Battlefield 2: Modern Combat (Sony Playstation 2)

Battlefield 2 Modern CombatMais tarde ou mais cedo hei-de escrever sobre o Battlefield 3, um dos melhores FPS com uma vertente multiplayer que já tive o prazer de jogar. Mas enquanto esse dia não chega vou escrever sobre a primeira incursão de um jogo da conhecida franchise nas consolas, nomeadamente este mesmo Battlefield 2: Modern Combat. Tal como o nome indica este jogo abandonou a temática da 2a Guerra Mundial, na qual os primeiros jogos da série se focaram, passando para a era actual. E ao contrário dos jogos no PC, este aqui inclui também um modo campanha single player, embora não seja grande coisa. E este jogo entrou na minha colecção algures no verão de 2013, após uma ida à feira da Ladra em Lisboa, pela módica quantia de 1€. Está completo e em excelente estado.

Battlefield 2 Modern Combat (Sony Playstation 2)
Jogo completo com caixa e manual

A campanha tem uma história muito estranha e confusa. Essencialmente coloca-nos no meio de um confronto entre forças da NATO e o exército Chinês, em pleno solo do Cazaquistão. Ao longo da campanha iremos alternar entre ambos os exércitos, onde entre cada missão somos também presenteados com os noticiários norte-americano e chinês, cada qual a contar a história do conflito da maneira que melhor lhes convém. O certo é que esse mesmo conflito é bastante confuso, mas lá para o final lá se vem a descobrir que afinal andavam terroristas metidos ao barulho, como não poderia deixar de ser.

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As classes com que podemos jogar e o seu equipamento que vamos desbloqueando

Mas a jogabilidade tem algumas ideias muito interessantes. Começamos cada missão como um determinado soldado, mas podemos alternar entre os restantes companheiros no campo de batalha sempre que o quisermos, bastando olhar para eles até que o seu identificador que paira sobre as suas cabelas se ilumine. Aí é só carregar no quadrado do comando que o passamos a controlar. E a ideia é mesmo ir fazendo isso ao longo do jogo. Tanto podemos jogar com tropas de assalto para matar infantaria inimiga, como depois passar para um engineer equipado com um rocket launcher para atacar veículos inimigos, ou para um sniper numa outra posição estratégica, ou mesmo para algum veículo como um tanque ou helicóptero. Como já devem ter percebido a infantaria está dividida em várias classes como é habitual nos Battlefield. Soldados de assalto, snipers, engineers e suporte, cada qual com as suas armas e geringonças, por exemplo os snipers podem identificar alvos inimigos a uma grande distância, para que apareçam no mapa a toda as nossas tropas, os engineers podem reparar ou destruír veículos e por aí fora.

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Mesmo as turrets têm munição limitada. Teremos de esperar algum tempo para voltar a ter munições

Este mecanismo do hotswap é uma excelente ideia, infelizmente a sua execução não é a melhor. As missões são passadas em mapas grandinhos, com objectivos próprios, seja fazer reconhecimento a certos locais, destruir outros, ou mesmo tomar de assalto algumas posições e defendê-las. Isto requer uma componente estratégica e infelizmente a inteligência artificial não dá conta do recado como deveria. Pelo menos falando na versão PS2, não sei se as versões Xbox e X360 são assim. Assim sendo, com a IA não tão eficiente como seria suposto, era bom que pudéssemos comandar algumas tropas para fazer o que quiséssemos, um esquema como o de Battalion Wars seria muito interessante. E o facto de apenas podermos fazer hotswap para as tropas que estejam visíveis no mapa também é um ponto que poderia ser modificado. Uma opção de abrir o mapa geral da missão e seleccionar a tropa/veículo para trocar deveria ter sido implementada.

Na maioria das missões vamos tendo reforços a chegar constantemente de pára-quedas, pelo que mesmo que alguns soldados nossos morram, reforços acabarão por chegar. Ainda assim, há outras missões com um número limitado de tropas e veículos, e deixá-las todas morrer é sinal de repetir a missão. Infelizmente as tropas inimigas também vão fazendo respawn em várias missões, pelo que tal como um jogo multiplayer se tratasse, ficar muito tempo no mesmo sítio não é uma boa política. A jogabilidade também é um pouco arcade e menos realista do que habitual na série. Por exemplo, é possível matar tropas com um tiro certeiro de shotgun, mesmo que estejam a uma distância considerável. A gravidade das balas nos snipers também é algo que não entra na equação e depois o sistema de pontuação que nos premeia com medalhas sempre que fazemos algumas combos, ou matamos vários inimigos com as mesmas armas/classe, é algo que também contribui para esta jogabilidade quase arcade.

