Não fazia ideia que a personagem de Carmen Sandiego era assim tão famosa para ter despoletado inclusivamente uma série televisiva produzida pela Netflix em 2019. Criada originalmente em 1985 pela Broderbund para computadores, Where in the World is Carmen Sandiego é uma aventura onde teremos de perseguir uma série de bandidos, culminando com a apreensão da sua líder, a própria glamorosa Carmen Sandiego. Mas o jogo acabou por se tornar também num conhecido título educativo devido aos conhecimentos de geografia que nos obrigavam a ter. Com o seu sucesso, naturalmente que despoletou muitas sequelas e conversões, incluindo esta versão para a Mega Drive publicada pela Electronic Arts. O meu exemplar veio através de uma troca que fiz com um amigo algures em Dezembro passado.
Jogo com caixa e manual. Já a mini enciclopédia nem vê-la.
O conceito do jogo até que é original, mas peca um pouco pela sua repetividade. Basicamente encarnamos no papel de um detective que vai ter de investigar casos policiais onde artifactos valiosos vão sendo roubados em diversas partes do globo. Munido de uma base de dados que detalha todos os criminosos conhecidos da VILE (Villains’ International League of Evil), como o seu sexo, cor de cabelo, veículo que habitualmente conduzem e outros atributos como os seus passatempos ou se possuem alguma tatuagem, jóia ou anel que os identifique. Começamos cada caso na cena do crime onde tipicamente nos dizem o sexo do suspeito e depois teremos de investigar alguns edifícios locais e questionar testemunhas se nos dão mais detalhes dos suspeitos. Estas tipicamente poderão indicar alguma das características do bandido que está presente na tal base de dados, ou alguma pista sobre qual o seu próximo paradeiro, como o facto de ter viajado nalgum veículo com uma bandeira com determinadas cores, o facto de ter cambiado dinheiro para uma moeda específica, ou simplesmente o desejo dessa pessoa visitar algum lugar icónico no mundo. Com essas pistas vamos poder seguir o seu paradeiro ao local seguinte onde continuamos este processo. Eventualmente teremos pistas suficientes para identificar a identidade do bandido, que devemos aproveitar para emitir um mandado de captura e, quando finalmente o conseguirmos localizar, o mesmo acaba por ser preso e recomeçamos todo o processo num outro caso.
Francos era a antiga moeda da França. Mas também o é nalgumas das suas excolónias, pelo que deveremos interrogar o máximo de personagens possível para ter a certeza do próximo passo
O problema é que temos um tempo limite para apanhar o bandido e todas as acções que tomamos, seja visitar algum edifício ou viajar para um país, levam algumas horas e podemos exceder o tempo limite de captura, pelo que devemos prestar atenção às pistas que nos são indicadas e viajar sempre para os locais certos. São 30 casos ao todo que teremos de investigar até finalmente prendermos a Carmen Sandiego e terminar o jogo, o que torna as coisas um pouco repetitivas pois as mecânicas de jogo são sempre as mesmas. O outro problema é que os dados geográficos nem sempre estão correctos para a realidade actual. Há muito que países como a Itália ou Grécia já não usam a lira ou dracmas como unidade monetária, por exemplo. Aliás, o jogo era originalmente vendido com um pequeno livro tipo enciclopédia que tinha muitas das curiosidades e factos sobre todos os países que são aqui abordados. Ainda assim, sendo um jogo mais virado para um público jovem, os desafios não são nada de muito desafiante e sempre temos a internet para ajudar.
Quando tivermos a certeza do próximo destino que os bandidos tomaram, é persegui-los pelo globo!
