Soviet Strike (Sega Saturn)

Soviet StrikeO Desert Strike é um dos meus jogos preferidos da era 8/16bit, tendo sido um excelente jogo de acção com alguns conceitos de estratégia militar. Com o sucesso de Desert Strike, vieram as sequelas Jungle e Urban Strike, tendo sido lançadas maioritariamente tendo em vista as consolas 16bit. Com as consolas 32bit em força no mercado, foi altura de o próximo jogo da série tirar partido das possibilidades oferecidas pelos novos hardwares e nasceu assim este Soviet Strike, sendo inclusivamente o único jogo da série a ser lançado na Sega Saturn. Se a memória não me falha, o jogo entrou na minha colecção ao ter sido comprado na feira da Ladra em Lisboa algures em 2013 e o seu preço não deverá ter sido superior a 6€.

Soviet Strike - Sega Saturn
Jogo completo com caixa e manuais

Tal como o nome do jogo indica, desta vez lutaremos contra a ameaça soviética. Na verdade em 1997 já há muito que a União Soviética tinha deixado de existir, mas uma antiga facção ligada ao KGB está aparentemente a tramar algumas. O jogador toma assim mais uma vez o papel de um piloto de helicóptero, mas desta vez pertence a um grupo militar norte-americano ultra-secreto (STRIKE) que nas suas operações encobertas trava batalhas de forma a impedir que guerras venham a acontecer. A apoiar-nos durante as missões temos o general Earle, um hacker bizarro e Andrea, uma agente Strike com a profissão infiltrada de repórter de imprensa, que nos vão dando os briefings de cada missão e algumas dicas também.

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O jogo passa-se em diferentes territórios ex-Soviéticos, não apenas na Rússia

Tal como os jogos anteriores, este Soviet Strike está dividido em vários níveis bem grandinhos, onde em cada nível temos várias missões a desempenhar, tais como destruir radares, tanques inimigos, armas de destruição massiva, resgatar prisioneiros de guerra, prender líderes inimigos, entre várias outras. E também tal como os jogos anteriores, a ordem das missões convém serem respeitadas de forma a facilitar um pouco mais as coisas ao longo do nível. Por exemplo, destruir os radares inimigos faz com que os inimigos percam alguma da sua capacidade de nos emboscar. Também algumas missões só ficam desbloqueadas após termos concluído a anterior.

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Este é Hack, e como o nome indica é o hacker de serviço. O que raio tem ele na cabeça?

De resto para quem jogou Desert Strike a jogabilidade é muito semelhante. A grande diferença está em apenas podermos conduzir o helicóptero, ao contrário do Jungle e Urban Strike que a certo ponto nos deixavam conduzir outros veículos. De resto continuamos a ter de gerir os recursos como munições, combustível e armadura do helicóptero, forçando-nos a procurar no campo de batalha por esses “mantimentos”. A outra diferença está também na câmara que deixou de ser isométrica, porém continua com uma perspectiva muito parecida, mantendo assim a mesma identidade à série. Neste jogo também deixou de acontecer o nosso helicóptero perder-se de vista por detrás de algum edifício alto, pois ele sobe e desce dinamicamente, deixando assim de ser possível embater nesses edifícios também.

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Como sempre, as missões devem ser jogadas pela ordem atribuída, por razões estratégicas

Graficamente não é o jogo mais impressionante de sempre, os modelos em 3D poligonal são simples e eficazes, já os bonequinhos que representam humanos parecem-me directamente retirados dos clássicos da Mega Drive. O fundo de cada nível tem boas texturas, tendo supostamente sido criados com recurso a imagens reais retiradas por satélite. A inteligência artificial dos inimigos também me parece boa tendo em conta os jogos anteriores. Aqui os inimigos são mais eficazes nas suas emboscadas e é frequente sermos “sodomizados à bruta” pelos veículos armados inimigos, em especial nos últimos níveis. As músicas é que me deixam um pouco de pé atrás, mais na sua qualidade, visto algumas mais parecerem chiptune do que propriamente red book audio. O jogo está também repleto de várias cutscenes em full motion video, que comparando com a versão Playstation ficam um bocadinho a desejar na qualidade, fruto de a Sega Saturn não ter nativamente codecs vídeo tão bons assim. Essas cutscenes existem em demasia, antes de cada nível, depois, e mesmo durante, ao completar algumas missões ou em acontecimentos chave. E isso até nem me chatearia, se eu não achasse todos os diálogos, ou as representações dos actores muito cheesy e over the top. Preferia de longe as coisas mais “terra-a-terra” e simplificadas dos primeiros jogos. Aqui a trama acaba por ficar mais confusa mesmo por causa de todas essas cutscenes exageradas.

