Mission Impossible (Nintendo 64)

Depois do sucesso que a adaptação de 007 GoldenEye trouxe à Nintendo 64, a Ocean pegou na série rival “Mission: Impossible”, cujo filme com Tom Cruise tinha saído nos cinemas algures em 1996. Mas o seu desenvolvimento acabou por se tornar bem mais longo que o inicialmente previsto, com a própria Ocean a passar por algumas dificuldades e, quando o jogo foi lançado em 1999, a própria gigante britânica já havia sido comprada pela então gigante francesa Infogrames. O meu exemplar foi comprado algures no início de 2019, em conjunto por uma Nintendo 64 em caixa pela módica quantia de 5€. Sim, um negócio daqueles!

Apenas o cartucho. Também tenho o manual, mas ficou fora da foto

Já há muito tempo que não vejo o filme no qual este jogo se desenvolve, mas pelo que li por aí, esta não é uma conversão directa do que acontece do mesmo, pois aparentemente inclui outras missões adicionais. Também sinceramente a única coisa que me recordo do filme é aquela cena de alta tensão com Ethan a descer uma conduta com um cabo, estando repleta de raios laser que tem de evitar, bem como um computador para fazer hacking no fundo da mesma. Esta cena está igualmente aqui presente!

Na teoria, este Mission: Impossible até que é um jogo bastante interessante, pois possui missões variadas e com múltiplos objectivos dignos de um filme de espiões: jogabilidade furtiva sempre que possível, adquirir identidades de personagens alvo para conseguir aceder a zonas com maior controlo de segurança, usar diferentes gadgets e claro, quando tudo o resto falha, lá teremos de partir em tiroteios desenfreados. Em muitas das missões até vamos podendo progredir de forma não-linear à medida em que vamos concluindo os seus objectivos.

Como habitual na série Mission Impossible, teremos de assumir vários disfarces

Mas então qual o problema do jogo? Bom, em primeiro lugar, os controlos não são de todo os melhores. O direccional serve para movimentar a personagem, embora nem sempre o Ethan se mexa como queremos. O botão A é o botão de acção, que serve para falar com personagens, interagir com objectos e, no caso de nada disto ser aplicável, pode servir para Ethan saltar, uma vez mais com uma física algo manhosa. O botão B serve para correr o nosso inventário e seleccionar armas ou outros objectos com o botão A. O botão L serve para ajustar a câmara enquanto o botão R coloca-nos numa perspectiva de primeira pessoa, onde o botão Z servirá para disparar a arma actualmente equipada. Outro problema é que apontar na perspectiva de primeira pessoa também não é tão suave quanto isso e a detecção de colisões também deixa algo a desejar. Vá lá que a barra de vida de Ethan até que é generosa, podendo absorver bastantes disparos. A selecção de armas também não é a melhor, e as munições também vão sendo escassas, pelo que teremos de fazer com que cada bala conte.

Antes de cada missão, para além do briefing da mesma e dos seus objectivos, podemos também ver detalhes dos gadgets que teremos

Por outro lado, a nível audiovisual é também um jogo que deixou muito a desejar. É verdade que até vamos tendo alguma variedade de níveis, desde bases militares rodeadas de neve, a base da CIA em pleno centro urbano, uma estação de comboios em Inglaterra, entre outros. Mas as personagens possuem muito pouco detalhe, animações muito básicas e os cenários são também bastante pobres, com poucas texturas e as que existem possuem resoluções muito baixas. A draw distance também é muito reduzida, algo que se nota bastante bem na missão em que perseguimos um bandido no topo de um comboio. Nada de relevante nos efeitos sonoros, as músicas até que são agradáveis e ocasionalmente lá teremos algumas cutscenes com algum voice acting.

Infelizmente as texturas deste jogo são de muito baixa resolução

Portanto este Mission Impossible acaba por ser para mim uma desilusão, não só pelos seus controlos imprecisos, mas também pelos seus maus gráficos, o que num jogo que levou tanto tempo a ser produzido, é muito mau. No ano seguinte, em 1999, saiu também uma versão Playstation, com melhores gráficos, cutscenes em FMV e mais voice acting. Acredito que seja uma versão bem melhor que esta portanto, mas em 1999 a Playstation também já tinha outros 007, Syphon Filter e Metal Gear Solid ali à porta, que, como jogos de acção com a temática de espionagem, acabavam por ser bem mais competentes que este.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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