Sega Rally Championship (Sega Saturn)

“Sega Rally Championship! *VRRROOOM!!*” quem passou várias tardes da sua infância/adolescência a jogar isto certamente é a primeira coisa que lhe vem à cabeça quando se fala em Sega Rally. Lançado nas arcades em 1995 através do estúdio Sega AM5 (que continha membros da equipa original de Ridge Racer da Namco), e convertido para a Sega Saturn pela Sega AM3 (posteriormente Hitmaker – autores de jogos como Manx TT, Virtua Tennis e Crazy Taxi), Sega Rally demarca-se pelo pioneirismo de explorar diferentes comportamentos de condução para diferentes pisos. Isto aliado à vertente arcade altamente aliciante que os clássicos da Sega sempre tiveram. A minha cópia foi comprada no ano passado em 2010 no ebay. Já não me lembro quanto custou mas foi uma pechincha. Está completo e em bom estado.

Sega Rally Saturn
Caixa disco e manual multilingue

À semelhança dos jogos Arcade da época, bem como das suas conversões caseiras, Sega Rally é um jogo com poucas pistas e carros, mas ainda assim é o meu jogo de corridas preferido. Eu não sou um grande fã de jogos de simulação, para mim desporto motorizado tem que ter aquele feel arcade e a sensação de adrenalina que o mesmo transmite, e nisso a Sega é, ou pelo menos foi, mestre. Tanto na versão original arcade, como nesta conversão para Saturn, os carros comportam-se que é uma maravilha e os circuitos são fantásticos.

Deixando a versão arcade de lado e falando apenas na conversão para Saturn, somos introduzidos com 3 modos de jogo: Arcade, Time Attack e 2 Player Battle. Em Arcade, temos 2 sub-modos de jogo: Championship e Practice. Championship é uma adaptação do modo de jogo original. Temos 2 carros à escolha, um Toyota Celica e um Lancia Delta, ambos com a opção de mudanças automáticas ou manuais. Em seguida começamos o primeiro circuito na 15ª posição, e é uma corrida contra o relógio até ao final. O circuito seguinte começamos na posição em que acabamos o circuito anterior. Este modo de jogo tem 3 circuitos (Desert, Forest e Mountain), sendo que se chegarmos ao fim do circuito Mountain em primeiro lugar desbloqueamos um circuito extra de nome Lake Side. É o circuito mais difícil do jogo e, se o chegarmos ao fim desse mesmo circuito em primeiro lugar desbloqueamos um carro secreto, o Lancia Stratos, carro mais rápido do jogo.

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Quase a cortar a meta no Desert stage

O modo practice como o próprio nome indica permite escolher um qualquer circuito e simplesmente treinar. Avançando para o Time Attack, é um modo de jogo para quebrar recordes, podem ser definidas o número de voltas a fazer num determinado circuito ou simplesmente escolher o modo “free run” e corremos no mesmo circuito até nos fartarmos.

O modo 2 Player Battle é auto explanatório… acção frenética em split screen contra um amigo! Existe também umas opções especiais que permitem customizar ligeiramente o carro, escolhendo vários valores diferentes para pneus, suspensões, transmissão, etc. E sobre modos de jogo basicamente é isto. As conversões de jogos arcade naquela altura sempre foram um pouco pobres para adicionar conteúdo novo. Mais uma vez e à semelhança do Daytona USA, é possível jogar-se nos circuitos standard espelhados, usando um código especial. Isso na minha opinião até deveria ser opção normal do jogo.

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A desbravar no Forest Stage

Falando de outras andanças, a nivel gráfico é uma boa conversão da Arcade. O jogo original é baseado no hardware Sega Model 2 que por sua vez é mais poderoso que a Sega Saturn, pelo que as conversões nunca ficariam a 100%. Nota-se um downgrade na resolução, nos modelos dos carros e na falta de efeitos especiais, pelas razões que sempre falo quando analiso algum jogo de Saturn. Ainda assim, acho que a conversão é muito bem conseguida. Não há “pop in” dos cenários como em Daytona USA, a draw distance é razoavelmente grande, a acção é fluida e os gráficos são coloridos. O jogo é suficientemente rápido e a jogabilidade é brilhante. Nota-se realmente a diferença de comportamento nos carros em diferentes pavimentos, hoje em dia isso é trivial em qualquer jogo de corrida que se preze, mas em 1995, nem por isso. A jogabilidade é precisa e o D-Pad do comando da Saturn dá bem conta do recado.

