Voltando às rapidinhas e agora na Sega Saturn, vamos ficar com um exclusivo europeu, o Formula Karts: Special Edition. Infelizmente não há grande informação na internet sobre as origens deste jogo, pois há aqui algumas coisas que não batem lá muito certo. Em primeiro lugar, para além desta Special Edition existe também o Formula Karts no PC, também publicado pela Sega, lançado no mesmo ano de 1997 e aparentemente o seu conteúdo é similar ao desta versão. Para além disso, mesmo com as versões Saturn e PC terem sido publicadas pela Sega, temos também uma versão para a PS1 lançada também no mesmo ano.
Jogo com caixa e manual
E não se enganem, não há cá nada de Mario Kart e afins neste jogo, pois este é um jogo de corrida que “simula” o desporto real, embora ainda tenha uma pegada muito arcade que me agrada bastante, pela sua jogabilidade bastante rápida! No que diz respeito aos modos de jogo, nos single player podemos optar por uma corrida rápida, uma corrida de treino, ou os modos de campeonato e arcade. O modo campeonato leva-nos a concorrer em todos os circuitos e mediante o lugar em que terminemos cada corrida, mais ou menos pontos nos serão atribuídos. O objectivo é então o de ter mais pontos no final da temporada! O modo arcade já nos obriga constantemente a terminar cada corrida nas primeiras 3 posições de forma a avançar para a corrida seguinte. Para além disso, entre cada corrida vamos tendo a opção de comprar algumas coisas para o nosso kart mediante o dinheiro que vamos amealhando entre cada corrida. Estes podem ser upgrades ao motor, pneus ou reservatório de combustível, mas também power ups como turbos ou “super aderência” temporária.
Por defeito começamos as corridas na primeira pessoa mas podemos alternar para a terceira pessoa ao pressionar o botão C
Como já referi acima, este é um jogo de corridas bastante fluído e rápido, mesmo com um feeling bastante arcade, onde cada oponente luta ferozmente pelas posições de topo. Ainda assim, se quiserem um bocadinho mais de realismo, podem sempre activar o dano nas opções, bem como o número de voltas, que vai desde 6 a 40. Sendo que há muito contacto entre os karts durante as corridas, caso os estragos sejam graves poderemos ter de ir às boxes para eventuais reparações. É também um jogo que nos obriga a fazer bons drifts para tirar o melhor proveito das curvas apertadas e os seus circuitos vão alternando entre piso de asfalto, mas também de terra batida noutros circuitos, e aí nota-se bem que os karts não aderem tão bem à pista!
Ao longo do jogo vamos percorrer circuitos com diversos tipos de pavimento e notam-se diferenças na aderência do carro!
No que diz respeito aos audiovisuais, devo dizer que também fiquei agradavelmente surpreendido. Não é nenhum Gran Turismo a nível de detalhe dos veículos e pistas, mas tendo em conta a dificuldade em desenvolver jogos em 3D poligonal com um bom nível de performance e detalhe na Saturn, o resultado final até que é bastante satisfatório. Os circuitos são bastante diversificados entre si, desde zonas urbanas, rurais e pistas de competição. As texturas são um pouco pobres é verdade, mas a fluidez do jogo e a sua draw distance acaba por ser bastante surpreendente, quando comparado com outros jogos de corrida 3D na mesma consola. Nada a apontar ao som que cumpre bem o seu papel e as músicas são todas numa toada mais electrónica mesmo à anos 90.
Portanto devo dizer que até achei este Formula Karts uma boa surpresa. A sua jogabilidade é desafiante sem dúvida, mas a nível técnico acabou por me surpreender bastante pela positiva também. E para quem gosta de coleccionismo, o facto de ser um exclusivo PAL também tem o seu interesse!
Bom, já tenho este jogo na colecção aos anos, desde algures em Janeiro de 2016, após o ter comprado ao desbarato numa Cash Converters em Lisboa. Quando o comprei já estava perfeitamente ciente que era um jogo com muito má fama mas tinha uma certa curiosidade mórbida em um dia experimentá-lo por mim mesmo e ver se seria assim tão mau quanto o pintam. Há já uns dias que o ando a jogar aos poucos e sim, é péssimo.
