Urban Chaos: Riot Response (Sony Playstation 2)

Urban Chaos Riot ResponseUrban Chaos: Riot Response é um videojogo da Rocksteady Studios (os mesmos que desenvolveram recentemente os Batman Arkham Asylum e City) lançado em 2006 para a Playstation 2 e Xbox original. Com um lançamento já algo tardio no ciclo de vida destas plataformas, acabou por ser um jogo que passou debaixo do radar de muita gente, o que é pena, visto ser um FPS de altíssimo nível (embora tenha as suas falhas). A minha cópia chegou-me às mãos algures durante o ano de 2012, tendo sido comprada na loja portuense TVGames e custando-me 6€, se a memória não me falha.

Urban Chaos Riot Response - Sony Playstation 2
Jogo completo com caixa, manuais e papelada. Infelizmente tem algumas etiquetas e marcas que algumas lojas teimam em fazer sabe-se lá porquê.

A história não tem nada de complexo. Encarnamos em Nick Mason, membro da polícia de intervenção T-Zero de uma qualquer grande cidade norte-americana. Inicialmente a população dessa cidade não gostou da grande despesa pública utilizada na criação de uma polícia tão fortemente armada, mas eis que uma grande vaga de criminalização surgiu por intermédio de um enorme gang armado – os Burners – que foram espalhando o caos e destruição e a intervenção dos T-Zero foi finalmente necessária. De resto a história vai evoluindo com outras teorias de conspiração que o presidente da câmara local ou outra grande empresa estariam por detrás do aparecimento dos Burners, mas nada de complexo.

Mas é na jogabilidade que este jogo marca realmente muitos pontos, misturando um pouco conceitos de FPS modernos com os da velha guarda e acrescentando um sabor em especial com toda a parafernália de uma polícia de choque urbana. O jogo está dividido em capítulos que decorrem em localidades diferentes da cidade. No que diz respeito aos conceitos modernos, eu diria que Urban Chaos: Riot Response os tem na medida em que cada nível é guiado por objectivos, está dividido por checkpoints, e possui uma interessante componente de co-operação com bombeiros e paramédicos. Podemos comandar um bombeiro de forma a desobstruir alguns caminhos, apagar fogos, ou carregar vítimas. Já os paramédicos (ou diria melhor a paramédica), pode ser comandada para prestar socorro a vítimas, ou providenciar primeiros socorros ao jogador. Ao contrário de muitos outros FPS modernos, este não tem um sistema de regeneração automático de vida, nem usa medkits encontrados ao longo do jogo. Terá de ser a paramédica a prestar os socorros ao jogador quando solicitada, podendo fornecer “painkillers” ou lá o que sejam por 3x ao longo do nível ou entre alguns checkpoints. Assim sendo é necessário jogar com algum cuidado pois recuperar a saúde nem sempre será possível. E para ajudar Nick Mason, podemos equipar um forte escudo policial, com que nos podemos proteger de virtualmente todo o fogo inimigo frontal. E é aqui que entra a vertente mais old-school ou mesmo arcade do jogo, a violência desenfreada. Ao contrário de outros jogos, não há um limite de armas que possamos carregar. Começamos inicialmente com uma pistola e nada mais, mas vamos adquirindo um arsenal mais vasto, desde shotguns, metralhadoras, vários tipos de granadas e armas brancas/cocktails molotov utilizadas originalmente pelos Burners. Para além do arsenal mortífero, existem também algumas armas não letais, como tasers poderosos ou um tipo específico de granada não letal. E porque carga d’água é que haveriamos de querer utilizar armas não letais naquela bandidagem? Pelos objectivos secundários que cada nível possui e suas recompensas.

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Usar as armas dos Burners contra eles próprios por vezes pode ter este efeito.

Para além dos objectivos principais que levam à conclusão de cada nível, existem uma série de outros objectivos secundários que, uma vez obtidos, levam à atribuição de medalhas que por sua vez desbloqueiam outros goodies como novas armas e diversos upgrades às armas já existentes no arsenal de Nick Mason. Ora esses objectivos especiais consistem em neutralizar um certo número de bandidos em cada nível, obter uns quantos headshots, não morrer nenhuma vez no nível ou descobrir uma série de máscaras utilizadas pelos burners espalhadas ao longo de cada nível. Um outro objectivo especial que nem sempre é necessário é o de neutralizar um líder do gang de forma a obter novas informações que desbloqueiam níveis especiais, os ditos Emergencies. Estes níveis adicionais são essencialmente corridas contra o relógio, onde temos de cumprir os seus objectivos num determinado intervalo de tempo. Tanto os níveis normais, como emergências também têm as suas próprias medalhas para obter, em todos os diferentes graus de dificuldade, totalizando em 204 medalhas e imensos upgrades e novo material.

