Ghost Vibration (Sony Playstation 2)

ghost-vibration-coverContinuando com as rapidinhas, desta vez vamos voltar à Playstation 2, essa notável consola da Sony que no meio do seu imenso catálogo de videojogos, existem umas quantas hidden-gems que passaram despercebidas a muita gente, incluindo a mim próprio. Este Ghost Vibration da Artoon é um desses jogos que nos passou despercebidos, mas de hidden-gem não tem nada. Comprei-o na Feira da Ladra em Lisboa algures durante o Verão no ano passado, por volta de 2 ou 3€. Foi uma compra por engano, pois achei que este era um outro jogo de PS2 que tinha lido vagamente no Hardcoregaming 101 e até hoje ainda não me recordo que jogo seja. A única coisa que me lembro é que era um jogo na terceira pessoa e a parte do “Vibration” era elemento fulcral na jogabilidade.

Ghost Vibration - Sony Playstation 2
Jogo completo com caixa, manual e papelada

Ghost Vibration é um pseudo-survival horror. A história começa quando George, caçador de fantasmas por hobby, recebe um telefonema da sua amiga Alicia a pedir-lhe um dos seus kits para caçar fantasmas. Sem querer dizer mais, George decide viajar até à Europa e, juntamente com Alicia ver no que ela se estava a meter. Como de costume, somos deixados numa enorme mansão abandonada que se encontra infestada de fantasmas e cabe-nos a nós, como George, capturar o máximo de fantasmas possível para que, ao reter as suas memórias, consigamos entender qual o mistério por detrás da mansão e a causa-raiz de todas as suas assombrações.

screenshot
Alicia tem uma espécie de ligação a todo este mistério, mas só mais tarde percebemos porquê

A jogabilidade é muito simples, onde nós vamos apenas alternando entre a primeira e a terceira pessoa. Geralmente estamos na terceira pessoa, onde podemos explorar a mansão. O problema é que apenas nos podemos movimentar numa direcção, como se estivéssemos on-rails. Quando vimos um fantasma, então mudamos para a primeira pessoa e é aí que começa o combate. A arma que temos é parecida com a dos Ghostbusters, mas lança uma espécie de arpão para os fantasmas e se lhe acertarmos, então é que os começamos a “sugar”. O problema é que a arma sobreaquece muito rapidamente e teremos de deixar de puxar com alguma frequência para fantasmas mais poderosos. Para além dessa arma temos também uma sub-weapon que podemos utilizar, mediante a energia restante no respectivo medidor no topo do ecrã. Esta arma é uma espécie de shotgun, que enfraquece e paralisa temporariamente os espíritos à nossa frente. Ao atacar os fantasmas vamos também encontrar uma série de items, que podem ser regeneradores de vida, energia, ou outros especiais, que não deixem a nossa arma sobreaquecer, por exemplo.

screenshot
Os fantasmas que começam a ficar amarelos intermitentes, estão em vias de nos atacar e devemos concentrar-nos nesses primeiro

Graficamente o jogo não é nada de especial, mas também é normal visto ser um jogo de 2002 para uma Playstation 2, mesmo nas cutscenes a Artoon tentou dar um aspecto mais cartoony aos personagens principais, o que retira logo alguma da suposta atmosfera a terror. A câmara segue-nos muitas vezes em ângulos estranhos e temos de estar especialmente atentos a movimentos e barulhos estranhos se quisermos capturar alguns fantasmas mais escondidos. E isso será mesmo necessário caso queiramos completar o jogo a 100%, capturando todos os fantasmas e suas memórias e com isso obter o final verdadeiro do jogo. A música e efeitos sonoros também não são nada de outro mundo, mas adequam-se bem a um jogo que tenta ser tenso.

screenshot
Nem todos os fantasmas se mostram livremente, em muitos outros teremos de estar bastante atentos ao que se passa em background

Ghost Vibration não é propriamente um must-have na consola e percebe-se bem o porquê de ter passado despercebido aos olhos gerais dos jogadores. Na internet há pouca informação do mesmo, incluíndo reviews e os grandes sites apontam que o jogo foi inclusivamente cancelado em solo europeu, existindo apenas no Japão. E se calhar até foi mesmo cancelado em alguns países europeus, ou com lançamentos muito reduzidos, mas Portugal lá deve ter ficado de fora dessa blacklist pois este Ghost Vibration já não é o primeiro que vejo por cá.