Já no que diz respeito aos audiovisuais este é um jogo simples e com uma interface bastante intuitiva. O ecrã está dividido em duas partes, onde o ecrã esquerdo mostra algumas fotos digitalizadas do local que visitamos, já o direito é onde é apresentado todo o texto e no fundo temos quatro ícones que nos permitem efectuar acções distintas: a de consultar a base de dados da Interpol e eventualmente lançar o mandato de captura, a de visitar edifícios na cidade actual para questionar testemunhas, e um outro ícone com um avião onde poderemos viajar para outros países. Sempre que viajamos para um país, se acertamos no destino e estamos no encalço do bandido, vão sendo mostradas algumas animações que os mostram a andar de forma sorrateira, ou a escaparem-se de forma espectacular como num balão ou asa-delta, muito como num desenho animado. Assim que os capturarmos, temos direito a pequenas cutscenes do mesmo estilo cómico. As fotografias são de baixa resolução e detalhe devido às limitações da Mega Drive, mas não deixam de serem 100% esclarecedoras quanto ao país/cidade que visitamos. Já no que diz respeito às músicas e efeitos sonoros, estes vão sendo muito discretos. As músicas são apenas pequenas melodias que tocam ocasionalmente.
Vamos poder consultar os perfis de todos os criminosos da VILE e usar as pistas dadas por testemunhas para os identificar
Portanto devo dizer que até fiquei agradavelmente surpreendido com este jogo. É verdade que é extremamente repetitivo, mas a sua fórmula resulta muito bem como um videojogo educativo e é fácil entender o porquê do nome Carmen Sandiego ter tido um sucesso considerável nas décadas de 80 e 90.
Depois do Far Cry, que já na altura tinha impressionado pelas grandes áreas de jogo renderizadas sempre com bons gráficos, a Crytek começou a trabalhar num novo projecto e numa nova versão do seu motor de jogo. Lançado então para o PC em 2007 (e só 4 anos depois é que chegou às consolas), este Crysis é mais um first person shooter que é em parte uma evolução dos conceitos que a Crytek tinha introduzido no seu jogo anterior. Mas mais que isto eles foram completamente overkill na questão dos gráficos que para além de serem belíssimos para 2007, necessitavam também de máquinas bem poderosas para o correr com boa performance e qualidade. Foi durante muitos anos um dos principais benchmarks com que se testaram placas gráficas! O meu exemplar foi comprado em Setembro de 2012 na extinta GAME do Maiashopping, tendo-me custado cerca de 10€.
Jogo com caixa e manual
Ora neste jogo encarnamos num soldado de um esquadrão muito especial, todos eles equipados com fatos todos high tech e que lhes conferem uma série de habilidades sobrehumanas, que mais tarde irei detalhar. Ora eles são então destacados para uma ilha algures perto das Filipinas, numa operação que à partida seria simples: a de resgatar um grupo de cientistas norte-americanos que foram raptados por um batalhão do exército Norte-Coreano, que entretanto havia invadido a ilha por motivos aparentemente desconhecidos. Mas como não podia deixar de ser as coisas não correm bem como o esperado e afinal aquela ilha tem mais do que se lhe diga.
Ao pressionar a tecla C temos acesso a um menu de customização das armas que carregamos, se bem que nem todos os upgrades estão disponíveis de início
Podemos dividir este Crysis em duas metades. A primeira metade, tirando o facto das tais habilidades novas, acaba por ser muito semelhante ao primeiro Far Cry pois uma vez mais temos uma vasta parte da ilha para explorar. Não que este seja um jogo verdadeiramente open world, pois para além de ocasionalmente termos alguns objectivos secundários que poderemos ou não cumprir, o jogo em si é bastante linear. Simplesmente temos é de percorrer vários quilómetros a pé ou com veículos, atravessando selvas, praias paradisíacas ou algumas aldeias pelo meio. Os locais onde o grosso de cada missão se passa estão repletos de inimigos, mas é habitual cruzarmo-nos com algumas patrulhas mais pequenas pelo meio. Devido às habilidades que temos acesso, o jogo tanto nos dá a opção de usar abordagens mais agressivas ou furtivas, mas em zonas onde há mais concentração de inimigos eu recomendaria mesmo uma abordagem mais furtiva.
