Resident Evil Zero (Nintendo Gamecube)

RE0Voltando aos Zombies aqui no blog, eu que planeio fazer uma análise dos 6 Resident Evil que possuo na minha GameCube, mesmo tentando intercalar um outro jogo pelo meio, vai ser uma semana repleta de criaturas devoradoras de cérebros. Desta vez escolhi falar do Resident Evil Zero, uma prequela do primeiro jogo da série, outrora exclusiva para Gamecube (agora também tem uma versão para Wii). A minha cópia foi adquirida algures em 2003/2004 no miau.pt. Não sei precisar quanto custou mas suponho que tenha sido algo à volta dos 30€. Está impecável.

Resident Evil Zero GC
Jogo completo com caixa, manual e demais papelada

Resident Evil Zero estava para sair inicialmente para a Nintendo 64. A certa altura (talvez motivados pelo remake de RE1) a Capcom decidiu mover este jogo para a sua sucessora, a GameCube. Existem alguns vídeos na net acerca desta versão inicial, e mesmo para um jogo de Nintendo 64, já era graficamente bastante detalhado. Nota-se também que mesmo na versão N64, muitas das ideias iniciais foram mantidas para a versão final. RE Zero coloca-nos no papel de Rebecca Chambers, membro do esquadrão Bravo da S.T.A.R.S. que Chris Redfield, Jill Valentine e companhia vão à procura no jogo original. O esquadrão Bravo é enviado às Arklay Mountains para investigar uma série de homicídios bizarros e outros relatos estranhos. A meio do caminho o seu helicóptero avaria e são forçados a aterrar em plena floresta, onde descobrem uma carrinha de transporte de prisioneiros acidentada, sendo que o respectivo prisioneiro (Billy Coen – uma das personagens do jogo) desaparecido. O esquadrão continua a investigação até que Rebecca descobre um comboio aparentemente abandonado e repleto de zombies, bem como outras criaturas fofinhas. A história vai decorrendo, Rebecca encontra Billy Coen e é forçada a cooperar com ele para sobreviver, entretanto prosseguem as suas vidas e vão encontrar uma outra mansão da Umbrella, um abandonado centro de investigação e treino de funcionários. Como prequela, RE Zero cumpre o seu papel de desvendar os mistérios da origem da Umbrella Corp, bem como de outras personagens importantes como Spencer, Marcus, William Birkin e Albert Wesker. Obviamente que descobrimos também o que se passou com a Rebecca e como é que ela foi parar à Spencer Mansion de Resident Evil 1.

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Hunters, charmosos como sempre

No que diz respeito à jogabilidade, Resident Evil Zero é um misto de problemas antigos com inovações inéditas na série. Os problemas antigos prendem-se com os chamados “tank controls” que tão bem eram conhecidos na série clássica nos idos tempos da PS1. Resident Evil Remake podia ter a desculpa por ser um “update” de um jogo antigo, mas mesmo aí, a Capcom tinha incluido um esquema de controlo que apesar de ser um pouco confuso, sempre era melhor que os tank controls. Neste jogo nem isso temos, infelizmente. A grande novidade reside num “zapping system” para controlar as 2 personagens principais deste jogo. Billy Coen e Rebecca estão juntos grande parte do jogo, tendo de colaborar entre si para resolver puzzles, auxiliar no combate, etc. O jogador escolhe a personagem que quer jogar, sendo que a outra passa a ser controlada por IA (ainda assim é possível controlar ao mesmo tempo o movimento da segunda personagem com o C-Stick, não sendo possível controlar o uso de items ou disparo de armas). Quando o jogador quiser trocar de personagens basta carregar no botão Z e já está. Billy Coen é a personagem mais forte, capaz de aguentar com mais dano, com porte físico para arrastar objectos grandes e tem um isqueiro. Já Rebecca é mais frágil, mais pequena, o que lhe permite entrar em entradas apertadas, e tem um kit que lhe permite misturar as várias ervas que regeneram vida/curam intoxicações. Este sistema também permite a troca directa de items entre as personagens, logo que estejam perto uma da outra. É possível deixar uma personagem num sítio enquanto a outra vai fazer outra coisa qualquer, aliás, várias vezes isso vai acontecer e vão existir algumas fases no jogo em que apenas iremos controlar uma personagem só. O jogo está também repleto de puzzles que requerem a colaboração dos 2 jogadores. No geral, acho que esta novidade das 2 personagens foi bem conseguida. Uma outra diferença face aos restantes RE clássicos é a ausência de uma arca para colocar os items. Aqui, podemos ir deixando os items no chão de qualquer sala, sendo que o mapa do jogo guarda a informação de que items é que cada sala comporta.

