De volta para as rapidinhas porque o tempo realmente não dá para mais e esta será curtinha assim como o próprio jogo. Tiny Hawk (quaisquer semelhanças com Tony Hawk são mera coincidência, ou não) é um joguinho indie desenvolvido pela Polygon Toys e que acabou por ser lançado para a PSN na forma de um Playstation Minis, formato inicialmente pensado para a PSP. Foi uma das ofertas que a Sony fez neste último Natal, creio eu.
Essencialmente este é um jogo de plataformas em que temos de ir do ponto A ao ponto B num nível, demorando o mínimo de tempo possível e apanhando o máximo de latinhas de refrigerantes que conseguirmos. O problema é que o jogo tem apenas 32 níveis e não são assim tão difíceis de chegar até ao fim e o pouco tempo que nos leva a terminar o jogo também não nos entusiasma em pegar nele novamente, nem que seja para melhorar o tempo ou garantir que apanhemos todos os itens espalhados em cada nível. O que é pena pois a jogabilidade até que é boa. Podemos saltar, “grinding” em corrimões e saltar de parede em parede à lá Ninja Gaiden, temos de evitar cair em poças de água e por aí fora. Joga-se bem.
A bandeirinha axadrezada é o ponto final que devemos atingir em cada nível
Os gráficos são bastante simplistas assim como a música que apesar de não ser variada acaba por cumprir bem o seu papel. Os gráficos retro não me incomodam minimamente e para ser sincero até gostei dos mesmos, mas que adianta ser um jogo bonitinho e com uma boa jogabilidade se podemos chegar ao fim do mesmo em 30 minutos? Talvez resulte em jogos mais artísticos como Shelter ou Proteus, mas num jogo de plataformas não é o caso. E assim sendo não é um jogo que recomende, a menos que tal como eu o tenham obtido gratuitamente por cortesia da Sony.
Foi na passada revista PUSHSTART #42 que tive a oportunidade de falar sobre o Fighters Megamix, o mítico jogo de luta da Saturn que pegava nos lutadores de Virtua Fighter 2, Fighting Vipers e mais uns quantos extras para um roster de luxo. Pena que a Sega não tenha voltado a pegar na fórmula, o seu catálogo de eventuais participantes é bem recheado. A minha cópia do jogo entrou na minha colecção ha uns anos atrás por 2€ se não estou em erro. Infelizmente não vinha com manual, mas um particular cedeu-me o manual PT dele.
A série Dragon Ball fez um sucesso estrondoso em Portugal durante os anos 90. Tanto nas crianças, como nos pais e professores, não faltava gente a ver as aventuras de Son Goku e companhia. Com as consolas da Nintendo (Famicom e Super Famicom) a ter um sucesso tremendo no Japão, muitos foram os jogos lançados para essas plataformas sobre a série de animação de Akira Toryiama. Infelizmente a Mega Drive não partilhava do mesmo sucesso em terras nipónicas, com este Buyuu Retsuden a ser o único jogo da série com um lançamento para a consola 16bit da Sega, que inclusivamente apenas acabou por receber uma versão em Francês mais tarde. Mas como em Portugal o sucesso do anime era tanto, a Ecofilmes, distribuidor da Sega em Portugal, quiseram capitalizar nesse sucesso e não esperaram que a versão europeia ficasse pronta. Assim sendo, inicialmente foi lançado cá o jogo na sua versão japonesa, porém com capa e manual em português, bem como o adaptador Mega Key para que as nossas Mega Drives pudessem correr o jogo. Posteriormente acabou por sair cá a versão francesa também, sendo que essa já não necessita do conversor. A minha cópia do jogo foi-me vendida por um particular, custando-me 5€ e, mesmo não tendo o manual nem o conversor, achei um bom negócio.