A nível de som, tal como os outros clássicos arcade da Sega da época, a banda sonora é constituída por músicas mais rock ‘n roll e “up beat“, então a música logo do primeiro circuito, é para deixar o volume alto! Outro ponto interessante do jogo na época foi a inclusão das frases do co-piloto acerca da pista: “Easy right”, “medium left”, “very long easy right maybe”. Para não deixar de referir as falas quando se termina um circuito (“finiiiiish!!”) ou no ecrã de game over (“game over yeaaaah!”). Realmente, um clássico!

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Pista secreta e carro secreto

Sega Rally pouco tempo depois foi adaptado para o Windows 95, numa altura em que sairam vários jogos da Sega para o PC, foi um protocolo qualquer que a Sega teve com a Microsoft em lançar alguns dos seus jogos para Windows. Essa versão pelo que me lembro conta com melhores gráficos que a versão Saturn, mas o gameplay não é a mesma coisa (também na altura joguei com o teclado e foi há muito tempo). Quando saiu a Dreamcast também adaptaram o Sega Rally 2 da Arcade mas sinceramente só joguei 5 minutos desse jogo. Recentemente voltaram a pegar na franchise, tendo lançado mais uma série de jogos para os sistemas mais recentes, nunca sequer lhes peguei.

Sega Rally é um dos melhores jogos da Saturn e também um dos mais baratos e fáceis de encontrar por esses ebays fora. Acho que é um título obrigatório na colecção de qualquer possuidor de Sega Saturn, mesmo que não gostem de jogos de corrida. É Arcade em casa!

Final Fantasy Crystal Chronicles (Nintendo GameCube)

Para além da Nintendo e da Rareware, duas das empresas que mais importância tiveram no sucesso da Nintendo nas eras de 8-Bit e 16-Bit foram precisamente a Enix e a Squaresoft, cujas consolas da Nintendo eram as principais “clientes” de jogos como Final Fantasy e Dragon Quest. Com o lançamento da Nintendo 64 e a aposta da Nintendo em manter um formato de cartuchos ao invés de adoptar a tecnologia CD, que para além de introduzir loadings bem mais lentos, oferecia um muito maior espaço, custos muito inferiores de produção, o que permitiu às produtoras caprichar muito mais com a apresentação do jogo. Músicas com qualidade CD-Audio, CGs de animação de óptima qualidade, foram algumas coisas que a Nintendo 64 passou ao lado. Com esta decisão da Nintendo tanto a Square Soft como a Enix decidiram adoptar a Playstation como a plataforma principal para os seus produtos. Isto obviamente deixou muitos fãs da Nintendo desapontados, e com o sucesso de jogos como Final Fantasy VII realmente não há muito a dizer… A Enix ainda lançou um ou outro jogo secundário para a N64, enquanto que a Gameboy Color e Advance viram alguns jogos mais interessantes, já a Square Soft tinha cortado as relações com a Nintendo por completo. Em finais de 2002 a Square anuncia o regresso às consolas da BigN, com um jogo para a GameCube – Final Fantasy: Crystal Chronicles e 2 jogos para a GBA – Final Fantasy Tactics e Sword of Mana (remake do velhinho Final Fantasy Adventure para a GameBoy, como é conhecido nos EUA). Em 2003 o mundo “da jogatina” foi levado por uma notícia verdadeiramente surpreendente: A Enix tinha comprado a Square formando uma super empresa de nome Square-Enix. Os 2 grandes rivais dos JRPGs haviam juntado forças! Final Fantasy Crystal Chronicles foi um dos primeiros jogos a sair com o novo selo, em finais de 2003/2004 nos vários territórios.  A minha cópia foi comprada já não me lembro quando, sei que foi no Miau.pt, com um preço a rondar os 20€, salvo erro. Existiam 2 packs, um apenas com o jogo, um outro com o cabo de ligação à GBA. Adquiri a versão normal, já o cabo para GBA comprei-o junto de um certo The Legend of Zelda… mas isso fica para depois.

