Word Rescue / Math Rescue (PC)

Word RescueHoje a rapidinha que cá vos trago abrange 2 jogos distintos, desenvolvidos pela RedWood Games e publicados pela Apogee. Naturalmente que entraram na minha conta do Steam através da compilação 3D Realms Anthology, que tinha sido comprada por uma bagatela num conjunto de jogos da Bundle Stars. E o que têm ambos os jogos em comum, para além de serem das mesmas empresas? São ambos videojogos didáticos!

Math RescueTanto num como no outro temos como vilões a raça de extraterrestes dos Gruzzles. No Word Rescue os bichinhos roubaram todas as letras do mundo e é o nosso objectivo de as recuperar! O jogo segue então algumas mecânicas de platforming, onde ao tocar nos quadradinhos com um ponto de interrogação nos aparece uma palavra e teremos de encontrar a imagem respectiva a essa mesma palavra. Teremos de fazer isso em todas as palavras disponíveis no nível até progredir à próxima. Também temos alguns inimigos para evitar, para os atacar podemos chamar o nosso amigo Benny the Bookworm para que lhes atire com um balde de tinta, imobilizando-os. A tinta não é infinita, pelo que teremos de econtrar baldes de tinta espalhados pelos níveis para restabelecer as “munições”. No Math Rescue a premissa é semelhante, onde para além dos Gruzzlers temos uma outra raça alienígena para temer, os Glixerians. Aqui foram os números que desapareceram da terra, e teremos uma vez mais de os encontrar, ao resolver contas matemáticas! Uma vez mais teremos o jogo dividido em vários níveis com algum platforming à mistura, os inimigos são atacados com tinta, mas para progredir de nível, antes de desbloquear a porta de saída teremos de resolver várias contas matemáticas que nos são apresentadas no ecrã. Na verdade as contas não são apresentadas, mas sim um problema como o que resolvíamos na primária. “O joaquim tinha duas maçãs e comeu três, com quantas ficou?”. A partir daí teremos apenas de escolher o resultado de resposta ao problema. Mediante o grau de dificuldade escolhido poderemos ter contas mais ou menos difíceis de fazer.

Em Word Rescue temos de associar palavras a figuras espalhadas pelos níveis
Em Word Rescue temos de associar palavras a figuras espalhadas pelos níveis

Graficamente eram jogos simples, apesar de já serem em EGA e com gráficos relativamente bem detalhados. Ao longo de ambos os títulos as paisagens vão desde coisas algo medievais, rurais, até a estações espaciais e viagens pelo sistema solar, sem esquecer também a Candy Land de Math Rescue ou as casas assombradas de Word Rescue. As músicas já não são em PC-Speaker e são agradáveis, embora não haja nenhuma que se sobressaia particularmente. Os efeitos sonoros, esses lá continuam a ser em PC-Speaker, não há outra hipótese.

Já em Math Rescue temos de resolver cálculos matemáticos. Ao tocar em quadrados numerados como o da figura, somos levados a resolver um problema matemático
Já em Math Rescue temos de resolver cálculos matemáticos. Ao tocar em quadrados numerados como o da figura, somos levados a resolver um problema matemático

Tanto um jogo como o outro parecem-me boas escolhas para quem na altura andaria atrás de algo didático para as suas crianças. Pelos vistos ambos fizeram sucesso suficiente que receberam sequelas, embora a Apogee já não as tenha publicado.

Dynamite Headdy (Sega Mega Drive)

Dynamite HeaddyDe todos os jogos da excelente Treasure, este é porventura aquele mais comum de se encontrar por estas bandas. E não deixa de ser um óptimo jogo, repleto de acção e algumas bizarrices tipicamente japonesas, bem como eu gosto. O protagonista é o Headdy, uma marioneta cuja habilidade é a capacidade de trocar de cabeça, com cada cabeça a servir de power up distinto. É um jogo excelente e desafiante quanto baste! O meu exemplar foi comprado há uns meses atrás num bundle de vários jogos de Mega Drive, tendo-me ficado por cerca de 5€.

