Colecção de videojogos – alguns "rants" e análises
Autor: cyberquake
Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
Voltando agora à série de ficção científica Star Wars para mais uma rapidinha a um jogo que acabou por ser bastante polémico por ser mauzinho: Masters of Teras Kasi é um jogo de luta 1 contra 1 em 3D, tal como Virtua Fighter ou Tekken e enquanto o universo de Star Wars está repleto de personagens que figurariam bem num jogo de luta (mediante se se pudessem utilizar os lightsabers e afins), a verdade é que as coisas não foram lá muito bem aproveitadas aqui. O jogo entrou na minha colecção após ter sido comprado entre um ou dois meses atrás, tendo-me custado 3€ na Cash Converters de Alfragide.
Jogo com caixa e manual
O jogo decorre no universo de Star Wars compreendido entre os episódios IV e V, a “primeira” trilogia, portanto. Algures depois do ataque à Death Star, o Imperador recruta os serviços de Arden Lyn, uma mestre na arte marcial de Teras Kasi, para assassinar os membros mais importantes da aliança rebelde, incluindo claro está Luke Skywalker, Han Solo e a Princesa Leia. Misturando mais algumas personagens como Boba Fett ou guardas de Tatooine, parecia estar aqui uma receita para o sucesso, não fosse a jogabilidade mázinha. Isto porque este é um jogo lento, pobre em animações – os personagens quase que parecem marionetas a mexerem-se, e os controlos não têm uma boa capacidade de resposta. O facto de podermos usar armas como light sabers ou armas laser também introduziu alguns imbalanceamentos, onde os light sabers acabam por ser bem mais eficazes, apesar de as animações também me parecerem estar mázinhas. O jogo tem também apenas 2 modos: o “arcade” e um versus para 2 jogadores. Mas ao menos poderemos ir desbloqueando algumas personagens novas, como o Darth Vader ou a princesa Leia na sua forma de escrava, por exemplo.
Os cenários vão sendo variados e são certamente a coisa mais “bonita” do jogo.
Graficamente é um jogo com backgrounds bonitos e animados, alguns até com Snowspeeders e AT&ATs a combaterem no fundo, mas as personagens tal como referi atrás parecem marionetas, há algo ali que não bate certo. Os efeitos sonoros são OK, já a música sendo licenciada de toda a série Star Wars, naturalmente que é muito boa. De resto, quer se queira quer não, este é um daqueles jogos que apenas recomendo aos fãs de Star Wars, ou aficcionados em jogos de luta no geral, embora esses certamente irão ficar desapontados com a jogabilidade deste jogo.
Ora cá está um jogo que faz plena justiça ao seu nome: Mass Destruction! Infelizmente é um jogo relativamente simples e sem muito conteúdo, pelo que esta análise também não será longa. Este jogo faz-me lembrar a série “Strike”, pelo seu contexto militar e pelo facto de termos sempre um briefing antes de cada missão, onde teremos uma série de objectivos a cumprir, como destruir radares, centrais de energia ou escoltar algum VIP em zona de combate. Mas ao invés de termos um helicóptero, conduzimos sempre um tanque e as coisas no geral são bem mais “arcade” do que realistas. Este jogo entrou na minha colecção algures em 2010 ou 2011, não me recordo bem. Foi-me oferecido por um amigo de infância, e infelizmente não está nas melhores condições. Assim que arranjar uma versão melhor obviamente que será substituída. Edit: recentemente arranjei por 1€ uma caixa em melhor estado que acabei por substituir pela anterior.
Jogo com caixa e manual português
Tal como na série Strike, há por aí um país qualquer com planos terroristas e cabe a um one-man army com o seu super tanque travar as ambições megalómanas desse exército misterioso. Inicialmente dispomos de um menu onde podemos seleccionar a campanha a jogar, cada uma com mais níveis/missões que a anterior e supostamente com um grau de dificuldade também. Depois disso teremos de escolher qual o tanque para levar à campanha, tendo nós 3 hipóteses de escolha. Temos um tanque que é all around, tanto em armadura, ataque e agilidade, outro que é mais rápido mas têm menos defesa e por fim temos o inverso, um mega tanque bem robusto mas sacrifica na agilidade. E de resto somos largados num mapa repleto de edifícios prontos a ser destruídos e vários inimigos que se tentam opor ao nosso poderio ofensivo, desde soldados equipados com rocket launchers ou lança-chamas, a outros veículos terrestres e não só.