Mas ainda assim, apesar de ter alguns defeitos, Soviet Strike não deixa de ser um jogo bastante sólido e quem gostou dos clássicos de 16bit certamente não irá desgostar deste novo jogo. Depois do Soviet Strike a EA ainda lançou cá para fora o Nuclear Strike, que nas consolas apenas abrangiu a Playstation e a Nintendo 64. Tenho pena de a série não ter continuado (sem contar com uma conversão do Desert Strike para a Gameboy Advance), mas vindo da Electronic Arts tenho muito receio de uma eventual sequela vinda por eles.

Medal of Honor Underground (Sony Playstation)

Medal of Honor UndergroundO Medal of Honor original, também lançado para a PS1 foi uma lufada de ar fresco nos FPS por alturas em que saiu, atingindo assim um sucesso considerável para que no ano seguinte este MoH Underground acabasse por sair para o mercado, bem como no futuro ainda despoletou uma nova “moda” de shooters sobre a 2a Guerra Mundial, incluindo a série Call of Duty, ou o actual FIFA/PES Militar como lhe gosto de chamar. Tal como Medal of Honor, este MoH Underground também entrou na minha colecção após ter sido comprado ao Mike do blog Gamechest (vão ali aos links na parte direita!) por 2.5€. Apesar de ser a versão platinum, que não levo a mal na PS1, está completo e em bom estado.

Medal of Honor Underground - Sony Playstation
Jogo completo com caixa e manual, versão platinum.

O jogo anterior colocava Jimmy Patterson, como agente da OSS a lutar pelos aliados em diversas missões de infiltramento e sabotagem ao longo de vários teatros de guerra na europa. Antes de cada nível, recebíamos um ligeiro briefing de uma tal Manon Batiste, membro da Resistência Francesa e também da OSS. E é essa Manon Batiste com que jogamos este jogo, onde mais uma vez teremos várias missões de sabotagem por essa europa fora (e Norte de África também), culminando na liberação de Paris, repleta de confrontos “rua a rua”. No final do jogo, ainda podemos jogar uma missão bónus composta por 3 níveis, em que voltamos a encarnar no Jimmy Patterson. Essa missão é completamente hilariante e não tem nada a ver com qualquer evento histórico, sendo talvez uma sátira ao clássico Wolfenstein 3D. Aí temos de investigar um antigo castelo no meio das florestas alemãs que serviu de base para um cientista nazi realizar as suas experiências. Já estão a ver no que isto vai dar, não estão? O resultado é hilariante, com cães dançantes, outros equipados com metralhadoras ou a conduzir half-tracks, soldados zombies, mecânicos ou mesmo armaduras medievais animadas.

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As velhas catacumbas que serviam de base para a resistência francesa são um dos primeiros cenários que exploramos

Os controlos são os mesmos do jogo anterior, onde temos um esquema por defeito algo arcaico, mas é possível optar entre vários outros esquemas de controlo que melhor se adequam aos shooters modernos nas consolas. O jogo continua também sem uma mira, a menos que apertemos o botão para mirar. Aí surge uma mira no centro do ecrã, que por sua vez fica estático, e apenas podemos mover a mira livremente. Isto não é um aiming down the sights, e este esquema para ter maior precisão apesar de ser mais realista, o facto de termos de estar estáticos não é uma vantagem. De resto, a nível de novidades temos o facto de podermos utilizar alguns veículos, uma das missões andamos num sidecar de uma moto, onde podemos disparar uma metralhadora pesada com munição infinita, por outro lado nalgumas missões de infiltração e sabotagem temos mais uma vez de utilizar artimanhas para passar despercebidos. No jogo anterior tinhamos de nos apropriar das id’s de alguns oficiais nazis, desta vez Manon assume o papel de uma repórter de guerra alemã, equipada com uma máquina fotográfica que podemos até utilizar para fotografar nazis em poses estúpidas.

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A máquina fotográfica é aqui utilizada como ferramenta de infiltração e para tira fotos a nazis em fotos idiotas.