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Caixa e manual
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Disco e restante papelada

Final Fantasy Crystal Chronicles é um jogo muito especial. Em primeiro lugar, marca o início de uma nova franchise da série, até então exclusiva das consolas da Nintendo, em 2º lugar é um jogo que apresenta um modo de jogo inovador e o primeiro a utilizar a fundo a capacidade de utilizar a GameBoy Advance para servir de comando (com respectivos extras) em pleno jogo. Aqui não há batalhas de turno, não há experience points, FFCC é um RPG de acção (eu diria influenciado pela série Mana) com um fortíssimo enfoque na vertente multiplayer (apesar de ser perfeitamente possível jogá-lo inteiramente em single player). Também não há uma história épica e repleta de twists, como tem sido apanágio da série desde o FF IV, mas eu confesso que gosto bastante do “charme” que este jogo introduz na sua temática, locais e personagens. A trama de todos os jogos “Crystal Chronicles” decorre no mesmo mundo, com as mesmas raças de habitantes. Neste primeiro jogo, o planeta encontra-se envolto de um gás tóxico de nome Miasma, onde as aldeias se encontram protegidas através de um cristal que as envolve de um escudo protector de onde o Miasma não atravessa. Contudo o poder dos Cristais não são eternos e todos os anos é necessário procurar uma substância de uma flor muito peculiar – myrrh – de modo a restaurar a energia dos mesmos. Dessa forma, todos os anos são lançadas caravanas de várias aldeias a para procurar o tão valioso myrrh.

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World map - várias encruzilhadas

Neste universo existem portanto 4 diferentes raças: Clavats, uma raça em tudo semelhante à raça humana e são as personagens mais balanceadas no geral, tanto a nível físico como de magia. Os Lilties, ou como lhes chamo “cabeças de maçã”, são a raça mais pequena e ironicamente, a raça mais “agressiva”, são mestres no ataque físico, mas fracos nos ataques mágicos. Os Selkies também são uma raça semelhante à humana, com a distinção de serem mais primitivos (fazem lembrar os neandertais, pela sua roupagem). Geralmente são ladrões, sendo assim a raça mais ágil. Finalmente temos os Yukes, a raça intelectual, com bastante talento para as artes mágicas. Estão sempre cobertos de alto a baixo, com armaduras na sua cabeça, não se sabendo qual a sua aparência real. Existem várias aldeias com o seu povo característico, enquanto que existem outras com várias raças. Nós representaremos a pequena aldeia de Tipa, onde no início do jogo nos pedem para criar a nossa personagem, podendo escolher vários designs de entre as diferentes raças e sexo, um pouco à semelhança do que é habitual nos RPGs ocidentais. Também nos pedem para escolher a profissão de família, algo importante que falarei mais à frente.

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Artwork representando as várias raças

Após criarmos a caravana, somos incumbidos de iniciar uma expedição em busca de Myrrh, onde a família do nosso personagem se despede de nós. Após a saída, se voltarmos a Tipa para explorar a aldeia vemos que as restantes casas se encontram desertas. Na verdade podemos criar mais 7 personagens independentes, com famílias de profissões diferentes e caravanas diferentes, que apesar das próprias caravanas não se encontrarem, as famílias ajudam-se umas às outras, e enchendo assim o resto da aldeia. De resto a mecânica do jogo segue da seguinte forma: Levamos a caravana ao longo do mapa-mundo, visitando cidade e cruzando-nos com outras personagens e caravanas de outras aldeias ao longo do jogo, trocando ideias e memórias. As plantas de myrrh encontram-se em dungeons repletas de inimigos e com um boss final que tem de ser derrotado. O jogo vai decorrendo ao longo de vários anos e várias expedições até que é encontrada a verdadeira razão da existência do Miasma, mas isso não vos digo.

