Devil May Cry 4 (Sony Playstation 3)

Devil May Cry 4Já há algum tempo que não trazia nada cá da Playstation 3, na verdade apenas recentemente é que consegui jogar essa plataforma com mais regularidade e este Devil May Cry 4 foi o jogo que mais atenção dei desde então. Este jogo conforme o nome indica é a quarta iteração desta série, sendo uma sequela directa de Devil May Cry 2 (já que o anterior era uma prequela) e o primeiro jogo da série para as consolas da actual geração, tendo saído também para Xbox360 e mais tarde um port optimizado para PC. A minha cópia chegou-me à colecção mais cedo neste ano, tendo sido comprada na GAME do Maiashopping por cerca de 10€. Está completa e em óptimo estado.

Devil May Cry 4 - Sony Playstation 3
Jogo completo com caixa e manual

Durante um período de cerca de 20 minutos para instalação do jogo no disco rígido, vamos relembrando a história de Dante e companhia nos primeiros 3 jogos. Devil May Cry 4 tem um novo protagonista principal, apesar de Dante ainda ser uma peça muito importante na trama, sendo inclusivamente jogável em várias missões. O novo protagonista tem o nome de Nero e tal como Dante é um descendente de Sparda, embora essa ligação não é clara no jogo em si. E começamos o jogo com Nero a assistir uma espécie de concerto/cerimónia religiosa da “The Order of the Sword”, uma ordem religiosa que venera o lendário Sparda, pai de Dante e Virgil que salvou a raça humana há muitos anos atrás. E é nessa mesma cerimónia que Dante dá uma da “Party Crasher”, entrando de rompante e atacando meio mundo, incluindo o líder da ordem – Sanctus. E começamos assim a acção com um primeiro confronto entre Nero e Dante, onde Dante acaba por escapar e é incumbido a Nero a tarefa de o perseguir. Contudo, ao longo do jogo vamos nos aperceber que a ordem estava a utilizar poder demónico para atingir os seus fins, coisa que como sempre nunca corre bem.

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O jogo começa logo a abrir com um embate entre Nero e Dante, servindo também de tutorial

As mecânicas de jogo mudaram um pouco, mas a essência de Devil May Cry continua lá, sendo um jogo de acção com um sistema de combate que mistura ataques melee, armas de fogo, poderes demoníacos, e um sistema de combos frenético. Inicialmente dispomos apenas de uma espada e revólver, mas mais à frente iremos obter novas armas para Nero/Dante, cada uma com os seus golpes próprios e habilidades. Uma das novas habilidades que para mim foi a mais interessante é o Devil Bringer de Nero. Este poder permite-lhe agarrar os inimigos e puxá-los para ele e vice-versa, acabando por ser bastante útil no combate, para além de ser igualmente necessário para atravessar certas secções nos cenários. Mais de metade do jogo é passada a jogar com Nero, quando passamos a jogar com Dante, herdamos as suas mecânicas de jogo de Devil May Cry 3, o que acaba por custar um pouco a habituar. Para o Dante, podemos alternar livremente entre os estilos Trickster, Royal Guard, Swordmaster ou Gunslinger, cada qual com os seus combos próprios. Ao derrotar cada boss herdaremos também outras armas que podemos igualmente alternar entre elas a qualquer momento do jogo e mais uma vez, cada arma com as suas características e combos próprios. Já o Devil Trigger, a capacidade de Nero ou Dante se transformarem temporariamente numa versão demoníaca de si mesmos, têm também diferentes habilidades entre si. E como seria de esperar, também se podem evoluir as mesmas. Outra mudança que ocorreu foi no sistema de “loja” do jogo. Nos jogos anteriores, as “red orbs” – obtidas ao derrotar os inimigos ou destruir objectos, por exemplo – eram utilizadas como moedas de troca para comprar items ou novas habilidades e técnicas para as personagens e suas armas. Neste jogo as Red Orbs são inteiramente para items, já as habilidades podem ser compradas com as “proud souls“. Essas proud souls são atribuídas no final de cada missão, mediante a avaliação da nossa performance.