À esquerda: os tanques que podemos escolher. À direita: BOOOM!
E neste jogo apesar de termos alguns objectivos primários traçados que teremos obrigatoriamente de os cumprir para avançar para a missão seguinte, não necessitamos obrigatoriamente de nos cingir a apenas esses. Por vezes teremos alguns objectivos secundários ou mesmo outros secretos que só os descobrirmos ao explodir com alguma coisa que não era necessariamente suposto. Mas esses objectivos dão acesso posteriormente a algumas missões extra portanto… bombs away! No entanto, se nos quisermos apenas cingir aos objectivos principais, basta consultar o radar ou mapa que os alvos a abater aparecem indicados no ecrã. Se não me engano temos 25 missões normais ao longo das 5 campanhas, mas são 35 missões ao todo se desbloquearmos as secretas. Infelizmente não há muita variedade, sendo quase todas “destrói edifício x”, existindo algumas excepções quando temos de escoltar alguém ou abater alvos que podem fugir. De resto para além da metralhadora pesada existem imensos outros tipos de munição que podemos descobrir, desde morteiros, mísseis normais, outros teleguiados, lança-chamas, etc. O jogo pode não ter muita variedade de coisas para fazer, mas ao menos é divertido!
Nos audiovisuais é um jogo fraquinho, mas diverte qb
Graficamente não é um jogo assim tão bom. Os cenários não têm muito detalhe e, apesar de existirem variedades de desertos, trópicos, neve e urbano, as texturas não são nada boas e têm uma resolução muito baixa. E os modelos poligonais são ainda muito simplistas e primários, este não é um jogo que prima propriamente pelo seu poderio gráfico. Ainda assim, devido ao facto de ter sido desenvolvido primariamente para a consola da Sega, é das poucas excepções em que um jogo 3D consegue ser melhor na consola da Sega do que na da rival Sony, e os tempos de loading são bem menores. Os efeitos sonoros são OK, mas a música merecia ser melhor para um jogo cheio de acção como este. Existem também algumas cutscenes entre cada campanha, mas infelizmente também não são lá muito famosas. Fazia-se o que se podia!
Resumindo este é um jogo simples e tecnicamente não muito famoso. Mas para quem quiser apenas uma desculpa para andar a destruir tudo à sua volta com o seu tanque então sim, Mass Destruction marca pontos!
Benvindos à primeira análise de um jogo de NES neste blogue. Isolated Warrior é um jogo que comprei “porque sim” e sinceramente nunca tinha ouvido falar sequer que o dito existia. E por mais deprimente que seja, este Isolated Warrior é para já o meu único jogo de NES, pelo que tão cedo não teremos outro artigo. O jogo entrou na minha colecção no ano passado, tendo vindo num pequeno bundle que comprei, com o Virtua Cop 2 da Saturn mais a sua lightgun. Dividindo as contas, ficou-me por 5€, sendo apenas o cartucho. E devo dizer que o jogo me impressionou bastante pela positiva!
Jogo, apenas cartucho
Vindo das empresas obscuras KID e VAP, este jogo é um shooter futurista com uma perspectiva isométrica, algo como o clássico Zaxxon da Sega, no início da década de 80. Para além de shooter, tem também ligeiros elementos de platforming, na medida em que dispomos de um botão para saltar. E a história de Isolated Warrior é simples: no futuro, algures num planeta habitado por humanos, vê-se invadido por uma raça alienígena que dizimou bastante a população desse planeta. Os esforços militares não resultaram, mas nada que fizesse desmotivar Max Maveric, o top shot lá do sítio, lançando-se sozinho num combate para libertar o planeta do domínio extraterreste. É preciso mais?
