Heart of Darkness (Sony Playstation)

Heart of Darkness é um videojogo do mesmo criador de Another World, mais um platformer cinematográfico, com excelentes gráficos e animações super fluídas, mas também com uma jogabilidade exigente, tanto no platforming, como combate e puzzles. Foi um jogo que teve um ciclo de desenvolvimento muito atribulado, tendo começado pouco tempo depois do lançamento do clássico referido acima, mas que apenas foi finalizado em 1998, e das várias plataformas para as quais o jogo chegou a ser anunciado, apenas o PC e a Playstation acabaram por o receber. O meu exemplar veio cá parar em Janeiro deste ano, após uma troca que fiz com um amigo.

Jogo com caixa, manual e dois discos, na sua versão horrível Best of Infogrames que irei certamente trocar assim que surgir a oportunidade

E este jogo conta a história de um miúdo que tem medo do escuro e depois de certas coisas lhe acontecerem na escola, a aula acaba e o professor pedir aos alunos para não perderem o eclipse solar que ia acontecer em breve. E é mesmo isso que ele faz, mas algo de muito errado acontece, o eclipse torna-se numa espécie de vortex que suga o seu cão. Mas o miúdo é um génio e do nada constrói uma pequena nave, uma arma que dispara raios eléctricos e atravessa o portal, entrando numa outra dimensão repleta de criaturas letais e muitos outros obstáculos! As semelhanças com o Another World não são por acaso e este jogo tem mecânicas muito semelhantes, com o mundo a estar separado em diferentes ecrãs em vez de scrolling contínuo e em cada ecrã vamos tendo desafios de combate, exploração e alguns puzzles para resolver.

Tak como no Another World, a margem de erro é muito reduzida!

Tal como no Another World basta um passo em falso e morremos, mas felizmente o jogo possui vidas infinitas e checkpoints regulares, pelo que se morrermos, tipicamente renascemos no mesmo ecrã ou um ou outro ecrã atrás. Os controlos são simples, com um botão para saltar, outro para correr e outro para disparar, mas como é habitual neste tipo de jogos (uma vez mais Another World e Flashback) o posicionamento e velocidade são essenciais para ultrapassar alguns obstáculos. Também podemos dar um duplo salto com mortal, o que será outra das manobras que precisaremos de dominar par ultrapassar alguns desafios. Inicialmente dispomos de uma arma que dispara raios eléctricos e com essa arma conseguimos mesmo derrotar as muitas criaturas sombra que nos perseguem, mas rapidamente ficamos completamente indefesos, pelo que a fase seguinte do jogo obriga-nos a ter uma jogabilidade mais furtiva e atrair as criaturas sombrias para as poucas zonas com raios de luz. A certa altura ganhamos poderes mágicos, que não só servem de mais uma arma de longo alcance, mas também terão de ser usadas para resolver alguns dos puzzles, ao por exemplo, fazer com que certas árvores brotem das suas sementes ou vice-versa.

As animações estão fantásticas e detalhes como a projecção de sombras nos cenários estão soberbos

Graficamente é um jogo belíssimo, mesmo para 1998, depois de todos os atrasos que sofreu no seu desenvolvimento. O mundo que exploramos é riquíssimo em detalhes e uma vez mais as animações da nossa personagem, bem como as dos inimigos, estão muito fluídas e ricas em detalhe. Outros detalhes visuais como a projecção das sombras nos cenários, ou as animações dos inimigos que se tentam esquivar dos nossos projécteis estão também muito bem conseguidas. E claro, sendo este um jogo onde o perigo espreita a cada esquina e basta um erro para o miúdo morrer, também temos cutscenes bem elaboradas desses desastres. Este é um jogo para todas as idades, e de facto não há cá ponta de sangue, mas mesmo assim podemos ver uma criança a ser devorada, esventrada, esmagada, tudo repleto de animações super fluídas! A aventura é também acompanhada de imensas cutscenes em CGI que estão muito bem conseguidas também e por vezes até são algo cómicas, como a introdução das criaturas amigáveis, os Amigos, que até dizem algumas palavras em português. Este contraste que existe entre as cutscenes algo parvas e inofensivas e todos os perigos que nos ameaçam também é algo que se deva salientar.

