Xenon 2: Megablast (Sega Master System)

Vamos voltar à Master System e às rapidinhas para esta adaptação do Xenon 2, um jogo produzido originalmente pela saudosa Bitmap Brothers e que havia sido lançado para computadores como o Commodore Amiga ou Atari ST. Nessas versões é um shmup frenético e com uma banda sonora bem conhecida! Versões para outros sistemas foram também desenvolvidas, incluindo as consolas da Sega através da Virgin. O meu exemplar veio directamente do UK, tendo sido lá comprado numa CeX por um familiar de um amigo meu, que teve a gentileza de mo trazer quando voltou a Portugal na altura do Natal e ano novo. Custou 6libras.

Jogo com caixa e manual

As mecânicas são simples, tanto o botão 1 como 2 servem para disparar e este é um daqueles jogos que não tem fim. Aqui temos 6 níveis únicos (ao contrário dos 7 das versões originais) e uma vez terminados esses 6 níveis somos convidados a jogar um novo ciclo, isto até perdermos todas as nossas vidas. Um detalhe interessante a mencionar é que, apesar deste ser um shmup vertical com scrolling automático, se encostarmos a nave no fundo do ecrã o ecrã volta lentamente para baixo, o que é importante pois alguns níveis possuem corredores que nos poderiam deixar num beco sem saída caso escolhêssemos o errado.

O jogo possui um sistema de power ups interessante, mas com tanto poder de fogo a consola não acompanha a acção

No fim de cada nível temos um boss e logo a seguir visitamos uma loja onde poderemos comprar toda uma série de itens e power ups, com dinheiro amealhado ao destruir inimigos. Itens como autofire, melhorar o nosso poder de fogo, a agilidade da nossa nave ou recuperar a barra de vida são alguns dos exemplos, embora muitos destes possam também serem encontrados ao longo dos níveis. Outros itens como armas secundárias ou satélites que disparam ao nosso lado podem também ser comprados e muitas dessas armas adicionais até podem ser equipadas em conjunto, o que aumenta drasticamente o nosso poder de fogo. Qual o problema? Esta versão da Master System é bastante lenta, a consola não aguenta com tanto projéctil e/ou inimigo no ecrã em simultâneo. O que poderia ajudar num jogo deste tipo, mas neste caso a lentidão é mesmo constante e quando há muita coisa a acontecer no ecrã poderemos deixar de ver alguns dos nossos projécteis ou mesmo inimigos!

Os bosses são interessantes, pena que muitos tenham sido cortados desta versão

Visualmente é um jogo algo simples e não muito variado nos seus níveis e inimigos, para além do problema da sua performance que já mencionei acima. Para além de terem cortado um nível da versão original, vários dos bosses também foram cortados nesta versão, o que é uma pena pois os dois bosses que existem até possuem um design bem interessante (muito melhor que o dos inimigos normais, na minha opinião). A música é bastante agradável, sendo uma adaptação do tema Megablast (Hiphop on Precinct 13) dos britânicos Bomb the Bass, que por sua vez é inspirada num filme dos anos 70 chamado Assault on Precint 13. Naturalmente a versão Master System desta música é mais fraca, mas o problema é que é a única música que iremos ouvir ao longo de todo o jogo. Apesar de ter algumas melodias orelhudas, acaba então por cansar.

Entre níveis podemos visitar uma loja que nos permite comprar uma série de power ups!

Portanto esta versão do Xenon 2 acaba por ser muito, muito abaixo da versão original, não só pelos seus graves problemas de performance mas também pelo facto de cortarem muito do conteúdo da versão original. Curioso em ver como a versão Mega Drive se safa!

Gleylancer (Sega Mega Drive)

Vamos voltar à Mega Drive para ficarmos agora com mais um relançamento da Retro-bit que ultimamente tem acertado em cheio em trazer de volta ao mercado, de forma “oficial” vários jogos de Mega Drive que são no mínimo incomuns. Este Gleylancer, cujo nome completo é nada mais nada menos que Advanced Busterhawk Gley Lancer é um shmup da Masaya lançado originalmente para a Mega Drive em 1992 exclusivamente no Japão. Curiosamente o jogo havia sido relançado (também no mercado Japonês) em 2019 por uma distribuidora de nome Columbus Circle, que o voltou a relançar em 2022 numa nova edição especial. No mesmo ano a retro-bit anuncia um lançamento ocidental, cujo meu exemplar foi encomendado algures no final de 2022, mas apenas me chegou às mãos à poucos meses atrás. Antes disso (em 2021) o jogo já havia sido relançado devidamente localizado de forma digital para as plataformas actuais do mercado.