Jogo com caixa e manual
A jogabilidade deste jogo é semelhante aos DBZ Super Butoden da SNES, na medida em que os combates têm lugar em grandes arenas, com os ecrãs a ficarem em split screen vertical se os lutadores se afastarem entre si. Para além disso, é possível lutar em dois planos distintos, tanto no chão como no ar. Assim sendo este tipo de jogos eram bem diferentes dos habituais Street Fighter II clones que se via muito nessa época. O jogo tem 11 lutadores, que compreendem o período entre os confrontos em Namek e até ao Perfect Cell, com os habituais sayajins Goku, Gohan, Vegeta e Trunks, com outras personagens como Piccolo, Krillin ou do lado dos maus da fita temos a C-18 (sim ela depois muda de “partido”), Cell, Freezer e 2 dos seus soldados de elite. Ao jogar no modo história, o percurso é diferente de personagem para personagem, que luta apenas contra 8 dos outros lutadores disponíveis. O jogo tenta adaptar estes cenários à história do anime, mas acabamos sempre por ter alguns combates impossíveis como Trunks contra Ginyuh em Namek.
Sempre achei piada a estes amiguinhos do Freezer
Para além do modo história temos também o versus em que podemos configurar para ser um jogador contra o outro, um jogador contra o CPU, ou deixar tudo com o CPU e simplesmente ficar a apreciar as lutas sentados no sofá. De resto os controlos são simples, embora para masterizar o jogo acabem por ser mais complexos. Botão direccional para mover para a esquerda ou direita e saltar, um botão facial para socos, outro para pontapés e um outro para voar/aterrar. Para além disso cada lutador tem a sua série de diferentes combinações para combos e ataques de energia. Podemos ver logo que existem 2 barras, uma de vida e uma de “power” ou “ki”. Cada ataque de energia descarrega parte desta barra e se baixarmos um pouco abaixo do nível vermelho ao realizar um destes ataques, ficamos depois tontos durante uns segundos até restabelecer esse nível de energia perdida, ficando assim vulnerável aos ataques do adversário. Para encher essa barra de energia basta carregar no A e B ao mesmo tempo, e vemos a nossa personagem envolta numa aura amarela, mesmo como no anime. Alguns destes ataques mais fortes, como o Kamehameha, precisam de muita energia e que ambos os lutadores estejam suficientemente distanciados entre si. Mas mesmo esses golpes mais poderosos podem ser defendidos, ou até mandados de volta para quem os lançou, daí ser perigoso lançar um ataque desses se não tivermos energia “ki” suficiente e fiquemos temporariamente tontos.
Para carregar a barra de power temos de fazer o mesmo que o Vegeta está a fazer
Tecnicamente falando é um jogo que tem algumas nuances impressionantes para a Mega Drive, nomeadamente a rotação do split screen em alguns momentos, algo que a Mega Drive não faz nativamente por hardware. As personagens estão também bem detalhadas, mas infelizmente não posso dizer o mesmo das arenas que tirando uma em Namek que gosto bastante, as restantes não são lá muito inspiradas. Mas tendo em conta o tamanho das mesmas (até existe um radar na parte superior do ecrã para nos localizarmos), e os feitos que fizeram com estes split screens dinâmicos – verticais, horizontais ou diagonais com rotação, all is forgiven. Outras pequenas coisas que sempre me irritaram como o Kamehameha ser amarelo ao invés de branco/azulado como no anime, ou mesmo a pouca variedade de ataques do mesmo género também são algumas imperfeições. A música e efeitos sonoros cumprem bem o seu papel e as vozes parecem-me mesmo assemelhar-se às vozes do anime original em japonês, mas já vai muito tempo desde que o vi.
O split screen dinâmico foi das melhores coisas que a Bandai meteu neste jogo
Se são fãs de Dragon Ball, têm uma Mega Drive e são portugueses, então muito provavelmente já terão este jogo. Para os restantes é um jogo que recomendo, embora as suas mecânicas de jogo sejam muito diferentes de outros jogos de luta da época. Confesso que depois do Dragon Ball Final Bout para a PS1 eu desliguei-me um pouco dos jogos da série, sei que hoje em dia temos jogos bem melhores, mas guardo este e o da Saturn num lugar especial do meu coração.