Cartucho solto
Superman é baseado numa série de animação do famoso super herói da DC Comics nos anos 90. Tenho uma vaga ideia de ter visto alguns episódios na altura, pois era uma série que chamava à atenção pela simbiose entre uma animação moderna, mas a piscar muito o olho ao design das origens do próprio Superman nos anos 30, tal como aconteceu com uma série televisiva do Batman transmitida no mesmo período. E aqui lá controlamos (ou pelo menos tentamos!) o maior super herói em collants de todo o tempo, que procura salvar os seus amigos (Lois Lane mais outros 2 estarolas que não me recordo quem sejam) das garras do vilão Lex Luthor, que os aprisionou numa versão virtual da cidade de Metropolis.
Antes de começar a aventura podemos ler um perfil de todas as personagens intervenientes no jogo
Podemos dividir este jogo em 2 fases distintas: os níveis em áreas exteriores e os restantes em interiores. A aventura começa precisamente numa área exterior, onde temos de fazer um percurso aéreo e passar pelo meio de uma série de anéis que se encontram espalhados pela cidade e que formam um circuito. Temos de atravessar os anéis de forma sequencial e sem grande margem para erro, pois não só temos um tempo limite apertado, mas também a tolerância de sair fora da ordem vai sendo cada vez menor. Uma vez passado esse circuito, o jogo diz-nos que temos de pegar em dois veículos que estão a causar o caos na cidade e atirá-los para o ar, uma vez mais com um tempo limite apertado. Em seguida atravessar mais uns anéis e transportar um carro da polícia do ponto A ao ponto B… para em seguida atravessar mais uns anéis e depois derrotar uns inimigos. Até poderia aceitar isto como uma espécie de tutorial para nos habituarmos aos controlos, mas não… todos os níveis em áreas exteriores são assim. Múltiplos percursos com anéis para percorrer, alternando com fases onde temos de destruir alguns inimigos que por lá andam a fazer cenas estúpidas. Já cenários interiores, são níveis mais genéricos de um jogo de acção na terceira pessoa, onde teremos de os explorar afincadamente, ocasionalmente activando interruptores para desbloquear novas passagens e/ou destruindo alguns objectivos em específico. Infelizmente estes níveis também não são lá muito apelativos, pois para além dos cenários serem muito genéricos, os mesmos são também bastante labirínticos, os controlos continuam frustrantes e uma vez mais, ocasionalmente temos tempos limite muito apertados para cumprir alguns objectivos, lutar contra os controlos, e tentar não nos perdermos pelo caminho.
Lex Luthor é de facto um vilão muito sádico por nos fazer passar por esta tortura demasiadas vezes
Como já referi acima, infelizmente os controlos são terríveis a todos os níveis. O analógico serve para movimentar o Super Man, com o botão Z a alternar entre o modo de voo e o de caminhar. Infelizmente no modo de voo os controlos invertem no eixo Y como em simuladores de voo, mas eu nunca gostei disso. É verdade que muitos jogos permitem-nos alterar esse parâmetro nas opções, mas infelizmente isso aqui não acontece. Para além disso, a sensibilidade do analógico não pode ser ajustada, sendo muito fácil sair do percurso. E como o Superman voa com a graciosidade de um touro, perdemos imenso tempo em voltar a alinhar com o percurso, o que torna as coisas especialmente frustrantes, principalmente pelo tempo limite apertado, ao ponto de ter desistido de o jogar no hardware real e partir para a emulação. Portanto se falharmos um anel, mais vale tentar o anel seguinte (se tivermos margem de erro suficiente para quebrar a sequência), pois o tempo que demoramos a dar a volta e alinhar a rota novamente com o anel que acabamos de falhar acaba por ser bastante demorado. O botão B e A servem para acelerar e travar enquanto voamos, já quando estamos no solo, o B serve para agarrar em objectos, enquanto o A serve para os atirar ou dar socos. Socos esses que por sua vez são quase inúteis pois para além de terem um alcance curto, muitas vezes nem sequer acertamos nos inimigos mesmo estando junto deles. Os botões C servem para defender ou usar as habilidades do Superman, como o hálito de mentolcapaz de congelar cenas, a visão raio-x ou os lasers pelos olhos. Todas estas habilidades no entanto precisam de energia para serem usadas, ao apanhar alguns power ups para esse efeito. O botão R serve para saltar, o que para além de ser um mapeamento estranho, os próprios saltos do Superman são absolutamente ridículos, pelo que é um botão completamente inútil e mais vale voar.