O combate é um pouco diferente consoante se o jogo é jogado em single player (com o comando de GC ou GBA) ou multiplayer (apenas com GBA). Em single player, apenas controlamos uma personagem com a ajuda de um moogle, os bichinhos felpudos introduzidos no Final Fantasy VI (acho eu) que são parte integrante deste universo também. A personagem viaja com um pote contendo o myrrh capturado e um pequeno cristal que o protege do Miasma. Se estivermos a jogar sozinhos, temos de carregar o balde e atacar. Não podendo fazer as 2 coisas ao mesmo tempo, geralmente delegamos o moogle para carregar o pote enquanto nós tratamos da batalha. Mas nem sempre dá, porque o pobre do bicho cansa-se se o carregar muito tempo. A nível de multiplayer, cada um controla uma personagem, não há moogle, sendo que forçosamente uma das pessoas terá de carregar o pote. Existe também uma série de puzzles, cuja solução pode ser através de magia, arraste de obejectos, etc. Esses puzzles apesar de não serem nada de especial, por vezes poderão ser um pouco irritantes de serem resolvidos quando se joga sozinho… Os ataques mágicos, são diferentes dos RPGs genéricos. Em cada dungeon vamos coleccionando diferentes “bolas de cristal” com o nome de Magicites. Apenas quando possuimos uma Magicite (e equipamo-la) é que teremos magia ao nosso dispor. Existem Magicites de vários elementos (fogo, gelo, electricidade, etc) que podem ser misturados de modo a originar vários outras magias mais poderosas. Saindo das dungeons, as magicites são perdidas. Nas dungeons também podemos encontrar vários materiais (ferro, bronze, mythril), equipamento ou até receitas, para além de alimentos e demais items restaurativos (esta palavra existe?). As receitas podem ser levadas a um ferreiro para que, com os respectivos materiais sejam construidas novas armas/escudos/armaduras. Também se pode comprar equipamento nas lojas de algumas cidades/aldeias, claro.

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Porrada contra um boss em multiplayer co-op

O post já vai longo, mas ainda há algumas coisas para falar. Relações familiares e profissões por exemplo. Ao longo do jogo os nossos familiares vão nos enviando cartas falando da sua vida na aldeia, dando notícias e tal. Nós temos a hipótese de responder, bem como enviar alguns presentes de volta (sejam items ou dinheiro). O objectivo é deixar a família toda contente, e isso tem vantagens. Quando os visitarmos eles oferecem-nos coisas, dão-nos descontos para produtos, etc. A nível de profissões existem 8. Ferreiros, que criam armaduras e armas; alfaiates, que criam acessórios; agricultores que criam cereais e posteriormente pão; criadores de gado, que nos fornecem carne e leite; millers, mais uma espécie de agricultores; pescadores que nos fornecem peixe; feirantes, que nos fornecem vários tipos de items, e finalmente os alquemistas, que desenvolvem novas “receitas” para armas ou acessórios. Manter boas relações com as nossas famílias (principalmente os ferreiros, alfaiates e alquemistas) acabam por resultar em obter as armas/armaduras/acessórios mais poderosas do jogo que de outra forma não seriam possíveis de obter.

A nível da conectividade com a Gameboy Advance, para além de ver o mapa no ecrã da portátil, podemos ver também outras informações relativas ao jogo, como por exemplo o HP actual dos monstros que vamos defrontando.

A nível gráfico, Final Fantasy Crystal Chronicles é, na minha opinião, um dos jogos mais belos da Nintendo GameCube. O artwork é fantástico e transmite um charme que na minha opinião ainda nenhum dos outros jogos da série conseguiu transmitir (excepto talvez os 2 Wiiwares). Gosto mesmo muito do carisma das personagens, dos cenários coloridos e detalhados, da arquitectura das casas, veículos, etc. A nível de som também é muito bem conseguido, estando repleto de músicas folk que assentam que nem uma luva ao conceito do jogo.

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Encontro aleatório com alguém numa encruzilhada, curiosamente das coisas que mais gostei neste jogo

Ainda não joguei os restantes Crystal Chronicles da Wii, apenas joguei os da DS. Esses jogos ganham em história (mais épica) mas na minha opinião não têm o charme do jogo original. Acredito que muita gente não tenha gostado deste título visto ser algo tão diferente do que a Square Enix costumava fazer, mas para mim resultou em cheio. Mesmo que não tenham 3 amigos com uma GBA e respectivo cabo, é um jogo que se joga bem sozinho e tem um universo belíssimo a ser descoberto. É na minha opinião um jogo fantástico e um dos melhores que a Nintendo GameCube pode oferecer.