A razão pela qual o jogo vem em 2 discos é porque está repleto de cutscenes em CGI e estas sim, representam um grande contraste com a atmosfera mais opressora do jogo em si

Portanto devo dizer que gostei bastante deste Heart of Darkness apesar de ter alguns momentos bastante desafiantes. Mas lá está, felizmente os checkpoints também não são assim tão maus quanto isso, pelo que acaba por ser uma questão de preserverança. Se gostaram desses jogos de plataforma mais “cinematográficos” como os já referidos Another World e Flashback, então este é um jogo que recomendo completamente. E o jogo até vendeu bem na Europa, pois recebeu mais tarde um lançamento Platinum e este horrível “Best of Infogrames”, mas aparentemente não recebeu o mesmo sucesso nos Estados Unidos. E de certa forma até se compreeende, pois afinal em 1998 o que as pessoas queriam eram jogos de acção em 3D poligonal, mas sinceramente os visuais e animações deste Heart of Darkness envelheceram muito melhor que a esmagadora maioria dos jogos em 3D da primeira Playstation. Supostamente iria haver uma conversão deste jogo para a Gameboy Advance mas infelizmente foi cancelada. Estou curioso em ver como a portátil da Nintendo se safaria ao correr este jogo, mas acho que seria uma conversão mais modesta, sinceramente.

The Smurfs Travel the World (Sega Mega Drive)

Voltando às rapidinhas para a Mega Drive, vamos ficar com o segundo jogo dos Smurfs que saiu para as consolas de 8 e 16bit da Sega e Nintendo. Produzido pela Infogrames, que na altura produzia imensos videojogos relacionados com personagens de banda desenhada franco-belga, como Astérix (apenas nas consolas Nintendo), Tintin ou Lucky Luke, este é mais um jogo de plataformas bastante colorido, embora não acrescente nada de verdadeiramente inovador à fórmula. Este meu exemplar foi comprado através de um bundle com vários jogos de Mega Drive no mês passado, tendo-me ficado algures nos 10€ por jogo.

Jogo com caixa e manual

A razão pela qual este artigo é uma rapidinha é o facto de ser uma versão practicamente idêntica à da Super Nintendo, que já cá trouxe antes. Basicamente controlamos um dos smurfs ou a smurfette que viajam pelo mundo em busca dos vários pedaços de um cristal mágico que os pode levar de volta à sua aldeia. Os controlos são simples, com um botão para correr, outro para saltar e outro para dar pontapés. A maior parte dos inimigos podem ser derrotados ao saltar-lhes em cima, já outros podem precisar antes de levar os pontapés. A ideia em cada nível é o de os explorar ao máximo para coleccionar todos os cristais por lá espalhados, sendo que depois somos transportados para o nível seguinte. Para isso teremos de evitar/derrotar uns quantos inimigos e por vezes ultrapassar alguns desafios um pouco mais exigentes de platforming, muitas vezes com a ajuda de alguns inimigos para servirem de plataforma.

As personagens que podemos escolher diferem apenas na estética, não na jogabilidade

Alguns níveis possuem mecânicas de jogo muito próprias, como o nível na caverna onde podemos tomar poções mágicas que alteram o nosso tamanho, sendo que quando estamos pequenos lá conseguimos nos esgueirar por passagens mais estreitas, enquanto que no tamanho normal conseguimos desbloquear algumas dessas passagens estreitas bem como derrotar inimigos. Ou o nível onde temos de guiar abelhas para as suas colmeias ou bananas para os macacos, sendo depois recompensados com cristais ou outros power ups. Uma coisa que me esqueci de referir no artigo da SNES é apesar de a nossa barra de vida transitar de nível para nível, quando a temos no máximo, mesmo que passemos por um power up de regeneração de vida não o apanhamos, ficando disponível para quando realmente precisemos dele. Foi um toque agradável por parte da Infogrames.

