Galaxy Fight (Sega Saturn)

Com o sucesso de Street Fighter II, foram inúmeras as empresas que tentaram repetir a aquela fórmula de sucesso. A Sunsoft acabou por ser uma delas, tendo lançado em 1995 este Galaxy Fight, originalmente nas arcades, com o hardware da SNK, NeoGeo MVS. Inevitavelmente acabaram posteriormente por surgir algumas conversões para consolas, a começar precisamente pelas plataformas da SNK, mas a Saturn e Playstation também não ficaram esquecidas. O meu exemplar foi comprado algures em Março passado, tendo-me ficado barato, pois foi comprado num bundle com vários outros jogos da Saturn.

Jogo com caixa e manual

Tal como o nome indica, este é um jogo futurista, com protagonistas de diversos planetas. Qual a razão de andarem à pancada uns com os outros? Bom, há uma profecia qualquer que a cada 1000 anos um deus assume a sua forma física e surge na galáxia. Mas este não é um deus benigno, bem pelo contrário. O objectivo será então o de derrotar esta divindade, sendo que pelo meio iremos também andar à pancada com uma série de outros guerreiros também.

As arenas são bastante variadas entre si, e possuem sempre excelentes detalhes

No que diz respeito às mecânicas de jogo, este é até relativamente simples, com os botões A, B e C a servirem para ataques fracos, médios e fortes respectivamente. O botão Z serve para provocar o adversário, os botões X e Y não possuem qualquer utilidade a menos que activemos o “Special Command Mode”, onde poderemos assignar golpes especiais a estes botões. De resto é um jogo simples, sem grandes mecânicas de combos ou barras especiais que nos desbloqueem outros ataques. Mas nem por isso é um jogo fácil, os oponentes dão boa luta. Quanto aos modos de jogo, também não esperem por grandes surpresas, pois temos aqui o arcade e um versus para 2 jogadores.

O elenco de lutadores é bastante variado, incluindo ninjas, robots e aliens

A nível audiovisual gostei bastante do jogo. As personagens estão distribuídas por diferentes planetas, o que resulta sempre em arenas com temáticas variadas. Temos umas mais futuristas, outras no meio da natureza, outras em grandes templos, e por aí fora. O design das personagens está muito bem conseguido e tudo é apresentado com um 2D de muito boa qualidade como seria de esperar. Gosto do design das personagens e as arenas também estão repletas de bonitos detalhes como alguns efeitos de parallax scrolling, sendo que aqui as arenas não possuem limites, vão fazendo scrolling infinitamente. As músicas são também bastante agradáveis, sendo na sua maioria grandes malhas de rock como manda a lei.

Portanto este Galaxy Fight, apesar de não ter trazido nada de propriamente novo aos jogos de luta, não deixa de ter sido um título bem sólido e com excelentes visuais. A Sunsoft não se ficou por aqui e lançou posteriormente o Waku Waku 7, um jogo que cheguei a jogar nas arcades há uns anos valentes e que teve também um lançamento para a Saturn, mas infelizmente esse já se ficou pelo Japão.

Sakura Sadist (PC)

Mais uma super rapidinha a uma visual novel da serie Sakura, e infelizmente mais um arrependimento. Tal como os outros Sakura recentes, infelizmente este é também um título mais simples, com uma narrativa algo banal e sem grande conteúdo. Voice acting? Mais uma vez não existe. O meu exemplar foi comprado num bundle algures durante o mês passado por um valor bem em conta.

A história coloca-nos uma vez mais numa protagonista feminina que se vê enrolada num triângulo amoroso. Por acaso, desta vez, até gostei da maneira em como a narrativa nos apresentou a personagem principal, uma rapariga super animada e despreocupada com tudo. Mas depois a história não desenvolve nada de especial. Como o título induz, as coisas acabam por se tornar um bocado bicudas com um bocadinho de S&M.

Como é habitual, as escolhas que vamos fazendo vão-nos levar a finais distintos

No que diz respeito aos audiovisuais, os desenhos são coloridos e tal, mas mais uma vez não há voice acting. As músicas vão sendo algo variadas com algum foco em temas mais clássicos, até porque a história se passa numa conservatória.

Puggsy (Sega Mega Drive)

Voltando agora para a Mega Drive, vamos ficar cá com mais um belíssimo jogo com o selo da Psygnosis. Produzido pela Traveller’s Tales, o mesmo estúdio que ficou mais tarde responsável pelo Sonic 3D, Puggsy é um jogo de plataformas com elementos de puzzle e um sistema de física de objectos muito interessante para a época. Foi também dos primeiros jogos que joguei quando descobri o admirável mundo da emulação de Mega Drive, no final de 1998, embora confesse que na altura não consegui progredir muito no jogo. O meu exemplar foi comprado no passado mês de Fevereiro a um amigo, tendo-me ficado algo próximo dos 5€.