Ao longo do jogo teremos direito a pequenas cutscenes que nos vão contando a história
Inicialmente começamos o jogo nas ruas do planeta Pan, com Max a andar a pé e disparar sobre tudo o que mexe. Dispomos de 2 armas principais, uns projécteis lineares que disparam directamente para a frente, ou uns projécteis mais fracos, mas que alcançam uma área maior. Podemos alternar livremente entre as duas armas ao carregar no botão select. Também como é habitual temos uma arma especial de munição limitada, nomeadamente umas bombas que causam dano forte sobre uma área maior. Depois temos uma barra de energia que teremos de ter cuidado para que não se esvazie e nos faça perder uma vida. Ao longo do jogo veremos imensos power-ups, onde para além de items que nos regenerem a vida, aumentem a nossa agilidade, ou restabeleçam algumas dessas bombas especiais, temos também powerups que dão um dano maior nas nossas armas principais, tal como é feito nos Gradius. Só que se perdemos uma vida, lá se vão os powerups nas armas e teremos de começar de novo com os tiros fracos. Isso é mais preocupante nos combates com os bosses, que existem sempre no final de cada nível, ou ocasionalmente até nos mid-bosses que teremos em alguns mísseis.
Em algumas secções do jogo, como esta, o facto de podermos saltar será posto à prova
Um outro item é um escudo que nos protege até termos sido atingidos por 5 projécteis. O facto de termos um botão para saltar também adiciona alguns elementos de estratégia. Podemos saltar por cima de alguns inimigos e os seus projécteis, embora por vezes seja algo complicado distinguir entre inimigos terrestres e aéreos. Os aéreos têm sempre uma sombra por baixo, mas por vezes no meio de toda a confusão torna-se difícil de os distinguir. O facto de podermos saltar inclui também alguns elementos de platforming, onde por vezes teremos de saltar sobre abismos ou sobre solos que nos causam dano. Inicialmente no primeiro nível andamos a pé, mas no segundo usamos um jetpack enquanto sobrevoamos um rio. Por vezes teremos essa benesse de usar um veículo que voa, então os elementos de platforming perdem a sua razão de ser, no entanto podemos sempre usar os saltos para nos esquivarmos dos inimigos na mesma. Um dos outros veículos que usamos é uma moto bastante veloz, onde teremos de percorrer um nível a alta velocidade, numa estrada repleta de abismos sem fundo, onde para além de todos os inimigos teremos de ter um cuidado muito especial com o que nos rodeia.
Alguns boss estão muito bem detalhados como este, embora para isso se sacrifiquem os backgrounds. Mas tal será explicado na cutscene seguinte…
Graficamente é um jogo interessante, pelo menos considerando as capacidades da NES sem o uso de nenhum chip adicional. Temos diversos cenários com um nível considerável de detalhe, desde as tais ruas em ruínas, o rio, ou os desfiladeiros já falados, mas também a estação espacial dos aliens são alguns dos cenários que teremos de atravessar. Inicialmente dispomos de 6 níveis, mas se os conseguirmos completar a todos sem perder nenhuma vida, desbloqueamos o sétimo e último nível, onde teremos pela frente o verdadeiro boss final e também o final real do jogo. Geralmente no fim de cada nível temos também direito a umas pequenas “cutscenes” – são pequenas mesmo, nada ao nível dos Ninja Gaidens, mas que ao mesmo tempo vão sendo úteis para nos contextualizar com a história. Passando para os efeitos sonoros e música, os primeiros são OK, e a música, bom, se há algo que eu realmente gosto na NES é o seu chip de som, responsável por nos ter dado a conhecer imensas músicas que se tornaram autênticos hinos desta indústria. E por incrível que pareça num jogo tão obscuro como este, Isolated Warrior tem uma banda sonora excelente.
No fim de contas devo dizer que este foi um jogo que me impressionou bastante, sendo muito provavelmente uma hidden gem do catálogo de shooters da NES, pela sua jogabilidade interessante, um bom pacing de jogo com muita acção, visuais decentes e uma excelente banda sonora. Recomendo a todos os fãs de shooters.
Confesso que nunca cheguei a jogar nenhum dos Gun Survivors anteriores, sejam da série Resident Evil, ou Dino Crisis. Mas este pareceu-me ser bastante diferente, misturando os conceitos dos Resident Evils tradicionais, com a navegação em terceira pessoa e a exploração e resolução de puzzles básicos, com a jogabilidade em first person dos shooters típicos de light guns. Infelizmente o produto final não foi o melhor, pelas razões que irei descrever lá mais para a frente. Este jogo entrou na minha colecção há uns meses atrás, após ter sido comprado por 2.5€ na feira da Ladra, em Lisboa.