Apesar de ser um jogo colorido e bem detalhado, a versão SNES leva a melhor nos audiovisuais

A nível audiovisual é um jogo bonito, bem colorido, com cenários bem diversificados entre si e bem detalhados. Mas é inegável que a versão SNES seja superior. Essa versão possui ainda mais detalhe nos níveis, bem como alguns efeitos gráficos adicionais. A versão SNES possui também uma banda sonora melhor e tenho quase a certeza que foi a versão primária em desenvolvimento.

Portanto estamos aqui perante um jogo de plataformas competente, embora não seja propriamente revolucionário. A versão SNES apesar de idêntica em conteúdo, acaba por levar a melhor por ser tecnicamente superior. Mas não ficam mal servidos de todo nesta versão. Continuo com curiosidade em jogar o Smurfs 2 na Master System, mas esse será mesmo por emulação, pois os preços do jogo actualmente são altamente proibitivos.

UEFA Dream Soccer (Sega Dreamcast)

Continuando nas rapidinhas a jogos desportivos, vamos ficar agora com este UEFA Dream Soccer, originalmente também conhecido por Sega Worldwide Soccer 2001. Foi também produzido pela Silicon Dreams, a mesma equipa que nos trouxe os últimos Worldwide Soccer para a Dreamcast. Algures no seu ciclo de desenvolvimento o nome mudou para UEFA Dream Soccer e a própria Sega acabou por fazer uma parceria com a Infogrames, talvez por esta empresa ser detentora dos direitos da UEFA para videojogos na época. O meu exemplar foi comprado no passado mês de Agosto após ter vindo num interessante bundle de jogos de Dreamcast que me acabou por ficar bastante barato.

Jogo com caixa e manuais

Mas sinceramente não entendo o porquê do licenciamento da UEFA, pois os jogadores possuem não possuem os seus nomes verdadeiros e para além disso teremos à nossa disposição algumas selecções de fora da Europa, bem como o campeonato Japonês e Norte Americano… talvez a Sega estaria a planear lançar o jogo por lá também?? Mas ao menos traz futebol feminino, o que não era nada comum na altura. A jogabilidade pareceu-me bastante fluída, mas eu não sou mesmo expert neste tipo de jogos. Um pormenor que me pareceu interessante é o facto do indicador do jogador seleccionado, quando com a bola, possui uma seta que indica sempre a direcção da baliza adversária.

Graficamente é um jogo que possui um bom nível de detalhe e animações dos jogadores

Modos de jogo aqui é o que não falta! Inicialmente teremos de escolher entre o modo Arcade e o modo tradicional. Dentro do modo arcade temos 6 modos de jogo distintos, nomeadamente o Global Domination, Survival, Time Attack, Gender Challenge, Team Challenge e Versus. O Global Domination, tal como o nome indica, consiste em conquistar o mundo! Para isso teremos uma série partidas onde teremos de uma série de equipas do mesmo continente e repetir o processo nos continentes seguintes. O Time Attack é um daqueles modos de jogo onde somos obrigados a marcar golo (e não sofer!) dentro do limite de tempo disponível. O Survival coloca-nos numa série de partidas com dificuldade crescente. Já o Team e Gender Challenge são similares, onde podemos escolher um conjunto de 3 equipas e defrontar 3 outras equipas adversárias, sendo que o Gender Wars coloca-nos a competir contra equipas do sexo oposto. Já dentro do modo tradicional temos diversos campeonatos (de clubes ou selecções nacionais), taças e torneios para escolher, bem como um modo de treino e a possibilidade de jogar partidas amigáveis.

Se estivermos com a bola, vemos na base do jogador uma seta que indica a direcção da baliza

Graficamente é um jogo muito interessante para a época em que foi lançado. Os gráficos parecem-me muito bons para a época, principalmente nas animações dos jogadores. Os estádios também estão bem detalhados, excepto ali para o banco de suplentes onde todos parecem folhas de papel. Cada partida é também narrada por dois comentadores, para além de uma apresentadora televisiva que faz a antevisão e o fecho de cada partida. Os comentadores até que vão tendo um leque interessante de coisas para dizer, embora nem sempre com o entusiasmo que deveriam ter, na minha opinião.

