Vamos a mais outra super rapidinha, pois este pequeno e simples beat ‘em up da Master System já foi cá analisado anteriormente. Kung Fu Kid faz parte da compilação Gamebox Série Lutas, lançada originalmente pela Tec Toy em exclusivo no mercado brasileiro, mas a distribuidora portuguesa da Ecofilmes acabou por importar algumas cópias e lançar por cá também. Recomendo então que dêm uma olhada nesse artigo.
Jogo com caixa e manual
Entretanto, o meu exemplar deste Kung Fu Kid foi-me vendido por um amigo por 5€, durante o passado mês de Junho.
Continuando pelas rapidinhas, vamos ficar agora com um clássico da velhíssima guarda, lançado originalmente nas arcades em 1981 e produzido pela Williams. Naturalmente que uma conversão acabou por ser lançada para a Atari 2600, cujos visuais acabaram por ser algo simplificados, mas o core da sua jogabilidade permanece lá. Este meu cartucho veio de um bundle que comprei no mês passado numa feira de velharias por 25€, mas como eventualmente despachei as coisas que me eram repetidas, acabou por ficar practicamente de graça.
Apenas cartucho
Defender é um jogo que certamente influenciou o que viriam a se tornar nos shmups horizontais que começaram a surgir mais tarde na década de 80. O planeta Terra está a ser invadido por extra terrestres, que sugam os humanos com os seus tractor beams, transformando-os em mutantes agressivos! Nós somos a última esperança da raça humana, ao pilotar uma poderosa e ágil nave espacial, que terá de abater todas as naves alienígenas que se cruzarem connosco.
Defender é um jogo relativamente simples, mas com tantos conceitos interessantes, pelo menos para os padrões 1981, que tiveram de lutar um pouco com as limitações da Atari 2600 e os seus Joysticks com 1 botão para incluir todas as mecânicas de jogo. Tipicamente nós sobrevoamos uma cidade que está a ser atacada por aliens onde teremos de defrontar as naves inimigas e, especialmente evitar que as mesmas raptem os humanos inocentes nas ruas. Com o único botão disponível conseguimos disparar os nossos raios laser e claro, basta levar um toquezinho qualquer para perdermos uma vida. Mas para além dos raios laser teremos à nossa disposição bombas inteligentes capazes de destruir todos os inimigos presentes no ecrã de uma só vez. Mas como as activamos? Bom, temos de descer até ao nível da cidade e quando a nossa nave estiver totalmente escondida, basta pressionar o mesmo botão para detonar uma dessas bombas. Por outro lado, se decidirmos voar até ao topo do ecrã, ao pressionar o botão de disparo faz com que a nossa nave se teletransporte para uma posição aleatória no ecrã, o que pode ser muito útil em momentos de maior aflição.
Graficamente é um jogo com visuais mais simplificados face ao original da arcade, mas cumprem bem o seu papel
Para além disso, o maior objectivo é o de proteger os humanos que estão nas ruas. Certas naves inimigas vão tentar sugá-los com os seus tractor beams e, caso sejam bem sucedidos, os humanos transformam-se em aliens voadores bastante agressivos e difíceis de matar. Caso um humano esteja a ser sugado, se destruirmos rapidamente a nave que o está a sugar ele ainda sobrevive. Caso contrário, se já estiver bem longe do chão, temos de o tentar apanhar e deixá-lo posteriormente no solo. Se não conseguirmos salvar todos os humanos, não temos um game over (isso só acontece quando perdermos todas as vidas), mas deixamos a cidade, somos levados para uma difícil batalha em pleno espaço, antes de voltar novamente à cidade e repetir o processo. De resto, tanto vidas como bombas extra (até um máximo de 3) vão-nos sendo fornecidas a cada 10000 pontos. Este é portanto um daqueles jogos sem fim, onde vamos enfrentando ondas cada vez mais agressivas de inimigos e o nosso objectivo é o de tentar sobreviver e fazer o máximo de pontos possível.
Pode não parecer mas aquele quadrado no solo é um humano
No que diz respeito aos audiovisuais, é um jogo muito simples até porque é um lançamento da Atari 2600. Esperem pelos habituais blips genéricos produzidos pela Atari e gráficos muito simples. No entanto o scrolling até que é bem mais suave do que estava à espera e é interessante que, no topo do ecrã, temos uma espécie de radar que nos indica a nossa posição, a dos inimigos e dos humanos. Claro que o detalhe é super básico, são apenas pontos no ecrã, mas não deixa de ser interessante. A versão arcade possui mais detalhe nas sprites e nos cenários, que são mais complexos, mas esta versão Atari 2600, tendo em conta todas as suas limitações, até que acaba por ser um lançamento bem competente.