Jogo com caixa, sleeve exterior de cartão, manual integralmente a cores e certificado de autencidade.

A primeira coisa que salta à atenção neste jogo é mesmo a sua longa cut-scene de introdução (tal como acontece no Gaiares, por exemplo). Esta conta a história entre uma violenta guerra espacial entre duas civilizações e nós encarnamos na jovem Lucia Cabrock, que decide “pedir emprestado” um protótipo de uma nova poderosa nave espacial e que seria a última esperança para a raça humana para ir salvar o seu pai cuja nave havia sido “raptada” pelo inimigo em pleno combate.

O jogo oferece-nos múltiplas opções de controlo e curiosamente isto já estava completamente em inglês no lançamento original

No que diz respeito aos controlos, o botão A serve para mudar a velocidade da nave enquanto o B dispara, já o C poderá ter múltiplos usos, como irei mencionar em seguida. Isto porque uma vez terminada a longa cut-scene de introdução, é tempo de começar a jogar e a primeira escolha a fazer é decidir como queremos que os dois satélites que eventualmente nos acompanham (aqui apelidados de gunners) se comportam. O modo normal faz com que os satélites disparem na mesma direcção de movimento da nave, enquanto no modo reverse disparam na direcção contrária. Tanto num como no outro, o botão C serve para “trancar” a direcção de disparo numa direcção específica. O modo search faz com que os satélites disparem para o inimigo mais próximo, com o botão C a obrigar a mudar de alvo. Os modos multi e multi reverse são algo semelhantes na medida em que permitem os satélites moverem-se em conjunto com a direcção de disparo ou o seu oposto. O modo shadow faz com que os satélites sigam o movimento da nave, no entanto apenas disparam em frente e podemos usar o botão C para trancar a sua posição. Por fim temos o roll, onde os satélites orbitam à volta da nossa nave e o botão C faz com que estes disparem para a frente, ou em direções opostas entre si.

Visualmente o jogo tem os seus momentos mas é por vezes algo inconsistente no detalhe

De resto à medida que vamos jogando iremos poder apanhar toda uma série de power ups, que alternam o tipo de arma que temos equipada no momento. Desde os típicos lasers que perfuram inimigos e causam dano em vários em simultâneo, o spread shot que faz com que cada satélite dispare 5 projécteis em leque, projécteis de energia com explosões secundárias, outros que fazem ricochete em superfícies, entre outros. Vidas extra são também alguns dos itens que poderemos apanhar. O jogo está então dividido em 11 níveis com vários bosses e/ou mid bosses, inimigos cada vez mais numerosos, agressivos ou com padrões de ataque rápidos e vários obstáculos nos cenários que teremos de evadir ou destruir. Tudo o que um bom shmup pede!

A cut-scene inicial dura vários minutos e mantém este estilo anime. Totalmente traduzida para inglês neste relançamento!

A nível audiovisual é um jogo interessante. Por um lado adoro o facto de existirem várias cut-scenes num estilo anime (embora a de introdução seja de longe a mais longa e trabalhada), que ajuda bastante a tornar mais cativante uma história que de outra seria algo desinteressante ou passaria completamente ao lado, pois isto é um shmup. Os níveis em si vão sendo algo variados, levando-nos a combates em pleno espaço ou à superfície de diferentes planetas, os seus sistemas de cavernas ou no interior de gigantes bases inimigas. Existem uns quantos efeitos bonitos de parallax scrolling e alguns bonitos momentos da destruição à nossa volta, mas infelizmente o design dos níveis e inimigos é algo inconsistente, pois há inimigos que sinceramente não gostei do seu design, assim como certos segmentos de níveis bastante pobres graficamente quando comparado com outros. A banda sonora no entanto é muito boa, com melodias rock que bem acompanham a acção do jogo. Ocasionalmente temos também algumas vozes digitalizadas, mas essas infelizmente soam demasiado “arranhadas”.

Não são só os inúmeros inimigos que temos de nos preocupar. Obstáculos também!

