De forma a compensar a minha ausência, irei publicar uma série de rapidinhas nos próximos dias. Começando pela Game Gear, o jogo que trago cá agora é a adaptação para esta consola do Chuck Rock, desenvolvido originalmente pela Core Design para computadores como o Commodore Amiga e Atari ST, tendo sido posteriormente convertido para uma série de outras plataformas 8 e 16 bit. Para as consolas da Sega, as primeiras conversões sairam precisamente na Master System e Game Gear, cuja minha cópia foi comprada algures no mês passado de Junho na feira da Vandoma do Porto por 5€.
Jogo com caixa e manual
Embora não seja propriamente notório nesta versão, a menos que eventualmente esteja explícito no manual, a história do Chuck Rock recai no cliché do costume, onde teremos de salvar a nossa mulher que foi raptada por um vilão qualquer da pré-história. O jogo usa as mecânicas clássicas deos platformers, com um botão para saltar e o outro para atacar. Se atacarmos enquanto estivermos a saltar, então o ataque sai um pontapé. Se por outro lado atacarmos enquanto no solo, o ataque é literalmente uma barrigada! Sendo um jogo da Core Design, é normal que haja aqui e ali algum sentido de humor, o que acontece principalmente na cutscene de abertura do jogo, que infelizmente não está aqui representada. De resto é um jogo de plataformas comum, onde temos também a possibilidade de carregar com rochas e usá-las para as atirar aos inimigos ou como plataformas para alcançar zonas de mais difícil acesso. Temos também uma série de itens para apanhar, e tal como em muitos platformers ocidentais desta época, a maior parte dos itens que podemos apanhar traduzem-se apenas em pontos, excepto os corações que nos restabelecem parte da nossa barra de vida.
As sprites até que são grandes nesta versão, mas em contra partida a área visível de jogo é muito reduzida
A nível audiovisual, esta versão do Chuck Rock decepciona um pouco. Na parte dos gráficos, as sprites até que são bem detalhadas, mas peca por ter os fundos todos negros, ao contrário das versões originais que possuem níveis bem mais bonitos e detalhados. Na parte dos efeitos sonoros, bom, esta é uma conversão muito semelhante às primeiras do jogo, pois não possuiam qualquer banda sonora, à parte da música título. Infelizmente a versão Master System também é muito semelhante a esta versão, melhorando apenas na resolução do ecrã.
Este Chuck Rock é então um jogo de plataformas bem decente, mas que nos deixa a saber a pouco, muito pouco, principalmente se depois virmos a versão Mega Drive (ou as originais para o Atari ST e Amiga) em movimento.
Pois é pessoal, mais uns quantos dias sem escrever nada aqui, o meu tempo livre não aumentou muito nestes últimos tempos. Mas hoje lá se arranja uma horinha para mais uma rapidinha. E o jogo que escolhi hoje é nada mais nada menos que a primeira iteração portátil da longa franchise Tomb Raider, para a Gameboy Color, lançado no ano de 2000. Este meu exemplar veio de uma cash há uns meses atrás. Não consigo precisar bem onde e quando, mas certamente não terá sido mais de 2€.
Apenas cartucho
Em 2000 ainda se vivia aquela quintologia com a fórmula clássica desta série, com Tomb Raider Chronicles previsto sair no final do ano. Mas a Gameboy Color era um sistema muito diferente das máquinas que corriam os jogos dessa série até então. E como tal tiveram de adaptar o que era um jogo completamente 3D, onde a exploração, puzzle solving e saltos complicados eram o prato do dia, para um sistema bem mais modesto. E se por um lado até conseguiram de certa forma replicar muitas coisas dos jogos principais, por outro tornaram o jogo bastante repetitivo. Mas já lá vamos. O objectivo desta aventura é o de levar Lara em busca de mais um artefacto misterioso, uma espécie de cristal que alberga um poderoso e maléfico espírito de um antigo rei que governou todos os povos ancestrais da américa do Sul. Iremos então explorar um enorme templo antigo, que nos levará por várias outras paisagens até que finalmente consigamos atingir o nosso objectivo.
