Virtua Fighter 2 (Sega Saturn)

VF 2Tempo agora de analisar um dos mais famosos jogos de luta 3D de sempre. Lançado originalmente para as Arcades Model 2 no ano de 1994, Virtua Fighter 2 apresentava imensas melhorias face à sua sequela pioneira. Em 1995 foi convertido para a Sega Saturn, tendo sido uma das conversões arcade mais fiéis para a consola, tendo sido também o jogo de Saturn mais vendido. A minha cópia foi adquirida no ebay no ano passado, tendo-me custado algo em torno dos 4€ e está em óptimo estado.

Virtua Fighter 2 Saturn
Jogo completo com caixa e manual europeu

Se leram o meu artigo sobre o Virtua Fighter 1 para Saturn, sabem que o lançamento desse jogo para esta plataforma foi bastante atabalhoado, resultando num produto final ainda algo inacabado. Essas falhas notavam-se principalmente na parte gráfica, com gráficos muito inferiores aos da versão Arcade e repletos de bugs. A jogabilidade apesar de não ser má também não era muito fluida. A Sega resolveu muitos desses problemas ao lançar uma versão Remix do jogo mais tarde. Agora com Virtua Fighter 2, a Sega aprendeu a lição e conseguiram fazer um excelente trabalho. Concebido inicialmente para a placa Sega Model 2 (muito mais poderosa que a Sega Saturn ou qualquer outra consola no mercado na altura), Virtua Fighter 2 primava por ter excelentes gráficos 3D a correr em 60fps lisinhos, bem como uma jogabilidade melhorada (mais complexa). Ao fazer-se a conversão para a Saturn é natural que alguns sacrifícios tiveram de ser feitos. Os lutadores têm menos polígonos e os cenários são menos detalhados, uma diferença grande reside nas imagens de fundo das arenas. Enquanto que na Saturn as imagens de fundo são estáticas (embora sejam modelos 3D na mesma), na versão Arcade os modelos 3D de fundo “movem-se” de acordo com a câmara. A Saturn também perdeu as sombras “reais” dos lutadores, sendo substituídas por apenas círculos. Mas ainda assim, visto o hardware da Model 2 ser tão avançado para a altura, a conversão Saturn é excelente. Os gráficos continuam óptimos, a acção continua a 60fps sem falhas e é um dos poucos jogos que correm na mais alta resolução disponível na Saturn (720×525), resolução essa que a PS1 não consegue correr. Virtua Fighter 2 para a Saturn foi um autêntico murro no estômago para quem dizia que a Saturn era muito fraquinha para correr jogos 3D. Sim, foi uma consola extremamente difícil de se programar, mas nas mãos certas milagres destes aconteciam.

screenshot
Ecrã título, simples mas eficaz!

O conceito de Virtua Fighter 2 é semelhante ao original. De acordo com o manual quem venceu o torneio anterior foi Lau Chan, e um ano depois é tempo de organizar um novo torneio. Foram enviados 10 convites, sendo que os concorrentes deste ano são os mesmos 8 anteriores mais 2 estreantes: Shun-Di, um lutador já muito experiente, mestre do famoso “Drunken Kung-Fu”, e o jovem Lion Rafale, proveniente de uma família rica francesa, porém com um background sinistro, que quer lutar pela sua liberdade. Claro que como na maior parte de jogos de luta deste tipo há sempre uma história por detrás com uma conspiração qualquer de um sindicato criminoso, mas sinceramente eu nem quero saber, interessa é a porrada! A única história desse tipo que até agora me interessou foi a Saga Orochi, dos primeiros King of Fighters. O gameplay é semelhante a Virtua Fighter 1, com a adição de muitos movimentos novos para cada lutador. A nível de novidades temos o facto de o jogador poder-se desviar dos golpes adversários, bem como atribuir combinações de golpes aos botões X,Y,Z (os botões A B C mantêm-se para ataques básicos).

screenshot
Ecrã de selecção das personagens...