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Alternar rapidamente entre o escudo e a arma é muitas vezes a chave para alguns tiroteios mais apertados

Depois não posso deixar de referir a jogabilidade visceral que o jogo oferece. Os controlos são bons, com os analógicos a serem utilizados para movimentação e activar o ironsight, o direccionais para ordernar os nossos companheiros, os faciais para alternar entre armas de fogo, melee ou armas não-letais e por fim os botões de cabeceira para as armas e escudo. Apenas sinto falta de um botão para correr, é o que sinto mesmo falta num jogo tão caótico e frenético como este. Sim, porque os Burners acabam por aparecer em todo o lado, insultando-nos do piorio e atirando com cutelos do talho e cocktails molotov, coisa que nós podemos retribuir com carinho. Ou então mandar-lhes com o escudo policial na cara, mesmo com manda a lei. Por fim, enchê-los de chumbo, como é sempre agradável. Em algumas alturas matamos um bandido de uma forma mais aparatosa, o que é acompanhada um momento em câmara lenta. Infelizmente esse “charme” inicial vai desaparecendo, acabando por ser uma situação algo repetitiva. Outra mecânica de jogo interessante e que infelizmente também vai ficando repetitiva são as situaçõesde reféns. Por vezes encontramos um Burner que utiliza um inocente como escudo humano, atirando constantemente em nós e ameaçando para não nos aproximarmos. A táctica? Utilizar o escudo e ir perseguindo o bandido e refém lentamente, na altura em que o bandido precisa de recarregar, a acção passa a ficar momentâneamente em câmara lenta e temos de aproveitar esse espaço para disparar.

É engraçado ver as marcas das balas marcadas no escudo. Infelizmente ele é practicamente indestrutível, já que até aguenta com rockets
É engraçado ver as marcas das balas marcadas no escudo. Infelizmente ele é practicamente indestrutível, já que até aguenta com rockets

Há também algumas partes que me fizeram lembrar o saudoso Gunblaze N.Y. da Sega para as arcades, onde estamos a bordo de um helicóptero munidos de uma chaingun a arrebentar com tudo. Para além da campanha single-player o jogo oferece 2 modos multiplayer, mas infelizmente nenhum deles é o bom velho splitscreen. É então possível jogar com um total de 8 jogadores, sejam em partidas LAN sejam online. Algures no ano passado andei a passar a pente fino todos os jogos online que eu tinha de PS2 na altura, e este Urban Chaos ainda tinha os seus servidores activos, apesar de estarem vazios como é óbvio. Assim sendo não deu para experimentar nenhum dos modos de jogo disponíveis, e sinceramente nem sei do que se tratam pois não há nenhuma referência sequer no manual.

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Apresento-vos Lani York, a pivot do noticiário lá do sítio que nos vai actualizando a história ao longo do jogo

Graficamente não é o jogo mais bonito de sempre, apesar de a versão Xbox ser superior. O jogo peca neste quesito por ter bandidos e demais NPCs muito semelhantes entre si, para além dos próprios níveis serem algo repetitivos por serem sempre em ambientes urbanos. Mas isso seria algo que eu à partida já estaria a contar. Mas existe algo interessante nos audiovisuais do jogo, e isso está nas cutscenes. Antes de começarmos cada nível vemos um trecho de um noticiário do canal fictício Channel 7, gravado com actores reais, que nos vai pondo ao corrente do jogo e introduz o nível seguinte também. Depois as restantes cutscenes já são in-game, utilizando o próprio motor gráfico do mesmo. O voice acting é um pouco repetitivo ao longo do jogo, com toda a gente a utilizar constantemente as mesmas falas, já nas cutscenes em vídeo achei mais convicente, assim como os outros relatos de repórteres no final de cada nível. A música tem toda uma toada rock e a música que se ouve no ecrã título do jogo é perfeitamente adequada ao contexto.

No fim de contas, apesar de ser um jogo um pouco repetitivo em alguns aspectos, acho que é francamente um FPS bastante divertido e visceral, oferecendo também um bom desafio a quem quiser coleccionar todas as medalhas de forma a obter um arsenal cada vez mais imponente. É um jogo violento sem dúvida, mas também dá meios de o jogador optar por uma jogabilidade mais defensiva e não letal, se assim o desejar. Introduz ideias e mecânicas de jogo que achei muito interessantes e por todos esses motivos acho que é um jogo que deve ser jogado por todos os que se dizem fãs de first person shooters.