Visualmente é um jogo bem competente tal como a prequela. Os cenários são bastante variados, com a aventura a começar por catacumbas francesas, passando pelo norte de áfrica, grécia e os seus monumentos históricos, o monte Cassino em Itália, instalações de produção de mísseis V1, ou o regresso a Paris para a sua Liberação, onde locais como o Moulain Rouge podem ser observados. O detalhe gráfico é óptimo tendo em conta o hardware da Playstation. No entanto, como utiliza o mesmo motor gráfico do seu antecessor, o jogo herda também os seus defeitos. A draw distance em locais mais abertos pode ser traiçoeira, pois numa questão de passos deixamos de ver inimigos, mas eles nem por isso deixam de nos ver, e apesar de me ter parecido melhor neste aspecto, ainda presenciei alguns problemas de clipping que sinceramente não me incomodam assim tanto, eram coisas banais na era dos 32-bits. A inteligência artificial mais uma vez tem os seus altos e baixos, com os inimigos capazes de nos emboscar em algumas situações, noutras apenas correm para nós, noutras ainda mais bizarras ficam a correr em círculos sem sequer disparar.

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Exemplo de algum do artwork que podemos desbloquear

Mas o trabalho de audio está mais uma vez de parabéns. Já o jogo anterior tinha excelente voice-acting para a época, os efeitos sonoros também muito bons e a banda sonora épica foi algo bem cinemático, novidades bem agradáveis para a altura. Esta sequela mantém o mesmo padrão de qualidade em todos esses campos. Para além da música e dos efeitos sonoros das armas, o ruído de fundo em vários níveis está também muito bem implementado.

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Podemos desbloquear algumas personagens invulgares para o Multiplayer

De resto, fica apenas faltar mencionar o modo multiplayer existente neste jogo e os extras que podemos desbloquear. Falando do primeiro, este consiste num deathmatch para 2 jogadores em split-screen, onde dispomos de vários níveis para jogar e algumas opções para customizar, a sua maioria limites de tempo. Em relação aos extras, para além de desbloquear a missão secreta com Jimmy Patterson, podemos desbloquear vários cheat codes, personagens extra para o multiplayer e material do making-of do jogo, nomeadamente artwork. Também podemos rever os clips de vídeo utilizados no jogo, com várias cenas de documentários da 2a Guerra Mundial.

Assim sendo, Medal of Honor Underground é um óptimo jogo tendo em conta o hardware da PS1. O original foi excelente e revolucionário, este utiliza a mesma fórmula, introduzindo apenas uma ou outra novidade. Mas não deixa de ser um óptimo FPS no catálogo da PS1.

Medal of Honor (Sony Playstation)

Medal of HonorDe volta para a 32bit da Sony para mais um clássico. Poderei estar errado, mas entre Medal of Honor e o primeirinho FPS que realmente pode ser chamado por esse nome, o Wolfenstein 3D, houve um grande vazio de jogos deste calibre sobre a 2a Guerra Mundial. Mas ao contrário de Wolf3D que já entrava no campo da ficção científica, este foi o primeiro jogo que tentou dar um toque mais realista e histórico ao género, tendo impulsionado uma série de sequelas e outros jogos que o imitaram, como a série Call of Duty nos primeiros jogos. É certo que mantém o estilo old-school de um soldado contra centenas de inimigos, mas as armas, uniformes e todo o background foram sem dúvida bem mais fiéis à realidade e uma lufada de ar fresco nos FPS. A minha versão do jogo, apesar de ser platinum, está completa e em bom estado, tendo sido comprada em conjunto com a sequela Medal of Honor Underground ao meu amigo Mike do blog Gamechest por 2.5€ cada.

Medal of Honor - Sony Playstation
Jogo em versão Platinum, completo com caixa e manual.

O jogo coloca-nos no papel de Jimmy Patterson, um agente norte-americano do grupo OSS (Office of Strategic Services), uma agência de espionagem formada em alturas da 2a Guerra Mundial, que mais tarde veio dar origem à CIA. Assim sendo, vamos poder jogar em várias missões sempre com objectivos de sabotar instalações nazis e recolher evidências das suas operações secretas, ao longo de vários anos e em vários locais da Europa também. Antes de cada missão principal vamos tendo briefings sobre as mesmas, acompanhados de várias imagens e vídeos de acontecimentos da WW2 a passarem em background. Isto foi mais um toque revolucionário, pois a menos que esteja enganado, nunca tinha sido feito antes num videojogo. Ainda assim, cada missão principal está dividida em vários níveis, cujos também têm um pequeno briefing apresentado pela Manon, uma jovem pertencente à Resistência Francesa, que por sua vez será a protagonista da sequela deste jogo – Medal of Honor Underground.

