Quest For Glory I: So You Want To Be A Hero (PC)

Voltando aos clássicos da Sierra Online, há aqui uma série que eu desconhecia por completo, os Quest for Glory. São jogos de aventura com uma temática de fantasia medieval, mas ao contrário dos King’s Quest, estes são também um interessante híbrido entre uma aventura gráfica clássica, mas com vários elementos de RPG, o que lhes dá também uma não-linearidade na sua progressão que até é bastante interessante. Tal como os outros clássicos da Sierra que cá tenho trazido ao longo dos últimos meses, este meu exemplar digital veio de um humble bundle que comprei algures no ano passado por uma bagatela, tendo em conta que continha dezenas de jogos!

Este primeiro Quest for Glory decorre na terra fantasiosa de Spielburg onde o herói, um protagonista anónimo que criamos no início da aventura, está ansioso por se tornar um verdadeiro herói e após uma visita ao Adventurer’s Guild mais próximo, poderemos ver uma série de diferentes quests para completar, coisas simples como obter ingredientes para uma curandeira que vive nas imediações da cidade, bem como mais complexas, como investigar o desaparecimento dos filhos do barão local, derrotar a bruxa Baba Yaga ou o líder dos bandidos que têm vindo a aterrorizar a cidade. A piada é que o jogo é completamente não-linear e poderemos tentar resolver estas quests pela ordem que quisermos, algumas até são secundárias mas convém completá-las pois somos sempre recompensados com experiência e/ou dinheiro ao fazê-lo.

Para além de escolher a classe inicial, temos alguns skill points que podemos atribuir de forma livre. E à medida que vamos avançando no jogo, os nossos stats vão também melhorando.

Por um lado esta é uma aventura gráfica, com o lançamento original ainda a usar um parser de texto, ou seja, onde teríamos de escrever uma série de comandos para o protagonista executar, como “knock on door“, “talk to man“, “look at something“, entre outros. Como é habitual nos jogos de aventura gráfica deste tipo, teremos de falar com muitas pessoas, passar os cenários a pente fino em busca de objectos e usá-los com outros objectos ou pessoas para ir avançando na história. Mas então e toda a componente de RPG? Bom, para começar ao iniciar uma nova aventura teremos de escolher qual a classe que a nossa personagem represente como um lutador, feiticeiro ou ladrão. Cada classe possui as suas vantagens e desvantagens e uma vez escolhida, poderemos ainda assignar livremente alguns skill points nos diversos stats, criando assim personagens algo híbridas com atributos de diferentes classes, se assim o desejarmos. Como cada classe tem as suas particularidades, existem também diversas maneiras de concluir algumas das quests. Tipicamente os lutadores usam a sua força física, os feiticeiros podem ter acesso a feitiços específicos para resolver certos problemas e os ladrões, bom, esses têm acesso ao Thieves Guild e podem infiltrar-se em casas, roubar os seus pertences e revender como principal fonte de rendimento.

Mesmo com as limitações dos sistemas EGA, os cenários estão muito bem detalhados

Existem também outras características a considerar como o ciclo de noite/dia, que influenciam o tipo de inimigos que encontramos, os NPCs que poderemos falar e os estabelecimentos que estão abertos ou não. Ou a necessidade de comer em intervalos regulares e ir descansando / dormindo para restabelecer os níveis de fadiga ou de vida. E claro, os combates. Poderemos encontrar a vaguear pelo mapa tanto soldados inimigos como outras criaturas e, caso entremos em contacto é iniciado um combate. Aqui as coisas são um pouco estranhas, pois precisamos de usar teclas direccionais do teclado para atacar (cima), bloquear (baixo) ou evadir (esquerda/direita). Teremos então de estar atentos às animações dos inimigos para evadir ou bloquear os seus golpes com sucesso e aproveitar as janelas de oportunidade para atacar. A qualquer momento no combate podemos também fugir. Mas para além deste lançamento original, a série Quest for Glory, pelo menos no seu primeiro jogo, recebeu também um remake oficial para uma versão VGA no início da década de 90. Aqui, para além dos gráficos mais coloridos e detalhados, temos agora um interface verdadeiramente point and click, com ícones que representam diferentes acções, árvores de diálogo quando falamos com os outros NPCs e estas mudanças também se reflectiram no sistema de combate, que agora também possui ícones clicáveis.

A versão que vem incluída nesta compilação traz também o remake em VGA, que para além de ter uma interface point and click, possui um grafismo bem mais trabalhado e colorido

A nível audiovisual, o lançamento original ainda possuía um sistema de cores EGA, suportando apenas as tais 16 cores em simultâneo. Ainda assim, os cenários eram bastante bem detalhados tendo em conta as suas limitações. A versão VGA é muito mais colorida e detalhada, algo que se reflecte também nos diálogos, agora com caixas de texto com direito a um retrato mais detalhado da personagem com quem estamos a dialogar. Tanto uma versão como a outra possuem já no entanto suporte a placas de som, pelo que escusamos de ouvir os constantes beeps do PC Speaker como em títulos mais antigos. Não existe é qualquer voice acting, o que é pena, pois o jogo tem também a sua dose de bom humor (e referências a outros títulos da Sierra!).

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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