Virtua Fighter 2 apresenta também vários modos de jogo, que o expandem para além da versão Arcade. Temos naturalmente a versão Arcade que consiste numa série de lutas pré-determinadas até vencermos a lutadora de bónus Dural. Temos o VS Mode que é o modo de jogo multiplayer para 2 jogadores, Ranking Mode que é uma variante do modo Arcade mas o jogo vai registando estatísticas da performance do jogador. Existe também um modo de jogo bastante original na altura, o Expert Mode que é novamente uma variante do modo arcade, mas bastante mais inteligente. A IA vai-se apercebendo do método de jogo que utilizamos, contrariando-o da melhor forma, obrigando o jogador a mudar constantemente de estratégia. É sem dúvida um bom desafio. Temos também o Team Battle Mode, que consiste num torneio de 2 equipas de 5 jogadores, podendo ser P1xCPU, P1xP2 ou CPUxCPU. Finalmente temos o Watch Mode que como o nome indica, limitamo-nos a observar lutas realizadas entre o CPU. Depois nas opções temos várias coisinhas para alterar, desde a barra de energia, tempo, número de rounds necessários, entre outras coisas mais originais como escolher se queremos ouvir as músicas originais da versão arcade ou as novas da versão Saturn, bem como escolher qual a jogabilidade se a versão 2.0 ou versão 2.1 das Arcades (rebalanceamento dos lutadores, alteração de alguns golpes, etc). Ainda assim, mais lá para a frente após finalizar o modo arcade temos também disponível um novo ecrã de opções secreto que permite, entre outras coisas, regular o tamanho da arena de jogo.

A nível de som… bem, eu já disse aqui que sempre gostei das bandas sonoras dos jogos “arcade” da Sega desta época… Daytona USA, Sega Rally tinham grandes músicas e Virtua Fighter 2 não é excepção. A banda sonora anda sempre pelo rock, com umas incursões por música oriental pelo meio. Good stuff! Os efeitos sonoros também sempre me agradaram, não sei porquê, talvez mesmo pelo sentido de nostalgia.

Screenshot
Porrada na "casa" de Kage-Maru

Finalizando, na minha opinião Virtua Fighter 2 é pura e simplesmente o melhor jogo de luta 3D da geração 32bit, e é um jogo obrigatório para todos os que têm Saturn. O jogo é muito comum, não é difícil de o comprar a preços bem baratos e em bom estado. Existe também uma boa conversão da Sega para PC (Windows 95) que também não é difícil de a encontrar por aí. O jogo foi também re-imaginado para a PS2 no Japão, parte da colecção Sega Ages e pelo que tenho visto é pior (!!!) do que o original. Saiu também para a Mega Drive, mas devido às limitações de hardware da consola foi convertido num jogo de luta 2D (bastante bonito, por sinal) e contém apenas os 8 lutadores de Virtua Fighter 1.

Red Faction II (Sony Playstation 2)

red faction2Estive uns dias ausente, pelo que os updates aqui ao tasco têm ficado pendentes. No seguimento do post anterior trago aqui a sequela de Red Faction, um jogo muito diferente do seu predecessor, onde melhoraram em vários aspectos, embora num ou noutro nem tanto. A minha cópia foi comprada na loja portuense TVGames há um ou outro mês atrás, tendo-me custado sensivelmente 4€. O jogo está completo e em boas condições.

Red Faction 2 PS2
Jogo completo com caixa e manual

Longe estão os túneis monótonos das minas em Marte (embora ainda haja um ou outro cenário mais claustrofóbico), e as referências a Red Faction 1 são mínimas. Quem jogou o original, descobriu as experiências genéticas com recurso a nanotecnologia que eram feitas em seres humanos. Acontece que no final do primeiro jogo essa tecnologia foi roubada e trazida para a Terra, mais precisamente para Commonwealth, um império liderado pelo tirano ditador Sopot. O ditador usou essa tecnologia para criar um exército de super-guerreiros, modificados tecnologicamente de modo a ficarem mais fortes, ágeis e inteligentes. Posteriormente Sopot arrependeu-se do que criou pois temia que os soldados se voltassem contra ele e ursupassem o seu poder. Sendo assim, ordenou à sua guarda de elite que os assassinassem, sendo que deste massacre 6 guerreiros sobreviveram. Liderados por Molov, os 6 guerreiros juntam-se ao movimento rebelde Red Faction e formam um esquadrão especial, com o objectivo de assassinar Sopot e por um fim à sua tirania. O jogador encarna o papel de Alias, um dos 6 guerreiros, especialista em demolições (explosivos, vá).