No tutorial ou níveis de dificuldade mais básicos até temos uma seta que nos indica a direcção do anel seguinte, o problema é que para terminar o jogo temos de o jogar no modo mais difícil
Bom, controlos maus infelizmente é algo que assola muitos jogos 3D desta geração. Mas o que dizer dos gráficos? Bom o jogo tenta reproduzir um visual quase cel-shaded, tornando-o mais próximo da série animada da televisão. Mas o resultado final é igualmente mau. Para além dos cenários estarem repletos de texturas muito simples e de baixa resolução (o que infelizmente é comum em jogos N64 devido à pouca limitação de armazenamento dos seus cartuchos), mesmo a nível poligonal os cenários, personagens e inimigos são bastante simples na sua geometria. As zonas interiores são muito genéricas na sua apresentação, já os exteriores usam e abusam do efeito de nevoeiro, que é especialmente intenso neste jogo. A nível de som, infelizmente as coisas não são muito melhores aqui. Nada a apontar aos poucos clipes de voz que vamos ouvindo, já as músicas, apesar de não serem propriamente más, são bastante monótonas, o que torna toda a experiência ainda mais enfadonha.
Os cenários interiores são igualmente fracos e repletos de texturas super simples
Mas para além de uma péssima jogabilidade, e audiovisuais abaixo das expectativas, o jogo possui inúmeros bugs que ilustram o quão inacabado o jogo está. Desde as falhas nas mecânicas de detecção de colisão, o superman ficar preso dentro de paredes ou debaixo do chão, todos esses glitches conhecidos que vemos nos vídeos pela internet fora são reais e também me aconteceram! Portanto, todos estes factores apontam para que este Superman seja mesmo um jogo tão mau quanto a fama que possui! Supostamente a Titus não é 100% culpada deste imbróglio, pois a própria Warner Bros e DC Comics, os detentores da licença, fizeram-lhes a vida negra durante todo o desenvolvimento, com inúmeras exigências que os obrigaram a mudar constantemente o básico de um jogo: a jogabilidade, mecânicas de jogo e até o seu conteúdo. Naturalmente que isto colocou uma enorme pressão no desenvolvimento e supostamente a Titus acabou por não ter tempo suficiente de apresentar um jogo em condições. Tanto que até estava planeado uma conversão para a Playstation (que supostamente já seria bem mais jogável) mas eventualmente a Titus perdeu a licença e foi mais um jogo que ficou na gaveta. Independentemente de quem foi ou não a culpa, o que é certo é que este é um jogo francamente mau.
Pois bem, depois de uma semana de ausência voltaremos ao podcast para mais um episódio, desta vez para celebrar o aniversário da GameCube, que foi lançada na Europa a 3 de Maio de 2002!
Hearts of Stone foi a primeira expansão lançada pela CD Projekt Red para o Witcher III. É uma expansão curta, é verdade, mas até que possuiu uma história bastante interessante e que nada tinha a ver com a história principal. O meu exemplar foi comprado algures em 2016, creio que numa Worten, tendo-me custado 20€. É daquelas edições físicas que já nem traz nenhum disco, mas sim um código de download e mais alguns extras, onde facilmente se destacam os dois decks para se jogar gwent. Ah, o gwent! Um trading card game que me esqueci completamente de escrever no artigo do jogo base! Substituiu o mini jogo dos dados dos dois primeiros títulos e sinceramente foi algo que gostei bastante! O lançamento de dados sempre foi uma mera questão de sorte, já um trading card game já envolve mais alguma estratégia e foi uma adição muito benvinda!
