Dracula 4 and 5 Steam Edition (PC)

A rapidinha de hoje incide sobre os últimos capítulos da série de aventuras na primeira pessoa sobre o vampiro mais famoso de sempre. E se o Dracula 3 foi um interessantíssimo renascer de uma série cujos primeiros capítulos eram ainda algo amadores, estes dois últimos acabaram por se revelar uma desilusão, infelizmente. Mas já lá vamos. E tal como os outros títulos desta série, deram entrada na minha colecção de steam através de um bundle, comprados a um preço muito reduzido.

headerEm vez de continuar a história iniciada no seu predecessor, que tinha culminado em 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, o jogo leva-nos aos tempos mais modernos, algures no final da década de 80, de acordo com o equipamento tecnológico que vamos vendo. A protagonista chama-se Ellen Cross e trabalha para um importante museu de arte em Nova Iorque, museu esse que esperava uma importantíssima encomenda de arte vinda de um coleccionador privado de Inglaterra. Acontece que, numa grande tempestade no Atlântico, essas obras de arte tinham sido perdidas no fundo do mar. Até que o museu recebe uma notícia que um dos quadros foi encontrado em Budapeste, levando-nos até lá. A partir daí vamos tentar encontrar o rasto dos outros quadros desaparecidos e ligações ao oculto e invariavelmente a Drácula começam a ser traçadas.

O primeiro cenário que visitamos é o de uma esquadra de polícia algures em Budapeste
O primeiro cenário que visitamos é o de uma esquadra de polícia algures em Budapeste

Infelizmente, como títulos separados, são ambos bastante curtos. Não é por acaso que no steam se encontram os dois jogos num único pacote, até porque foram lançados no mesmo ano e são a sequela directa um do outro. E se por um lado eu preferia de longe aquele setting dos anos 20 numa Roménia desvastada pela primeira grande guerra, a maneira como a história estava sendo contada no Dracula 3 era perfeita, as coisas levavam o seu tempo e ia havendo uma espécie de crescendo na narrativa. Aqui tudo parece feito mais À pressa e de forma algo desconexa, o que para mim é o ponto mais negativo que posso traçar nestes 2 jogos face ao seu predecessor. De resto a a jogabilidade é muito idêntica, sendo na mesma um jogo de aventura point and click na primeira pessoa, com a movimentação a dar-se de ecrã em ecrã, mas com a liberdade de podermos olhar em qualquer direcção. Vamos ter vários puzzles lógicos para resolver, e muitos objectos para interagir e manipular. A grande diferença face aos outros jogos da série é que Ellen possui um grave problema de saúde e tem de constantemente tomar medicação. Os medicamentos não são ilimitados e se deixarmos a barra de energia de Ellen chegar a um mínimo deixamos de nos conseguir mover ou realizar algumas acções. Sinceramente é algo que também achei um pouco desnecessário.

Ellen Cross, a protagonista destes Dracula 4 e 5. Infelizmente não tem metade do carisma do padre de Dracula 3
Ellen Cross, a protagonista destes Dracula 4 e 5. Infelizmente não tem metade do carisma do padre de Dracula 3

No que diz respeito aos audiovisuais, o jogo mantém-se com os seus gráficos pré-renderizados, bem à moda do que o Myst nos habituou há carradas de anos atrás. Já tinha gostado dos gráficos de Dracula 3, e nestes 2 jogos os mesmos são ainda mais detalhados. Só as animações faciais das personagens é que me pareceram ser um passo atrás. Mas não adianta ter gráficos mais bonitos se a ambientação e a própria narrativa não é a melhor. Mais uma vez digo, é essa a maior falha destes Dracula 4/5 e é uma pena que assim seja.

Dracula 3 The Path of the Dragon (PC)

Os Dracula anteriores eram jogos de aventura interessantes, mas tinham o seu quê de amadorismo, tanto nos visuais como nos próprios diálogos, que tiveram direito a traduções e voice overs integrais em Português e o resultado não foi grande coisa. Mas algo mudou no terceiro jogo da série, uma vez mais com a Microids à sua frente, este The Path of the Dragon revelou-se num excelente jogo de aventura, bastante competente a todos os níveis. Tal como os anteriores no steam, este deu entrada na minha conta através de um bundle, onde foram todos comprados a um preço bastante reduzido.