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Existem vários veículos que podemos manobrar, mesmo barcos.

No final de cada missão os pontos amealhados, as medalhas, o tempo da missão e as casualidades entram nas contas para um ranking final. Ao subir de ranking, tal como os outros Battlefields, vamos podendo desbloquear várias armas/equipamentos para as 4 classes de infantaria, ou upgrades para as armas que já tivermos. Para além do mais desbloqueamos alguns desafios que poderemos jogar mais tarde, também em single player. Esses desafios são mesmo como o nome indica: desafios.  Alguns requerem que façamos o hotswap de soldados do ponto A ao ponto B no menor tempo e número possível, outros são corridas com os veículos ou mesmo desafios para testar a nossa habilidade com algumas armas. Também aqui a nossa performance é recompensada em medalhas para subir no ranking.

Mas Battlefield é maioritariamente uma experiência multiplayer. E aqui inclui-se uma vertente multiplayer online com capacidade para até 26 jogadores, nos modos de jogo Conquest, onde temos de conquistar e defender algumas posições em mapas grandinhos, ou o Capture the Flag, que dispensa apresentações, apesar de decorrerem em mapas mais pequenos. Até há bem pouco tempo ainda haviam servidores online em vários jogos de PS2, mas infelizmente desde que me mudei para Lisboa que deixei de poder ligar a minha PS2 à rede, pelo que nem sequer experimentei esta vertente. Aparentemente teria tudo para ser um bom jogo. Por outro lado não dá para jogar localmente em split screen, o que é pena, mas até é compreensível que a PS2 tenha alguns problemas de performance em renderizar mapas grandes várias vezes, e jogar Battlefield com 2 jogadores e bots, não é a mesma coisa.

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Apesar de ser um pouco “arcade”, entrar à Rambo nem sempre é a melhor solução

Graficamente não achei o jogo nada de especial, as texturas são pobres, os modelos de soldados e veículos apresentam pouco detalhe, mas tendo em conta o tamanho dos mapas, sem loadings intermédios e a quantidade de veículos e tropas inimigas no ecrã por vezes, acabam por justificar o porquê de os visuais no geral não serem nada por aí além. Os efeitos sonoros, voice acting e a tradicional música mais militar também foram coisas que me pareceram medianas, cumprem o seu propósito, mas não são por si só memoráveis.

Assim sendo apenas consigo recomendar este jogo aos mais entusiastas de FPS. Não sei se o online ainda está activo, se o tiver, é bem possível que este jogo seja bem divertido. Para quem for a jogar sozinho, existem na PS2 shooters militares na era moderna bem melhores. Black, por exemplo. O esquema de hotswap é a meu ver uma ideia excelente, mas ainda poderia ser bem mais polida.

Porsche Challenge (Sony Playstation)

Porsche ChallengePorsche Challenge é para mim o Sega Rally da primeira Playstation. Mas só com Porsches. E circuitos urbanos. Ok, se calhar não é bem um Sega Rally, mas é dos jogos de corrida com o feeling arcade da 32bit da Sony que mais me agradou back in the day. Como o título parece indicar, este é um jogo licenciado pela Porsche e como tal não existe sistema de dano ou mesmo o carro a capotar, como era habitual em jogos licenciados. E com o nome de “Porsche Challenge”, é um jogo que teria muito a ganhar se incluísse vários dos mais icónicos veículos da marca alemã, mas apenas existe o Porsche Boxter que aliás está na capa do jogo também. O facto deste jogo ter saído na mesma altura em que o carro alemão também é algo que me faz suspeitar se não é um elaborado produto de marketing, mas a verdade é que o jogo não é nada mau. A minha cópia foi comprada algures em Novembro de 2013 na cashconverters do Porto. Penso que me custou algo entre os 2 e 3€. É a edição “Value Series“, uma espécie de pós-Platinum que abrangiu alguns jogos da Playstation.