Enquanto que o jogo original era muito inspirado em Half-Life, sem níveis/mapas, mas sim um gigantesco mapa separado por várias áreas, aqui as coisas são um pouco mais tradicionais. Apesar de os vários níveis terem alguma sequência lógica, e a sua transição se faça de forma “suave” (por intermédio de um ecrã de loading), os níveis são lineares e a partir de um determinado nível não é possível regressar ao anterior. Contudo, através do menu principal temos a liberdade de re-jogar qualquer dos níveis que tenhamos desbloqueados, podendo inclusive escolher qual o checkpoint onde começar. A estrutura dos níveis também é bastante variada, principalmente tendo em conta a monotonia que se fazia sentir nas minas de Marte. Aqui os cenários são maioritariamente urbanos (mas futuristas e em clima de guerra), com incursões por esgotos, pontes, túneis de metro, igrejas, bases militares e laboratórios. Red Faction também foi bastante conhecido pela sua tecnologia “Geo-Mod” que permitia a modificação dinâmica do meio ambiente através de armas explosivas. Essa funcionalidade voltou, e embora não seja possível escavar túneis enormes como nas minas de Marte, a verdade é que esta tecnologia está presente no jogo todo, ao invés de estar presente mais no início, como aconteceu na prequela. Em Red Faction 2 existem imensas paredes de menor espessura que podem ser inteiramente destruídas, bem como equipamentos electrónicos, mobília, etc. É frequente em batalhas mais intensas ver estilhaços pelo ar do cenário que vai sendo destruído. Contudo nem todos os materiais podem ser destruídos o que até se compreende, pois estragaria a linearidade e os scripts existentes nos vários níveis.

screenshot
Apesar de estarem melhor que em Red Faction 1, os modelos ainda poderiam ser mais trabalhados

Também como Red Faction existem veículos que podemos manobrar. Tanques de guerra, naves, submarinos e mechas podem ser utilizados, embora apenas no submarino o no “mecha” temos controlo absoluto do que estamos a fazer, nos restantes veículos o jogo torna-se “on rails”, pois os mesmos são manobrados por Shrike (o especialista em veículos do esquadrão) sendo que nós apenas tomamos conta das armas. Falando em armas, Red Faction 2 possui um imenso arsenal. São 14 armas no total, sendo que 3 delas podem ser utilizadas aos pares e a maioria possui 2 modos de disparo. Desde pistolas, várias metralhadoras, snipers, lança granadas, armas que misturam várias coisas, há de facto muita coisa a escolher. Algumas favoritas da prequela estão de volta, como a extremamente útil Railgun. Esta arma tem um visor raio-x que permite ver através das paredes e descobrir os inimigos. O seu disparo atravessa paredes e pode matar vários inimigos num único disparo, se os mesmos estiverem em fila. Para além desta grande variedade de armas, existem também 4 tipos diferentes de granadas que podem ser usadas independentemente. E o cúmulo disto tudo é que a personagem pode carregar toda esta catrafada de armas ao mesmo tempo, tornando a sua troca num momento quente de batalha algo desajeitada. Uma outra “inovação” trazida por Red Faction 2 é a questão do heroísmo. Se matarmos civis inocentes ou colegas da Red Faction, são-nos retirados pontos de heroísmo. Ao concluir objectivos de bónus escondidos ao longo dos níveis são-nos dados pontos de heroísmo. Este balanço é ligeiramente importante para determinar o final do jogo, onde podemos ser recebidos como heróis ou como assassinos.

