The Excavation of Hob’s Barrow (PC / Nintendo Switch)

Há já bastante tempo que não jogava nenhum dos point and click da Wadget Eye Games, como foi o caso da série Blackwell, Gemini Rue ou The Shivah. O caso deste The Excavation of Hob’s Barrow chamou-me especialmente à atenção pois recebeu recentemente um lançamento em formato físico para a Nintendo Switch. Infelizmente apenas em solo norte-americano, mas tal não me impediu de o comprar pois a loja espanhola Xtralife deu-se ao luxo de a importar. Curiosamente também é um jogo que tenho na minha conta steam algures desde 2024, após o ter ganho num sorteio. Apesar de preferir o PC para este tipo de jogos, o conforto de jogar no sofá prevaleceu, e optei antes por jogar a versão Nintendo Switch.

Jogo com caixa

A história leva-nos ao período victoriano da história britânica, a protagonizar a jovem arqueóloga Thomasina Bateman, que procura seguir as pisadas do seu pai. Thomasina é convidada por um estranho para escavar o Hob’s Barrow, um misterioso túmulo da idade do Bronze, localizado algures numa aldeia remota no interior inglês. Thomasina viaja então sozinha para a aldeia de Bewlay e as coisas não começam bem: o seu contacto local está desaparecido e os restantes aldeões mostram-se demasiado evasivos, avisando-a para se ir embora. Para além disso, à medida que vamos avançando na narrativa, Thomasina começa a experienciar várias visões estranhas que a deixam bastante desconfortável. O resto, deixo para o leitor descobrir.

Visualmente o jogo usa um pixelart que eu gosto bastante!

No que toca a mecânicas de jogo, as mesmas não poderiam ser mais simples. Sendo uma aventura gráfica do estilo point and click, teremos de interagir com os cenários, objectos e personagens através de um cursor, cujo pode ser movimentado pelo ecrã com o analógico esquerdo (de forma mais rápida) ou com o direito (de forma ligeiramente mais lenta). Os botões A e B servem para interagir e observar respectivamente, enquanto o botão X abre o inventário e o botão Y mostra todos os pontos de interesse no ecrã. Existem outras funcionalidades que melhoram a qualidade de vida, como utilizar o botão direccional para percorrer o cursor de forma automática para todos os pontos de interesse visíveis, ou os botões L e R que trazem os objectos do inventário para o ecrã principal, prontos a serem utilizados no ponto de interesse que decidirmos.

A narrativa em si é bastante interessante e manteve toda a minha atenção ao longo do jogo, mesmo quando tinhamos de fazer algumas fetch-quest mais aborrecidas

De resto, contem com uma aventura bastante linear na sua progressão e com puzzles algo simples, mas tal é compensado pela excelente narrativa e audiovisuais. Estes são-nos apresentados num estilo retro e com pixelart como eu muito gosto, as músicas são faixas tipicamente atmosféricas que contribuem de forma muito positiva para um ambiente mais tenso (particularmente nas sequências nocturnas) e o voice acting é bastante competente.

Em suma, eu sou um fã de jogos que abordam estes temas mais “folk sobrenatural” e quando isso se alia a visuais mais retro, minimalistas e pixelart, assim como uma narrativa bem competente, reúne-se uma receita para umas horas muito bem passadas.

Blackwell Epiphany (PC)

Voltando às rapidinhas, desta vez no PC, o jogo que cá trago hoje é mais um indie, desta vez o último capítulo da saga Blackwell. Produzido pelo pequeno estúdio WadjetEye Games, este é mais um jogo de aventura point and click em 2D clássico, com uma boa história e mecânicas de jogo originais. A minha cópia digital foi comprada numa Steam Sale, já não sei precisar quando, mas certamente a um óptimo preço.

Aqui continuamos a história de Rosalina Blackwell, uma investigadora privada que se especializa em assuntos paranormais, devido à sua habilidade de comunicar com os espíritos de pessoas que faleceram, mas ainda estão “presas” no plano terrestre. Para isso contamos com a ajuda de Joey Mallone, uma espécie de espírito guia, que nos faz de ponte entre este mundo e o próximo, de forma a encaminharmos os espíritos para a “luz”. A história leva-nos a tentar resolver mais um mistério com homicídios à mistura, mas desta vez leva-nos para várias revelações importantes, que acabam por por um ponto final na história desta dupla.

Com Joey podemos atravessar portas trancadas e espiar à vontade

Podemos então jogar com Rosangela e o Joey, alternando entre ambos de forma livre. Isto porque o Joey consegue atravessar portas trancadas, mas por outro lado não consegue interagir fisicamente com pessoas ou objectos, podendo apenas soprá-los, o que por vezes pode ser suficiente para desbloquear o nosso progresso no jogo. Para além desta dinâmica Rosangela/Joey, a série Blackwell incute também mecânicas de jogo dignas de um detective, na medida em que teremos mesmo de pesquisar na “internet” (através do telemóvel da protagonista) por pistas como nomes ou moradas. Ao interrogar as pessoas podemos também questioná-las directamente sobre as pistas que vamos anotando e por vezes temos até de cruzar umas pistas com outras de forma a obter novas pistas.