Psycho Fox (Sega Master System)

Em primeiro lugar, peço desculpa pela demora em postar novas entradas, mas a vida académica e pessoal têm-me tirado algum tempo para vir aqui. Contudo nem todos os posts do GreenHillsZone serão extensos, na verdade tenho vários jogos que por não serem propriamente grandes “hits”, também não têm muito que se lhes diga. O caso de hoje é quase assim.

Desde o lançamento de Super Mario Bros. para a Nintendo Entertainment System em 1985, até à segunda metade dos anos 90, os jogos de plataformas 2D estavam em alta. Para competir com Mario, a Sega só conseguiu rivalizar com o canalizador em 1991 com o lançamento de Sonic the Hedgehog. Antes disso foram feitas várias tentativas com as personagens Alex Kidd e Wonder Boy (este último através da WestOne). Uma outra dessas tentativas foi o jogo Psycho Fox. A minha cópia do jogo foi comprada salvo erro, no miau.pt no ano passado. Infelizmente não traz manual.

Caixa e cartucho

Psycho Fox é um jogo de plataformas lançado exclusivamente para a Sega Master System no ido ano de 1989, publicado pela Sega, mas desenvolvido pelo estúdio japonês Vic Tokai. Super Mario Bros ficou famosíssimo pela sua óptima jogabilidade e pela física interessante com conceitos de inércia que eram algo revolucionários para a sua altura. Psycho Fox pega nesse conceito e eleva-o ao extremo. Aqui a movimentação joga muito com acelerações, momentos lineares, e inércia. Passo a explicar: Se Fox está parado, ou a mover-se lentamente, e queremos dar um pequeno salto, Fox irá dar um pequeníssimo salto devido à sua pouca velocidade e aceleração. Consoante Fox acelera, consegue dar saltos cada vez maiores, se bem que na hora de travar ganhe mais inércia e seja complicado fazê-lo em segurança. Escrevendo é um pouco complicado, o melhor é mesmo experimentar. Acreditem que é uma jogabilidade bastante chata e que requer muito treino. E o facto de o contacto com os inimigos ser “1 hit kills“, tal como a maioria dos jogos dos anos 80, ainda piora mais as coisas. Eu pessoalmente não gosto… os jogos de plataformas são dos géneros de jogos que mais requerem uma jogabilidade precisa e “agradável”. Mas não deixa de ser um desafio.

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Não pares!

A nível de história, não tem muito que se lhe diga, Fox tenta salvar a sua terra do vilão Madfox Daimyojin, que está a usar as suas criaturas malignas para conquistar o planeta. Algo perfeitamente banal em jogos deste tipo, mas nos anos 80 não se poderia pedir muito mais de um platformer. O jogo é dividido em 7 áreas, cada uma com 3 níveis diferentes, sendo que um boss é encontrado a cada terceiro nível. Os níveis apresentam vários caminhos alternativos entre outros segredos como warps para outros níveis (algo que também se viu em Super Mario Bros.), bem como vários items espalhados dentro de ovos.

De entre os items encontramos um pássaro que Fox carrega e atira contra os inimigos, dinheiro, poções de invencibilidade, bombas e um item de nome “Psycho Stick”. Este último permite transformar Fox noutros animais com diferentes habilidades, de entre os quais um hipopótamo, macaco e tigre. Essas diferentes habilidades permitem alcançar algumas porções de níveis que seriam inacessíveis de outra forma. A nível gráfico, tirando o ecrã de título com aquela cor rosa que é um pouco irritante, os gráficos estão agradáveis e coloridos, tendo em conta que é um jogo de Master System e da década de 80. A nível de som também nada a apontar, algumas músicas memoráveis, mas que pediriam um hardware melhor.

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Ecrã título

Vic Tokai ainda lançou mais 2 jogos com uma jogabilidade semelhante: Kool Kid para NES e Decap-Attack para Mega Drive. Quanto a Psycho Fox, apesar da jogabilidade estranha e ultrapassada, não deixa de ser um jogo de culto por parte dos coleccionadores de Master System, se o virem a um bom preço, porque não levar?

