receber também uma conversão para o PC no ano seguinte. O meu exemplar da Nintendo 64 foi comprado online no passado mês de Junho por cerca de 14€, enquanto a versão PC possuo uma cópia digital no steam que veio de algum bundle baratinho.

Jogo com caixa, manual e papelada

A história decorre algures entre os filmes do Empire Strikes Back e o Return of the Jedi, protagonizando o mercenário Dash Rendar (que muito faz lembrar o Han Solo) e seu robot Leebo. Começamos por participar na batalha de Hoth, onde as forças Imperiais atacam os rebeldes naquele planeta gelado e, tal como no filme, teremos de destruir algumas forças inimigas a bordo de um snowspeeder, incluindo fazer tropeçar uns quantos AT-ST. Depois temos uma secção onde jogamos a pé, defendendo a base rebelde de forças Imperiais, enquanto procuramos alcançar a nossa nave espacial e escapar dali para fora. A fase seguinte do jogo já decorre algum tempo depois, onde estamos no encalço de Boba Fett para recuperar o corpo de Han Solo e pelo meio iremos claro também tropeçar numa grande conspiração montada pelos Sith.

Creio que aqui foi mesmo a primeira vez que pudemos participar na batalha de Hoth desta forma

Portanto este Shadows of the Empire é um jogo de acção, que tanto vai tendo níveis onde controlamos Dash a pé como se um shooter na terceira (ou primeira) pessoa se tratasse, mas também temos outros que envolvem naves espaciais ou outros veículos, como a já referida batalha de Hoth logo no início do jogo, algumas batalhas a bordo da própria nave de Dash, ou uma interessante perseguição de motos em Tatooine. O seu maior problema, tal como muitos jogos 3D desta era, são os seus maus controlos e controlo de câmara, algo especialmente notório na versão Nintendo 64. No PC as coisas são um pouco melhores mas mesmo assim, devo dizer que tive mais dificuldade em controlar os veículos com o rato do que com o teclado. Já no que diz respeito às mecânicas de jogo, Dash não é um Jedi nem nada que se pareça, pelo que não usamos light sabers nem poderes da Força. Começamos por ter à nossa disposição um blaster de munição ilimitada, mas acabaremos por encontrar também outras armas (estas já de munições limitadas) ao longo do jogo, bem como alguns medkits que tanto jeito nos vão dar, especialmente na versão Nintendo 64 devido aos maus controlos. Outros itens que podemos encontrar poderão ser vidas extra ou os tais challenge points, que nos podem desbloquear uma série de batotas, caso os encontremos todos.

A versão Nintendo 64 não possui voice acting nem cutscenes em CGI mas até gostei desta abordagem

Já no que diz respeito aos audiovisuais, vamos por partes. A versão Nintendo 64 apresenta uns gráficos ainda muito rudimentares, com as personagens (principalmente a do próprio Dash) ainda a terem pouco detalhe poligonal. Os níveis, apesar de até serem algo variados entre si nos cenários que nos apresentam, estão repletos de texturas simples, de baixa resolução e com uma geometria ainda muito “quadrada”. Para além disso, muitos dos níveis onde controlamos o Dash a pé, estão repletos de estreitas passagens com abismos profundos, o que, num jogo com mais controlos e má câmara, não é muito boa ideia. Naturalmente a versão PC possui gráficos melhores, com as texturas de maior resolução, embora a geometria algo rudimentar dos níveis ainda se mantenha. A versão PC no entanto não é um jogo que seja suportado nativamente por sistemas operativos modernos e, mesmo no caso das versões disponíveis no steam ou gog terem sido algo optimizadas nesse aspecto, ainda estão longe de estar perfeitas. Escolhendo resoluções muito altas torna o HUD e todas as restantes mensagens de texto que eventualmente poderao surgir no ecrã demasiado pequenas, bem como estragando algumas das cutscenes. Cutscenes essas que são em CGI na versão PC e imagens estáticas ou pouco animadas na versão Nintendo 64, se bem que até nem desgostei do resultado das mesmas na consola da Nintendo. No que diz respeito ao som, esperem pelas habituais músicas da saga Star Wars enquanto vamos jogando, nada de especial a apontar aqui. No entanto, a versão PC leva uma vez mais a melhor, pois para além das músicas terem mais qualidade, esta versão inclui também várias vozes, o que não acontece na Nintendo 64.