Indo agora para uma super rapidinha, este breve artigo serve apenas para dar entrada de uma versão do Terminal Velocity, o primeiro jogo publicado pela 3D Realms quando foi formada pela Apogee, e que muito joguei na minha infância, pelo menos a versão shareware. O meu exemplar foi comprado numa feira de velharias no passado mês de Junho por 1€.
Jogo em caixa jewel case
O jogo em si até que merece um artigo mais extenso, mas já o abordei no artigo alusivo à compilação Fly & Drive, onde o jogo está também inserido (se bem que apenas na sua versão shareware, enquanto que este é o completo).
Final Fantasy Anthology é uma compilação de dois dos Final Fantasy lançados originalmente para a Super Nintendo. Enquanto a versão Norte Americana possui o Final Fantasy V e Final Fantasy VI, este último acabou por sair cá como um lançamento independente. Portanto, a versão europeia desta pequena compilação, acaba por trazer os Final Fantasy IV e V. O meu exemplar foi comprado algures em Maio de 2017, creio que o encontrei numa das minhas idas à feira da Vandoma e não me terá custado mais do que 7€.
Jogo com caixa, manual e ambos os discos.
Eu já cá trouxe várias versões do Final Fantasy IV, incluindo a versão GBA, que sinceramente acaba por ser uma melhor versão que a que vemos aqui, faltando-lhe unicamente as cutscenes em CGI. Ou mesmo a versão PSP que acaba por ser um pacote muito interessante. Portanto, vou aproveitar o resto deste artigo para abordar unicamente o Final Fantasy V, cuja versão que aqui vemos acabou por ser a primeira lançada oficialmente no ocidente, tanto nas Américas, como na Europa.
Tal como muitos outros Final Fantasy da velha guarda, a história anda à volta de cristais elementais, que neste caso acabam por servir de plataforma para selar o X-Death, um poderoso feiticeiro que havia sido aprisionado 30 anos antes por outros guerreiros. Os cristais começam a ceder, a começar pelo cristal do vento e eventualmente o X-Death ganha novamente a sua liberdade, pelo que iremos jogar com uma party de 4-5 personagens ao longo de toda a aventura para derrotar X-Death de uma vez por todas. Sinceramente não achei a narrativa tão boa assim, gostei bem mais da história do Final Fantasy IV mas também posso estar a ser injusto pois a versão GBA deste Final Fantasy V possui um diálogo revisto e se calhar a narrativa resultará melhor aí. Sinceramente a versão GBA foi a primeira que joguei mas já foi há tanto tempo que já não me recordo bem.
Uma das novidades introduzidas por esta versão são as cutscenes em CGI
No que diz respeito à jogabilidade, estamos aqui perante mais um RPG com batalhas aleatórias, mas em vez de um sistema clássico de turnos, temos aqui novamente o Active Battle System, introduzido originalmente no Final Fantasy IV. Aqui cada interveniente na batalha tem um tempo de espera que terá de ser respeitado até podermos decidir que acções tomar. Esse tempo de espera poderá ser algo variável consoante a classe (job) escolhido. Falando no sistema de jobs, esse foi o que mais alterações sofreu face aos seus predecessores, com a inclusão de muitas mais classes, cada qual com diferentes habilidades que poderemos vir a desbloquear com pontos de experiência. À medida que vamos progredindo no jogo, cada vez mais classes vão ficando disponíveis e temos a liberdade total de mudar de classes sempre que assim desejarmos. Cada classe em cada personagem poderá ser evoluída independentemente e a outra novidade trazida por este jogo é a customização adicional que poderemos ter também em conta em cada personagem. Ou seja, à medida que vamos evoluindo os diferentes jobs em cada personagem, poderemos também ir buscar habilidades de outros jobs que tenhamos evoluído. Por exemplo, se uma personagem já ganhou uma série de habilidades como Black Mage, mas mudar o seu job para White Mage, poderemos também ir buscar uma skill de Black Mage para usar enquanto estamos com um job diferente. De resto, a minha única queixa é mesmo para o elevado rate de batalhas aleatórias que teremos de enfrentar, acompanhadas por pequenos loadings antes de cada batalha.
No FFV, as batalhas são uma vez mais aleatórias e por turnos, através do sistema de combate do ABS
No que diz respeito aos audiovisuais, este jogo é uma adaptação directa do original da Super Nintendo, incluindo apenas algumas cutscenes em CGI que iremos ver apenas no início e fim do jogo. Não esperem portanto por grandes actualizações gráficas, algo que acabamos por ver na versão da Gameboy Advance lançada alguns anos mais tarde. No que diz respeito ao som, as músicas são bastante agradáveis como é habitual na série, mas por acaso não reparei se a banda sonora está em formato CD Audio, ou se é meramente chiptune tal como no original da SNES. Presumo que seja em formato CD Audio, caso contrário não encontraria grandes desculpas para termos ecrãs de loading entre batalhas. Se o jogo estivesse todo carregado na memória da Playstation (o lançamento original da SNES é uma ROM com apenas 2MB) não teríamos tempos de loading e tudo seria mais práctico!