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É possível fazer-se lock-on a um inimigo de cada vez

Mas nem só de combate vive o Devil May Cry 4, também temos alguns puzzles e a habitual procura de items para activar outros objectos que nos permitam avançar no jogo. Um deles é a habilidade de abrandar o tempo, para nos permitir avançar alguns obstáculos que de outra forma seriam impossíveis de ultrapassar. Como nos jogos anteriores, Devil May Cry 4 tem várias Secret Missions escondidas ao longo dos cenários, missões essas com desafios que muitas vezes exigem um domínio e habilidade máxima nos controlos do jogo. O mesmo é válido para os vários graus de dificuldade que vamos desbloqueando à medida em que terminamos o jogo no grau de dificuldade anterior, com as coisas a chegarem a um ponto onde não existe margem para erro. Não chego a esse nível de sadismo, felizmente. Mas há quem chegue e são recompensados por isso, ao desbloquear várias galerias de artwork, as versões “Super” de Dante e Nero (com Devil Trigger ilimitado) e o infame Bloody Palace, um exigente modo “survival” onde temos de sobreviver a várias waves de inimigos ao longo de 100 andares. O jogo possui também um sistema de achievements interno, penso que na altura em que o mesmo saiu, a PS3 ainda não tinha adoptado o sistema de trophies, mas corrijam-me se estiver errado.

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A Pandora é uma arma de fogo para Dante, bastante versátil e poderosa, se utilizada correctamente

Graficamente é um jogo competente, embora seja jogado em 720p. É inegável que a PS3 em 2008 já conseguia fazer melhor, mas ainda assim achei o jogo bastante agradável, com cenários variados, desde uma cidade com uma arquitectura interessante, passando por florestas, cavernas, ou enormes monumentos com imensos corredores e salinhas. Gostei do design dos inimigos e dos bosses, achei um bonito toque por parte da Capcom em fazer uma galeria 3D dos inimigos, bosses e personagens, items e afins que encontramos ao longo do jogo, permitindo-nos admirá-los com toda a calma. As músicas são também variadas entre si, onde tanto temos músicas épicas ou mais calminhas, tipicamente religiosas, bem como aquelas mais “a rasgar” com o hard rock presente na série desde o primeiro jogo. E ainda bem, pois é o que mais se enquadra com a personalidade de Dante e companhia.

Posto isto, Devil May Cry 4 é na minha opinião mais uma boa adição à série, embora infelizmente me pareça que tenha sido um ponto final nesta quadrilogia, pois em DMC a Capcom decidiu fazer um reboot à coisa, o que gerou opiniões mistas. Mas voltando a este DMC4, o mesmo saiu também para X360 e PC, conforme mencionei há pouco. Não joguei a versão X360, pelo que não sei como se comporta a nível de performance em relação à de PS3. Já a versão PC, é um port muito competente por parte da Capcom, onde para além de podermos jogar com uma resolução maior, o jogo está também com um framerate mais fluído. Mas como eu sou apologista de se jogar algumas séries em certas plataformas, e como sempre identifiquei Devil May Cry com a PS3, prefiro manter-me por aqui.

God Hand (Sony Playstation 2)

God HandO jogo de hoje é mais um exemplo da onda criativa que atravessou os estúdios da Capcom na geração passada, desta vez o já extinto Clover Studios, que trabalhou anteriormente em jogos como Okami ou Viewtiful Joe. God Hand é um jogo de “perrada” situado num mundo pós apocalíptico / western, repleto de momentos WTF e cómicos. Infelizmente conseguiram dar alguns tiros ao lado neste jogo, conforme será descrito mais à frente. A minha cópia foi comprada na GameStop algures em Agosto/Setembro deste ano, não me custou mais de 10€ e está como nova.