Screenshot
Visor especial da Railgun, que permite localizar inimigos através de paredes

A nível gráfico houve uma boa evolução por parte da Volition. Temos de ter em conta que isto ainda é um jogo de 2002, não tem os mesmos gráficos de um Black ou Killzone, por exemplo. No entanto melhoraram imenso nas texturas ao apresentarem cenários bem mais variados que anteriormente. Existem também vários efeitos de partículas a voarem pelo ar enquanto as coisas são destruídas que, apesar de não serem tão bons como no Black já são agradáveis e algo inovadores para a época. Os modelos também apresentam mais polígonos e detalhe, em especial os inimigos. Gostei bastante dos efeitos eléctricos que aparecem nalguns níveis. Passando para o som, bem aqui é que já não gostei nada. Enquanto que os efeitos sonoros são competentes (não prestei atenção à música), as vozes são do mais irritante que há. Principalmente a voz do ditador Sopot, que está CONSTANTEMENTE a debitar propaganda política. O pior é que tal propaganda não se ouve apenas no jogo em si, mas também nos menus! Grande ideia, Volition.

Red Faction 2 apresenta também um modo multiplayer que é bem mais completo que o original. Permite acção em split screen até 4 jogadores, numa gama de 40 mapas diferentes. Os modos de jogo possuem as habituais variações de Deathmatch e Capture the Flag, bem como alguns modos de jogo diferentes como o “Regime”, onde um jogador assume o papel de Ditador, e todos os outros têm como objectivo eliminá-lo. Existe também uma liberdade considerável na customização das partidas multiplayer, limitando as armas possíveis de serem utilizadas, os powerups, a inteligência artificial dos bots, entre outros.

screenshot
Conduzir um mecha nunca foi tão divertido

Antes de finalizar, que o post já vai um pouco longo, há que louvar o conteúdo desbloqueável incluído em Red Faction 2. Ao completar os níveis nos vários graus de dificuldade e completar os objectivos de bónus vamos desbloqueando várias coisas no jogo. Desde batotas que poderemos utilizar como munições infinitas, passando por artworks, modelos das armas e das personagens, bem como alguns vídeos, incluindo o Making Of e uma pseudo-entrevista bem humorada às personagens de Summoner 2 (também da Volition e THQ). Isto é altamente convidativo a voltar a jogar o modo single player, de forma a descobrir tudo o que os níveis têm para oferecer, porque de outra forma o jogo completa-se algo rapidamente.

Red Faction (Sony Playstation 2)

Red FactionDesde que joguei o Doom e o Duke Nukem 3D algures na década de 90, os jogos First Person Shooter tornaram-se um dos meus géneros preferidos. Ultimamente como tenho tido algum tempo para jogar tenho apostado em vários FPS que possuo para a minha ainda recente PS2. O jogo que trago hoje finalizei-o hoje mesmo, foi comprado no ebay uk por cerca de 3€ e o único problema que tem é ter o dvd escrito com uma série de números. Algum idiota, infelizmente.

Red Faction PS2
Jogo completo com caixa e manual inglês

Red Faction é um jogo da Volition Inc, tendo sido lançado ainda no primeiro ano de vida da PS2 (embora também existam versões para PC e Mac). Conta a históra da tirania de uma empresa mineira chamada Ultor Corporation, localizada em Marte. Ultor explora os seus mineiros em regime de escravidão, forçando-os a trabalhar em condições miseráveis, sujeitos a maus tratos por parte dos guardas e para piorar as coisas subitamente surgiu um vírus “The Plague” que mata dezenas de trabalhadores, sem que os médicos descubram razão ou cura para isso. Tais condições extremas fazem com que se juntem alguns trabalhadores revoltados, formando o movimento Red Faction onde, liderados por uma jovem de alcunha EOS, conspiram a melhor maneira de se revoltarem. Durante meses foram adquirindo secretamente armas roubadas aos guardas, bem como alistar vários trabalhadores para a sua causa. Este jogo põe-nos na pele de Parker, um jovem filho de pais ricos que, para fugir ao nível de exigência que os seus pais esperam dele, decide ir trabalhar para as minas de Ultor como um escape à sua realidade. Claro que ao chegar lá foi sujeito aos trabalhos forçados como todos os outros. O jogo começa com Parker numa mina a assistir ao assassínio de um colega de trabalho por parte de um guarda. Isto deixa-o sem alternativa, é matar ou morrer e este acontecimento marca o início da revolução da Red Faction.

screenshot
Usar portas? Para quê?