“Jogo” com sleeve exterior, caixa de cartão, papelada e dois decks de Gwent, um dedicado aos Monsters, outro aos Scoia’tael
Este Hearts of Stone decorre algures em paralelo com os acontecimentos da aventura principal, embora tal não seja muito claro, até porque nenhum dos protagonistas da história principal têm qualquer intervenção aqui. E esta começa com Geralt a deparar-se com um anúncio de mais um contrato para serviços de um Witcher e a primeira coisa a fazer é precisamente falar com quem publicou o anúncio para obter mais detalhes. Pois bem, essa pessoa era nada mais nada menos que Olgierd Von Everec, líder de um conjunto de bandidos muito peculiares e que nos diz que a criatura que temos de abater está algures nos esgotos da cidade de Oxenfurt. Pois bem, ao explorar os esgotos lá descobrimos um sapo gigante e depois de o matar vemos que o sapo se transforma num homem, já morto. Azar do caraças, esse sapo era um príncipe das arábias que tinha sido almadiçoado e logo depois acabamos por ser presos por um conjunto de soldados e um feiticeiro de Ofier, o tal reino árabe, que iam tentar levantar a maldição que o seu príncipe sofreu. Instantes depois estamos enjaulados num navio que parte para Ofier, onde seríamos executados. Mas eis que surge um feirante muito particular, que nos diz que fomos enganados por Olgierd, que este sabia perfeitamente que a criatura era na verdade um príncipe, e promete libertar Geralt da sua situação delicada, logo que o ajude a colectar uma dívida de Olgierd. Geralt aceita e instantes depois o navio naufraga e acabamos por sair livres. Mas desde cedo fica a sensação que acabamos por ter feito um pacto com o Diabo e as coisa não vão correr lá muito bem. O resto da história irá incidir bastante no passado de Olgierd e a sua relação com Gaunter O’Dimm, o tal feirante. Ah, e também nos voltamos a envolver com Shani, uma das personagens com Geralt se poderia envolver romanticamente no primeiro Witcher.
Olgierd von Everec, uma das principais personagens desta expansão
A nível de mecânicas de jogo não há muito de novo nesta expansão, a não ser a inclusão de equipamento mais poderoso como armas ou armaduras que poderemos comprar ou criar. Teremos também a possibilidade de encantar as armas com runas que lhe conferem habilidades especiais, bem como mais cartas gwent para coleccionar. As novas áreas de jogo, que já poderiam ser exploradas em qualquer altura durante a aventura principal, pelo menos para quem já tivesse a expansão Hearts of Stone instalada, incidem no território a norte e a este das cidades de Novigrad e Oxenfurt. Claro que quem como eu as tentou explorar antes, rapidamente se deparou com monstros e criaturas com um nível acima da casa dos 30, o que era desencorajador. A expansão em si é relativamente curta, levei cerca de 15 horas a concluí-la. Gostei bastante da história principal, achei as personagens do Olgierd e Gaunter O’Dimm bastante originais. Para além disso teremos umas outras quantas missões secundárias, bem como novos pontos de interesse para explorar, como tesouros escondidos, acampamentos do que resta da Order of the Flaming Rose, contractos de Witcher para cumprir e ninhos de criaturas para destruir. É também durante a campanha principal desta expansão que iremos explorar algumas zonas de Oxenfurt que estavam até então barradas, como a sua universidade.
No que diz respeito a mecânicas de jogo, a grande novidade está mesmo nos encantamentos e runas adicionais que poderemos adicionar ao equipamento
Graficamente também não esperem por grandes novidades, pois os territórios a explorar são as típicas florestas da zona das imediações de Novigrad e Oxenfurt, mais algumas mansões abandonadas. Uma vez mais a narrativa está muito boa e devo dizer que até achei o Gaunter O’Dimm e Olgierd personagens bastante interessantes! De resto, sobra-me agora a expansão Blood and Wine que já nos levará a uma área inteiramente nova para explorar. Veremos como se safa!