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Manon, a jovem francesa que jogaremos no jogo seguinte

O jogo dispõe de vários esquemas predefinidos de controlo, mas infelizmente nenhum semelhante ao que utilizamos hoje em dia regularmente nos FPS em consolas. Mas há um ou outro que anda lá perto, trocando apenas o gatilho para disparar. Uma opção para customizarmos os controlos à nossa medida seria benvinda, mas não está nada mau assim. Talvez para simular algum realismo, não existe uma mira no ecrã, pelo menos não enquanto não apertamos o botão para mirar. Ao contrário dos Aiming down the sights que vemos nos FPS actuais, simplesmente aparece uma mira no ecrã que a podemos controlar livremente, sob pena de não nos podermos movimentar ou movimentar a câmara. Mas não era só aqui que Medal of Honor se tentava diferenciar dos demais.

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No final de cada nível, a nossa performance é avaliada.

A jogabilidade possuia outras coisas interessantes. Numa das missões, em que temos de nos infiltrar num local vigiado por oficiais nazis, somos obrigados a ter uma postura mais stealth, e frequentemente roubar documentos a oficiais para passar em checkpoints por outros guardas de forma a entrar noutras áreas. Envergar uma arma nessas situações é sempre suspeito, e os inimigos devem ser mortos discretamente. De resto a inteligência artifical deles tanto é capaz do melhor como do pior. Muitos inimigos são pouco agressivos, mas em especial nos últimos níveis vamos enfrentar algumas tropas de elite e estes já adoptam tácticas bem mais agressivas. Alguns inimigos podem-nos flanquear em pincer movements, atirar as nossas granadas de volta ou mesmo até se sacrificarem para proteger os colegas, atirando-se para cima de uma granada prestes a rebentar. Por outro lado, há nazis que estão cerca de 10 metros de distância uns dos outros e nem por isso reagem à morte dos colegas, ficando estáticos à espera de levar um tiro.

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Se deixarmos o jogo em standby durante algum tempo no ecrã inicial, teremos um engraçado tutorial de alemão/inglês. Papers please!

De resto, tal como disse anteriormente, este jogo é bem mais fiel à temática da segunda guerra mundial do que todos os outros jogos que tinham saído até à data. As armas que podemos equipar são armas da época, desde revólveres, rifles, várias metralhadoras e artilharia mais pesada como a Bazooka, ou granadas americanas e nazis. As munições existem em grande quantidade, assim como os medkits para nos curar, e ao contrário dos jogos modernos, podemos carregar connosco um autêntico arsenal. Os níveis também vão sendo bastante variados, decorrendo em cidades e diversas instalações nazis, como fábricas de produção dos mísseis V1 e V2, ou o laboratório de investigação atómica em plena Noruega gélida. Os modelos poligonais de todos os intervenientes estão bem representados, e um efeito gráfico que eu gostei especialmente é o das balas a serem disparadas. As animações também estão interessantes, embora por vezes sejam um pouco exageradas, especialmente quando algum soldado morre.

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Explodir com coisas é algo que faremos frequentemente

Apesar de tudo isto ser graficamente impressionante tendo em conta o hardware, o jogo tem também alguns defeitos gráficos. Em primeiro lugar a draw distance é um pouco curta. Isto porque por vezes os inimigos conseguem disparar para nós em distâncias em que não os conseguimos ver, bastando dar mais um ou dois passos para a frente para que finalmente se tornem visíveis. Há também vários problemas de clipping, especialmente em edifícios. É bastante comum ver-se braços ou armas dos inimigos a atravessarem as paredes ou o tecto de uma casa, estragando por completo esse factor surpresa. O som parece-me estar excelente, desde o barulho das armas, o excelente voice acting e a música repleta de orquestrações épicas, que marcaram todo um género que surgiu com este jogo.

Podemos também desbloquear uma série de prémios. Para além de pequenos vídeos documentários que mostram alguma footage da 2a Guerra Mundial, podemos também desbloquear diverso artwork utilizado no jogo, cheat codes, e personagens para utilizar na vertente multiplayer. Sim, o jogo possui um pequeno modo multiplayer para 2 jogadores em split screen, mas no entanto apenas possui o tradicional deathmatch.

