Colecção de videojogos – alguns "rants" e análises
Autor: cyberquake
Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
E siga para mais uma super rapidinha a um jogo da série Sakura. Desta vez o que cá trago hoje é o Sakura Swim Club que é mais uma visual novel com contornos eróticos mas com nada explícito (pelo menos na sua versão steam). Tal como os outros jogos desta saga que eu tenho, este veio entrar na minha conta steam após ter comprado um indie bundle muito baratinho que incluiu a saga quase toda.
Bom, muito resumidamente esta é mais uma visual novel clássica onde teremos muito texto para ler e algumas escolhas para fazer (embora não tenham consequências lá muito diferentes entre si). O protagonista é uma vez mais um jovem adolescente e este é mais um romance que decorre numa escola secundária, desta vez no clube de natação que por algum motivo só é frequentado por duas raparigas com tudo no sítio.
De resto contem com uma visual novel igual a muitas outras com o conceito de romance na escola secundária. Este jogo, tal como alguns outros, teve direito a um patch que introduziu voice acting, e de resto contem com as mesmas funcionalidades do motor de jogo que é semelhante a todos os outros Sakuras que sairam até à data.
Dragonheart é um filme de fantasia medieval, lançado algures na década de 90. E como tal, não poderia faltar um videojogo! Publicado pela Acclaim, este é um sidescroller 2D, mas onde usaram as técnicas da moda na altura, ou seja, sprites e cenários digitalizados! O meu exemplar entrou na minha colecção algures durante o mês de Março, foi comprado numa feira de velharias por 2€.
Jogo completo com caixa e manuais
O jogo segue de perto a história do filme, que por sua vez conta a história de um caçador de Dragões algures durante a idade média em Inglaterra, o cavaleiro Bowen. Antes de se tornar caçador de Dragões, Bowen era o mentor de um jovem príncipe, tendo-lhe ensinado todos os bons valores e virtudes. No entanto o príncipe acaba por se tornar num tirano ainda pior que o seu pai e lá teremos de o defrontar para salvar o reino.
Um dos power ups que podemos encontrar permite-nos chamar o dragão e limpar o ecrã de inimigos
Este jogo faz-me lembrar o Batman Forever, um pouco melhor mas não tanto, infelizmente. Na sua essência é um sidescroller 2D, que mistura elementos de combate com os de platforming, mas com todas as sprites como o protagonista ou os inimigos, são digitalizações de actores reais, assim como os cenários também são pré-renderizados, embora em baixa resolução. E se por um lado o grafismo até passa bem (poderia sim ser melhor, especialmente nas animações), o problema está mesmo na jogabilidade.
Os gráficos até que estão interessantes, embora as animações poderiam estar melhores
No canto superior esquerdo do ecrã temos 2 barras de energia: uma de vida e uma outra de fadiga. Ora por cada vez que executamos golpes de espada, a barra de fadiga vai-se esgotando, sendo automaticamente regenerada com o tempo, se nos mantivermos quietos entretanto. Até aqui tudo bem, mas os inimigos possuem todos uma barra de vida, logo levam uns quantos golpes até serem derrotados, logo a nossa barra de fadiga vai-se esgotando muito depressa. É verdade que existem imensos power ups que nos regeneram a vida ou a fadiga, mas esses vão sendo mais escassos nos últimos níveis, onde justamente os inimigos também são mais fortes e demoram mais a morrer. Ora logo aqui o jogo aumenta bastante a sua longevidade pelo lado aborrecido da repetitividade. Mais valia terem balanceado melhor as coisas!
Ocasionalmente lá temos alguns bosses para derrotar.
Depois temos outros itens a encontrar desde diferentes tipos de flechas que podemos usar a partir do momento que desbloqueamos o arco, power ups de armadura ou da nossa espada, ou invencibilidade temporária. Para além disso, se explorarmos bem os níveis poderemos encontrar alguns NPCs que nos aumentam as barras de vida e fadiga, ou nos ensinam novos golpes especiais. Ocasionalmente lá teremos aqui alguns quick time events nalguns segmentos do jogo onde viajamos nas costas de um dragão. Aqui temos uma pequena cutscene em full motion video a correr em plano de fundo e teremos de pressionar o D-pad nas direcções que aparecem no ecrã, para guiar o dragão em segurança até ao nosso destino.
Enquanto o Sakura Fantasy foi um agradável passo positivo na saga Sakura, infelizmente este Sakura Beach resultou nuns quantos passos atrás, pois acaba por ser um jogo muito mais cliché e sem muitas das boas coisas que adicionaram à fórmula no jogo anterior. Mas já lá vamos. Este meu exemplar digital, tal como os outros, deu entrada na minha colecção após ter sido comprado num indie bundle por um preço acessível.
Este Sakura Beach acaba por se passar nos tempos modernos, e o protagonista é mais uma vez um jovem adolescente que resolve ir de férias para uma praia paradisíaca com 2 amigas de infância, também adolescentes. O resto é o típico de uma visual novel deste género, com o jogo a enveredar por pseudo-romances, inseguranças típicas de adolescentes e ocasionalmente uma ou outra cena um pouco mais picante (embora não haja qualquer nudez).
Tal como os seus predecessores vamos ao longo do jogo desbloquear algumas imagens.
Nada de especial portanto! De resto o jogo mantém o mesmo motor de jogo que nos permite ouvir o texto, mas ao contrário de alguns jogos desta saga, os produtores não incluiram nenhum voice acting desta vez. A música é típica de músicas agradáveis de verão, mas sinceramente a mim não me diz nada. Para piorar as coisas a narrativa não é nada de especial e apesar de termos algumas escolhas a fazer aqui e ali, não deixa de ser uma visual novel algo linear.
