Colecção de videojogos – alguns "rants" e análises
Autor: cyberquake
Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
Voltando à segunda guerra mundial e à portátil da Sony para mais um jogo da série Medal of Honor que eu tanto gosto. Este Medal of Honor Heroes é um jogo relativamente simplificado, até porque é para uma portátil, mas com uma boa jogabilidade, tendo em conta a falta de um segundo analógico na consola. Creio que me custou uns 3.50€ algures no mês passado na Cash de Benfica, em Lisboa, estando completo e em óptimo estado.
Jogo completo com caixa, manual e papelada
Neste jogo vamos jogando com 3 diferentes personagens que já conhecemos de outros Medal of Honor, daí o nome de Heroes. Temos então Jimmy Patterson do MoH original e do Frontline, John Baker do Allied Assault e por fim William Holt, do MoH Vanguard, ao longo de 3 diferentes campanhas, em Itália, na Holanda e por fim na Bélgica. A jogabilidade é simples e a falta de um segundo analógico é compensada com o uso dos botões faciais triângulo, quadrado e companhia, para servirem para mover a câmara e ao fim de alguns minutos já nos habituamos bem. O gatilho direito serve para disparar, já o esquerdo serve para activar o aiming down the sights ou simplesmente dar pancadas com a arma. As outras funções básicas como agachar,recarregar ou mudar de arma são efectuadas com os botões direccionais.
Na primeira missão temos de fazer um assalto a um aeródromo nazi, destruir umas coisinhas e fugir
Infelizmente o jogo é demasiado simples. Poucas são as missões de sabotagem que sempre foram parte integral desta série, aqui a maioria das missões acabam por ter objectivos de captura e defesa de pontos fulcrais no mapa, defender-se contra waves de inimigos, ou eliminar x soldados nazis. O facto de termos apenas 3 campanhas com 5 missões cada, tornam este jogo também bastante curtinho. Por um lado entende-se, pois estamos a falar de uma portátil e convém as missões serem simples e curtas, mas por outro lado poderiam haver mais coisas para fazer. Temos sempre os objectivos secundários para completar (sempre marcados na bússola, assim como os primários), mas acaba por saber a pouco.
O modo skirmish é essencialmente um deathmatch local contra bots
De resto outra coisa que me desagradou é o facto de os inimigos estarem sempre a fazer respawn e apesar de termos um esquadrão a nos acompanhar, os mesmos são algo burros e inúteis. De resto temos também a vertente multiplayer que sinceramente não cheguei a testar, embora exista o modo skirmish que nos deixa jogar contra bots. Desses modos de jogo temos claro as variantes habituais do deathmatch e capture the flag (infiltration), o demolition que é uma espécie de Counter Strike e por fim outros modos de jogo baseados em objectivos de captura e defesa.
Graficamente é um jogo simples, as texturas e modelos utilizados não são assim nada de especial, pouco melhores que os originais da PS1 são. Mas também é um jogo portátil e com o pouco conteúdo não esperaria nada de extravagante. A parte audio é boa como é habitual nesta série e como sempre temos algumas cutscenes com filmagens a preto e branco da época que são sempre agradáveis de se ver, pelo menos para mim que sempre tive um fascínio com este nosso período da História. Para quem gostar, podemos também desbloquear muitos uniformes adicionais para serem utilizados no modo multiplayer, mediante a nossa performance em cada nível no modo campanha.
A vertente online parecia-me bem completa para um jogo de PSP, com direito a rankings e tudo.
No geral achei um jogo razoável, a nível de jogabilidade acho que realmente não há muito onde melhorar numa PSP e rapidamente me habituei aos controlos. Mas as missões deveriam ser mais diversificadas e acima de tudo, deveriam haver mais e eventualmente outras campanhas a explorar. Segue-se o Medal of Honor Heroes 2, que irá em breve entrar na minha PSP também. A ver o que melhoraram!
