Leisure Suit Larry 6: Shape Up or Slip Out! (PC)

Voltando às rapidinhas no PC, vamos ficar agora com mais um jogo da saga Leisure Suit Larry, nomeadamente o quinto (sim, porque nunca houve um LSL 4) que foi lançado originalmente em 1993. E aqui Al Lowe e companhia voltam aos básicos: o único objectivo de Larry é o de engatar várias mulheres e falhar miseravelmente. Não há super vilões para derrotar, nem sequer teremos de partilhar o protagonismo com Patti, que se encontra missing in action neste jogo. O meu exemplar, tal como todos os outros que escrevi até agora, veio na compilação LSL Great Hits and Misses, que comprei no GOG há uma porrada de anos por menos de 2.5€.

Tal como referi acima, a história é muito mais simples e um regresso às raízes de Larry. Até partilha algumas semelhanças com eventos que decorreram em jogos anteriores! Isto porque começamos o jogo com Larry a entrar acidentalmente num concurso televisivo, daqueles para encontrar o par ideal. Larry desta vez não ganha, mas recebe o prémio de consolação, passar duas semanas num resort à beira mar, repleto de mulheres para conquistar. Como Larry não é um cliente pagante na sua estadia do hotel, acaba por ser algo mal tratado pelo seu staff e, quando tentamos engatar as miúdas, acontece o habitual: primeiro falamos com elas, elas querem algo em troca antes de sequer pensarem em partilharem momentos connosco, pelo que teremos de ir explorar os cenários, interagir com outras pessoas e objectos, resolver alguns puzzles até que temos o item que a mulher em questão precisa. Depois de lho dar, lá nos envolvemos num encontro amoroso que tipicamente não acaba bem.

Como é habitual na série, o jogo está repleto de situações caricatas e bem humoradas

E o progrsso é uma vez mais não linear, poderemos abordar qualquer rapariga a qualquer momento, mas existem certos itens que apenas ficam disponíveis após completar o encontro com outras mulheres. As mecânicas de jogo são as características de um point and click, onde teremos diferentes cursores do rato que exemplificam diferentes acções, como mover, observar, falar, tocar e claro, o já tradicional fecho zipper das calças de Larry que tipicamente traz resultados hilariantes (tentem usá-lo no depósito de chaves da recepção!).

Ao contrário do jogo anterior, aqui Larry corre uma vez mais perigo de vida

No que diz respeito aos audiovisuais, convém referir que este jogo foi lançado em 2 versões distintas. A primeira foi a versão VGA, que possui um motor gráfico similar ao de LSL 5 (ou do remake VGA do LSL 1), pelo que esperem por gráficos coloridos, uma caracterização muito cartoon dos cenários à nossa volta e claro, do próprio Larry. Mas um ano depois a Sierra lançou uma versão actualizada deste jogo já em CD-ROM e com suporte a sistemas SVGA. Esta versão, para além de incluir voice acting em practicamente todas as falas e narrações, também assenta num motor gráfico mais recente, apresentando gráficos com maior resolução, e cenários e personagens bem mais detalhados. Sinceramente por um lado gosto bastante do original VGA pelo melhor pixel art, mas é inegável que a imagem como um todo está melhor na sua versão SVGA. Já o voice acting sinceramente achei-o um bocadinho forçado por vezes, mas também sejamos sinceros, em 1994, salvo algumas excepções, ainda não se investia tanto neste campo como nas grandes produções actuais.

Para além da versão SVGA que saiu mais tarde e com suporte a CD ROM, o lançamento original de 1993 possui ainda o motor gráfico do jogo LSL5

Portanto este LSL 6 é mais uma sólida e bem humorada aventura gráfica da Sierra. O facto de ter um progresso não linear, uma narrativa que retorna Larry às suas raízes e até algumas death scenes engraçadas (não tão frustrantes como nalguns dos LSL mais antigos) foram sem dúvida factores benvindos. Mesmo que se note alguma falta de originalidade aqui e ali, com algumas piadas recorrentes e situações muito semelhantes a outras que já experienciamos em LSL anteriores.