Portanto este UEFA Dream Soccer até me parece uma opção de futebol bem válida para a Dreamcast, esta infeliz consola que foi privada da Electronic Arts e toda a sua linha desportiva, bem como dos ISS e Pro Evolution Soccer da Konami. Da Silicon Dreams fica-me ainda a faltar jogar o seu predecessor imediato, o SWWS 2000 Euro Edition, mas parece ser uma opinião consensual que este é o melhor dos dois.

Hogs of War (Sony Playstation)

roduzido pela Infogrames Sheffield, o mesmo estúdio conhecido anteriormente por Gremlin Interactive, este Hogs of War é um divertidíssimo jogo de estratégia por turnos que sempre me passou um pouco ao lado pois eu achava que era um RTS. Na verdade, pensem neste jogo como um Worms, totalmente em 3D, mas com porcos militares em vez de minhocas, e um óptimo sentido de humor! O meu exemplar foi comprado algures em Setembro de 2018, numa das minhas idas à feira da Vandoma no Porto. Já não me recordo do preço mas foi certamente barato, menos de 5€.

Jogo com capa e manual, versão Best Of Infogrames que planeio substituir assim que houver oportunidade

O jogo é sem dúvida inspirado pela primeira Guerra Mundial, não só pelos uniformes das nações envolvidas no conflito, mas também por muitas das armas que poderemos utilizar, incluindo os bombardeamentos aéreos que podemos invocar, com bombas largadas por Zeppelins que sobrevoam os campos de batalha. No modo de campanha, começamos precisamente por escolher qual a nação que queremos representar: O Reino Unido está representado pelos Tommy’s Trotters, com uniformes verde escuro, a França pelos Garlic Grunts e uniformes azuis escuros, a Alemanha pelos Sow-A-Krauts e seus uniformes cinzentos, os Estados Unidos pelos Uncle Ham’s Hogs e seus uniformes azuis claros, a Rússia pelos Piggystroika e uniformes vermelhos e por fim o Japão pelos Sushi Swine e uniformes amarelos. E sim, o jogo está repleto de esteriótipos de diferentes nações, desde os nomes dos próprios soldados (o Japão tem um chamado Raw Fish) mas também pelos diálogos e pronúncias dos diferentes exércitos, com muitos americanos com sotaque sulista, ou Russos alcoolizados. Se o Hogs of War fosse um jogo recente, certamente iria ser muito criticado pelos paladinos do teclado que vemos hoje em dia, mas eu sinceramente não vejo nada de errado com aqueles esteriótipos, quando todos são usados com sentido de humor e não há nenhuma nação aqui representada que não os tenha!

Antes de começarmos a campanha temos direito a um tutorial extensivo que nos ensinam os controlos e as mecânicas base

Mas pronto, depois de termos escolhida a nação que queremos representar, somos levados a um campo de treino, onde aprenderemos os controlos do jogo. Uma vez passado, começamos a verdadeira campanha: todas as nações acima mencionadas procuram controlar as ilhas do arquipélago de Saustralasia, conhecidas pelas suas reservas naturais de lavagem, bastante cobiçadas por todas as nações suínas. E aqui vamos tendo um esquadrão de 5 porcos (mais 3 de reserva), que iremos gerir ao longo das mais de 2o missões que teremos de jogar no modo campanha, onde em cada uma conquistaremos território ocupado por forças inimigas. Inicialmente cada porco é um soldado raso, com pouca vida e um equipamento limitado a uma espingarda mais respectiva baioneta, ou granadas. Mas à medida que vamos avançando na campanha e também cumprindo objectivos secundários (como destruir artilharia inimiga) vamos sendo recompensados com os promotion points, que poderemos usar para evoluir as nossas tropas.