Porsche Challenge - Sony Playstation
Jogo completo com caixa e manual. Versão Value Series, o que inclui o disco platinum.

Inicialmente dispomos de 6 personagens para escolher, cada uma com diferentes personalidades e um Boxter com uma cor própria. A meu ver não há grande diferença na escolha das personagens, a não ser as suas bocas que por vezes mandam uns aos outros nas corridas e, claro está, a cor do carro. A vertente singleplayer deste jogo está dividida em 3 modos: Practice, que dispensa apresentações , Time Trial também e por fim o modo Championship que coloca o jogador a jogar um conjunto de 12 corridas divididas em 3 categorias diferentes. Infelizmente apenas existem 4 circuitos – um numa pequena cidade Norte-Americana, outro à noite, numa metrópole japonesa, um outro nos alpes, com a pista coberta de neve e gelo e por fim o cicuito oficial de testes para a Porsche, em Estugarda, Alemanha.

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Inicialmente podemos escolher qual o piloto/carro para correr, incluindo as mudanças em auto ou manual.

Mas esses circuitos vão-se modificando de acordo com as diferentes etapas do modo Championship. Inicialmente temos os circuitos no modo classic, que decorrem como se um jogo arcade se tratasse: somos largados na 6a (última posição), e ao longo de poucas voltas no circuito temos de ir correndo de forma a ultrapassar os restantes carros que já vão bem adiantados, isto lutando sempre contra o relógio até chegar ao checkpoint seguinte. Concluídas as pistas neste modo avançamos para o Long, onde para além de termos de correr mais voltas, as pistas também vão-se modificando, com alguns atalhos a surgirem, bem como outros obstáculos. Por fim temos as Interactive Races, onde os circuitos apresentam ainda mais modificações, sendo essas modificações aleatórias a cada volta.

Por cada vez que vamos terminando o modo Championship, desbloqueamos também alguns cheat codes, muitos deles hilariantes, como as vozes sob o efeito de hélio, os oponentes a conduzirem bêbedos, carro invisível, entre muitos outros. Mas como em todos os jogos da época, é possível desbloquearem-se esses cheats através dos cheat codes habituais, pressionando combinações de botões em menus. Para além do mais, existe também um habitual modo multiplayer para dois jogadores em split-screen, onde podemos optar por entre uma single-race, ou o modo championship. Existem algumas customizações que podemos fazer neste modo de jogo, mas foi algo que não cheguei a experimentar.

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Alguns adversários conduzem mais agressivamente que outros

Graficamente é um jogo bastante competente, tendo em conta o ano em que saiu (1997). Principalmente nos carros, que apresentam um detalhe considerável, mas também sendo o único modelo disponível em todo o jogo, mau era se assim não fosse. As pistas têm gráficos agradáveis, mais uma vez tendo em conta a data em que o jogo foi lançado, contudo é mais um jogo de corridas a sofrer do sindrome de uma draw distance curta, onde conseguimos ver o cenário a ser “construído”, à medida em que vamos correndo. Em pistas com mais objectos nas bermas apenas quando lhes passamos muito perto é que vemos o circuito com todos os detalhes. Mas sinceramente este defeito é algo que para mim é bastante carcterístico desta altura das 32bit, e até têm o seu charme. Muitas horas de volta do Manx TT ou Daytona USA na Sega Saturn deu nisso.

Os efeitos sonoros são OK, e até é engraçado ouvir as bocas que o pessoal manda uns aos outros quando os ultrapassamos. Alguns dos oponentes até tentam descaradamente nos fazer despistar, mas tal como referi anteriormente, sendo este um jogo homologado pela Porsche, um sistema de dano, ou pelo menos acidentes mais credíveis é coisa que não existe aqui. A música tem toda uma toada de “dance music” dos anos 90. Acredito que para alguns seja uma boa banda sonora, já eu prefiro outras andanças.