Micro Machines (Sega Master System)

Não deixa de ser curioso ver o percurso que as várias produtoras foram tomando ao longo dos anos. A Codemasters, juntamente com a Rare/Ultimate e Psygnosis foi uma das minhas companhias europeias preferidas dos anos 90. Tendo começado o seu percurso nos anos 80 a desenvolver jogos “low budget” para o mercado dos computadores de mesa ZX Spectrum, Commodore 64, Amiga, entre outros, desde cedo se notaram pela qualidade dos seus títulos como por exemplo a série Dizzy. Nos anos 90 focaram-se nas consolas tendo lançado jogos de vários estilos, desde platformers, corrida, aventura, etc. Foram também reconhecidos pelas suas experiências em hardware, tendo lançado jogos para consolas em formato diferente do oficial (como o J-Cart da Mega Drive), bem como serem os inventores do infame Game Genie original da NES. Mais tarde focaram os seus talentos para desenvolver jogos de corrida de elevada qualidade, e assim permaneceram até hoje. O jogo a analisar hoje é a versão Sega Master System do primeiro jogo da série Micro Machines. A minha cópia chegou-me às mãos de parte incerta, certamente terá sido oferecida por algum amigo meu nos anos 90, sendo que lhe falta o manual.

Micro Machines SMS
Caixa e cartucho

O pessoal da minha faixa etária que esteja a ler este post e seja português muito provavelmente recorda-se deste jogo na sua versão Mega Drive, mas na verdade o original pertence à consola 8bit da Nintendo – NES, lançado em 1991. As versões para as consolas da Sega sairam em 1993 para Mega Drive, Master System e Game Gear, bem como uma versão para SNES e Game Boy mais tarde em 1994 e 1995. A versão Mega Drive é uma conversão melhorada em todos os quesitos, embora as versões Master System e Game Gear (que são semelhantes) apesar do boost gráfico não herdaram todos os veículos e pistas do original da NES, embora estejam presentes na versão Mega Drive. Porque não o fizeram? Certamente não terá sido por incapacidade técnica, talvez deadlines? O veículo que falta aqui são os helicópteros e consequentemente faltam as suas pistas. Micro Machines de NES e Mega Drive têm no total 25 pistas + 3 bónus, enquanto que as versões Sega 8Bit possuem apenas 22+3.

Ora, mas o que são mesmo os Micro Machines? São carrinhos de brincar em miniatura, bastante populares durante os primeiros tempos dos anos 90 entre a criançada. Este é um jogo de corrida com vista aérea (top view) entre 4 veículos nas mais variadíssimas pistas. Basicamente recriam-se todas as nossas brincadeiras de criança, onde pegamos nos carrinhos e fazíamos corridas imaginárias na mesa da cozinha, na secretária da escola, basicamente em qualquer sítio! Micro Machines segue a mesma filosofia, embora separando cada tipo de terreno para um veículo especial. Carros desportivos nas secretárias de estudo, jipes nas mesas de cozinha, buggies na areia, barcos na banheira, etc.

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Ecrã inicial

A nível de modos de jogo, existe o Challenge Mode e o Head-to-Head. Em Challenge Mode, o jogo é algo como um modo de campeonato, em que jogamos os 22 circuitos e somos obrigados a terminar pelo menos no 2º lugar para avançar para o circuito seguinte. Ao terminar em primeiro lugar 3 circuitos seguidos temos direito a um circuito bónus de “time trial”, onde temos de conduzir um “monster truck” ao longo de vários obstáculos ao longo de um jardim. O modo Head-to-Head pode ser jogado contra o computador ou contra um amigo e consiste no seguinte: cada jogador escolhe uma personagem e os circuitos são jogados na mesma ordem do Challenge Mode. Cada jogador começa com 4 pontos, e o objectivo é avançar na corrida de modo a deixar o oponente para trás do ecrã (a câmara segue sempre o “líder”). Cada vez que isso acontece é retirado um ponto a quem se atrasou e atribuído esse ponto ao outro jogador. A corrida termina ao fim de 3 voltas e vence quem tem mais pontos ou então, no caso de a pontuação chegar a 8-0 no decorrer da corrida, a mesma é terminada prematuramente.