O maior desafio será mesmo calcular o ângulo e força necessária para a maior parte dos projécteis explosivos

De soldado raso poderemos depois especializar-nos em 4 ramos distintos, que irão influenciar o equipamento que cada soldado carrega ao iniciar cada missão. Teremos então os heavy weapons, onde poderemos vir a utilizar bazookas, morteiros ou lança chamas, os engineers, que vão mantendo um arsenal com vários tipos de explosivos e minas, para além de serem uma classe que consegue identificar a localização das minas em campos minados. A classe de espionage vai-nos dando sniper rifles, bombas de gás venenoso, a possibilidade de se camuflarem ou roubarem itens a soldados inimigos. Os espiões têm também a vantagem da sua posição não surgir no mini-mapa, pelo que teremos de a memorizar sempre que os vemos em movimento. Por fim temos a classe médica, cujo armamento, para além do arsenal básico dos soldados rasos, vai tendo vários itens para regenerar vida dos restantes soldados. Cada uma destas classes tem 3 níveis de patentes, com os pontos de vida a incrementar entre si e o armamento que carregam também. Mas depois todas estas opções de carreira convergem nas últimas duas patentes: os Commandos e Heroes, que vão buscar um bocadinho dos arsenais das classes anteriores, mais a possibilidade de nadar em corpos de água sem perder vida e usar jetpacks. A classe dos Heroes, sendo a mais avançada que podemos alcançar, é a que tem um máximo de pontos de vida e a única que possui no seu armamento base a possibilidade de chamar um raid aéreo. No entanto, ao longo do jogo vamos recebendo alguns air drops contendo munições especiais, ou mesmo medkits, que tanto podem ser apanhados e usados por nós, como pelos soldados inimigos.

No final de cada missão vamos recebendo promotion points de acordo com a nossa performance, que podem ser gastos ao promover as nossas tropas, adquirindo novas habilidades e mais pontos de vida.

Tal como nos Worms, as missões são jogadas por turnos, com cada turno a alternar entre soldados de facções diferentes. Aqui teremos alguns segundos para nos movimentarmos à vontade, apanhar pick-ups e finalmente atacar os adversários, que irá finalizar o nosso turno. Tal como no Worms também, atirar granadas, ou qualquer outro explosivo com uma trajectória parabólica será sempre algo tentativa-erro, pois teremos de não só escolher o ângulo, mas também a força do lançamento. E claro, podemos sempre atingir soldados da nossa equipa (sim, temos friendly fire) e mesmo quando conseguimos matar um soldado inimigo, temos de ter cuidado pois eles explodem depois de morrer, o que nos pode causar dano se estivermos muito próximos. De resto, para além do modo campanha, teremos também uma vertente multiplayer com algumas variações de deathmatch, mas confesso que não as experimentei.

Ocasionalmente lá teremos algumas cutscenes cheias de bom humor!

A nível audiovisual devo dizer que este é um título interessante. De um ponto meramente técnico, é um jogo simples, pois cada área de jogo é um mapa relativamente pequeno e com pouco detalhe gráfico, com algumas montanhas e terrenos distintos, algumas peças de artilharia ou outros edifícios básicos. Mas se os gráficos em si são simples e banais, é precisamente na apresentação, nas animações e falas repletas de um bom sentido de humor que este Hogs of War marca todos os seus pontos. Tal como referi anteriormente, é um jogo repleto de esteriótipos de todas as nações intervenientes, mas sempre com bom humor na minha opinião. Acho que se alguém se sentir ofendido com coisas tão banais e sem maldade, deve ser simplesmente uma pessoa muito triste. De resto, contem também com algumas cutscenes ocasionais repletas de bom humor, bem como inúmeras falas também bem humoradas, como já referi anteriormente.

Portanto, devo dizer que fiquei agradavelmente surpreendido com este Hogs of War. Na minha opinião um óptimo clone de Worms em 3D, muito antes de ter saído o primeiro Worms em 3D também! Para além da versão Playstation, o jogo tinha saído também no PC, cuja versão acabou por ser adaptada para correr em sistemas operativos mais recentes, estando disponível tanto no steam e GOG, mas confesso que não as conheço, nem sei se trazem algum extra face à versão PS1.