O nome de Steven Spielberg como surge produtor, pelo menos da história do jogo. Se realmente a desenvolveu ou não, isso já não sei. Mas após o sucesso do filme Saving Private Ryan, é perfeitamente natural que a EA quisesse capitalizar o sucesso desse filme ao associar o nome do famoso realizador a este jogo. E apesar de não ser um jogo tão cinemático como muitos outros que lhe surgiram, não deixa de ser um jogo bastante épico para a altura em que saiu. Recomendo vivamente.

Battlefield 2: Modern Combat (Sony Playstation 2)

Battlefield 2 Modern CombatMais tarde ou mais cedo hei-de escrever sobre o Battlefield 3, um dos melhores FPS com uma vertente multiplayer que já tive o prazer de jogar. Mas enquanto esse dia não chega vou escrever sobre a primeira incursão de um jogo da conhecida franchise nas consolas, nomeadamente este mesmo Battlefield 2: Modern Combat. Tal como o nome indica este jogo abandonou a temática da 2a Guerra Mundial, na qual os primeiros jogos da série se focaram, passando para a era actual. E ao contrário dos jogos no PC, este aqui inclui também um modo campanha single player, embora não seja grande coisa. E este jogo entrou na minha colecção algures no verão de 2013, após uma ida à feira da Ladra em Lisboa, pela módica quantia de 1€. Está completo e em excelente estado.

Battlefield 2 Modern Combat (Sony Playstation 2)
Jogo completo com caixa e manual

A campanha tem uma história muito estranha e confusa. Essencialmente coloca-nos no meio de um confronto entre forças da NATO e o exército Chinês, em pleno solo do Cazaquistão. Ao longo da campanha iremos alternar entre ambos os exércitos, onde entre cada missão somos também presenteados com os noticiários norte-americano e chinês, cada qual a contar a história do conflito da maneira que melhor lhes convém. O certo é que esse mesmo conflito é bastante confuso, mas lá para o final lá se vem a descobrir que afinal andavam terroristas metidos ao barulho, como não poderia deixar de ser.

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As classes com que podemos jogar e o seu equipamento que vamos desbloqueando

Mas a jogabilidade tem algumas ideias muito interessantes. Começamos cada missão como um determinado soldado, mas podemos alternar entre os restantes companheiros no campo de batalha sempre que o quisermos, bastando olhar para eles até que o seu identificador que paira sobre as suas cabelas se ilumine. Aí é só carregar no quadrado do comando que o passamos a controlar. E a ideia é mesmo ir fazendo isso ao longo do jogo. Tanto podemos jogar com tropas de assalto para matar infantaria inimiga, como depois passar para um engineer equipado com um rocket launcher para atacar veículos inimigos, ou para um sniper numa outra posição estratégica, ou mesmo para algum veículo como um tanque ou helicóptero. Como já devem ter percebido a infantaria está dividida em várias classes como é habitual nos Battlefield. Soldados de assalto, snipers, engineers e suporte, cada qual com as suas armas e geringonças, por exemplo os snipers podem identificar alvos inimigos a uma grande distância, para que apareçam no mapa a toda as nossas tropas, os engineers podem reparar ou destruír veículos e por aí fora.

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Mesmo as turrets têm munição limitada. Teremos de esperar algum tempo para voltar a ter munições

Este mecanismo do hotswap é uma excelente ideia, infelizmente a sua execução não é a melhor. As missões são passadas em mapas grandinhos, com objectivos próprios, seja fazer reconhecimento a certos locais, destruir outros, ou mesmo tomar de assalto algumas posições e defendê-las. Isto requer uma componente estratégica e infelizmente a inteligência artificial não dá conta do recado como deveria. Pelo menos falando na versão PS2, não sei se as versões Xbox e X360 são assim. Assim sendo, com a IA não tão eficiente como seria suposto, era bom que pudéssemos comandar algumas tropas para fazer o que quiséssemos, um esquema como o de Battalion Wars seria muito interessante. E o facto de apenas podermos fazer hotswap para as tropas que estejam visíveis no mapa também é um ponto que poderia ser modificado. Uma opção de abrir o mapa geral da missão e seleccionar a tropa/veículo para trocar deveria ter sido implementada.