Portanto este Gleylancer é um excelente shmup. O seu lançamento original japonês sempre foi muito cobiçado e por isso este sempre foi um jogo caro. Os relançamentos oficiais, tanto da nipónica Columbus Circle como da norte-americana Retro-bit ajudaram bastante na carteira para conseguir este jogo para a colecção. Se não ligam a isso, podem sempre jogar a ROM, já que também existe um patch de tradução feito por fãs para as cut-scenes (os menus e afins sempre estiveram todos em inglês). A outra alternativa passa por comprar o relançamento digital nas consolas actuais, pois essa versão traz também algumas melhorias de qualidade de vida interessantes como save states, rewind, a possibilidade de alternar o método de disparo a qualquer momento ou mesmo controlar os satélites com o segundo analógico como um twin stick shooter.

Another Code: R – A Journey into Lost Memories (Nintendo Wii)

Depois de ter terminado um outro jogo para a Wii (e que irei em breve publicar aqui as minhas impressões), não me apeteceu desligar a consola e em jeito de celebração do lançamento da compilação dos Another Code para a Nintendo Switch, aproveitei para finalmente jogar este Another Code: R, uma sequela do primeiro Another Code da Nintendo DS. O meu exemplar foi comprado na Cex de Gaia algures em Novembro de 2021 por 12€.

Jogo com caixa, manual e papelada

A história leva-nos uma vez mais a controlar a jovem adolescente Ashley Mizuki Robins, agora com 16 anos. E depois do reencontro com o seu pai durante o jogo anterior, este volta a ficar ausente, até que, subitamente, convida Ashley a passar um fim de semana com ele e acamparem num parque próximo do seu local de trabalho. Bom, o pai continua muito ausente mesmo com a Ashley lá, mas à medida que vamos explorar o parque do Lake Julliet, Ashley vai-se lembrando algumas memórias muito ténues da sua mãe, que a levou àquele parque há 13 anos atrás, quando Ashley tinha ainda apenas 3 anos. À medida que vamos explorando e avançando no jogo, vamos então nos lembrando de mais coisas do passado de Ashley e da sua mãe, assim como ir resolvendo outros mistérios que entretanto nos vão surgindo. Como é o caso de Matthew Crusoe, um jovem de 13 anos que foge da casa do seu tio em busca do seu pai que havia desaparecido misteriosamente há 5 anos atrás. Bom, na verdade este é um mistério que fica ainda algo em aberto (desculpem lá o pequeno spoiler) pois aparentemente a Cing pretendia dar continuidade à história, mas com Matthew como protagonista. Infelizmente tal nunca aconteceu pois a Cing acabou por fechar portas pouco depois do lançamento do seu último jogo, o Last Window.

Navegar pelos cenários obriga-nos a utilizar o direccional do wii mote, o que não é a coisa mais agradável pela sua posição

Tal como os outros jogos da Cing, este tem muito de exploração, pois à medida que vamos desbloqueando o acesso a novos cenários como entrar em diferentes divisões ou edifícios, podemos investigar e comentar muitos dos objectos à nossa volta. A maneira como exploramos os cenários é que não é a mais agradável, no entanto. Tirando um puzzle em particular que nos obriga a pegar num nunchuck, todo o jogo é jogado recorrendo apenas ao wiimote. Para nos movimentarmos entre áreas, devemos usar apenas o direccional, o que é um pouco estranho pois o jogo está todo representado como um mundo em 3D. No entanto devemos seguir caminhos bidimensionais, como seguir uma estrada, onde em certas bifurcações poderemos alterar a nossa direcção de movimento ao pressionar para cima ou para baixo. Sempre que chegamos a uma área que tenha algum ponto de interesse, podemos usar o wiimote para apontar um cursor para essa área de interesse e seleccioná-la com o botão A, onde a câmara depois aproxima-se dessa área e assim podemos melhor inspeccionar os objectos à sua volta. Quando estamos dentro de alguma divisão fechada podemos usar o direccional para Ashley mudar a câmara (tipicamente em ângulos de 90º.

Nos interiores o direccional permite-nos rodar a câmara, ou podemos também clicar nas setas para o efeito com o cursor controlado pelo wiimote