Fantasia (Sega Mega Drive)

A série Illusion é das melhores séries de platforming que a Sega alguma vez produziu, todos os títulos possuem uma óptima qualidade, não importa a plataforma que os tenha recebido. Já este Fantasia, apesar de ter sido produzido pela Sega, o seu desenvolvimento ficou com o estúdio francês Infogrames. Não sei o porquê desta decisão, mas o resultado final foi um jogo visualmente muito agradável tal como os Illusion, mas com um nível de dificuldade muito superior, sendo frustrante por vezes. O meu exemplar foi comprado a um amigo meu algures no mês passado, tendo-me custado à volta dos 5€. É uma versão algo Frankenstein, na medida em que tem a capa é PAL, mas o manual e cartucho é americano. Não é o primeiro que vejo assim, talvez algumas versões tenham sido lançadas na Europa mesmo desta forma, ou pelo menos no Reino Unido, que foi de onde este jogo veio.

Jogo com caixa e manual

O jogo segue de certa forma a história apresentada pelo filme de mesmo nome, onde Mickey toma o papel de um aprendiz a feiticeiro, Antes de dormir, roubam as notas músicais que uma orquestra estava prestes a tocar e, durante os seus sonhos terá recuperar as notas musicais. Sim, Fantasia é um musical e a música tem aqui um papel importante na história também.

Plataformas que se movem e caem? Claro que sim!

No que diz respeito á jogabilidade, conceptualmente esta é simples: Fantasia é um jogo de plataformas com um botão para saltar e um outro para atirar projécteis, ataques mágicos mas com munições muito limitadas, cujas podem ser restabelecidas ao coleccionar livros voadores espalhados pelos níveis. O outro ataque básico é saltar em cima dos adversários. De resto, iremos atravessar diversos níveis onde o objectivo é o de coleccionar todas as notas musicais espalhadas pelos mesmos, antes de encontrar a saída. No entanto, Fantasia não é um jogo divertido. Temos tantos inimigos no ecrã como num shmup e os controlos infelizmente deixam muito a desejar, com Mickey a responder algo tardiamente aos comandos, tornando o combate contra inimigos e o platforming mais sensível numa tarefa hercúlea. Para além disso os níveis são grandes, repletos de passagens que nos levam a outras áreas e temos de os explorar bem para encontrar todas as notas musicais que precisamos. Basicamente, mediante o nível de dificuldade escolhido, o número de notas musicais a encontrar também varia e, caso não as tenhamos encontrado todas, somos convidados a tentar o mesmo nivel novamente. É um jogo frustrante!

Alguns inimigos possuem um design muito interessante, mas claro, isso veio tudo do filme.

Por outro lado, graficamente é um jogo bem interessante, certamente foi o aspecto que a Infogrames melhor trabalhou. Os níveis estão bem detalhados, sendo que cada mundo corresponde a um dos quatro elementos: água, terra, ar e por fim fogo. No primeiro mundo vamos saltitar entre folhas à superfície de um lago, bem como navegar debaixo de água. No mundo da Terra iremos atravessar florestas e montanhas com dinossauros, enquanto mundo do Ar nos leva às nuvens. Por fim no Fogo exploramos um vulcão infernal, repleto de diabretes que só nos vão incomodar. As músicas são na sua maioria interpretações clássicas de compositores como Bach, Beethoven ou Tchaikovsky e se por um lado até gosto bastante destas músicas, por outro estava à espera que a Mega Drive lhes fizesse mais justiça.

Portanto este Fantasia é uma infeliz oportunidade perdida. O filme original da Disney é um clássico de animação que merecia um jogo de plataformas que lhe fizesse justiça. É que o jogo é bastante bonitinho, mas os controlos lentos e a quantidade absurda de inimigos que temos em simultâneo no ecrã fazem-lhe a folha.