Mais uma semana, mais um episódio do Games Tome! Nesta semana vamos fazer uma viagem temporal, os jogos mais sonantes (ou que mais nos tenham marcado) que sairam em 1991! A estrear dentro de minutos!
Zero Escape: The Nonary Games – Parte 1: Nine Hours, Nine Persons, Nine Doors (Sony Playstation Vita)
O artigo hoje irá incidir no primeiro jogo da trilogia “Zero Escape”. Lançado originalmente para a Nintendo DS como “Nine Hours, Nine Persons, Nine Doors”, foi posteriormente lançado em conjunto com a sua sequela “Virtue’s Last Reward” nesta compilação dos Nonary Games. A minha versão é a da Playstation Vita, versão norte-americana que comprei a um coleccionador que se estava a desfazer de parte da sua colecção, isto algures em 2017. Já não me lembro bem quanto custou, mas foi um bom negócio.

Ora e este é um misto de jogo de aventura gráfica e visual novel, onde controlamos o jovem estudante universitário Junpei que se vê envolvido numa grande embrulhada. Ele e mais 8 pessoas foram raptadas e levadas a bordo um grande e antigo navio, onde terão de participar num sádico jogo de vida ou morte. Ele e os restantes participantes terão de cooperar entre si e atravessar as diferentes salas dos navios, resolver os seus puzzles e descobrir a saída, antes que o barco afunde ao fim de 9 horas. Cada participante tem uma pulseira electrónica com um número, número esse que é usado para, em conjunto com outros participantes, atravessar algumas portas específicas. Caso alguma regra seja quebrada, a pulseira emite um sinal que detona uma bomba que cada participante tem no seu corpo. Ora isto acaba por ser um jogo muito psicológico e os participantes, que aparentemente não se conhecem, terão de confiar uns nos outros, o que nem sempre irá acontecer. Faz lembrar um pouco os filmes Saw, embora não seja tão macabro.

O jogo está dividido então em duas mecânicas de jogo distintas. Por um lado temos todas as sequências de história, onde o mesmo se comporta como uma visual novel e eventualmente teremos de fazer algumas escolhas que influenciam o decorrer da história, bem como as mecânicas de jogo de aventura. Estas acontecem quando chegamos a alguma zona do navio onde temos de resolver uma série de puzzles para continuar. E tal como nas aventuras gráficas, teremos de percorrer os cenários a pente fino, procurar objectos, usar e/ou combinar objectos com outros objectos e eventualmente resolver uma série de puzzles, a maioria deles com enigmas mais matemáticos. Isto, em conjunto com as decisões que tomamos nos segmentos visual novel, irá levar-nos a um de vários finais diferentes.

A nível técnico não há muito a dizer. Como é habitual nas visual novels, os cenários são estáticos, tanto na exploração como nos diálogos, onde aqui também teremos imagens dos intervenientes na conversa. As músicas vão sendo bastante diversificadas mas algo tensas na sua maioria e no que diz respeito às vozes, temos a opção de ouvir o voice acting original em japonês, ou um outro em inglês. Acabei por optar pela primeira opção, embora as vozes em inglês estejam activadas por defeito. Tipicamente prefiro ouvir o voice acting original sempre que possível, e aqui não foi excepção.