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A corrrer durante o pequeno almoço

A nível técnico, o jogo está muito bonito com cores vivas, é bastante agradável de se jogar ainda nos dias de hoje. A nível de som, já sabemos que a Master System é fraca nesse quesito, mas eu até que me habituei às músicas e aos efeitos sonoros no geral. A jogabilidade é fantástica, na minha opinião, isso sempre foi o que caracterizou a série nos jogos clássicos e a versão Master System não fica nada atrás. Pelo que podem ver na fotografia da minha cópia do jogo, o cartucho é completamente diferente dos restantes da Master System, é arredondado e com artwork, bem mais bonito que os habituais. Que eu tenha conhecimento, os outros jogos da Codemasters para a Master System possuem cartuchos iguais a este, e também pelo que tenho conhecimento, uma boa parte dos jogos da Codemasters para a Mega Drive e NES (senão todos) também têm cartuchos algo diferentes (incluindo o J-Cart para a Mega Drive). No caso da Master System o cartucho não é apenas diferente por fora, mas a própria composição da ROM também o é. A memória encontra-se mapeada de uma maneira diferente de todos os outros jogos oficiais da Sega para a consola. Porquê? Reza a lenda que quando a Codemasters começou a fazer jogos para a Master System fizeram-no sem ainda ter qualquer Kit de desenvolvimento, tiveram de aprender tudo por engenharia reversa. Curiosamente, os jogos da Codemasters são os únicos que correm numa resolução de 256×224 invés da resolução normal de 256×192. O problema é que nem todas as Master System suportam esta resolução maior, devido à mesma só ser possível fazer no chip gráfico VDP2, apenas disponível a partir dos últimos modelos da Master System 1.

Micro Machines para a Master System não é propriamente um jogo fácil de se encontrar, mas é absolutamente recomendado pela sua jogabilidade viciante. Apesar de existirem diferenças na “física” de condução para as diferentes versões NES, SNES, GB, MS, GG, MD, etc, na sua essência o jogo é o mesmo. Se sentem a falta dos helicópteros então sempre recomendaria a versão Mega Drive ou SNES pois são as que oferecem mais detalhe gráfico. Contudo a versão Master System não deixa de ser uma óptima conversão.

Starfox Adventures (Nintendo GameCube)

coverInicialmente pensado como Dinosaur Planet, Starfox Adventures é um ponto de viragem na série, bem como demarca a despedida da Rare como 2nd party da Nintendo. A minha cópia foi comprada na Worten do Marco de Canavezes, já não me recordo do ano, talvez 2004? Sei que foi numa altura em que eles estavam a limpar o stock de jogos GameCube, um primo meu vive lá e avisou-me. Meti-me num comboio e trouxe este jogo novo a 10€, juntamente do Super Smash Bros. Melee e do Super Mario Sunshine ao mesmo preço. Pena que não tinha mais dinheiro na altura, ainda deixei lá ficar o Luigi’s Mansion que também me interessava (e até hoje ainda não o comprei).

Starfox Adventures
Jogo, manuais e disco

Starfox Adventures começou o seu ciclo de desenvolvimento ainda na Nintendo 64, com o nome de Dinosaur Planet. A Rare, para além da própria Nintendo, era o estúdio que practicamente mantinha a plataforma viva, e inclusivamente com o lançamento de jogos como Perfect Dark ou Conker’s Bad Fur Day, conseguiram ficar à frente de vendas de consolas bem mais potentes como a Sega Dreamcast. Dinosaur Planet era um jogo de aventura com várias personagens incluindo as raposas Sabre e Krystal (a última veio a fazer parte do jogo). Como Sabre tinha várias parecenças com Fox McCloud da franchise da Nintendo StarFox, a Nintendo começou a pressionar o estúdio britânico para tornar Dinosaur Planet num jogo do universo StarFox. Com esta mudança, e o facto de a Nintendo 64 estar a chegar ao fim do seu ciclo de vida, Dinosaur Planet foi então movido para a GameCube com o nome de Starfox Adventures: Dinosaur Planet. Eventualmente o nome Dinosaur Planet acabou por cair mesmo. Dizem as más línguas que foi o facto de a Nintendo ter metido o bedelho no design do jogo da Rare que os levou a ficarem descontentes com a Nintendo, tendo a Rare acabado por ser comprada pela rival Microsoft. Para os fãs de Nintendo como eu, foi um duro golpe. Na altura estavam anunciados vários outros jogos para a GameCube incluindo Donkey Kong Racing, Perfect Dark Zero e Kameo. Estes 2 últimos acabaram por sair para a XBox 360.