Jogo com caixa

Puggsy é um alien com um corpo muito estranho, que estava simplesmente a passear pelo espaço e decide explorar um planeta que tinha acabado de descobrir. Pouco depois de aterrar, no entanto, os habitantes desse planeta acabam por lhe roubar a sua nave espacial, pelo que teremos então de a tentar recuperar, ao atravessar dezenas de níveis.

Temos dezenas de níveis para explorar, cujos podem ser seleccionados neste mapa

Na sua essência, Puggsy parece um simples jogo de plataformas com elementos de puzzle, como podemos ver nos níveis iniciais. Um botão serve para o alien saltar, e se pressionarmos para baixo durante o salto poderemos pisar os inimigos, outro para pegar/atirar num dos inúmeros itens que podemos encontrar, e outro para os usar, caso sejam itens que tenham uso. O objectivo primordial em cada nível é o de procurar a sua saída e inicialmente poderemos ter de montar pequenas escadas com esses itens para conseguir alcançar plataformas mais altas, mas rapidamente começamos a ver outros tipos de puzzles inteligentes que a Traveller’s Tales vai introduzindo. Por exemplo, num dos níveis vemos a saída bloqueada por um pequeno incêndio. Um dos itens que podemos encontrar é uma pistola de água, que a devemos encher primeiro de água e depois a usar para apagar as chamas. Outros níveis apresentam-nos puzzles cada vez mais complexos, que irão envolver várias alavancas para abrir passagens, ligar ou desligar ventoinhas, entre outros, onde teremos uma vez mais de usar os itens que dispomos de forma inteligente.

Os puzzles serão muito mais complexo do que meramente empilhar itens para servirem de plataformas

Falei também do sistema de física de objectos que o jogo inclui. E sim, apesar de não ser necessariamente super-realista, este é um outro aspecto muito bem conseguido deste Puggsy: Os objectos que atiramos fazem ricochete nas superfícies, os objectos possuem diferentes pesos, pelo que alguns flutuam na água. Ou transportar um peso pesado permite-nos atravessar um túnel de vento, onde caso contrário seríamos soprados para fora. No que diz respeito aos saltos, podemos aproveitar o motor de física para ajudar a alcançar zonas mais altas. Por exemplo, ao forçar um objecto flutuante dentro de água, ele vai sair disparado para a superfície, pelo que devemos aproveitar esse momento e aproveitar a sua propulsão para também saltar mais alto. Quando apanhamos um item (ou uma pilha deles), podemos também regular a sua altura ao mover os botões direccionais para cima ou para baixo. Se saltarmos para uma plataforma e pelo menos o objecto ficar preso na berma, podemos usar a força de braços do Puggsy para conseguir subir essa plataforma. Isto são tudo técnicas que poderemos ter de usar, até porque o jogo está repleto de segredos como saídas secundárias para níveis secretos. Alguns desses níveis secretos são também autênticas homenagens a outros videojogos como Space Invaders, Arkanoid ou Lunar Lander.

Para atravessar corpos de água, teremos de colocar itens que flutuem

No que diz respeito aos audiovisuais, devo dizer que este jogo está muito bem conseguido nesse aspecto. Os gráficos são coloridos e muito bem detalhados, ocasionalmente com alguns efeitos de paralaxe nos backgrounds, e outros efeitos gráficos como rotação, ampliação ou distorção de sprites, visíveis principalmente nos confrontos contra os bosses, cujos são também muito bem detalhados graficamente. Os níveis em si vão sendo bastante variados, atravessando uma série de diferentes cenários como praias, florestas, pirâmides, castelos ou cavernas, todos eles bem representados. As músicas são também muito bem conseguidas, tendo não só um som de qualidade agradável – tipicamente os jogos com o selo da Psygnosis na Mega Drive soam muito bem – bem como várias melodias agradáveis ao ouvido.

Portanto este Puggsy é um jogo muito competente, oferecendo uma série de puzzles cada vez mais desafiantes. Não é um jogo que irá agradar a todos, certamente, mas creio que a sua qualidade como um todo é inegável. Para além da versão Commodore Amiga, existe ainda a versão Mega CD que aparentemente possui ainda mais conteúdo como mais alguns bosses que não chegaram a sair nesta versão. Será algo a ter em conta se um dia me deparar com essa versão a preços apetecíveis.

Sakura Cupid (PC)

Mais uma super rapidinha a mais uma visual novel da Winged Cloud, da série Sakura. Tal como todos os outros jogos que tenho desta série, foram comprados em bundles com preço muito em conta.