Dracula_3_-_The_Path_of_the_DragonEste novo capítulo descarta os acontecimentos narrados nos dois jogos anteriores, acabando por decorrer no início da década de 1920. Encarnamos no padre Arno Moriani, que pertence a uma ordem sagrada no Vaticano e é enviado para a Transilvânia de forma a investigar a possível canonização de uma Martha Calugarul, médica e cientista que havia recentemente falecido. E ao lá chegar, teremos de invariavelmente investigar o passado de Martha e à medida que o vamos fazendo, começamos a notar que algo de estranho se passa naquela zona, até que acabamos mesmo por investigar o paradeiro do próprio Drácula.

Durante o jogo teremos muitos objectos para interagir, mas felizmente o inventário é bem grandinho
Durante o jogo teremos muitos objectos para interagir, mas felizmente o inventário é bem grandinho

A jogabilidade é idêntica à de muitos jogos deste género, pois este continua a ser um jogo de aventura na primeira pessoa, onde temos a liberdade de olhar em qualquer direcção, mas apenas nos podemos movimentar onde os ponteiros do rato nos levem. Dialogar com outras pessoas, interagir e combinar objectos é algo que iremos também fazer bastante. Mas desta vez tudo (ou quase tudo) tem bastante lógica e acabaremos mesmo por nos sentir detectives, ao investigar salas, procurar por pistas escondidas e resolver alguns puzzles de forma a progredir no jogo. E textos e gravuras são coisas que não faltam para analisar, até obras inteiras como a Bíblia ou o Drácula de Bram Stoker podem ser consultadas na íntegra no nosso inventário. Para quê? É verdade que podemos ler ambos os livros se estivermos bastante entediados, mas temos ali uma opção que se chama de “random page”. Em certos pontos do jogo teremos mesmo de usar essa opção para recolher algumas pistas de como prosseguir.

Muitos dos puzzles que temos de resolver aplicam-se a situações algo corriqueiras e são lógicos para resolver.
Muitos dos puzzles que temos de resolver aplicam-se a situações algo corriqueiras e são lógicos para resolver.

No que diz respeito aos audiovisuais, este é um jogo de 2008 e como tal apresenta um grafismo muito melhor aos seus predecessores. É verdade que mesmo sendo gráficos pré-renderizados se poderia esperar muito mais, mas sinceramente acho que fizeram um bom trabalho. As animações e expressões faciais são muito mais convincentes, assim como os cenários que fazem um óptimo papel em nos levar até uma zona rural e algo decadente ainda com um clima de pós-guerra. A narrativa está também muito bem conduzida, com algumas personagens bem caracterizadas. Sem dúvida um salto muito grande a nível de qualidade face a quase qualquer jogo da Microids que tinha jogado até então.

Update para Abril – compras de Março, entre outros

Já muito atrasado isto vai, mas segue aqui o novo update para Abril, com as compras feitas no mês de Março:

Nesse vídeo podem também ser vistos 2 jogos que já cá escrevi algo sobre os mesmos e como tal, acabei por actualizá-los: um para o Metal Gear Solid 2, onde para além da versão Substance comprei também um Sons of Liberty normalíssimo, principalmente pelo DVD com o making of. O outro é o Resident Evil Survivor, que o amigo Ivan Cordeiro me ofereceu um spare que tinha lá por casa. Em muito melhor estado do que eu tinha!

Por fim, anuncio também a nova PUSHSTART em formato físico, com a edição deste mês a ter como foco uma das maiores franchises de sempre do mundo dos videojogos. Podem ver mais informações ou encomendar uma através deste link aqui.

Ferrari F355 Challenge (Sega Dreamcast / Sony Playstation 2)

F355 Challenge PS2O artigo de hoje é mais uma rapidinha, embora o jogo em questão até merecesse um artigo bem mais extendido. Mas como não sou o maior fã de jogos de simulação, até porque pouco percebo do assunto, prefiro não me alongar muito. O Ferrari F355 Challenge é um jogo como muitos outros da Sega, e em especial de Yu Suzuki, com origens nas arcades. Mas ao contrário de outras pérolas como Out Run ou Daytona USA, o foco deste jogo não era o prazer de uma condução descompromissada e repleta de emoções fortes, mas sim algo bem mais próximo do realismo possível. Tanto que, em versões deluxe da arcade cabinet deste jogo, teríamos um colosso com 3 monitores para simular a visão lateral, para além de toda a parafernália habitual como volantes, pedais e mudanças. Eventualmente o jogo acabou por ser convertido para a Dreamcast onde lhe foram adicionados mais uns quantos circuitos e, mais tarde, quando a Sega descontinuou a sua última consola, uma versão para a PS2 também foi lançada. Felizmente tenho 1 exemplar de ambas as versões caseiras. A da Playstation 2 foi a primeira que arranjei e sinceramente já nem me lembro onde foi nem quanto custou, pois comprei-a há bastante tempo. A versão Dreamcast foi bastante barata, pois foi comprada num bundle com uma consola, comandos e vários jogos por apenas 15€.