O jogo possui uma atmosfera “noir” típica de filmes de detectives que lhe assenta muito bem

A nível audiovisual, nada de muito mais há a acrescentar. Se jogaram um jogo da série, então já sabem com o que contar, visto que o mesmo é desenvolvido com o mesmo motor gráfico, o Adventure Game Studio. Assim sendo esperem por um jogo com visuais inteiramente em 2D e com baixa resolução, dando-lhe um aspecto muito retro. Felizmente o pixel art e respectivas animações estão muito boas. O jogo decorre ao longo de vários cenários como edifícios abandonados, uma igreja, a esquadra da polícia, entre outras localizações, tudo durante uma noite de neve intensa, o que incute ao jogo uma atmosfera muito solitária, muito própria de filmes noir. A música de fundo possui na sua maioria contornos de jazz, com melodias de piano e/ou saxofone, com algumas excepções. O voice acting está também excelente, o que é muito agradável tendo em conta os recursos limitados com que o jogo foi desenvolvido.

Para além de desvendar os mistérios, ajudamos também as almas dos que morreram a partir em paz

Portanto, este é mais um jogo de aventura bastante sólido, com uma óptima narrativa e que acaba por fechar muito bem uma saga de cinco capítulos. Recomendado aos fãs de aventuras gráficas!

 

Gemini Rue (PC)

Na passada PUSHSTART #44 acabei por escrever sobre mais um jogo de aventura point and click que tinha aqui na minha conta do steam à espera de alguma atenção. Gemini Rue é mais um jogo da Wadget Eye games, os mesmos por detrás  de jogos como a série Blackwell ou o Shivah, embora este jogo em particular não tenha sido desenvolvido por David Gilbert, o que lhe dá uma abordagem um pouco diferente ao seu estilo.

Gemini Rue PCSe gostam de ambientes noir futuristas à lá Blade Runner, este Gemini Rue é uma óptima aposta, com uma excelente história, embora com uns controlos que poderiam ser um nadinha melhores. Sem mais demoras podem consultar a análise na íntegra aqui.

The Shivah: Kosher Edition (PC)

Voltando às rapidinhas no PC para mais um jogo indie, nomeadamente a primeira aventura gráfica lançada pelo pequeno estúdio de David Gilbert, o Wadget Eye Games, responsável pela série Blackwell, ou o Gemini Rue. E o artigo vai ser curto pois também consegui chegar ao final do jogo em cerca de uma hora, a história é muito pequena. No entanto até que tem a sua graça, pois não é todos os dias que jogamos com um Rabi, que para quem não sabe é uma espécie de “padre judeu”. E este Shivah entrou na minha colecção após ter-me sido oferecido num sorteio num fórum de videojogos.

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Conforme pode ser observado logo no título, este jogo tem uma influência muito forte nas tradições judaicas, pois jogamos com um Rabi que se encontra a passar por alguns dilemas éticos e religiosos e decide fechar a sua sinagoga. Mas na noite em que tomou essa decisão recebe a visita de um detective que lhe dá a notícia que um antigo frequentador da sua sinagoga foi assassinado e lhe deixou uma herança de 10000 dólares, dinheiro mais que suficiente para manter a sua sinagoga que estava a ultrapassar uma grave crise financeira. Mas o que surpreendeu realmente o Rabi Ross Stone é o facto de ele e a vítima terem-se zangado seriamente há uns anos atrás. Assim sendo, e como forma de se redimir por ter-se zangado com o falecido, tenta descobrir o mistério por detrás do seu assassinato.

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A Kosher Edition tem uns retratos bem mais detalhados que a edição normal

E as mecânicas deste jogo são as tradicionais de um jogo de aventura point and click, com um botão do rato para interagir com objectos/pessoas, e o outro para simplesmente tecer um comentário sobre os mesmos. Dispomos também de um inventário e de uma lista de pistas que podemos correlacionar para descobrir novas pistas que nos levem mais próximo de resolver o mistério, tal como foi feito posteriormente em alguns jogos da série Blackwell. Para além do mais, nos diálogos temos sempre diferentes abordagens nas nossas perguntas/respostas, podendo nós ser mais bem educados ou sarcásticos, ou então utilizar as “rabbinical response”, que consiste em sermos uns chatos do caraças e responder cada pergunta com outra pergunta. Apesar de as mecânicas de jogo serem simples e eficazes, o jogo peca muito pelo seu pouco conteúdo, pois o mistério resolve-se muito rapidamente e não há assim tanta coisa a acontecer.