Na maioria das missões vamos tendo reforços a chegar constantemente de pára-quedas, pelo que mesmo que alguns soldados nossos morram, reforços acabarão por chegar. Ainda assim, há outras missões com um número limitado de tropas e veículos, e deixá-las todas morrer é sinal de repetir a missão. Infelizmente as tropas inimigas também vão fazendo respawn em várias missões, pelo que tal como um jogo multiplayer se tratasse, ficar muito tempo no mesmo sítio não é uma boa política. A jogabilidade também é um pouco arcade e menos realista do que habitual na série. Por exemplo, é possível matar tropas com um tiro certeiro de shotgun, mesmo que estejam a uma distância considerável. A gravidade das balas nos snipers também é algo que não entra na equação e depois o sistema de pontuação que nos premeia com medalhas sempre que fazemos algumas combos, ou matamos vários inimigos com as mesmas armas/classe, é algo que também contribui para esta jogabilidade quase arcade.

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Existem vários veículos que podemos manobrar, mesmo barcos.

No final de cada missão os pontos amealhados, as medalhas, o tempo da missão e as casualidades entram nas contas para um ranking final. Ao subir de ranking, tal como os outros Battlefields, vamos podendo desbloquear várias armas/equipamentos para as 4 classes de infantaria, ou upgrades para as armas que já tivermos. Para além do mais desbloqueamos alguns desafios que poderemos jogar mais tarde, também em single player. Esses desafios são mesmo como o nome indica: desafios.  Alguns requerem que façamos o hotswap de soldados do ponto A ao ponto B no menor tempo e número possível, outros são corridas com os veículos ou mesmo desafios para testar a nossa habilidade com algumas armas. Também aqui a nossa performance é recompensada em medalhas para subir no ranking.

Mas Battlefield é maioritariamente uma experiência multiplayer. E aqui inclui-se uma vertente multiplayer online com capacidade para até 26 jogadores, nos modos de jogo Conquest, onde temos de conquistar e defender algumas posições em mapas grandinhos, ou o Capture the Flag, que dispensa apresentações, apesar de decorrerem em mapas mais pequenos. Até há bem pouco tempo ainda haviam servidores online em vários jogos de PS2, mas infelizmente desde que me mudei para Lisboa que deixei de poder ligar a minha PS2 à rede, pelo que nem sequer experimentei esta vertente. Aparentemente teria tudo para ser um bom jogo. Por outro lado não dá para jogar localmente em split screen, o que é pena, mas até é compreensível que a PS2 tenha alguns problemas de performance em renderizar mapas grandes várias vezes, e jogar Battlefield com 2 jogadores e bots, não é a mesma coisa.

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Apesar de ser um pouco “arcade”, entrar à Rambo nem sempre é a melhor solução

Graficamente não achei o jogo nada de especial, as texturas são pobres, os modelos de soldados e veículos apresentam pouco detalhe, mas tendo em conta o tamanho dos mapas, sem loadings intermédios e a quantidade de veículos e tropas inimigas no ecrã por vezes, acabam por justificar o porquê de os visuais no geral não serem nada por aí além. Os efeitos sonoros, voice acting e a tradicional música mais militar também foram coisas que me pareceram medianas, cumprem o seu propósito, mas não são por si só memoráveis.

Assim sendo apenas consigo recomendar este jogo aos mais entusiastas de FPS. Não sei se o online ainda está activo, se o tiver, é bem possível que este jogo seja bem divertido. Para quem for a jogar sozinho, existem na PS2 shooters militares na era moderna bem melhores. Black, por exemplo. O esquema de hotswap é a meu ver uma ideia excelente, mas ainda poderia ser bem mais polida.

Dragon Age II (PC)

Dragon_Age_2_coverDe volta para os RPGs ocidentais, com este Dragon Age II da Bioware, o mesmo estúdio que nos trouxe coisinhas como Baldur’s Gate, Neverwinter Nights, ou os recentes Mass Effect, entre muitos outros bons jogos. Dragon Age II começa por decorrer ao mesmo tempo de Dragon Age Origins, com a história a posteriormente a enveredar ao longo de vários anos separados por diferentes actos. É um RPG que trouxe muitas mudanças na jogabilidade, umas benvindas, outras que simplificaram demasiado as coisas. A minha cópia foi comprada algures numa GAME, penso que em 2011 ou 2012, tendo-me custado uns 7€ na altura.