ToeJam and Earl in Panic on Funkotron (Sega Mega Drive)

O Toejam & Earl original foi uma excelente surpresa. A primeira vez que o joguei não compreendi nada do seu conceito, mas anos mais tarde decidi dar-lhe uma nova oportunidade e apercebi-me que esse jogo era nada mais nada menos que um roguelike, com alguns elementos ligeiros de RPG. Isto quer dizer níveis gerados aleatoriamente, assim como o posicionamento dos inimigos e itens que poderemos apanhar, sendo que até só saberemos ao que correspondem depois de os usar e os resultados nem sempre são positivos. Tudo isto regado com bom humor e uma banda sonora excelente. Para a sequela, a equipa queria manter as mesmas mecânicas de jogo do original, mas aparentemente a Sega of America interveio e solicitou que produzissem antes um jogo de plataformas mais tradicional. Acredito que o tenham feito de forma algo relutante, mas na minha opinião o resultado final é igualmente excelente. O meu exemplar foi comprado algures no final de 2018, salvo erro veio de uma loja online e terá custado algo à volta dos 12€.

Jogo com caixa

A aventura decorre logo após os eventos do primeiro jogo, onde Toejam e Earl conseguem recuperar a sua nave espacial e regressar da Terra ao seu planeta natal, Funkotron. O que não se apercebem é que alguns terrestres se infiltraram na nave e acabaram por viajar para Funkotron também. Uma vez no novo planeta, passaram a armar muita confusão, pelo que caberá à dupla de extraterrestres mais funky a missão de os capturar e levar de volta para a Terra. E como o fazemos? Ao aprisioná-los em frascos de vidro e colocá-los em foguetões que os levem de volta para a Terra, claro!

Tal como no primeiro jogo, poderemos jogar cooperativamente com um amigo

A primeira grande mudança face ao original está precisamente na sua jogabilidade. Apesar deste TJ&E possuir níveis grandes e repletos de segredos, a sua jogabilidade foi simplificada, ao assumir-se como um jogo de plataformas e sem quaisquer réstias do roguelike do primeiro jogo. Mas a equipa esmerou-se e mesmo assim este não é de todo um jogo de plataformas comum. Tal como no primeiro, a exploração é a palavra chave, visto que em cada nível a tarefa principal é a de procurar e aprisionar todos os terrestres que por lá estiverem espalhados. Felizmente temos uma seta na parte de baixo do ecrã que nos indica a direcção dos terrestres mais próximos, e uma vez que os apanhemos todos, a seta muda para a cor verde e passa a indicar a saída do nível. Mas à medida que vamos explorando, vamo-nos deparando com imensas passagens secretas, botões para pressionar, plataformas que surgem do nada, tudo a convidar-nos para explorar e desviar as atenções do objectivo principal. E seguindo essa tentação, geralmente somos recompensados com pontos extra, passagens secretas, ou outros power ups. Mas já lá vamos. Para além disso, ao explorar arbustos, abanar árvores e outros objectos poderão recompensar-nos também com power ups, ou mesmo com terráqueos lá escondidos!

Acho esta paisagem em particular muito bem conseguida pelos seus efeitos de paralaxe

Num comando de 3 botões, por defeito o botão C é o usado para saltar/nadar, enquanto o B é o botão de ataque, e por ataque refiro os frascos de vidro que teremos de atirar para os inimigos de forma a os aprisionar. Dependendo do tipo de inimigos que enfrentamos, poderão necessitar de poucos ou muitos frascos certeiros para os aprisionarmos, pelo que um dos power ups mais úteis é o dos super jars, frascos mais poderosos capazes de aprisionar um terráqueo num só golpe. O botão A serve para usar os Funky Moves, seja para teletransportar TJ ou Earl em curtas distâncias (óptimo para avançar paredes e descobrir passagens secretas), ou para activar alguns dos seus poderes especiais. Pressionando o botão Start vemos quais poderes especiais que podemos usar, estando cada um mapeado num botão respectivo. O primeiro é o Funk Scan, que nos permite ver segredos escondidos no ecrã, como passagens secretas ou localização de itens, plataformas ou inimigos invisíveis. Este, tal como o teletransporte, gastam pontos de funk – uma analogia aos pontos de Mana. Os outros poderes especiais são o panic button, que nos deixam temporariamente invencíveis, mas a correr em pânico de um lado para o outro e atirar frascos por todo o lado, na esperança de aprisionar criaturas terrestres que estejam à nossa volta. O último é o Funk Vac, um mega aspirador que aspira todos os terráqueos no ecrã e aprisiona-os. Tanto o Funk Vac como o Panic Button são de uso limitado e teremos de apanhar power ups para os poder usar.