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Um protótipo de um Tyrant

Graficamente o jogo continua sublime. Utiliza o mesmo motor gráfico do Remake lançado uns meses atrás, mas ainda mais refinado. Onde se nota uma melhoria substancial é nas cut-scenes, onde as mesmas em FMV têm uma qualidade muito boa. Os modelos das personagens e criaturas continuam excelentemente modelados, bem como os cenários pré-renderizados que várias vezes não estão estáticos. Os jogos de luzes, sombras, efeitos de água, etc continuam um regalo para os olhos. A secção do comboio está especialmente bem conseguida, peca por ser curta. A nível de som, Resident Evil Zero tem igualmente um bom trabalho nesta área. A música quando existe é sinistra o suficiente para criar aquele clima tenso, e os efeitos sonoros dos zombies e restantes criaturas estão também bons. O voice-acting é competente, longe vão os tempos de diálogos de filmes série B.

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Um dos bosses pequeninos e bonitinhos

Como não podia deixar de ser, este jogo apresenta também uma série de extras. Completar o jogo num menor espaço de tempo possível desbloqueia vários bónus, desde o mítico lança rockets e/ou metralhadora com munição infinita, novas vestimentas para as personagens, e o mini-jogo Leech Hunter. Este mini-jogo consiste em visitar a mansão repleta de criaturas, e coleccionar um determinado número de “leech charms” (máximo de 100). Consoante o resultado também se desbloqueiam alguns goodies, como munição infinita para todas as armas do jogo.

Resident Evil Zero é um bom jogo para quem gosta da série clássica do Resident Evil. Para os fãs é um must-have, pois o jogo conta a história de (quase) tudo o que esteve por detrás dos restantes jogos envolvendo a Umbrella, tem uma envolvente audiovisual muito bem conseguida. Peca apenas pelo arcaico esquema de controlo das personagens que a Capcom implementou. Vendo outros jogos como Eternal Darkness e até o próprio Devil May Cry de Shinji Mikami, que a Capcom poderia ter incluido um esquema mais moderno. Resident Evil Zero foi também relançado para a Nintendo Wii, tirando partido dos seus controlos com sensor de movimento.

Resident Evil (Nintendo Gamecube)

RE 1 RemakeUma das razões que me fez escolher a Gamecube como a consola de eleição da geração passada algures em 2002, foi o facto de a série principal Resident Evil se tornar “Exclusiva” para a nova consola da Nintendo (o que obviamente acabou por não acontecer). Junto desse anúncio foram mostradas imagens de um remake do primeiro jogo da série, com gráficos modernos e puzzles repensados. Bom, eu babei-me ao ver aquilo e ainda com o anúncio do Resident Evil Zero com o mesmo motor gráfico e futuramente sair exclusivamente o Resident Evil 4, foi razão mais que suficiente para eu ter torrado cerca de 260€ por uma Gamecube e um jogo em 2002. O meu jogo foi comprado a um amigo meu da escola secundária por cerca 30€, está em boas condições.