Dynamite Headdy - Sega Mega Drive
Jogo com caixa e manual multilingue

A história deste jogo é algo confusa, pois infelizmente a versão ocidental foi bastante modificada face à original nipónica. Uma dessas alterações foi precisamente a remoção de todo o diálogo, o que faz com que deixemos de saber muito bem o que andamos para ali a fazer. Tudo o que entendemos sem os diálogos é que os backgrounds parecem feitos de cartão o que indica estarmos numa peça teatral, o que é algo que se vai confirmando ao longo de todo o jogo, temos um gato chamado Trouble Bruin que nos está constantemente a atacar, enfiado nos seus robots gigantes e parece que teremos de enfrentar no fim uma espécie de imperador maléfico, para resgatar uma “headdy fêmea“. Se jogarmos a versão japonesa (felizmente existe um patch de tradução para inglês) então já dá para entender um pouco melhor o que se está a passar.

O nível de bónus consiste em acertar com algumas bolas de basquetebol num dos cestos que circulm pelo ecrã. No fim é-nos galardoado um número para um PIN que nos desbloqueia o final secreto
O nível de bónus consiste em acertar com algumas bolas de basquetebol num dos cestos que circulm pelo ecrã. No fim é-nos galardoado um número para um PIN que nos desbloqueia o final secreto

Mas Dynamite Headdy é acima de tudo um jogo de acção, e isso é o que não falta por cá. Se gostaram de Gunstar Heroes, aqui é dado um maior foco ao platforming, mas bosses, criaturas gigantescas e níveis bizarros é coisa que não falta. As habilidade de Headdy fazem lembrar de certa forma o Ristar, que lançava as suas mãos para agarrar objectos e atacar inimigos. Headdy faz o mesmo com a cabeça, inclusivamente para subir em plataformas. Os power ups que vamos encontrando conferem então outras habilidades a Headdy, como a possibilidade de escalar paredes, “disparar” 3 cabeças em diferentes direcções (o spread shot de Contra, por exemplo), outro com “rapid fire”, outro que é essencialmente um escudo de fogo, outro que nos deixa bastante pequenos, sendo possível esgueirar por passagens estreitas entre vários outros, como uma bomba capaz de causar dano a tudo no ecrã, ou parar o tempo para os inimigos durante alguns segundos ou mesmo dar-nos invencibilidade temporária.

Este foi um dos bosses modificados na versão ocidental. É pena, a boneca de porcelana era muito melhor com aqueles olhos creepy
Este foi um dos bosses modificados na versão ocidental. É pena, a boneca de porcelana era muito melhor com aqueles olhos creepy

O design dos níveis e dos bosses é algo que a Treasure sempre nos habituou bem e neste Dynamite Headdy as coisas não são diferentes. Tudo para além de estar bem detalhado (e as referências teatrais serem uma constante), os próprios níveis vão sendo algo diversificados, com a segunda zona a apresentar rotações de plataformas tecnicamente impressionantes para uma Mega Drive, ou mesmo aquele capítulo onde o jogo se torna num shmup só mesmo porque sim. Os bosses como sempre são bastante originais e bizarros, embora infelizmente alguns tenham sido modificados desde a versão japonesa. As músicas são bastante catchy e viciantes também! Em suma, mais um excelente jogo da Mega Drive e felizmente é um daqueles que se pode encontrar razoalvelmente bem. Recomendado!

Paganitzu (PC)

A rapidinha de hoje incide sobre mais um jogo publicado pela Apogee, e este é também daqueles que na altura me tinha passado um pouco ao lado, só o vim a jogar bem recentemente após ter comprado a compilação 3D Realms Anthology a um preço extremamente reduzido num bundle do Bundle Stars.

PaganitzuE este acaba por ser um jogo que vai buscar influências ao clássico Sokoban, embora pouco tenha a ver com o mesmo. É também uma sequela do Chagunitzu, jogo esse que não tem nenhuma relação com a Apogee. O protagonista é o explorador/arqueólogo Alabama Smith, mais uma influência do Indiana Jones, e ao longo dos 3 diferentes episódios que contemplam a história, iremos explorar uma grande pirâmide Azteca e o que começa com a simples ambição de encontrar tesouros arquelógicos, culmina na luta contra uma entidade maléfica que tenciona dominar o mundo, libertada acidentalmente por Al.

Alabama Smith, o artista.
Alabama Smith, o artista.