Mais uma rapidinha, pois ainda ando a arrotar a rabanadas do Natal. O jogo que trago cá hoje é um jogo da plataformas de mais uma personagem dos Warner Bros, nada mais nada menos que o rato mexicano Speedy Gonzales. E esta é também mais uma edição dos Portuguese Purple, jogos que tiveram um relançamento apenas em solo nacional com esta capa em tons púrpura, cortesia da nossa Ecofilmes. Este exemplar até foi uma oferta de um utilizador do fórum Collector’s Corner, a quem muito agradeço. Só me falta o Sonic Spinball para fechar o set!
Jogo com caixa
Mas sem mais demoras, a história por detrás deste jogo é simples. O gato Sylvester, como sempre, tenta apanhar o pequeno rato, mas como não consegue, decide raptar a sua namorada que agora me falha o nome, e uma série de outros ratos amigos de Speedy, tudo para o atrair e tentar apanhar de uma vez por todas. Então somos largados numa série de níveis de platforming, onde para além de nos esquivarmos de obstáculos e outros bichos como aranhas ou escorpiões gigantes, temos também de encontrar uma pequena chave escondida em cada nível. Ao encontrar essa chave somos levados a uma salinha onde um amigo de Speedy está preso, e simplesmente temos de o libertar. De resto os controlos são simples, com um botão para saltar (e podemos saltar em cima dos inimigos para os derrotar) e um outro botão para atirar chapéus, que podem também servir de arma e coleccionáveis em cada nível.
Nunca percebi muito bem o que são estes bichinhos escuros, pelo que vou chamá-los de aranhas
Eventualmente, de nível para nível, teremos mais algumas funções extra, como apanhar barras de dinamite e atirá-las para o Sylvester, ou lançar uma corda para subir a outras plataformas às quais não conseguimos saltar directamente. No entanto, apesar de ser simples não achei um jogo tão fácil assim, pois levar dano dos inimigos (principalmente se quisermos conservar os chapéus) é fácil e os saltos não são tão precisos como em outros jogos de plataforma. Mas nem todos os níveis são de platforming puro e duro, temos também os tradicionais níveis em água, que tanto controlamos Speedy numa bóia a descer aparentemente um rio, mas a fugir de vários obstáculos, ou um outro em sidescroller onde nadamos no fundo de uma lagoa.
Podemos apanhar vários chapéus espalhados nos vários níveis
Nos audiovisuais sinceramente achei um jogo fraquinho. Se por um lado as sprites são coloridas e bem detalhadas tendo em conta que estamos a falar de um jogo de 8bits, por outro lado nos cenários tanto temos níveis com backgrounds bem detalhados, como outroas absolutamente horríveis. O nível em que nadamos debaixo de água é na minha opinião o maior culpado! As músicas sinceramente também achei bastante desinspiradas e simples demais.
Um dos vários amigos de Speedy que temos de resgatar antes de poder avançar para o nível seguinte
No fim de contas acho este Cheese Cat-Astrophe um jogo de plataformas algo medíocre, que se não fosse por ter este lançamento em Portuguese Purple, pouco me iria preocupar em andar à procura dele.
Hoje como é dia de festa e para estar com a família, o jogo que vou trazer cá ao tasco é mais uma rapidinha. Não sou grande apologista em escrever primeiro sobre uma sequela ou um port e só depois do original, mas por vezes vou abrindo algumas excepções, como esta. Smurfs Travel The World é o segundo jogo de plataformas sobre os pequenos seres azuis desenvolvido pela francesa Infogrames, pois tal como em Tintin, Asterix, ou Lucky Luke, durante os anos 90 a Infogrames focou-se no lançamento de videojogos baseados em conhecidas séries de banda desenhada franco-belga. Este é o último dos jogos que me faltava analisar, que comprei há uns meses atrás num bundle juntamente com outros jogos NES e SNES por 50€.