Continuando pelas rapidinhas aos jogos da série Sakura, o que cá trago hoje é o que deveria ser o primeiro capítulo numa saga, que infelizmente nunca se chegou a materializar até hoje, com este primeiro capítulo apenas a ter sido lançado. E sinceramente desta vez até tenho pena, pois acho que melhoraram face aos jogos antecessores. Como os outros jogos desta franchise, este veio parar à minha conta do Steam através de um indie bundle há uns meses atrás. Ficou barato!
Este é um jogo de fantasia medieval e ao contrário dos outros, o protagonista principal até é uma mulher, a jovem Raelin. Assim sendo, claro que esperem por cenas de lesbianismo aqui e ali. Mas desta vez achei que a história estivesse muito melhor conseguida, daí ter ficado com pena que este primeiro capítulo não tenha tido qualquer continuação até à data. Basicamente Raelin faz parte de uma academia militar e ela, bem como a sua instrutora e uma outra colega, foram escolhidas pela imperadora para se aventurar fora das muralhas do castelo em busca de um meteorito que caiu na superfície. Mas fora do castelo existem imensos perigos e essa parte até me fez lembrar um pouco a série Attack on Titan.
Como sempre temos raparigas voluptuosas como protagonistas
De resto este é outra visual novel típica, mas desta vez já temos imensas escolhas diferentes para fazer, que podem dar origem a diferentes diálogos. Para já, as nossas escolhas ainda não se refletem numa grande diferença no resultado final, mas já está melhor! E tal como o antecessor, o Sakura Angels, aqui também temos voice acting em japonês para os diálogos e na parte em que há apenas narrativa, podemos também activar uma voz automática que nos lê esses textos. As músicas desta vez são mais fantasiosas, mas também não me desagradaram.
Gain Ground é um jogo que foi desenvolvido pela Sega originalmente para as arcades no final da década de 80. Era um jogo de acção numa perspectiva top-down, mas com alguns elementos de estratégia que nos faziam pensar um pouco, para além de ser necessário os habituais reflexos rápidos. Naturalmente que conversões para as suas consolas não se fizeram esperar e foi o que acabou por acontecer, tanto na Mega Drive, como na Master System, versão que cá trago hoje. A minha cópia foi comprada algures durante o mês de Março, numa Cash Converters de Lisboa, por 5,5€.
Jogo em caixa
O conceito por detrás do Gain Ground é que este era originalmente um concurso entre guerreiros humanos e andróides, onde os humanos teriam de percorrer um grande labirinto, defrontando um pequeno exército de andróides pelo caminho. Acontece que o computador que controlava todo o concurso descontrolou-se, atacou uma série de pessoas e agora os guerreiros humanos terão de percorrer um labirinto ainda mais mortal e por fim, destruir o computador central.
É impressionante a variedade de personagens e armas com que podemos vir a jogar
A piada do Gain Ground é que o “labirinto” se extende ao longo de diferentes fases da história humana, começando na pré-história onde combatemos homens das cavernas, passando pelo período medieval, moderno e futurista, cheio de robots e armas laser. Por outro lado, também controlamos guerreiros de todas essas épocas, cada um com diferentes armas, desde lanças, arco e flecha, passando por metralhadoras, granadas e bazookas. Para passar cada nível, temos de completar pelo menos um de dois objectivos: destruir todos os inimigos no ecrã, ou levar todos os guerreiros que controlamos em segurança até à saída. Isto nem sempre é tarefa fácil pois basta sofrer um ataque para perdermos uma personagem.
No final de cada “mundo” temos um confronto contra um boss, mesmo como manda a lei
Por outro lado, ao longo dos níveis vamos vendo novas armas espalhadas pelo chão. É importante que as apanhemos, pois estas acabam por desbloquear novas personagens que usam essas mesmas armas. Desde guerreiros Vikings, a ninjas munidos de Shurikens, feiticeiros com poderes mágicos ou guerreiros do futuro equipados com armas bastante potentes. Portanto este é um jogo que exige alguma paciência, evitar ao máximo sermos atingidos pelos inimigos e procurar sempre que possível apanhar estes power ups adicionais. É mesmo importante ir guardando um grande número de guerreiros de reserva, pois o último boss possui mísseis teleguiados que não nos conseguimos mesmo esquivar, pelo que vamos perder muitas vidas ali.
Este último boss é uma treta! Impossível não levar dano!
Tecnicamente esta é uma versão mais limitada tendo em conta o original da arcade ou mesmo a versão Mega Drive. Ainda assim não deixa de ser impressionante, para uma consola de 8bits, haver tanta variedade de personagens à escolha e as diferentes armas que poderão ter equipadas. Graficamente os níveis vão sendo distintos entre si, representando diferentes fases da evolução humana, desde planícies do tempo da pré-história, passando por castelos, fortalezas, trincheiras ou bases militares modernas e futuristas. As músicas sinceramente não acho que sejam lá grande coisa, excepto as da última fase, do futuro, que gostei muito mais.
Portanto, o conceito deste Gain Ground é interessante, mas naturalmente a Master System não é a consola que possui uma melhor adaptação do jogo. A Mega Drive ou mesmo a PC-Engine possuem versões tecnicamente superiores, mas o conteúdo exclusivo da versão Master System acaba também por ser uma adição interessante.