Shinobi (Sony Playstation 2)

Shinobi PS2Com o anúncio da descontinuação da Dreamcast e da mudança de ramo da SEGA para se focar inteiramente em software (no mercado caseiro) levou a que imensos jogos que estavam em produção para a Dreamcast fossem cancelados, mesmo que estivessem quase prontos, tal como aconteceu como o Half-Life, por exemplo. Muitos dos próprios jogos da Sega viram conversões para as outras consolas concorrentes, bem como o cancelamento de jogos que estavam em produção para a Dreamcast e recomeçar o trabalho noutras plataformas. Shinobi foi um deste jogos, tendo começado a ser produzido em 2001 para a Dreamcast, acabando por sair na PS2 algum tempo depois. A minha cópia foi adquirida neste ano, no eBay UK, tendo-me custado algo em torno dos 6€ mais portes de envio. O jogo está em bom estado e completo, trazendo juntamente um poster com um catálogo de outros jogos da SEGA para a PS2, na parte de trás.

Shinobi PS2

Jogo completo com caixa, manual e poster/catálogo (dobrado)

Simplesmente chamado de “Shinobi” este jogo é uma espécie de reboot da série. Apesar de se basear no clã ninja “Oboro” como nos restantes títulos, a história não segue Joe Musashi mas sim um ninja todo estiloso de nome Hotsuma. Hotsuma e o seu irmão Moritsune, os herdeiros do clã Oboro tiveram de realizar um duelo até à morte para decidir quem seria o futuro líder do clã, de acordo com as regras. Hotsumo venceu o duelo (embora sinta remorsos) e anos mais tarde acontece uma catástrofe no Japão que dizima a cidade de Tóquio, surgindo também um misterioso palácio dourado que albergava o feiticeiro Hiruko. Hiruko é um tirano que tinha sido derrotado e selado anos antes, pelo próprio clã Oboro, e na altura do seu regresso aniquilou todo o clã Oboro, deixando apenas Hotsuma como sobrevivente. Pior, Hiruko controla os cadáveres dos próprios ninjas de Oboro, motivando ainda mais o desejo de vingança por Hotsuma.

Shinobi PS2 Poster

Poster que veio com o jogo - obrigado Sega pelo mimo

Shinobi sempre foi uma série com jogos difíceis, mas este jogo abusa nesse quesito. Hotsuma é um ninja versátil e facilmente controlável, mas ainda assim o jogo consegue ser bastante castigador. A espada de Hotsuma é uma arma amaldiçoada de nome “Akujiki”, que se alimenta das almas de quem é abatido por esta. Contudo, se a espada estiver muito tempo sem receber “alimento”, é a vida do próprio Hotsuma que paga, indo diminuindo com o tempo. Isto obriga a que o jogador procure sempre o combate e não perca muito tempo em exploração de cenários. Hotsuma é um ninja bastante versátil, podendo dar saltos duplos, andar (e saltar) entre paredes, bem como usar o stealth dash, uma habilidade que faz o ninja mover-se momentaneamente de forma bastante rápida, deixando um rasto “holográfico” para trás. Esta manobra pode ser usada para esquivar de ataques de adversários, ou mesmo para ajudar no combate em si. Quando derrotamos um inimigo com a espada, este fica momentaneamente paralisado. Devemos aproveitar esse tempo para derrotar outros inimigos (sempre com a espada) que estejam no ecrã. Ao derrotar todos, é aplicada a técnica TATE, que consiste em ver os inimigos a desfazerem-se todos ao mesmo tempo, numa perspectiva cinematográfica. Aplicar TATEs dá mais pontos e mais “vida” à espada. Para além dessa espada Hotsuma pode coleccionar várias Kunais espalhadas ao longo dos níveis, que podem ser usadas para paralisar brevemente os inimigos (algo bastante útil nalguns). Para além das Kunais existem scrolls de magia que podem ser também coleccionadas (num máximo de 3). Existem 3 magias diferentes que podem ser realizadas, um pouco como à moda antiga, tal como ataques de fogo que danificam todos os inimigos numa certa àrea, ou magia para dar uma invencibilidade temporária.

screenshot

Hotsuma e um inimigo chato.

Estas técnicas parecem ser armas poderosas, e na verdade os controlos do jogo até que são bastante precisos, contudo o design dos níveis e as ondas de inimigos que começam a aparecer tornam o jogo bastante difícil e frustrante. Embora seja possível fazer “lock-on” a um determinado inimigo, nem sempre é boa ideia fazê-lo pois corremos o risco de ser “sufocados” pelos restantes inimigos que se aproximam vertiginosamente. Muitos níveis têm abismos sem fundo, algo que eu odeio profundamente quando são usados à exaustão, e para se completar esses níveis é obrigatório dar saltos cirúrgicos que englobam o uso de técnicas de wall jumping, double jumping e stealth dash. Os níveis estão divididos em 2 actos, sendo que no final de cada acto há sempre uma luta contra um boss. Não existe qualquer checkpoint ao longo dos níveis, pois uma morte seja provocada por quedas ou por combate resulta sempre em começar o nível do início. É um jogo bastante exigente, mas ao menos temos vidas ilimitadas e existe um “checkpoint” antes de cada combate contra um boss. Contudo se desligarmos a PS2 a meio do boss teremos de rejogar todo o nível novamente.