Resident Evil GC
Jogo completo com caixa e manual

Resident Evil é um jogo e uma série que dispensa apresentações. Apesar de os survival horrors como os conhecemos hoje tenham nascido com o Alone in the Dark da Ubisoft, Resident Evil (Biohazard no Japão) foi a série que definitivamente popularizou o género, gerando vários clones e outros jogos que se tenham inspirado nesta série. O jogo original saiu em 1996 para a Playstation, apresentava a história de 2 membros da polícia especial de Racoon City (S.T.A.R.S.) numa missão de resgate de uma outra equipa STARS que tinha sido perdida nos bosques de Racoon City, equipa essa que por sua vez se encontrava a investigar a origem de vários crimes macabros: desaparecimento de pessoas, e vítimas com indícios de canibalismo. Os protagonistas chamam-se Chris Redfield e Jill Valentine, nomes sonantes nos vários Resident Evil que se vieram a suceder. A segunda equipa S.T.A.R.S. acabou por ser também atacada no bosque por cães zombies e procuram refúgio numa mansão próxima, que servia de instalações da empresa farmaceutica Umbrella Corporation. Os membros sobreviventes Chris, Jill, Barry e o líder Wesker decidem separar-se de modo a encontrar sobreviventes dos restantes S.T.A.R.S. e arranjar uma forma de eles próprios sairem dali em segurança. Assim começa a aventura onde o jogador decide se quer jogar com o Chris ou a Jill. Com o decorrer da aventura vão descobrindo muitos horrores, zombies por todos os lados e outras criaturas geneticamente modificadas através do T-Virus desenvolvido pela Umbrella. O resto… joguem vocês!

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ângulos esquisitos que aumentam a tensão do jogo - este nem tanto

Eu devo confessar que, por nunca ter tido nenhuma consola da Sony até este ano, a versão original do Resident Evil pouco me passou pelas mãos. Apenas joguei um pouco da versão PC e PS1 através de emulação. Portanto, ao contrário de muitos veteranos do jogo original, Resident Evil foi uma experiência completamente nova para mim neste remake. A Capcom afirma que alterou 70% do jogo, desde salas com o design trocado, novos puzzles, puzzles antigos modificados, mais armas, modos de jogo, inimigos, a história secundária de George Trevor, bem como menções a protagonistas dos jogos seguintes, de modo a tapar buracos na história que existiam anteriormente. A história principal em si permaneceu inalterada. Escolher Chris ou Jill leva o jogo por caminhos diferentes, aumentando o replay value. Além disso Chris e Jill apresentam diferenças na sua jogabilidade. Jill é mais rápida, mas mais fraca e tem uma maior capacidade de armazenamento de items. Já o Chris é mais forte, porém mais lento e com capacidade para levar menos 2 items que a Jill.

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Jill a explorar a sala... uma passagem secreta talvez?

O gameplay permanece +/- o mesmo do jogo original, contudo introduzindo algumas novidades dos jogos seguintes tal como a volta rápida de 180º. De resto são na mesma os “tank controls” que os jogos clássicos da série tão bem eram conhecidos. Este esquema demora um pouco a acostumar e dificulta a experiência do jogo desnecessariamente. A Capcom  introduziu porém novos métodos de controlo secundários, mas são igualmente confusos. Uma outra novidade no gameplay deste remake consiste na introdução de items defensivos, que são utilizados automaticamente quando um inimigo agarra a personagem. Temos facas, tasers para a Jill ou granadas para Chris. O jogo decorre ao longo de várias áreas de uma enorme mansão, inclusivamente os subterrâneos que albergam laboratórios cheios de aberrações. Muitas criaturas vão sendo encontradas, puzzles para desvendar. Como disse acima os personagens têm um certo número de items que podem carregar ao mesmo tempo muitos deles importantíssimos para a sobrevivência ou para resolver puzzles. Contudo existe um sistema de “arcas mágicas” ao longo do jogo onde podemos alojar os items que não precisamos para mais tarde os utilizar. Os items que guardarmos numa arca ficam acessíveis em todas as outras (excepto no modo de jogo “Real Survival”). Os zombies estão mais inteligentes. Podem abrir portas, rebentar janelas (belos sustos que isto me rendeu), inclusive num ou noutro modo de jogo temos um certo zombie familiar que nos pressegue ao longo da mansão, repleto de granadas presas ao seu corpo que se tivermos a infelicidade de lhe dar um tiro é game over na certa. Ao completarmos o jogo vamos desbloqueando várias coisas, desde novas vestimentas para as personagens, novas armas (incluindo um lança rockets com munição infinita – adoro esta arma), 3 novos modos de jogo: Real Survival, Invisible e One Tough Zombie e até artwork ou mensagens deixadas pelos próprios criadores do jogo. Replay value ao máximo.