O jogo apresenta um sistema de ciclos de dia e noite enquanto vamos explorando a ilha
Mas então quais são as tais habilidades que teremos acesso? Ora a qualquer momento no jogo podemos seleccionar diferentes funcionalidades do nosso fato, que por sua vez consomem energia quando estão em uso. Temos uma habilidade que nos dá mais força, não só nos golpes físicos, mas também reduz o coice das armas de fogo, aumentando assim a sua precisão ou mesmo podendo saltar bem mais alto. Por outro lado podemos activar a habilidade de armadura que é capaz de deflectir o dano sofrido por armas de fogo. Para maior furtividade podemos activar também uma camuflagem que nos deixam temporariamente invisíveis e por fim podemos também activar uma outra habilidade que nos deixa mover (e correr) bem mais rapidamente. Mas todas estas habilidades usam energia, pelo que teremos de as usar com a devida atenção, pois a energia recupera algo lentamente quando as deixamos de usar. De resto vamos tendo acesso também a um arsenal relativamente complexo de diferentes armas e o jogo até que é algo generoso na quantidade de armas que podemos equipar. Desde os nossos punhos e uma pistola, podemos equipar também mais duas armas de fogo como assault rifles, metralhadoras, sniper rifles, shotguns, entre outras. Podemos ainda equipar mais duas armas de explosivos como um lança rockets ou explosivos C4, bem como granadas. E um outro detalhe interessante, mesmo que não consigamos carregar todas as armas em simultâneo, o jogo deixa-nos armazenar todo o tipo de munições, mesmo de armas que não tenhamos no momento connosco!
Eventualmente teremos mesmo de conduzir alguns veículos, como tanques ou mesmo um VTOL
A segunda metade do jogo é quando se revela o que os cientistas e o exército Norte Coreano estavam realmente ali a fazer. Não querendo spoilar mas não tenho grande hipóteses (é um jogo de 2007!), mas aquela ilha tinha, no interior de uma montanha, uma espécie de colónia de seres extra-terrestres que estavam lá adormecidos há milhares de anos. Então eles acordam e começam a causar o caos tanto com as forças Norte-Coreanas, como com as Norte-Americanas que entretanto chegaram. E a partir daí o jogo torna-se bem mais linear e com menos áreas abertas, onde a furtividade já não interessa para nada.
Estes são os fatos cheios de tecnologia que usamos durante o jogo
Mas vamos passar para os audiovisuais. Para os padrões de 2007, este jogo estava realmente muito à frente do que se tinha visto até então no PC. Não foi por acaso que o jogo apenas recebeu conversões para a Xbox 360 e PS3 só quatro anos depois! Temos então gráficos muito avançados para a época, com cenários muito bem detalhados, particularmente o detalhe de toda a vegetação! As personagens, principalmente as mais importantes, estão também muito bem modeladas, não só com modelos poligonais repletos de polígonos, mas com texturas com muito bom detalhe também. Mas todo esse poderio gráfico jogado nas especificações máximas tinha um custo: apenas máquinas de elite conseguiam correr o Crysis com os gráficos todos no máximo e com boa performance. Tanto que o Crysis foi a prova dos nove em muitos testes de benchmarking nas placas gráficas, mesmo em muitos anos que se seguiram ao seu lançamento! De resto, nada de especial a apontar à música e efeitos sonoros que cumprem bem o seu papel. Já o voice acting é algo mediano, assim como a narrativa como um todo.
Portanto este Crysis é um FPS agradável de jogar precisamente pelas suas diferentes mecânicas de jogo que introduziu. E graficamente, consegui perceber o porquê de um jogo lançado em 2007 ter tido realmente tanto impacto na questão gráfica! Foi recentemente lançado em 2020 um remaster para uma série de outros sistemas, incluindo uma surpreendente versão para a Nintendo Switch, mas aparentemente esse remaster não traz muito de novo.
Este The Legend of Galahad da Traveller’s Tales é um interessante jogo de acção em 2D sidescroller com algumas influências de action RPGs. Lançado originalmente através da saudosa Psygnosis para o Commodore Amiga sob o nome de Leander, acabou por receber mais tarde uma conversão para a Mega Drive sob um novo nome (e com algumas modificações nos gráficos e história no geral). O meu exemplar foi comprado a um particular no passado mês de Julho por cerca de 5€.