Poderemos interagir com imensos NPCs que resultam tipicamente em conversas bem humoradas

Ocasionalmente teremos alguns níveis bónus, que decorrem numa outra dimensão e são usados principalmente para angariar pontos, comida (que nos regenera a barra de vida), power ups, pontos de funk ou moedas. Também iremos encontrar outros mini jogos com recompensas similares. Por exemplo, alguns concursos de beat box onde teremos de pressionar os botões A, B e C num padrão e ritmo específico. Estes começam de forma simples, mas rapidamente começam a complicar bastante! Ou por vezes quando nos aproximamos de um trampolim, surgem 3 elementos de um juri no canto inferior esquerdo do ecrã. Aqui teremos então de saltar cada vez mais alto e fazer algumas acrobacias, para que o juri depois nos pontue, o que se irá traduzir em recompensas distintas. Algumas passagens secretas também nos levam a encontrar com Trix, a fada lá do sítio e que nos recompensa com alguns power ups permanentes para o nível em questão, como super jars infinitas, ou ar infinito para explorar as passagens subaquáticas, por exemplo.

Podemos usar o poder de teletransporte para atravessar paredes pequenas

Mas para além de tudo isto, a certa altura nos deparamos com um objectivo adicional. Devido a todo o caos causado pelos terráqueos, o Lamont, uma espécie de divindade do funk lá do sítio, decide refugiar-se numa outra dimensão. Com isto, o mundo de Funkotron está a perder o seu funk, a sua cor, pelo que somos encarregados da tarefa opcional de trazer Lamont de volta. Para o convencer, teremos de, ao longo do jogo, ir coleccionando vários dos seus objectos, tipicamente escondidos em passagens secretas, onde, para as descobrir, teremos de ir falando com os vários amigos e conhecidos de TJ&E que vamos encontrando ao longo do jogo. Cumprir este objectivo adicional é necessário para obter o melhor final e é mais uma forma de nos obrigar a explorar este mundo.

Alguns dos inimigos são absolutamente hilariantes!

No que diz respeito aos audiovisuais, este jogo é excelente. O primeiro TJ&E, com as suas mecânicas de jogo roguelike tinham gráficos simples, embora repletos de bom humor, principalmente pelos inimigos que íamos enfrentando e os itens que poderíamos descobrir e usar. Aqui esse bom humor mantém-se, com inimigos bastante bizarros (como homens nus dentro de caixas de cartão ou vacas fantasma, por exemplo), bem como os diálogos com os restantes NPCs que vão sendo sempre bem humorados. Mas para além disso, os próprios níveis são altamente coloridos e bem detalhados e, mesmo com 17 níveis bem grandes onde vários estilos gráficos vão-se repetindo, é um jogo bastante agradável do início ao fim. O primeiro possuia também músicas funky e cheias de groove e o mesmo se passa aqui. São músicas super viciantes que, mesmo sendo repetidas até à exaustão, nunca me aborreceram!

Portanto, este segundo Toejam & Earl, mesmo sendo um jogo super diferente do seu antecessor, a equipa acabou por fazer um excelente trabalho, mesmo que de forma algo relutante por terem sido obrigados a fazer um platformer 2D. É um jogo grande, com inúmeros segredos para descobrir (ainda bem que temos um sistema de passwords) e uma jogabilidade bastante agradável – que também pode ser jogado em co-op para 2 jogadores! Infelizmente depois deste jogo a série ficou dormente durante practicamente uma década, com o terceiro jogo a ter saído apenas em 2003, em exclusivo na Xbox. A ver se o jogo em breve!