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Bicho bonito, é melhor fazer-lhe umas festinhas com a shotgun.

Graficamente o jogo é belíssimo, deixou-me de queixo caído da primeira vez que o vi em funcionamento. Os cenários, apesar de serem pré-renderizados e com câmaras fixas, encontram-se muito bem feitos e detalhados. Os modelos tanto das personagens principais como das próprias criaturas são uma delícia para os olhos ainda nos dias de hoje. Aqueles bosses gigantes são realmente um espanto. Além disso a Capcom conseguiu desenvolver um óptimo sistema de iluminação e de sombras que interage perfeitamente com os cenários pré-renderizados. Detalhes como as partículas da cabeça de zombies a serem desintegradas a tiros de shotgun são fenomenais. O som também se encontra bem conseguido. As vozes e diálogos foram todas regravadas dando um tom mais sério ao jogo, ao invés do diálogo digno de filmes de série B presentes no jogo original. As criaturas soam aterradoras e é possivel ouvir os seus passos e gemidos, mesmo que não os consigamos ver, aumentando assim o clima de tensão presente no jogo. Toda esta conjugação de visuais fantásticos e som bem definido, aliado aos corredores apertados e escuros de uma mansão sinistra, bem como outras áreas como o seu cemitério, túneis e laboratórios, tornam este Resident Evil, na minha opinião, como o mais assustador de toda a série. Apenas Resident Evil Zero chegou lá perto (também por usar o mesmo motor de jogo e ter uma mansão própria).

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Este boss é fenomenal

Sinceramente, depois deste jogo nem fiquei com vontade de jogar o original. Este remake é tão bem conseguido que voltar às texturas, modelos e voice acting da versão PS1 até parece crime. Ainda assim conto em comprar uma das versões existentes do jogo original para colecção. Este Remake porém foi relançado na Wii, mantendo todo o seu esplendor da versão Gamecube e adicionar suporte ao Wiimote. Sejam veteranos da série Resident Evil, ou simplesmente gostam de jogos de terror, não deixem escapar esta pérola.

Viewtiful Joe (Nintendo Gamecube)

VJ GCNEscrever aqui está-se a tornar cada vez mais complicado devido à minha carga de trabalho, mas há-de melhorar eventualmente. O jogo de hoje é mais um dos Capcom Five, que mencionei anteriormente nas análises do Killer 7 e P.N. 03. Viewtiful Joe foi lançado em 2003 pela “Team Viewtiful” que mais tarde haveria de ser conhecida como “Clover Studio”, estúdio da Capcom responsável por GodHand e Okami. A minha cópia foi comprada há pouco tempo no ebay UK pela quantia de 5 libras. Está impecável e felizmente não é a versão com a capa cor de rosa. 😛

Viewtiful Joe
Jogo completo com caixa e manual em inglês.