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Ainda há espaço para algumas ligações à série Blackwell

Graficamente é um jogo com um look bem retro com recurso à pixel art, fazendo lembrar alguns clássicos dos finais da década de 80/inícios da década de 90. No entanto esta Kosher Edition tem os gráficos mais polidos, em especial os dos retratos das personagens sempre que falam, estando agora mais detalhado. A música é OK e suponho que tenha várias influências de melodias judaicas, infelizmente o que não está tão bom é o voice-acting, pois é bem inconsistente. Enquanto que em algumas personagens como os Rabis está ok, no Joe DeMarco está muito mau. No fim de contas este é um bom jogo clássico de aventura point and click, mas peca bastante por ser demasiado curto, embora tenha potencial para ter uma boa história que merecia ter sido bem mais desenvolvida.

Blackwell Deception (PC)

E para fechar (por enquanto) a série de artigos sobre os Blackwell, é tempo de analisar brevemente o quarto jogo da série – Blackwell Deception, e perceber porque, na minha opinião, é o melhor dos 4 jogos. Tal como os anteriores, este foi adquirido num qualquer bundle de jogos indie, a um preço irrisório.

Blackwell DeceptionNo final do jogo anterior, Rosangela decide mudar um pouco a sua abordagem no “tratamento” das almas penadas que encontra. Ao invés de ir farejando os tablóides do costume para procurar novos “casos”, desta vez Rosangela decide avançar com o seu website, anunciando-se como espírita, oferecendo os seus serviços a quem a quiser contactar. E como os outros jogos, este Deception começa de uma forma algo ligeira, colocando a dupla Rosangela/Joey a investigar um caso sem relação com a trama principal que se irá depois desenrolar. A história “a sério” começa quando Rosangela recebe um telefonema de um antigo colega jornalista que lhe pede ajuda numa investigação para um artigo jornalístico. Após um encontro surpreendente com esse colega, Rosangela vê-se envolvida numa conspiração que engloba uma misteriosa rede de outros psíquicos, e mortes misteriosas. No que diz respeito à história, este Blackwell foi o que me melhor encheu as medidas. Enquanto os outros jogos eram curtinhos, sendo facilmente terminados em cerca de 2h, este jogo duplicou o conteúdo, e a maneira como a história foi sendo contada agradou-me mais, tendo inclusivamente desvendado algum mistério sobre a origem de Joey. Já o jogo anterior tinha aberto algumas portas no final indicando que este Deception seria mais épico, enquanto que este por sua vez fez o mesmo.

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Mais uma vez Rosangela e Joey a fazerem o papel de detectives

As mecânicas de jogo permaneceram practicamente inalteradas desde o jogo anterior. Ainda assim tem algumas pequenas diferenças: a interacção entre Rosangela e Joey é maior, existindo portanto um maior número de puzzles e situações  em que temos de colocar ambas as personagens a trabalhar em equipa, tirando partido das suas habilidades. As pesquisas que podíamos fazer anteriormente no computador de Rosangela podem agora ser feitas utilizando o seu smartphone. Desde telefonar a outras personagens, pesquisar no “oogle”, ou consultar o seu “bmail” são algumas das funcionalidades do aparelho. O telemóvel serve também para Rosangela anotar as suas pistas que vai recolhendo ao longo do jogo, bem como podemos interligá-las de forma a obter novas pistas, tal como se fez no primeiro jogo.

Falando no audiovisual, no artigo do Blackwell Deception eu referi que o aspecto gráfico do jogo evoluiu um pouco, não sendo tão retro como nos primeiros jogos. Bom, aqui evoluiu ainda mais. Enquanto se mantém o visual pixel-art que acompanha a série desde o primeiro jogo (pelo menos nas personagens), os cenários por sua vez já apresentam um detalhe muito maior, bem como alguns efeitos gráficos interessantes. Continuo a preferir o charme saudosista dos primeiros dois jogos, mas devo confessar que acabei por gostar deste jogo nesse campo. Apenas não gostei de uma coisa: o artwork das personagens que aparece nos diálogos. O que começou por pixel art puro, chegou neste jogo como desenho de banda desenhada, o que na minha opinião tirou alguma piada ao jogo. Já no que diz respeito ao audio, este continua excelente, com voice acting bastante competente e uma banda sonora baseada em smooth jazz, embora com uma ou outra incursão noutros géneros musicais. O que regressa desde o primeiro jogo é um modo de comentários, que desta vez engloba também os bloopers nas falas por parte dos actores.

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Will Joey score?

No final de contas acho este Deception o melhor dos Blackwell até à data. O conteúdo do jogo que duplicou para 4 horas, acompanhado de uma história muito interessante e como sempre com uma boa narrativa por detrás. É sem dúvida o jogo mais épico da série e deixa antever coisas muito boas para o Blackwell Epiphany, a sair no último trimeste deste ano.