Uncharted: Drake’s Fortune (Sony Playstation 3 / Playstation 4)

Depois de Crash Bandicoot na Playstation e Jak & Daxter na PS2 (série que planeio jogar algures no futuro), para a geração seguinte a Naughty Dog decidiu apostar num estilo de jogo diferente, mais realista e repleto de acção, tendo resultado neste Uncharted: Drake’s Fortune, lançado originalmente no final de 2007. Mas a versão que acabei mesmo por jogar é a que veio incluida na compilação Uncharted: The Nathan Drake Collection para a Playstation 4. O original joguei apenas o demo back in the day, mas depois de ter visto todos os melhoramentos que receberam na PS4, especialmente o primeiro jogo da trilogia, optei mesmo por jogá-lo na PS4. Esta minha compilação foi comprada algures no passado mês de Abril a um particular por 15€. Já o original de PS3, custou-me uns 7€ algures no início de 2016, numa das minhas visitas à CeX.

Versão original black label para a PS3, com caixa e manual

Neste Uncharted controlamos então Nathan Drake, supostamente descendente do famoso corsário Inglês Sir Francis Drake, que procura um tesouro escondido pelo seu antepassado, o mítico El Dorado. E após um breve nível algures no mar da costa do Panamá, que serve não só de introdução da história em si, mas também um tutorial básico das mecânicas de jogo, iremos posteriormente explorar templos na floresta amazónica, bem como uma grande colónia hispânica em ruínas numa ilha abandonada, em busca do mítico tesouro. Mas claro que teremos alguma concorrência, pelo que iremos enfrentar piratas modernos, mas também mercenários altamente treinados e equipados.

Colectânea Nathan Drake Collection para a PS4, no seu lançamento original, com papelada e sem manual como habitual em jogos PS4

A nível de mecânicas de jogo, esta é uma excelente mistura entre a exploração e platforming de títulos como os Tomb Raiders clássicos (se bem que com controlos bem mais agradáveis), bem como a acção e o cover-based-shooting de títulos como Gears of War. Já joguei o demo do original na PS3 há muito tempo, pelo que já não me lembro dos seus controlos, mas todas as críticas que vi à compilação The Nathan Drake Collection mencionam que os controlos nos tiroteios ficaram muito melhores face ao lançamento original. E de facto o jogo acabou por se tornar bastante agradável nos seus combates, cuja dificuldade vai aumentando à medida que vamos avançando no jogo, com os oponentes a estarem não só mais fortemente armados, bem como mais protegidos e a adoptarem tácticas inteligentes para nos flanquear. Teremos então de estar constantemente à procura de abrigos, onde nos podemos “colar” às paredes ao pressionar o botão do círculo e, com os botões L2 e R2, poderemos espreitar, apontar e disparar. Soltando o L2 voltamos à posição de abrigo. Mas lá está, também não convém estar demasiado confortável nos abrigos pois alguns podem ser destruídos por fogo inimigo e estes também nos tentam flanquear ou atirar com granadas. De resto, teremos um arsenal relativamente extenso para experimentar, com vários tipos de pistolas, metralhadoras, shotguns, sniper rifles e lança granadas ou lança rockets, sendo que apenas poderemos equipar 2 armas de fogo, uma ligeira e uma “pesada” em simultâneo, mais umas quantas granadas.

Como um bom filme de acção, o jogo está repleto de momentos emocionantes!

No que diz respeito à exploração, por vezes temos alguns puzzles para resolver, que nos obrigam a espreitar o diário de Francis Drake, que obtemos logo no início do jogo, para aprender algumas pistas de como os resolver. São puzzles intuitivos assim que observamos essas dicas. Muitas outras vezes temos também alguns segmentos de platforming, que tipicamente nos obrigam a escalar paredes, saltar entre plataformas, balancear em lianas e devo dizer que as mecânicas dos saltos são um pouco estranhas. Basicamente, a menos que seja suposto nós conseguirmos saltar do ponto A para o ponto B, Nathan executa saltos muito curtos. O que é estranho por vezes nós saltarmos e Nathan avança por aí meio metro, mas quando são saltos que é suposto acontecerem, Nathan já consegue saltar uns 2 ou 3 metros na boa. De resto, Uncharted não é só tiroteios e exploração, também teremos alguns níveis interessantes onde temos perseguições de jipe em plena selva, ou conduzir uma moto de água. Devo dizer que o último nível da moto de água, onde temos de subir um rio e esquivar de barris explosivos e outros bandidos foi um dos níveis que achei mais frustrantes.