Jogo com caixa e manual
Em Smurfs 2, a história é simples, 2 dos Smurfs espreitam às escondidas o laboratório do smurf velhote para verem um certo cristal mágico. Mas ao mexer no que não devem, o cristal parte-se em muitos pedaços e os smurfs são levados para o outro lado do mundo, na américa do sul. A partir daí o objectivo é encontrar todos pedaços dos cristais deseparecidos, acabando por visitar vários locais diferentes do mundo como a América do Norte, África, Austrália e Ásia.
A história do jogo vai sendo contada com estas pequenas cutscenes.
A jogabilidade é simples, com um botão para saltar, outro para correr e ainda outro para dar pontapés, que por vezes até é bem necessário para chutar objectos, não necessariamente os inimigos pois estes podem também ser derrotados saltando-lhes em cima. Os cristais tanto podem ser bem facilmente encontrados, mas também pode ser necessário cumprir certas tarefas, como dar bananas a macacos, encaminhar peixes pequenos para serem comidos por outros maiores, ou levar abelhas de volta para as suas colmeias. De resto é a jogabilidade tradicional de um jogo de plataformas em 2D, nada do outro mundo.
Graficamente é um jogo bem competente e detalhado
Graficamente é um jogo bem bonito e colorido, tendo sido uma das primeiras coisas que reparei mal o joguei pela primeira vez. Os cenários são bem detalhados e apesar de existirem muitos cenários naturais, as diferenças entre as américas, áfrica, austrália e ásia estão de facto muito bem representadas. As sprites estão também bem detalhadas, mas tenho pena que falte alguns bosses a sério. Por vezes temos um ou outro, mas nada de especial, todo o conceito do jogo aponta mesmo para colecionar todos os cristais presentes num nível e avançar para o seguinte. As músicas são também óptimas, tanto com as influências étnicas das diferentes regiões visitadas, como na própria qualidade das mesmas. O chip de som da SNES permite reproduzir músicas bem épicas, e acho que o resultado final, pelo menos tecnicamente, é muito bom.
Apesar desta versão SNES ser bem competente em relação à da Mega Drive que também não deixa nada a desejar, ainda gostaria um dia de ter uma outra versão deste jogo, nomeadamente a versão Master System. Com a versão Master System a ser lançada oficialmente em 1996, é um dos últimos, senão mesmo o último jogo a ser lançado para essa consola, pelo menos em território europeu, sendo assim um jogo bem rarinho e procurado.
Com a quantidade absurda de videojogos que a Playstation 2 recebeu, é perfeitamente natural que me tenham passado alguns bons jogos ao lado, mesmo quando os mesmos tenham sido lançados em 2001, ainda nas primeiras levas de software da consola. Este Extermination é um desses exemplos, embora não seja de todo um jogo excelente. Numa altura em que o género do survival horror estava bem em alta, a Sony, por intermédio do seu estúdio Deep Space também tentaram apostar no género, lançando este jogo que me tinha passado completamente despercebido. A primeira vez que o vi, chamou-me à atenção pela sua capa foil. Depois de investigar e ver que era um survival horror, decidi-me a levá-lo da próxima vez que o visse a um preço convidativo. E isso aconteceu algures durante este ano, onde o levei na CEX do Porto por 3.50€.
Jogo com caixa e manual
O jogo coloca-nos no papel de Dennis Riley, um jovem (e algo inseguro) membro de um esquadrão especial dos U. S. Marines. A sua equipa recebeu um pedido de socorro para bombardear uma secreta base militar/investigação científica em plena Antárctida. Mas em vez de o fazerem, as ordens que recebem é de aterrarem na base e investigar qual o problema. Ora o avião despenha-se e o esquadrão separa-se todo, deixando-nos apenas com o companheiro Roger Grigman nas imediações da base, preparando-se assim para a infiltrar. O resto é o cliché do costume, com o jogador a encontrar a base aparentemente abandonada, mas depois não falta muito para encontrar estranhas criaturas e humanos mutantes. Mais uma vez alguém andou a investigar o que não devia e algumas pessoas querem tirar partido disso para servirem de armas biológicas, enquanto outros querem apenas sobreviver e exterminar a ameaça.