Dragon Age II - PC
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Dragon Age II começa em plena Blight dos jogos anteriores, onde forças do inferno (Darkspawn) invadiram a nação de Ferelden e os Grey Wardens, heróis do primeiro jogo da série acabaram por derrotar. O jogador encarna então num dos membros da família Hawke, nomeadamente o irmão ou irmã mais velha, quando os 3, mais a sua mãe tentam escapar de Lothering, numa altura em que a vila estava a ser invadida pelos Darkspawn. Após alguns acontecimentos que prefiro não divulgar, a família Hawke encontra-se então às portas de Kirkwall, uma grande cidade nas The Free Marches, à procura de refúgio pelos familiares de Hawke que lá habitavam. Acontece que desses familiares apenas sobra Gamlen, tio de Hawke, que perdeu toda a sua fortuna. Assim sendo, entrar na cidade cheia de refugiados de Ferelden não é nada fácil. A única maneira em que Hawke e toda a sua família consiga entrar em Kirkwall é necessário que se junte a um de dois grupos de mercenários ou contrabandistas e que trabalhe para eles ao longo de um ano. Após essa escolha, entramos directamente no primeiro acto, um ano após a família Hawke ter aparecido em Kirkwall, e já com a sua dívida saldada. Ao contrário do jogo anterior, não existe uma storyline tão épica, a Blight dos Darkspawn já se foi, e a história terá uma incidência mais pessoal, no meio dos conflitos políticos/sóciológicos e religiosos que Kirkwall enfrenta. Cada acto tem uma espécie de trama-chave: o primeiro Acto consiste em Hawke e companhia conhecerem Varric, um dwarf sem barba e com um carácter aparentemente duvidoso, que os convence a ir na excursão junto do seu irmão aos túneis das “The Deep Roads”, outrora repletos de Darkspawn, agora perfeitos para salteadores recolherem os seus tesouros. O segundo acto já coloca Hawke no meio de um conflito político entre os habitantes de Kirkwall e os Qunari ali refugiados (raça essa que aproveito para referir que ficou muito melhor representada do que no primeiro jogo). O terceiro e último acto culmina nos atritos entre os Mages do Círculo e os Templários que os reprimem cada vez mais. Aí o jogador terá imperetrívelmente de optar entre um lado ou outro, o que levará a acontecimentos que deixam o futuro da série completamente em aberto para o próximo jogo.

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Ecrã inicial de escolha de género e classe (mage, rogue e warrior)

Mas passemos à jogabilidade, que a meu ver foi muito simplificada face ao primeiro jogo. As batalhas herdam o mesmo esquema táctico do jogo anterior, com uma vantagem de serem muito mais fluídas e dinâmicas. As skills também adoptaram um sistema em árvore, onde podíamos escolher umas habilidades em detrimento de outras, oferecendo também um maior número de árvores e outras especializações para desbloquear… para a personagem principal. E esta é uma das minhas maiores queixas. A customização do jogo centra-se muito na personagem principal e não nos restantes elementos do grupo. Para além de terem um grupo limitado de skills, não é possível equipar nas outras personagens quaisquer armaduras diferentes, apenas, armas e acessórios. Outra simplificação que não me agradou foi o sistema de crafting presente no jogo. Anteriormente teriamos de comprar ou encontrar os diversos ingredientes (e receitas) necessários à criação das variadas poções, venenos ou runas para encantar armas e armaduras, sendo que apenas algumas personagens, mediante os seus níveis nas diferentes skills de crafting, poderiam produzir os ditos items novos. Aqui basta comprar ou encontrar as receitas, e descobrir os recursos naturais desses ingredientes espalhados ao longo do jogo. Posteriormente podem-se encomendar em várias lojas os items dos quais já descobrimos a receita e recursos necessários.

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Os romances levam a cenas deste género, nada ao nível de um The Witcher

