Assassin’s Creed III Liberation (Sony Playstation Vita)

Voltando à série Assassin’s Creed, vamos ficar com este Liberation, um jogo originalmente desenvolvido exclusivamente para a Playstation Vita e serviria de spin-off do Assassin’s Creed III, pois ambos decorrem mais ou menos na mesma janela temporal e em solo Norte-Americano. Eventualmente a Ubisoft lançou um remaster em HD para uma série de outras plataformas, incluindo o PC cuja versão digital também a possuo na minha conta uPlay, mas preferi jogá-lo na portátil da Sony, da forma que foi originalmente pensado. O meu exemplar foi comprado numa CeX algures no norte do país em Outubro de 2018.

Jogo com caixa, manual e papelada

Se já jogaram algum Assassin’s Creed então já estão cientes da premissa do eterno conflito entre Templários e Assassinos e que é frequentemente usada uma tecnologia que permite reviver memórias dos nossos antepassados que ficaram armazenadas no nosso DNA. Tipicamente alguém no presente usa essa máquina para descobrir algum segredo no passado, e a narrativa vai oscilando entre as memórias do tal antepassado que estamos a reviver, e a história do presente. Bom, neste Liberation as coisas são mais simplificadas. Logo desde o início somos informados que estamos a correr uma simulação gerida pela própria Abstergo, empresa ligada aos Templários, pelo que não teremos grande história por fora da simulação. Já a simulação em si, esta leva-nos ao encarnar numa assassina, a primeria protagonista feminina na série Assassin’s Creed, filha bastarda entre uma escrava e um nobre francês e que decorre principalmente na cidade de Nova Orleães, quando esta era ainda uma colónia francesa. Temas como o escravagismo e o eterno conflito com os Templários serão uma constante.

O combate deverá ser familiar a quem tenha jogado algum dos ACs anteriores

A nível de jogabilidade, este é um Assassin’s Creed que apesar de possuir algumas limitações em virtude de correr numa consola portátil, não deixa de ser fiel à sua fórmula habitual. Estamos então perante uma aventura completamente open world, onde para além das missões da história principal teremos também outras missões opcionais e imensos coleccionáveis para obter, ao explorar toda a cidade de Nova Orleães e os pântanos nas suas imediações. É no entanto uma aventura mais compacta e mais contida. Apesar do pai de Aveline (a protagonista) ter um negócio comercial que nos permite gerir uma frota e trading entre diversos portos, não temos quaisquer missões marítímas como no Assassin’s Creed 3. Apesar de também ocasionalmente termos de defrontar alligators nos pântanos, não temos nenhum foco nas actividades de caça e crafting de itens.

Apesar da área a explorar ser pequena comparando com os restantes jogos na série, ainda teremos muitos coleccionáveis para descobrir e missões adicionais para cumprir

A jogabilidade no essencial está inalterada, embora algumas consessões tiveram de ser feitas tendo em conta que a Vita possui menos botões que um comando de PS3/PS4. A nível de movimento e combate, as coisas são practicamente idênticas aos Assassin’s Creed principais, podemos escalar edifícios e o jogo vai tendo um grande foco na furtividade também. Algumas funções tiveram é de passar para o touch screen da Vita, como a parte de consultar o mapa, ou a parte de gerir o inventário e escolher quais as armas a usar. A parte de assaltar os transeuntes passou a ser realizada através do touchscreen traseiro da Vita, o que sinceramente achei desnecessário. Outra das novidades trazidas para este jogo está no facto que Aveline pode ir assumindo 3 diferentes personas, todas com habilidades diferentes: A persona de Lady é a que nos limita mais os movimentos, mas possui a habilidade de encantar soldados inimigos com o seu charme. A persona de escrava permite-lhe passar despercebida e mesclar-se com os restantes escravos e a personalidade de Assassina é a que possui as habilidades que já estamos mais habituados. De resto este jogo tem ainda mais alguns elementos que utilizam as propriedades do hardware da Vita como a utilização da lente dos templários para descodificar documentos, que nos obriga a usar a câmara traseira da Vita, apontar a consola para uma fonte de luz, e andar por ali a mexer a consola sem saber muito bem o que fazer até que surge um botão no ecrã que pode ser interagido. Sinceramente também achei que fosse um mini-jogo um pouco inútil.