The Ninja (Sega Master System)

Ninja-SMSVoltando a mais uma rapidinha de um jogo de Master System da velha guarda. The Ninja é uma espécie de Commando ou Ikari Warriors, mas em vez de Rambos wanabees, temos um ninja em pleno Japão Feudal. The Ninja ao contrário do que se calhar muita gente pensa, não é um jogo completamente original, mas sim uma sequela ou remake de um jogo ainda mais antigo da Sega, o Ninja Princess, ou Sega Ninja, como ficou conhecida a versão arcade ocidental desse jogo. Ninja Princess acabou também por ter um lançamento para a primeira consola da Sega, a SG-1000, com este The Ninja a reciclar muito desse conteúdo. O jogo entrou na minha colecção há um ou dois meses atrás, após ter sido comprado a um particular por 5€. Está completo e em bom estado.

The Ninja - Sega Master System
Jogo com caixa e manual

A história por detrás do The Ninja não é nada original. Um tirano, Gyokuro passou a controlar uma província japonesa, neste caso a província de Ohkami, e como se não bastasse também temos uma princesa para salvar. O costume, portanto. A jogabilidade, tal como referi acima é muito semelhante à dos jogos run ‘n gun como o Mercs, Commando ou Ikari Warriors, na medida em que controlamos o ninja numa perspectiva aérea e temos de sobreviver ao ataque de imensos inimigos que vão surgindo.

screenshot
Neste nível a nossa mobilidade é muito reduzida

Possuímos um stock ilimitado de kunais, e os inimigos vão sendo outros ninjas (que podem estar disfarçados de rochas, kunoichis (ninjas femininas), lobos-ninja e samurais. Um botão dispara as kunais na direcção em que estamos virados na altura, e o outro dispara sempre para cima, independentemente da direcção em que estejamos virados. Carregando nos botões 1 e 2 ao mesmo tempo, tornamo-nos temporariamente invisíveis e invencíveis, uma habilidade bastante útil tendo em conta o grau de dificuldade do jogo. Ao longo do percurso poderemos encontrar 3 tipos de scrolls escondidas, umas que nos deixam com shurikens mais poderosas, outras que nos deixam temporariamente mais rápidos e por fim temos umas verdes que são obrigatórias coleccionar para que possamos descobrir uma passagem secreta que nos levem ao esconderijo onde a princesa se encontra aprisionada. Caso cheguemos ao final dos níveis e nos faltem algumas dessas scrolls, o jogo automaticamente circula e nos devolve ao nível em questão onde podemos encontrar alguma dessas scrolls que nos faltem, tendo na mesma de percorrer novamente os restantes níveis até que possamos encontrar a tal passagem secreta.

screenshot
Quando temos muitos inimigos no ecrã, mais que estes, nota-se algum slowdown

Graficamente é um jogo muito simples, tendo em conta que para além de ser um jogo de 1986, é também um remake/conversão reforçada de um jogo ainda bem mais antigo, o já falado Sega Princess. Os cenários vão sendo variados, embora tenham backgrounds bastante simples, assim como as sprites dos inimigos que vão surgindo no ecrã. Quando deixamos muitos inimigos acumularem no ecrã nota-se algum slowdown, mas isso é algo normal. Uma coisa que achei curiosa é que cada vez que matamos um inimigo, fica uma silhueta humana no chão, antes de desaparecerem por completo. A mesma silhueta aparece com os lobos ninja, foi um detalhe que eles se esqueceram de reparar, ou não, pois no manual diz que esses inimigos são ninjas mascarados de lobos – ha!