Como muitos jogos de aventura point and click vamos precisar de inspeccionar, interagir, coleccionar e combinar toda uma série de objectos, assim como resolver vários puzzles, tipicamente para desbloquear o acesso a qualquer coisa. E sendo este um jogo de Wii, muitos desses puzzles obrigam-nos a usar o wiimote nas mais variadíssimas maneiras. Infelizmente nem todas funcionam bem e por vezes tornavam os puzzles bem mais frustrantes do que seriam se pudéssemos utilizar um comando normal. De resto, algumas mecânicas interessantes deste jogo prendem-se com o uso de certos acessórios. Por exemplo, no Another Code original Ashley tinha uma DAS, um sistema portátil em muito igual à própria Nintendo DS e que serviria não só como uma espécie de PDA onde poderíamos consultar mensagens, gravar o nosso progresso no jogo ou tirar e manipular fotografias (e há puzzles que nos obrigavam a isso). Esse aparelho foi novamente aqui introduzido e com algumas funcionalidades adicionais, como permitir consultar imagens de câmaras de video vigilância. Mas também introduziram o TAS, um aparelho na forma de um wiimote. A principal utilização deste aparelho é para fazer hacking a certas fechaduras electrónicas e confesso que esses puzzles até ficaram bastante originais.

Nem todos os puzzles foram agradáveis porque ou não eram suficientemente claros o que seria suposto fazer, ou o wiimote simplesmente não cooperava. Mas estes em específico para destrancar portas ficaram muito bem conseguidos na minha opinião!

A nível audiovisual este é um jogo consideravelmente simples. Os gráficos são todos renderizados num estilo semelhante ao cel-shading o que até acaba por resultar bem, particularmente em sistemas como a Nintendo Wii ou consolas da geração que a precedeu. É um jogo bastante colorido e que mantém o estilo artístico do seu predecessor, pecando no entanto, a meu ver, por não incluir qualquer voice-acting, pois existem muitos diálogos que teremos pela frente. Já que toco nos diálogos, ocasionalmente também poderemos dar respostas diferentes a perguntas que nos fazem, mas estas escolhas acabam por não ter qualquer consequência para a história. Por fim a banda sonora é algo eclética, possuindo imensas melodias simples, relaxantes e agradáveis o que se adequa bem à aventura, pois passamos a maior parte do tempo em plena natureza e durante o dia.

Ocasionalmente poderemos dar respostas diferentes, mas sem grandes consequências para a narrativa

Portanto este Another Code R é um interessante jogo de aventura e para quem tenha gostado da prequela da Nintendo DS, então por um lado até recomendaria que o jogassem pois dá continuidade à história de Ashley e sua família. No entanto, sendo um jogo da Wii, a Cing incluiu muitas mecânicas à base do controlo de movimento que o wiimote nos permite. Infelizmente muitos destes puzzles acabaram por ser frustrantes, não só pelo wiimote não responder bem ao movimento pretendido, ou por vezes não ser tão claro o que seria necessário fazer. Os puzzles de destrancar portas foram no entanto bastante originais! A outra razão que levo a não recomendarem jogarem esta versão específica é o facto de a Nintendo ter lançado, muito recentemente uma compilação/remake de ambos os Another Code para a Switch. Visto que tenho ambos nos sistemas originais, não era um lançamento que estava a ponderar comprar, mas já ouvi feedback que os remakes possuem conteúdo adicional/diferente e que compensem serem rejogados, mesmo para quem já tivesse jogados os originais. Estou curioso para saber especialmente se o subplot que envolve o Matthew terá também um outro desfecho!

Alien Hominid (Sony Playstation 2)

Vamos agora voltar à Playstation 2 para um jogo muito curioso. Surgindo originalmente em 2002 no site Newgrounds como um pequeno jogo baseado na tecnologia Flash (lembram-se??), esse pequeno jogo acabou por ser um sucesso tremendo, tendo sido jogado várias milhões de vezes. Então a dupla que criou essa versão original acabou mais tarde por arriscar e criar um título mais completo, tendo-o convertido para todas as consolas domésticas daquela geração (embora a versão GC se tenha mantido como um exclusivo norte-americano) mais uma versão GBA, produzida por um estúdio diferente. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu algures em Março do ano passado, tendo custado uns 10€.

Jogo com caixa e manual

Mas então o que é mesmo este Alien Hominid, para além de ter como suas origens um jogo flash? É um run-and-gun muito semelhante a nível de mecânicas a títulos como o Metal Slug, mas onde controlamos um pequeno extraterrestre cuja nave é atingida por um míssil assim que se aproxima do nosso planeta e ele só quer é voltar à sua vida, mas o FBI, exército vermelho e exército norte-americano não o deixam!

O que não faltam aqui são diferentes habilidades que poderemos desencadear!