Jogo com caixa, manual e disco
E o jogo coloca-nos inicialmente na pele de Bruce McGivern, um agente norte-americano de uma unidade criada exclusivamente para tratar de assuntos relacionados com os actos de bioterrorismo da Umbrella. Somos então levados para o navio Spencer Rain, da própria Umbrella, que foi tomado de assalto por um ex funcionário da empresa, Morpheus D. Duvall, que libertou intencionalmente as armas biológicas que vinham no navio, tornando toda a tripulação em zombies sedentos de sangue. Para além disso, Morpheus pede um resgate aos governos norte americano e chinês no valor de um bilião de dólares, caso contrário mandará lançar mísseis com ogivas repletas do T-Virus para várias das principais cidades de ambos os países. A nossa missão claro está, será neutralizar Morpheus, e todos os zombies ou outras armas biológicas que nos cruzem pela frente.
Se virmos um zombie a esta distância, geralmente já é tarde
O jogo possui um conceito interessante de jogabilidade, misturando a exploração em 3D na terceira-pessoa dos Resident Evil clássicos, com a jogabilidade em primeira pessoa de um light-gun game. Cada vez que nos preparamos para disparar, o jogo leva-nos de imediato para a primeira pessoa, onde se estivermos a jogar com um gamepad, aparecerá um cursor no centro do ecrã a servir de mira. Mas ao contrário dos outros light-gun games que conheço, cujos são sempre em percursos prédefinidos – on rails – os inimigos aqui não morrem logo com 1 ou 2 tiros, mas acabam por ser autênticas esponjas de balas. Isto porque nos podemos movimentar livremente, mesmo quando estamos em primeira pessoa, embora de uma forma mais lenta. Para além do mais, os inimigos possuem pontos fracos – geralmente os dos zombies são mesmo as cabeças, que devemos procurar atingir, de forma a poupar munição. Sim, porque este é um light gun game com munição limitada e se nos pusermos a disparar para tudo o que mexe à toa não vamos muito longe.
Os bosses são bem mais desafiantes, como seria de esperar.
Existem diversas armas, desde revólveres a shotguns, metralhadoras ou mesmo lança-rockets, mas todas elas com munição limitada. Claro que se chegarmos ao final do jogo com uma performance de A ou S vamos conseguir desbloquear algumas munições infinitas como vem sendo normal nos jogos da série. Um acessório interessante é o silenciador do revólver, pois é possível passar despercebido por alguns zombies, a menos que façamos barulho. Com o silenciador e apontar para as cabeças a tarefa fica mais facilitada. Infelizmente jogando com o gamepad isso poderá não ser tão fácil assim, especialmente com alguns dos zombies que são mais rápidos ou com os Hunters que são sempre chatos. O jogo tem suporte para a G-con2, que eu não tenho, o que certamente traria um grau de precisão maior. De resto a jogabilidade é semelhante aos Resident Evil clássicos, onde nós temos a liberdade total de explorar os cenários, interagir com objectos e os puzzles simples de procurar chaves ou outras maneiras de aceder a locais inacessíveis, bem como os já esperados bosses, que são autênticas esponjas de balas. Para além de Bruce também poderemos jogar alguns segmentos do jogo com uma outra agente secreta, desta vez do governo chinês – Fong Ling. Ao jogar com a Fong as coisas mantêm-se com a mesma fórmula.
Os diálogos são maus. Muito maus mesmo.
Mas é nos audiovisuais que as coisas se perdem um pouco. Os gráficos podem não ser nada do outro mundo, mas são competentes. O jogo não se passa só no navio, mas a segunda metade é passada numa base da Umbrella, algures perdida numa ilha remota. As cutscenes também existem num CGI um bocado manhoso, infelizmente. Mas o que me irrita mesmo é todo o trabalho de som. Os grunhidos dos zombies e outras criaturas são muito maus, e todo o trabalho de story telling ou voice over é demasiado mau, parece mesmo retirado de um filme de série B, mas sem a parte cómica que esses filmes costumam sempre ter. Dá mesmo a entender que este jogo foi desenvolvido por uma equipa secundária da Capcom e mesmo para tapar buracos, o que é pena. De qualquer das formas tem os seus momentos e apesar de na minha opinião ser um jogo que merecia ser mais polido e refinado, acho que marca pontos pela sua jogabilidade mista e a forma como conseguiram fundir 2 géneros completamente distintos de videojogos.