Tomb Raider III (Sony Playstation)

Tomb Raider IIIO tempo para jogar tem sido bastante reduzido, assim como o tempo para escrever. Assim sendo, vou tentar focar-me em alguns artigos sobre jogos que já tenha terminado há algum tempo atrás, e deixar os restantes à medida em que for terminando o que vou jogando. O jogo que mostro hoje é o terceiro capítulo da saga Tomb Raider de Lara Croft, cujos dispensam quaisquer apresentações. A minha cópia do jogo foi comprada na saudosa loja TVGames, digo saudosa porque desde que me mudei para Lisboa que já não passo por lá. Penso que me custou algo entre 4-5€, estando o jogo completo e em bom estado.

Tomb Raider III - Sony Playstation
Jogo completo com caixa e manual

O jogo coloca Lara Croft mais uma vez à procura de artefactos valiosos, onde inicialmente somos largados em plena selva indiana, nas imediações de um templo perdido da antiga tribo Infada. A certa altura Lara cruza-se com um outro explorador, que encontra o artefacto em primeiro lugar transformando-se em seguida numa criatura sobrenatural, atacando Lara que acaba por o matar. Após este acontecimento, Lara é abordada pelo dono da empresa RX-Tech, que lhe explica a origem deste artefacto, dizendo que foi criado em conjunto com outros 3 artefactos através de um meteorito que caiu em plena Antárctida, tendo sido descoberto por tribos polinésias há muitos anos atrás. No século XIX, em viagens de Charles Darwin, descobriram os restos dessa civilização que tinha desaparecido misteriosamente, em conjunto com os 4 artefactos que, vá-se lá saber porquê, decidiram distribuí-los pelos 4 cantos do mundo. Lara decide partir à descoberta dos outros 3 artefactos e pela primeira vez o jogador pode decidir quais os locais que quer explorar em primeiro lugar.

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Watch for snake. SNAAAKE!

Assim sendo, poderemos visitar uma ilha remota no oceano pacífico, onde mais uma vez encontramos alguns bicihinhos que julgávamos extintos, Nevada e a sua Area 51, com extraterrestres a darem o ar de sua graça, Londres onde enfrentamos mais uma mega corporação com algum plano maquiavélico e, por fim, Antárctica onde tudo começou. A variedade de cenários é mais uma vez grande, assim como existem algumas evoluções na jogabilidade e nas interacções que podemos desempenhar. O esquema de controlo mantém-se fiel aos anteriores com os seus tank controls, contudo para além de já ser possível utilizar o analógico para movimentar Lara, foram-lhe adicionadas algumas novas habilidades ao seu já extenso reportório. Agora é possível fazer um sprint temporário, bem como gatinhar para aceder a locais de mais difícil acesso. O esquema de save na versão consola mudou um pouco, misturando os esquemas dos Tomb Raider anteriores. É possível fazer save a qualquer altura no jogo, mediante que tenhamos algum crystal save no inventário, que podem ser encontrados ao explorar os níveis. Para além disso, continuamos a ter imensos puzzles para resolver, os tradicionais que requerem arrastar blocos cúbicos de um lado para o outro, ou ligar interruptores/mexer alavancas que abram portas na outra ponta do nível. Cada zona tem as suas peculiaridades, nalguns locais existem cobras que se nos mordem ficamos envenenados e vamos perdendo vida enquanto não nos curarmos com um medkit, na zona do Nevada, Lara é feita prisioneira e tem de escapar da prisão sem qualquer arma – solução: libertar os outros prisioneiros para que estes ataquem os guardas ou ir percorrendo os níveis de forma mais stealth. Outras peculiaridades são os rios infestados de piranhas invencíveis, segmentos de areia movediça ou pântanos, descer rápidos com um kayak, entre outros, como conduzir uma poderosa moto4. Nos níveis da Antárctida, quando Lara mergulha nas águas geladas, para além de termos de estar atentos à tradicional barra de oxigénio,

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Neste jogo a maior parte das cutscenes deixaram de ser num CG manhoso para serem apresentadas com o próprio motor gráfico do jogo