Por outro lado os efeitos sonoros são bastante simples, mas as músicas apesar de não serem muitas são bastante competentes, mesmo tendo em conta o calcanhar de Aquiles da Master System, o seu chip de som.

screenshot
Estes cavalos são invencíveis, não adianta tentar derrotá-los

No fim de contas, The Ninja é um jogo bastante simples e algo rudimentar, pois é de uma era ainda algo embrionária neste género de jogos. Ainda assim, não deixa de ser uma peça importante desta escola primitiva da Sega, e se o virem a um preço simpático, não o deixem escapar.

VVVVVV (PC)

De volta para as análises indie, com mais um jogo de plataformas/metroidvania que apesar de ser brutalmente sádico, não deixa de ser extremamente viciante. VVVVVV é um jogo desenvolvido pela malta da Distractionware e que, tal como muitos jogos indie, projectos de mesinha de cabeceira, teve o seu início como um jogo flash, até que alguém decide converter o mesmo para C++, com uma série de novidades. Essa versão acabou por o levar à sua inclusão no Humble Indie Bundle III, bundle esse que me foi oferecido.

VVVVVVA história é simples: nós encarnamos na personagem Captain Viridian, capitão de uma nave espacial com mais 5 tripulantes cujos nomes são também começados por V. Daí o nome do jogo ser VVVVVV, penso eu. Ora a nave a certa altura encontra uma forte “interferência dimensional” e Viridian, tal como o resto da sua tripulação, tentam evacuar a nave, escapando através de um portal de teletransporte. No entanto Viridian encontra-se perdido numa dimensão bastante estranha e para piorar as coisas, não encontra nenhum dos seus outros tripulantes. Assim sendo somos largados neste estranho mundo e tal como num metroidvania, teremos de o explorar, de forma a descobrir os amigos de Viridian e se possível escapar em segurança.

screenshot
Podemos salvar o jogo em qualquer sala com o teletransporte

Sem dúvida que o grande ás na manga deste jogo é mesmo a habilidade de trocar a gravidade, sempre que estamos em contacto com uma superfície. Sem mais nenhuma habilidade, nem sequer a de saltar, será apenas alternando a gravidade e nos movimentarmos para a esquerda e direita que conseguiremos progredir no jogo. Claro que o que não falta são obstáculos, espinhos e criaturas a atrapalharem-nos a vida. O jogo está dividido em várias salas estratégicamente pensadas a que as consigamos atravessar com movimentos simples, mas que demorem uma eternidade a serem apreendidos. Isso porque a certa altura começam a brincar com barreiras que invertem a gravidade a meio dos saltos, tapetes rolantes, portais, salas em que se saires pela direita apareces na mesma posição na esquerda, entre muitos outros. Como não poderia deixar de ser, morremos mal nos deixemos tocar por alguma das criaturas, ou nos espetemos num espinho. No entanto, com vidas infinitas e vários itens com um C estampado que servem de checkpoints, fazem com que o jogo apesar de ser difícil e algo frustrante, continue viciante na sua jogabilidade de tentativa-erro. Em alguns segmentos teremos até umas “escort missions”, onde teremos de guiar não só Viridian, mas também outra personagem, por meio de armadilhas mortíferas.

screenshot
Cada sala tem uma descrição própria, por vezes com humor negro ou bizarrices

Para além da aventura principal de descobrir os 5 restantes membros da tripulação e descobrir o que está a causar essa interferência dimensional, poderemos explorar os mundos de VVVVVV livremente, mesmo depois de termos passado o jogo normal. Isto porque existem muitos caminhos alternativos e escondidos, não fosse este um Metroidvania, e vários coleccionáveis para apanhar. E se forem dos que não têm paciência para esta jogabilidade de tentativa-erro, esta versão 2.0 vem também com alguns cheat codes embutidos, como a capacidade de nos movimentarmos em câmara lenta, para melhor fugir dos obstáculos, ou tornar-nos mesmo invencíveis, tirando assim o desafio por completo do jogo, ficando só o apelo para explorar mais e mais.