Jogo com caixa e manual
O jogo possui uma história simples onde temos de salvar uma princesa das garras de um poderoso feiticeiro. Na versão original para o Amiga, o protagonista chama-se Leander, já nesta conversão para a Mega Drive decidiram dar um tema mais “Arturiano” à história, pois Galahad era um dos seus cavaleiros. À medida que vamos avançando no jogo vamo-nos apercebendo das influências orientais tanto nalguns inimigos como os dragões ou alguns soldados. Mas na versão original do Amiga essas referências orientais eram ainda mais notórias nos protagonistas.
Antes de cada nível é-nos dada uma indicação do objecto que temos de descobrir e onde estará
No que diz respeito à jogabilidade este é então um jogo de plataformas/acção que mistura alguns elementos de RPG também. O jogo está dividido em 3 mundos com 7 níveis cada, sendo que o último nível de cada mundo culmina sempre no confronto contra um boss. Os restantes níveis possuem todos a mesma mecânica de jogo: antes de começar cada nível é-nos indicado que devemos procurar um determinado objecto e depois o portal que nos levará para o nível seguinte. Nessa introdução são também-nos dadas algumas dicas das direcções que teremos de tomar para encontrar o tal objecto e a sua saída. Os controlos são simples, com um botão para saltar e outro para atacar com a espada. À medida que vamos defrontando inimigos e/ou abrir baús de tesouros espalhados pelos níveis, poderemos encontrar vários itens como dinheiro, bombas, vidas extra ou itens que nos regeneram a vida.
As influências orientais da versão original são ainda notórias nalguns cenários e inimigos
Também espalhados nalguns níveis apenas estarão lojas onde poderemos gastar o dinheiro amealhado e comprar novas armas, bombas e armaduras. As armas quanto mais poderosas forem menos golpes necessitamos para matar os inimigos, já as armaduras quanto mais poderosas forem mais pontos de vida podemos ter. As bombas que referi há pouco podem apenas ser usadas quando compramos a espada Lion Blade. Ao manter o botão de ataque pressionado durante alguns segundos, iremos carregar um ataque que usará uma destas bombas, capazes de causar dano considerável em todos os inimigos à nossa volta. De resto é um jogo repleto de obstáculos e armadilhas, pelo que devemos explorar os níveis com o devido cuidado. No final de cada mundo somos recompensados com uma password que nos facilitará a tarefa de recomeçar o jogo caso percamos todas as vidas.
Escondidos nalguns níveis vão estar algumas lojas que nos permitem comprar algum equipamento
A nível audiovisual acho um jogo interessante. De certa forma o design de alguns inimigos e dos próprios níveis me faz lembrar jogos como Shadow of the Beast, embora felizmente este Galahad não seja tão frustrante. Os níveis em si é que não têm muita variedade de cenários, com as mesmas montanhas, cavernas e fortalezas a serem exploradas. No entanto, quando comparado ao original do Amiga, esta versão Mega Drive graficamente até que é bastante interessante, ao incluir diversos efeitos de parallax scrolling nos seus cenários, algo que não existe no original. Nada a apontar aos efeitos sonoros que são bem competentes, já as músicas até devo dizer que gostei bastante das mesmas. São poucas músicas, para além da abertura e fecho do jogo, temos apenas 1 música por mundo. Mas apesar de poucas, são melodias agradáveis e o sound driver da Krisalis que é usado em muitos jogos britânicos na Mega Drive até que é bastante competente.
O design de alguns inimigos faz-me lembrar as criaturas do Shadow of the Beast
Portanto devo dizer que até gostei deste The Legend of Galahad. É um jogo de acção que nos obriga a explorar os níveis intensamente e com algumas mecânicas de RPG de acção. É uma pena que todos os níveis sejam fetch quests, isto se fosse um jogo mais aberto, mais metroidvania, seria certamente um clássico. Ainda assim parece-me bem competente e um óptimo jogo de estreia da Traveller’s Tales.