Mas o ponto forte deste jogo está mesmo na sua narrativa. Inicialmente há a aparência que todas as personagens que lá estão foram escolhidas aleatóriamente, mas à medida que avançamos no jogo, e principalmente à medida que vamos explorando os diferentes finais alternativos, vamos descobrindo que todas as pessoas estão naquela situação por um motivo e inclusivamente muitos se conhecem. Em cada final vamos então desvendando um pouquinho mais do mistério e para alcançar o final verdadeiro, para além de termos de conhecer todos os outros finais alternativos, temos também de preencher alguns pré-requisitos muito especiais ao longo da história. Mas é algo que compensa bem o esforço, pois a narrativa desenrola-se bastante e apesar de finalmente começarmos a ter mais respostas, na verdade terminamos o jogo com muitas mais questões por responder. O que me levará a jogar o Virtue’s Last Reward logo de seguida!
Quest For Glory I: So You Want To Be A Hero (PC)
Voltando aos clássicos da Sierra Online, há aqui uma série que eu desconhecia por completo, os Quest for Glory. São jogos de aventura com uma temática de fantasia medieval, mas ao contrário dos King’s Quest, estes são também um interessante híbrido entre uma aventura gráfica clássica, mas com vários elementos de RPG, o que lhes dá também uma não-linearidade na sua progressão que até é bastante interessante. Tal como os outros clássicos da Sierra que cá tenho trazido ao longo dos últimos meses, este meu exemplar digital veio de um humble bundle que comprei algures no ano passado por uma bagatela, tendo em conta que continha dezenas de jogos!
Este primeiro Quest for Glory decorre na terra fantasiosa de Spielburg onde o herói, um protagonista anónimo que criamos no início da aventura, está ansioso por se tornar um verdadeiro herói e após uma visita ao Adventurer’s Guild mais próximo, poderemos ver uma série de diferentes quests para completar, coisas simples como obter ingredientes para uma curandeira que vive nas imediações da cidade, bem como mais complexas, como investigar o desaparecimento dos filhos do barão local, derrotar a bruxa Baba Yaga ou o líder dos bandidos que têm vindo a aterrorizar a cidade. A piada é que o jogo é completamente não-linear e poderemos tentar resolver estas quests pela ordem que quisermos, algumas até são secundárias mas convém completá-las pois somos sempre recompensados com experiência e/ou dinheiro ao fazê-lo.

Por um lado esta é uma aventura gráfica, com o lançamento original ainda a usar um parser de texto, ou seja, onde teríamos de escrever uma série de comandos para o protagonista executar, como “knock on door“, “talk to man“, “look at something“, entre outros. Como é habitual nos jogos de aventura gráfica deste tipo, teremos de falar com muitas pessoas, passar os cenários a pente fino em busca de objectos e usá-los com outros objectos ou pessoas para ir avançando na história. Mas então e toda a componente de RPG? Bom, para começar ao iniciar uma nova aventura teremos de escolher qual a classe que a nossa personagem represente como um lutador, feiticeiro ou ladrão. Cada classe possui as suas vantagens e desvantagens e uma vez escolhida, poderemos ainda assignar livremente alguns skill points nos diversos stats, criando assim personagens algo híbridas com atributos de diferentes classes, se assim o desejarmos. Como cada classe tem as suas particularidades, existem também diversas maneiras de concluir algumas das quests. Tipicamente os lutadores usam a sua força física, os feiticeiros podem ter acesso a feitiços específicos para resolver certos problemas e os ladrões, bom, esses têm acesso ao Thieves Guild e podem infiltrar-se em casas, roubar os seus pertences e revender como principal fonte de rendimento.
Existem também outras características a considerar como o ciclo de noite/dia, que influenciam o tipo de inimigos que encontramos, os NPCs que poderemos falar e os estabelecimentos que estão abertos ou não. Ou a necessidade de comer em intervalos regulares e ir descansando / dormindo para restabelecer os níveis de fadiga ou de vida. E claro, os combates. Poderemos encontrar a vaguear pelo mapa tanto soldados inimigos como outras criaturas e, caso entremos em contacto é iniciado um combate. Aqui as coisas são um pouco estranhas, pois precisamos de usar teclas direccionais do teclado para atacar (cima), bloquear (baixo) ou evadir (esquerda/direita). Teremos então de estar atentos às animações dos inimigos para evadir ou bloquear os seus golpes com sucesso e aproveitar as janelas de oportunidade para atacar. A qualquer momento no combate podemos também fugir. Mas para além deste lançamento original, a série Quest for Glory, pelo menos no seu primeiro jogo, recebeu também um remake oficial para uma versão VGA no início da década de 90. Aqui, para além dos gráficos mais coloridos e detalhados, temos agora um interface verdadeiramente point and click, com ícones que representam diferentes acções, árvores de diálogo quando falamos com os outros NPCs e estas mudanças também se reflectiram no sistema de combate, que agora também possui ícones clicáveis.