Por vezes também somos forçados a alguma exploração subaquática, onde temos de ter em conta o oxigénio
Voltando então à jogabilidade, podemos resumir este Tomb Raider no seguinte: explorar os níveis com muitas escaladas, saltos entre plataformas, procurar alavancas que nos abram outras passagens, ou procurar barras de dinamite para abrir certos caminhos. Pelo meio teremos de enfrentar vários animais ou bandidos, bem como inúmeras armadilhas, como projécteis a serem disparados de paredes, chão ou tectos, bem como espinhos a surgirem de todos os lados. Um pouco como nos Tomb Raider clássicos, portanto, mas tudo em 2D. Os controlos também replicam um pouco os clássicos, com a existência de um botão para acções, outro que serve para correr e agarrar/subir superfícies. O salto é que fica relegado para o D-Pad, pois não há botões para tudo. Sacar dos revólveres faz-se com o select, disparando depois com o action button. O start para além de pausar leva-nos para o ecrã de inventário, onde poderemos seleccionar itens como as barras de dinamite acima referidas, medkits que vamos encontrando ou alternar no tipo de munições para as pistolas de Lara. Sim, apenas podemos usar a mesma arma, cuja munição standard é infinita. As outras duas basicamente permitem usar rapid fire, ou são munições de maior calibre, capazes de causar mais dano. As pistolas de Lara são muito versáteis neste jogo!
O nosso inventário muitas vezes irá se assemelhar a este
Graficamente é um jogo interessante, tendo em conta que estamos a falar de uma Gameboy Color. Se tivermos com atenção aos detalhes (…ok, é algo que se nota bem mais ao jogar em emulação ou pela Game Boy Advance SP devido à falta de retro iluminação), veremos que a sprite de Lara está muito bem animada e a sua movimentação, incluindo todas as “acrobacias” ficaram bastante fluídas. Por outro lado, há pouca variedade de inimigos e os mesmos não têm a mesma atenção ao detalhe. Os níveis são também bastante coloridos, embora não exista assim uma grande variedade de ambientes. Grande parte do jogo é passado no mesmo templo, incluindo as suas catacumbas e câmaras de tesouro, mas teremos também cavernas e um vulcão para explorar. Os efeitos sonoros cumprem o seu papel, e as músicas, tal como nos jogos clássicos, são practicamente inexistentes, tocando apenas nas cutscenes ou como “introdução” a alguma zona nova que exploremos. Mas num jogo que se torna tão repetitivo como este, a inclusão de música de forma permanente seria a meu ver uma mais valia.
Sim, também podemos disparar enquanto estamos a meio de alguma escalada
Este primeiro Tomb Raider portátil é um jogo que me impressionou pela positiva, mas também me desiludiu. Por um lado pela forma como conseguiram traduzir as mecânicas chave dos Tomb Raider clássicos nesta modesta portátil (incluindo os clunky controls!), mas por outro torna-se uma experiência bastante repetitiva, pois iremos estar constantemente a fazer as mesmas coisas ao longo de todo o jogo.
Há videojogos verdadeiramente revolucionários, onde para além de introduzirem novas ideias, a sua execução é também bastante boa. Mas há outros que foram também de igual forma bastante ambiciosos, mas para além da tecnologia disponível na altura ainda não ser a melhor para se tirar partido de todas essas novas ideias, a jogabilidade também não é a mais adequada. Este Corporation recai nessa categoria. Já explico o meu raciocínio no parágrafo a seguir, aqui resta-me só dizer que o meu exemplar foi comprado há uns meses atrás a um particular por cerca de 6€ se a memória não me falha.
Jogo com caixa e manual europeu
Sendo um produto da Core Design, a mesma empresa que nos trouxe a série Tomb Raider uns anos depois, este Corporation foi lançado originalmente em 1990 para os Commodore Amiga. Era um first person shooter em 3D parcialmente poligonal (lembrando que o Wolfenstein 3D só viria a sair em 1992), onde se misturavam conceitos de RPG, jogabilidade furtiva e também hacking de computadores (System Shock e Deus Ex estavam mais longe ainda). Mas, sendo algo muito à frente do seu tempo, muitas das ideias eram ainda muito primitivas nos videojogos e a sua execução deixou bastante a desejar. A versão Mega Drive, que utiliza um comando de 3 botões frontais, ao invés de um teclado completo como na versão Amiga, significava que ainda teriam de ser feitos mais alguns sacrifícios. Mas já lá vamos.
Sim, aquilo preto com um quadrado branco é uma porta
Este é um jogo que decorre no futuro, onde uma poderosíssima empresa, a Universal Cybernetics Corporation, é alvo de suspeitas pelo governo britânico. Apesar de eles se dedicarem, dentro da legalidade, ao desenvolvimento tecnológico, genético e de bio engenharia, a certa altura acontece um acidente e um mutante escapa das suas instalações, provocando o caos na cidade. O governo decide então enviar um agente secreto para se infiltrar nas instalações da mega corporação e tentar expor qualquer actividade ilegal que esteja por ali a acontecer. E é aí que nós entramos. Os conceitos de RPG deste Corporation começam logo no início da aventura, onde teremos de escolher uma de várias personagens para encarnar: 2 homens, duas mulheres ou dois andróides à nossa disposição, cada qual com diferentes stats e habilidades como a quantidade de itens que podemos carregar, o dano que podemos aguentar e causar, entre outros. Na versão Amiga, os humanos podiam inclusivamente vir a utilizar habilidades psíquicas como a levitação ou a capacidade de regenerar a sua saúde.