Vamos revisitar o mundo fantasioso de Thedas com até agora o último capítulo na saga Dragon Age. O seu antecessor foi um jogo que me tinha deixado com sentimentos mistos. Por um lado o combate era mais fluído, mas mantendo todas as mecânicas tácticas do original, mas a nível de exploração era um jogo muito mais pobre, pois tudo andava à volta da mesma cidade de Kirkwall e o pouco que exploravamos fora da cidade eram áreas relativamente pequenas e pouco variadas entre si. Este novo capítulo felizmente já é muito maior e variado na área a explorar! O meu exemplar foi comprado na Mediamarkt de Alfragide algures no início de Janeiro de 2016, tendo-me custado algo próximo dos 20€.
Jogo em 4 DVDs com caixa e papelada
A história começa logo após os eventos do Dragon Age II, onde feiticeiros e templários estão em guerra aberta após a revolta de Kirkwall. Entretanto, e depois de criarmos a nossa personagem baseada em raça (humano, anão, elfo ou qunari que são agora uma possibilidade), género e classe (warrior, rogue, mage) somos levados para o caos. Isto porque estavam a ser negociadas tréguas entre ambas as facções conflituosas num Conclave que juntou todos os líderes religiosos da Chantry e representantes das facções rebeldes dos feiticeiros e templários. Nessa altura dá-se uma gigantesca explosão que mata todos os que estavam presentes no Conclave e abre um enorme buraco no céu de onde mergulham inúmeros demónios que aterrorizam toda a população. O único sobrevivente? A personagem que nós criamos, que misteriosamente ganha também o poder de poder fechar essas brechas no céu. Inicialmente considerados como o principal suspeito dessa catástrofe, vamos acompanhando Cassandra, a interrogadora de Varric no jogo anterior bem como o próprio Varric, um anão rogue bastante carismático e uma nova personagem, o misterioso feiticeiro Solas. Eventualmente de suspeito passamos a líderes da nova Inquisição, formada para fechar todas as brechas no céu e encontrar o responsável por tal acto.
Para combates mais exigentes como é o caso dos dragões, devemos usar a vertente táctica do jogo, ao posicionar os nossos elementos da party e definir quais skills utilizar.
Ao longo do jogo vamos conhecer outras personagens que poderão juntar-se a nós como os feiticeiros Dorian de Tevinter e Vivienne ligada à nobreza de Orlais, os rogues Sera e Cole, este último uma personagem bastante bizarra, e os warriors Blackwall e Iron Bull, este último um Qunari. Teremos então 3 personagens por classe à nossa disposição, mais a personagem principal que criamos inicialmente. Para além destes, teremos mais três personagens a considerar na liderança da Inquisition: A embaixadora Josephine que lida com toda a parte diplomática, e as caras conhecidas de Cullen, líder militar da Inquisition, e Leliana, spymaster. Estas três personagens não são party members mas lideram as diferentes operações que poderemos assignar-lhes. Estas fazem-me lembras as missões dos assassinos nos Assassin’s Creed, onde poderemos enviar os seus agentes para várias localizações de Thedas e cumprir algumas missões em background, que tipicamente nos trazem diferentes recompensas.
Agora com um mundo mais vasto a explorar, é boa ideia desbloquear as mounts o quanto antes
E este jogo é bem mais vasto do que os seus antecessores, o que no caso do Dragon Age II é de facto uma grande vantagem. Vamos ter imensas áreas, todas distintas entre si, para explorar livremente e cumprir dezenas de sidequests, desde montar acampamentos das forças da Inquisition ou conquistar fortalezas, ambos servindo posteriormente como pontos de fast travel. Missões como derrotar uma série de forças inimigas, procurar itens/tesouros específicos, fechar brechas que cospem darkspawn, ou mesmo caçar alguns dragões poderosos, são apenas alguns dos exemplos das várias sidequests que teremos pela frente. Algumas das áreas nem sequer têm main quests associadas, pelo que são de exploração completamente opcional e claro que eu as passei a pente fino. As mounts como cavalos ou outras criaturas estranhas são também aqui introduzidas e são outra novidade benvinda, pois temos mesmo muito território a explorar. Tendo em conta que o jogo anterior apenas nos deixava explorar Kirkwall e algumas áreas pequenas nas suas imediações, isto é sem dúvida uma grande melhoria. Depois até a nossa base pode ser altamente customizada, principalmente quando conquistamos a fortaleza de Skyhold. Esta é uma base de dimensão considerável, repleta de NPCs para interagir, lojas e algumas customizações que poderemos escolher.