O ecrã de pausa mostra-nos um menu em anel, onde podemos ver o inventário, mapa, customizar a arma, ou outros
Extermination tem algumas mecânicas de jogo algo distintas dos demais survival horrors da época. Apenas possuimos uma arma (e uma faca para os close encounters), para a qual iremos encontrar imensos upgrades, sejam novos modos de fogo, como shotgun, lança-chamas ou granadas, ou outros upgrades como diferentes miras, ou radares. As munições normais são as de uma metralhadora, e a capacidade de munição básica que podemos carregar vai sendo incrementada à medida em que vamos encontrando as magazines espalhadas pelo jogo. Essas munições básicas podem ser restabelecidas em certos locais, que geralmente também incluem savepoints, ou equipamento médico para nos curar completamente. Já as restantes munições são bem escassas, pelo que não as devemos desperdiçar.
Tentem fugir desta gosma verde que as criaturas nos atiram, são dores de cabeça que evitamos
Muitas coisas no jogo, como fazer save, ou desbloquear certas portas, gastam-nos bateria, Essas baterias também podem ser recarregadas em certos pontos, mas também é algo mais a ter em conta para gerir. Os itens para nos regenerarem a vida também não são assim tão abundantes, em especial os que nos curam as infecções. Sim, porque os inimigos para além de nos quererem morder, muitas vezes cospem uma gosma verde qualquer. Se nos acertam, aumentam-nos o nível de infecção. Existem itens para regenerar o nível de infecção, mas são bastante escassos. Caso a infecção atinja os 100%, o nosso corpo começa a mutar-se e a vida decresce logo de 100 pontos para 60 no máximo. Quando chegarmos a esse ponto, não há nada a fazer a não ser visitar uma estação médica e usar uma vacina própria na maquineta, que nos deixa 100% regenerados. Ora como devem estar a imaginar, este é um jogo que deve então ser jogado de uma forma algo cuidada, e de facto imaginam bem. Infelizmente o pior é mesmo o combate. Os botões R1 e R2 servem para mirar e enquanto o R1 usa algum auto-aim se apontarmos a arma para perto de algum inimigo, o botão R2 deixa-nos mirar na primeira pessoa e o grande problema aqui é que movimento vertical está invertido. Ora tanto tempo a habituar-me a jogar FPS ou mesmo outros shooters de uma maneira e este jogo não tem sequer a opção de mudar o sentido do eixo vertical… é sem dúvida o que mais me chateou neste jogo e o maior causador de pânico, em especial em boss fights ou em combates contra uma série de inimigos mais poderosos.
É uma pena que não dê para reverter o eixo dos YY para a posição normal.
De resto, visualmente é um jogo bem competente, em especial se tivermos em consideração que em 2001 ainda se estava muito longe de tirar o melhor partido possível das capacidades técnicas da PS2. Não há uma grande variedade de cenários assim, afinal o jogo é todo passado numa base com os seus laboratórios, corredores, zonas de manutenção, recreativas e por aí fora, incluindo mesmo os próprios exteriores cheios de neve. Apesar de os modelos poligonais das personagens, em especial os dos cadáveres serem muito fraquinhos, nota-se bem que há uma boa identidade visual neste jogo. O que já não gostei tanto foi do voice acting, que muito sinceramente achei que ficasse aquém do esperado. As músicas, essas são óptimas e muitas vezes são bem tensas, mesmo nós sabendo que temos uma sala livre de inimigos, aquela música nunca nos deixa 100% seguros.
Extermination é um jogo interessante para a PS2. Recomendo em especial aos fãs de jogos de acção na terceira pessoa ou survival horrors no geral, mas têm mesmo de ter em conta que os controlos não são os melhores, em especial o combate. Sendo um survival horror é normal que as munições e itens regenerativos sejam escassos, mas quando os controlos são maus e prejudicam bastante os combates, bom… é um survival horror a todos os níveis.