Red Faction vai buscar muitas inspirações a Half-Life. Não existem “níveis”, existe uma enorme área (separada em cerca de 70 secções) a ser explorada, e o jogo vai-se desenrolando à medida que essa área vai ser explorada. Os “mapas” têm alguma não linearidade, existindo vários caminhos para o mesmo objectivo, ou mesmo vários pontos que não sendo de passagem obrigatória, escondem batalhas, items e armamento que de outra forma passariam ao lado. Sendo um mundo aberto, na maior parte das vezes é possível voltar a áreas previamente exploradas, embora o jogo não requira que isto seja feito muitas vezes. As inspirações a Half-Life não se ficam por aqui, muitas vezes vamos ouvindo conversas de guardas, ou avisos de intercomunicador, que embora não sejam dirigidos a nós, contribuem para percebermos o que se está a suceder. Parker também recebe “chamadas” de companheiros na sua revolta (a própria EOS e Hendrix, um técnico de segurança aliado aos rebeldes), bem como recebe chamadas dos vilões. Mas o que realmente marca Red Faction é a sua tecnologia Geo-Mod, revolucionária para a época. Através do Geo-Mod é possível alterar dinamicamente o meio em que nos rodeia. Por exemplo, não conseguimos abrir uma porta? Estoura-se com a parede! É possível fazer túneis com explosivos descobrindo salas secretas ou caminhos alternativos para fazer emboscadas a guardas desprevenidos. Uma das coisas que gostei de fazer foi de estourar com um desfiladeiro com rockets, enquanto um blindado enorme andava a passear por lá. Infelizmente o jogo não permite que façamos isto sempre, lá mais para o final uma grande parte das paredes e afins são mais resistentes. Não é só a Half Life que vai buscar influências, também existem algumas áreas onde o stealth é imperativo e o único armamento que temos é uma pistola silenciosa para aquelas alturas em que tiver mesmo de ser. Também podemos carregar os corpos para os esconder.

screenshot
Mandar o blindado para o precipício, como referi atrás

Os controlos não são muito intuitivos, alguns botões estão organizados de forma que atrapalham os dedos e o conceito de “aim” que vemos em jogos como Medal of Honor ou Call of Duty encontra-se aqui também, mas de uma forma muito confusa. Existe um botão de aim “geral”, que faz um pequeno zoom e dá mais alguma precisão aos tiros. Mas se usarmos uma arma de sniper, e querermos usar a mira, não se usa o botão de aim mas sim o “alternate fire“. Enfim, pequenas coisas que na altura ainda não eram utilizadas mas davam um jeitaço. Pelo menos o menu de opções permite que configuremos os botões da maneira que quisermos. Red Faction contém também vários veículos a serem utilizados, desde jipes, blindados, pequenos submarinos e naves. Os veículos possuem armamento e existem várias secções do jogo em que temos de andar nesses veículos e provocar o caos. Para o submarino e a nave, os controlos são agradáveis, já controlar os veículos terrestres é bem mais chato. O jogo também não é fácil, requer muita tentativa/erro e o facto de ser possível fazer save em qualquer ponto do jogo como um FPS de PC se tratasse já é uma grande ajuda. Isso e o facto de podermos activar auto aiming.

Screenshot
Metralhadora pesada, gosto.