God Hand PS2
Jogo completo com caixa e manual

A história segue o lutador Gene, que após ter tido um braço decepado por uma série de rufias, encontra-se com a bela jovem Olivia que sendo a última guardiã viva das “God Hands” entrega a Gene a última God Hand, substituindo o seu braço perdido e dando-lhe novos poderes. As God Hands foram umas armas outrora utilizadas para derrotar o grande demónio Angra, salvando assim a humanidade. Na altura em que o jogo decorre, 4 demónios (os chamados Four Devas) planeiam roubar a última God Hand a Gene e ressusitar Angra novamente. Isto é a história geral, os 4 Devas são 4 demónios algo cómicos e ao longo do jogo vamos encontrando vários outros mini-bosses igualmente hilariantes. Desde gémeos gays, “power rangers” anões, cientistas malucos, entre vários outros.

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Tau! Nas jóias de família!

O que God Hand tem de muito mal, na minha opinião é a sua jogabilidade, principalmente na parte da movimentação, bastante travada. Gene mexe-se quase como os “tank controls” habituais dos primeiros resident evil. Isto aliado ao facto da câmara ser fixa e apontar sempre na direcção em que Gene se encontra, torna esta experiência algo frustrante, por nem vermos os inimigos que se encontram atrás de nós até ser tarde demais. Em relação à pancadaria, a coisa melhora um pouco pois God Hand é um beat ‘em up bastante customizável. Os botões Triângulo, Quadrado e X podem ser customizados com vários golpes, resultando em diferentes combos. Estes golpes individuais são mais de 100 e podem ser adquiridos quer numa loja própria, quer ao derrotar alguns bosses ou mesmo ao vencer alguns dos mini-jogos. O botão “O” é uma espécie de botão multi-usos, podendo ser utilizado para abrir portas, cestos, pegar em objectos, ou até aplicar uns golpes especiais para quando os inimigos estão tontos ou cansados: desde joelhadas na cabeça, passando por “suplexes” ou até palmadas no rabiosque de meninas mal comportadas (a sério!). Existem também outras técnicas especiais, as “Roulette”. Estes são golpes poderosos que podem ser desencadeados a troco de 1 ou mais “roulette orbs” – items encontrados ao longo do jogo. Para finalizar esta parte, God Hand tem ainda um modo que faz lembrar o Devil Trigger de Devil May Cry. Gene dispõe de uma barra de tensão que, estando no seu máximo, Gene pode utilizar os poderes da God Hand, tornando-o temporariamente invencível, bem mais rápido e mais forte. Obviamente que tudo o que é bom acaba depressa, portanto tanto os roulette techniques como o poder da God Hand devem ser usados com precaução.

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Shannon, uma diabinha cheia de estilo

God Hand é um jogo difícil. Embora possamos escolher um nível de dificuldade no início do jogo, existe também um “rating level” que funciona da seguinte maneira: Se estivermos a jogar muito bem e conseguirmos dar vários hits seguidos, o nível do barómetro aumenta, e o jogo aumenta a sua dificuldade. Se pelo contrário estivermos constantemente a levar no corpo, o jogo torna-se um pouco mais fácil (os inimigos demoram mais a atacar). A estrutura do jogo segue por níveis acedidos através de um mapa. Cada nível é por si dividido em vários rounds, que podem ser áreas grandinhas, como áreas pequenas com algumas lutas mais importantes. Para além disso, pode também ser visitada entre cada round uma ilha com vários locais de interesse, entre os quais uma loja onde Gene pode adquirir ou vender vários golpes ou items que lhe fortaleçam. Existe também uma arena onde podemos treinar os vários golpes e combos disponíveis, bem como realizar algumas “missões” que passam por derrotar um número fixo de inimigos num dado intervalo de tempo (ou não). Finalmente existe também um casino onde podemos jogar videopoker, Blackjack e Slot Machines, para ganhar algum dinheiro ou até algumas técnicas exclusivas.

Graficamente God Hand é um jogo bastante simples. Os cenários (salvo raras excepções) são bastante simples e pouco detalhados. As personagens (principalmente as mais importantes) já estão bem modeladas e detalhadas. A câmara sendo fixa provoca alguns glitches gráficos também, como o clipping exagerado entre paredes de edifícios. No que diz respeito ao som, apesar de não ser um jogo muito pretencioso neste aspecto, acho que God Hand até desempenha um bom trabalho, tendo em conta que quer passar uma atmosfera toda “série B”. O voice acting acompanha perfeitamente toda a parvoíce (no bom sentido) que vai decorrendo ao longo do jogo.