Infelizmente tal como o Sakura Gamer que joguei recentemente, este Sakura Cupid também parece ser uma VN muito low budget, pois não tem qualquer voice acting e os diálogos são demasiado simples, assim como a história como um todo. Nós controlamos Lilim, uma cupido que foi expulsa do paraíso por ser demasiado preguiçosa e condenada a viver na Terra. Entretanto mete-se em confusões com uma empregada de um café que fica apaixonada por ela e paralelamente a isso, a anjo Gabriel (sim, neste jogo é feminina) envia a sua amiga de infância Serra para a ir buscar de volta para o paraíso. Naturalmente, como estas VNs indicam, vão haver triângulos amorosos e a história pouco evolui disso.

Aqui teremos diferentes finais para alcançar que estão relacionados com as escolhas que vamos tomando ao longo do jogo

No que diz respeito às mecânicas de jogo, teremos vários finais distintos para alcançar que estarão relacionados com as várias escolhas que teremos de fazer ocasionalmente. A opção de avançar texto já lido é bastante útil quando exploramos outras rotas. Uma das outras opções que existe é um processador de voz que lê os textos de forma mecânica. Não é voice acting. A ver se os outros Sakuras que arranjei recentemente sejam melhores…

Ghost House (Sega Master System)

Voltando às rapidinhas na Master System, o jogo que cá trago agora é este Ghost House, um simples sidescroller, tão simples que foi lançado originalmente no formato Sega Card, lido apenas pelo primeiro modelo da Master System. O meu exemplar, é no entanto uma reedição em cartucho, para o tornar compatível com os modelos da Master System II. Foi comprado na loja online PlaynPlay no início de Março por cerca de 8€.

Jogo com caixa

Este jogo é uma adaptação de um título arcade da Sega bastante antigo, de 1982, chamado Monster Bash. Não é uma conversão completa, pois Monster Bash coloca um jovem rapaz a lutar contra Drácula, Frankenstein e um homem-lagarto em 3 cenários diferentes: uma mansão em ruínas, um castelo  e um cemitério. Aqui apenas enfrentamos Dracula em diferentes mansões. Mas há muitas mais mudanças, pois Monster Bash passava-se em ecrãs estáticos, aqui as diferentes mansões de Dracula que vamos explorar são bem maiores, com scrolling horizontal e vertical. E mesmo a nível de jogabilidade há alguns aspectos diferentes.

Se tocarmos numa teia de aranha ficamos temporariamente paralisados

Mas vamo-nos focar apenas no Ghost House. Aqui controlamos um jovem caçador de vampiros e o nosso objectivo em cada nível é o de destruir os 5 vampiros que estão espalhados pela casa, nos seus caixões. Caixões esses que estão trancados, pelo que primeiro temos de encontrar chaves para os abrir, chaves essas que são largadas pelos inúmeros inimigos que nos atacam. Uma vez tendo uma chave na nossa posse, teremos de passar por um desses caixões que se abrirá sozinho e revelará o vampiro que nos ataca imediatamente. E sim, Ghost House é um jogo difícil. Para além de todos os inimigos que vão vagueando pela casa, como pequenos morcegos, múmias ou outras estranhas criaturas, os vampiros são especialmente agressivos, voando em padrões muito erráticos e difíceis de contra-atacar. O miúdo pode derrotar inimigos ao saltar em cima deles ou atacando com os seus punhos, mas poderemos também equipar uma espada temporariamente. Como? Bom, por vezes somos atacados por espadas a voar horizontalmente na nossa direcção. Aí temos de acertar no timing e saltar em cima da espada enquanto a mesma passa por baixo de nós. Se fizermos as coisas bem, teremos a espada equipada temporariamente, o que aumenta bastante o nosso poder de ataque e será uma mais valia para enfrentar os vampiros. Para além disso as casas possuem imensas outras particularidades, como teias de aranha que nos desorientam, lâmpadas que, ao tocar nelas, congelam temporariamente todos os inimigos no ecrã (sem dúvida o mais útil para enfrentar os vampiros), e imensas portas e janelas que são na verdade portais que nos vão transportando para diferentes localizações. Portanto em cada nível temos 5 vampiros para derrotar, depois teremos de procurar a saída para o nível seguinte.

Os vampiros são fortes e movem-se com padrões bastante agressivos

No que diz respeito aos audiovisuais, este é um sidescroller simples. Os seus 5 níveis não diferem muito entre si a não serem as cores e eventualmente alguns inimigos. Tudo o resto é repetido, o que sinceramente seria de esperar pois este jogo foi lançado originalmente como um jogo no formato Sega Card, que tinham tipicamente 32kb de armazenamento. As músicas também são poucas, mas felizmente são bastante agradáveis.

Portanto este Ghost House é um sidescroller muito simples, porém bastante desafiante. Os inimigos não nos dão tréguas, em particular os vampiros assim que os acordarmos. É um jogo que dá para entreter durante algum tempo, mas também não possui grande variedade visto ter sido lançado originalmente num formato com armazenamento de memória extremamente limitado. O Monster Bash nas arcades sempre tinha outros vilões para enfrentar em diferentes locais.