Infelizmente nem a versão PC envelheceu tão bem assim. Mesmo a nível de controlos deixa algo a desejar

Portanto este Star Wars Shadows of the Empire já ficou riscado da minha lista. Era um jogo que sempre tive alguma curiosidade em jogar e, embora não tenha envelhecido nada bem, tanto a nível audiovisual como em mecânicas de jogo, é inegável que a LucasArts se tenha esforçado bastante para apresentar um excelente videojogo. Mas jogos de acção em 3D ainda eram algo que a indústria ainda estava longe de encontrar um standard em termos de controlos, mecânicas de jogo e afins, pelo que, a meu ver, muitas das fraquezas deste jogo acabam por ser desculpáveis. Mas serviu de pedra de lançamento para outros jogos bem mais interessantes da franchise que lhe seguiram, como Rogue Squadron ou Jedi Knight.

Pokémon Stadium 2 (Nintendo 64)

Voltando às rapidinhas, vamos abordar brevemente o Pokémon Stadium 2, jogo que já cá tenho na colecção algures desde Novembro de 2018, após ter sido comprado num grande bundle de vários outros jogos e consolas Nintendo a meias com um amigo. Este Pokémon Stadium 2, que na verdade é o terceiro pois o Japão recebeu um outro jogo antes dos nossos, é uma sequela com poucas novidades em relação ao primeiro jogo, principalmente nos seus modos de jogo. Mas claro, desta vez teremos os “novos” pokémon introduzidos pela segunda geração Gold/Silver/Crystal.

Apenas cartucho

Portanto, tal como o Pokémon Stadium anterior, o foco deste Pokémon Stadium está completamente nas batalhas, onde não só poderemos jogar contra amigos, mas também numa série de diferentes competições contra o CPU. Tanto numa situação como na outra, poderemos importar os Pokémon que criamos nos jogos Pokémon da primeira e segunda geração através do Transfer Pak, ou usar pokémons genéricos com habilidades algo aleatórias criados pelo próprio jogo. No que diz respeito às competições single player, tal como antes temos a possibilidade de lutar contra os ginásios (agora da região de Johto) defrontar a Elite 4 e o campeão em título, visitando depois os Gyms de Kanto novamente. As outras competições decorrem no próprio Pokémon Stadium, consistindo em diferentes “taças” com os graus de dificuldade a aumentarem progressivamente. Uma vez completadas todas as taças e os Gym, desbloqueamos o Round 2 de ambos os modos de jogo, com graus de dificuldade ainda superiores.

Este é o hub principal onde poderemos seleccionar os diferentes modos de jogo

Uma novidade deste Pokémon Stadium 2 está no seu modo de academia, que é uma espécie de modo tutorial bem musculado. Aqui vamos tendo várias “aulas” onde teremos uma série de textos para ler e depois os nossos conhecimentos vão sendo postos em práctica, com um questionário para cada “matéria” aprendida, e um combate para por os conhecimentos em práctica. De resto, temos também uma vez mais uma série de diferentes mini jogos dignos de um Mario Party que poderemos jogar a qualquer momento, bem como a possibilidade de, recorrendo ao Transfer Pak, jogar os Pokémon Red/Blue/Yellow/Gold/Silver/Crystal através de um emulador de Gameboy incorporado no jogo.

Como antes, as batalhas são todas em 3D e cheias de efeitos especiais para os golpes de cada Pokémon

A nível audiovisual não notei grandes melhorias face ao primeiro jogo, o que não é necessariamente uma má coisa. Os Pokémon estão a meu ver bem detalhados a nível de polígonos, e as arenas onde vamos combatendo, essas já possuem visuais de qualidade algo dispar. Se forem arenas mais fechadas, então as suas texturas até escapam, mas noutros casos, como é o caso do Stadium com multidões de gente a assistr, as texturas já são de muito baixa resolução. As músicas sinceramente não as achei nada de especial, mas também não são incomodativas. E também tal como no Pokémon Stadium anterior, este jogo possui também imensas vozes durante os combates. Parece que o narrador tem uma frase diferente para cada acção! Sinceramente achei impressionante, até porque o jogo corre num cartucho com armazenamento muito limitado quando comparado com um CD.

Vamos tendo vários mini jogos também para explorar

Portanto este Pokémon Stadium 2 é um pouco mais do mesmo em relação ao jogo anterior. Na altura em que saiu, eu estava bastante colado com o Pokémon Gold/Silver, e aguardava ansiosamente que a Nintendo fizesse um RPG em condições para as suas consolas caseiras, coisa que acabou por não acontecer na Nintendo 64. Este Pokémon Stadium 2 é então um jogo completamente focado nas batalhas pokémon, tanto sozinho como contra amigos. Os mini jogos e o modo Academy dão-nos também mais com que nos entreter!

