Out Run (ZX Spectrum)

OutRun ZXMais um artigo blitzkrieg, uma “super rapidinha” se assim o preferirem. Apesar de o Out Run ser um excelente e revolucionário jogo, vou deixar a análise mais aprofundada para a eventual versão Mega Drive ou Master System, se acabarem por me parar às mãos. A versão Spectrum foi convertida pela Probe Software e publicada pela U.S. Gold. A minha cópia é literalmente uma cópia, proveniente do mercado cinzento, numa altura em que a pirataria não era legislada. Mas é uma cópia com qualidade e até traz um pequeno mapa do jogo, embora não esteja na fotografia. Foi comprada na Feira da Vandoma no Porto por 1€.

OutRun - ZX Spectrum
Bootleg do mercado cinzento. Inclui ainda um mapa que não ficou na foto.

Infelizmente o Spectrum não é a melhor máquina para receber um jogo deste calibre. Out Run para ser bem apreciado precisa de paisagens solarengas, coloridas e acima de tudo uma sensação de velocidade acompanhado por uma música bem relaxante. Bom, aqui apenas a música se aproxima aos originais, pois o scrolling infelizmente é muito lento. Os gráficos também são mais monocromáticos, mas isso já é algo expectável para um sistema com essas limitações. O Ferrari Testarossa até que está bem detalhado, e todo o esforço que a Probe colocou nesta conversão improvável deve ser reconhecido. No entanto existem outras melhores alternativas para se jogar este Out Run e é nessas que me focarei.

Starshot: Space Circus Fever (Nintendo 64)

Starshot Space Circus FeverMais uma rapidinha, agora para a Nintendo 64 para mais um dos seus jogos medíocres que cá vieram parar às minhas mãos após terem sido comprados num bundle de vários jogos por apenas 15€. Este Starshot é um jogo de plataformas 3D produzido pela antiga Infogrames que infelizmente os seus controlos e má câmara lhe ditaram a sua mediocridade e quanto a isso não há muito a fazer.

Starshot Space Circus Fever - Nintendo 64
Apenas cartucho

Este é um jogo que decorre algures no espaço e Starshot, a nossa personagem, é um membro do circo espacial Space Circus, que se preparava para mostrar o seu espectáculo no planeta paradisíaco de Tensuns, quando são atacados por um conjunto de robots que lhes destroem o equipamento. Após investigar quem esteve por detrás desses ataques, descobrimos que foram os robots do Virtual Circus, rivais do nosso Space Circus e liderados pelo infame Wolfgang Von Ravel. Entretanto coisas acontecem e lá teremos de explorar vários planetas em busca de artefactos insólitos para o nosso circo, sempre com Von Ravel e suas tropas à pega.

Este é um jogo de plataformas em 3D, onde nos podemos mover livremente, saltar à vontade mas também disparar para vários inimigos que nos atravessem no nosso caminho. Mas nem todos os inimigos podem ser derrotados desta forma, e por vezes o jogo apresenta-nos formas mais inteligentes de dar a volta à situação, como colocar alguns inimigos a combater outros, ou participar em pequenos puzzles para completar os nossos objectivos. Não é um jogo assim tão linear, os níveis são grandinhos e podemos sempre visualizar um mapa que nos indica onde estamos e a localização do próximo objectivo a cumprir. Starshot tem vidas infinitas, mas nem por isso torna este jogo num passeio de crianças. Existem vários checkpoints espalhados nos níveis e sempre que morramos recomeçamos logo ali, mas ainda assim por vezes as coisas ficam frustrante devido aos controlos e à câmara.

screenshot
A nossa munição também é algo limitada, embora os power-ups azuis acabem por reaparecer ao fim de algum tempo

Nos controlos há um problema qualquer com o saltar, nem sempre as coisas resultam bem e como existem várias zonas com abismos sem fundo, um salto mal dado é logo uma dor de cabeça. O outro problema está com o controlo de câmara que é simplesmente horrível. Muitas vezes coloca-nos numa perspectiva tão má que não conseguimos ver nada do que está a acontecer, obrigando-nos a controlar a câmara manualmente, muitas vezes com a pressão de estarmos a levar no pelo. De resto as mecânicas de jogo são simples, existindo alguns powerups espalhados nos planetas para os apanhar. Os azuis são munições para a nossa arma, os verdes restabelecem a nossa vida, os amarelos são combustível para usarmos um jetpack (cujo se perde todo ao perder uma vida) e os vermelhos são “mega combustível”, necessário para conseguirmos posteriormente visitar outros planetas, incluindo a Terra que é o mais longínquo.

screenshot
Se visitarem o planeta Terra, encontrarão lá este senhor.