145 horas depois, lá terminei esta grande aventura. Há alguns meses atrás decidi finalmente jogar o The Witcher 2 e, mesmo sendo um jogo mais curto que o primeiro, deixou-me também completamente agarrado. Aproveitei o fim de semana prolongado da Páscoa para começar o terceiro, mas não estava mesmo à espera que fosse tão longo. Sendo um RPG open world, teríamos inúmeras sidequests para completar e naturalmente que eu fiz todas as que consegui! E tirando um ou outro tipo de eventos mais aborrecidos (sim, as inúmeras caixas de contrabandistas espalhadas pelos mares de Skellige) devo dizer que adorei todo este tempo passado no jogo. O meu exemplar foi-me oferecido pela minha namorada, já não me recordo se foi em 2015 ou 2016, ou se foi presente de aniversário ou de Natal. Posteriormente comprei também as expansões (que irei abordar separadamente) e a GOG acabou por converter o jogo na sua versão Game of the Year edition para todos os que possuíssem o jogo base e ambas as expansões.
Jogo com sleeve de cartão exterior, duas caixas, 4 discos, banda sonora, manual, papelada, mapa e stickers. Ah, saudades do tempo em que os jogos de PC em formato físico traziam coisas! Hoje em dia nem discos trazem a maior parte das vezes…
Esta aventura começa pouco tempo após os eventos do último jogo, onde após terem sido levados a cabo uma série de assassinatos a reis de nações do Norte (e com Geralt a ser inicialmente o principal suspeito!), as nações vizinhas tentaram ocupar os países mais fragilizados, levando a conflitos entre todas as nações do Norte. A Sul, o poderoso império de Nilfgaard naturalmente aproveita todo o conflito e instabilidade política para invadir as nações do Norte e tentar expandir o seu império. Também no final do jogo anterior, Geralt acaba por finalmente recuperar a sua memória e recorda-se de Yennefer, o seu primeiro e maior amor, e Ciri, outrora uma criança com habilidades especiais, que acabou por ser sua aprendiz no tempo que passou em Kaer Morhen e que acabou por se tornar a sua protegida. Os três tinham uma relação muito próxima! E o jogo começa precisamente com Geralt e o seu mentor Vesemir, a viajarem a cavalo na província de White Orchard em Temeria, na esperança de encontrarem Yennefer, já que ela lhe tinha enviado uma carta a pedir que se encontrassem pois teria um favor muito especial e urgente a pedir. Pois bem, Yennefer está de momento a trabalhar precisamente para Emhyr, o poderoso imperador de Nilfgaard e também pai biológico de Ciri, que nos pede para encontrar a sua filha a todo o custo. Mas tal tarefa não vai ser fácil, pois Ciri tem sido constantemente perseguida pelas misteriosas forças da Wild Hunt, cavaleiros aparentemente demoníacos e de uma outra dimensão e que deixam um rasto de gelo e destruição por onde passam.
Para além de monstros, tramas políticas e facções em conflito permantente, temos também de nos preocupar com a Wild Hunt, os principais antagonistas desta aventura
Sem contar com as expansões que irei detalhar em artigos separados (assim que as terminar!), iremos então explorar a tal província de White Orchard, com as suas planícies verdejantes e florestas, mas também a zona bem maior de Velen, igualmente repleta de montanhas e florestas, mas também com imensos pântanos e ruínas de batalhas sangrentas entre as forças de Nilfgaard e de Redania. As cidades de Oxenfurt e Novigrad são os seus principais pontos urbanos, mas teremos também inúmeras outras aldeias e localizações rurais a explorar nessa região. As ilhas de Skellige, com uma cultura muito similar à dos vikings (embora os seus habitantes tenham um sotaque norte-irlandês) e a fortaleza de Kaer Morhen e suas montanhas envolventes serão também outras regiões a explorar. Ao longo do jogo, para além das quests principais, teremos bastantes quests secundárias, que tipicamente, na sua maioria, servem para enriquecer melhor aquele universo e o de algumas das personagens importantes que iremos interagir ao longo da aventura. Mas sendo este um jogo open world, iremos também encontrar espalhados pelo mapa inúmeros pontos de interesse com eventos que tipicamente nos recompensarão com algum loot valioso. E claro, os habituais witcher contracts, que nos levam também a combater algumas criaturas poderosas.
Graficamente é um jogo muito bem detalhado, só não achei muita piada ao facto dos dias com mau tempo serem quase tão escuros como as noites!