Voltando aos RPGs clássicos de PC, o Ultima Underworld é um spin-off da série principal, mas onde o dungeon crawling dos primeros jogos da série foi novamente explorado e bastante evoluído, resultando num jogo muito avançado para os padrões de 1992, tanto a nível de jogabilidade e liberdade de escolhas, como tecnicamente, sendo superior em muitos aspectos a jogos como Wolfenstein 3D ou mesmo o próprio Doom que saiu mais tarde. De resto, tal como todos os outros Ultima que tenho no PC (pelo menos por enquanto) foram comprados no site GOG.com, numa das habituais promoções em que eles disponibilizam toda a série por um preço reduzido. A versão física que tenho é de uma compilação com o Wing Commander II, que veio de oferta dentro de outro jogo que comprei enquanto estive em Belfast no Outono de 2016.
Aqui mais uma vez encarnamos no papel de Avatar, embora desta feita não fomos chamados pelo Lord British. Após os acontecimentos do Ultima VI, alguém chamado Sir Cabirus quis fundar uma nova colónia na Isle of the Avatar, berço da perígosíssima dungeon The Stygian Abyss, que unisse todas as raças e virtudes num único lugar. Por algum motivo Sir Cabirus morreu, a sua colónia utópica entrou em desgraça, sobrevivendo apenas a população à superfície, selando depois a entrada da dungeon, deixando lá os restantes sobreviventes. Bom, mas o que isso tem a ver connosco? Somos chamados da terra pela aparição de um antigo feiticeiro que nos diz que Britannia corre grande perigo. Somos então levados à povoação da Isle of the Avatar, onde vemos Ariel, filha do Barão Almric, a ser raptada pelo feiticeiro Tyball. Somos depois interceptados pela guarda real, que achando que somos nós os culpados, nos atiram para a dungeon, com a missão de sair de lá com Ariel, ou nunca mais sair.
Vamos subindo de nível com a experiência ganha em combates ou quests, mas mais uma vez para ganhar outros atributos teremos de meditar nas várias shrines.
Como é habitual nos RPGs ocidentais, antes de começar o jogo propriamente dito, temos de criar a nossa personagem, desde definir o seu sexo, classe e skills extra para a customizarmos à nossa medida. As classes variam de guerreiros, paladinos, druidas ou feiticeiros, cada uma com as suas próprias fraquezas e mais valias, mas podemos também assignar alguns skill points a outras áreas, como um feiticeiro ter habilidade em manusear espadas por exemplo. Claro que podemos também customizar o aspecto da nossa personagem. A partir daí somos então largados na grande caverna que é o The Stygian Abyss e desde cedo teremos de por à prova as nossas habilidades. Este é um jogo totalmente visto na primeira pessoa, mas permite-nos olhar em 360º, coisa que nem o Doom deixava. A nossa HUD mostra-nos à esquerda uma série de acções que podemos desempenhar, quer ao clicar nas mesmas com o ponteiro do rato, quer utilizando os atalhos do teclado. Acções como observar, apanhar, atacar e usar são alguns dos exemplos.
Guardar, usar, ou equipar items é tão simples como arrastá-los para o inventário, boneco ou mesmo a própria boca, se forem comestíveis.