De todos os jogos da série Capcom Five (excepto o Resident Evil 4, que não é uma franchise original), Viewtiful Joe foi a série que mais vingou, com o lançamento de várias sequelas em diferentes plataformas e teve direito à sua própria série de animação. Viewtiful Joe saiu em 2003 e é um beat ‘em up sidescroller  à moda antiga repleto de referências cinematográficas e paródias aos milhentos de diferentes programas do tipo “Power Rangers” que existem por esse mundo fora, em especial no Japão. Neste jogo estamos no papel de Joe, um fanático por filmes de acção que, ao ver um filme do Captain Blue com a sua namorada Silvia, esta é raptada pelo vilão do filme e Joe tem de entrar dentro do filme, a chamada “Movieland” para a salvar. Lá descobre o Captain Blue que lhe passa os seus poderes, podendo Joe transformar-se numa espécie de “Power Ranger” com vários golpes especiais de nome VFX. São precisamente esses poderes especiais que tornaram Viewtiful Joe num sucesso, pois introduziram um gameplay algo novo na altura. No primeiro jogo da série são 3 poderes: Slow, Mach Speed e Zoom. Em Slow o efeito que provoca é semelhante ao bullet-time visto em Matrix e em Max Payne, por exemplo.  Tem também a particularidade de tornar os golpes e explosões mais fortes. O Mach Speed é o contrário, torna a acção bastante rápida e consegue-se dar bastantes mais golpes num inimigo do que normalmente. Finalmente, o Zoom como o nome indica permite aproximar a câmara de Joe, permitindo fazer alguns golpes mais “cinematográficos” e uns outros que de outra forma não seria possível fazer. Zoom tem a possibilidade de ser usado em conjunto com Slow ou Mach Speed. Como não poderia deixar de ser, existe uma barra de energia própria para os VFX, sendo que o seu abuso pode levar a que Joe fique momentaneamente sem o seu fato especial e seus respectivos super poderes.

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A dar porrada num boss

O jogo acaba por ser uma paródia aos filmes de acção no geral, com uma história bastante “cheesy“, e bosses carismáticos. Como já disse anteriormente, a paródia assenta mais nas séries do género “Power Rangers”, existindo desde rangers inimigos até batalhas com robôs gigantes. A história é contada ao longo de 7 episódios diferentes, onde apenas se pode fazer save game no início e no meio de cada episódio respectivo. A performance de Joe  nas batalhas é recompensada com pontos, bem como os items que vão sendo apanhados também fornecem pontos. Esses pontos são vitais, pois de vez em quando temos a hipótese de ir a uma loja trocar os pontos por mais golpes, items, up grades, vidas, etc.

Viewtiful Joe não é um jogo fácil e a habilidade do jogador vai ser posta à prova várias vezes. Quando se morre volta-se ao início do nível, “enxames” de inimigos, mais alguns puzzles que podem ser resolvidos usando os VFX, tornam Viewtiful Joe numa experiência bastante divertida, mas algo dificil. O jogo tem algum replay-value, no entanto. No início somos confrontados com apenas 2 dificuldades: Kids e Adults. Ao finalizar o jogo em Adults desbloqueamos um novo jogador (neste caso a Silvia, namorada de Joe) e uma nova dificuldade (V-Rated). Completando o jogo em V-Rated desbloqueamos Alastor (outrora um inimigo) e o modo Ultra V-Rated. Finalizando o jogo neste modo desbloqueamos a personagem final, o próprio Captain Blue. O que tem de especial desbloquear estas personagens? Pode-se jogar o jogo inteiro com a nova personagem, herdando novos golpes e habilidades, bem como uma história diferente (embora os níveis do jogo sejam semelhantes).

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Um nivel à moda de um R-Type

Tecnicamente é um jogo bastante interessante, o seu estilo gráfico em Cel-Shading confere uma atmosfera comic/cartoon que assenta perfeitamente ao conceito do jogo. Fez-me lembrar Killer 7, em algumas alturas. Os inimigos estão bem modelados e é óptimo andar a brincar com os diferentes VFX, esses efeitos estão bem conseguidos. A nível de som, a banda sonora é composta maioritariamente por músicas pop/rock, algo habitual em “teenager action movies” que o jogo tenta representar. Um outro extra que pode ser desbloqueado se jogado o modo “Kids”, é um videoclip musical da música “Viewtiful World”, onde os compositores da banda sonora do jogo participam, embora modelados pelas personagens de Viewtiful Joe. Este videoclip pode ser visto facilmente no youtube.