screenshot

Exemplo de um TATE

Embora o jogo não encoraje uma grande exploração devido à espada nos sugar vida e aos níveis serem traiçoeiros ao ponto de não querermos arriscar uns quantos saltos extra, a verdade é que existem várias medalhas espalhadas nos níveis que vão desbloqueando vários extras. Umas são fáceis de se obter, outras nem por isso. Os extras incluem a hipótese de rejogar os níveis já concluídos, rever as cut-scenes, artwork, bem como jogar com o irmão de Hotsume, ou com o clássico Joe Musashi. Joe comporta-se de maneira diferente dos 2 irmãos, ao não utilizar uma espada que consuma as almas, bem como as suas kunais não paralisam os inimigos, apenas dão dano. Finalmente, ao descobrir todas as medalhas nos vários níveis de dificuldade (nem quero imaginar como é o jogo em Hard ou Super) desbloqueamos os EX Stages, uns níveis extra semelhantes às VR Missions de Metal Gear Solid.

Screenshot

A hipótese de se jogar com Joe Musashi é um incentivo à exploração em Shinobi

Graficamente o jogo não é nada de especial, embora os modelos de Hotsuma e dos restantes bosses/personagens principais estão bem detalhados. Os restantes inimigos e cenários já são mais simples, o que até se pode compreender, visto ser um jogo com raízes na Dreamcast e em 2002 também não havia muito melhor numa PS2. A única coisa que me chateia nesta questão é mesmo a pouca variedade de texturas e de design nos próprios níveis. Com toda a acção, é frequente a câmara mudar de ângulo e ficarmos sem saber muito bem de onde viemos e para onde devemos ir em seguida. A nível de som o jogo tem uma banda sonora algo old-school, misturando temas como música tradicional japonesa com faixas mais rock ou electrónica. Já o voice acting, acredito que o original japonês esteja excelente. Não é estranho que a Sega inclua nas opções do jogo que o audio seja o japonês ou o inglês. Isso acontece na versão americana de Shinobi, aqui a Sega decidiu incluir outros idiomas como o francês ou o espanhol e retirou o original japonês. Se já o voice-acting em inglês é um pouco mau, nem me atrevi a espreitar os outros.

Concluindo, não posso recomendar este Shinobi a todos os públicos. Fãs da série Shinobi e da temática ninja em geral, poderão apreciar este jogo, embora sejam necessárias doses industriais de paciência e de auto-controlo para não desatar ao pontapé pela casa. Fãs de jogos old-school com graus elevados de dificuldade também poderão apreciar este desafio. Claro que os fãs hardcore da Sega também deverão experimentar este jogo, nem que seja para ter um cheirinho do que seria o Shinobi se a Dreamcast se aguentasse por mais um ou 2 anos. Este Shinobi teve uma sequela também para a PS2, de nome Nightshade (ou Kunoichi no Japão), que já apresenta uma mecânica de jogo algo diferente e menos castigadora. Mas ainda não tive a oportunidade de o jogar.

Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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3 respostas a Shinobi (Sony Playstation 2)

  1. Nunca tive grande interesse neste jogo devido à dificuldade e sobretudo à espada gulosa que nos suga energia. Detesto esse tipo de mecânica que em vez de divertir condiciona o jogador a somente derrotar inimigos para não morrer.

  2. Você faz parceria ??? Olha lá meu blog (theclassicsgames.blogspot.com) e responda lá (ou aqui pelo hotmail mesmo), pois gostei muito do seu site. Obrigado pelo seu tempo.

    Veja alguns posts
    Detonado Donkey Kong Country
    http://theclassicsgames.blogspot.com/2012/01/detonado-donkey-kong-country.html

    Análise N.O.V.A
    http://theclassicsgames.blogspot.com/2011/12/analise-nova-near-orbit-vanguard.html

    Análise World of Illusion
    http://theclassicsgames.blogspot.com/2011/12/analise-para-o-meme-o-que-joguei-em.html

    Análise Rock N’ Roll Racing
    http://theclassicsgames.blogspot.com/2011/12/analise-rock-n-roll-racing.html

    Análise Split/Second: Velocity (Celular)
    http://theclassicsgames.blogspot.com/2011/12/analise-splitsecond-velocity-celular.html

    Vamos Jogar: Sonic 3 & Knuckles
    http://theclassicsgames.blogspot.com/2011/12/vamos-jogar-sonic-3-knuckles-mega.html

    Detonado Resident Evil 5
    http://theclassicsgames.blogspot.com/2011/12/detonadoresident-evil-5.html

  3. Pingback: Nightshade (Sony Playstation 2) | GreenHillsZone

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