A movimentação também pode ser feita inteiramente com o rato. Ao mover o ponteiro na view do jogo, vemos o ponteiro do rato a mudar de direcção. Por exemplo, se mantivermos o ponteiro no meio, mas acima e clicarmos, iremos mover em frente. Mas se deslizarmos o ponteiro para baixo, a sua forma muda para uma seta que aponta para baixo, o que nos deixa movimentar nessa direcção e por aí fora nas outras direcções. Mas também podemos usar uma espécie de proto-WASD, em que o A e o D não fazem strafe, mas sim viram-nos nessa direcção. O strafing fica para os botões Z e C, o que não é nada habitual para os jogos em 3a pessoa a que estamos habituados. Olhar para cima e para baixo também tem teclas próprias pelo que para quem jogar isto pela primeira vez ainda vai causar alguma confusão. Sinceramente não sei se existe algum patch não oficial que mapeie os controlos de uma forma semelhante ao WASD+rato que temos nos dias que correm, mas era bom que existisse. De resto, equipar e usar items, tudo é feito ao arrastar os objectos para o inventário ou para o “boneco” da nossa personagem do lado direito do ecrã. De resto, para as magias, precisamos de encontrar runestones, e com elas construir os feitiços ao agrupá-las (até um máximo de 3 pedras), formando as palavras que nos permitem invocar os feitiços, que tanto podem ser de ataque, como tremores de terra, ou simplesmente de suprote, como criar comida. Os ataques também são feitos com o rato e tal como o movimento, manter o ponteiro em diferentes posições do ecrã resultam em ataques um pouco diferentes.
O automap foi uma adição benvinda, bem como a possibilidade de escrever notas
De resto este é um jogo exigente numa perspectiva de simulação. Isto porque podemos morrer à fome, as nossas fontes de luz extinguem-se, a personagem fica fatigada e precisa de descansar e o equipamento desgasta-se. Sendo assim, à medida em que vamos explorando este enorme labirinto temos de o fazer sempre de forma cuidada. Os inimigos estão sempre à espreita e estando nós sempre às escuras, arranjar fontes de luz, como velas, archotes, candeeiros a óleo ou mesmo através de magias é algo muito importante. A fadiga também deve ser combatida ao descansar por várias horas, mas por favor apaguem os archotes senão eles são consumidos com o passar do tempo e podemos mesmo acordar completamente às cegas. Interagir com NPCs que vamos encontrando, e encontramos bastantes e de várias raças e linguagens, é outro aspecto muito importante, pois permite-nos fazer trocas, cumprir sidequests (e as principais claro), ou em alguns casos também podemos pedir para reparar o nosso equipamento, sempre com algo para dar em troca. De resto, tudo se resume à exploração, e o facto deste jogo ter automapping e também nos deixar escrever notas no mapa é uma grande ajuda. Ainda falando nos diálogos, mais uma vez podemos dar diferentes respostas aos NPCs, o que por sua vez resulta em diferentes diálogos e resultados, pois podemos facilmente irritar alguém e não receber mais nada em troca.
Podemos abordar os diálogos de várias formas, que por sua vez vão dando resultados diferentes nas conversas
Como já referi por aí, graficamente é um jogo impressionante. A movimentação é completamente em 3D, ao contrário da movimentação em “grelha” de dungeon crawlers na primeira pessoa que foram lançados anteriormente, como os primeiros Wizardry ou mesmo os próprios Ultimas, por exemplo. Os cenários, para além de terem texturas detalhadas para a altura, também permitiam desníveis e paredes oblíquas, algo que no Wolfenstein 3D, também lançado em 1992 e aclamado como um dos mais importantes jogos que fizeram alavancar os videojogos na primeira pessoa, não fazia. Outras coisas como efeitos de iluminação e a tal capacidade de olhar quase em 360º eram algo verdadeiramente inédito para a época. Claro que um jogo como Doom ou mesmo o Wolfenstein 3D têm uma jogabilidade muito mais simples e frenética, mas não deixa de ser impressionante tudo o que conseguiram fazer neste jogo. As músicas são boas, mudando dinamicamente ao longo do jogo, consoante se estamos a atacar ou ser atacados, ou a explorar.
Por todas estas razões, e ainda muitas outras haveria a mencionar, Ultima Underworld é um clássico absoluto dos RPGs ocidentais. Para além de ter sido uma obra prima a nível técnico, tornou-se num dos videojogos basilares que influenciou muitos outros que lhe seguiram, desde a série The Elder Scrolls, passando por outros “RPGs” de culto como Deus Ex, ou as próprias séries System Shock / Bioshock que lhe sucederam.