As características do hardware da Vita são usadas nalguns momentos do jogo

A nível audiovisual, eu ainda não conheço a Playstation Vita tão bem assim para saber ao certo quais são as suas limitações. Quando exploramos o mundo à nossa volta, em particular a cidade de Nova Orleães, tudo até que parece bem detalhado. Mas quando vemos alguma cutscene que aproxima as personagens, então aí já vemos que as mesmas possuem modelos poligonais muito pouco detalhados. Mas sinceramente irritou-me bem mais os diversos bugs que foram acontecendo (personagem a ficar presa em paredes, certos eventos não darem o trigger, etc) do que própriamente os seus gráficos mais limitados perante os Assassin’s Creed principais nas consolas domésticas. A nível de voice acting nada a apontar, é bastante competente assim como a banda sonora.

É especialmente nas cutscenes que nos apercebemos que os modelos poligonais das personagens possuem pouco detalhe

Portanto este Assassin’s Creed III Liberation é um jogo interessante na medida que é mais do que um spin off ou expansão do Assassin’s Creed III, pois conta uma história completamente diferente e num outro local. No entanto, tendo em conta que a Ubisoft lançou mais tarde uma remasterização em HD (e que retira alguns elementos mais chatos que usam os touchscreen da Vita), creio que essa versão será bem mais interessante para se jogar actualmente.

Space Quest 6 (PC)

Vamos começar o ano de 2021 com mais uma rapidinha para fechar a série Space Quest, com o seu sexto e último capítulo a ser lançado originalmente em 1995. E tal como todos os outros Space Quest que fazem parte da minha biblioteca no steam, este meu exemplar digital veio através de um excelente bundle que comprei algures neste ano e que continha dezenas dos clássicos do extenso catálogo de jogos da Sierra.

Na aventura anterior acompanhamos Roger Wilco e a sua ascensão para a posição de capitão da sua própria nave espacial. E apesar de uma vez mais ter salvo o universo, nem tudo resultou em boas notícias, pois Roger acaba por ser julgado pela federação StarCon pela sua conduta imprópria e todos os danos causados. Então Wilco acaba por ser despromovido novamente para a posição de empregado de limpeza! Entretanto toda a tripulação da nave onde Roger estava a servir acaba por ter uns dias de folga num planeta próximo, que apesar de ter um aspecto horrível, sempre tinha uns bares e arcades para se divertirem. Entretanto Roger, depois de deambular pelas zonas menos nobres daquele sítio, acaba por ser raptado e tropeçar uma vez mais numa grande conspiração que começa a surgir à sua volta.

Uma vez mais teremos algumas referências a outros filmes e jogos

Portanto, como não poderia deixar de ser, estamos aqui perante mais um jogo de aventura gráfica com uma interface 100% point and click, onde teremos diferentes cursores para desempenhar diferentes funções como andar, falar, observar, interagir, ou usar itens do inventário. Naturalmente que teremos de interagir com diversos objectos para ir avançando no jogo e ultrapassar os puzzles que teremos de enfrentar, o que nem sempre trazem soluções óbvias. Nos jogos anteriores tínhamos sempre um mini-jogo ocasional para ultrapassar e este Space Quest 6 não é excepção. Desta vez temos um clone de Street Fighter, com personagens e golpes algo hilariantes, mas como uma jogabilidade tão notoriamente má que somos mesmo obrigados a fazer batota. De resto, e também como é habitual, teremos algumas situações de game over hilariantes embora desta vez não tenhamos tantos momentos de frustração também.

Eventualmente temos de visitar um mundo de realidade virtual bem retro

No que diz respeito aos audiovisuais devo dizer que estou algo dividido. Por um lado é de saudar o regresso do voice acting, em particular o do narrador hilariante que é o mesmo que ouvimos no Space Quest IV. Este voice acting enriquece bastante a narrativa, particularmente os seus momentos mais cómicos. Mas no que diz respeito aos gráficos propriamente ditos, é certo que estão muito bons para um jogo de 1995, com sprites das personagem muito bem animadas e detalhadas. Os backgrounds são também muito bem detalhados e os poucos CGIs que vamos assistindo têm uma qualidade que não estava nada à espera de ver em 1995. Ainda assim, prefiro de longe os visuais mais cartoon, tanto nas personagens como nos cenários, que foram retratados nos dois jogos anteriores.