Bora lá para mais uma rapidinha a um shooter de naves espaciais, esse género tão mal-amado por mim. Acho-lhes piada a todas as armas high-tech, explosões e luzes coloridas, mas não tenho mesmo a habilidade suficiente para me divertir a sério com este tipo de jogos, pelo que acabo por os encostar mais tarde ou mais cedo. Este Ether Vapor Remaster é mais um doujin, ou seja, um indie japonês que acabou por ser também localizado pela nyu-media e a própria Capcom para o seu lançamento ocidental no Steam. A minha cópia entrou na conta do steam através do Indie Gala de Outubro, tendo sido comprado por uma ninharia como de costume.
A história é mais uma vez contada através de diálogos intercalados entre cada nível, ou antes dos combates com os bosses e tem os clichés do costume: Um império superpoderoso de um lado e uma força rebelde a lutar contra a corrente, são as nações de Chaldea e Lydia. Mas o protagonista do jogo, um jovem de 17 anos chamado Luca Earlgray aparentemente não pertence a nenhuma das facções do conflito, o que acaba por causar alguma confusão tanto pelos protagonistas de um lado como do outro. Mas o que interessa no meio disto tudo é disparar em tudo o que mexa.
O que mais gostei no jogo foram as mudanças de perspectiva que iam acontecendo
Ao contrário de Ikaruga e outros shooters, aqui não temos nenhum esquema especial de jogabilidade ou combos manhosas. Existem 3 modos de disparo e a nave de Luca está sempre acompanhada de 2 “apêndices” secundários que voam a seu lado. O primeiro modo de disparo é chamado Gatling e basicamente são rajadas de metralhadora, o segundo, o Winder, dispara projécteis de forma mais abrangente e por fim temos o lock-on, que pode ser usado para isso mesmo, fazer lock nos inimigos e disparar uns mísseis que não falham o alvo. Naturalmente existem algumas restrições com este modo de fogo, na medida em que as naves secundárias não o disparam. Estes modos de disparo podem ser alternados livremente entre si e existem também modos secundários para cada um, que poderão ser úteis em certas situações, como o escudo gerado pelo Winder. De resto o que o jogo tem de bom é a vertente mais cinemática pela qual a acção se vai desenrolando. A câmara muda de ângulo em vários pontos no jogo e onde antes era um shooter vertical, passa a horizontal ou mesmo numa perspectiva mais tri-dimensional.
Os diálogos e artwork utilizada poderiam ser melhor aproveitados
Esta versão remaster possui gráficos melhorados face ao lançamento original. O jogo suporta resoluções mais altas (até 1600×1200), antialiasing e melhores texturas e modelos poligonais no geral. Continua a não ser um eyecandy total, mas cumpre bem o seu papel. Já nos diálogos aparecem desenhos em anime das personagens, mas esses já acho que poderiam ser melhor trabalhados. As músicas vão sendo variadas e épicas, acho que são boas para o género em questão. No fim de contas, parece-me ser um jogo bem competente para quem gosta do género e não é um bullet-hell, o que para mim é sempre bom, pois não sou masoquista.
Apesar de já existirem vários videojogos sobre os lendários heróis gauleses da banda desenhada, foi em 1991 que começaram a surgir os primeiros com um peso considerável. Nas arcades a Konami lançou um divertido e colorido beat ‘em up à lá Ninja Turtles, nas consolas foi a vez da Sega desenvolver um jogo de plataformas para a sua Master System, apesar de a Mega Drive já ser uma consola com uma elevada popularidade. No entanto visto que a Master System também possuia um elevado sucesso em solo europeu – território também onde os livros do Astérix sempre venderam bem, a Master System acabou por não ser uma má escolha.
Jogo com caixa e manual europeu
E com o jogo a ser desenvolvido com mão de pessoas que estiveram por detrás do Castle of Illusion, já se poderia esperar à partida um grande jogo de plataformas. Felizmente assim o foi. A história é simples e em vez de Bowser e a princesa Peach, temos os romanos e o druida Panoramix. Sim, Panoramix foi raptado e cabe ao duo dinâmico gaulês viajar pela Europa fora e resgatar Panoramix das mãos do Império Romano, mesmo no seu coração em Roma. Afinal deve-se a Panoramix o segredo da resistência da pequena vila gaulesa à invasão romana, graças à poção Mágica que só Panoramix sabe criar e que dá força sobre-humana a todos os que dela beberem.