As áreas a explorar são bastante diversificadas entre si e com imensos segredos e tesouros escondidos
Passando para os combates, apenas poderemos levar mais 3 membros connosco a qualquer momento. Quando iniciamos um combate, controlamos apenas uma personagem em tempo real, com as restantes três a assumirem controlo automático, cujos parâmetros de comportamento podem ser algo calibrados. Mas, tal como nos jogos anteriores, a qualquer momento podemos pausar as batalhas, bem como mudar a câmara para uma perspectiva de top down, e fazer algum micro management como melhor posicionar as nossas personagens e decidir quem ataca quem e de que forma. Em encontros mais ligeiros, geralmente controlo a minha personagem em real time e deixo as outras combaterem à sua vontade, mas para combates mais delicados convém ser mais inteligente e este controlo táctico permite-nos isso. À medida que vamos derrotando adversários, completando quests ou lendo documentos (codex) que vamos encontrando por aí, vamos ganhar pontos de experiência que por sua vez nos vão permitir subir de nível. Ao subir de nível, para além de ficarmos mais fortes, vamos ganhando pontos que poderão ser atribuidos para desbloquear novas habilidades. Cada classe possui diferentes skilltrees, com mais algumas a serem desbloqueadas na segunda metade do jogo. Nós não vamos conseguir completar todas as skilltree disponíveis, pelo que convém planear ao certo que habilidades usar em cada personagem. Visto que teremos 3 membros por classe mais a personagem que nós criamos, é boa ideia ir evoluindo cada personagem de forma distinta, sendo que nos pontos de fast travel podemos alterar a nossa party activa e trocar por personagens com skills mais adequadas para o que iremos enfrentar de seguida.
Varric é uma das caras conhecidas que temos de volta e se o mantivermos na party, os seus comentários irónicos serão uma constante
De resto, e ainda na jogabilidade, convém também referir o enorme sistema de crafting que aqui temos. Desde fazer upgrades a equipamento ou a criá-los de raiz com base em receitas e em itens que vamos coleccionando à medida que vamos explorar os cenários, também poderemos criar uma série de poções ou granadas, que tanto nos servem para regenerar vida, mana, melhorar alguns stats como resistência a fogo ou gelo, ou então criar as tais granadas. O sistema de gestão de poções é algo que já não gostei tanto, pois apenas poderemos ter 2 a 3 tipos de poções / granadas diferentes equipados em simultâneo e com números bastante limitados. Ou seja, para recuperar vida temos um número limitado de poções, que devemos racionar com cuidado, pelo que ter um healer na party é também algo bastante recomendado. Apenas em certos pontos no jogo, como os acampamentos ou fortalezas ocupadas é que poderemos restabelecer o número de poções equipadas ou mesmo descansar em tendas e recuperar pontos de vida. Uma coisa que não abordei antes é o facto deste Dragon Age Inquisition ter também uma vertente multiplayer, o que é inédito (e também algo estranho) na série, mas confesso que essa nem sequer o experimentei. Pelo que investiguei é um modo de jogo cooperativo onde teremos de enfrentar explorar alguns mapas e enfrentar cooperativamente vários grupos de inimigos poderosos.