A nível audiovisual, o lançamento original ainda possuía um sistema de cores EGA, suportando apenas as tais 16 cores em simultâneo. Ainda assim, os cenários eram bastante bem detalhados tendo em conta as suas limitações. A versão VGA é muito mais colorida e detalhada, algo que se reflecte também nos diálogos, agora com caixas de texto com direito a um retrato mais detalhado da personagem com quem estamos a dialogar. Tanto uma versão como a outra possuem já no entanto suporte a placas de som, pelo que escusamos de ouvir os constantes beeps do PC Speaker como em títulos mais antigos. Não existe é qualquer voice acting, o que é pena, pois o jogo tem também a sua dose de bom humor (e referências a outros títulos da Sierra!).
The Games Tome #125 – Puzzle Games
Mais uma semana, mais um episódio do The Games Tome! O tema central desta vez são os puzzle games que mais nos marcaram, sem contar com o Tetris! Mas cheira-me que vamos lá parar na mesma… a estrear dentro de minutos!
Shinobi (Nintendo 3DS)
Vamos voltar à Nintendo 3DS e o segundo jogo que escolhi jogar na portátil da Nintendo foi um título que sempre tive bastante curiosidade em jogar, mas deparei-me com um grande desafio, mesmo à antiga! Durante uns quantos anos, principalmente na era pós-Dreamcast, a Sega andou a fazer uma série de experiências com as suas IPs mais antigas, mas infelizmente nem todas correram bem. A série Shinobi até que teve 2 entradas bastante interessantes na Playstation 2, com os Shinobi e Nightshade, mas quanto menos palavras forem gastas com o Revenge of Shinobi da GBA, melhor. Entretanto em 2011 lá sai este Shinobi para a Nintendo 3DS, um título que saiu ainda no início do ciclo de vida da plataforma e, apesar de a Sega ter novamente confiado a franquia Shinobi a um estúdio ocidental, eles até que acabaram por fazer um bom trabalho e homenagear a série. O meu exemplar foi comprado numa CeX na zona do Porto, algures em Junho de 2017 por 10€.

O jogo começa inicialmente no ano de 1256, onde controlamos Jiro Musashi, líder do clã ninja de Oboro, cuja “base” é atacada pelas forças de Zeed. E enquanto vamos defrontando as forças invasoras e defender o que resta da sua casa, cenas acontecem e acabamos por ser transportados para o futuro, onde Zeed acaba por se tornar no tirano que já conhecemos dos jogos anteriores. Jiro Musashi é, supostamente o pai de Joe Musashi, o herói dos Shinobi clássicos, mas os acontecimentos deste jogo acabam por mandar toda a timeline original por água abaixo, pelo que é melhor nem pensar muito nisso.
E apesar de este ser um jogo com gráficos em 3D, a sua jogabilidade é completamente em 2D e, tal como nos Shinobi clássicos, há aqui um grande foco entre o platforming e combate exigentes. É que é daqueles jogos em que temos mesmo de ter reflexos de ninja, seja ao saltitar entre plataformas frágeis sob abismos sem fundo, deflectir golpes inimigos e atacá-los não só no momento certo, mas também da melhor forma. Mas vamos começar por abordar os controlos. O analógico serve para nos movimentarmos, como é óbvio, já o botão B serve para saltar (e Musashi pode fazer o seu habitual duplo salto, bem como saltar entre paredes), Y para atacar com a espada, A para atirar kunais, e por fim temos o botão X, que serve para lançar um gancho que nos permite agarrar ao tecto e que será indispensável nalguns desafios mais exigentes de platforming. Já os botões de cabeceira servem para deflectir (parry) ataques inimigos, ou para activar as habilidades mágicas de Musashi.

Já disse que este é um jogo difícil? Apesar de termos apenas 8 níveis, estes são bastante longos e repletos de desafios. Dependendo do grau de dificuldade escolhido, ao perder uma vida recomeçamos no último checkpoint, e ao gastar as vidas todas teremos de usar um continue, que nos leva a recomeçar o nível em questão do início. E como é bastante habitual perder as vidas todas só para memorizar os obstáculos, inimigos e seus padrões de ataque que teremos de ultrapassar, não deixa de ser um pouco frustrante perder no boss e ter de recomeçar tudo de novo. Mas é para practicar que existe mesmo o modo Beginner, que na verdade até é o modo de jogo recomendado pela Griptonite para quem começar o jogo pela primeira vez. Aqui, temos vidas infinitas, logo recomeçamos sempre a partir do último checkpoint e é a melhor forma de começar a explorar o jogo, as suas mecânicas e começar a memorizar os seus obstáculos e definir estratégias.