Não deixa de ser curioso que este jogo tem algumas influências de survival horror, na altura bastante popularizado por Resident Evil. Isto acontece principalmente quando nos deparamos com os humanos mutantes que em algumas zonas ainda pregam alguns sustinhos, bem como as munições pareceram-me um pouco mais escassas que nos jogos anteriores. Também de regresso está o nível tutorial que é passado na mansão Croft, onde mais uma vez podemos praticar todos os movimentos de Lara, ao atravessar algumas pistas de obstáculos, nadar nas suas piscinas/aquários e inclusive conduzir veículos. Mais uma vez o pobre mordomo vai seguindo Lara pela casa (o que ele quer sei eu…) e desta vez existem vários locais secretos para descobrir, um deles um pequeno museu onde Lara guarda expostos os artefactos principais das 2 aventuras anteriores. Ainda assim, mesmo com todas estas pequenas inovações, Tomb Raider mantém-se fiel às suas raízes, requerindo muita exploração por parte do jogador, bem como alguma perícia para executar alguns saltos impossíveis.

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Uma parte dos níveis na Area 51 têm de ser passados sem qualquer arma

Graficamente o jogo viu algumas melhorias, os cenários na sua base ainda são muito quadrados, mas notam-se melhorias consideráveis nos efeitos de luz e de água, que estão definitivamente muito melhores que nos jogos anteriores. Lara Croft está melhor representada, onde a podemos ver com diversos outfits, mediante a localização em que se encontra. Ainda a nível gráfico, também podemos constatar que Tomb Raider III apresenta umas texturas com maior definição e qualidade, face aos jogos anteriores. Os items que podemos descobrir deixaram de ser sprites em 2D, passando a ser objectos poligonais. Infelizmente deixou de surgir no canto inferior direito do ecrã a indicação de qual foi o item que acabamos de coleccionar, o que em locais mais escuros acabou por me deixar um pouco na dúvida do que tinha encontrado. Noutra questão o controlo da câmara também melhorou, tornando também o clipping é menos abundante. No que diz respeito à vertente audio, a banda sonora mantém-se minimalista, tocando alguns excertos apenas em pontos chave do jogo, quando avançamos para um ponto crucial num nível, ou em situações de combate mais apertadas, por exemplo. Ainda assim muitos dos assets sonoros dos anteriores Tomb Raider foram utilizados, mantendo aquele clima familiar para quem já tinha jogado as prequelas. O voice acting não é nada de especial, mas era o que havia na altura.

Resumindo, Tomb Raider III é mais um jogo competente para a então popular série, que na altura já se estava a tornar num hábito, receber um novo jogo a cada ano. Apesar de a fórmula ser essencialmente a mesma, introduziram diversas novas variações na jogabilidade, mantendo o jogo algo desafiante para se concluir devido também aos seus enormes e complexos níveis.

Tomb Raider II (Sony Playstation)

Tomb Raider IICom o tremendo sucesso que Tomb Raider e mais especificamente Lara Croft obtiveram com o primeiro jogo, uma sequela seria inevitável. Desta vez o jogo foi desenvolvido de raiz para a máquina da Sony, embora inicialmente uma versão para a Sega Saturn também tinha sido planeada. Mas como a consola da Sega tinha umas severas limitações devido ao seu complexo hardware, a versão Saturn acabou por ser cancelada, bem como a Sony também se chegou à frente e assinou com a Eidos/Core um contrato de exclusividade da série Tomb Raider para os lançamentos das consolas. Contrato esse que apenas viria a ser “quebrado” com o lançamento do quarto jogo da série que acabou por sair também para a Sega Dreamcast. Mas essa será outra história. Este Tomb Raider II foi comprado algures neste ano na loja portuense TVGames tendo-me custado algo entre 4 ou 5€, não me recordo bem. Está completo e em bom estado.

Tomb Raider II
Jogo completo com caixa e manual

Mais uma vez encarnamos na aventureira Lara Croft em busca de mais um poderoso artefacto. Desta vez o escolhido é a Dagger of Xian, um punhal místico dos tempos da antiga China, que, segundo as lendas confere ao seu dono o poder de se transformar num poderoso dragão, se tiver a coragem de espetar o punhal no seu coração. Começamos então a aventura em plena grande muralha da China, num segmento repleto de armadilhas e outras emoções fortes. Lembram-se do T-Rex do primeiro jogo? Aqui poderão enfrentar 2 logo no primeiro nível. Quando Lara chega finalmente ao local onde supostamente a Dagger of Xian estaria, é confrontada por um mafioso que, no seu leito de morte, lhe diz que o seu Padrinho Marco Bartoli da Máfia de Veneza também está atrás do dito artefacto. Sem mais pistas, Lara decide então fazer uma visitinha a Veneza, onde a aventura começa realmente.

