Voltando agora às rapidinhas para a Gameboy Color, voltamos também a analisar muito brevemente um jogo de desporto. Desta vez o visado é o FIFA 2000, que teve também este lançamento para a Gameboy Color. Sendo um cartucho preto, indica que também é retrocompatível com a Gameboy clássica a preto e branco. O meu exemplar foi comprado algures no final do ano passado numa feira de velharias, veio num bundle com vários jogos de Gameboy, tendo-me ficado cada cartucho a cerca de 2€.
Apenas cartucho
Esta versão Gameboy Color foi desenvolvida pelo pequeno studio britânico Tiertex, que já tinha muita experiência no desenvolvimento para plataformas 8bit, pois lançaram vários jogos durante a primeira metade da década de 90 para as consolas 8bit da Sega, se bem que muitos deles não possuiam lá muita qualidade. Assim sendo, a jogabilidade deste FIFA 2000 para a Gameboy deixa muito a desejar, pois não é nada fluída, a bola parece que anda a flutuar pelo ecrã, e os jogadores parece que se estão a arrastar por um lamaçal. No entanto, possui uma série de diferentes modos de jogo , como partidas amigáveis, e várias competições como torneios, playoffs e ligas. Para além disso possui também a hipótese de jogar em recintos fechados, vulgo futebol de salão.
A nivel gráfico, o jogo mantém a mesma perspectiva isométrica dos clássicos, mas as cores poderiam ser mais vivas e as animações mais fluídas
A nível audiovisual este jogo também deixa algo a desejar, mas temos de nos mentalizar que está a correr num hardware bastante limitado. A música existe apenas nos menus e nos intervalos de jogo, já no decorrer das partidas apenas ouvimos alguns barulhos da bola a ser chutada de um lado para o outro e um ruído branco que simula o barulho do público. O problema é que esse ruído branco acaba por ficar bastante incomodativo. A nível gráfico nada de especial a apontar. Apesar deste já ser um jogo a cores, acho que as mesmas poderiam ser menos deslavadas e os estádios com mais detalhe. Mas se assim a performance não é grande coisa, quanto mais se os gráficos fossem mais detalhados…
No geral, jogos de futebol na Gameboy até agora ainda não apanhei nenhum que me enchesse as medidas e este FIFA 2000 acaba por não ser excepção, infelizmente.
Continuando pelas rapidinhas de Gameboy Color, o jogo que cá trago agora é a adaptação para esta consola do Mortal Kombat 4, que por sua vez foi o primeiro jogo totalmente em 3D da famosa série de jogos de luta, o que sinceramente não tinha corrido lá muito bem. No entanto, naturalmente que esta versão GBC não é em 3D e, tendo sido convertida pela Digital Eclipse, acabaram por usar o mesmo motor do Mortal Kombat 3 da Gameboy clássica, o que não são necessariamente boas notícias. Mas já lá vamos. O meu exemplar veio de um bundle de cartuchos de GBC que comprei numa feira de velharias algures no final do ano passado. Ficaram-me a cerca de 2€ cada um.
Apenas cartucho
O Mortal Kombat 4 continua a saga entre os guerreiros da terra contra uma nova ameaça: o feiticeiro Quan Chi liberta a divindade Shinnok, que havia sido banida pelos restantes deuses há muitos anos atrás, após Shinnok ter tentado controlar o universo. MK4 introduz então muitas novas personagens, aliando a um elenco mais reduzido de várias personagens conhecidas de jogos anteriores.
Infelizmente o elenco disponível nesta versão foi uma vez mais cortado
Como é hábito nas adaptações para Gameboy de jogos Mortal Kombat, este MK4 acaba por ser também muito fraquinho. Em primeiro lugar, o elenco foi reduzido para nove personagens seleccionáveis (com o Reptile como personagem secreta). Depois a jogabilidade foi bastante modificada, sendo mais parecida à dos jogos clássicos. Originalmente o MK4 tinha introduzido um sistema de armas que poderíamos usar, mas isso não se reflete nesta versão. Depois também não temos o sistema de combos. Para além disso, tal como nos MKs anteriores para a Gameboy clássica, a performance e a jogabilidade deixam muito a desejar, o que seria de esperar pois já o MK3 sofria do mesmo mal e este jogo usa o mesmo motor.
Graficamente o jogo também poderia estar melhor detalhado
A nível audiovisual não esperem grande coisa. Os lutadores estão detalhados quanto baste, até porque este é um daqueles jogos ainda retrocompatíveis com a Gameboy clássica a preto-e-branco. Os cenários são poucos e não estão lá muito bem detalhados, mas o que me incomoda mais são as músicas que são muito idênticas entre si, repetitivas e irritantes. As fatalities não são executadas com recurso ao motor gráfico do jogo, mas sim através de pequenas cutscenes. Ah, e não há qualquer pinga de sangue nos combates, só mesmo nas fatalities.
Portanto, esta entrada do Mortal Kombat 4 é de evitar, a menos que sejam fãs acérrimos da série. Procurem antes o Mortal Kombat Gold, que possui tudo do 4 mais uns quantos extras.