O sistema de inventário por vezes é bastante confuso e desnecessariamente complicado. Se tivermos munições, qual era a dificuldade do reload ser automático?
Depois, este é daqueles jogos em que se o comprarem sem um manual, estão completamente perdidos, sem saber o que fazer. A seguir a escolher a personagem, somos levados a uma loja, onde poderemos comprar vários itens para levar connosco. Aqui convém mesmo saber o que levar, caso contrário podemos mesmo até ficar sem possibilidades de completar o jogo. E temos muitas coisas para comprar, umas mais úteis que outras, como diferentes armas e acessórios como computadores (bastante úteis para mostrar um pequeno mapa do nível em que estamos), ou outros como jet packs (embora todos os níveis sejam fechados), medkits, máscaras de gás, visores especiais, diferentes armaduras, etc. Depois lá somos largados no jogo com uma interface bem estranha. No centro temos a acção, à esquerda e direita vemos 2 figuras humanóides com diferentes barras. As da esquerda representam a stamina (barra horizontal) e o dano sofrido em diferentes partes do corpo. À direita são as coisas que temos ou não equipadas em diferentes zonas do corpo. Em baixo vemos mais uma série de menus confusos. À direita aparecem figuras dos itens no nosso inventário, à esquerda irão aparecer figuras de itens que possamos vir a encontrar ao longo do jogo. Em cima estão uma série de botões que permitem interagir com todos esses objectos. Para aceder a esse menu simplesmente temos de carregar no start.
Interagir com terminais. Ah, o System Shock ainda estava tão longe…
Depois no jogo em si temos de ter em atenção várias coisas. Em todos os níveis teremos várias câmaras de vigilância que convém destruir, caso contrário vai soar um alarme que chama todos os inimigos à nossa localização, o que nos vai dificultar bastante a vida. Para progredir nos diferentes andares do edifício vamos ter também de passar por sistemas de segurança, quer ao simplesmente “hackear” fechaduras electrónicas, ou ao atribuir novos níveis de segurança ao nosso ID card, para que possamos usá-los nos elevadores para entrar em andares com outras restrições de segurança superiores. Tudo isto soa muito bem, mas infelizmente a execução não é a melhor. O sistema de inventário é bastante confuso e é um filme para fazer coisas simples como regenerar stamina, vida ou mesmo recarregar a arma equipada. Apanhar itens do chão também é desnecessariamente complicado, e conservar vida, energia e manter-nos hidratados são coisas obrigatórias. Felizmente a versão Mega Drive possui um mecanismo de lock-on nos alvos, facilitando-nos a vida no que aos combates diz respeito. Ocasionalmente lá vemos também alguns puzzles interessantes, como utilizar o SCANMAN para manipular uma fotografia em 3D de forma a descobrir o código de acesso a uma porta.
Os inimigos são bem detalhados, mas infelizmente os cenários não e o framerate também sofre. (Note: this is not my picture)
A nível técnico, digamos que existem FPS na Mega Drive mais avançados tecnicamente. As sprites dos inimigos até que são bem grandinhas e estão bem detalhadas, mas os cenários propriamente ditos estão mais fraquinhos. As paredes são todas em tons de cinzento, as portas pretas com um quadrado branco a fazer de janela e é praticamente isso, com o chão e tecto a variarem um pouco, ocasionalmente. Para além disso, o frame rate também é bastante lento! Tenho alguma curiosidade em ver a versão Commodore Amiga em movimento. As músicas são tensas e também aliciantes, mas há um pequeno grande problema. Há 2 músicas no jogo todo, uma que toca cada vez que o alarme dispara e somos descobertos, a outra para quando estamos a passar completamente despercebidos.
No fim de contas, este Corporation é um jogo que tinha óptimas ideias, excelentes mesmo, principalmente se considerarmos que o original tinha saído ainda em 1990. No entanto era algo muito à frente do seu tempo. Por um lado a tecnologia ainda não nos permitia apresentar um mundo mais detalhado, realista e credível. Por outro lado muitos destes conceitos eram novos e a sua implementação também não foi a melhor. Mas não deixa de ser um jogo bastante peculiar e curioso por isso mesmo.