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Eléctricos (sem se deslocarem em carris) são alguns dos obstáculos que nos teremos de desviar

O facto de ser um jogo homologado pela Porsche não se fica por aqui. Um dos extras que podemos aceder é a opção “View Boxter”, onde temos acesso a um pequeno vídeo com pouco mais de 2 minutos onde vemos um pequeno “making-of” do Porsche Boxter. O foco em demasia que se dá ao na altura novo modelo da Porsche é bastante exagerado, ficamos com a ideia que isto não é muito mais que um enorme anúncio “comprem um Porsche Boxter, se tiverem dinheiro” na forma de um jogo. O facto de só ter um modelo jogável e poucos circuitos realmente distintos entre si tiram algum mérito a este jogo. Ainda assim, com a sua jogabilidade mais arcade não deixa de ser um jogo divertido, e se o encontrarem baratinho, é sempre uma boa opção para a biblioteca da Playstation.

The Orange Box – Team Fortress 2 (PC)

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Não tenho interesse em escrever sobre jogos free-to-play, mas como este Team Fortress 2 para todos os efeitos foi comprado na compilação The Orange Box da Valve, cá vai este artigo. The Orange Box é uma excelente compilação de jogos da Valve que até já foram revistos neste espaço, contendo o Portal, Half-Life 2 e os seus Episode 1 e 2, e este Team Fortress 2 como jogo meramente multiplayer. É um jogo bastante divertido e balanceado e o seu foco em micro transações não retira (grande) competitividade a quem jogue mais casualmente ou simplesmente não queira gastar dinheiro. A minha cópia do The Orange Box foi comprada algures em 2012, no ebay UK, tendo-me ficado por cerca de 15€. Infelizmente é uma edição EA Classics ao invés da edição normal, mas foi um erro do vendedor. Não me quis chatear e optei por ficar com esta versão na mesma.

The Orange Box PC
Compilação completa com caixa e folheto.

Em primeiro lugar devo dizer que ainda não joguei o primeiro Team Fortress, apesar de estar na minha biblioteca do Steam já há bastante tempo. Assim sendo, não tenho a certeza quais serão as reais inovações deste TF2 face ao original (tirando as microtransacções, claro), pelo que irei escrever sobre este TF2 como se não tivesse existido nenhum anterior.

Apesar de virtualmente inexistente no próprio jogo, existe um background histórico por detrás de Team Fortress 2, explicado no site/blogue oficial através dos seus vídeos promocionais ou mesmo banda desenhada que a equipa produtora vai publicando. Basicamente o jogo consiste na rivalidade entre os irmãos Redmond e Blutarch Mann (e posteriormente Gray Mann também entra na disputa), filhos de um notório ricaço britânico com uma poderosa indústria de armas. Podemos jogar então como um mercenário nas equipas Red e Blue, correspondentes a Redmond e Blutard, na sua longa disputa entre os seus territórios, minas e fábricas. Mais tarde surge o irmão perdido Gray Mann, com o seu exército de robots (dando lugar à campanha cooperativa Mann vs Machine). Mas apesar de as comics e vídeos promocionais estarem repletos de humor, no jogo nunca se dá grande importância a isso, no final de contas este é um jogo meramente multiplayer.

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O jogo possui ferramentas para editar vídeos do jogo e publicar na internet

Do que eu mais gostei no Team Fortress 2 foi mesmo do seu sistema de 9 classes, bem balanceadas com os seus pontos fortes e fraquezas características. Existem 3 tipos de classes: ofensivas, defensivas e de suporte, cada uma tendo 3 “profissões” diferentes. Nas ofensivas temos o Scout, bastante ágeis, capazes de saltar duplamente, mas a custo de menos vida; os Soldier, equipados com rocket launchers e com a habilidade de rocket-jump e os meus preferidos, os Pyro, munidos de um lança-chamas e completamente dementes. Nas classes defensivas temos o Demoman, que utilizam vários tipos de granadas e bombas que servem para plantar armadilhas explosivas; os Heavy, basicamente os sacos de porrada do jogo, conseguem absorver bastante dano, apesar de se movimentarem lentamente; e os Engineers, capazes de construir vários tipos de aparelhos, como sentry-bots, portais de teletransporte ou armazéns de munições e pontos de vida. Por fim temos as classes de suporte com os Medics, que como o nome indica conseguem curar os jogadores e possuem a habilidade de Ubercharge, conferindo invencibilidade temporária para eles mesmos e mais um companheiro; os Snipers que dispensam apresentações e por fim os Spies, capazes de se tornarem temporariamente invisíveis, mascararem-se de jogadores da equipa adversária, podendo-os assassinar com facadas nas costas, ou sabotar equipamentos construidos por Engineers inimigos. Cada classe possui uma arma principal, secundária e melee, que vão sendo distintas entre si. Classes como os Engineers, Medics ou mesmo os Spies se bem utilizadas tornam-se uma mais valia para a equipa, fazendo com que um jogo que aparentemente tem um feeling bastante arcade e carefree, também possa ter uma componente estratégica e de cooperação muito forte.