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A escolher uma roulette technique

Para concluir, God Hand é um jogo repleto de humor e bizarrices. Infelizmente a jogabilidade é muito travada, a câmara é trapalhona e os gráficos têm alguns problemas. Isto aliando a uma dificuldade elevada (Shinji Mikami quis que este fosse um jogo para o público hardcore), deixam esta experiência com um sabor agridoce. God Hand seria um jogo excelente (para os meus gostos), se não o tivessem deixado com estes problemas. Ainda assim não deixa de ser um jogo com um certo “cult” por detrás (e merecido!) pelo que recomendo vivamente que pelo menos o experimentem. Para além da versão original PS2, God Hand está também disponível para a PS3 através de download na PSN. Experimentem!

Devil May Cry 3: Dante’s Awakening – Special Edition (Sony Playstation 2)

Devil May Cry 3Devil May Cry 3 foi tudo o que os fãs pediram após terem ficado desapontados com o DMC2. O jogo deixou de ser puramente de acção como em DMC2 e passou a integrar novamente elementos de puzzle e exploração, bem como o próprio sistema de batalha está parecido com o do primeiro jogo, mas bem mais avançado. Um ano e qualquer coisa após o DMC3 ter chegado ao mercado, a Capcom decide relançá-lo com mais conteúdo e a metade do preço, de modo a capitalizar no sucesso da série. A minha cópia foi comprada há poucas semanas no ebay UK por cerca de uns 1,5€ mais portes de envio. Uma pechincha, tendo em conta que o jogo está em óptimo estado.

DMC 3 Special Edition PS2
Jogo completo com caixa e manual

Devil May Cry 3 é na verdade uma prequela do primeiro jogo da série. Aqui as raízes de Dante são um pouco mais exploradas, mais concretamente o seu passado de rivalidade com o irmão gémeo Vergil. Para além de Dante e Vergil existe outra dupla de rivais humanos, Arkham e Lady. Vergil é o evil twin de Dante e neste jogo junta-se a Arkham (que se quer tornar num demónio) para roubar o colar oferecido a Dante pela sua mãe. Este colar, conforme já foi visto em Devil May Cry, juntamente ao colar do Vergil permite abrir as portas do Inferno que tinham sido seladas pelo pai de Dante e Vergil, o poderoso demónio Sparda. Sem querer revelar mais pormenores, Lady é também uma caçadora de demónios, que embora não se junte a Dante por ele ser meio-demónio, também tenta impedir o plano de Arkham e Vergil.

As grandes novidades deste jogo estão no gameplay. Começando pelas armas “devil arms“, estas são adquiridas após se defrontar um determinado boss, ao invés de serem simplesmente encontradas como nos 2 jogos anteriores. Para além de armas melee, Dante poderá utilizar vários tipos de pistolas, que estas são encontradas ao longo do jogo. Os níveis estão novamente separados por missões, desta vez com mais foco na exploração e resolução de alguns puzzles. O combate foi o que recebeu mais alterações. Existem 4 estilos base de luta (podendo depois serem desbloqueados mais alguns), cada estilo tem algumas técnicas mais exclusivas. Trickster (o inicial) é um estilo balanceado, onde o esquivar de golpes é focado. Swordmaster e Gunslinger, com especialização em melee weapons ou armas de fogo respectivamente e Royal Guard, que aposta num gameplay mais defensivo. Estes estilos de luta podem ser alterados quer no início de cada missão, quer quando se visita uma “Statue of Time”. Ao lutar vamos ganhando experiência no estilo de luta, podendo depois aprender novas técnicas. Outra novidade reside no facto de Dante apenas poder transportar consigo um par de armas melee e outro de armas de fogo, podendo ser alternadas usando os botões L2 e R2.A escolha das armas a utilizar também é feita antes das missões ou na Statue of Time. Também de volta está o mecanismo das “orbs”, com orbs de várias cores e funções diferentes. Amarela/dourado representam novas vidas ou continues, azul para aumentar a barra de vida, vermelho para comprar items ou fazer upgrades às armas, etc. Mais uma vez, à semelhança do primeiro jogo, cada “devil arm” tem as suas habilidades próprias (como o double jump por exemplo) e isso transpõe-se para o Devil Trigger – a forma demoníaca e poderosa de Dante que pode ser utilizada temporáriamente – que também terá diferentes habilidades consoante a arma equipada.