Versão Dreamcast com caixa e manual
Versão Dreamcast com caixa e manual

Este artigo vai-se focar em ambas as versões, pois há poucas diferenças entre as mesmas. A versão PS2, para além de ter uma interface de menus completamente redesenhada, mantêm practicamente os mesmos modos de jogo e circuitos, acrescentando algum conteúdo bónus desbloqueável, como imagens e vídeos promocionais da própria Ferrari, incluindo um scan completo ao folheto de catálogo do Ferrari F355. Mas voltando ao jogo em si, o mesmo é influenciado pela competição da própria Ferrari, que teve as suas origens em pequenas competições, colocando os donos dos seus carros a correrem entre si em circuitos reais. Neste jogo, apenas iremos encontrar o modelo F355 para conduzir, já com alguns aninhos em cima, mas ainda bem a tempo do seu lançamento original nas arcades, em 1999.

F355 Challenge - Sony Playstation 2
Jogo com caixa, manual e papelada, para a PS2

Entrando no modo arcade, poderemos conduzir em qualquer circuito na versão PS2 (enquanto na versão Dreamcast teríamos de os desbloquear) e como qualquer jogo arcade que se preze, corremos sempre em contra relógio, mas sendo este um jogo com grande foco na simulação, depressa vemos que afinal não conseguimos chegar a lado nenhum jogando mais à toa. É para isso que servem os modos de jogo adicionais antes de entrar no arcade propriamente dito, o Training e o Driving. No primeiro temos desenhada na pista a trajectória óptima, bem como vamos ouvindo o “narrador” a indicar algumas dicas de como travar, onde travar e acelerar, etc. O modo Driving já nos coloca a conduzir sozinhos no mesmo circuito sem qualquer tipo de ajuda e por fim lá teremos o Racing onde temos de mostrar do que somos feitos. Temos também o Championship onde somos largados numa série de 6 corridas em diferentes circuitos e competir pelo melhor número de pontos. Antes de cada pista podemos conduzir algumas voltas de teste para conhecermos o circuito, bem como alterar algumas das características do carro para melhor nos ambientarmos à pista. No multiplayer temos também o modo versus para 2 jogadores em split screen, enquanto que a versão japonesa da Dreamcast também permitia corridas online. Para além disso a versão Playstation 2 possui também o “Great Driver Challenge” que é na verdade um grande desafio onde somos recompensados com pontos por uma condução exemplar ao aproveitar os túneis de vento e optimizar as curvas, sendo penalizados por sair da pista ou embater nos carros oponentes. É este modo de jogo que nos vai desbloqueando a galeria.

Aquele radarzinho no centro do ecrã dá muito jeito para evitar que sejamos ultrapassados
Aquele radarzinho no centro do ecrã dá muito jeito para evitar que sejamos ultrapassados

Depois, para além da física realista que o jogo inclui, bem como um impressionante sistema de replay e dados estatísticos da nossa performance que certamente apenas interessam aos mais ávidos condutores, o jogo possui também algumas ajudas que poderão ser activadas ou não, mediante o grau de dificuldade escolhido. Dessas ajudas estão nomes conhecidos como ABS, ou sistemas de controlo de estabilidade ou tracção, que pelos vistos podem igualmente ser activados ou desactivados no carro real, ou assim a Internet me diz. Outro completamente fictício é o Intelligent Braking System que ajuda bastante no momento de fazer as curvas. Mas claro, sendo este um simulador, isso só estraga a experiência.