Antes de começar a aventura temos direito a uma bonita “cutscene”
Logo ao começar o jogo deparamo-nos com uma escolha: jogar com Astérix ou com Obelix. E aqui as coisas são bem mais diferentes do que apenas as habilidades entre ambas as personagens, os próprios níveis também vão sendo diferentes de acordo com a personagem escolhida. Astérix é mais ágil e sendo mais baixo consegue esgueirar-se por locais mais apertados. Obélix apesar de não ser tão ágil é bem mais poderoso e em situações onde Astérix precisaria de utilizar uma poção explosiva para destruir alguns blocos, Obelix esmaga-os como se fossem feitos de cartão. Sim, para além de saltar e atacar directamente inimigos, existem vários items que podemos utilizar. Os ossos que vamos vendo são meramente itens coleccionáveis, ao juntar 50 ossos desbloqueamos um nível de bónus onde jogamos com o cãozinho Ideafix. Depois podemos encontrar uma série de poções. As Solid Potions devem ser atiradas para a água ou lava, de forma a solidificar esses líquidos e criarem uma passagem. As Fire Potions para além de iluminarem locais escuros também derretem blocos de gelo. Por fim temos também 2 itens exclusivos e que servem para o mesmo propósito. Astérix pode usar as Explosive Potions para criar enormes colunas de água, destruir blocos ou mesmo atacar os inimigos. O Obélix pode usar rochas para o mesmo efeito, excepto destruir blocos que o pode fazer com as próprias mãos, como já tinha referido antes.
As sprites são muito bem animadas e detalhadas.
Alguns items apenas servem para aumentar a pontuação, outros a vida, incluindo os famosos “heart containers” de outros jogos para aumentar a barra de vida e por fim existem também algumas chaves que teremos de procurar de forma a desbloquear o acesso para os bosses que por sua vez não são nada de especial. Os níveis em si apesar de serem diferentes mediante escolhemos Astérix ou Obelix estão também repletos de passagens secretas e vários bónus para serem descobertos, o que é sempre um plus num jogo de plataformas. Por fim resta falar nos níveis de bónus do Ideafix. Após escolhermos o grau de dificuldade (Easy, Normal ou Hard), somos largados em mais um desafio de plataformas, onde temos de rebentar uma série de bolhas, cujas cores indicam quantas vezes temos de lhes saltar em cima até que rebentem. Nesses níveis temos de evitar ao máximo cair ao chão, até porque temos um tempo limite para os completar. Ainda na jogabilidade resta dizer que este jogo tem suporte a 2 jogadores, um controlando Asterix, o outro Obelix, contudo é daqueles em que os jogadores vão jogando alternadamente e não em simultâneo. Não se pode ter tudo! Ainda assim o segundo jogador apenas pode entrar em acção após o primeiro perder todas as suas vidas e vice-versa.
Os níveis aquáticos como sempre são chatinhos, em qualquer jogo.
Graficamente é um jogo excelente. Os níveis são bastante coloridos e variados entre si, assim como os próprios inimigos! As sprites estão muito bem detalhadas e animadas e com as “cutscenes” que podemos ver com gráficos retirados dos livros, tornam este Astérix muito competente neste quesito. As músicas apesar de não serem perfeitamente memoráveis cumprem bem o seu papel, assim como os próprios efeitos sonoros.
No fim de contas acho Astérix um excelente jogo de plataformas não só para a Master System, como para todas as consolas 8bit no geral. Os próximos jogos do Astérix que sairam para consolas da Sega acabaram por ter destinos distintos: Astérix and the Great Rescue é um jogo inferior a este, pois foi desenvolvido pela Core Design. A seguir saiu o Astérix and the Secret Mission, mais um exclusivo das consolas 8bit da Sega, mais um óptimo jogo de plataformas e mais uma vez produzido internamente pela Sega. Por fim temos Astérix and the Power of the Gods, exclusivo para a Mega Drive e mais uma vez um jogo da Core, onde as diferenças entre ambas as escolas voltam a ser bastante notórias.