Graficamente é um jogo assim-assim. Por um lado é bastante colorido e tudo tem um design muito cartoonesco que eu tanto gosto. Por outro existem várias zonas onde os cenários poderiam estar melhor detalhados, bem como algum slowdown acaba por ser notório. As músicas são agradáveis mas não ficaram na minha memória. Os diálogos são dados em balões de texto, com as vozes a serem apenas pequenos sons sem sentido, o que se compreende dado à pouca capacidade de armazenamento de um cartucho, mas também se adequa bem à temática mais “cartoon” do jogo.

Posto isto, chegamos ao mesmo que tinha referido logo acima no início, Starshot Space Circus Fever é um platformer medíocre pelos seus maus controlos e câmara, o que num jogo de plataformas em 3D é algo que acaba por ser crucial. E isto numa Nintendo 64, onde podemos também encontrar coisas como Super Mario 64 ou ambos os Banjos acaba por ser óbvio que a nossa escolha dificilmente passará pelo pobre Starshot.

Train of Afterlife (PC)

Mais uma super-rapidinha, assim como é o jogo. Eu não sou o maior dos fãs de visual-novels, até porque a maioria das mesmas que nos chegam cá ao ocidente são todos hentai com cenas mesmo à japonês taradão, mas este Train of Life não é nada disso. De qualquer das formas este jogo apenas veio parar à minha conta pois veio num indie bundle do qual apenas queria mesmo um jogo, o platformer Freedom Planet que espero ter tempo para o jogar em breve.

Train of Afterlife PC

Em Train of Afterlife a nossa personagem está num comboio juntamente com outros espíritos, numa viagem sabe-se para lá onde. O que sabemos é que temos 12h para a desfrutar ao interagir com os outros, sabendo que com as escolhas que tomemos nos diálogos (e não só) irão afectar o final do jogo. Basicamente ninguém se lembra de quem era na vida anterior, e uma maneira de o fazer é “jogar tarot”, ao escolher uma de 12 cartas que nos mostra um pequeno flashback de certos momentos da nossa vida anterior. É à medida que vamos tendo essas acções que também influenciamos as decisões das outras personagens, onde acabamos por descobrir mais tarde quem elas eram e qual a sua relação para connosco.

screenshot
Nenhum dos espíritos sabe quem foi na vida anterior, ou o que lhes esperará quando as suas 12h terminarem

 

O jogo é curtinho, dá para terminar em pouco mais de meia-hora, mas para quem for perfeccionista então terá de o jogar muitas mais vezes, pois existem um total de 9 finais diferentes. No meu caso eu não tive paciência e acabei por me contentar com os primeiros finais que me apareceram. Para quem gostar de VNs, este até poderá ser um título interessante pois foge aos clichés habituais deste género e possui diálogos mais existencialistas e menos aparvalhados. De resto é um jogo com visuais simples, tanto nos backgrounds, como mesmo na representação das personagens que tem um traço que sinceramente não me agrada. As músicas são bastante calmas na sua maioria, com bonitos acordes acústicos ou melodias de piano.

screenshot
“Jogar Tarot” não tem nada que saber, é só escolher uma carta e ver um flashback de algum episódio da nossa vida

Em suma, um jogo interessante para quem for fã de visual novels, já para mim, não devo voltar a jogá-lo.

The Cat Lady (PC)

Mais uma análise para PC, e não deverá ser a única nos próximos tempos, já que esta semana estou numa de “despachar” alguns jogos indie relativamente curtos que tenho aqui no steam, sem dúvida a plataforma para a qual tenho um backlog maior. E este The Cat Lady é um jogo de aventura “point and click” com uns controlos bem diferentes dos habituais, mas mais que isso é mesmo a sua história bizarra ao extremo e bastante sádica que nos deixa muitas vezes algo desconfortáveis. Invariavelmente este jogo também entrou na minha conta steam após ter sido comprado num de muitos indie bundles a um preço reduzido.