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Existem alguns modos de jogo e arenas especiais para determinados eventos como o Halloween ou Natal

Existem muitos modos de jogo diferentes, alguns foram sendo introduzidos com vários updates ao longo dos anos, como o Mann vs Machine, um modo cooperativo onde uma equipa tem de enfrentar diversas waves de robots e impedir que a enorme bomba que carregam chegue ao seu destino. Variantes dos já conhecidíssimos deathmatch, capture the flag e king of the hill são pontos assente, embora sinceramente nem os tenha experimentado, assim como várias versões de “Control Points“, onde vamos lutando com a outra equipa de forma a conquistar uma série de checkpoints ao longo de uma partida. Mas os modos de jogo que eu sem dúvida perdi mais tempo foram as variantes do Payload. Numa ou jogamos com a equipa defensiva (Red) ou ofensiva (Blue), em que estes têm de carregar um carrinho cheio de explosivos da sua base para a base adversária, ou noutro modo de jogo devem competir entre si, cada equipa levando o seu carrinho e tentando impedir que os inimigos levem o deles avante.

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Muitas arenas possuem a temática de extração mineira, algo que faz parte do background histórico do jogo

O facto de o jogo ter passado a um modelo “free-to-play” deve-se à micro-economia gerada no jogo, com os seus imensos items cosméticos, armas extra e muitos outros que podem ser adquiridos por diversos modos. Embora as armas/acessórios extra possam conter habilidades (e algumas desvantagens), que possam marcar a diferença ao estilo de jogo de cada um, ultimamente o jogo parece-me ser justo, pois muitos dessas armas podem ser adquiridas gratuitamente através de drops automáticas ao longo do jogo, outras por achievements. Para quem quiser gastar dinheiro pode sempre comprá-las na loja própria do jogo, assim como outros items cosméticos, ou pode também se aventurar no sistema de crafting, geralmente requirindo otros items ou metais que possamos comprar, para criar novos items. Outros ainda podem ser adquiridos como items promocionais ao comprar outro jogo, aconteceu-me ter recebido um item cosmético ao comprar o Faerie Solitaire, por exemplo. Infelizmente esta coisa toda dos items leva a que alguns jogadores entrem nalgumas partidas e façam apenas idle de forma a obter os items aleatórios, mas não estraga a experiência. Por outro lado, como o jogo tem um enorme suporte da steam workshop, existe uma enorme comunidade de jogadores a desenvolver mapas para o jogo, alguns deles acabam por sair mesmo em updates oficiais.

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É possível obter as mais variadas armas, acessórios e cosméticos por diversos meios

Visualmente o jogo possui um aspecto bastante cartoonish e colorido, o que na minha opinião acenta perfeitamente no ambiente bem humorado que transmite. O jogo parece decorrer algures nas décadas 60/70, pelo aspecto dos mapas que jogamos. Já estes são na sua maioria mapas industriais, ou de extracções mineiras, o que teoricamente assenta bem no background de história do jogo. Diria até que dos jogos que utilizam o motor gráfico source, este é mesmo o mais bem conseguido, precisamente pelo seu aspecto irrealista. As músicas, quando existentes, geralmente em menus e afins, são excelentes, e mais uma vez parecem mesmo assentar em filmes de acção/espionagem das décadas de 60 e 70. Os efeitos sonoros, como as falas das personagens, são também bastante icónicas do jogo, bem humoradas e agradaram-me bastante.

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Ver o mundo através da pyrovision é só a coisa mais awesome de sempre.

Para todos os jogadores de PC que gostem de bons jogos multiplayer, este é um daqueles jogos obrigatórios de se ter no Steam, até porque é gratuito. Ainda assim, quem gostar de o ter na prateleira e ter as “vantagens” de ser um utilizador premium, existem algumas lojas em Portugal que ainda vendem o jogo em caixa a 5€. Eu diria que é um muito melhor negócio obter logo a The Orange Box, uma compilação excelente que também se encontra a um preço bem agradável nos dias que correm.