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Ecrã título

A grande novidade desta Special Edition está no facto de se poder jogar com Vergil. Vergil tem menos armas que dante e apenas um estilo de luta, mas também tem habilidades próprias que podem ser desbloqueadas. Para além disso, nesta Special Edition fez-se uma revisão na dificuldade do jogo (existem mais níveis de dificuldade), e melhorou-se o sistema de continues, permitindo o jogador recomeçar o nível ou ressuscitar instantaneamente no local onde morreu. Para além disso existe um “Turbo” mode que deixa o jogo 20% mais rápido, bem como o regresso do “Survival Mode” de Devil May Cry 2, o “Bloody Palace”. Existem também vários extras como imagens de artwork ou trailers que podem ser desbloqueados, bem como novas roupas para Dante e Vergil. Para isso tem de se ir completanto o jogo em todas as dificuldades, bem como obter o melhor rank possível em cada missão. É possível a qualquer altura rejogar uma missão anterior para melhorar o resultado.

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Vergil a dar cartas!

Graficamente, não acho que o jogo esteja muito mais bonito que o Devil May Cry 2. Mais variado sem dúvida, os cenários estão muito mais bem trabalhados, há novamente uma preocupação pela arquitectura “gótica” sempre presente, quer em cenários abertos de exteriores, quer em corredores apertados de castelos e afins. Já os modelos (principalmente das personagens principais) não estão assim tão bons, na minha opinião. Nota-se que tiveram um bom trabalho com as cut-scenes, agora bem mais “cinematográficas” e com bastante diálogo, algo que deixou a desejar no jogo anterior. A história deixou de ser uma coisa contada à pressa e aqui as coisas fazem todo o sentido. É um jogo agradável visualmente, mas já vi melhor na PS2 e o próprio DMC2 deixou-me mais agradado neste aspecto. A nível de som é o habitual, música ambiente (ou música nenhuma) em fases de exploração, quando começa o combate há uma explosão sonora e começa logo a dar música bastante mexida numa onda mais rock/electrónica, que acaba por agradar. O voice acting não está nada mau, bem como os efeitos sonoros, aqui apresentados em Dolby Pro Logic II (coisa que não tenho, mas pronto).

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Belos polígonos! (Screenshot de PC)

Apesar de ter gostado do caminho mais “simples” que o Devil May Cry 2 seguiu, não posso negar que prefiro este jogo dentro dos 3 existentes para a PS2. Os cenários são bastante variados como já referi, a história é mais empolgante e o próprio carisma do Dante está bem mais acentuado neste jogo. O sistema de batalha é um pouco mais complexo e requer bastante treino para se chegar ao fim. Obviamente que esta Special Edition é a versão a comprar (também existe no PC), tornando a versão original completamente obsoleta. A diferença de preço é practicamente nula (falando de ebay e amazon), portanto esta escolha acaba por ser a mais natural.

Devil May Cry 2 (Sony Playstation 2)

Devil May Cry 2 coverQuando se faz uma sequela de um jogo de sucesso, normalmente as expectativas são postas numa fasquia muito alta. Talvez por isso o Devil May Cry 2 tenha desapontado muita gente. Como só comprei a minha PS2 neste ano, só comecei a jogar estes jogos já muito depois do hype inicial, talvez por isso a minha perspectiva seja diferente e seja dos poucos que até preferem este jogo ao original. A minha cópia foi comprada neste ano no ebay UK, tendo-me custado apenas 3£ mais portes de envio, cerca de 7€ no total. Está completa e em bom estado.