Hoje irei escrever mais uma rapidinha, mas desta vez a uma colectânea de 3 jogos e meio. Isto porque estupidamente um dos jogos aqui disponíveis é apenas a sua versão Shareware, o que não faz sentido nenhum anunciarem 4 jogos numa colectanea e um deles ser uma demo robusta. E logo o melhor do pacote! Este meu exemplar tem uma história por detrás. Eu tinha esta Big Box quando era miúdo, mas devido à falta de espaço deitei a maioria fora e manti apenas duas para guardar os manuais grandinhos dos outros jogos. O Fly and Drive foi um desses, tendo apenas sobrevivido o cd na caixa em jewel case à direita na foto e um manual idêntico ao da foto. Há uns meses atrás o Ivan Cordeiro acabou por me oferecer uma bigbox completa dessa compilação que ele lá tinha a mais, e ficou assim mais um pedaço da minha infância recuperado. Agora falta é o Carmageddon e o Mortal Kombat 3…
Compilação completa com caixa, papelada e manual
Como o nome da compilação indica, a mesma é composta com jogos de corrida e de voo. Dos de corrida podem contar com o Power Drive, um jogo de rally meio arcade, mas com uma perspectiva overhead. Já o analisei para a Mega Drive e esta versão, apesar de ligeiramente melhor nos audiovisuais, acaba por ser bem semelhante. O outro jogo de corridas é um da Core Design, uma espécie de Mario Kart misturado com Road Rash e passado na idade da Pedra. É o B.C. Racers, que se passa no mesmo universo dos Chuck Rock. É um jogo de corridas engraçadinho em que conduzimos motos com sidecar, e a função de quem está no sidecar é unicamente a de atacar os outros concorrentes. É um jogo que foi também lançado para a Mega CD e 32X, versões que gostaria de as arranjar um dia. Nessa altura escreverei algo mais cuidado.
Terminal Velocity é um shooter porreirinho para a altura, pena é que não seja o jogo completo.
Passando para a parte do Fly, o Terminal Velocity é o melhor jogo do bundle, sem dúvidas. Mas também é uma versão shareware que deveria ser gratuíta. E acabei de saber que o B.C. Racers também tinha sido lançado para o PC logo à partida como freeware, logo sinto-me ainda mais roubado. Ainda assim vou só escrever um pouco sobre o mesmo. Terminal Velocity foi o primeiro jogo publicado pela 3D Realms, a mesma empresa que produziu jogos como Duke Nukem 3D, Shadow Warrior e publicou outros tantos como o Prey ou o Max Payne original. A 3D Realms por si só já era uma derivada da Apogee, mas que se focaria apenas em jogos 3D. E este Terminal Velocity é um shooter na terceira pessoa de naves espaciais, onde vagueamos em vários planetas e destruimos outras naves ou bases. Foi produzido pela Terminal Reality, os mesmos que mais tarde se juntaram à Microsoft Game Studios e lançaram o Fury 3.
BC Racers é um jogo que até é divertido, mas tenho mais curiosidade com a versão Mega CD
Por fim temos mais um jogo dos britânicos da Core Design, o Thunderhawk AH-73M, um shooter militar que me fez lembrar logo o excelente Desert Strike, embora a única semelhança seja mesmo usarmos um helicóptero. Aqui o jogo acaba por ser mais de simulação que outra coisa, e sinceramente sempre achei isso bem chatinho. Lembro-me que na altura o tentei jogar e não me estava a entender nada com os controlos, que já usavam um setup de teclado e rato e sinceramente passados estes anos todos não quis voltar a testar o jogo. Graficamente pareceu-me muito fraquinho, a usar gráficos poligonais bastante minimalistas. A versão da Mega CD pareceu-me ser bem mais interessante, por usar um estilo gráfico diferente e cheio de efeitos de rotação que muitos pensavam que a Mega Drive não poderia fazer. E também dado que o comando limitado a nível de botões da Mega Drive, muito provavelmente acabaram por simplificar mais a jogabilidade, o que poderá tornar essa versão mais agradável no geral.
Em Thunderhawk, a jogabilidade aproxima-se à de um simulador, o que já não me agrada tanto
Por todas essas razões, mas principalmente pelo Terminal Velocity ser apenas um shareware, tornam esta compilação algo redundante, pois os outros jogos consegui-mo-los jogar noutras plataformas também.