cat-lady-new-coverSusan Ashworth é a nossa “heroína”, uma senhora de 40 anos que adora gatos e que está a atravessar uma depressão gigante E o jogo lá começa com Susan a cometer suicídio após ingerir uma embalagem inteira de comprimidos para dormir e logo depois somos levados para um estranho mundo no “além”. Um mundo bastante sádico, onde após uma série de eventos chocantes acabamos por conhecer uma misteriosa divindade na forma de uma velhinha que nos propõe algo: devolver a nossa vida (e imortalidade) a troco de Susan eliminar uma série de psicopatas violentíssimos, uns “parasitas” como lá são chamados.

screenshot
Sim, o jogo está cheio de psicopatas bizarros e extremamente violentos

É muito difícil estar a escrever sobre este jogo sem estar a “spoilar” coisas que eu preferia mesmo que vissem com os vossos próprios olhos e ficassem tão surpreendidos quanto eu. Só me resta então descrever as coisas de uma forma algo genérica ou vaga, que não lhe fazem toda a sua justiça. The Cat Lady é um jogo deprimente, sádico e bastante violento, onde representações de homicídios chocantes e bem sangrentos vão ser coisas que não faltarão ao longo da aventura. Não é certamente para todos os públicos e bem que o avisam antes de começarmos o jogo. Ainda assim gostei da maneira como foram encadeando a narrativa ao longo dos sete capítulos dos quais jogaremos. Por exemplo, após regressar do mundo dos mortos acordamos num hospital onde vamos recebendo algum apoio psicológico e entretanto outras coisas acontecem, até que estamos num capítulo seguinte e já em casa.

screenshot
The Cat Lady é um jogo depressivo, como se pode perceber pela sua tonalidade constantemente escura

As mecânicas de jogo emulam um point and click tradicional, embora apenas se use o teclado. O jogo é apresentado num plano totalmente em 2D, onde nos movimentamos com as setas do teclado ou o esquema WASD. Quando nos deparamos em frente a algum objecto ou pessoa que pode ser interagido, temos de carregar na seta para cima (ou letra W) para ver quais as opções que podemos escolher, coisas como “olhar”, “falar”, “pegar”, “usar”, entre outros. Também temos um inventário, cujo pode ser activado ao pressionar na seta para baixo ou através da tecla S. Activando o inventário movemo-nos pelos itens através das setas e ao carregar na seta para cima no objecto pretendido vemos também quais as opções que esse mesmo objecto nos deixa fazer. Para além disso, no que diz respeito aos diálogos por vezes teremos várias escolhas a tomar, escolhas essas que irão alterar um pouco a maneira como o restante capítulo irá decorrer, ou mesmo influenciar o final que poderemos obter.

Nos audiovisuais este mantém-se um jogo sinistro e bem sádico. Tudo é em tons de cinza, excepto o sangue que é bem vermelhinho. A arte das personagens e backgounds é muito caricata, parecem recortes de jornais misturados com pinturas, com animações (e movimentações) minimalistas que acabam também por nos causar algum desconforto. É sem dúvida um look bastante diferente que me deixou satisfeito precisamente por essa diferença, não pela qualidade gráfica em si. Infelizmente no audio as coisas já não são tão boas. A voz de Susan e de Mitzi  – “mas quem é essa Mitzi que só agora falaste?”, perguntam-me vocês – são bem representadas e gostei bastante do sotaque britânico das mesmas. Infelizmente nem todas as personagens estão bem representadas, e principalmente alguns dos vilões têm vozes muito mázinhas, o que foi mesmo uma oportunidade perdida, pois seriam vilões fenomenais se não fossem as más representações. As músicas também deixam um pouco a desejar por vezes. Se em certas alturas apenas temos ruídos ou músicas mais ambientais que se adequam perfeitamente a toda a atmosfera opressiva que estamos a viver, noutras vezes já temos um rock depressivo mais comercial que para mim estragou logo a festa.

screenshot
Mitzi acaba por ser uma personagem bastante importante no jogo

Em suma este The Cat Lady apesar de ser um jogo rotulado de terror, eu rotulo-o apenas de desconcertante. Pois é na sua atmosfera depressiva, sádica e desconfortável, onde testemunhamos as maiores das barbaridades, na sua história complexa, na evolução de Susan (e não só) como personagem que este jogo marca todos os seus pontos. A parte gráfica é algo que não irá agradar a toda a gente, mas eu sinceramente achei que ainda realçou mais toda a bizarrice e demência que o jogo apresenta. Vale a pena experimentar, mas não é mesmo para toda a gente.