Graficamente o jogo não é nada de especial, o que é normal considerando que é um jogo de primeira geração da PS2 (a versão PC é um pouco melhor). Os modelos ainda são muito “quadrados” e pouco detalhados, as texturas dos cenários são bastante simples e os visuais em si são muito monótonos. Quando estamos nas minas o jogo consiste em túneis e túneis de terreno vermelho, com algumas áreas mais abertas pelo meio. Na parte mais “industrial”, os cenários vão mais para o cinzento e o amarelo/castanho. Nos locais de saúde ou executivos é apostado num visual mais branco. Mas tendo em conta que uma grande parte do jogo é passada no próprio terreno de Marte, preparem-se para enjoar de vermelho. A nível de som também foi uma coisa que me tenha passado ao lado. Muitas vezes não existe música e quando existe é ambiente ou então passa para temas mais mexidos quando estamos nalguma batalha mais acesa. Existe também um modo multiplayer mas é muito arcaico. Apenas permite death match em split screen para 2 jogadores (embora também se possam usar alguns bots para fazer número).

Ainda assim, considerando que é um dos jogos da primeira geração da PS2, Red Faction fez um óptimo trabalho e a tecnologia Geo-Mod tem imenso potencial para ser utilizada em jogos futuros. Actualmente a saga Red Faction já vai em 4 jogos diferentes, sendo o Red Faction Armageddon o mais recente (saiu este ano para PC, PS3 e X360). Estou algo curioso para ver qual a história a seguir, visto o final de Red Faction 1 aparentemente não deixar grandes pontas soltas. Estou também curioso para ver como evoluiram a tecnologia Geo-Mod. Brevemente começarei a jogar Red Faction II também para a PS2 e logo vos digo como está.

Timesplitters Future Perfect (Sony Playstation 2)

coverTempo de fazer uma análise ao até agora último capítulo na saga Timesplitters. Lançado em 2005, Timesplitters Future Perfect é mais uma boa sequela da série que, apesar de não oferecer muito conteúdo inédito, introduz várias refinações na fórmula que tornam a experiência ainda mais agradável. A minha cópia foi comprada neste ano na loja portuense TVgames, tendo custado uns 4€ e está impecável.

Timesplitters 3 PS2
Jogo completo com caixa e manual em PT

Esta análise não vai ser longa, visto Timesplitters Future Perfect manter os mesmos modos de jogo que a sua prequela, apenas com a adição do modo online que, visto os servidores da EA terem encerrado em 2007, não o cheguei a experimentar. O modo história pode ser novamente jogado sozinho ou em co-op com um amigo, e a história arranca logo depois do final de Timesplitters 2, onde depois de Cortez ter resgatado os time crystals de uma estação espacial repleta de timesplitters, a nave em que ele seguia despenha-se num planeta (que suponho ser o próprio planeta Terra). Aqui, depois de ser resgatado por outros Marines e ter recebido uma recepção de inimigos desconhecidos, Cortez usa os time crystals recolhidos para alimentar uma máquina do tempo do seu próprio exército. Cortez é então enviado no tempo para tentar evitar que a guerra com os Timesplitters ocorra. Apesar de o Story Mode ainda ser algo curto e um pouco mais fácil que os anteriores, a verdade é que a Free Radical na minha opinião fez um óptimo trabalho. A história está bem contada (repleta de loops temporais onde versões futuras e passadas de cortez se encontram e têm de trabalhar em conjunto), as personagens têm carisma, tornando este modo de jogo bastante agradável de jogar e com bastante sentido de humor. Personagens como Harry Tipper, um agente secreto que faz lembrar o Austin Powers, um nível numa casa assombrada repleta de zombies e laboratórios secretos, níveis futuristas em guerras contra robots, níveis com algum stealth, etc. Uma novidade introduzida neste jogo foi a introdução de veículos, que nem Halo. Infelizmente achei-os um pouco difíceis de manobrar, não gostei muito da experiência.