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Ecrã título do jogo. Esta imagem traz-me várias memórias, foi durante muito tempo o wallpaper do meu velho PC de guerra

Ao longo do jogo iremos visitar diversos outros locais, como uma plataforma petrolífera no meio do oceano, um navio naufragado, mosteiros tibetanos, até regressarmos novamente às profundezas da grande muralha chinesa. Ao contrário do jogo anterior, onde a maioria dos inimigos eram animais (ou criaturas sobrenaturais na parte final do jogo), aqui existem muitos mais tiroteios com inimigos humanos. Apesar de ser um jogo onde mais uma vez possui níveis grandinhos e repletos de segredos e puzzles para serem explorados, a quantidade de inimigos humanos e posterior troca de “miminhos” é bem maior. Até nos níveis que decorrem num navio naufragado no fundo do mar estão repletos de gangsters de pistola em punho… fuck logic. Para contrariar esta ameaça maior, o arsenal de Lara é também mais extenso, contando claro está com as suas habituais duplas pistolas de munição infinita, shotgun, pistolas automáticas, uzis, uma M16, entre outras como um lança dardos para combates subaquáticos. Lara Croft herda os controlos do primeiro jogo, mais uma vez com um conjunto extenso de diferentes movimentos e habilidades, desta vez com alguns novos como subir/descer escadas ou conduzir veículos. Também pela primeira vez num Tomb Raider existem flares que podem ser utilizados para iluminar zonas mais escuras. Tal como no jogo anterior, existe um nível tutorial passado na própria casa da Lara Croft, onde podemos treinar os seus movimentos. Desta vez o nível é bem mais extenso que no primeiro jogo e conhecer os cantos à casa vai acabar por ser bem útil para mais tarde. De resto apenas há a lamentar os tank controls que não envelheceram bem para os controlos modernos. Mais uma vez este Tomb Raider não chegou a tempo de suportar os sticks analógicos do Dual Shock.

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Tal como no jogo anterior, existe um auto-aim que aponta automaticamente para os inimigos sempre que entram no campo de visão de Lara

A variedade de cenários é bem maior que no jogo anterior, muito devido aos inimigos humanos serem uma constante ao longo do jogo. Os níveis em Veneza são clássicos e bem construídos, assim como os Tibetanos e Chineses. Já os que foram passados em alto mar não me agradaram tanto, o que acaba por ser um (des)gosto comum pela comunidade gamer. Quase ninguém gosta de níveis passados debaixo de água. Ainda assim, com apenas 1 ano entre os 2 lançamentos, este Tomb Raider é um jogo graficamente mais bem trabalhado. Os modelos polígonais das personagens estão mais complexos e detalhados, assim como as texturas que são mais variadas. No jogo anterior a pouca variedade de texturas e os níveis muito “cúbicos” acabaram por atrapalhar bastante nos níveis mais avançados. Aqui, embora existam alguns níveis bastante compridos e complexos, é mais fácil não nos perdermos nos mesmos. Ainda assim a nível gráfico existem alguns problemas como o clipping que tanto era comum nos jogos 3D da época.

A banda sonora continua simples e épica como no jogo anterior. Muito tempo é passado em completo silêncio, com trechos de diferentes melodias a serem tocados repentinamente, nos momentos certos, em sintonia com a atmosfera pretendida. Nada a apontar nos efeitos sonoros e voice acting. O primeiro é semelhante ao jogo anterior, o segundo, apesar de existir mais algum diálogo neste jogo, são igualmente curtos. Ainda assim convém referir os gritos histéricos dos monges tibetanos, esses sim irritaram-me. De qualquer das formas, para quem quiser a melhor versão deste jogo acaba por ser sempre a versão PC, com gráficos melhores e uma resolução maior. Ao menos a versão PS1 desta vez deixa o jogador fazer save game sempre que desejar, abandonando assim os save crystals do jogo anterior para Saturn/PS1.

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No nível de treino, o mordomo de Lara acompanha-nos sempre.

Concluindo este Tomb Raider II é uma sequela que melhorou diversos aspectos relativamente ao jogo anterior. A fórmula continua idêntica, existe toda aquela toada épica de exploração e resolução de puzzles, sendo tecnicamente um jogo mais bonito. Ainda assim a grande diferença é que este é um jogo com mais acção e tiroteios, acabando por ser um pouco mais difícil que o anterior devido ao maior número de inimigos humanos. De qualquer das formas não deixa de ser um grande clássico na série que iria mais tarde esgotar a sua fórmula. Mas isso ficará para um próximo artigo.