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Dante, de Devil May Cry na versão PS2

Viewtiful Joe foi relançado no final de 2003 no Japão com o nome “Viewtiful Joe: Revival”, adicionando um novo modo “Sweet Mode”, mais fácil que “Kids”. Posteriormente em 2004 saiu também para a Playstation 2, com o Dante de Devil May Cry como uma personagem desbloqueável. Apesar de tecnicamente a versão de Gamecube ser ligeiramente superior, os fãs podem preferir a versão PS2 por esse extra.

P.N. 03 (Nintendo Gamecube)

Na review de Killer 7 falei de uma série de jogos que ficaram conhecidos como os Capcom Five, 5 jogos inicialmente planeados para serem exclusivos para a então consola da Nintendo, a GameCube. Dos 4 jogos que acabaram por eventualmente sair, P.N. 03 é até à data o único título que permaneceu exclusivo, por alguma coisa há-de ter sido, e é disso que irei escrever. Comprei o meu exemplar no miau.pt, sinceramente já não faço a mínima ideia de quando foi nem quanto custou… mas está completo e em bom estado.

PN 03 GCN
Completo com caixa e manual

Da mente do criador de Resident Evil (Shinji Mikami), P.N. 03 é um shooter futurista, onde encarnamos a pele de Veronica Z. Schneider, uma caçadora de prémios (humm, onde é que eu já vi um conceito semelhante…). A trama decorre num futuro distante, onde a raça humana se encontra a colonizar vários outros planetas e o exército desenvolveu uma série de robots militares sofisticados “Computerised Armament Management System (CAMS)”. Claro que nem tudo corre bem e numa das colónias os robots avariam e massacram bastantes civis, incluindo os pais de Vanessa. No início do jogo Vanessa é então contratada por um cliente secreto para ir à tal colónia e dar cabo dos robots, e é aí que entramos em acção.

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É melhor desviar.

Product Number Three tem uma mecânica de jogo muito peculiar. Vanessa é uma menina bastante ágil, cuja técnica de combate mais se assemelha a coreografias de dança e/ou ginástica. Pegando num exemplo recente, vejam a menina do Bayonetta, é parecido. Inicialmente Vanessa estaria equipada com uma arma e a jogabilidade era bastante mais dinâmica. Contudo Shiji Mikami achou que a jogabilidade estaria muito parecida ao Devil May Cry (um outro jogo de sua autoria) e decidiu repensar as coisas. A arma foi retirada, Vanessa lançaria bolas de energia através da palma das mãos, bem como alguns ataques especiais que já falo mais à frente. A jogabilidade ficou mais travada, não se pode disparar enquanto se move e o facto de poder-se desviar do fogo inimigo e procurar abrigo (uma estratégia mais defensiva portanto) foi encorajada. À semelhança de Samus Aran (pronto, tinha de o dizer…) Vanessa também está equipada com um fato especial que lhe confere alguns poderes especiais, sejam ataques normais da palma das mãos, sejam ataques especiais chamados Energy Drive. Estes ataques são bastante destrutivos e requerem uma combinação de botões característica para os activar. Como não poderia deixar de ser, não dá para abusar dessas técnicas especiais, pois as mesmas consomem uma barra de energia especial (que pode ser restaurada com o uso de alguns items espalhados ao longo dos níveis). Ao longo do jogo vamos ganhando pontos, cujos pontos ao fim dos níveis podem ser usados para fazer “tuning” ao fato de Vanessa, comprando mais Energy Drives, aumentando a defesa, ataque, comprar fatos inteiramente novos (com novos Energy Drives para desbloquear, etc).