Graficamente é um jogo bastante simples. Como muitos jogos desta “new wave of retrogaming“, o jogo tem um aspecto retro, mas em vez de apostar em visuais 8bit à lá NES ou 16bit como na SNES/Mega Drive, este VVVVVV vai ainda mais além, com os seus gráficos completamente lo-fi como se uma Commodore 64 ou ZX Spectrum se tratasse. Para além do ecrã de introdução imitar o mesmo da C64, temos sprites bastante simplistas e cenários quase monocromáticos. Obviamente que isto foi tudo intencional, mas faz todo o sentido no contexto do jogo. Os efeitos sonoros também são do mais primitivo possível, no entanto as músicas já são num chiptune bem “potente” e são bem viciantes. Uma outra coisa que gostei bastante são as descrições dadas a cada sala, e que podem ser lidas no fundo do ecrã. Essas descrições estão cheias de referências escondidas ou humor negro, perfeitamente adequado a um jogo em que se morre entre cada poucos segundos.

screenshot
Podemos dialogar com as personagens para ver o desenrolar da história

No fim de contas, VVVVVV é um dos jogos indie que assentam num dos seus nichos mais populares: o retrogaming. Mas é certamente um dos melhores, num oceano povoado por jogos de plataforma. A sua jogabilidade simples, mas com um level design muito bem pensado e desafiante, tornam VVVVVV num excelente jogo de plataformas e exploração. Se gostam de metroidvanias e jogos difíceis de tentativa-erro como Super Meat Boy, então este VVVVVV é uma excelente escolha.

 

Tenchu – Stealth Assassins (Sony Playstation)

Tenchu Stealth AssassinsA série Tenchu sempre me despertou alguma curiosidade, mas por variadas razões sempre fui deixando passar os jogos da mesma. Apesar de já ter comprado anteriormente alguns jogos para a PS2, PSP e DS, ainda não lhe tinha pegado pois eu gosto sempre de começar no início. Felizmente no mês passado após uma visita à PressPlay no Porto, encontrei os primeiros 2 jogos, ainda na Playstation original a um bom preço (4.5€) e não os deixei escapar.

Tenchu Stealh Assassins - Sony Playstation
Jogo completo com caixa e manuais

Ao contrário de outros jogos sobre Ninjas que popularizaram a indústria dos videojogos na década de 80 e 90, sendo na sua maioria jogos de porrada ou sidescrollers como Shinobi ou Ninja Gaiden, Tenchu aposta numa abordagem bem mais stealth, pois na realidade era isso que os Ninjas eram, assassinos. E claro está, neste jogo encarnamos num de 2 assassinos ninjas. Rikimaru e Ayame pertencem ao clã ninja de Azuma, liderado pelo poderoso Lord Gohda, que incumbe a dupla em várias missões de assassinato a pessoas poderosas, mas corruptas e desonradas. Lá para meio da coisa vamos também cruzar-nos com ninja demoníaco Onikage e os planos malignos do seu Lord Mei-Oh, pelo que não vamos lutar apenas contra outros ninjas e samurai vulgares, mas também criaturas de outros mundos.

Tal como referi acima, a diferença que Tenchu fazia face aos jogos anteriores sobre esta temática é mesmo o stealth. Todos os níveis são passados à noite ou em locais escuros, o que provoca um mau campo de visão para toda a gente, e teremos de tirar o melhor partido do mesmo. Um dos items que podemos carregar é um gancho que podemos usar para nos colocarmos em telhados, sendo isso mais uma mais-valia para passarmos despercebidos. E de facto convém evitar que os adversários nos descubram, de forma a podermos assassiná-los pelas costas, com golpes duros, mas eficazes. Caso sejamos descobertos, e em especial se jogarmos com a Ayame, que é fisicamente mais fraca, teremos a vida mais complicada e demoramos bem mais tempo a matar algum dos nossos adversários, para além de tambem sofrermos muito mais dano. Tal como em Metal Gear Solid, sem dúvida o grande jogo do género stealth para a consola, temos um indicador “de segurança”, que muda consoante formos descobertos, ou depois de nos escondermos, quanto tempo falta até os inimigos que nos descobriram desistirem de ir atrás de nós.

screenshot
Tenchu é um jogo sangrento e ainda bem que assim o é.