Para resolver os puzzles que nos vão aparecendo, podemos consultar o diário de Drake

A nível audiovisual, este Uncharted era realmente impressionante para um título de 2007, com níveis muito bem detalhados, excelentes efeitos de luz e água para a época, uma narrativa com voice acting competente, personagens bem carismáticas e, acima de tudo, um pacing bastante aliciante que agradava não só a quem estivesse a jogar, mas também para quem estivesse simplesmente a ver jogar, o que foi o que aconteceu aqui em casa. A minha namorada por vezes estava bem mais entusiasmada a ver-me jogar do que eu próprio, principalmente nalguns momentos mais desafiantes, como os combates na catedral, ou a subida do rio em moto de água. Já este remaster na PS4 apresenta ainda melhores efeitos de luz, cenários com ainda mais detalhe e, acima de tudo, uma performance bem mais fluída, pois o original tinha várias quebras de frame rate e alguns problemas na renderização das texturas.

O platforming e escaladas impossíveis fazem parte do ADN de Uncharted

Para além do notório update gráfico (e uniformização dos controlos e aparência de Drake ao longo dos 3 jogos desta compilação), o remaster da PS4 incluiu ainda dois novos níveis de dificuldade (um muito fácil e outro muito difícil), alguns trophies adicionais e outros bónus como a possibilidade de activar alguns tweaks, como o modo câmara lenta. Podemos também desbloquear um modo de jogo próprio para speedrunning, e uma série de estatísticas que comparam as nossas skills com as dos nossos amigos da PSN, como número de inimigos derrotados, com que armas usadas e por aí fora. São coisinhas interessantes, mas poder jogar uma versão com controlos melhorados e audiovisuais refinados foram sem dúvida os principais motivos que me levaram a pegar neste Uncharted precisamente neste remaster da PS4.

Um dos bónus do jogo é o Photo Mode, onde podemos tirar alguns screenshots e embelezá-los

Portanto devo dizer que gostei bastante deste Drake’s Fortune, excepto pelas mecânicas de salto por vezes frustrantes (provavelmente poderá ser problema da minha TV mas achei o jogo bastante escuro em certas partes que acabou por atrapalhar um bocado) e, desculpem lá os spoilers a quem não jogou este jogo ainda, a introdução dos Descendants já na recta final do jogo. Estava a adorar todo o realismo e a Naughty Dog decidiu borrar um pouco a pintura ao introduzir aquela espécie de zombies já perto do final do jogo, é uma pena. Mas tanto eu como a minha namorada ficamos cheios de vontade de começar o segundo jogo, que é o que iremos fazer já de seguida. Antes disso convém também referir que esta versão remastered (bem como o Uncharted 2 e 3) estão também disponíveis standalone para quem preferir.

Leisure Suit Larry 5: Passionate Patti Does a Little Undercover Work (PC)

Continuando pela saga do Leisure Suit Larry, vamos agora visitar o seu quarto/quinto capítulo, que acabou por ser o primeiro da série a ser lançado com um novo motor gráfico, que já suporta cores VGA, resultando em visuais bem mais coloridos pela primeira vez. Mas o que se passou com o Leisure Suit Larry 4 (The Lost Floppies)? Na verdade esse jogo nunca existiu e a passagem de LSL 3 para LSL5 acabou por ser uma piada do Al Lowe e restante equipa e neste jogo irão inclusivamente fazer imensas referências ao tal quarto título perdido. Aparentemente até foram os vilões deste jogo que roubaram as disquetes que continham o LSL4! Mas já lá vamos. O meu exemplar, tal como os outros Larries que trouxe até agora, vieram da compilação LSL Greatest Hits and Misses que comprei no GOG por uma bagatela há alguns anos atrás.