Tomb Raider (Sega Saturn)

Tomb Raider SaturnO jogo que trago cá hoje é um dos maiores clássicos da era 32bit. Tomb Raider é um título inédito para os padrões de 1996. Para além de introduzir uma personagem feminina no principal papel – o sucesso que Lara Croft teve a partir deste jogo é inegável – contém também uma jogabilidade inovadora para a época, apresentando mundos complexos em 3D em que passamos a maior parte do tempo a explorar regiões inóspitas repletas de obstáculos e outras criaturas. Ao contrário de todos os outros jogos da série, a versão Sega Saturn foi a primeira a ser desenvolvida, infelizmente acabando também por ser a última iteração desta série nessa plataforma. Por essas razões, e porque tenho um carinho especial pela máquina de 32bit da Sega, é a versão que faço questão em ter na minha colecção e analisar aqui hoje. A minha cópia chegou-me às mãos através de uma troca que fiz com um particular, estando em bom estado.

Tomb Raider Sega Saturn
Jogo com caixa e manual

Lara Croft é uma menina rica inglesa. Mas não é uma menina rica normal. Arqueóloga como o seu falecido pai, está sempre disposta em partir para mais uma aventura na busca de tesouros perdidos e lendas antigas. E o jogo começa dessa forma, com Lara a ser desafiada para partir à busca de um tesouro místico, o artefacto Scion, ligado à antiga civilização da Atlântida e supostamente com poderes místicos. Apesar da proposta em si ser algo suspeita, Lara não resiste à tentação e decide rumar à aventura. Primeira paragem: as montanhas no Peru. Mas a aventura não se fica por aí e ao longo do jogo poderemos explorar vários outros locais, como um antigo Mosteiro na Grécia e as suas intricadas cavernas, Egipto e por fim uma ilha remota ligada à antiga civilização da Atlântida.

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O saudoso ecrã título

Apesar de arcaica perante os controlos de hoje em dia, Tomb Raider possuía uma jogabilidade bastante complexa, onde Lara Croft poderia desempenhar uma panóplia de diferentes movimentos, desde simples interacções com objectos, passando por múltiplos saltos complexos, escalar paredes, nadar, arrastar objectos, entre outros. Devido a ter um esquema de controlo inovador e complexo para a altura, existe um nível tutorial passado na própria mansão de Lara Croft, onde podemos praticar todos os movimentos de Lara. Infelizmente para os padrões de hoje este esquema de controlo é bastante obsoleto. Em primeiro lugar pois tanto o lançamento da Saturn como o original da Playstation não suportam o joystick analógico, com o movimento de Lara Croft a seguir os infames padrões “tank controls”. Os saltos precisos são uma constante no jogo, onde muitas vezes temos a necessidade de ajustar a posição de Lara numa determinada plataforma e depois saltar apenas no momento exacto para conseguirmos agarrar a outra superfície apenas pela ponta dos dedos. Os tank controls é algo que não ajuda de todo. Em conjunto com a sua panóplia de movimentos, Lara conta também com as suas fiéis companheiras pistolas de munição infinita. Embora o grande foco do jogo seja a exploração do mundo 3D à nossa volta e resolver uma série de puzzles para prosseguir, por vezes é necessário combater. Os inimigos na sua maioria são animais – aquele primeiro urso que aparece logo no primeiro nível irritava-me imenso back in the day – com algumas criaturas sobrenaturais ou mesmo outros humanos a surgirem por vezes. E para isso, vamos encontrando algumas outras armas que poderemos utilizar, estas já com munição limitada, como uma shotgun ou outras armas automáticas.

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Bad doggie!