O jogo está dividido por níveis ou missões, cada um com um objectivo principal, seja ir do ponto A ao ponto B, ou invariavelmente assassinar um alvo importante. E essas batalhas acabam sempre por ser travadas como boss battles. Antes de cada missão temos uma espécie de ecrã de inventário que nos permite comprar antes uma série de items, desde items regenerativos, outras armas como shurikens, minas, caltrops -que são essencialmente espinhos que deixamos espalhados no chão e que provocam dano aos inimigos, ou granadas de pólvora. No entanto, também no jogo podemos encontrar muitos desses items se nos dermos ao trabalho de explorar os mapas. Para além dos itens normais temos também uma série de itens especiais, como scrolls que nos deixam temporariamente muito rápidos, deitar fogo pela boca e queimar os inimigos vivos, shurikens especiais que disparam em 8 direcções, gás para adormecer inimigos, entre muitos outros.

screenshot
Nestas situações que deviam legendar, não o fazem…

A inteligência artificial tem tanto de bom como de mau. O jogo tem um reduzido campo de visão e com os níveis sendo nocturnos tornam a coisa ainda pior. Ainda assim parece-me ser mais fácil um inimigo detectar-nos à distância do que o contrário. Depois quando somos descobertos por um inimigo, muitas vezes ele acaba por ficar preso nalgum local e não consegue descobrir o caminho para nos vir chatear, ou nem sequer chama os seus companheiros para vir ajudar. O mesmo acontece quando um deles descobre um cadáver no chão, ficam suspeitos durante algum tempo, mas depois retomam as suas rotas normais como se nada fosse. Os controlos são simples, porém a câmara estraga um pouco o esquema, pois não nos dá um bom ângulo de visão de tudo o que está à nossa volta, seguindo sempre as costas do jogador, o que causa um ângulo morto brutal. Depois o trade-off entre termos os one-hit kills se formos sneaky o suficiente, ou a quantidade de facadas que temos de dar depois se formos descobertos, não me parece muito balanceada.

screenshot
Cada missão tem os seus próprios objectivos, dados logo no início

No entanto, tirando o facto do reduzido campo de visão, os níveis vão sendo grandinhos, sendo por vezes necessário um mapa para consultar de vez em quando a nossa posição. Graficamente é um jogo competente, no entanto a PS1 é capaz de fazer gráficos 3D com melhores texturas e modelos poligonais com mais detalhe. Ainda assim, a variedade de inimigos, armas e afins, são um ponto positivo para os visuais, assim como o detalhe dado nos cenários tipicamente japoneses feudais. Mas claro que não poderia deixar de referir o óbvio: o gore. Não há nada mais bonito que degolar a garganta de um bandido “indefeso” e ver o sangue a jorrar uns bons metros. OK, é desta que me internam num hospício… Mas a verdade é que este Tenchu é um jogo bem sangrento e na minha opinião faz todo o sentido que assim o seja, senão que piada teria andarmos a ter sempre o máximo de cuidado para não sermos descobertos pelos inimigos? Eye candies deste género são bem bons.

screenshot
Gosto bastante dos cenários deste jogo, boa atenção ao detalhe.

