Motocross Championship (Sega 32X)

A 32X foi um acessório/consola muito peculiar e com uma história bastante controversa, desde o seu desenvolvimento, passando pela rápida descontinuação em prol de uma Sega Saturn que também não teve uma vida fácil. No curto espaço em que a 32X esteve no Mercado, poucos foram os jogos lançados, e menos ainda aqueles que deixaram uma boa impressão do sistema. No meio disto tudo, alguns jogos como este Motocross Championship passaram completamente despercebidos e neste caso é fácil de entender o porquê. O meu exemplar foi comprado como novo há poucos meses atrás, tendo-me custado uns 15€.

Jogo completo com caixa e manuais

Desenvolvido pela Artech Studios, este é um jogo de motocross, o que não é nada difícil de adivinhar pelo nome. Aqui podemos concorrer em 2 modos de jogo, o practice e o season. O primeiro é uma corrida livre, que podemos também jogar contra um amigo em split screen, o segundo leva-nos para o modo “campeonato”, onde devemos procurar chegar sempre nos lugares cimeiros da tabela ao longo de 12 pistas que podem ser indoor ou outdoor. Começamos com uma moto de 125cc e depois no final do campeonato lá podemos fazer o upgrade para uma moto mais potente, de 250cc e repetir as mesmas pistas.

Por vezes as sprites perdem toda a definição e ficam bem feias

Infelizmente o jogo tem um aspecto mesmo de ter sido terminado à pressa, e para isso basta ver o início de cada corrida, com todos os oponentes a espetarem-se uns contra os outros. A falta de variedade nos cenários, que repetem as mesmas sprites de background, e falta de variedade de motos ou de customização das mesmas, mostram que ainda havia muito aqui por melhorar. A jogabilidade é simples, mas o sistema de detecção de colisões e a câmara deixam um pouco a desejar. Isto porque, sendo um jogo de motocross vamos ter vários saltos para fazer, onde a arte está em manter a moto num determinado ângulo, para conseguirmos aproveitar o salto da melhor forma possível. E se por um lado as colinas até nos dão uma boa sensação de 3D, na verdade não temos controlo na câmara de forma a ver onde vamos aterrar, sendo possível por vezes aterrar fora da pista e com isso perder alguns segundos preciosos. Tal como no Road Rash é também possível espetar socos nos oponentes, mas como o sistema de detecção de colisões não é grande coisa, acaba também por ser algo que nos faz mais perder tempo do que outra coisa.

Quando as corridas começam, invariavelmente os primeiros segundos são passados com os outros pilotos todos a embarrarem uns nos outros

Graficamente também é um jogo que decepciona. Os motociclistas são sprites 2D com pouca definição, e as pistas poderiam estar melhor detalhadas. Tal como referido acima, as colinas até que dão uma boa sensação de profundidade, mas o jogo perde bastante pela sua draw distance reduzida e pelos simples backgrounds, que são apenas uma imagem sem qualquer parallax scrolling. Verdade seja dita, o primeiro Road Rash como um todo era um jogo bem mais interessante graficamente. Os efeitos sonoros também não são nada de especial, as vozes digitalizadas deixam muito a desejar (vão-se cansar de ouvir os mesmos hey! vezes sem conta) e as músicas também não são lá muito cativantes.

Portanto, este Motocross Championship é daqueles jogos que apenas recomendo aos mais ávidos coleccionadores da Sega, pois não é todos os dias que nos aparece um jogo complete de 32X á frente. A Mega Drive possui jogos de corrida bem melhores e a 32X também.

Infestation (PC)

Continuando pelas rapidinhas, hoje trago-vos cá mais um jogo muito interessante, desenvolvido no início da década de 90, um jogo na primeira pessoa, todo ele em 3D poligonal, cheio de ideias muito interessantes, mas a execução a deixar ainda muito a desejar. Não deixa no entanto de ser um pioneiro, tal como o Corporation da Core Design, que já foi cá trazido antes. O meu exemplar veio de um negócio que fiz na feira da Vandoma no Porto já há uns bons meses atrás. É um jogo que foi distribuído pela Portidata algures na década de 90, através da colecção budget TNT. O meu veio selado, custando-me cerca de 3.33€, pois foram 3 jogos por 10€.