Durante os anos 80 e 90, a Psygnosis foi uma das mais importantes e prolíferas editoras e produtoras de videojogos no panorama europeu. Muitos foram os jogos de sucesso que lançaram para o Commodore Amiga e visto que essa máquina partilha o mesmo processador Motorola 68K com a Mega Drive, várias foram as conversões que a consola da Sega recebeu de alguns dos clássicos e este não é uma excepção. Produzido originalmente pela Raising Hell Software – que mais tarde se veio a tornar na Bizarre Creations de Metropolis Street Racer ou Project Gotham Racing, este Wiz ‘n’ Liz é um interessante jogo de plataformas que poderia muito bem figurar numa arcade, ao lado de nomes como Bubble Bobble. O meu exemplar veio de uma loja no distrito do Porto algures durante o ano passado, custou-me 15€ se bem me recordo.
Jogo com caixa
Aqui controlamos os feiticeiros Wiz ou a Liz, cuja missão é muito simples: salvar centenas dos seus animais de estimação, os coelhos (wabbits) do planeta Pum. Para isso iremos percorrer vários níveis em diferentes mundos, onde temos apenas simples elementos de platforming, puzzle para e um tempo limite que costuma ser algo apertado. Passo a explicar: em cada nível começamos primeiro por apanhar os wabbits, que vão soltando letras à medida em que forem apanhados. Letras essas que podem formar uma palavra previamente escrita no ecrã e assim que completarmos essa palavra, os restantes wabbits que apanhemos vão começar a largar frutas mágicas, estrelas ou outros itens como relógios que nos vão adicionando preciosos segundos ao contador.
Este é o caldeirão onde podemos misturar 2 frutos e esperar muitas surpresas
E para que servem as tais frutas? Bom, o Wiz e a Liz são feiticeiros, e se misturarem 2 frutas num caldeirão, obtemos diferentes tipos de bónus, desde estrelas, pontos, vidas ou o preciosíssimo tempo extra. Ao todo temos 196 combinações diferentes de frutas para descobrir, que nos podem dar até outras coisas como a possibilidade de desbloquear níveis, ou activar portais para níveis de bónus ou lojas onde poderemos gastar as nossas estrelas a comprar itens e/ou dicas. De tudo o que podemos comprar, o tempo extra é para mim o mais importante, pois exceptuando quando temos algum boss para enfrentar, o único inimigo com o qual nos teremos de preocupar é mesmo o tempo que muitas vezes é escasso e caso ultrapassemos o limite, perdemos uma vida.
Antes de entrar nos níveis a sério, temos uma espécie de um hub que nos dá acesso a diferentes mundos
De conteúdo bónus, podemos desbloquear os Lemmings a passearem-se pelos níveis, bem como vários mini-jogos que podemos experimentar de forma a tentar ganhar mais pontos, estrelas, tempo, etc. Temos minijogos como uma variações do Snake, Pong, Breakout, Space Invaders, entre muitos outros!
A nível técnico e audiovisual, este jogo é para mim muito bom. Por um lado pois gosto bastante do artwork que a equipa apontou para este jogo, bem como os níveis dos diferentes mundos que estão muito bem detalhados e variados entre si. Depois as sprites são também bem animadas e detalhadas, os bosses são gigantes e tanto o Wiz como a Liz são tão rápidos quanto o Sonic! As músicas são também muito, muito agradáveis. É fácil de entender o porquê da Psygnosis na altura ser um nome tão bem reconhecido.
Os bosses estão muito bem detalhados!
Portanto este Wiz ‘n’ Liz, apesar de lhe reconhecer alguma estranheza que a princípio pode alienar o jogador comum, acaba por se entranhar com o tempo, especialmente à medida em que vamos conhecendo todos os seus easter eggs e conteúdo bónus. E tecnicamente é também uma obra muito bem conseguida a todos os níveis.
Ainda pelas rapidinhas no PC, o jogo que cá trago hoje é mais um do catálogo da Telltale Games, desta vez a sequela do interessante Puzzle Agent, um jogo muito semelhante aos Professor Layton que eu tanto gosto. E tal como quase todos os jogos que tenho da Telltale na minha conta Steam, este também cá veio parar através de um humble bundle que me ficou bastante em conta.
O jogo leva-nos de novo à vida do Special Agent Nelson Tethers da divisão de puzzles do FBI, onde o misterioso caso da fábrica de borrachas da vila remota de Scoggins, no gelado Minnesota, foi misteriosamente arquivado pelo FBI, sendo que ainda havia muito para explicar, incluindo o desaparecimento do Isaac Davner que tinha sido raptado por gnomos, no final do jogo anterior. Assim sendo, o nosso herói resolve tirar umas férias e voltar à cidade de Scoggins, de forma a continuar a investigar o caso, que agora ficou mais complexo com o desaparecimento de novas pessoas.