O que mais há neste FFV são meios de transporte!
Portanto este Final Fantasy V devo dizer que, dentro dos clássicos da era SNES, é o que tem a história menos cativante para mim. O facto de o jogo ter tido poucas conversões quando comparado com outros Final Fantasy pré-FF7 talvez seja um indicador que seja um sentimento algo generalizado! No que diz respeito a essas outras versões, poderemos destacar a versão Gameboy Advance, que para além de possuir uma tradução mais fiel ao original, ligeiros updates gráficos, inclui novas classes, dungeons adicionais e claro, o bestiário onde poderemos ver detalhes adicionais dos inimigos que vamos enfrentando. Uma versão remasterizada, com gráficos actualizados foi lançada para plataformas mobile e posteriormente convertida para o steam, mas não me vou alongar nessa versão pois nunca a joguei.
Vamos agora a um clássico das aventuras gráficas point and click, desta vez para um título muito interessante produzido pela Lucas Arts. Até à data, a empresa já era bem conhecida pelas suas aventuras gráficas repletas de um bom sentido de humor como a série Monkey Island ou Day of the Tentacle (que curiosamente ainda não tive a oportunidade de trazer cá), mas este The Dig é um títul diferente, um pouco mais sério e sombrio. O meu exemplar foi comprado numa feira de velharias qualquer, já não me recordo quando nem onde, mas creio que me custou 5€.
Jogo com caixa, papelada e um manual a cores que serve também de capa da jewel case
The Dig começou por ser idealizado como um filme de Steven Spielberg, mas aparentemente os seus custos de produção seriam proibitivos, pelo que decidiram antes transformá-lo num videojogo de aventura gráfica. A cutscene inicial leva-nos algures ao presente, onde um telescópio detecta um grande asteróide em rota de colisão certa com a Terra, que, pela sua dimensão, iria certamente causar uma catástrofe. A humanidade então organiza-se e envia para o espaço uma equipa de pessoas de diferentes backgrounds para explorar o asteróide e explodi-lo com cargas explosivas. Nós começamos a aventura já em pleno espaço, onde teremos sair do space shuttle, preparar o equipamento e começar a explorar o asteróide. Assim que o fazemos, descobrimos que o asteróide é oco e possui estranhos artefactos alienígenas. Claro que a curiosidade leva o melhor de nós e acabamos por ser transportados para um estranho e abandonado mundo alienígena, onde teremos de o explorar, resolver os seus mistérios e eventualmente arranjar maneira de voltar para a Terra.
A fase inicial achei-a super relaxante
No que diz respeito às mecânicas de jogo, estas são as típicas de um jogo de aventura point and click, onde com o cursor fazemos todas as acções que o jogo nos permite, como deslocarmo-nos pelos cenários, interagir com pessoas, objectos e claro, resolver muitos puzzles que nos irão surgir. Estes frequentemente não são muito claros ou intuitivos, até porque estamos a explorar tecnologia extra terrestre, e se calhar é mesmo suposto que realmente não façam muito sentido. Mas o que quero dizer é que não se sintam envergonhados se tiverem de acabar por usar um guia.
O mundo que vimos a explorar é misterioso e repleto de perigos
Já na parte audiovisual, este é sem dúvida um dos pontos fortes do jogo, principalmente pela sua apresentação. Os minutos iniciais enquanto estamos em pleno espaço a explorar o asteróide, ao som de uma banda sonora épica e orquestral é realmente qualquer coisa de fantástico e o jogo vai tendo muitos destes momentos onde a banda sonora orquestral realmenente brilha. As personagens possuem um óptimo voice acting e no que diz respeito aos gráficos, a minha opinião já é um pouco mais dividida. Por um lado o pixel art é excelente, tanto nos cenários como nas próprias personagens e suas animações. Por outro lado o jogo está repleto de várias cutscenes e aqui a minha opinião já se divide. Algumas cutscenes são em CGI, e embora tenham envelhecido algo mal, eram muito impressionantes para a época e acho que resultam muito bem. Outras cutscenes já incluem animação mais tradicional e estas confesso que já não gostei assim tanto dos traços das personagens.
As cutscenes de animação mais tradicional já não as achei tão boas assim
Por fim, devo dizer que fiquei bastante surpreendido com este The Dig, apesar de já ter ouvido falar muito bem do jogo. Acho que a história ficou muito bem conseguida, em particular a atmosfera cinematográfica que lhe conseguiram incutir. Um ou outro detalhe que já não gostei tanto, como referi acima, mas no geral fiquei bastante satisfeito. É também um jogo que se pode encontrar facilmente em plataformas como o GOG, onde poderemos jogar versões emuladas que corram bem em sistemas operativos modernos.