Jogo em disquete com papel de instruções e caixa versão TNT

A história leva-nos para um futuro onde a raça humana é bem tecnologicamente avançada, tornando as viagens e colonização espacial uma realidade. Viajamos para a lua de Xelos, onde reside uma colónia de investigação científica, chamada Alpha II, onde a certa altura os colonos reportam uma infestação de criaturas insectóides exrtaterrestres e depois as comunicações cessaram. Nós somos um mercenário chamado Kal Solar, com a missão de explorar a colónia e exterminar a ameaça extraterrestre. Para isso, deveremos envenenar todos os ovos das criaturas com cápsulas de cianeto. Mas essa está longe de ser a única das nossas preocupações.

Estes são os ovinhos que temos de envenenar com cianeto

O jogo está cheio de grandes ideias, mas infelizmente a sua execução não é a melhor, até porque ainda havia muito a explorar neste campo. Mal aterramos em Xelos, temos de procurar a colónia subterrânea, e quando lá entramos, nunca sabemos muito bem o que fazer. Temos um fato espacial que nos consome oxigénio, mas também nos protege de zonas radioactivas, pelo que temos de ter isso em atenção e gerir recursos. A nossa arma também precisa de baterias para ser recarregada, que iremos encontrar ao longo da base. Temos um sistema labiríntico de corredores e ventilações onde tudo nos pode acontecer: Morrer asfixiados, com fome, com radiação, envenenados pelo próprio cianeto com que usamos para matar os ovos, atacados pelos robots que se ficaram na base ou extraterrestres, atropelados pelas portas a fecharem, entre muitas outras causas.

Não vale a pena perdermos muito tempo na superfície a matar insectos e a passear, até porque o oxigénio é precioso. Entrar na base é algo que deve ser feito com urgência

Temos terminais que podemos aceder e ver informações como mapas da nave, ou resolver pequenos puzzles que nos dão acesso a outras áreas. Nos primeiros terminais que temos a oportunidade de explorar ficamos a saber da triste notícia que o reactor da base está em sobreaquecimento devido ao sistema de refrigeração estar desligado. Então para além da nossa missão principal, dos poucos recursos disponíveis e de todos os perigos possíveis, temos ainda esse tempo limite para descobrir onde está o reactor, os controlos do sistema de refrigeração e evitar que tenhamos um game over mais cedo que o habitual.

O game over é a coisa mais normal no mundo se não soubermos os controlos e as mecânicas de jogo

Graficamente é também um jogo primitivo. Apesar de o mesmo ser inteiramente jogado em 3D poligonal, os gráficos são bastante simplistas, sem texturas e com modelos poligonais bastante simples. A versão Amiga leva ainda a melhor no segmento de audio, com melhores efeitos sonoros, que muito contribuem para a atmosfera hostil que nos é aqui apresentada. Isto porque esta versão DOS apenas usa o PC-Speaker para pequenos efeitos de som.

Portanto, no fim de contas, este Infestation é daqueles jogos que infelizmente pouco resistiram ao teste do tempo. Não deixa no entanto de ser um pioneiro, ao apresentar atenção a vários detalhes. Ainda está longe de ser um System Shock, mas sem dúvida que terá sido uma boa influência aos que lhe seguiram.

Air Combat (Sony Playstation)

A série Ace Combat foi largamente ignorada por mim nos últimos anos. Mas após ter jogado títulos como o Aero Fighters Assault da Nintendo 64 ou o Deadly Skies da Dreamcast, apercebi-me que se calhar até poderia vir a gostar desta série, pois nunca foi propriamente um simulador, mas sim um shooter mais arcade, até porque são essas precisamente as suas origens. E eventualmente há coisa de uns 2 meses atrás, por acaso do destino encontrei o primeiro Air Combat, versão black label, por 5€. Não hesitei.

Jogo com caixa e manual.