E este é um jogo com uma componente de puzzle muito forte. O nosso objectivo é atravessar salas repletas de armadilhas, inimigos e outros perigos que nos matam de uma só vez. Para avançar para a sala seguinte teremos de coleccionar todas as chaves e/ou jóias disponíveis nos níveis, sendo que para isso teremos de muitas vezes fazer as acções certas naquele centésimo de segundo certo, pois os inimigos seguem determinados padrões de movimento e teremos muitas vezes de os manipular de forma a que nos desimpeçam caminhos ou nos obstruam algumas armadilhas, o que tem também os seus grandes riscos, pois são todos 1-hit-kills. Pode-se também mexer em algumas alavancas que activam ou desactivam algumas armadilhas, bem como arrastar rochas de um lado para o outro, seja para abrir novos caminhos (ao atirá-las para a lava, água e similares) ou para influenciar os padrões de movimento dos inimigos. Muitas vezes a solução não é fácil, mas felizmente dá para fazer save sempre que quisermos, o que também tem de ser usado com cuidado pois podemos gravar o jogo numa posição em que já não nos dê margem de manobra para evitar uma morte certa.

Os inimigos seguem rotas pré-determinadas. É possível alterá-las, mas muitas vezes teremos de tomar medidas no tempo certo, caso contrário ficamos encurralados.
Os inimigos seguem rotas pré-determinadas. É possível alterá-las, mas muitas vezes teremos de tomar medidas no tempo certo, caso contrário ficamos encurralados.

A nível de audiovisuais, este continua a ser algo bem old school, com os seus gráficos em CGA, música inexistente e efeitos sonoros em pc speaker. O que acaba por ser interessante, por outro lado, são as cutscenes e história como um todo, que acaba por ser algo surpreendente e bem-humorada em algumas partes.

Virtual Hydlide (Sega Saturn)

Virtual HydlideNa PUSHSTART nº 59 (quarta revista nossa em edição física), contribuí com uma análise a um jogo algo obscuro e peculiar do catálogo da Sega Saturn, o Virtual Hydlide. Apesar de ser a última iteração de uma das mais antigas séries de RPGs japoneses, a mesma sempre passou debaixo do radar de nós ocidentais, mas também verdade seja dita, pelo menos os Hydlides que chegaram cá ao ocidente sempre foram algo medianos. Apesar de não poder partilhar para já o artigo na íntegra, eventualmente, se algum dia disponibilizarmos o material exclusivo da edição de papel para o site, este artigo será actualizado. Entretanto o meu exemplar foi comprado a um particular por 6€, já há uns valentes meses atrás.

Jogo com caixa
Jogo com caixa

Essencialmente, o que foi dito deste jogo é que é um RPG com algumas mecânicas de jogo bem old-school e que sinceramente até nem me desagradam, no seu conceito, mas a jogabilidade e principalmente os visuais que tentam ser foto realistas com sprites digitalizadas num mundo em 3D é que deixaram bastante a desejar.

 

Resident Evil: Darkside Chronicles (Nintendo Wii)

Resident Evil The Darkside ChroniclesO Resident Evil Umbrella Chronicles para a Wii foi um jogo interessante, onde para além de recontar alguns dos acontecimentos vividos nos Resident Evil Zero, REmake, Resident Evil 3 Nemesis, ainda contava também com alguns capítulos extra, tanto passados em simultâneo com os acontecimentos narrados nesses jogos, como outros completamente inéditos. Tudo isto com uma jogabilidade muito similar à dos light gun shooters clássicos de arcade, mas com bem mais conteúdo do que um The House of the Dead clássico, por exemplo. Mas ainda assim havia margem para melhorar e não muito tempo depois a Wii acabou por receber um outro jogo deste género, o Darkside Chronicles, cujo meu exemplar foi comprado na mesma altura, na mesma Cex, mas mais barato, custando-me 6€. Se este é um jogo melhor que o seu predecessor, já lá vamos.

Jogo completo com caixa, manual e papelada
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Aqui são narrados parte dos eventos decorridos no Resident Evil 2 e Code Veronica, com uma vez mais com um capítulo extra (Operation Javier) decorrendo algures na América Latina, com Leon e Krauser (sim, um dos vilões do Resident Evil 4) como companheiros e protagonistas. A primeira diferença face ao Umbrella Chronicles está precisamente aí. Enquanto o antecessor tinha vários níveis extra com histórias inéditas, os mesmos eram mais curtos. Aqui temos apenas a Operation Javier, mas que por sua vez possui uma campanha quase tão longa quanto os capítulos alusivos ao Resident Evil 2 e Code Veronica.