É verdade que os gráficos estão muito bem detalhados, mas preferia o aspecto mais cartoon das aventuras anteriores

Fora isso é mais um jogo de aventura bem sólido por parte da Sierra, uma vez mais com um bom sentido de humor e umas quantas referências a outros videojogos e filmes. A partir daqui infelizmente as coisas na Sierra foram mudando e para o pior, pelo que a série acabou por não receber mais nenhum título.

Space Quest V (PC)

Continuando pela saga dos Space Quest da Sierra, vamos ficar agora com o seu penúltimo capítulo nas aventuras de Roger Wilco. Tinha gostado bastante do seu antecessor directo, mas este quinto jogo acabou por ficar uns furos abaixo do anterior pelo simples facto de não ter qualquer voice acting. De resto continua a ser um jogo bem humorado e bastante sólido! O meu exemplar, como os demais da saga Space Quest, veio num grande bundle comprado algures neste ano que incluiu dezenas dos clássicos da Sierra a um preço muito reduzido para a quantidade, e qualidade, dos jogos que trazia.

Até agora Roger Wilco tem servido sempre o papel de herói improvável, pois apesar de ser o empregado de limpeza mais desastrado e incompetente naquele sector do universo, acabava sempre por se ver envolvido em conspirações à escala planetária. Desta vez Roger decide mudar de vida e inscreve-se numa academia para se tornar comandante de uma nave espacial. Infelizmente os seus maus hábitos mantêm-se e apesar de ter sido de longe o pior aluno que aquela instituição alguma vez recebeu, problemas informáticos na avaliação do seu último exame fazem-no graduar com distinção. Mas, numa partida do destino, a nave espacial que acaba por comandar é uma pequena nave de recolha de lixo. Mas claro, à medida que vamos avançando na história, vamos tropeçando uma vez mais numa grande conspiração que teremos de travar.

O primeiro grande puzzle que temos pela frente é o de passar no teste, que para além de ter respostas ridículas, temos mesmo de tentar copiar as respostas do colega do lado

E esta é mais uma vez uma aventura gráfica do estilo point and click, onde os diferentes cursores que podemos usar representam diferentes acções como falar, interagir, mover, etc. Na sala de controlo da nave temos um cursor novo que é usado para dar indicações à nossa tripulação, mas deixamos de ter os cursores de cheirar e lamber que, apesar de nunca terem sido lá muito úteis nos jogos anteriores, sempre davam um comic relief adicional. Iremos então ter a oportunidade de comandar a nossa nave e visitar várias localizações distintas, cujas coordenadas devem ser inseridas antecipadamente e estas estão apenas disponíveis no manual do jogo e que funcionariam como um esquema de protecção de pirataria. Teremos vários puzzles para resolver, alguns bem bizarros, outras situações de vida ou morte em que temos de agir rápido e o mini-jogo que aqui incluiram é uma espécie de batalha naval, mas no espaço.

Tal como o seu predecessor, este Space Quest 5 está repleto de sarcasmo e bom humor

No que diz respeito aos audiovisuais, a única coisa mais desapontante é mesmo o facto desta vez a Sierra não ter apostado em voice acting, pois tudo o resto está excelente. A narrativa ficou bem melhor que em títulos anteriores, principalmente pela própria personagem do Roger Wilco é agora muito mais conversadora e os diálogos estão repletos de sarcasmo e bom humor. Já do ponto de vista gráfico, a Sierra decidiu adoptar um grafismo muito próximo da banda desenhada, o que sinceramente até achei que resultou bastante bem. Os cenários que vamos explorando são variados, assim como as personagens que são também bastante carismáticas. Nada de especial a apontar à música e efeitos sonoros, a não ser que aquele d’oh! que ouvimos ocasionalmente me ser muito familiar.

O grafismo mais inspirado em banda desenhada acaba por resultar muito bem

Portanto devo dizer que gostei bastante deste Space Quest V. Apesar de não ter o voice acting que foi uma mais valia no jogo anterior, a história acabou por se tornar mais interessante, muito pelo maior carisma que Roger Wilco ganhou, bem como os das personagens mais secundárias com as quais interagimos. A ver em breve como finalizaram a saga!