Screenshot
Um exemplo do humor presente no jogo

De resto o jogo mantém na mesma os modos Challenge, repletos de desafios como atirar tijolos para partir vidros, decapitar uma série de zombies, e até re-imaginações do modo story do primeiro Timesplitters, onde o objectivo era procurar o item x e deixá-lo no local y. Para além do modo Challenge temos também o Arcade e o Arcade League. Tal como em TS2, Arcade League é um modo de jogo em que temos de vencer uma espécie de torneio, com arenas, bots e objectivos definidos. Algo como o modo single-player de Quake III Arena. Obter troféus tanto no modo Challenge como neste último reverte em desbloquear personagens e batotas para serem usadas no modo arcade e não só. Enquanto que Timesplitters 2 tinha 120 personagens, este tem umas 150, após as desbloquearmos todas. O modo Arcade é o modo multiplayer habitual em Timesplitters, mantendo uma elevada customização das regras de jogo, IA dos bots, que bots utilizar, armas, etc. Arcade contém uma grande variedade de modos de jogo, a maior parte variantes do Deathmatch e já disponíveis em Timesplitters 2, como Vampire, Monkey Assisant ou Thief, por exemplo. A grande novidade deste jogo fica no modo online que infelizmente não consegui experimentar, mas suponho que mantenha o mesmo nível de customização do modo Arcade.

Screenshot
Um mapa do modo arcade com temática egípcia

O jogo inclui também um editor de níveis, como vem sendo habitual desde o primeiro jogo da série. Para quem se habituou a construir níveis nos jogos anteriores, o editor comporta-se da mesma forma, introduzindo porém algumas funcionalidades avançadas para a inteligência artificial dos bots e mais algumas funcionalidades, permitindo criar mapas de acordo com os vários modos de jogo, até para o modo story. Penso que daria para fazer upload e download de níveis no modo online, mas não tenho a certeza se essa seria uma funcionalidade exclusiva da versão Xbox ou também existia na PS2.

Graficamente, sendo um jogo de 2005 para as consolas da geração passada já tem a obrigação de ser um jogo “bonito”, e de facto é. Os mapas apresentam visuais variados, as texturas são mais bem definidas e os modelos contém mais polígonos. O que perde é o framerate, enquanto que nos jogos anteriores o framerate era constante a 60fps, aqui notam-se algumas quebras quando aparecem vários inimigos, explosões, etc. A nível de som não deu para prestar grande atenção às músicas com toda a acção e disparos que estavam a acontecer. A música pareceu-me na sua maioria música electrónica. Os restantes efeitos sonoros estão bons, as falas das personagens estão bem representadas, com vários sotaques à mistura e sempre com sentido de humor presente.

Screnshot
Sim Jo-Beth, eu sei o que são zombies.

Concluindo, Timesplitters 3 Future Perfect é o jogo mais bonito da saga, e com um story mode com uma história bem construída e com personagens bastante carismáticos. Ainda assim as missões de Timesplitters 2 eram mais variadas. A nível de multiplayer herda os modos de jogo da sua prequela, incluindo também um modo online que infelizmente já não se encontra disponível.  Mesmo com estes drawbacks e trazer poucas novidades no quesito multiplayer, ainda considero Future Perfect como o melhor da saga. Existem versões para Xbox e Gamecube, sendo o online o único diferencial nas mesmas, tendo a versão Xbox mais algumas funcionalidades como voice chat, e a versão GC não ter nenhum modo online, infelizmente. Mas visto os servidores estarem encerrados, as 3 versões ficam agora em pé de igualdade (excepto os gráficos serem ligeiramente superiores na Xbox e depois GC).

James Pond 2: Codename RoboCod (Sega Master System)

james-pond-2-codename-robocod-coverO jogo que falarei agora é um jogo que me traz memórias fortes. Isto porque algures em 1997 fiquei uns tempos internados na ala pediátrica do Hospital de S. João no Porto com uma pneumonia forte. Um colega de quarto teve a feliz ideia de trazer a sua Master System de casa para jogarmos todos lá na sala e um dos jogos que ele tinha era este, e era dos que mais joguei. Só o vim a comprar neste ano, possivelmente na loja Pressplay no Porto, ou num negócio no miau.pt sinceramente não me recordo. Ainda não o terminei devido à falta de tempo, mas espero fazê-lo em breve. O jogo está incompleto, falta o manual.