De resto, a verdade é que é um jogo desafiante mas não necessariamente por mau game design. Aqui sempre que morremos a culpa é inteiramente nossa, e isso sente-se bem na pele. Mas não deixa de ser bastante recompensador conseguir fazer um parry no tempo certo, para em seguida desferir uma série de combos nos inimigos próximos. É também um jogo com um grande foco num sistema de pontuação e cada vez que acertamos em alguém, ou deflectimos um golpe inimigo, vamos ganhando pontos com isso. Mas já se sofrermos dano, ou mesmo perdermos uma vida, já levamos uma grande penalização pontual. Se por outro lado conseguirmos causar dano continuamente, vamos ganhando também alguns bónus, como mais agilidade ou poder de ataque, que se esfumam logo mal soframos dano, naturalmente. Usar magias também é algo que é penalizador a nível de pontos. Ah, as magias! Estas são muito parecidas às dos clássicos, como a invencibilidade temporária, o poder de fogo que causa dano em todos os inimigos no ecrã, ou a possibilidde de ficarmos muito mais ágeis durante um certo intervalo de tempo.
Outro dos pontos fortes deste jogo é a quantidade de conteúdo desbloqueável. Espalhados ao longo dos níveis, para além dos power ups habituais que nos restauram energia, moedas que nos dão mais pontos, power ups para usar magias, ou simplesmente bombas que nos causam dano, também poderemos encontrar, geralmente bem escondidas, ícones de bónus e de perícia. As primeiras desbloqueiam-nos a um nível de bónus no final do nível, muito similar aos níveis de bónus do primeiro Shinobi. Já os ícones de perícia, quando os apanharmos (são 2 por nível), desbloqueamos também uma Secret Mission, níveis secretos, com uns visuais muito VR e que são especialmente difíceis. Mesmo ao usar o Street Pass também desbloqueamos ainda mais níveis secretos (e ainda mais difícieis pois são 1-hit kill). Como a minha 3DS não tem saído de casa, infelizmente não desbloqueei nenhum deste conteúdo. Para além de tudo isto, o Shinobi tem também um sistema de achievements interno, artwork desbloqueável, e também um pequeno museu com informações e trivia sobre todos os lançamentos da série Shinobi, mesmo aqueles mais desconhecidos como o Cyber Shinobi, Revenge of Shinobi GBA ou até o Alex Kidd in Shinobi World!
A nível audiovisual este é um jogo que me deixa com sentimentos mistos. Por um lado os cenários vão sendo variados, e até vamos ter alguns segmentos que não são sidescrollers típicos, como a perseguição a cavalo no século XIII, a perseguição na autoestrada no futuro, ou o Jiro surfista, que é controlado pelo sensor de movimento da 3DS. Mas a nível gráfico propriamente dito, o jogo apresenta os cenários e personagens em 3D completamente poligonal e infelizmente, sendo este um jogo de primeira geração da 3DS, o resultado final não é assim tão longe do que uma DS normal é capaz de fazer. Sinceramente acho que resultaria muito melhor se o jogo fosse completamente 2D como os clássicos, mas compreendo que os efeitos 3D da 3DS não tivessem o mesmo impacto dessa forma. A nível de som, as músicas vão tendo sempre melodias orientais na sua base, mas sempre misturadas com instrumentação mais rock, electrónica ou orquestral. Não são más músicas de todo, mas o chiptune da Mega Drive é imbatível nesta série. Pelo meio vamos tendo também algumas cutscenes anime que até resultaram bem.
Portanto este Shinobi 3DS é um jogo bastante desafiante e mesmo tendo sido confiado a um estúdio ocidental, creio que eles fizeram um óptimo trabalho ao capturar toda a essência da série na sua jogabilidade. Há aqui também uma série de homenagens não só à série Shinobi, mas também a outros clássicos da Sega como o Golden Axe ou Afterburner e para além disso existe imenso conteúdo desbloqueável para os mais bravos. A meu ver só perde mesmo na questão gráfica.