No Leisure Suit Larry 3, Larry acabou por encontrar “mais um” amor da sua vida, a pianista Passionate Patti e acabam por ficar juntos no final. Neste jogo tanto Larry como Patti estão separados e, pelo menos no caso de Larry, está amnésico, sem saber o que aconteceu desde que abandonou a ilha de Noontoonyt. E aqui acabaremos por alternar entre Larry e Patti, que possuem missões diferentes, mas relacionadas entre si. Larry é um funcionário de uma estação televisiva e acaba por ficar com a missão de viajar pelos Estados Unidos para documentar, secretamente com uma câmara de bolso, três modelos finalistas do concurso das mulheres mais sexy da América. Por outro lado, Patti, cansada de ser explorada como pianista em bares manhosos, acaba por ser convidada por um agente do FBI para servir de agente infiltrada numa operação onde planeiam desmascarar alguns nomes da indústria musical, que plantam mensagens subliminares nas suas músicas.

Tal como no jogo anterior poderemos jogar também com a Patti, mas desta vez vamos alternando entre ambos ao longo da história

E este é então o primeiro verdadeiro point and click da saga Larry (tal como o remake do primeiro jogo), onde já não precisamos de escrever os comandos que queremos que Larry execute, mas sim poderemos alternar entre diferentes cursores do rato que representam diferentes acções, como observar, falar, mexer ou, exclusivo da saga Larry, temos o ícone do fecho zipper de umas calças, que representam alguma acção sexual. É mais uma aventura bem humorada, com várias referências eróticas e alguma nudez ocasional. Mas também ao contrário dos jogos que vieram antes, este possui puzzles bem mais simples e é um jogo bem mais tranquilo: Tanto Larry como Patti não correm perigo de vida constante, nem corremos o risco de passar pontos sem retorno com algum item importante em falta. Bem pelo contrário, muitos dos puzzles aqui até que são algo opcionais, o que sinceramente já não faz muito sentido e aí já acho que o jogo deu um grande passo atrás.

Tal como no primeiro Larry, teremos várias mulheres para conquistar, o que poderá resultar em situações embaraçosas e hilariantes

Já no que diz respeito aos audiovisuais, como já referi acima este Larry usa o mesmo motor gráfico do primeiro remake do Land of the Loung Lizards, que suporta maiores resoluções e bem mais cores que a tecnologia EGA. Isto resulta portanto num jogo ainda com bastante pixel art, mas bem mais colorido e detalhado. O realismo que tentaram incutir no segundo e terceiro jogo foi aqui descartado em virtude de uns visuais mais cartoon, o que sinceramente até me agrada. Neste Larry ainda não tivemos direito a voice acting, algo que irá acontecer no próximo título, mas o som acaba por ser bem conseguido como um todo, repleto de músicas agradáveis e variadas consoante as localizações que vamos visitando.

Mesmo no modo EGA, com muito menos cores, continua um jogo mais apelativo que os seus predecessores

Portanto este Larry 5 acaba por ser mais um jogo sólido e com bom humor, mas confesso que até agora continuo a preferir o primeiro jogo de todos. A premissa mais simples de jogarmos com um perdedor, cujo único objectivo era o de perder a virgindade, e pelo meio acontecer-lhe tudo e mais alguma coisa, é uma premissa simples, mas que resultou muito bem. Aqui vamos alternando a narrativa entre Larry e Patti, que, como mulher elegante e confiante, é o completo oposto de Larry e acaba por destoar um pouco. Acho que a própria Sierra se apercebeu disso quando produziu o jogo seguinte, que irei pegar nele em breve.

Gunship (Sega Mega Drive)

Gunship é um simulador militar, mais precisamente do helicóptero norte americano AH-64 Apache (Desert Strike ftw!) desenvolvido pela Microprose ainda durante a década de 80 e lançado para uma série de sistemas, principalmente computadores. A Mega Drive possui uns quantos simuladores militares no seu catálogo mas a U.S. Gold, ao publicar uma versão deste jogo para a consola da Sega, decidiu transformar esta versão do Gunship num título mais de acção pura. Mas infelizmente o resultado não foi de todo o melhor. O meu exemplar foi comprado por 5€ a um amigo, algures no passado mês de Abril.