Devil May Cry 2 PS2
Jogo completo com caixa e manual

Devil May Cry 2 é um jogo em que inicialmente poderemos usar 2 personagens. O já conhecido Dante, filho do demónio Sparda que salvou a raça humana há muitos anos atrás, e de mãe humana. Acompanhando Dante temos também uma personagem feminina que podemos escolher desde o início, Lucia, também semi humana. A história desta vez prende-se  com um tal de Arius, que se encontra à procura de uns items mágicos chamados “Arcanas” para libertar um poder demoníaco e assim conquistar o mundo. Lucia pede a Dante que vá com ele à Dumary Island, sua ilha de nascença e local onde Arius procura ressuscitar o demónio Argosax. Este jogo encontra-se dividido em 2 discos, sendo cada disco dedicado a uma personagem, podendo ser jogados de forma independente. As 2 histórias são semelhantes, sendo apenas a perspectiva de cada uma das personagens. Muitas áreas são idênticas, mudando apenas o caminho que Dante ou Lucia tomam. Sinceramente preferia que os níveis fossem sendo jogados de maneira alternada, e se calhar com mais alguma variedade entre os mesmos, seria melhor até para o desenvolvimento da história.

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Dante a dar uso às suas pistolas

A jogabilidade sofreu várias alterações desde o jogo original, e de facto aqui é algo que não gostei muito neste jogo. Passo a explicar: O sistema de combate básico a meu ver parece ter sido melhorado, com mais acrobacias e movimentos. O passo atrás está na variedade de “gameplay”. Em DMC1, se usássemos Alastor ou Ifrit, o estilo de luta mudava completamente, mesmo as próprias Devil Trigger. Aqui o facto de termos mais ou menos armas não traz nada inteiramente novo. Dante continua a usar espadas grandes e armas de fogo, já Lucia é mais uma “melee fighter”. Tem algumas espadas mais pequenas que usa ao mesmo tempo que luta com o corpo. Já de projécteis Lucia especializa-se mais em atirar facas, dardos, etc. Já o mecanismo do Devil Trigger a meu ver foi algo que mudou para melhor. O equipamento de Dante/Lucia não se resume apenas a armas, mas também uma espécie de joias que podem ser colocadas num colar. Essas jóias conferem habilidades especiais quando se utiliza o Devil Trigger, isto é, quando Dante ou Lucia alteram a sua forma humana para a demoníaca. O Devil Trigger é um “estado” especial, que usa uma barra de energia especial para ser consumida, tal como descrevi no Devil May Cry. Enquanto que no jogo original a forma de Devil Trigger de Dante e as suas habilidades modificavam consoante a sua “arma branca” escolhida, aqui é sempre a mesma. As habilidades são customizadas através da escolha das tais jóias que referi. A capacidade de voar, correr mais rápido, utilizar poderes elementais, curar-se mais depressa, entre outras, são alguns exemplos. Outra coisa que não gostei na jogabilidade foi o facto de o CPU fazer “auto-lock” aos inimigos para lutar. Nem sempre o CPU faz a melhor escolha do lock, e várias vezes nem quero lutar, apenas activar alguma switch e esse “auto lock” impede-me. Felizmente se carregar em R2 o lock desaparece, mas é desconfortável jogar dessa forma. Uma boa notícia foi a inclusão da habilidade de fazer o double jump logo de raiz, e torná-la independente do equipamento escolhido.