O sistema de crafting permite-nos não só melhorar o equipamento, como criar armas e armaduras de raíz, baseando-se em algumas receitas que podemos comprar ou encontrar
A narrativa é outro ponto forte deste jogo. Todas as personagens que recrutamos são bastante carismáticas e muitas vezes possuem crenças e uma visão diferente das dos outros. À medida que vamos progredindo no jogo, as respostas e escolhas que vamos optando tanto nos diálogos como as decisões chave de algumas quests, para além de terem repercussões na história que nos acompanham até ao final do jogo, também serão merecedoras de aprovação ou reprovação por parte dos nossos colegas. Manter uma relação amigável com toda a gente é então um desafio, mas é um desafio que vale a pena, pois à medida que vamos conquistando a sua confiança, teremos acesso a novas sidequests onde iremos ficar a descobrir mais sobre o seu passado. Também tal como nos jogos anteriores, vamos poder envolver-nos em romances. As opções são várias personagens da nossa party ou dos colegas líderes da Inquisition, embora nem todas sejam receptivas a romances. Para além disso, das personagens recepticas a romances temos também de ter em conta a sua orientação sexual (temos personagens straight, homo e bi) e preferência racial. Por exemplo, Solas é heterosexual, mas apenas está interessado em mulheres elfo, pelo que a raça e género da personagem que criamos vai delimitar o leque de possíveis romances a alcançar ao longo da aventura.
Tal como nos anteriores, nos diálogos vamos tendo diversas opções que podem afectar a maneira como as restantes personagens se relacionam connosco. Mas agora vamos tendo alguns ícones que podem indicar o tipo de resposta que vamos dar.
Do ponto de vista audiovisual, este Dragon Age Inquisition usa o motor gráfico da Frostbite, o mesmo usado nos Battlefield e a qualidade gráfica é bastante boa, para um jogo de 2014. Os cenários são bastante variados entre si, desde regiões mais montanhosas, florestas, desertos ou planícies, todos com localizações interessantes para descobrir como cavernas, ruínas antigas ou fortalezas que podem inclusivamente ser conquistadas. Nalgumas das regiões, como é o caso das Hinterlands, poderemos inclusivamente descobrir alguns povoamentos ou pequenas cidades como a Redcliffe que já tinha sido explorada no Dragon Age Origins. A cidade de Val Royeaux é a única grande cidade que pode ser explorada e ocasionalmente teremos mesmo de explorar palácios ou mansões nas imediações de Val Royeaux, onde iremos inclusivamente interagir com a nobreza e realeza do império de Orlais. Infelizmente ainda não foi desta que exploramos o império de Tevinter, mas isso será certamente tema para uma eventual sequela, que aparentemente até já está em produção. De resto, para além de todas estas zonas diferentes a explorar, os cenários são ricos em detalhe e o Frostbite é muito bom também para renderizar os efeitos gráficos das magias como as de fogo ou gelo, bem como bons efeitos de luz. Foi um prazer visitar Thedas uma vez mais. A nível de som, o voice acting é uma vez mais muito competente, com diferentes sotaques a representarem diferentes regiões de Thedas. Orlais tem um sotaque francês muito carregado e aparentemente o aspecto das suas cidades e habitantes, em particular a nobreza e realeza, é mesmo inspirado na francesa. As músicas são tipicamente bastante épicas, tendo em conta as batalhas colossais que iremos enfrentar. A nível de performance, estou com uma boa máquina para este jogo, nada de especial a apontar a não ser por uma série de crashes que tive frequentemente e que me mandavam o PC abaixo. Vi vários relatos de crashes a acontecer com outros utilizadores, mas nada que obrigasse a máquina a fazer reboot a não ser que fosse problema de hardware como temperaturas altas. Visto que apenas encontrei esse problema com este jogo até agora, presumo que seja alguma incompatibilidade com a minha placa gráfica que é 5 anos mais recente que este jogo. Felizmente que podemos gravar o jogo regularmente, logo que estejamos fora de combate, mas não deixa de ser um bocado frustrante.
O motor gráfico Frostbite é de facto muito competente e o mundo de Thedas só teve a ganhar com a sua implementação. Os cenários possuem uma riqueza impressionante para um jogo de 2014.