Esperem então por um jogo de acção frenético e com visuais muito particulares, com uma direcção artística muito própria daqueles jogos flash dessa época. A nível de controlos, estes são explicados logo antes de começarmos a aventura, mas o direccional controla a personagem, X salta, o quadrado ataca, triângulo é usado para entrar/sair de veículos, os L1/R1 para evadir para a esquerda ou direita e o círculo para atirar granadas (estas disponíveis em números limitados). Existem no entanto muitas mais manobras que poderemos fazer, como nos enterrarmos temporariamente na terra e assim evadir de fogo inimigo, podendo inclusivamente matar alguns inimigos mais fracos a partir do chão. Outra técnica que poderemos fazer é a de saltar para cima de alguns desses inimigos mais básicos e controlá-los, podendo a qualquer momento comer-lhes a cabeça com o botão de ataque. A nossa arma principal possui munições ilimitadas, sendo que se mantivermos o botão de ataque pressionado durante alguns segundos conseguimos disparar uma bola de energia bem mais destrutiva! Existem também toda uma série de power ups a apanhar, desde diferentes armas ou escudos.

Tal como no Metal Slug, também podemos controlar alguns veículos

Apesar de não ser tão bom quanto os Metal Slugs, este é um shooter bastante divertido e os níveis até vão tendo bastante variedade nos seus desafios. Por exemplo, logo no segundo nível jogamos numa auto estrada onde teremos de saltar de carro em carro enquanto somos atacados por todos os lados, há outro segmento onde controlamos um pequeno disco voador e podemos sugar e atirar os inimigos para uma máquina picadora gigante e os últimos níveis dos mundos 1 e 2 até assumem algumas mecânicas de shmup, pois são todos combates aéreos/espaciais onde controlamos uma nave. E claro, o jogo vai tendo toda uma série de bosses e mini bosses, todos distintos entre si.

Confesso que inicialmente não gostei muito da arte deste jogo, mas acabou por crescer em mim

De resto, para além de poder ser jogado em multiplayer cooperativo, o jogo tem também toda uma série de desbloqueáveis, como diferentes chapéus que poderemos desbloquear para as personagens, bem como uns quantos mini-jogos. Os PDA Games já vêm desbloqueados desde o início e são um conjunto de níveis de plataformas monocromáticos, um pouco a simular o Game Boy original talvez. O modo challenge é uma espécie de score attack para certos desafios, o Super Soviet Missile Mastar já é um jogo com gráficos de Atari 2600 onde controlamos um míssil soviético e o objectivo é o de controlar durante a maior distância possível, sem colidir com nenhum outro objecto. O Neutron Ball é uma mini jogo de desporto e por fim temos o Piñata Boss que é uma espécie de boss rush, onde para além dos bosses vemos uma piñata voadora e o objectivo é o de sobreviver, atacar a piñata e apanhar o máximo número de doces possível. Basicamente qualquer um destes modos de jogo poderia ser um mini jogo flash!

O que não falta aqui é conteúdo de bónus ou desbloqueável

A nível audiovisual este é um jogo muito simples, porém com uma direcção artística fora do comum, pelo menos no que estaríamos habituados a ver nas consolas naquela época. Sim, o jogo tem mesmo um aspecto de jogo flash, mas ao mesmo tempo a direcção artística até que resulta bem e vamos tendo também alguns momentos de bom humor nos cenários de fundo. Estes que vão variando entre zonas urbanas (primeiro mundo), o interior da Rússia (segundo mundo) e uma base secreta norte americana em Roswell. As músicas são também bastante diversificadas nos seus géneros, pelo que a banda sonora até que tem alguns momentos agradáveis.

Posto isto, este Alien Hominid até que foi uma boa surpresa, particularmente para quem gostar de títulos como Contra ou Metal Slug. Aliás, em relação a este último as referências são bastante notórias, desde possibilidade de conduzir veículos, o facto de termos um ataque melee quando atacamos alguém a curta distância, ou até a maneira em como obtemos os power ups é bastante semelhante. Para além destas versões PS2, Xbox e GC, existe também uma versão para a Game Boy Advance que supostamente é também bastante bem conseguida. Nos anos seguintes foram também sendo relançados alguns remasters em HD para sistemas mais modernos.

True Lies (Sega Mega Drive)

Vamos voltar novamente à Mega Drive para mais uma adaptação de um filme de acção dos anos 90, este True Lies que protagonizava actores como o Arnold Schwarzenegger e Jamie Lee Curtis. Ao contrário de muitas adaptações de filmes para videojogos dessa época, este jogo acaba por não ser nada mau! O meu exemplar foi comprado em partes. Comprei uma caixa vazia por 50 cêntimos numa feira de velharias há uns meses atrás, tendo acabado por mandar vir um cartucho de uma loja alemã por alturas da Black Friday por pouco mais de 20€.