Operation Javier é passada numa america latina bem solarenga, ao contrário dos outros capítulos
Operation Javier é passada numa america latina bem solarenga, ao contrário dos outros capítulos

A nível de controlos também houveram algumas mudanças. A mais drástica a meu ver é o facto das granadas já não terem um botão próprio para serem seleccionadas. Agora podemos sempre carregar com 4 armas distintas (com granadas ou não), com cada uma a ficar assignada a uma direcção do analógico do nunchuck. Por outro lado, podemos alterar o load out de armas disponíveis a qualquer momento do jogo com recurso a um menu próprio para isso, logo que já tenhamos desbloqueado essas mesmas armas. E as munições que apanhamos vão sendo transitadas nos vários capítulos. Ainda nas armas, mais uma vez elas podem ser alvo de upgrades, desta vez sendo possível fazer upgrades a várias categorias de forma separada, como o poder da arma, impacto, tempo de reload, ou capacidade. Isso é feito através de ouro, que tanto pode ser encontrado ao longo do jogo (quer a olho nu, quer através da destruição de objectos), e também com os pontos que nos são atribuídos no final de cada nível, onde é medida a nossa performance. A destruição de objectos, para além de ouro adicional pode também revelar ficheiros para serem lidos nos arquivos, ou armas/munições, pelo que é uma boa ideia disparar para tudo quanto é sítio, com o revólver normal visto que tem munições infinitas.

Os bosses também são frequentes, embora o Mr. X, tal como o Nemesis no RE3 seja recorrente no RE2
Os bosses também são frequentes, embora o Mr. X, tal como o Nemesis no RE3 seja recorrente no RE2

Existem também outros extras como um sistema de achievements interno, ou uma espécie de bestiário, com os diferentes tipos de zombies e criaturas que encontramos, bem como algum histórico das personagens mais relevantes. Existe ainda um outro modo secreto que podemos desbloquear, onde os zombies são substituidos por nacos gigantes de tofu. Terá sido alguma boca endereçada a grupos ambientalistas?? De resto convém também referir que este é um jogo on-rails e practicamente todo linear, onde por vezes podemos optar por qual caminho a seguir.

Outro dos extras desbloqueáveis são novas vestimentas para as personagens principais.
Outro dos extras desbloqueáveis são novas vestimentas para as personagens principais.

No que diz respeito aos audiovisuais, narrativa e acção em si também podemos verificar que existem aqui umas quantas mudanças. A primeira, e talvez a mais gritante, é a forma mais “realista” como a câmara foi implementada. Esta agora é muito dinâmica, abanando muito mais  que no primeiro jogo, como que reflectindo os movimentos da cabeça dos protagonistas. Isto torna a tarefa de destruir objectos dos cenários muito mais complicada. Também vão haver vários inimigos que não é obrigatório os destruirmos e a time window que temos para o fazer é muitas vezes reduzida. Depois a narrativa é mais extensa, há muitos mais diálogos que no primeiro jogo. A nivel gráfico, este sim, sofreu um belo upgrade face ao primeiro lançamento. Aqui tanto os cenários quanto as personagens são muito melhor detalhados, algo que é bem mais notório na Operation Javier, e as suas paisagens rurais e naturais bem coloridas e detalhadas. No audio não tenho nada a apontar, desde os efeitos sonoros como o voice acting que são competentes. A música também vai alternando entre melodias mais tensas ou mais aceleradas consoante o ritmo impulsionado pelo desenrolar da acção.

Invasão de Tofus! Não sei onde eles tinham a cabeça!
Invasão de Tofus! Não sei onde eles tinham a cabeça!

Em suma, este Darkside Chronicles é para mim um lançamento com resultados mistos. A nível gráfico é um jogo muito superior ao primeiro, e a forma como são feitos os upgrades nas armas também é algo que me agradou mais. No entanto, a câmara não tão fixa acabou por dificultar um pouco as coisas, principalmente quando queremos tentar procurar o máximo possível de itens escondidos. Depois, apesar da Operation Javier ter sido satisfatória quanto baste, o Umbrella Chronicles continha mais pequenos capítulos extra que teriam sido interessantes de colocar aqui também.