Caixa
Jogo com caixa

James Pond é uma personagem do tempo em que houve aquele boom de jogos de plataforma de mascotes, popularizados pelo surgimento de Sonic The Hedgehog, a primeira grande mascote a rivalizar com Super Mario. O seu nome é uma clara sátira aos filmes de James Bond, tal como o primeiro jogo o fora, desde os nomes dos níveis, até ao facto de James Pond ser mesmo um agente do serviço secreto britânico. Muito sucintamente, a história do primeiro jogo consistia em James Pond ser indicado para defrontar um grupo criminoso que se encontrava a poluir o mar através da sua empresa petrolífera. James Pond conseguiu sair vitorioso, mas o vilão Dr. Maybe conseguiu sobreviver e escapar. Este jogo dá sequência aos eventos prévios, onde Dr. Maybe invade o Pólo-Norte, mais precisamente a fábrica de brinquedos do Pai Natal, tomando todos os seus ajudantes como reféns, tendo até conseguido convencer alguns a passar para o “dark side”. James Pond tem então como missão resgatar os ajudantes do Pai Natal (e o próprio), recuperar os brinquedos roubados e derrotar o Dr. Maybe de uma vez por todas. Para ajudar, os Serviços Secretos equiparam James com uma armadura biónica que lhe conferia poderes especiais (daí a alcunha Robocod – mais uma indirecta a filmes).

Screenshot
James Pond esticando-se - perto da saída do nível

Oriundo de um estúdio britânico, Millennium Interactive (mais tarde comprado pela Sony e responsável pelo Medievel), Robocod saiu inicialmente para uma gama de computadores (Amiga, Commodore 64, Atari ST) e para a Mega Drive, tendo saído 2 anos depois para SNES, Master System e Game Gear. A versão para os sistemas 8bit da Sega foram trazidas pela U.S. Gold. Robocod é um jogo de plataformas, muito à semelhança de Super Mario World, onde temos um ecrã de selecção de níveis, só que ao invés de ser um mapa, somos largados no lado de fora da fábrica do Pai Natal, onde temos dezenas de portas à disposição, cada uma representando um nível, ou uma luta contra um boss. Aí têm o porquê de eu ainda não ter acabado o jogo, até porque o jogo não tem nenhum esquema de save nem de passwords. Os níveis são divididos por zonas temáticas, desde a própria fábrica de brinquedos, a uma zona de pastelaria, zona de peluches, etc. Como devem ter apercebido a temática do jogo é muito infantil. Mas ainda assim ao fim destes anos todos não deixa de ser um jogo de qualidade. James Pond apenas pode atacar os inimigos saltando em cima dos mesmos, podendo também descobrir um ou outro veículo desde uma banheira a um par de asas permitindo uma maior exploração e variedade de gameplay. Uma manobra muito interessante que James Pond tem é o facto de o seu fato poder esticar, e esticar, e esticar… chegando até ao tecto. Esta manobra permite ao James Pond agarrar em plataformas e deslocar-se com os “braços”. Ao longo do jogo vamos descobrindo uma grande panóplia de items, que poderão ser powerups ou apenas brinquedos/objectos que só servem para aumentar a pontuação.

screenshot
Fora da fábrica...

Graficamente, a malta da Tiertex fez um excelente trabalho a converter a versão Mega Drive para uma plataforma mais fraca como a Master System. Os níveis são coloridos, as personagens são detalhadas e no geral não se perde muita coisa das versões originais. Sonoramente também fizeram um bom trabalho, com músicas cativantes e variadas. A única coisa que me irrita é o fundo quase cor-de-rosa de muitos dos níveis, mas isso não é exclusivo da versão Master System.

Concluindo, James Pond 2 Codename Robocod é um jogo de plataformas de qualidade, na minha opinião o melhor da série. Ao longo dos anos foi lançado para várias plataformas e, apesar da versão Master System ser uma óptima conversão, as versões Mega Drive, PC, e SNES são mais bonitas. Mais tarde foram feitos uns remakes para GBA e DS, sendo que o jogo também acabou por sair para a PS1, PS2 e actualmente está disponível para download na PS3. Não tenho a certeza se as versões Sony são conversões directas do clássico ou remakes como as versões GBA/DS.