O conceito do jogo está de facto muito bem conseguido. Deparamo-nos com cenários inóspitos e jamais explorados, onde cada canto é uma surpresa. Por exemplo, quem não se recorda do encontro que temos com nada mais nada menos que um T-Rex ainda relativamente cedo no jogo? Visualmente era um bom jogo para a época, mas não envelheceu muito bem. Nem tanto pelas texturas de pouca qualidade ou pelos modelos das personagens ainda com poucos polígonos. O maior problema na minha opinião é o mundo ser muito “quadrado”, repleto de superfícies e objectos cúbicos e ângulos de 90º para todo o lado. Existem algumas superfícies mais inclinadas é certo, mas quando jogamos secções repletas de corredores apertados é muito fácil acabar por nos perdermos e levar o dobro do tempo a avançar o nível. A pouca variedade de texturas em cada nível é também um motivo para que isto aconteça. Ainda assim Tomb Raider fazia muita coisa nova, ainda que com alguns problemas, mas perdoam-se. Um exemplo é a câmara, que apresenta sempre ângulos dinâmicos, retratando um pouco o espírito cinematográfico do jogo. Infelizmente o problema que a assola é o mesmo que acontecia em practicamente tudo o que fosse jogo 3D na era 32Bit: imenso clipping. Ainda assim, já que estou a referir-me aos gráficos, para quem gostar de comparações gráficas entre plataformas, na minha opinião este é um jogo que se porta comparativamente muito bem em relação à versão da PS1, devido a ser esta a original. Há quem defenda que a versão Saturn tenha uma draw distance maior, mas sinceramente acho as duas versões equivalentes, nesse ponto. A versão PS1 ganha obviamente nos efeitos de água e transparências, mas é óbvio que a versão PC leva a melhor.

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O ginásio dentro da Croft manor, onde podemos praticar os movimentos de Lara

O espírito cinematográfico não está só no estilo do jogo, mas sim também na banda sonora utilizada. Ao contrário de nos bombardear constantemente com música de fundo, a música em Tomb Raider apenas surge em pontos chave: músicas mais tensas para combates mais apertados e/ou bosses, músicas mais épicas quando descobrimos uma parte importante num nível, entre outros. A música tema de Tomb Raider acaba por ser uma música icónica na série, surgindo em vários outros jogos sempre com alguma ligeira modificação. De resto o voice acting é simples, apenas nalgumas cutscenes é que ouvimos alguns diálogos. O british accent de Lara Croft é bastante carregado, algo que aprecio bastante. No que diz respeito aos restantes efeitos sonoros, eles cumprem bem o seu papel. Os grunhidos/gemidos de Lara sempre que tem de se elevar de alguma superfície/parede, ou o barulho distinto das suas pistolas são duas coisas que me ficaram grudadas na memória desde então.

Há alguns anos atrás, este jogo foi sujeito a um remake completo, coisa que ainda não cheguei a jogar, mas planeio em fazê-lo eventualmente, assim que o jogo me chegar às mãos. O sucesso deste Tomb Raider e da sua protagonista Lara Croft é inegável, com novos jogos a surgirem todos os anos, o que desgastaram um pouco a série ao longo do tempo. Mas nos próximos artigos isso será abordado com maior destaque. Mas que este Tomb Raider é um clássico da era 32bit, isso ninguém o poderá negar.

Deus Ex Invisible War (PC)

Tempo agora de trazer uma análise à primeira sequela de um jogo de culto, o Deus Ex. O primeiro jogo ficou conhecido pela sua jogabilidade que misturava a acção de um first-person-shooter com a liberdade de escolhas dos RPGs ocidentais, oferecendo ao jogador diversas maneiras diferentes de abordar o mesmo problema, bem como uma árvore de evolução da personagem, onde podemos escolher as skills que melhor nos convém à nossa maneira de jogar. Tudo isto em conjunto com uma história complexa, com um background rico em “lore” e que atende a questões cada vez mais contemporâneas sobre a liberdade humana na era digital. A minha cópia deste jogo faz parte da compilação Deus Ex Complete que inclui também o primeiro Deus Ex e custou-me uma bagatela na Amazon UK.

Deus Ex Complete PC
Deus Ex Complete para PC. É uma idiotice o jogo vir numa caixa tão grossa quando o manual está em pdf…

No primeiro jogo, existiam 3 distintos finais que poderíamos obter, mediante umas escolhas finais que poderíamos optar. Sendo que este Invisible War decorre 20 anos após os acontecimentos do jogo anterior, muitos estariam curiosos sobre qual o final que foi utilizado. Atenção aos spoilers agora, mas a resposta é que o que realmente aconteceu foi uma mescla dos 3 finais possíveis. JC Denton fundiu-se com a inteligência artificial Helios de forma a controlar todas as comunicações mundiais e garantir que a sociedade humana fosse justa e igualitária. As coisas não correram tão bem assim e o mundo entrou no chamado “The Collapse”, onde a sociedade se viu numa grande depressão económica e repleta de conflitos, o que permitiu que várias organizações distintas surgissem e detivessem uma grande parte do poder. O jogo coloca-nos no papel do(a) Alex D(enton), um(a) aluno(a) da Academia Tarsis, com vários implantes nano tecnológicos, capazes de lhe conferir capacidades sobre-humanas. O jogo decorre num período em que várias dessas organizações se encontram em conflitos por motivos políticos/económicos/sociais, onde uma organização terrorista destrói a cidade de Chicago, aparentemente com o intuito de destruir as instalações locais da Tarsus Academy. Com Alex D e alguns companheiros a serem transferidos para as instalações de Seattle, são depois atacados pela organização religiosa “The Order”, que tenta colocar a descoberto as verdadeiras intenções da Tarsus Academy. Após esse ataque a verdadeira aventura de Alex D começa. Largado às portas de Seattle, Alex D vai começando a interagir com a população e algumas das facções envolvidas nos conflitos, descobrindo várias conspirações por detrás das mesmas facções e de outras ainda secretas, bem como o paradeiro dos irmãos Denton originais.