Portanto devo dizer que gostei bastante deste Dragon Age Inquisition. É um bom RPG que apresenta um mundo bem maior a ser explorado, repleto de intriga política, religiosa e social. Gostei da história, do carisma das personagens e das imensas sidequests que teremos pela frente. Já não gostei tanto do inventário bastante limitado de poções que podemos carregar, o que irá dificultar bastante alguns encontros mais desafiantes, como os dragões (opcionais) a defrontar. E claro, os reboots que me iam ocorrendo aleatoriamente, mas isso poderá não ser culpa do jogo.
Tempo de voltar às rapidinhas na Mega Drive para ficarmos com mais um jogo de corridas bem competente. Tal como o seu predecessor na Mega Drive, que era na verdade uma adaptação do Lotus II do Commodore Amiga, este é também uma adaptação do Lotus III da mesma plataforma, pelo que as duas plataformas ficaram algo desfasadas nos seus numerais. Bom, e o meu exemplar foi comprado na CeX algures em Agosto e custou-me 6€.
Jogo com caixa e manual
O Lotus Turbo Challenge que a Mega Drive recebeu tinha-me deixado agradavelmente surpreendido, pela sua jogabilidade fluída, boa sensação de velocidade e excelentes gráficos para uma Mega Drive. Esta sequela não desaponta nesse aspecto. Na sua base continua a ser um jogo de corridas inspirado por OutRun onde iremos correr em diversas paisagens diferentes e o objectivo é sempre o de chegar ao checkpoint seguinte dentro do tempo limite. A principal diferença para o OutRun é que o Lotus continua a ser um jogo linear, com circuitos separados entre si e sem ramificações nas estradas. A menos que escolhamos antes jogar no modo campeonato, aí já teremos de ter em conta a classificação em que chegamos no final de cada corrida bem como o consumo de combustível durante cada corrida. Sinceramente prefiro o arcade. De resto podemos uma vez mais competir com o Lotus Esprit, Elan e também o M200, um protótipo da Lotus que nunca chegou a ser comercializado. Para além disso este jogo oferece também a habitual vertente em multiplayer através de split screen, bem como um editor de pistas, esta a grande novidade desta sequela. Mas confesso que não perdi grande tempo com isso.
Antes de cada circuito temos a hipótese de escolher qual música ouvir, tal como no Out Run
No que diz respeito aos audiovisuais, desta vez temos mesmo de separar os gráficos e som. A nível gráfico é um jogo excelente, tal como o seu antecessor. As pistas são bastante variadas entre si, desde montanhas, florestas, praias ou zonas mais urbanas, os circuitos estão cheios de relevo e as corridas decorrem a uma velocidade estonteante. É impressionante a sensação de velocidade que tanto este Lotus como o seu antecessor conseguiram introduzir na Mega Drive. Algumas pistas possuem alguns detalhes gráficos deliciosos, como a condução nocturna, ou outros detalhes meterelógicos como chuva, neve ou mesmo nevoeiro, onde apenas vemos um breve brilho dos faróis traseiros dos nossos oponentes a média distância.
Aqui temos uma vez mais alguns efeitos gráficos muito interessantes como o de nevoeiro
Já a nível de som, bom infelizmente deixa muito a desejar. Isto porque é um daqueles jogos em que temos de optar por ouvir efeitos sonoros ou música, mas não ambos em simultâneo. Quando isso acontece, tipicamente é porque os efeitos sonoros são bastante ricos e a Mega Drive fica sem recursos para processar ambos em simultâneo, mas infelizmente não é esse o caso. Aliás, o primeiro Lotus tinha melhores efeitos sonoros que este, com várias vozes digitalizadas. Aqui apenas ouvimos o ruído irritante dos carros e pouco mais. Já as músicas, sinceramente até as achei agradáveis, excepto aquela mais calma que já não apreciei tanto. Ainda assim, não consigo entender o porquê de não podermos ouvir ambas as coisas em simultâneo. Só com os efeitos sonoros o som torna-se algo irritante. Só com a música sente-se a falta de mais qualquer coisa.