Super Probotector: Alien Rebels (Super Nintendo)

Super Probotector Alien RebelsTinha de acabar o ano de 2013, ou começar o ano de 2014 – depende da hora em que lerem isto – com um jogo excelente. Super Probotector: Alien Rebels, mais conhecido lá fora como Contra III: The Alien Wars, é uma das coqueluches da Super Nintendo que felizmente tive a sorte de arranjar a um preço muito bom a um colega de trabalho. E porque raio isto não se chama Contra por cá? Bom, temos de agradecer aos nossos amigos alemães que, por alturas em que o primeiro Contra saiu, as suas políticas de censura fizeram com que a Konami alterasse um pouco o jogo, de forma a substituir os humanos por Robots. Essa mudança trouxe também o nome “Probotector”, que se foi mantendo por cá até ter saído o Contra: Legacy of War para a Playstation. A minha versão do jogo está completa, embora a caixa não esteja no melhor estado.

Super Probotector Alien Rebels - Super Nintendo
Jogo com caixa, manuais e papelada.

As únicas diferenças entre este jogo e a versão Americana estão mesmo na substituição do título e dos heróis humanos (Jimbo e Sully) por 2 robots: RD008 e RC011. Essa substituição é feita no jogo e nos vários ecrãs com artwork. Como a maioria dos inimigos na versão normal já eram robots, essa mudança não foi necessária na versão europeia. De resto, pareceu-me idêntico, mas como sempre me habituei à versão americana por emulação, confesso que algumas outras diferenças me poderão passar ao lado. E no restante artigo irei chamar a este jogo Contra III, porque sim.

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O ecrã-título desta versão

A história é a de uns Aliens que já tinham invadido a Terra em alguns jogos anteriores, voltaram à carga algures no século XXVII e desta vez a coisa parece ser ainda mais catastrófica, a avaliar pelos cenários que vamos atravessando. O resto da história não é difícil de imaginar, na Terra só há 2 heróis capazes de derrotar toda esta ameaça, Jimbo e Sully na versão Americana, e os robots manhosos nesta nossa versão.

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Os bosses são enormes, como sempre o devem ser.

A jogabilidade é, na sua maioria, a de um sidescroller. Com o lançamento das consolas de 16bit, os jogos deste género ganharam bastante com essa evolução tecnológica e Contra III não é uma excepção. O jogo para além de ser visualmente bem mais colorido e detalhado, a jogabilidade é bem mais frenética, embora não esteja ao nível de um Contra Hardcorps (falta o blast processing!). A versão japonesa deste jogo é mais fácil, existindo cheat codes que permitem obter 30 vidas e tem também um número ilimitado de continues. As versões ocidentais têm um número fixo de vidas e continues, mediante o grau de dificuldade escolhido. Tendo em conta que para se obter o melhor final é necessário terminar o jogo em hard, estejam à espera de um bom desafio na mesma. Como é habitual na série, o jogo possui vários power-ups e diferentes armas que podemos utilizar, para além de que neste jogo podemos guardar 2 tipos de armas ao mesmo tempo e alternar entre eles sempre que desejarmos. Também podemos recolher uns mísseis especiais e utilizá-los em momentos oportunos, matando todos os inimigos presentes no ecrã. Existem também algumas habilidades novas, como carregar no botão L ou R para “pregar” os heróis ao chão, permitindo disparar com maior precisão, ou carrregar em ambos simultâneamente para que dêm um salto mortal, disparando projécteis em todas as direcções.

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Um nível repleto de adrenalina!

Infelizmente o jogo apesar de ser intenso, é um pouco curto, tendo só 6 níveis. Dois desses níveis jogam-se com uma perspectiva aérea, onde temos de destruir uns quantos “monster generators“. Os controlos são diferentes, aqui a personagem está estática no ecrã, onde utilizamos os botões L e R para rodar o cenário, fazendo uso das capacidade Mode 7 da SNES. E dos sidescrollers, há um nível particularmente intenso em que conduzimos a alta velocidade numa moto por uma auto estrada, disparando em tudo o que mexa, culminando numa batalha aérea contra um boss gigante, saltando de míssil em míssil. Um momento Contra bastante memorável. Também não podia deixar de referir o modo para 2 jogadores, que nestes níveis em top-down view se joga com um split-screen horizontal.