Turok: Dinosaur Hunter (Nintendo 64)

Um dos jogos que mais nostalgia me traz da Nintendo 64 é precisamente este primeiro Turok. Quando o jogo saiu por cá, ainda muito antes de eu sequer sonhar em comprar uma Nintendo 64, eu já era um fanático por FPS clássicos, perdendo muitas horas no meu PC a jogar títulos como Doom, Duke Nukem 3D ou Quake. E este era um FPS que me parecia muito bom, para além disso até tinha dinossauros, o que para mim era algo, na altura, bastante original. O meu exemplar foi comprado há vários anos atrás, algures em 2015 numa das minhas idas à Feira da Ladra em Lisboa. Custou-me 3€ se bem me recordo.

Jogo com caixa e manuais

Não fazia ideia, mas Turok tem as suas origens numa banda desenhada, cuja editora havia sido comprada pela própria Acclaim algures na década de 90. Então com esta nova franchise à sua guarda, fazia todo o sentido que se desenvolvesse algum videojogo. Para além dos títulos que a Gameboy e Gameboy Color receberam, a Nintendo 64 foi a plataforma de eleição para receber os jogos da saga principal naquela geração, se bem que o PC também chegou a receber algumas conversões. E a história remete-nos para uma tribo de nativo-americanos cuja possui um papel muito importante e ancestral: o de guardar a barreira que separa o nosso planeta e o mundo de Lost Land, um mundo fantástico repleto de criaturas como dinossauros, cyborgs ou outras criaturas reptilianas que há muito querem invadir o nosso planeta. Nós controlamos um índio dessa mesma tribo, que viaja para esse mundo de forma a impedir que o vilão Campaigner coloque as suas mãos no Chronoscepter, uma arma/artefacto mágico de poderes inimagináveis. Iremos então percorrer diversos cenários daquele mundo, como florestas, templos, ruínas ou mesmo enormes fortalezas high-tech, para coleccionar as peças que formam o Chronoscepter e defrontar os maus da fita que se atravessam no nosso caminho.

Inicialmente os inimigos não são muito perigosos

E este é então um FPS todo em 3D à maneira old school, com carradas de inimigos, um arsenal vasto e bastante variado entre si e power ups a rodos que nos restabelecem (ou extendem) a nossa barra de vida e armadura. Os controlos, infelizmente como devem calcular não são envelheceram bem. Por defeito, o analógico controla a câmara, enquanto os C-buttons controlam o nosso movimento, o que é o contrário do que estamos habituados hoje em dia. Para além disso, por defeito os movimentos da câmara no eixo Y estão invertidos, o que eu desactivo sempre. Os botões A e B servem para alternar entre as armas que temos ao dispor, o botão R para saltar e o gatilho Z para disparar. Sinceramente prefiro jogar isto num emulador com controlos customizados WASD + rato, que foi o que acabei por fazer.

Sim, teremos muitas plataformas para saltar

Não temos muitos níveis, são 8 ao todo, mas em compensação os mesmos são gigantes, com muitas áreas para explorar e passagens secretas para descobrir. No primeiro nível, depois de alguma exploração, encontramos uma zona cheia de portais. É aqui que poderemos entrar nos níveis seguintes, sendo que para isso precisaremos de encontrar um certo número de chaves que abram o portal para os níveis seguintes. Daí teremos de explorar os cenários muito bem, não só para procurar as tais peças do chronoscepter, cujo só finalizamos já perto do boss final. Para além de armas, munições e power ups genéricos que nos dão pontos de vida ou armadura, também vamos encontrar imensos triângulos espalhados pelos níveis. Estes, ao coleccionar 100 de cada vez, dão-nos uma vida extra. O progresso no jogo pode ser gravado em localizações próprias para o efeito, se bem que também vamos atravessando alguns checkpoints ocasionalmente, e é daí que recomeçamos o jogo caso percamos alguma vida.

Podemos gravar o nosso progresso nestes savepoints

A nível gráfico, este é um daqueles jogos que abusa bastante do efeito nevoeiro. Enquanto nos primeiros níveis, principalmente aqueles na selva, até parece algo natural, noutras alturas torna-se um bocado incómodo. Isto porque também temos uma forte componente de platforming e em certos sítios o nevoeiro exagerado não nos permite ver bem as plataforma ao longe, o que não ajuda nada. No emulador, com o poder do save state e controlos customizados para WASD+rato, até que não é um grande problema, já jogando no hardware real pode-se tornar um pouco frustrante. Mas este efeito nevoeiro é usado principalmente para facilitar no processamento dos polígonos à nossa frente e o Turok acaba por ser um FPS com uma boa estabilidade por causa disso. Os níveis vão sendo variados entre si, com cenários de selva, montanha, cavernas, templos gigantes, mas também enormes fortalezas mais high-tech. São gráficos geralmente bem detalhados, o que me acabou por surpreender pela positiva. As músicas, por outro lado são poucas e com pouca variedade e vida, resumindo-se a ritmos tribais e algumas melodias mais contidas. Parecem-me samples curtos, tornando as poucas músicas bastante repetitivas. Certamente uma limitação de hardware imposta pelo tamanho físico que um cartucho de Nintendo 64 aguenta, lembrando que este Turok é um jogo de primeira geração da Nintendo 64, os cartuchos de maior capacidade seriam certamente bem mais caros.