ShinChan Aventuras en CineLand (Nintendo Gameboy Advance)

Vamos agora para a Gameboy Advance e ficar com um jogo que considero uma autêntica hidden gem deste sistema. Crayon Shin Chan é um anime popular no Japão que conta as aventuras bizarras de uma criança de 5 anos com a sua família e amigos. Aparentemente foi uma série bastante popular em Espanha, pois este jogo teve um lançamento ocidental exclusivamente em solo ibérico. Digo em solo ibérico pois apesar do jogo estar 100% em espanhol, o meu exemplar foi comprado selado na extinta Player do Maiashopping algures em 2019. E estando selado com o infame selo IGAC, significa que algumas cópias chegaram também a ser distribuídas em Portugal.

Jogo com caixa, manual e papelada

A história leva-nos a um centro de realidade virtual que abriu recentemente na cidade onde Shin Chan e sua família habitam. Shin Chan consegue convencer os seus pais a experimentar as novas atracções e vamos então entrar em experiências baseadas em filmes, cada qual com a sua história mais bizarra que a anterior! Naturalmente o “parque de diversões” também não abriu por acaso e eventualmente nos vamos apercebendo que há ali algumas segundas intenções também…

A história é parva, mas com muito humor

E este é um jogo de plataformas 2D com umas mecânicas de jogo muito peculiares. E jogamos como o Shin-Chan cujos controlos, na sua forma normal, são bastante simples com um botão para saltar (e é possível dar também um segundo salto) e outro para atacar. O ataque é muito peculiar, é um “fura rabos”, onde Shin Chan enfia o dedo literalmente no rabo dos inimigos. Há alguns que apenas podem ser derrotados desta forma, mas outros podem ser atacados simplesmente ao saltar-lhes por cima. O botão L e R possuem funções especiais. Um deles serve para Shin Chan chamar os membros da sua família de forma a ajudá-lo em alguns pontos do jogo. O seu pai atira-nos pelo ar para conseguirmos alcançar algum sítio que de outra forma não conseguiríamos, a mãe consegue destruir caixas ao cair-lhes em cima com o rabo, o cão consegue desenterrar itens do solo, a bébé consegue rastejar por locais estreitos. Outras acções vão sendo desbloqueadas em cada personagem à medida em que vamos coleccionando power ups para o efeito (canecas de cerveja para o pai, anéis para a mãe, biberões para a bébé, pedaços de carne para o cão). À medida que vamos jogando, principalmente ao longo dos três primeiros níveis, vamos também apanhar diferentes disfarces que Shin Chan pode usar, que lhe vão dando também diferentes habilidades. Por exemplo, o disfarce de super herói permite-lhe disparar raios de energia, o fato de macaco permite-lhe fazer wall jump e o fato de rã permite-lhe saltar mais alto, mas também balancear-se em certos objectos com a sua língua. Podemos alternar livremente entre estes fatos com o outro botão de cabeceira.

A família de Shin Chan pode-nos ajudar a ultrapassar obstáculos e apanhar itens em locais de outra forma inacessíveis

Portanto este é um jogo com mecânicas bem diversificadas e também com um grande foco no coleccionismo. Isto porque espalhados pelos níveis vão estando uma série de cromos que podem ser coleccionados, bem como outros itens que poderão ser usados posteriormente para trocas com outros NPCs. Estes itens coleccionáveis poderão vir a desbloquear 2 novos fatos com novas habilidades para o Shin Chan e o jogo oferece-nos a possibilidade de rejogar os níveis que tenhamos completado anteriormente precisamente para tentar obter todos os coleccionáveis. São dezenas de cromos e para os apanhar teremos de usar todas as habilidades ao nosso dispor! Para além disso iremos também desbloquear alguns mini-jogos que podem ser jogados separadamente.

Graficamente é um jogo muito bem detalhado e com sprites grandes e bem animadas!

A nível audiovisual estamos também perante um jogo bastante sólido. Os cenários são bastante diversificados entre si, desde cenários urbanos, outros em plena selva, outros no Japão feudal, tudo depende do contexto da história de cada “filme” que vamos vivenciando. Para além disso, os cenários são muitíssimo bem detalhados, e o mesmo pode ser dito de todas as personagens, especialmente os inimigos e outros bosses, que tipicamente usam sprites grandes, bem detalhadas e animadas. O jogo vai tendo também imensas cutscenes com imagens de fundo que me parecem retiradas do anime, pelo que suponho que a história do jogo em geral tenha sido influênciada por alguns episódios do anime, mas não tenho a certeza. De resto, nada a apontar às músicas e efeitos sonoros, que são também agradáveis e competentes respectivamente.