Jogo com caixa

O jogo segue mais ou menos a história do filme onde Harry (protagonizado pelo Arnold) é um agente secreto de topo, embora a sua família ache que ele apenas seja um mero vendedor informático. Entretanto, enquanto Harry persegue uma perigosa organização terrorista, a sua esposa acaba por ser arrastada para a acção, embora isso não aconteça neste jogo, pois apenas jogaremos com o Arnold apenas.

Ocasionalmente vamos tendo estes diálogos com um nosso colega que nos vai dando algumas dicas ou relembrando os nossos objectivos

Já no que diz respeito à jogabilidade, este é então um jogo de acção com uma perspectiva top down, algo semelhante com títulos como o The Chaos Engine, por exemplo. No que diz respeito aos controlos, este é um dos casos em que o comando de 6 botões é suportado e acaba por dar jeito. O direccional serve para movimentar a nossa personagem e o botão B a servir para disparar. O botão A (ou Y) serve para “trancar” a nossa direcção de disparo enquanto o mantivermos pressionado, o botão C serve para darmos uma cambalhota evasiva pelo chão, enquanto os botões X e Z servem para mudarmos a arma equipada. Se usarmos um comando de 3 botões, teríamos de pressionar o botão A duas vezes seguidas para usar a manobra evasiva o botão C serviria para trocar de arma.

Temos de ter o cuidado de não atingir civis, pelo menos nas 3 primeiras missões, já depois disso já não há civis em lado nenhum

O objectivo de cada nível vai variando. Por exemplo, logo no primeiro nível temos de invadir uma festa chique numa mansão, ganhar entrada para o andar de cima e ligar um modem ao computador do dono da mansão, de forma a o espiar. Uma vez feito isso, teremos de escapar debaixo de fogo! Os níveis seguintes já terão outros objectivos, incluindo destruir bombas, caixas repletas de armas, procurar chaves, entre vários outros. O “problema” é que os níveis vão sendo cada vez maiores, mais labirínticos e repletos de inimigos que surgem de todo o lado, pelo que teremos mesmo de dominar todas as habilidades que teremos ao nosso dispor e o “strafing” é mesmo uma mais valia! De resto uma das coisas que temos de ter em consideração, pelo menos nos primeiros níveis, é a de não disparar sobre civis. Se matarmos 3 perdemos uma vida! Mas isto é algo que temos de preocupar apenas nos 3 primeiros níveis, daí para a frente serão apenas inimigos que teremos pela frente.

Entre níveis vamos tendo direito a algumas imagens estáticas do próprio filme

E à medida que vamos explorando poderemos encontrar muitas mais armas e munições. Começamos cada nível munidos apenas de uma pistola com munição infinita, mas poderemos encontrar também shotguns, Uzi, granadas, minas anti pessoais (que também nos podem causar dano se lhes passarmos por cima) ou até um lança-chamas! Outros itens que poderemos encontrar, para além de eventuais chaves que nos desbloqueiam partes do nível, são também medkits e vidas extra, ambos bastante valiosos tendo em conta a quantidade de inimigos que teremos pela frente. O penúltimo nível é completamente diferente dos restantes pois controlamos um caça e o objectivo é o de destruir uma série de camiões que transportam ogivas nucleares. Esse nível é como se um shmup vertical se tratasse, onde o botão B dispara a metralhadora e o A mísseis ar-terra.

Uma das batotas aqui disponíveis deixa-nos jogar com uma motoserra… poderiam era ter incluído a Jamie como personagem jogável também!

No que diz respeito aos audiovisuais, sinceramente acho o jogo bem competente, com inimigos bem detalhados e alguns civis (os tais inocentes que devemos evitar atingir) até algo bizarros. Surpreendeu-me também o jogo ser bastante sangrento! Os níveis vão sendo diversificados e bem detalhados, levando-nos à tal mansão e suas montanhas repletas de neve, um centro comercial, um parque, um subterrâneo do metro, docas entre muitos outros, incluindo uma visita à cidade proibida na China. As músicas não são nada do outro mundo, mas também não são más de todo. De resto o jogo tem também uma versão para a Super Nintendo que acaba por ser algo superior a nível gráfico e supostamente terá sido a versão principal de desenvolvimento, pois esta versão Mega Drive é jogada numa resolução inferior ao habitual, semelhante à da SNES.