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O arsenal de Dante

Apesar de a jogabilidade ter alguns altos e baixos, gosto mais deste jogo que o original pelo simples motivo de ser um jogo mais voltado para a acção, e não uma mistura estranha de um jogo de porrada com um jogo de exploração e puzzles. DMC2 continua a ser um jogo dividido em missões, embora desta vez os níveis não sejam contínuos entre si. As secret missions do jogo original não existem, passando a existir as secret rooms que como o próprio nome indica são salas secretas espalhadas nas missões. Nestas salas secretas apenas há combates normais, no fim do mesmo o jogador recebe uma recompensa sob a forma de várias orbs, orbs essas que mantêm as mesmas funções que serviam no jogo original. Infelizmente aqui a câmara apesar de não ser de ângulos totalmente fixos, a mesma continua a não poder ser controlada, o que resulta mais uma vez em nem sempre termos o melhor ângulo do caminho que queremos tomar e dos inimigos que temos pela frente. Graficamente Devil May Cry 2 está superior. Muitos dos níveis são passados em exteriores, que apesar de não serem exteriores tão detalhados, apresentam arquitecturas que pessoalmente me agradam. Desde edifícios rurais que me fazem lembrar algumas aldeias do interior do nosso País, passando para cidades abandonadas que parecem terem ficado congeladas desde os anos 50, até zonas urbanas que, apesar de novamente desertas e não tão agradáveis como as anteriores, não deixam de ser bonitas. Quando passamos para os interiores então sim, acho que são tão ou mais detalhados que os de DMC1, até porque ao contrário do jogo original, aqui as coisas são mais variadas.

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As cut-scenes geralmente utilizam o motor gráfico do jogo, mas também existem CGs

A nível de som, o jogo continua a ter uma boa banda sonora apropriada para os combates, quando surgem, passando de música ambiente para  musicas mais mexidas na onda de um rock/industrial/electrónico. O voice acting sinceramente achei-o competente. Apesar de a história ainda ser contada um bocado aos trambolhões, achei melhor que o jogo original. Devil May Cry 2 tem bastante conteúdo para desbloquear, desde vários níveis de dificuldade, novas roupas para Dante e Lucia (mais para Lucia), a hipótese de se jogar com a Trish de DMC1, e um novo modo de jogo de nome “Bloody Palace”. Bloody Palace é nada mais nada menos que um conjundo de “secret rooms” com vários inimigos e bosses repetidos ad aeternum. Ou então ao longo de 9999 níveis. Não tenho paciência para isso.

Para finalizar, Devil May Cry 2 é um jogo com os seus altos e baixos. Compreende-se que os fãs se tenham sentido desiludidos, mas na minha opinião não deixa de ser um jogo divertido, e até o prefiro ao jogo original. De qualquer das maneiras, pelo pouco que já joguei do DMC3 parece que a Capcom acabou por dar ouvidos aos seus fãs e melhorou muitos dos problemas que DMC2 trouxe.

Devil May Cry (Sony Playstation 2)

Devil May CryA Capcom foi uma das software houses mais criativas da geração passada, como já tive a oportunidade de dizer em artigos anteriores. Devil May Cry, apesar de inicialmente ter sido projectado para ser o Resident Evil 4, ao longo do seu desenvolvimento Shinji Mikami acabou por lhe dar uma grande reviravolta, tanto no conceito como na jogabilidade, criando assim uma nova franchise de sucesso. A minha cópia foi comprada algures este ano no ebay UK, por 1 libra mais portes de envio. Daquelas bagatelas que às vezes temos a sorte de apanhar! O jogo está completo e em bom estado.

Devil May Cry PS2
Jogo completo com caixa e manual

O herói da série chama-se Dante, filho de um pai demónio e mãe humana. O pai, de nome Sparda, foi um poderoso demónio que se insurgiu há 2000 anos atrás contra os planos de Mundus (imperador do Underworld) de invadir e destruir a Terra. Mundus foi também responsável pela morte da família de Dante, 20 anos antes dos acontecimentos deste jogo. Desde então que Dante se torna numa espécie de mercenário, aceitando apenas trabalhos que envolvam o sobrenatural, para se tentar vingar dos demónios que mataram a sua família. A certa altura, Dante fica a conhecer a loiraça Trish que lhe avisa dos planos de Mundus voltar ao activo e indica o castelo da ilha de Mallet que funciona como portal entre as duas dimensões. Na cena seguinte, Dante já se encontra às portas do tal castelo e a acção começa a partir daí.

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Cenários bonitos...