Voltando aos jogos indie, para mais uma rapidinha. E o jogo que falarei hoje é o Doc Clock: The Toasted Sandwich of Time, um sidecroller/puzzle game que, embora tenha os seus defeitos, não deixa de ter os seus momentos de insanidade. E este Doc Clock é um produto dos indies da Stickmen Studios, misturando elementos de plataforma, com puzzle-solving e a habilidade de voltar atrás no tempo como no Braid, se tivermos feito asneira. Não me recordo ao certo como este jogo entrou na minha colecção digital do Steam, mas deverá ter sido através de um dos muitos bundles já existentes.
Doc Clock é um inventor meio maluco que após ter inventado a sua torradeira XPTO, ao testá-la transforma acidentalmente o seu gato de estimação num num híbrido com um cacto. Determinado a resolver a situação, Doc Clock dá uso à sua máquina do tempo de forma a voltar ao passado e evitar tudo isto. Claro que tudo corre mal e somos levados a um futuro longínquo, onde os humanos há muito que foram exterminados por uma série de robots conscientes. Para piorar ainda mais as coisas, a máquina do tempo desintegrou-se em diferentes peças espalhadas pelo mundo do jogo. O que vem a seguir é simples, temos de guiar o cientista maluco pelos diversos cenários em busca de todas as peças da sua máquina do tempo. A acompanhar-nos nessa viagem temos uma das outras invenções de Doc Clock, o seu robot-mochila chamado Sack, que lhe permite guardar uma enorme variedade de objectos, independentemente do seu tamanho, sejam pequenas tábuas até banheiras ou sofás inteiros.
Inicialmente os puzzles são tão simples como construir uma escadinha com blocos.
O jogo tem assim as já mencionadas influências de puzzle e jogo de plataformas, pois temos de avançar nos níveis de forma a ultrapassar todos os obstáculos, e Doc Clock não consegue saltar. Inicialmente basta apenas colocar umas tábuas para atravessar algus buracos com espinhos, ou colocar umas caixas em cima das outras para servirem de “escadinha”, mas depois chega a altura em que conseguimos montar o nosso próprio veículo e as coisas aí ficam mais engraçadas. A maneira de construir as coisas é completamente demente. Por exemplo, podemos usar uma banheira de base e juntar 2 rodas, arrastando-as com o rato até à posição onde queremos que elas fiquem e voilá, temos o nosso primeiro carro. Depois com o recurso a aviões de papel gigantes, guarda-chuvas, hélices ou outros objectos que poderemos encontrar ao longo do jogo podemos fazer com que o nosso veículo tenha outros comportamentos, como planar, descer suavemente e por aí fora. Os puzzles acabam por envolver sempre essa manipulação de objectos de forma a fazer tudo, desde atingir alavancas que desbloqueiam passagens, destruir robots inimigos ou ultrapassar esses ligeiros elementos de platforming. Mas como há sempre uma alta probabilidade de o que queremos fazer não sair bem, podendo inclusivamente resultar na morte do cientista, temos também a habilidade de voltar atrás no tempo para repetir as nossas experiências até que consigamos alcançar o que pretendemos.
Sack é uma mochila-robot capaz de guardar uma enorme variedade de tralha que vamos encontrando. E também manda bocas foleiras!
Infelizmente a jogabilidade tem alguns problemas, nomeadamente com a interação de objectos. Por vezes devido à gravidade é complicado construir o que realmente pretendemos, outras vezes é complicado seleccionar o objecto pretendido, no meio da confusão que construimos. Muitas vezes tinha o botão do rato precisamente em cima do objecto que queria agarrar e o jogo assumia o outro objecto no background…. De resto graficamente é um jogo muito simples, colorido, mas com texturas e sprites no geral muito pobrezinhas. A música e efeitos sonoros também não chamam propriamente à atenção, mas gosto do humor sarcástico que o jogo lá vai tendo, com o Sack a estar constantemente a mandar-nos bocas.
Os veículos podem ser construidos com qualquer coisa, desde que tenham rodas e as peças da máquina do tempo que vamos achando.
No fim de contas, este Doc Clock até pode ser um jogo que dê para divertir um bocado, tem algumas boas ideias, mas acho que teria muito mais a ganhar se tivesse sido mais polido e refinado. Se alguma vez o comprarem junto de algum bundle como eu e gostarem de puzzle games, então dêm-lhe pelo menos uma oportunidade.