Aqui nós tomamos o papel de um mercenário de elite, contratado por um país que está em plena guerra civil, após um golpe de estado de uma facção dissidente. Ao longo do jogo iremos participar em diversas missões, que tanto podem ser de destruição de frotas aéreas, navais, infrastruturas como bases militares ou refinarias de petróleo, mas também uma ou outra missão de escolta. Inicialmente voamos sozinhos, mas a certa altura é-nos dada a opção de subcontratar um outro piloto mercenário que nos poderá auxiliary nas missões, seja tomando posturas mais ofensivas, ou mais defensivas, protegendo-nos a retaguarda. No final de cada missão, a nossa performance é avaliada com o número de alvos abatidos, sendo que cada tipo de alvo é recompensado de maneira diferente. Despesas como os danos sofridos na nossa aeronave, ou o salário do nosso companheiro são também retirados da nossa conta. Mas vamos tendo também vários diferentes aviões que poderemos ir comprando, desde aviões norte-americanos como os F-4, F-14, F-15 ou F-16, soviéticos como os SU e MIG, europeus como o SF-2000 ou fictícios. Cada avião possui diferentes estatísticas como agilidade, velocidade ou defesa, que poderão ser mais ou menos importantes dependendo da missão.

Antes de cada missão temos um briefing onde nos é mostrado os objectivos e os oponentes que enfrentamos

De resto a jogabilidade é simples e agradável, com a nossa maior preocupação a ser sempre o  dano sofrido no avião, bem como o combustível que nos resta. Para o primeiro, temos um número generoso de mísseis que são mais que suficientes para completar as missões, sendo que apenas os deveremos disparar quando os alvos estão locked. Também podemos sofrer algum dano, dependendo do avião escolhido, e o status está sempre visível no ecrã. Atacar alvos no solo obriga-nos sempre a algum cuidado extra, pois acabamos por ficar quase sempre vulneráveis ao fogo inimigo, e devemos também evitar ter outros aviões nas nossas traseiras, pois podem-nos atingir com mísseis. O combustível disponível em cada missão também costuma ser mais do que suficiente, e podemos recorrer ao radar ou mesmo ao mapa, para nos indicar a posição dos alvos a abater ou dos objectivos a alcançar.

Com o dinheiro amealhado nas missões, podemos comprar e vender aviões e melhorar a nossa frota

Graficamente é um jogo simples, afinal é um jogo ainda da primeira geração da consola. Os cenários são simples, as áreas de jogo ou são desertos, mares e pequenas ilhas com pouca vegetação. Nota-se aqui e ali algum pop-in, o que é normal devido à área bem abrangente que o CPU tem de calcular. Os efeitos sonoros estão são competentes, mas a banda sonora essa felizmente é excelente, com as músicas a terem sempre grandes guitarradas e uma toada muito hard rock, que me agrada bastante.

Apenas devemos disparar mísseis quando o alvo está trancado, mas nem assim é certo que os atingiremos

No fim de contas devo dizer que fiquei satisfeito com este Air Combat, o primeiro jogo da série Ace Combat. Para um primeiro jogo que teve as suas origens em 1992 nas arcades, acho que ficou uma conversão bem competente e com bastante conteúdo. Vou ficar atento a ver se me aparecem os dois Ace Combats seguintes na Playstation, antes de me aventurar nos da Playstation 2.

Jordan vs Bird: One on One (Sega Mega Drive)

Continuando pelas rapidinhas, desta vez para a Mega Drive, o jogo que cá trago é mais um jogo desportivo de Basquetebol da Electronic Arts. Antes da série NBA Live ter sido criada, a EA desenvolveu vários jogos de basquetebol com diferentes títulos e jogabilidade. Este Jordan vs Bird, tal como o seu nome indica, é um jogo de 1 contra um 1, com Michael Jordan e Larry Bird. O meu exemplar foi comprado numa feira de velharias por 5€ há coisa de uns 2 meses atrás.

Jogo com caixa e manual

E aqui dispomos de vários modos de jogo. Os modos de jogo principais são mesmo o 1 contra 1, que pode ter duas variantes: na primeira, o limite da partida é dado pelo tempo, no outro podemos colocar o limite com o número de pontos. E aqui como é uma partida de 1 contra 1, apenas jogamos com um cesto e parte do campo. Mas também como não poderia deixar de ser, todos os modos de jogo podem ser jogados sozinhos ou contra um amigo.

O 1 contra 1 é talvez aquele que seja mais interessante no multiplayer

Outro dos modos de jogo é o Three Points contest, onde estamos fora da linha de 3 pontos a tentar encestar o máximo de bolas possível. A jogabilidade é um pouco estranha, com um botão para agarrar a bola, outro para saltar e outro ainda para a lançar. Começamos numa das extremidades do semicírculo da linha de 3 pontos, e vamos fazendo lançamentos ao longo de diferentes ângulos. Depois temos também o Slam Dunk, que me faz lembrar as provas de mergulho nos jogos olímpicos. Aqui devemos escolher 3 tipos diferentes de afundanços, com nomes como Hole in One, Reverse Jam ou Hula-Loop. Depois, devemos aplicar uma sequência de botões para fazer o afundanço correctamente, com um júri a atribuir-nos uma pontuação no fim.