Devil May Cry foi um jogo revolucionário pelo seu combate “estiloso” para a época. É um hack ‘n slash com alguma exploração à mistura, fruto da sua herança de Resident Evil. Dante é um “caçador de demónios” equipado com 2 pistolas automáticas e uma larga espada, podendo tanto esquartejar o que lhe apareça à frente, encher os inimigos de chumbo ou até uma mistura dos 2. Há um grande ênfase na execução de combos e de manobras acrobáticas, tornando o gameplay bem mais dinâmico e livre dos tank controls que Resident Evil sempre teve no passado. Inicialmente Dante apenas tem as 2 pistolas e uma espada, mas ao longo do jogo vão sendo descobertas outras armas que conferem diferentes habilidades, como o salto duplo. Existem 2 barras de energia diferentes, a barra de vida normal, e uma outra usada para o Devil Trigger. Devil Trigger transforma Dante na sua versão demoníaca, ficando mais rápido, mais forte, com mais habilidades (como voar, por exemplo), a sua vida vai regenerando lentamente. Mas como tudo o que é bom acaba depressa, essa barra de energia do Devil Trigger é utilizada num certo tempo limite, mediante a percentagem de energia “Devil Trigger” disponíveis. Existem vários powerups sob a forma de “orbs” de várias cores. Uns restauram a barra de energia, outros extendem-na, bem como à barra Devil Trigger, novas vidas, e finalmente existem as red orbs, que são uma espécie de unidade monetária do jogo, permitindo a aquisição de items e novas habilidades ao longo do jogo. Existem outros items para além das orbs, mas este artigo não pretende ser um manual 😛

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Phantom, um dos primeiros bosses

Mesmo a jogabilidade ser completamente diferente dos Resident Evil clássicos, Devil May Cry ainda herdou algumas das suas características. A mais notória são os ângulos de câmara, que são fixos em salas grandes e abertas, e seguem o movimento do jogador em corredores mais apertados. Contudo, mesmo nesse caso a câmara não é controlada pelo jogador, o que pode ser um pouco irritante na altura de fazer alguns saltos delicados entre plataformas. A outra parecença reside no facto de o jogo não ser só porrada e ter uma elevada dose de exploração e um ou outro puzzle, sendo que a maioria assenta no princípio “encontrar o objecto A, levá-lo ao local B, para poder aceder a C”. De outra forma, apesar de ser possível fazer backtracking em vários momentos do jogo, o progresso do mesmo é separado por missões. Essas missões são coisas simples: encontrar objecto X, derrotar inimigo XYZ, descobrir o caminho para chegar a A. Existem também missões secretas que não são obrigatórias para se concluir o jogo. Essas missões geralmente consistem em derrotar um certo inimigo de uma determinada maneira, ou travar um combate dentro de um tempo limite. Estas missões secretas geralmente recompensam o jogador com powerups.

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Dante a mostrar quem manda

Passando para a questão gráfica, os jogos 3D geralmente envelhecem pior que os clássicos 2D, portanto temos de nos contextualizar no ano de 2001. Nessa perspectiva não me lembro de um jogo mais bonito na PS2 que tenha saído até então (talvez o Ico). Os cenários estão bem desenhados e com bastante detalhe, principalmente se compararmos este jogo com um seu sucessor Chaos Legion, que apresentava cenários bastante simples. A arquitectura do castelo, das salas, os efeitos de iluminação, a modelação das personagens e dos inimigos macabros, acho que no total está um artwork bem conseguido, aliando a uns bons gráficos para a PS2 na era 2001. A banda sonora segue na mesma a imagem rock/gótico deixada pelo estilo de Dante, com uma banda sonora orientada ao rock/industrial, dando também lugar a uma ambiência sonora mais sinistra quando os inimigos são derrotados.

Devil May Cry foi um jogo muito bem conseguido por parte da Capcom, gerando várias sequelas e inspirando outros jogos como o recente Bayonetta. É um jogo que se encontra muito facilmente e muito barato nesses amazon e ebays por aí fora. Foi recentemente anunciado um remaster em HD para PS3 e X360, têm o potencial de se tornar a melhor versão deste jogo, mas a ver o que foi feito no RE4, as mudanças não serão assim muitas.