A maior parte dos puzzles são meramente lógicos. Este nem é dos difíceis
Tal como o seu predecessor, este é também um clone dos jogos Professor Layton, misturando elementos de Aventura point and click, onde vamos dialogando com várias personagens e resolver puzzles de forma a avançar na história. Tal como no Professor Layton, os habitantes de Scoggins são fanáticos por puzzles, pelo que teremos muitos puzzles lógicos para ir resolvendo. E também tal como na série Professor Layton, poderemos ir gastando alguns hints se estivermos bloqueados nalgum puzzle. Para isso teremos também de ir coleccionando pastilhas elásticas mastigadas, espalhadas ao longo de Scoggins, que ajudam o agente Tethers a concentrar-se.
Tal como o seu predecessor, os visuais possuem um estilo muito característico
A nível audiovisual, mantém o mesmo estilo do seu predecessor. As músicas são calmas, o que nos ajuda a manter a concentração na hora de resolver puzzles e os gráficos possuem um estilo gráfico muito próprio, mas as animações infelizmente poderiam ser um pouco melhores.
Mas no geral gostei bastante do jogo, apesar de não ser tão comprido quanto um Professor Layton. Fico ainda a aguardar por uma eventual sequela que infelizmente até agora ainda não apareceu.
Continuando pelas aventuras gráficas point and click, hoje trago cá um interessante jogo publicado pela Telltale Games, mas produzido por um pequeno estúdio britânico, os Straandlooper. Esta é uma aventura policial que acabou por me agradar bastante, visto que está repleta de humor negro, situações bizarras e muito, muito calão. Tal como quase todo o meu espólio da Telltale na minha conta do Steam, este jogo veio cá parar através de um humble bundle qualquer, tendo-me custado muito pouco.
A narrativa leva-nos à pequena cidade inglesa de Clappers Wreake, capital britânica do crime, onde algures num edifício abandonado está um bandido barricado com reféns. A força de intervenção T.W.A.T. é chamada, mas o bandido já matou uma série de negociadores da polícia. A última esperança da polícia recai no inspector Hector, um polícia corrupto, rude e com mais vícios que sei lá o quê. E de facto começamos a acção começa precisamente na esquadra de polícia, onde Hector tinha adormecido numa cela, e com uma ressaca monstruosa. Para chegar à cena do crime ainda temos várias peripécias, e sendo este um jogo publicado pela Telltale, o mesmo está dividido em vários episódios. Neste primeiro episódio, intitulado de “We negotiate with terrorists“, começamos por tentar sair da esquadra e chegar ao local do crime, onde acabamos por conseguir negociar com o terrorista que nos faz uma série de demandas para poder libertar os reféns. O que o terrorista pede é simples: a cidade está uma miséria e o terrorista põe as culpas na polícia, que por ser corrupta deixou as coisas chegar a esse estado. O que nos é pedido consiste em reparar a torre do relógio da cidade, fazer uma grande doação monetária à sociedade de preservação da cidade e fechar a sex-shop local devido à sua imoralidade. Após muitas reviravoltas lá acabamos por ter de descobrir o paradeiro pelo terrorista, pelo que iremos também explorar muitos outros cenários, incluindo um restaurante de luxo mas com comida de origem e qualidade duvidosa, um clube de strip numa igreja, um salão de beleza e de venda de armas de calibre militar, entre outras localizações bizarras.
Ao longo da aventura iremos visitar muitos locais de origem questionável
Para além de Hector, ocasionalmente poderemos jogar também com o seu companheiro Lambert, que é precisamente o contrário de Hector, sendo extremamente ingénuo e boa pessoa. As mecânicas de jogo são as típicas de um jogo de aventura point and click, onde teremos de falar com muitos NPCs, interagir com objectos e afins. Jogando com Lambert muitas vezes desbloqueia diferentes árvores de diálogo que poderão ser necessárias para avançar na história. Isso ou ambos estão em localizações diferentes e teremos mesmo de ir jogando com um ou outro, como quando ambos terminam numa fossa séptica e têm de escapar de lá. De resto, o jogo vai tendo uma série de personagens carismáticas, para além da já falada dupla Hector e Lambert. Temos várias senhoras da noite (cada uma pior que a outra), velhinhas paranóicas, sex-addicts, adolescentes estúpidos, e muitas outras personagens não lá muito amigáveis, mas com todo o humor negro deste jogo, acabam por encaixar que nem uma luva.
Por vezes podemos e devemos alternar para jogar com o nosso parceiro, que nos abre diferentes diálogos com as personagens
As músicas de fundo vão sendo agradáveis, mas não passam disso, já o voice acting possui uma qualidade algo “desnivelada”. Por um lado agrada-me bastante o sotaque britânico e todo o seu calão associado, por outro nota-se que este é um projecto indie, pois nota-se que algumas vozes são “reaproveitadas” dos mesmos actores, resultando bem numas personagens (como o próprio Hector ou o seu chefe Meeks), mas noutras personagens (felizmente mais secundárias), o resultado final não é o melhor. Graficamente é um jogo competente, com algumas boas animações e cenários bem detalhados!
Portanto, este Hector Badge of Carnage, acaba por ser um jogo de aventura bem agradável, com uma história mais adulta e repleta de humor negro e situações caricatas. Poderia ser um pouco melhor no voice acting de algumas personagens, mas não é nada que incomode muito, e talvez até seja propositado!