beta
Screenshot de uma versão antiga do jogo, onde Vanessa tinha uma arma

Sempre que se termina um nível, temos também a possibilidade de jogar as “Trial Missions”. Estes são níveis de treino completamente opcionais, onde se jogam níveis gerados completamente aleatoriamente baseados nos layouts e inimigos do nível anterior. Existem 5 trial missions para cada nível, onde só poderemos jogar a trial mission seguinte se terminarmos a anterior com um ranking de “Professional”. Mas para quê jogar as Trial Missions? Para ganhar pontos de modo a adquirir novos fatos, ataques, etc. Só com o que se faz no jogo normal não é suficiente… ah, e jogando as Trial Mission todas também se desbloqueia uns fatinhos especiais no fim do jogo.

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Pimba, pega lá disto

Como mencionei lá atrás, a jogabilidade de P.N. 03 é um pouco travada. Desviar-se do fogo inimigo e atacar no momento certo é vital, e à medida que se vai jogando também se vai descobrindo as “manhas” dos inimigos comuns, conseguindo tirar-lhes a tosse sem grandes problemas. A nível gráfico o jogo não é nada de especial, mas também não é muito feio tendo em conta os padrões tecnológicos de 2003. Perde muito é na falta de variedade dos cenários. Os poucos momentos no exterior, é tudo castanho, depois dentro das instalações dos CAMS é tudo branco e cinzento. Todas as salas muito parecidas entre si, a jogabilidade travada e a ausência de vida ao longo do jogo todo, tornam esta experiência muito “solitária” e monótona, o que torna também as Trial Missions muito aborrecidas de se jogar, ao fim de algum tempo. A solidão por si só não é um mau parâmetro… vejam o que acontece em Metroid, eu não me queixo! A nível de som não há muito a dizer, a música é electrónica a condizer com o universo futurista e o ritmo de dança da própria Vanessa.

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Papillon Suit, o último a ser desbloqueado - Vanessa em trajes menores

Para concluir, P.N. 03 poderia vir a ser muito melhor se a jogabilidade tivesse sido melhor aproveitada, e se os cenários tivessem sido mais elaborados. Jogar sempre no mesmo ambiente cansa. Curiosamente vejo sempre 2 sucessores espirituais deste jogo: Bayonetta e Vanquish, ambos da Platinum Games e o segundo também com a mão de Shinji Mikami. Enquanto Bayonetta também tem uma jovem extravagante que vai defrontando os inimigos em poses estranhas, Vanquish é um shooter futurista contra robôs bem mais dinâmico e frenético. Julgo que era algo desse nível que o próprio Shinji Mikami gostaria de ter feito em Product Number Three.

Killer 7 (Nintendo GameCube)

No já longínquo ano de 2001, a Capcom fez um importante anúncio,  manifestando o seu apoio à Nintendo GameCube. Para além de continuarem a desenvolver o Resident Evil Zero da N64 para a GC, foi também anunciado que a GameCube iria receber um Remake completamente novo do primeiro jogo da saga, ports directos dos restantes Resident Evil (2, 3 e Code Veronica), bem como o próximo capítulo da saga, o Resident Evil 4. Este apoio da Capcom veio-se a reforçar no ano de 2002, onde foram anunciados os “Capcom Five”, uma série de 5 jogos de “alto calibre” exclusivos para a GameCube:

P.N. 03
Dead Phoenix
Killer 7
Viewtiful Joe
Resident Evil 4

Ora mais tarde a Capcom afirmou que se tinha enganado e apenas o Resident Evil 4 seria um absoluto exclusivo da GameCube (o que acabou por não ser verdade mais uma vez). O P.N. 03 visto não ter sido um sucesso, permaneceu exclusivo para a GC, o Dead Phoenix infelizmente foi cancelado. Os restantes acabaram por receber ports para a PS2.