O jogo possui o sistema "Magic Weather", que na realidade pouco muda para além da iluminação e nuvens no céu
O jogo possui o sistema “Magic Weather”, que na realidade pouco muda para além da iluminação e nuvens no céu

No que diz respeito aos audiovisuais, o lançamento original era graficamente impressionante. A adaptação para as consolas domésticas não deixa de ser também um bom trabalho, embora se note mais alguns serrilhados na versão PS2 devido à falta de anti aliasing, algo que acaba por ser compensado com o suporte a wide screen. A banda sonora é mesmo ao meu gosto, repleta de temas hard rock / heavy metal clássico, bem como outras músicas um pouco mais discretas, mas com aqueles leads de guitarra como a Sega sempre nos habituou nos seus títulos arcades dos anos 90.

Great Driver Challenge é uma das novidades trazidas na conversão da Playstation 2
Great Driver Challenge é uma das novidades trazidas na conversão da Playstation 2

Em suma, este Ferrari F355 Challenge é um jogo apenas para os mais pacientes e para os amantes de simulação automóvel. Reza a lenda que o próprio Ferrari F355 de Yu Suzuki foi usado durante o próprio desenvolvimento do jogo, pelo que sempre teve a fama de ser um simulador bastante fiel para a época em que foi lançado. Mas tendo só o F355 como opção disponível é algo que certamente irá deixar muita gente desapontada.

Word Rescue / Math Rescue (PC)

Word RescueHoje a rapidinha que cá vos trago abrange 2 jogos distintos, desenvolvidos pela RedWood Games e publicados pela Apogee. Naturalmente que entraram na minha conta do Steam através da compilação 3D Realms Anthology, que tinha sido comprada por uma bagatela num conjunto de jogos da Bundle Stars. E o que têm ambos os jogos em comum, para além de serem das mesmas empresas? São ambos videojogos didáticos!

Math RescueTanto num como no outro temos como vilões a raça de extraterrestes dos Gruzzles. No Word Rescue os bichinhos roubaram todas as letras do mundo e é o nosso objectivo de as recuperar! O jogo segue então algumas mecânicas de platforming, onde ao tocar nos quadradinhos com um ponto de interrogação nos aparece uma palavra e teremos de encontrar a imagem respectiva a essa mesma palavra. Teremos de fazer isso em todas as palavras disponíveis no nível até progredir à próxima. Também temos alguns inimigos para evitar, para os atacar podemos chamar o nosso amigo Benny the Bookworm para que lhes atire com um balde de tinta, imobilizando-os. A tinta não é infinita, pelo que teremos de econtrar baldes de tinta espalhados pelos níveis para restabelecer as “munições”. No Math Rescue a premissa é semelhante, onde para além dos Gruzzlers temos uma outra raça alienígena para temer, os Glixerians. Aqui foram os números que desapareceram da terra, e teremos uma vez mais de os encontrar, ao resolver contas matemáticas! Uma vez mais teremos o jogo dividido em vários níveis com algum platforming à mistura, os inimigos são atacados com tinta, mas para progredir de nível, antes de desbloquear a porta de saída teremos de resolver várias contas matemáticas que nos são apresentadas no ecrã. Na verdade as contas não são apresentadas, mas sim um problema como o que resolvíamos na primária. “O joaquim tinha duas maçãs e comeu três, com quantas ficou?”. A partir daí teremos apenas de escolher o resultado de resposta ao problema. Mediante o grau de dificuldade escolhido poderemos ter contas mais ou menos difíceis de fazer.

Em Word Rescue temos de associar palavras a figuras espalhadas pelos níveis
Em Word Rescue temos de associar palavras a figuras espalhadas pelos níveis

Graficamente eram jogos simples, apesar de já serem em EGA e com gráficos relativamente bem detalhados. Ao longo de ambos os títulos as paisagens vão desde coisas algo medievais, rurais, até a estações espaciais e viagens pelo sistema solar, sem esquecer também a Candy Land de Math Rescue ou as casas assombradas de Word Rescue. As músicas já não são em PC-Speaker e são agradáveis, embora não haja nenhuma que se sobressaia particularmente. Os efeitos sonoros, esses lá continuam a ser em PC-Speaker, não há outra hipótese.

Já em Math Rescue temos de resolver cálculos matemáticos. Ao tocar em quadrados numerados como o da figura, somos levados a resolver um problema matemático
Já em Math Rescue temos de resolver cálculos matemáticos. Ao tocar em quadrados numerados como o da figura, somos levados a resolver um problema matemático

Tanto um jogo como o outro parecem-me boas escolhas para quem na altura andaria atrás de algo didático para as suas crianças. Pelos vistos ambos fizeram sucesso suficiente que receberam sequelas, embora a Apogee já não as tenha publicado.