O sistema de amizades e romance do primeiro jogo foi também simplificado. Com base nas nossas escolhas nos vários diálogos, vamos ganhando amizade ou rivalidade com os restantes elementos da equipa. Com um valor de amizade muito alto, desbloqueamos uma skill própria. O mesmo pode ser dito para valores de rivalidade. Neste jogo, ser rival até não é uma coisa má de todo pois algumas personagens apenas abandonam o grupo mediante algumas escolhas chave nas suas quests pessoais – e é preciso ser muito noob não adivinhar que essas escolhas vão dar asneira. O sistema de romance também está um pouco diferente, pois aqui não existem gifts que possamos oferecer, pelo menos não como anteriormente. As gifts aqui são items chave que desbloqueiam algumas quests pessoais (geralmente apenas diálogos que servem para aumentar/diminuir a amizade/rivalidade e romance), ou então updates às armaduras das personagens. E falando nos diálogos, agora cada escolha está representada por um item, utilizando o mesmo mecanismo dos Mass Effect. Geralmente temos as 3 opções básicas: respostas politicamente correctas e educadas, respostas em tom de gozo, seja sarcasmo ou não, ou respostas agressivas. No entanto existem outros ícones que simbolizam o conflito directo (partindo para o ataque), ícones positivos ou negativos para romance, entre outros. Na minha opinião isto tornou as consequências das nossas acções mais óbvias, o que nem sempre é bom. Mas um detalhe em particular eu achei interessante com este esquema: a personalidade de Hawke vai mudando mediante a quantidade de vezes que utilizamos diálogos diplomáticos/gozões/agressivos, gerando diferentes diálogos à medida em que o jogo se vai desenrolando. Outra introdução interessante, certamente inspirada pelo Mass Effect, consiste em importar o save do Dragon Age Origins e Awakening antes de iniciar a aventura. Mediante as nossas acções nos 2 primeiros jogos, isso influenciará muitos dos diálogos, e acima de tudo algumas das quests secundárias que poderemos ter. Infelizmente eu apaguei os meus saves antes de começar este jogo, pelo que tive de escolher um dos 3 diferentes backgrounds que a Bioware nos oferece. Mais uma vez, cada um com algumas quests próprias. E também mais uma vez, as escolhas que fazemos neste jogo poderão ter consequências drásticas, para vários elementos do grupo e não só.

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Os diálogos que os membros do grupo vão tendo aleatoriamente são geralmente cómicos

Graficamente o jogo é superior aos seus predecessores, e noto uma benvinda evolução na variedade de diferentes caras que podemos encontrar. Desta vez os NPCs não são quase todos iguais entre si, existem várias semelhanças, o que é normal, mas não tão gritantes como nos jogos anteriores. Algumas raças também sofreram redesigns que gostei bastante, principalmente os Qunari, agora bem mais intimidadores. O mesmo pode ser dito dos Elfos que estão agradavelmente diferentes. Infelizmente os elogios terminam aqui por uma razão muito simples: a falta de variedade. O jogo decorre sempre à volta de Kirkwall e arredores imediatos, enquanto no DA: Origins tinhamos uma inteira região de Ferelden para explorar. E embora os cenários que existem estão bem representados, bem como o sistema dia/noite para Kirkwall é benvindo, infelizmente há muitas coisas que se tornam repetitivas. O interior de todas as mansões seguem sempre o mesmo design, não deixa de ser cómico que por exemplo a mansão de Fenris, mesmo vários anos depois de ser “conquistada”, os cadáveres e estragos gerais se mantêm visíveis. Existe também uma pouca variedade das dungeons que iremos explorar, seguindo todas um número reduzido de padrões. No entanto, o voice acting continua muito bom, os diálogos são muito agradáveis de se ouvir, principalmente pelo facto de o herói não ser mudo, o que lhe contribui imenso para o seu carácter. As diferenças de personalidade entre os vários elementos que vão entrando para o grupo servem também para apimentar todas as conversas, e isso é algo que a Bioware sabe fazer bem.

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O sistema de combate é muito semelhante ao anterior, onde podemos atribuir comportamentos tácticos aos companheiros

No fim de contas, que o artigo já vai algo longo e ainda muito haveria para dizer, acho que o Dragon Age II dá a sensação de ter sido um jogo feito muito apressadamente, o que pelos vistos realmente foi o que aconteceu. O sistema de combate mais dinâmico e rápido é muito benvindo, o carisma de todas as personagens principais, especialmente o do herói continua muito bem implementado e até está uns pontos acima dos jogos anteriores, mas de resto as coisas foram demasiado simplificadas. Desde as várias quests secundárias que são bastante simples, ao não existente sistema de crafting, customização das personagens muito mais simplificada, e uns visuais muito pouco variados, tornam Dragon Age II numa sequela com altos e baixos bastante notórios. A própria história está demasiado fragmentada nos diferentes actos, embora confesso que o último Acto, em especial as batalhas finais foram bem conseguidos e lançaram o mundo de Thedas num caos interessante de explorar. Fico a aguardar o novo jogo da série, onde espero sinceramente que tenham melhorado estes pontos e se possível que tenhamos a possibilidade de explorar melhor outras regiões e culturas de Thedas, nomeadamente os Qunari e os Tevinters.