Os efeitos sonoros são competentes, mas infelizmente o voice acting deixa algo a desejar, o que ainda era uma coisa comum nos videojogos de então. Visto que existem legendas nas cutscenes (excepto nas introduções em cada nível), era preferível deixarem o voice acting original e colocar legendas em inglês. De outra forma tira a mística “nipónica” que deveriam manter ao máximo. Já as músicas são boas, misturando temas electrónicos habituais nos videojogos, com melodias e instrumentos japoneses. Creio que ficou uma boa mistura.

No fim de contas, este Tenchu é um jogo com boas ideias, mas acho que ainda teria muita margem para progredir. A opinião geral é que a sequela acaba por melhorar bastante muitos destes aspectos menos bons, e será isso que irei tirar a limpo brevemente.

Sniper Elite (PC)

Sniper EliteVoltando às análises mais extensas, desta vez para um jogo de PC desenvolvido pela Rebellion cuja sequela acabou por ter um bom sucesso, o Sniper Elite V2.  Este Sniper Elite, tal como o nome indica é um shooter táctico em que encarnamos no papel de um sniper em cenário de guerra, mais uma vez na segunda guerra mundial, algo que em 2005 ainda estava bem na moda. O jogo entrou na minha colecção há poucos meses atrás, após ter sido comprado na feira da Ladra em Lisboa por 1€, faltando-lhe apenas o manual. Na altura não me lembrei que poderia necessitar de uma CDkey para instalar o jogo, mas felizmente não foi necessário. Infelizmente isso deveu-se ao uso do DRM terrível que é o Star-Force, mas mais lá para a frente falarei melhor disso.

Sniper Elite - PC
Jogo com caixa

O jogo coloca-nos então no papel de Karl Fairburne, um agente norte-americano da OSS na batalha de Berlim em 1945, mesmo nos tempos antes de a nação alemã capitular após ter sido invadida pelo exército vermelho. O objectivo de Karl é obter os segredos nucleares dos alemães nazis antes que os soviéticos lhes deitem a mão, então iremos enfrentar ambos os exércitos ao longo de várias missões espalhadas pela cidade alemã, embora Karl esteja uniformizado de Nazi, de forma a que os Soviéticos não desconfiem do seu real propósito.

Desde cedo vemos que este é um jogo bem mais táctico que muitos outros shooters da segunda guerra mundial, como Call of Duty ou Medal of Honor. Em primeiro lugar, este é um jogo com uma vertente bem maior de stealth, com as suas armas silenciosas, a possibilidade de esconder os corpos dos inimigos e o indicador de camuflagem à semelhança do que foi visto no Metal Gear Solid 3. E se formos descobertos pelo inimigo, em muitas situações isso poderá ser fatal, até porque muitos dos mapas estão também repletos de outros snipers, pelo que avançar com o maior cuidado possível é sempre boa política. A outra grande diferença deste Sniper Elite face aos demais é a sua balística mais realista, com as balas a ganharem peso e serem afectadas pelo vento ou mesmo pela respiração de Karl. Detalhes interessantes como rebentar granadas ou tanques através de disparos certeiros nos seus depósitos de combustível foram adições muito benvindas, ao invés de andarmos sempre à procura de uma Panzerfaust ou Bazooka.

screenshot
Destroços, destroços e destroços de partes não tão desertas assim da cidade. Vamos ver isso muitas vezes.

O jogo possui mapas gigantescos comparativamente com outros jogos similares da época e se tivermos o cuidado de ser o mais stealth possível, essas missões acabarão por demorar muito tempo a serem completadas. Mas como as missões vão tendo objectivos pouco distintos entre si, seja assassinar oficiais nazis importantes, recuperar documentos secretos, resgatar soldados aliados ou outras personalidades importantes, esse cuidado todo que temos de ter acaba por se tornar algo aborrecido, o que é pena, pois o jogo faz um bom trabalho com toda a atmosfera de tensão que nos envolve, sem sabermos se haverá um sniper escondido numa janela de um edifício no fundo da rua e que nos pode limpar o sebo num ápice. Muitas vezes teremos de ter uma abordagem de tentativa-erro ao encarar diversas situações, como descobrir qual o melhor caminho a tomar de forma a ter vantagem sobre os inimigos, ou mesmo adivinhar de onde eles vêm.

screenshot
Nem todas as missões são jogadas durante o dia.