O Killer 7 foi dos Capcom Five que mais atrasou o seu lançamento, tendo sido lançado apenas em 2005. É o primeiro jogo do controverso produtor “Suda51” a chegar às mãos dos jogadores ocidentais, tendo sido uma colaboração conjunta entre Suda51 e Shinji Mikami, autor de Resident Evil.

E o que podem esperar deste jogo? Bem, é difícil explicar, mas eu diria que é um cruzamento entre a violência de um filme de Tarantino, o horror excêntrico digno de uma BD de Neil Gaiman e o grafismo de Frank Miller, misturado com uma jogabilidade entre aventura on-rails e first person shooter. Confusos? É essa a ideia.

Este jogo desde cedo chamou a atenção pelo seu visual incomum (característica que se veio a repetir no próximo trabalho de Suda51, No More Heroes), os gráficos dão um feel muito comic book na onda de alguns trabalhos de Frank Miller e Neil Gaiman conforme refererido atrás. Killer 7 coloca-nos na presença de um assassino multi-facetado com 7 personalidades diferentes, cada uma com a sua característica especial. O jogo está repleto de cutscenes, ora apresentadas com o próprio motor gráfico do jogo, ora apresentadas num estilo mais anime.

A história ronda bastante entre Harman Smith (líder do grupo) e Garcian Smith, o subordinado que recebe a indicação dos próximos alvos para abater. Em relação à história do jogo em si, é difícil explicar, pois o jogo é tão bizarro e cheio de twists que as coisas deixam de fazer muito sentido. Passa-se num futuro pacifista, onde começam a surgir ataques terroristas de uma organização de nome “Heaven Smile”, liderada pelo arqui-inimigo de Harman Smith, Kun Lan. A organização marca-se por infectar indivíduos com um vírus que transforma os humanos em seres mutantes assassinos, com a capacidade de se explodirem por sua própria vontade. A narrativa do jogo anda em volta da Heaven Smile, o confronto Harman Smith vs Kun Lan, as diferentes personalidades dos Killer 7, um plot político entre o Japão e os USA, etc. Só mesmo jogando para ver.

Uma das coisas que mais deu gozo, foram as cutscenes envolvendo assassinatos/suicídios completamente bizarros, achei genial a luta contra os heaven smiles de 2 políticos japoneses, completamente desfigurados após cada um ter levado um tiro na testa. Eu sei que isto pode soar mal, mas eu gostei. Até porque a luta em si é bastante peculiar. Eles os 2 passam o tempo a vomitar batatas voadoras em relação ao jogador, sim, leram bem. A única maneira de os vencer é dar um tiro no cérebro de cada um, o que não é muito fácil visto eles estarem sempre de frente para o jogador.

Killer7 boss
Boss - Kuruhasi e Akiba

A nível de jogabilidade, o jogo é todo on-rails ou seja, em caminhos pré-determinados. O jogador pode-se movimentar apenas para a frente e para trás num determinado trilho. De vez em quando aparecem “encruzilhadas”, onde se pode escolher um trilho diferente a percorrer, bem como interagir com objectos de modo a resolver alguns puzzles ou adquirir itens. A componente de shooter é toda feita em primeira pessoa, sendo que cada assassino possui apenas uma arma característica, bem como algumas habilidades.

Devido a um visual tão diferente, e uma jogabilidade muito peculiar, o jogo não foi propriamente um sucesso de vendas, tendo adquirido uma plateia de fãs muito selecta. Existem 2 versões do jogo, a original para a GameCube e a conversão PS2. As más línguas dizem que a versão PS2 é um pouco inferior na sua performance, eu apenas possuo e joguei a versão GC pelo que não posso comentar acerca da veracidade dessas afirmações. Concluindo, quem gosta de filmes repletos de violência gratuita e histórias completamente mind-fuck, deveria definitivamente experimentar o Killer 7, seja para que versão for.

Para mais informação, screenshots, vídeos, etc:

http://uk.cube.ign.com/objects/495/495539.html