Graficamente era um jogo muito bom para a altura e plataforma em que foi lançado. Os gráficos são bastante detalhados e coloridos, bons efeitos como explosões e bosses gigantes e ameaçadores. As músicas são também boas, embora eu preferisse uma banda sonora mais rockeira, mas penso que a SNES não é a plataforma indicada para essas sonoridades. As músicas têm todas uma toada electrónica e acompanham bem a acção de todo o jogo, mas sinceramente não acho que seja uma banda sonora tão boa como alguns fãs possam dizer o contrário.

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Os níveis em top-down-view no modo 2 jogadores são jogados em splitscreen, com duas variantes distintas.

Este jogo ainda teve algumas conversões, nomeadamente uma versão naturalmente capada para a Gameboy original, e uma nova versão Contra Advance: The Alien Wars EX para a Gameboy Advance. Pelo que me recordo, há diferenças notórias entre esta versão e a conversão GBA são a substituição dos 2 níveis com câmara aérea por 2 níveis do Contra Hard Corps da Mega Drive, mais algumas alterações à jogabilidade, como sacrificar o poder carregar com 2 armas e as super bombas por um esquema de lock on nos inimigos. Eu diria que alteraram demasiado o clássico, no entanto, esse jogo foi lançado na Europa com o nome Contra e os heróis humanos, pelo que poderá ser uma mais valia para alguns. As versões existentes na Virtual Console em território Europeu continuam com o nome Probotector, infelizmente. Por essas razões, as versões SNES, apesar de geralmente serem caras, continuam a ser uma opção de respeito. E claro, o jogo é excelente. Bom ano de 2014 a todos os leitores!

Still Life 2 (PC)

De volta às aventuras gráficas do PC com este Still Life 2, onde mais uma vez encarnamos na agente Victoria McPherson do FBI de forma a tentar parar mais um serial killer que está a assolar os norte-americanos. Mais um jogo produzido pela Microids, os mesmos de Dracula e Syberia, e tal como os seus predecessores Post Mortem e Still Life, este jogo tem uma temática mais matura e entrou na minha conta do steam por intermédio de algum bundle a um preço muito bom.

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O anterior Still-Life terminou num cliffhanger, sem se saber a identidade o assassino em série da altura, e este jogo inicialmente descarta completamente essa história, sendo passado 3 anos mais tarde, em 2008,  com um novo assassino em série à mistura. Ainda assim, através de flashbacks de Victoria vamos poder finalmente saber o desfecho do caso anterior. Mas passando de vez para este jogo, este tem mais uma vez duas personagens jogáveis. Este novo assassino em série, apelidado de East Coast Killer é um assassino mais mediático. Por um lado, tal como o anterior, apenas vitima mulheres, já por outro, envia cassetes das suas torturas e assassinatos quer para as autoridades quer para os meios de comunicação. E também tal como o jogo anterior, vamos alternando entre 2 personagens jogáveis, por um lado a “veterana” Victoria McPherson, por outro a jornalista Paloma Hernandez, que se encontrava a investigar o assassino, acabando por ser raptada por ele mesmo.

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O jogo começa com Victoria a analisar os ficheiros das primeiras vítimas

Grande parte do jogo é passada numa mansão abandonada utilizada pelo assassino de forma a torturar e matar as suas vítimas. Por um lado, enquanto Victoria, passamos a maior parte do tempo em trabalho de investigação forense – recolher impressões digitais, analisar manchas de sangue, tecidos, equipamentos electrónicos, entre outros – por outro lado quando jogamos com Paloma, como ela está aprisionada na mesma casa, o objectivo é consiste em sobreviver às armadilhas plantadas pelo assassino e tentar escapar com vida da mesma casa. Se a ideia de ter um assassino, uma vítima, e várias autoridades na mesma casa, ao mesmo tempo, a brincarem ao gato e rato ao longo das cerca de 10-12h de jogo possa parecer rebuscada, a verdade é que a casa é realmente grande, com várias divisões, um gigante abrigo subterrâneo e muitas dessas divisões estão grande parte do tempo trancadas. A história vai tendo imensos plot twists que vão dando fulgor ao jogo, bem como uma série de puzzles lógicos como já o existiram no primeiro jogo.

