Another Code: Two Memories (Nintendo DS)

A Cing, para além de um ou outro projecto como o interessante Glass Rose da PS2 que até ao momento ainda não o consegui apanhar a um preço agradável, era um pequeno estúdio japonês, que ficou mais conhecido pelos seus jogos de aventura lançados para a Nintendo DS e Wii, como é o caso deste Another Code e sua sequela para a Wii, mas também Hotel Dusk e Last Window, que planeio jogar em breve. O meu exemplar foi comprado numa Cex no Norte do país, algures em Julho deste ano, tendo-me custado 8€ se bem me recordo.

Jogo com caixa, manual e papelada

Ora este jogo conta-nos a história de Ashley Mizuki Robbins, uma jovem que foi criada pela sua tia, sem saber nada dos seus pais. Ora nas vésperas do seu 14º aniversário recebe uma carta do seu desaparecido pai, em conjunto com um aparelho chamado DAS (mas com o formato de uma Nintendo DS), que lhe pede para viajar até à ilha fictícia de Blood Edward, onde se irão finalmente conhecer e Ashley ficará finalmente a saber do misterioso destino dos seus pais. Ora quando lá chegamos coisas acontecem e teremos de explorar a ilha sozinhos, acabando por conhecer pouco depois com um fantasma lá da ilha, que inicialmente apenas lhe apelidamos de D, mas que nos irá acompanhar ao longo do restante jogo. Tal como Ashley, o fantasma também não sabe como morreu nem o que lhe aconteceu aos seus pais, pelo que iremos desvendar dois mistérios num só.

Antes de começarmos o quer que seja, o jogo mostra-nos uma cutscene minimalista que ilustra dois homicídios espaçados por décadas

A Nintendo DS foi comercializada como sendo um produto revolucionário, introduzindo diferentes maneiras de se jogar um videojogo e este Another Code tira partido das características da Nintendo DS para esse efeito. No ecrã de baixo controlamos Ashley ao mové-la pelos cenários, podendo usar a stylus ou d-pad para o efeito. No ecrã de cima temos um artwork genérico da área a explorar, que muda para algo diferente quando chegamos a uma zona com pontos de interesse para explorar. Aí, no ecrã de baixo, no canto superior direito, temos um ícone com uma lupa que se activa sempre que chegamos a um ponto de interesse. Clicando nesse ícone, a imagem que estaria no ecrã de cima transfere-se para o de baixo, surgindo no ecrã um cursor que podemos movimentar com a stylus ou d-pad e obter mais detalhes do que seleccionarmos. Por vezes simplesmente exploramos fotografias, cartas e livros de forma a obter mais detalhes do mistério à nossa volta, noutras vezes acabamos por ter mesmo de resolver alguns puzzles.

Tipicamente o ecrã de cima mostra uma imagem estática representativa do local em que estamos. Se houver algo para explorar nos cenários, o ícone da lupa fica activado no ecrã inferior

E é aqui que as features da Nintendo DS entram uma vez mais ao barulho. Muitos dos puzzles que teremos de resolver obrigam-nos a usar o touch screen, outros o microfone embutido. Há um puzzle interessante que nos obriga até a fechar a própria consola! O sistema DAS, o tal aparelho electrónico com a forma de uma Nintendo DS que Ashley carrega é também uma peça importante em todo o jogo. Para além de nos permitir gravar o progresso no jogo ou visualizar as mensagens que vamos encontrando na forma de cartuchos deixados pelo pai de Ashley, podemos também tirar fotografias ao que estiver a ser mostrado no ecrã superior. Ao visualizar essas imagens podemos sobrepor uma em cima da outra e movê-la livremente, algo que teremos mesmo de fazer de forma a descobrir mensagens ou códigos secretos para abrir portas. Outros puzzles obrigam-nos mesmo a usar os dois ecrãs da Nintendo DS de forma inteligente, como fechar ligeirmente a tampa da consola e, com base no reflexo da imagem do ecrã superior no inferior, encontrar mais combinações secretas.

D é um fantasma de uma criança que não se recorda quem é, nem como morreu. Se formos exaustivos na nossa exploração, vamos desvendar o seu mistério

No que diz respeito aos audiovisuais, este Another Code mistura cenários em 3D simples (pois a Nintendo DS possui capacidades algo limitadas nesse campo), com retratos e animações 2D muito características. Ou seja, quando exploramos livremente os cenários, no ecrã de baixo vemos o mundo completamente renderizado em 3D, com a câmara a surgir vista de cima. No ecrã de cima vamos vendo imangens estáticas em 2D representando o cenário que estamos a passar no momento. Diálogos, a maioria dos puzzles e outras cutscenes, são também completamente em 2D com o design das personagens a ter um estilo gráfico muito próprio. Existem no entanto alguns puzzles em 3D poligonal, nomeadamente quando temos de atirar um objecto de um lado para o outro. Por exemplo, um dos primeiros puzzles que teremos obriga-nos a atirar uma esfera de metal com a stylus para um encaixe próprio na lateral de um portão, de forma a conseguir abrir o mesmo. No que diz respeito ao som, bom, aqui não existe voice acting, o que é uma pena, e todos os diálogos são então em texto. No entanto a banda sonora é agradável e com músicas bastante calmas, tanto que estava a jogar com a minha namorada ao lado e ela acabou mesmo por adormecer várias vezes.

Muitos dos puzzles obrigam-nos a usar o touchscreen

Portanto este Another Code é um interessante jogo de aventura, onde a Cing procurou não só apresentar uma história interessante e repleta de mistérios, bem como procuraram incorporar as características da Nintendo DS na sua jogabilidade. Foram bem sucedidos a meu ver, embora por vezes os controlos no touchscreen não tenham sido os melhores, pois nem sempre o jogo reconhece correctamente os movimentos que fazemos com a stylus. Mas estou curioso em ver a continuação da história de Ashley na sequela para a Wii. Já a Cing, lançou no ano seguinte o Hotel Dusk também para a Nintendo DS e pelo que joguei, já deu para ver que mudaram muitas coisas na jogabilidade. Mas isso será tema para um futuro artigo.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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