A série Tomb Raider foi uma espécie de Assassins Creed na era das consolas de 32bit, isto é, a cada ano lançavam um novo jogo! E apesar de todos eles serem sucessos comerciais, o facto de desde o primeiro jogo até este Chronicles terem utilizado sempre o mesmo motor gráfico, nunca conseguiram evoluir muito na fórmula, pelo que apesar de as vendas deste Chronicles terem sido boas, já eram muito inferiores às dos anteriores. Como tal, a Eidos e a Core decidiram recomeçar do zero com o Angel of Darkness a sair anos mais tarde na Playstation 2, mas antes disso, decidiram fazer uma despedida desta era com este Chronicles. Este exemplar foi-me oferecido pelo Miguel Coelho do podcast The Games Tome e colega colaborador na PUSHSTART, a quem agradeço imenso!
Jogo completo com caixa, manuais e papelada
E começando por um spoiler do jogo anterior, que no final de contas, a menos que ainda vivam numa caverna e por acaso do destino estão a ler esta review porque alguém a imprimiu e depois a deitou fora, acaba por nem ser spoiler nenhum. No final do Tomb Raider the Last Revelation, é dado a entender que Lara Croft morreu. Então neste jogo, Winston, o velho e leal mordomo da mansão Croft, convida uns 2 amigos de Lara e juntam-se numa sala, confraternizando e recordando algumas das aventuras de Lara Croft que nunca haviam sido contadas… até agora. Neste jogo iremos percorrer os subúrbios de Roma e das ruínas do seu coliseu na procura da Pedra Filosofal, visitar uma base militar russa na esperança de recuperar a Spear of Destiny de um submarino naufragado no fundo do oceano, retornar aos tempos da sua juventude, onde Lara deu uma escapadinha a uma ilha irlandesa após ouvir rumores de eventos paranormais que por lá se passavam, culminando numa aventura onde Lara se infiltrou num largo complexo empresarial/industrial para roubar o artefacto de Íris nada mais nada menos ao próprio Von Croy, acabando assim por ser uma espécie de introdução aos acontecimentos que decorreram antes do jogo anterior.
Balançar-se numa corda… uma das novas habilidades de Lara.
A nível de jogabilidade pouca coisa mudou. A acrescentar ao já elevado número de “manobras” e saltos que Lara é capaz de fazer, temos a possibilidade de dar uma cambalhota ao sair de um túnel em que estivemos a rastejar, ou equilibrarmo-nos numa corda como fazem os trapezistas num circo. De resto, se jogaram qualquer um dos Tomb Raiders anteriores, a mesma fórmula mantém-se e certamente que se familiarizarão rapidamente com as mecânicas do jogo. Continuamos com muita exploração a fazer, saltos medonhos para dar, escalar escarpas perigosas, procurar chaves, arrastar blocos cúbicos, andar aos tiros contra humanos ou criaturas mitológicas, you name it. E embora existam só 4 diferentes localidades para explorar desta vez, os níveis em si são gigantescos, pelo que sim, vai-nos dar trabalho a conhecê-los de uma ponta à outra. Felizmente que podemos fazer save a qualquer momento. No entanto a Core ainda tentou trazer algo de novo, como missões em que estamos completamente indefesos e teremos de ter uma abordagem mais cuidada, ou outras secções em que ser-se furtivo é a palavra chave.
…e inspecionar prateleiras e gavetas também!
Graficamente nota-se uma boa evolução desde o primeiro jogo, apesar de partilharem a mesma engine. Tanto Lara como os seus adversários têm muito mais detalhe e o mesmo pode ser dito dos cenários e efeitos como os da água. Infelizmente a câmara continua com alguns problemas e todos os cenários continuam a ser muito “quadrados”… heranças que ficaram desde o primeiro jogo. A música continua a surgir apenas em alguns momentos chave no jogo. Na maior parte do tempo somos deixados a explorar os cenários completamente sossegados no ruído ambiente, com pequenas melodias a surgirem quando descobrimos algo majestoso ou por outro lado, quando algo mau acontece, como emboscadas ou tiroteios, uma música mais tensa acompanha-nos. O voice acting também me parece ser o melhor da série até esse momento. Os diálogos são bem mais frequentes nas cutscenes e os mesmos acabaram por ser bem mais trabalhados e melhor interpretados pelos seus intervenientes.
A melhoria a nível de polígonos e texturas do primeiro jogo até este é bem notável
Para concluir, este Tomb Raider Chronicles até é um bom jogo. Mas comer arroz com feijão 5 vezes seguidas acaba por ser cansativo, mesmo que se vá variando um pouco os seus condimentos. A Eidos e a Core estiveram bem em decidir dar um novo rumo à série com a chegada da PS2, pois aquelas mecânicas de jogo já estavam a ficar gastas. Agora se o Angel of Darkness foi a melhor maneira de reintroduzirem a Lara Croft ao mundo… bom… “não percam o próximo episódio, porque nós também não”!