O 3 points contest é aquele modo de jogo que é mais bonito graficamente

Graficamente até que é um jogo bem interessante, com sprites bem grandes e detalhadas. Também o facto de termos apenas 1 ou 2 jogadores presentes no ecrã ajuda à festa. A arena de jogo está também graficamente bem definida, e antes de cada partida, seja no 1 contra 1, ou nos outros, temos sempre alguns diálogos entre comentadores televisivos. A nível de som é um jogo também competente, mais nos efeitos sonoros do que propriamente nas músicas, que apenas se ouvem nos menus e são maioritariamente músicas festivas.

Lethal Weapon (Super Nintendo)

Continuando pelas rapidinhas, que é um formato em que irei tentar apostar mais no futuro, de forma a conseguir ter mais tempo para me dedicar ao meu backlog do que propriamente na escrita, o jogo que cá trago hoje é um platformer da Ocean inspirado no filme Lethal Weapon 3, apesar de no título isso não ser claro. E essa sempre foi uma das minhas séries preferidas de filmes de acção, com aquele feeling mesmo à anos 80, típicos de um filme de acção policial. O meu exemplar veio de uma troca que fiz com um particular, algures no mês passado, que me rendeu uma série de cartuchos soltos de SNES que me faltavam. Na verdade, sempre tive alguma curiosidade com este jogo pois foi dos primeiros jogos que me lembro de ver à venda para a Super Nintendo e apesar de já ter tido várias oportunidades de o ter comprado no passado, nunca me apareceu uma proposta verdadeiramente aliciante. Vindo num bundle, já acabou por vir cá ter à gaveta da cartuchada.

Apenas cartucho

Sinceramente já não me lembrava bem da história por detrás do filme, mas mais uma vez temos os colegas polícias Riggs e Murtaugh atrás de bandidos e chega! O jogo deixa-nos escolher entre as duas personagens, mas de uma forma estranha. Isto porque começamos sempre por Riggs na esquadra da polícia que serve como hub do jogo, onde vamos abrindo diferentes portas que servem para ir entrando nos diferentes níveis. Também aí podemos escolher antes o Murtaugh. A diferença entre as duas personagens está no poder de fogo e capacidade de salto. Riggs consegue disparar mais rapidamente, já Murtaugh salta mais alto, o que não deixa de ser irónico pois a personagem já era velhota e no filme estava prestes a reformar-se. Mas num jogo onde o platforming é vital, se calhar escolher o Murtaugh acaba por fazer mais sentido.

A esquadra serve como hub do jogo, abrindo portas para cada nível ou deixando-nos trocar de personagem

As mecânicas de jogo são simples, com um botão para disparar, outro para pontapear e outro para saltar. A munição não é infinita, pelo que devemos ir apanhando os carregadores que vamos encontrando aqui e ali. Cada personagem pode levar com vários pontos de dano, o que se traduz no número de escudos/coletes de Kevlar na parte de cima do ecrã. Os níveis em si são bastante grandes e algo labirínticos, com várias portas e passagens que podemos ir entrando. Por isso temos apenas 5 níveis pela frente, sendo que por vezes temos de resolver alguns puzzles, como activar botões, ou desarmar bombas. No final de cada nível temos também um boss para defrontar.

Não me lembro de ter visto o Mel Gibson a disparar contra corcodilos gigantes em esgotos, mas está tudo bem!!

Graficamente é um jogo simples, mas colorido. As sprites são bem pequenas, o que não é normal em jogos de plataforma da Super Nintendo. Os cenários vão tendo um ou outro pormenor mais interessante, principalmente nos backgrounds, fora isso são simples também. As músicas por outro lado são excelentes!

Resumindo, o jogo em si é algo desafiante, coisa normal em jogos de plataforma originários de sistemas como o Commodore Amiga. Os níveis grandes e labirínticos são imagem de marca de platformers ocidentais e como um todo, este Lethal Weapon acaba por ser um jogo algo mediano, mas também não é mau de todo.