E tal como os seus predecessores, este é um action RPG com um sistema de combate bastante dinâmico e muito similar ao introduzido pelo Witcher 2. Aqui temos na mesma o mesmo tipo de magias, os mesmos conceitos das espadas de aço e de prata (estas últimas para enfrentar as criaturas sobrenaturais). O crafting está também de regresso, tanto de armas, armaduras, bombas, ou de poções e óleos para aplicar nas espadas. A grande diferença no crafting, e sem dúvida uma mudança mais “cómoda”, é que criando uma poção, óleo ou bomba uma vez com todos os reagentes necessários, não é necessário voltar a usar todos os ingredientes para criar mais, logo não precisamos de carregar reagentes às dezenas no inventário. Basta ter álcool forte e meditar, quanto mais não seja por uma hora, para as poções, óleos e bombas que tenhamos criado anteriormente serem restabelecidas. Ainda no que diz respeito ao crafting, as armadilhas que poderíamos criar em jogos anteriores ficaram de fora desta vez. Outra das novidades introduzidas neste jogo é que as armas e armaduras têm desgaste com os combates, podendo inclusivamente partir. Lá teremos então de vez em quando de ir aos ferreiros para reparar o equipamento, bem como carregar alguns kits de reparação, pelo sim pelo não, ou mesmo armas suplentes! E sendo este um jogo de natureza open world, outras novidades como a de montar cavalos ou conduzir barcos e usar um sistema de fast travel foram também muito benvindas.
Sendo este um jogo de mundo aberto, é bom termos a possibildiade de transporte, se bem que temos de ter cuidado ao manobrar os barcos, pois estes podem afundar
A nível técnico é um jogo muito bom, pelo menos para os padrões de 2015. O mundo apresentado possui um óptimo nível de detalhe, desde a vegetação bem detalhada a abanar com o vento, as aldeias pobres com casas de madeira e telhados de palha, as cidades medievais sempre patrulhadas por guardas, mas também com bandidos à espreita em cada esquina, o ciclo de dia e noite, diferentes condições atmosféricas… só quando era pleno dia e estava mau tempo é que, pelo menos no meu PC, o mundo à nossa volta ficava bem mais escuro do que uma noite com luar, o que já não achei tão realista assim. As personagens são todas bem detalhadas, desde o soldado ou camponês mais genérico, bem como as personagens mais importantes. Aliás, isso já era algo que também acontecia no Witcher 2. O voice acting é bastante competente, com múltiplos diferentes sotaques de inglês a serem ouvidos dependendo da região que visitamos, mas também a língua dos elfos é ocasionalmente escutada. As músicas são na sua maioria temas mais acústicos, muitos bastante relaxantes, mas com músicas mais épicas e tensas durante os combates ou acontecimentos chave na história.
O que não vai faltar são criaturas grotescas e algumas situações delicadas para resolver!
Mas é, uma vez mais, pela narrativa adulta que a série The Witcher se demarca de muitos outros RPGs. Sempre considerei estes jogos como uma espécie de Guerra dos Tronos, não só pelo seu setting medieval e fantasioso, pelo sexo, pela violência e atrocidades que íamos testemunhando, mas também, e acima de tudo, pelas tramas políticas e conspirações que acabamos por ser envolvidos. Tal como os seus predecessores, este é um jogo onde vamos tendo várias opções nos diálogos. Por vezes conseguimos evitar conflitos ao hipnotizar ou subornar os intervenientes, já noutras vezes as decisões que tomamos podem influenciar bastante o desenrolar da história. E as escolhas que temos que fazer muitas vezes não são moralmente fáceis de tomar, pois por vezes temos de optar por um de dois males. São escolhas difíceis numa escala de cinzento, e o facto de algumas dessas escolhas terem um tempo limite (à lá Walking Dead da Telltale) também não ajuda. Existem 3 finais principais que poderemos alcançar, e por principais refiro-me ao destino da Ciri no final do jogo, já que existem também outras variáveis que afectarão o mundo à nossa volta, nomeadamente o destino dos reinos do Norte, do império de Nilfgaard e das ilhas Skellige. Veremos como a história se desenrolará no futuro, caso a CD Projekt Red eventualmente produza alguma sequela. Sinceramente gostei da forma como as nossas escolhas no jogo anterior se reflectiram neste jogo, mas estou especialmente curioso como a CD Projekt Red fará nalguma eventual sequela.