Jogo com caixa e manual

Ao longo do jogo iremos enfrentar exércitos inimigos ao longo de quatro teatros de guerra distintos: no médio oriente, ásia, américa do sul e Antárctica. Em cada campanha, mediante o nível de dificuldade seleccionado, teremos entre 3 a 6 missões para completar, que consistem tipicamente em destruir alvos terrestres ou aéreos, resgatar soldados ou escoltar caravanas militares. Antes de começar cada missão, somos presenteados com um mapa da área de jogo que iremos explorar e poderemos começar por definir uma rota. A nossa base e o objectivo de cada missão estão representados no mapa, bem como também postos de abastecimento de combustível ou munições, entre outros locais repletos de inimigos. Uma vez definida uma rota, somos levados para uma perspectiva de primeira pessoa no cockpit do helicóptero, onde iremos navegar em linha recta perante os checkpoints na rota que definimos anteriormente.

O jogo possui um modo de treino onde poderemos practicar diferentes tipos de objectivos

Durante esta viagem, podemos usar a metralhadora, que possui balas infinitas, bem como alguns mísseis que devemos apenas dispará-los assim que os alvos estiverem trancados no ecrã. Uma vez chegado a algum checkpoint previamente definido de abastecimento, teremos de aterrar o helicóptero para ser reabastecido, bem como a sua armadura reparada. Já assim que chegarmos ao nosso objectivo final, o jogo alterna para uma perspectiva 2D sidescroller (fazendo lembrar o Choplifter!), onde teremos de ir enfrentando dezenas de inimigos a surgirem de todos os lados, localizar o objectivo e cumpri-lo, seja ao destruir bases inimigas, resgatar soldados, ou escoltar caravanas militares. Nesta fase, tal como num shmup, poderemos também encontrar imensos power ups, desde diferentes tipos de mísseis ou bombas, escudos, itens que nos regeneram a armadura ou combustível, entre outros como o rapid fire. Aqui o botão A serve para disparar a metralhadora que continua com munições infinitas, o botão B é usado para disparar os mísseis e o C para alternar por entre os vários tipos de mísseis ou bombas que vamos coleccionando. São níveis por norma bastante caóticos, especialmente no hard, com dezenas de inimigos e mísseis a surgirem por todos os lados, quer pelo ar, quer na terra, pelo que teremos de jogar com alguma precaução e aproveitar todos os power ups que vamos encontrando.

Antes de cada missão teremos de planear a rota tendo em conta o combustível que temos

Já no que diz respeito aos audiovisuais, o jogo até que possui uma boa apresentação, com pequenas cutscenes entre cada missão e um briefing onde nos são mostrados os objectivos e que inimigos iremos encontrar. Por outro lado, a perspectiva da primeira pessoa não é nada de especial, onde practicamente a única coisa que muda de missão para missão é mesmo a cor do solo e do céu, já que teremos missões em diferentes alturas do dia. Quando o jogo assume uma perspectiva 2D sidescroller, que mais uma vez digo que me faz mesmo lembrar o Choplifter, os cenários também mudam um pouco consoante a campanha onde estamos. Desertos se no médio oriente, montanhas na selva se na América do Sul e por aí fora. Vamos tendo também algumas músicas que, apesar de não serem nada de especial, também não me desagradaram de todo.

Infelizmente o modo de primeira pessoa possui gráficos muito simples que variam apenas nas cores do solo e céu

Portanto este Gunship para a Mega Drive é uma mistura muito estranha de um simulador e um shmup 2D horizontal. O problema é que não faz bem nem um papel de simulador, nem o de shmup. Como simulador é fraco, pois não temos tanto controlo do helicóptero quanto isso, para além de todos os cenários serem idênticos, mudando apenas as cores. Já a parte de shmup também deixa a desejar, quanto mais não seja pela quantidade absurda de inimigos que surgem no ecrã.