Para quem não estiver confortável com Espanhol, existe também uma tradução feita por fãs para inglês

Portanto este ShinChan acabou por se revelar uma excelente supresa. É um jogo de plataformas bem sólido, não só pela sua jogabilidade diversificada dado às diferentes personas que ShinChan pode encarnar e as habilidades da sua família, mas também pelos seus excelentes gráficos e som. A história é também bastante bem humorada e bizarra! Eu devo ter visto poucos minutos do anime enquanto fazia zapping pela televisão mas confesso que depois de ter jogado este jogo fiquei com vontade em ver a série. O facto de ter tido um lançamento ocidental exclusivamente ibérico é certamente a razão pela qual o jogo não é muito conhecido. Existe também uma versão para a Nintendo DS chamada de Shin Chan: Aventuras de Cine! que apenas teve um lançamento oficial em Espanha através da 505 Games. Não sei se é uma mera conversão ou se tráz mais conteúdo, mas se um dia me aparecer a um preço convidativo irei certamente experimentar.

Space Quest IV (PC)

Vamos continuar pelas rapidinhas no PC e voltar à série Space Quest da Sierra, abordando agora o seu quarto capítulo. Este, tal como todos os outros até agora, veio cá parar à minha conta do Steam após ter vindo num grande bundle que juntou dezenas de jogos da Sierra, incluindo os seus maiores clássicos, por um valor muito em conta considerando a quantidade de jogos.

E esta é mais uma sequela directa das aventuras de Roger Wilco, o empregado de limpeza mais inútil do universo, mas que acaba por ver-se sempre envolvido em grandes conflitos que colocavam toda a humanidade em perigo. E este jogo começa com Roger a beber uns copos num bar manhoso quando é interrompido por 2 polícias robots que se preparam para o eliminar a mando de Sludge Vohaul, o vilão por detrás do segundo jogo. Mas no último instante abre-se um portal do nada e um outro humano acaba por salvar a pele de Roger, obrigando-o a entrar no portal para se manter em segurança. E aí somos transportados para o futuro (mais precisamente para o Space Quest XII) onde vemos um planeta de Xenon completamente desvastado por Vorhaul e a raça humana escravizada. Naturalmente que teremos de erradicar Vorhaul novamente e o jogo irá obrigar-nos a viajar no tempo e explorar diferentes locais, incluindo locais dos jogos anteriores, de forma a obter os itens necessários para resolver os vários puzzles que teremos pela frente.

Em vez de slot machines, desta vez temos de trabalhar num restaurante de fast food para amealhar algum dinheiro

Este Space Quest IV já usa um motor de jogo mais moderno com uma interface verdadeiramente point and click, eliminando o uso da linha de comandos. Teremos no entanto vários perigos para enfrentar, uma vez mais inúmeras maneiras de morrer, e uma vez mais teremos também algumas sequências onde somos perseguidos por inimigos e precisamos de agir com timings e localizações muito específicas, o que nos trará alguns momentos de frustração. É portanto obrigatório uma vez mais haver uma boa gestão de saves.

O salto para gráficos VGA e suporte a CD Rom foi uma óptima evolução, pois estamos perante um jogo bem detalhado e com um bom sentido de humor

Com o jogo a ter saído também no formato CD-Rom, permitiu à Sierra incluir bastante voice acting, com um narrador hilariante. Este Space Quest IV é então um jogo muito bem humorado e repleto de situações bizarras, como paródias a alguns videojogos da concorrência e não só, pois um dos itens que podemos comprar é um hint book do Space Quest IV, que para além de conter respostas bizarras a problemas não existentes, possui também algumas soluções legítimas e que aparentemente não aparecem em mais lado nenhum. A nível gráfico o jogo já possui suporte a sistemas VGA, possuindo cenários ricos em detalhe e cores, sendo uma óptima evolução perante os lançamentos anteriores.

Quaisquer semelhanças com o Loom da Lucasarts não é mera coincidência

Portanto até que gostei bastante deste Space Quest 4, principalmente pelo sentido de humor do narrador e de algumas das situações caricatas que vamos encontrar. Peca no entanto ainda por ter algumas partes frustrantes devido a alguns dos inimigos que teremos de nos evadir, obrigando a reflexos rápidos e conseguirmos esgueirar-nos para locais seguros no timing e posicionamento exactos.