Teremos também alguns bosses para enfrentar

Portanto este Turok acabou por se revelar numa boa surpresa por ser um FPS bastante sólido. Os seus controlos não são os melhores hoje em dia, mas naquela altura ainda não tínhamos o standard nos controlos que temos actualmente. O facto de os níveis serem bastante grandes poderá no entanto ser um factor algo dissuasivo também. Para além da versão Nintendo 64 saiu também uma versão para os PC, cuja foi remasterizada em HD recentemente. Será certamente a melhor maneira de jogar o primeiro Turok nos dias que correm. Curioso em ver como a série evoluiu nos restantes títulos da Nintendo 64, uma vez que já terminei o Turok Evolution na Gamecube (jogo que espero um dia recuperar para a minha colecção) e o recente reboot de 2008.

Quake II (Nintendo 64)

Poucos meses antes do Quake II ter saído para a Playstation, numa conversão que achei excelente tendo em conta as limitações de hardware da máquina da Sony, quando a versão PC demonstrava o estado da arte em gráficos 3D, a versão Nintendo 64 foi também lançada. E tal como a versão Playstation, é também uma versão tecnicamente inferior à original, mas não deixa de ser impressionante pois usa muito bem as capacidades da Nintendo 64, principalmente se activarmos o Expansion Pack com a sua memória adicional. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu em Outubro do ano passado, tendo-me custado uns 5€ se bem me recordo.

Apenas cartucho

A história é idêntica ao original onde controlarmos um space marine na luta pela sobrevivência da raça humana, perante a ameaça dos Stroggs, uma avançada civilização alienígena. Alguns dos níveis são adaptados do original PC (e suas expansões), enquanto outros foram desenvolvidos especificamente para a Nintendo 64. No que diz respeito aos controlos, por defeito o jogo assume um esquema algo parecido aos habituais nos FPS de hoje em dia, com os botões C a servir para nos movermos e o analógico para controlar a câmara. É ao contrário do que temos hoje em dia, pelo que irá custar um pouco a desabituar velhos hábitos. De resto, o botão Z serve de gatilho, enquanto os A e B servem para alternar entre as armas disponíveis no inventário. Existem outros presets de controlo, mas em FPS deste género recomendo vivamente que usem o poder da emulação, isto porque existe um plugin de controlos muito interessante para o emulador Project 64, que permitem jogar este, e outros FPS com um esquema WASD+Rato, o que é bem mais agradável. De resto, para além da vertente singleplayer temos também o multiplayer, o que no caso desta versão Nintendo 64 resume-se a partidas em split screen com suporte até 4 jogadores em simultâneo, com variantes do deathmatch e capture the flag mas confesso que nunca cheguei a experimentar estes modos de jogo.

As texturas são óptimas para um jogo da Nintendo 64, embora longe da qualidade das originais de PC

No que diz respeito aos audiovisuais, esta é então uma adaptação que achei surpreendente. Os inimigos são modelos poligonais bem detalhados e os níveis, apesar de possuirem texturas de menor resolução como seria esperado numa Nintendo 64, estas são mais fieis ao original do que a versão Playstation, que por sua vez possui texturas melhores, com maior resolução, no entanto algo diferentes do original. De resto o jogo mantém-se num ritmo frenético tal como o original de PC e isso é o mais importante. Já no que diz respeito à música, enquanto as versões PC e PS1 possuíam uma banda sonora muito à base do heavy metal, o que se adequa perfeitamente ao ritmo de jogo e também à imagem dos seus cenários, esta versão Nintendo 64 traz uma banda sonora mais contida, com temas ambientais, um pouco como no primeiro Quake para o PC. Mas ali tínhamos uma banda sonora composta por Trent Reznor dos Nine Inch Nails, aqui a qualidade não é a mesma.

O jogo mantém o seu ritmo frenético e ultraviolento. Ainda bem que assim é!

No fim de contas, apesar de a versão PC ser largamente superior em todos os aspectos, devo dizer que fiquei agradavelmente surpreendido com as conversões que este clássico recebeu para as consolas da sua época. Tanto a versão Playstation como esta versão Nintendo 64 são FPS de óptima qualidade em ambas as plataformas, mantendo uma jogabilidade frenética, fluída e óptimos visuais tendo em conta as limitações de cada plataforma.