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Sabre, em Dinosaur Planet para Nintendo 64

Starfox Adventures como o próprio nome indica é um jogo de aventura. Para quem conhece a série e estava à espera de um shooter 3D, desengana-se. Este jogo é um “clone” de The Legend of Zelda, embora existam alguns níveis intermédios em que conduzimos a Arwing de Fox durante a viagem de um “planeta” para o outro, em que os elementos clássicos da série estão presentes. Fora isso, a mecânica do jogo é semelhante a um “The Legend of Zelda”, como foi referido acima. Fox ganha uma vara mágica para combate corpo-a-corpo, ao invés da espada de Link. O botão A serve para funções principais, seja ataque, como para ataque, o botão B para “largar” algo, e um outro botão para atribuir ao uso de um item. Outra mecânica herdada de Zelda é o “Z-Targeting” embora seja feito automaticamente à medida que nos aproximemos de algum inimigo. Em Starfox Adventures também existem as transições de noite para dia. Existem também uma série de dungeons com bastante exploração, puzzles e um imponente boss final para cada uma.

A história segue mais ou menos isto: Uma raposa azul de nome Krystal segue em rumo ao dinosaur planet (de nome Sauria) para tentar desvendar o mistério do assassinato dos seus pais e destruição do seu planeta nativo. Já quase no seu destino, Krystal é atacada pelo General Scales e seu exército, onde perde a sua vara mágica e mais à frente acaba por ficar aprisionada num templo. Em seguida a acção remete para o Fox McCloud e sua equipa, que recebe uma missão de ir investigar estranhos acontecimentos que estão a acontecer em Sauria, cujo planeta está a desfazer-se todo. Na verdade Fox chega lá e encontra o planeta dividido em vários continentes pelo espaço fora. Fox encontra também a vara mágica de Krystal que passa a ser a sua arma durante o jogo. Várias raças de dinossauros existem em Sauria e logo no início Fox estabelece contacto com a rainha da tribo “EarthWalker” – formada por uma raça de triceratops, que põe Fox ao corrente do que se está a passar e autoriza o seu filho Tricky a participar na aventura. Esta é uma outra mecânica interessante do jogo: Tricky ajuda Fox em várias partes do jogo, seja para pressionar botões para abrir portas, desobstruir caminhos, etc. Fox terá então de derrotar o General Scales que se encontra a aterrorizar todo o planeta, viajar aos outros continentes na busca de 4 “spellstones” para voltar a unir o planeta e, finalmente, salvar Krystal.

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Batalha contra grunts do exército Sharpclaw

Graficamente para um jogo de 2002 da GameCube, pode-se afirmar que é fenomenal. Cores vivas, óptimos efeitos de água, modelos bem detalhados, mas o que realmente impressionou na altura foram as técnicas de “Fur Shading” aplicadas em Fox McCloud, o movimento de Fox e a reação dos seus pelos ao vento e água dava uma maior sensação de realismo. A nível de som, também está um bom trabalho. Inicialmente as personagens de Sauria falam num dialecto local, embora legendado em inglês. Posteriormente passam a falar inglês com o belo do sotaque britânico que eu tanto aprecio.

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Exemplo de utilização de fur shading no modelo de Fox

A nível de pontos negativos, eu já não jogo este jogo à bastante tempo, mas pelo que me recordo não o achei muito difícil (excepto o último boss), nem muito comprido, pois tem poucas dungeons a explorar. Mas sem dúvida o que afastou muita gente deste jogo foi o facto de o mesmo marcar uma mudança muito grande na jogabilidade da série. Quando falamos de StarFox vem logo à cabeça o combate frenético de StarFox64, ou da sua versão SNES, e isso aqui não acontece. StarFox Adventures é também um daqueles exemplos que eu chamo de “tesão de mijo”, tendo vendido 200 000 unidades na semana inicial no Japão, e pouco depois as vendas baixaram bastante. O meu veredicto final é: se têm uma GameCube ou Wii e gostam de Zelda, então comprem este jogo sem medo, mas joguem-no sem pensar que é um StarFox. Eu gostei bastante deste jogo e é um dos jogos de maior qualidade do catálogo da GameCube, na minha opinião.