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Conseguiram capturar bem a atmosfera de medo provocada pelo assassino neste jogo

A jogabilidade é então a de um jogo de aventura clássico point-and-click, na medida em que temos de falar com várias personagens e interagir com diversos objectos de forma a progredir na história. No entanto o jogo apresenta alguns conceitos fora do comum. Tinha-me queixado que não gostei muito do inventário e interface geral no primeiro jogo, as coisas aqui mudaram um pouco, embora continuem a não ser perfeitas na minha opinião. O inventário em si é composto por 16 quadradinhos. Cada item que podemos coleccionar ocupa entre 1 a 16 quadrados, pelo que devemos gerir o inventário com algum cuidado. Ao longo da casa existem diversos locais onde podemos armazenar os itens excedentes, mas como isto não é o Resident Evil onde os baús são mágicos, aqui temos mesmo de memorizar onde deixamos os outros items anteriormente. E isto espalhado por uma casa gigante, repleta de salinhas e passagens sinuosas acaba por ser um pouco aborrecido por vezes ter de percorrer imenso só para ir buscar um item a um armário. Isto porque a movimentação infelizmente não é a melhor também. Faz-me lembrar um Resident Evil clássico com os tank controls substituidos pela movimentação point-and-click, que, com a transição de ângulos de câmara é por vezes confusa.

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O kit de análise forense do FBI que Victoria carrega, com todas as ferramentas que podemos utilizar

Victoria e Paloma têm algumas peculiariadades na sua jogabilidade também. Victoria possui um kit de análise forense do FBI repleto de diversas ferramentas que serão úteis no decorrer do jogo: pó para identificar impressões digitais, um leitor 3D das mesmas, pinças e “cotonetes” para recolha de objectos, sangue, ou otros fluídos para análise, um microscópio portátil, entre outros. E durante o jogo teremos de fazer mesmo muitas destas análises e o que era interessante nas primeiras vezes, acaba por se tornar mecânico com o decorrer da aventura. Victoria possui ainda um telemóvel que lhe permite fazer chamadas, ou registar ficheiros que vamos recolhendo. Paloma tem algo semelhante, um gravador de repórter, onde também regista alguns dados. Neste jogo também é possível as personagens morrerem. Num certo ponto da história teremos armadilhas para desarmar, armadilhas essas que nos poderão matar. Felizmente existem alguns medkits que poderão ser utilizados nessas situações. As outras consistem em tanto Victoria como Paloma escaparem das armadilhas preparadas pelo assassino. Existe um contador no canto superior direito do ecrã que nos indica o tempo disponível para nos safarmos dessa situação, geralmente resolvendo alguns puzzles sob pressão. É aqui que entra a influência dos filmes Saw neste jogo.

Para um jogo de 2009, os seus gráficos deixam um pouco a desejar, não sendo muito melhores que os do primeiro jogo. Ainda assim, não deixou de ser minimamente competente nesse campo. As cutscenes em CG têm uma boa qualidade e conseguem transparecer muito melhor as emoções transmitidas pelas personagens do que os diálogos normais propriamente ditos. O voice acting, tal como os outros 2 jogos da série têm os seus altos e baixos, por vezes os diálogos são mesmo bons e o acting também, outras vezes é só o acting que falha um pouco e ainda outras vezes ouvimos algumas one-liners muito fatelas. Já a música tende a ser muito tensa, embora por vezes entre em momentos que não deveria. Por exemplo, quando entramos pela primeira vez numa determinada sala muito macabra, entra uma música algo tenebrosa a acompanhar, o que até faz todo o sentido. No entanto, depois de já estar essa sala toda explorada e mais que explorada, o factor medo ou surpresa já não entra na equação, mas a mesma musiquinha lá volta a tocar sempre que lá entremos.

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O assassino antes de matar as vítimas tortura-as com jogos macabros, tal como Saw

No fim de contas acho Still Life 2 um bom jogo de aventura, para quem gostar de uma história matura, com crimes violentos para resolver, e uma história repleta de plot-twists. A jogabilidade ainda poderia ser um pouco melhorada, o jogo continua com alguns defeitos (para mim o pior continua a ser a má optimização do jogo nos PCs), mas esses defeitos não retiram a diversão que o jogo acaba por proporcionar.