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Os Omar são cyborgs que se especializam em comério ilegal

Tal como o jogo anterior, este Deus Ex tem uma progressão não linear, com o jogador a ter a liberdade de cumprir várias quests pela ordem que bem entender, e utilizando a estratégia que melhor se adequar ao seu estilo de jogo. É para infiltrar um edifício? Porque não subornar o porteiro? Ou utilizar as condutas de ventilação? Ou então deixarmo-nos de mariquices e entrar à Rambo? A maneira como concluímos algumas das quests influencia as relações que temos com algumas facções, mas infelizmente mais uma vez isto pouco interessa para os 4 diferentes finais que poderemos obter. Independentemente das nossas escolhas anteriormente, a forma como abordamos o último nível é que decide qual o final que iremos obter.

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O inventário tem agora este aspecto

Este Invisible War acabou por ser algo criticado pelos fãs por ter sido algo streamlined em relação à versão PC do jogo anterior. Os menus e o inventário ficaram bem mais simples, assim como várias das tarefas que fazemos habitualmente, como o hacking de computadores/ATMs ou o bypassing de equipamentos electrónicos. O sistema de skills também foi simplificado, estando apenas representado pelos biomods que podemos instalar. Temos algumas categorias base, como biomods para as pernas, tronco, crânio, entre outros. Para cada categoria podemos optar entre 2 biomods legais e um outro “black market“, com habilidades mais “agressivas”. Outro aspecto que a meu ver foi demasiado simplificado são as munições. Todas as armas de fogo, sejam simples pistolas como shotguns ou lança chamas, utilizam o mesmo tipo de munições, que não se encontram em muita abundância, forçando o jogador a ser mais cuidadoso nos combates de fogo. Armas melee e não letais também estão disponíveis, mas desta vez não existe qualquer recompensa ao jogador para se desenvencilhar sem limpar o sebo a ninguém.

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Este é o ecrã de selecção de biomods

Graficamente é um jogo competente para os padrões de 2003, utilizando o motor gráfico do Unreal 2. As personagens estão bem definidas, com os programadores a terem um cuidado especial em sincronizar os movimentos da boca das mesmas durante os diálogos. Os cenários estão bem variados, tanto visitamos locais todos high-tech e luxuosos, como visitamos zonas mais rurais como a cidade do Cairo, Trier na Alemanha, entre outros. Infelizmente há uma pouca variedade nos modelos dos NPCs, iremos falar frequentemente com muitas personagens iguais entre si. É certo que é uma característica habitual destes jogos nessa altura, mas ainda assim…

A física do jogo também poderia ter sido um pouco mais trabalhada, todos os objectos, sejam grandes ou pequenos parecem pesar o mesmo, e sempre que pegamos num corpo parece que estamos a mexer numa ragdoll. A inteligência artficial também não é das melhores, com os inimigos a colocarem-se constantemente a descoberto. Mas nem tudo é mau, o voice acting é bem competente, e o jogo continua a apresentar uma narrativa muito interessante, mais uma vez repleta de conspirações entre organizações secretas e os valores da sociedade humana a serem constantemente postos em causa.

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Algumas localidades estão muito bem conseguidas visualmente, apesar de serem pequenas.

Posto isto, Deus Ex Invisible War é um jogo que tanto pode agradar aos fãs do anterior como desagradar. A nível de história continua um jogo excelente na minha opinião, mas o facto de terem simplificado bastante alguns aspectos mais “RPG” da jogabilidade, bem como manter os pequenos defeitos da prequela que, em 2000, seriam desculpáveis, são algumas manchas que marcam esta experiência. Ainda assim a meu ver, foi um jogo que me agradou. Gostos e polémicas à parte, vale a pena experimentar.