A inteligência artificial está bem implementada. Se um grupo de inimigos descobre a nossa posição, eles procuram abrigo e vão-nos atacando de forma cuidada, bem como outros grupos nos começam a flanquear de forma a tentar apanhar-nos de surpresa. Mas outras coisas também podem ser utilizadas a nosso favor, como ferir não mortalmente um inimigo e ele ficar a contorcer-se com dores no chão, chamando os seus companheiros para o virem ajudar, deixando-nos assim com mais um alvo a abater. De resto, para além das sniper rifles existem uma variedade de armas que podemos recolher, convém ter sempre umas metralhadorazinhas preparadas para encontros próximos.

Na maior parte do tempo vamos jogar numa perspectiva de terceira pessoa, mudando apenas para a primeira pessoa quando utilizarmos a . Uma outra coisa que não gostei foi a maneira como a Rebellion implementou os controlos standard do jogo nesta versão PC, que estão na minha opinião desnecessariamente complicados, como a velocidade de movimento, por exemplo, ou a interacção com o nosso inventário de items. Para além de granadas, binóculos, bombas e afins, um item interessante que podemos utilizar é uma simples pedra, ideal para distrair os inimigos temporariamente.

screenshot
Como seria de esperar, a interface de disparo no modo sniping está cheia de informação

Para além da longa e competente campanha singleplayer, temos também uma vertente online, não fosse este um shooter para PC. Infelizmente, não existe assim uma grande variedade de modos de jogo, com os mesmos a assentar essencialmente em variantes dos já conhecidos deathmatchs. Sobra então o modo Assassination, onde as equipas são divididas entre soviéticos e nazis, com os soviéticos incumbidos com a missão de assassinar um determinado alvo alemão e estes terão de o proteger a todo o custo.

De resto, graficamente é um jogo competente para os padrões de 2005. Tal como referi há pouco os níveis vão sendo bastante grandes, com áreas abertas enormes, mas infelizmente não há uma grande variedade de cenários. Tirando um ou outro caso, vamos andar sempre a vaguear pelas ruas de Berlim, com todos os seus destroços de guerra. O que me impressionou, e ficou certamente uma imagem de marca na série, foram as kill cams para headshots estilosos, onde vemos em câmara lenta a bala a sair do cano da nossa arma e ir direitinha à cabeça do pobre soldado em questão. Naturalmente que na sequela este mimo foi bem melhorado. O som é misto. As músicas quando existem vão sendo épicas como manda a lei, os efeitos sonoros são competentes e realistas, porém o voice acting na minha opinião é fraquinho, assim como toda a história no geral, com muitas missões a serem algo anti-climáticas. No entanto, os efeitos sonoros são bons como eu já disse, e o barulho das explosões de artilharia que vamos ouvindo em background pode ser aproveitado para mascarar o barulho dos nossos disparos, mais um detalhe interessante.

screenshot
As kill cams são sem dúvida uma mais valia para desanuviar um pouco

No entanto, no fim de contas apenas posso recomendar que comprem a versão steam deste jogo. Ou caso encontrem a versão retail deste jogo bem baratinha como eu, tentem acabar por comprar mais tarde a versão steam. Isto porque o jogo vem incluido com o Star-Force, um sistema de protecção antipirataria vindo dos infernos, que já na altura em que foi desenvolvido trazia problemas a vários PCs, nos PCs modernos ainda traz mais. É possível jogar isto sem o Star-Force, mas depois terão problemas a desinstalar o jogo, como me aconteceu a mim e tive de recorrer a uma daquelas aplicações manhosas para desinstalar programas, que me deixou o Windows um pouco lixado. A versão steam que eu saiba já não traz essas dores de cabeça.